Mostrar mensagens com a etiqueta *CEBOLA (Luís). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta *CEBOLA (Luís). Mostrar todas as mensagens

27 setembro, 2024

CEBOLA, Luís -
MEMÓRIAS DE ESTE E DO OUTRO MUNDO. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas Scarpa, Lda. - Lisboa], 1957. In-8.º (19x12 cm) de 98, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Livro de memórias do conhecido médico alienista Luís Cebola. Encontra-se organizado em duas partes: a primeira - Memórias deste mundo - diz respeito às suas memórias, desde rapaz novo até à sua situação de médico reputado; a segunda - Memórias do outro mundo - inclui as reflexões sobre o seu trabalho na área da psiquiatria.
Contém ainda referências ao poeta Fernando Pessoa, bem como a Egas Moniz, seu colega, por quem manifesta alguma aversão e antipatia.
"Quase todo este livro foi escrito em 1953, ao correr da pena, sob a forma de episódios, extraídos do subconsciente e de velhos papeis, guardados há muitos anos. Eis a razão de nem sempre seguirem a ordem cronológica.
Também lhes juntei breves recordações de viagens de estudo em vários países, iniciativas de progresso que criei no Hospital Psiquiátrico do Telhal, e alguns trechos das minhas obras, versando novos temas de Psicopatologia e Direito Penal, em relação com a loucura, porque as edições se encontram esgotadas."
(Excerto da Nota preliminar)
Índice:
Nota preliminar. | Primeira Parte - Memórias deste mundo. | Segunda Parte - Memórias do outro mundo.
José Luís Rodrigues Cebola Júnior (Alcochete, 1876 - Lisboa, 1967). "Foi um psiquiatra, director clínico da Casa de Saúde do Telhal e escritor português. Luís Cebola, médico alienista, estudou no Colégio Almeida Garrett, em Aldeia Galega (actual Montijo), onde completou os três primeiros anos do curso liceal, sendo depois transferido para o Liceu Nacional de Évora. De 1895 a 1900, realizou a preparação para os estudos médico-cirúrgicos na Escola Politécnica de Lisboa. Estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa de 1899 a 1906. A decisão de seguir a especialidade de doenças nervosas ou psiquiatria surgiu, segundo Cebola, durante o 4.º ano do curso, após a leitura do livro, Les psychonévroses et leur traitement moral (1904), do neuropatologista suíço Paul Charles Dubois (1848-1918). Em 1906 defendeu a sua tese inaugural, A Mentalidade dos Epilépticos, sob a orientação do Professor Miguel Bombarda no Hospital de Rilhafoles. O objectivo do seu trabalho consistiu em investigar se havia alguma lei psicopatológica nos escritos e obras artísticas (desenhos, cartas, livros, etc.) dos epilépticos aí internados.
Luís Cebola foi nomeado director clínico da Casa de Saúde do Telhal (pertencente à Ordem Hospitaleira de São João de Deus), a 2 de Janeiro de 1911, por Afonso Costa em representação do Governo Provisório da República Portuguesa, cargo que desempenhou até 1948. Enquanto director clínico parece ter sido responsável pela introdução e desenvolvimento da ergoterapia ou laborterapia, que visava a recuperação dos pacientes através do trabalho dirigido. E ainda, pela prática de uma psiquiatria social ou comunitária, i.e., uma terapêutica humanitária que visava incentivar a interacção social entre pacientes, médicos, enfermeiros, irmãos e familiares, através da prática de ofícios e de actividades artísticas, lúdicas e desportivas.
Inspirado pelas muitas viagens de estudo que fez pela Europa, com o objectivo de se manter informado em relação às inovações teóricas e metodológicas que ocorriam na psiquiatria, Luís Cebola pretendia que a Casa de Saúde do Telhal se transformasse numa instituição moderna, estando na vanguarda das terapêuticas e apostando no melhoramento da qualidade dos pavilhões e espaços exteriores. Pretendia seguir o exemplo da assistência moral aos alienados e das colónias agrícolas que visitara na Bélgica, França e Inglaterra, onde observara resultados muito positivos na evolução dos pacientes. Por volta de 1925, fundou na Casa de Saúde do Telhal um museu ergoterápico ou “da loucura”, segundo as palavras do próprio Cebola, onde reuniu obras artísticas (esculturas, desenhos, pinturas, poemas, etc.) produzidas pelos seus pacientes. Cebola estimulou ainda, com o apoio dos Irmãos Hospitaleiros, a produção de periódicos manuscritos pelos pacientes nos quais estes relatavam eventos do quotidiano e publicavam os seus poemas, escritos e anedotas. Luís Cebola terá também proposto aos Irmãos de São João de Deus a criação de uma Escola de Enfermagem. Esta foi fundada em 1936 e ficou sob a direcção de Meira de Carvalho, clínico geral, que entrara na Casa de Saúde do Telhal em 1931, como médico assistente. No final do ano de 1936, Cebola iniciou um curso de psiquiatria que funcionava em paralelo às aulas de enfermagem geral, visando ensinar aos Irmãos os princípios modernos da assistência a alienados."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Primeiras páginas levemente amarelecidas na margem lateral por acção da humidade.
Muito invulgar.
25€

