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27 janeiro, 2025

FREVILLE, M. -  HISTORIA DOS CÃES CELEBRES, na qual se relatão grande numero de anecdotas recreativas, e extremamente interessantes acêrca do instincto destes animaes. Traduzida do fancez de..., Por Caetano Lopes de Moura, natural da Bahia. Ornada com estampas. Pariz, Na Livraria Portugueza de J. P. Aillaud. 1845. In-8.º (16x10,5 cm) de [4], 295, [1] p. ; [4] f. il. ; E,
1.ª edição.
Importante conjunto de histórias relacionados com o Cão, onde este é o "actor" principal. Obra rara, publicada em Paris pela Aillaud, talvez a primeira que sobre este assunto se publicou na nossa língua.
A presente obra tem por objetivo reunir toda a informação sobre cães dispersa por diferentes livros de diferentes épocas, sobretudo os animais que pelas suas "virtudes" atingiram o estatuto de "celebridade". O cão de Lázaro e o de Ulisses, o de Alcibíades, mas também o de Rousseau e o de Frederico II, etc., enfim, episódios intemporais de animais vigilantes, corajosos, determinados - provando linha a linha, página a página, o epíteto "fiel amigo do homem".
Livro ilustrado com 8 bonitas gravuras distribuídas por 4 folhas separadas do texto onde se encontram representadas 22 raças caninas.
"O cão é sem contradicção um dos mais interessantes animaes entre os muitos que a providencia creou para nossa utilidade e recreação. Cousa é esta que certo não padece duvida, quando ponderamos no genio meigo e affectuoso d'estes animaes que os obriga a serem amigos do homem. Nenhum animal teve em dota, como o cão, optimas qualidades, quasi sem mistura de vicios. Assim que não é de estranhar tivessem os povos da antiguidade a lembrança de convetêl-o numa especie de divindade. Sabido é que os Egypcios o reverenciavão debaixo do nome d'Anubis, e que os gregos o collocárão no céo entre as constellações.
Argus, cão d'Ulisses, é conhecido pelos soberbos versos d'Homero. [...]
Em fim o cão representa um papel interessante tanto na historia sagrada, como na profana, e acompanha sempre alguma personagem illustre para guiál-a, defendêl-a, adevertil-a, ou consolál-a. [...]
A conclusão que se deve tirar de tão proveitosas tradições é que não ha cousa que mais nos recommende perante outrem, e lhe conquiste o coração como a amabilidade, as attenções, o bom agrado e a bondade do coração. Se tão preciosos dotes até nos proprios animaes se estimão e se recompensão, que impressão não devem fazer no animo dos nossos semelhantes? Assim que são elles indibitavelmente os melhores titulos que podêmos apresentar na sociedade, para sermos bem aceitos. Tanto nos indispõem e dissaborêão a incivilidade, acrimonia, e grosseria, quanto nos encantão e cativão a doçura, a civilidade e as attenções obsequiosas."
(Excerto do Preâmbulo - Resumo historico das excellentes qualidades dos cães)
Caetano Lopes de Moura (1779-1860). "O baiano filho de escravos que foi médico particular de Napoleão Bonaparte. Aos 18 anos participou de uma revolta conhecida como conspiração dos Búzios, que falhou fazendo-o fugir para Portugal onde - com muito esforço - conseguiria entrar na universidade de Coimbra formando-se médico. Posteriormente participaria da guerra peninsular como cirurgião do exército francês. Também adquiriu grande fama como médico particular em Paris e como produtor de obras de grande valor científico e cultural. Além disso, também traduziu para o português obras de grandes autores franceses, ingleses e alemães. Sua fama chegaria aos ouvidos do imperador francês Napoleão, que contratou seus serviços. Após a derrota final de Bonaparte na batalha de Waterloo em 1815, Caetano Moura caiu no esquecimento voltando ao Brasil em 1846, quando já tinha 67 anos de idade. Passaria necessidades chegando a mendigar pelas ruas do Rio de Janeiro. Quando o imperador Dom Pedro II ficou sabendo da sua história tratou logo de trazer o velho Caetano de volta a uma posição de prestígio, que viveu com uma pensão paga pelo estado brasileiro até sua morte aos 81 anos."
(Fonte: https://historia-do-brasil.quora.com/Caetano-Lopes-de-Moura-1779-1860-o-baiano-filho-de-escravos-que-foi-m%C3%A9dico-particular-de-Napole%C3%A3o-Bonaparte-Aos-18)
Encadernção coeva inteira de pele com dourados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. "Partido" junto à lombada, que ostenta falha de pele relevante.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

