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08 julho, 2025

LACERDA, Augusto de -
JUIZO FINAL.
Evangelho da Consciencia. Apocrypho attribuido a um propheta chamado Dathan Ben-Zaddoq supposto successor do propheta Ezequiel. Segunda edição. Lisboa, Antiga Casa Bertrand - José Bastos, 1904. In-8.º (18x13 cm) de [10], 124, [4] p. ; il. ; B.
Obra de cariz esotérico, muitíssimo interessante, das mais conhecidas e apreciadas do autor.
Ilustrada com bonitas vinhetas tipográficas assinalando o início de cada um dos capítulos e f. índice.
"Isto não é um mal humorado ajuste de contas, nem tão pouco o lamentoso desabafo de um incompreendido.
Não tendo sido poupado pela ingratidão e pela maldade do meu semelhante - que nem sempre é o meu igual... - stoicamente as tenho soffrido, sem pensar em desforras, já porque o meu ser não tem tendencias para a vingança, já porque taes tendencias, se existissem, me collocariam na ridicula situação de victima, o que seria attentatorio do meu amor-proprio.
Nem todos perceberão a serie de raciocinios que me levam a encarar assim as injustiças do proximo. Compreendo-a eu e alguns. Isto me basta. [...]
- O seu livro é um sonho mau! disse-me alguem, de passagem, na rua, resumindo n'esta frase expontanea a sua impressão pessoal.
De facto, parece um sonho mau, mas um sonho feito de realidades, que são inaccessiveis aos ditosos do mundo, aquelles que da lucta pela vida só conhecem o triumpho.
Lá o digo no introito: não é livro para todos. Os sinceros ou os desilludidos hão-de comprehende-lo. Que os outros não o compreendam, ou finjam não o compreender, pouco me importa."
(Excerto de Prefacio da segunda edição)
Indice:
Introito | Prefacio da segunda edição | Preambulo bibliographico | I - Em Fel. II - O Peccado Original. III - Amor... «Amores!». IV - Nova Babel. V - Circulo vicioso. VI - A vida atravez da morte. VII - Marinhas e Payzagens. VIII - «Pro Libertate!». IX - O principio do fim. X - Juizo Final.
Fernando Augusto de Lacerda e Melo (1865-1918). "Nasceu em Loures no dia 6 de Agosto de 1865, sendo o mais velho de doze irmãos. Aos 13 anos foi estudar para Lisboa, tendo ficado ao cuidado do seu tio paterno Joaquim Ciríaco, em casa de quem morou até aos 19, altura em que regressou a Loures. Corria o ano de 1884. A sua mãe, entretanto, já tinha falecido e Fernando dedicou-se a ajudar o pai a criar os seus irmãos mais novos.
Aos 34 anos, ou seja, em 1899, começou a despontar nele a Psicografia, enquanto recuperava a fé perdida na adolescência e que começava a ser consciente de que há vida depois da morte.
Grande parte do apoio que teve para o desenvolvimento da sua mediunidade ficou a dever-se a um íntimo amigo seu, o Dr. José Alberto de Sousa Couto, espírita e advogado de nomeada. Embora a sua mediunidade tenha começado pela Psicografia, também se desenvolveu nas áreas da clariaudiência, da vidência, da cura e da Psicografia especular (mensagem que só pode ser lida através de um espelho, por estar escrita ao contrário).
Dos espíritos que se manifestaram por seu intermédio, os que causaram maior impacto na sociedade da época foram Heliodoro Salgado, Eça de Queiroz, João de Deus, Júlio Diniz, Napoleão, Augusto de Castilho, Victor Hugo, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco. O facto foi comentado pelos jornais da época, entre eles o “Jornal da Noite”, na edição de 23/11/1906:
“ (…) F.L., conversando despreocupadamente com os amigos, falando normalmente e respondendo-lhe acertadamente, sente uma necessidade imperiosa de escrever, e num estado psicológico especial, continuando a conversar – bem dentro da sua personalidade – deixa o seu braço armado de lápis fazer o que quiser, e recebe comunicações espantosas.”
Se havia quem questionasse a veracidade das faculdades mediúnicas, embora sem pôr em causa o carácter do médium, havia quem troçasse e criticasse, o que o entristecia e desanimava. Mas tinha nos próprios espíritos o consolo, a força e a ajuda de que precisava. E, do lado de cá, tinha no seu amigo Sousa Couto um sólido apoio.
Recebia tantas mensagens e tantas missivas, que começou a pensar reunir tudo num livro. (Não esqueçamos que a grande missão de Fernando de Lacerda foi justamente a da divulgação da comunicação e da sobrevivência da alma!)
Em 1908 e após dois anos de trabalho, o livro foi finalmente publicado.
Várias personalidades da época, entre elas Teófilo Braga, teceram diversos comentários sobre a obra, que rapidamente se tornou num “best-seller”. Foi tamanho o sucesso que, imediatamente, foi publicado o 2.º volume. Mas o mais curioso é que, embora o livro fosse o mais vendido de então, poucos eram os que gostavam de afirmar que o tinham lido…
Entretanto, a partir deste mesmo ano de 1908, o médium começou a ser ferozmente perseguido pelo partido republicano, com diversos ataques e calunias.
Em Portugal vivia-se uma época turbulenta, em termos políticos, com o descontentamento popular a aumentar a cada dia mais, até que em 5 de Outubro de 1910, o povo de Lisboa levanta-se em armas, depõe a monarquia, e implanta a República no país. A partir dessa altura, a população em geral começou a dar ouvidos às crenças materialistas e ateístas pregadas pelos republicanos.
A posição do médium tornava-se cada vez mais difícil, pois era de todos conhecida a sua fé fervorosa e a sua ligação à espiritualidade. Assim, e animado por um seu amigo, administrador da livraria da Federação Espírita Brasileira, com quem trocava assídua correspondência, começou a pensar em emigrar para o Brasil.
Porem, antes, ainda publicou o 3.º volume do “Do País da Luz”.
Em 10 de Julho de 1911 deixa Lisboa no navio Astúrias, rumo ao país irmão, com o coração cheio de tristeza por se separar de sua família, dos amigos, e da sua terra natal. Com ele não levava nenhum dinheiro, nem sequer a certeza de que iria conseguir recomeçar… apenas o acompanhavam a fé e a ajuda dos espíritos, que nunca o traíram nem o abandonaram.
Chegou ao Rio de Janeiro 13 dias mais tarde, a 23 de Julho de 1911. Prestes a fazer 46 anos, uma nova vida estava à sua espera…"
(Fonte: https://aeamissionariosdaluz.org/2024/08/06/fernando-lacerda/)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Raro.
Indisponível