31 maio, 2021

MACHADO, A. Victor -
DO CRIME E DA LOUCURA.
Estudo sobre delinqüentes, observando-os perante as disposições dos Códigos de Justiça e a Medicina Legal. [Prefácios dos Ex.mos Srs. Drs. Luís Cebola e João Ramos de Castro]
. Lisboa, Henrique Torres - Editor, [1933]. In-4.º (24,5x19 cm) de 414, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico, biográfico, sociólogo e médico-legal de alguns conhecidos facínoras portugueses, passando em revista os crimes tenebrosos que na época em que foram cometidos abalaram o país.
Livro ilustrado ao longo de texto com tabelas e desenhos, bem como estampas coladas reproduzindo o retrato dos meliantes, e num dos casos, as fotografias (chocantes) da vítima no local do crime, conforme foi encontrada, e noutra, "arranjada" e exposta para reconhecimento popular.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Álvaro de Almeida, popular actor da primeira metade do século XX, e pelo seu ex-libris, colado no canto inferior esquerdo da mesma página.
"Investigador criterioso, A. Victor Machado, depois de haver colhido notas devéras interessantes em vários arquivos de cadeias, tribunais e manicómios, concatenou-as hábilmente e elaborou um livro, de estilo apropriado - simples e fluente - porquanto o destinava ao grande público. Mas não só este irá deleitar-se com sua leitura; tambem os cientistas, que se dedicam aos estudos médico-forenses do crime, acharão aqui elementos preciosos, para melhor fundamentar os seus pontos de vista ácêrca da responsabilidade e anomalias dos malfeitores célebres."
(Excerto do prefácio do Dr. Luís Cebola)
"O crime praticado por Francisco de Matos Lobo, num primeiro andar do prédio número 5 da rua de S. Paulo, na noite de 25 para 26 de julho de 1841, - há perto de um século - é uma das maiores monstruosidades que a História Criminal regista. [...]
Matos Lobo, após a horrenda chacina que pôs em prática, dizimando, com a mais requintada ferocidade, quatro vidas, foi entregue ao Poder Judicial, que o julgou e condenou, sem que a Ciencia Médica se pronunciasse sôbre o estado mental do assassino.
Prêso na noite em que praticára o crime (25 de Julho de 1841), fôra julgado  trinta e seis dias depois, (30 de Agosto), e enforcado em 17 de Abril de 1842, - 265 dias depois do seu hediondo feito."
(Excerto de Francisco de Matos Lobo)
Indice: Prefácio. | Duas palavras. | Nota preambular. | Francisco de Mattos Lobo - (Homicidío e roubo) (1814-1842). | Luís Augusto Pereira (o Físico-Mór) - (Furto) (1858-1866). | Diogo Alves (o Pancada) - (Homicidío e roubo) (1810-1841). | Joséfa da Conceição - (Infanticidio) (1875). | João António Lobo (o Mestre Lobo) - (Homicidio, fôgo-posto e roubo) (1893) . | Virgínia Augusta da Silva - (Homicidio por envenenamento) (1860-1897). | Tomaz Ribeiro - (Assassínio) (1871-1893). | Adriano Joaquim Moreira - (Homicídio) (1879). | Tatuágem e Gíria das Prisões. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade - desvanecida - atinge as primeiras folhas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e forense.
Indisponível