27 fevereiro, 2018

ECKARTSHAUSEN - DEOS É TODO PURO AMOR; Preces e Orações quotidianas. Por..., vertidas em portuguez pelo Dr. Caetano Lopes de Moura. Pariz, Em Casa de J.-P. Aillaud, 1849. In-32.º (11 cm) de 382, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
Obra religiosa, uma das mais apreciadas do autor, publicada originalmente na Alemanha, em 1790.
Ilustrada com uma belíssima gravura em separado.
Karl von Eckartshausen (1752-1803). "Contemporâneo de Cagliostro (1743-1795), de Louis-Claude de Saint-Martin (1743-1803) e, também, de Immanuel Kant (1724-1804), de Karl Christian Friedrich Krause (1781-1832) e de Auguste Comte (1789-1857). Nasceu no Castelo de Haimhausen (Baviera) em 28 de junho de 1752 e morreu em Munique em 13 de maio de 1803. Filho ilegítimo do Conde Karl von Haimhausen e de Maria Anna Eckart, foi baptizado com o nome de seu pai e recebeu um sobrenome inventado que reúne os sobrenomes paterno e materno: Eckartshausen. Ilustre Pensador, adquiriu educação esmerada, e acabaria por se tornar um dos escritores mais fecundos de toda a Alemanha e uma das figuras mais importantes da teosofia cristã, ainda que o Iluminismo da sua época em que viveu chegasse quase ao limite de deificar a razão humana, que deveria ser usada para descobrir as leis naturais. O pensamento prevalecente era de que se o homem usasse a razão e obedecesse às leis naturais, a espécie humana poderia alcançar a perfeição. Ainda que o Iluminismo fosse um sistema lógico e buscasse ancoragem no pensamento científico vigente, o Pietismo, que grassava paralelamente ao Iluminismo e defendia a obrigação de uma vida devota (e não raras vezes autoflagelativa), acreditava sem qualquer base dialética num renascimento espiritual sem sentido, e propunha uma reforma do Catolicismo baseada em (pré)conceitos, autoritarismo, isolamento e tutela do livre-pensamento. Eckartshausen, quase isoladamente, acreditava tanto no Reino da Natureza, como no Reino da Graça. Dotado de uma sensibilidade incomum, a sua vida foi influenciada desde a infância pelo mágico(?!) e pelo sobrenatural(?!). A partir dos sete anos teve sonhos e passou por experiências insólitas muito importantes e muito fecundas para sua vida interior, cuja interpretação lhe seria proporcionada por Sonhos posteriores. Como escreveeu a outro grande teósofo, Kirshberger, "a luz que brilha nas trevas me proporciona o conhecimento das coisas ocultas". A Luz será precisamente uma de suas obsessões, à qual dedicará diversas obras. Pode, pois, admitir-se no seu percurso místico, a presença de uma Teosofia da Luz e de uma Filosofia da Luz, ambas baseadas na sua experiência interior e em seu contacto transracional com a Actualidade Cósmica. Para Eckartshausen, a luz física percebida pelo homem não é a verdadeira Luz, mas unicamente um símbolo de sua Pátria Celeste, a ser conquistada - acrescento eu - por todos os entes, sem excepção."
(Fonte: http://paxprofundis.org/livros/eckartshausen/eckartshausen.html)
Encadernação artística coeva trabalhada nas pastas, com cercadura dourada, e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas cansadas. Com manchas no interior.
Raro.
Indisponível