26 julho, 2020

LACERDA, Augusto de - O RABBI DA GALILÉA : romance sobre a Vida de Jesus. [Lisboa], Antiga Casa Bertrand - José Bastos - Livreiro Editor, [1904]. In-4.º (27 cm) de 1008 p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição em livro.
Romance naturalista sobre a vida de Jesus. Na época causou polémica a forma como Lacerda apresentou Cristo - simples, humano -, imagem contestada pelas autoridades eclesiásticas de Portugal e Brasil, tendo sido desaconselhada a sua compra.
Livro ilustrado ao longo do texto com belíssimos desenhos de Alfredo Roque Gameiro (1864-1935) e Manuel de Macedo (1839-1915). Inclui um retrato do autor em separado, reprodução de uma aguarela de Roque Gameiro.
"Quem foi Jesus?
Eis uma pergunta que muitas pessoas teem dirigido a si proprias, ou vivam animadas da mais pura crença, ou do mais inveterado scepticismo.
Quem foi Jesus?
Por muito sincera que seja a humildade com que são recebidos os preceito do cathecismo christão, ou por muito radical que se affigure a antipathia, quasi sempre inconsciente, que esse cathecismo possa dispertar em certos espiritos - o positivo é que a grande maioria dos que constituem a massa geral do publico ignora a vida do fundador do christianismo.
Quem foi Jesus? perguntam aquelles que, apesar de todo o seu sentimento religioso, nunca leram os Evangelhos que a Egreja authenticou.
Quem foi Jesus? perguntam aquelles que, apesar das suas tendencias racionalistas, nunca passaram o olhar pelos livros em que a figura gigantea e inconfundivel do carpinteiro nazareno é illuminada pela critica historica. [...]
Almas simples, corações sinceros, consciencias puras, é com este livro que vos respondo, é para vós que eu o escrevo!"
(Excerto do Prefacio)
Encadernação editorial em tela com desenhos e dourados gravados nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Com sinais de manuseio.
Invulgar.
Indisponível

14 março, 2018

A PAIXÃO DE CAMILO (Ana Plácido) : um romance verdadeiro. [S.l.], [s.n.], [1924?]. In-8.º (18 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto de apresentação da obra de Rocha Martins A paixão de Camilo. No interior, são reproduzidas as crónicas jornalísticas publicadas na imprensa portuguesa acerca do romance e do seu merecimento: "O Jornal do Comércio"; "O Comércio do Porto"; "Diário de Notícias"; "O Século"; "O Primeiro de Janeiro"; "O Correio da Manhã"; "O Dia"; "A Tarde"; "Suplemento da Batalha"; "Diário de Notícias" : página literária em que o autor explica a sua obra; "O Primeiro de Janeiro" : o que diz António de Cértima; "Jornal de Notícias" : o que diz  Joaquim Costa; "O Dia" : o que diz Augusto de Lacerda; "Heraldo", da Madeira : o que diz Reis Gomes; Carta de Lisboa no "Jornal de Notícias", do Porto : o que diz Eduardo de Noronha.
Capa belíssima de Stuart Carvalhais que ostenta a "máscara ensanguentada do suicida" emoldurada por desenho de fina filigrana.
"É mais do que um romance de amores porque é a tragedia viva, acontecida, de dois amorosos que por muito amar se perderam. E que amorosos! Ele, o que tanto queria à sua amada, fez da sua dôr um poema: «Amor de Perdição», as paginas lidas e soluçadas, banhadas de prantos, soletradas com angustias.
Ela, a que ao genio se entregou, deixando a existencia calma pela aventura, no seu «Diario», ao qual se arrancaram paginas para a «Paixão de Camilo», soube bem dizer como se lhe confrangia a alma pelas desditas do seu amor em que houve todas as amarguras: desesperos e ciumes mortais, a loucura de um filho, a cegueira do amante, a desilusão da sua alma e o tiro do suicida, do ingrato que sósinha deixou no mundo a apaixonada, tão perdida pelos beijos de sua bôca como pela luz de seus talentos."
(Preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Peça de colecção camiliana.
Opúsculo sem referências bibliográficas, incluindo a BNP.
Indisponível

12 março, 2012

LACERDA, Augusto de - JUDAS : Romance Lirico em quatro jornadas. Lisboa, Antiga Casa Bertrand-José Bastos, 1901. In-8º (18,5cm) de [6], 119, [3] p. ; E.
Edição numerada (exemplar nº 157).
1ª edição.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros a ouro na lombada; conserva a capa de brochura.
Bom exemplar.
Invulgar.
20€
Reservado