03 janeiro, 2014

SAINT-ADOLPHE, J. C. R. Milliet de - DICCIONARIO GEOGRAPHICO, HISTORICO E DESCRIPTIVO DO IMPERIO DO BRAZIL, CONTENDO A ORIGEM E HISTORIA DE CADA PROVINCIA, CIDADE, VILLA E ALDEIA; SUA POPULAÇÃO, COMMERCIO, INDUSTRIA, AGRICULTURA E PRODUCTOS MINERALOGICOS; NOME E DESCRIPÇÃO DE SEUS RIOS, LAGÔAS, SERRAS E MONTES; ESTABELECIMENTOS LITTERARIOS, NAVEGAÇÃO E O MAIS QUE LHE É RELATIVO; Obra colligida e composta durante vinte e seis annos de residência e de longas peregrinações por diversas provincias do Imperio, com o auxilio d’um semnumero de manuscriptos, e d’obras publicadas em diversas linguas por escriptores tanto antigos como modernos, e de muitos documentos officiaes. POR… E TRASLADADA EM PORTUGUEZ DO MANUSCRIPTO INEDITO FRANCEZ, COM NUMEROSAS OBSERVAÇÕES E ADDIÇÕES, PELO Dr CAETANO LOPES DE MOURA, NATURAL DA CIDADE DA BAHIA. PUBLICADA PELAS DILIGENCIAS E DEBAIXO DA DIRECÇÃO LITTERARIA DE J. P. AILLAUD, VICE-CONSUL DE PORTUGAL EM CAEN, Cavalleiro das Ordens de Christo e de N. S. da Conceição de Villa-Viçosa. DEDICADO (COM PERMISSÃO ESPECIAL) A SUA MAGESTADE IMPERIAL O SENHOR D. PEDRO II, IMPERADOR DO BRAZIL. Ornada de um Mappa geral do Brazil, e de cinco Planos das cidades e portos principaes. TOMO PRIMEIRO [e TOMO SEGUNDO] PARIZ. EM CASA DE J. P. AILLAUD, EDITOR, 11, QUAI VOLTAIRE. 1845. 2 vols in-8º (21,5cm) de XIII, [1], 566, [2] p. ; [2] mapas e [4], 794, [2] p. ; [4] mapas ; E.
1.ª edição.
Esta é, seguramente, uma das mais invulgares e apreciadas obras da bibliografia brasileira do século XIX. Integram o conjunto seis mapas (fac-similados): Mapa do Imperio do Brasil, Plano da baia e Cidade do Rio de Janeiro, Plano da Bahia, Plano de Pernambuco, Plano do Porto do Pará e Plano do Porto e Cidade do Maranham.
“A importancia politica e commercial d’uma nação depende necessariamente da bondade de suas instituições civis, das producções do seu sólo e industria, e primeiro que tudo de sua posição geográfica. Appliquemos ao Brazil a ultima d’estas proposições, que é d’uma evidencia manifesta, e viremos a entender que poucos são os Estados, que considerados debaixo d’este ponto de vista, occupão um tão distincto lugar entre as demais nações. Collocado no centro do mundo civilizado, cercado pela Europa, America do Norte, Mexico e mias Estados das Indias Occidentaes, os portos do mar Pacifico, a Oceania, a Australia, as Indias Orientaes e a China, este vasto continente, uma das mais mimosas parte da immensa herança do primeiro homem, novo se nos reportarmos á época do seu descobrimento, e talvez o mais antigo de todos se nos referirmos áquella em que surgio no seio do oceano universal que alagava a superfície de nosso planeta, segundo as recentes investigações geologicas do Dr Lund, com perto de 900 legoas de costa, parece que havia sido predestinado pela Providencia para ser o centro das transacções commerciaes de todo o mundo civilizado.”
(excerto do prólogo do tradutor)
Encadernações coevas inteiras de pele com dourados nas lombadas; cansadas, apresentam defeitos nas pastas e nas lombadas. Corte de folhas pintado.
Exemplares em bom estado geral de conservação. O tomo I apresenta mancha humidade (desvanecida) no pé, e à cabeça, das páginas iniciais. No tomo II é visível uma mancha escura na margem nas primeiras páginas.
Nota: Os mapas que integram a obra, um deles a cores (Mapa Geral do Brasil), são fac-símiles que reproduzem os mapas originais, que se encontram em falta.
Raro.
Com interesse para a História do Brasil.
Indisponível