15 dezembro, 2020

CEBOLA, Luiz - A MENTALIDADE DOS EPILEPTICOS. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1906. In-8.º (21,5 cm) de 172 p. ; [7] f. il. ; B.
1.ª edição.
Tese de final de curso do conhecido médico alienista Luís Cebola, discípulo de Miguel Bombarda (1851-1910), eminente médico e político republicano.
Com ilustrações intercaladas no texto reproduzindo sete desenhos de pacientes que integram o estudo.
"O ribombo da nuvem que faiscava na amplidão do ceu, o sibilo do vento ramalhando atravez das florestas colossaes, o marulho da onda encapelada e turva e outros phenomenos cosmicos aterravam o homem primitivo. Desconhecendo o seu determinismo, prostrava-se em oração ante esses factos que se lhe deparavam como phantasmas enigmaticos. Era o alvorecer das religiões, creadas pelo medo que o mysterio gerava. [...]
Com o advento da edade media e pathologia do Diabo attinge a maxima plenitude.
Os conventos guardam fervorosamente reliquias e tradições inuteis. Explora-se a crendice popular sob intuitos religiosos e politicos.
Os que não crêm nos designios supremos são torturados nos carceres ou queimados nas fogueiras. Alastram n'um crescente epidemico os delirios de hystero-demonopathia. Contra Belzebú proclama-se remedio efficaz o exorcismo. [...]
N'estas epocas d'obscurantismo, os alienados são perseguidos, atirados para masmorras infectas e por vezes entregues ao carrasco ou abandonados á sua miseria e inconsciencia. [...]
E ainda hoje, a despeito de tanyas maravilhas scientificas, o Prodigio e a Chiromancia assentam arraiaes nos meios mais requintados de progresso... [...]
Todavia, já muito se tem conseguido no campo da verdade. [...]
Com effeito a interpretação scientifica dos milagres e dos delirios fatidicos fez emmudecer os espiritos de segunda vista, explicando-se as convulsões diabolicas, as palavras interiores e as visões mysticas. Cavalgando o Sobrenatural, a Sciencia rasgou, emfim, o espantalho do Maravilhoso.
O cerebro, no emtanto, esconde ainda muitos segredos no fundo das suas circumvoluções. É preciso sonda-los, aprehende-los e traze-los a lume. O seu conhecimento da-nos o conhecimento do homem. [...]
Infelizmente as doenças nervosas tende a augmentar cada vez mais. Na sua etiologia avulta a intensidade da vida actual. Por seu turno, a syphilis e o alcoolismo ateiam a devastação organica dos esgotados que vemos todos os dias, em grande numero, baixarem aos manicomios.
Ao medico incumbe o dever d'investigar os motivos das aberrações physicas, fixar as diversas entidades morbidas e aconselhar aos profanos os preceitos da hygiene da alma. Inquirir, curar e moralisar. Eis o verdadeiro medico - psychologo, therapeuta e moralista."
(Excerto do preâmbulo)

Luís Cebola (Alcochete, 1876 - Lisboa, 1967). "Médico alienista, estudou no Colégio Almeida Garrett, em Aldeia Galega (actual Montijo), onde completou os três primeiros anos do curso liceal, sendo depois transferido para o Liceu Nacional de Évora. De 1895 a 1900, realizou a preparação para os estudos médico-cirúrgicos na Escola Politécnica de Lisboa. Estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa de 1899 a 1906.
A decisão de seguir a especialidade de doenças nervosas ou psiquiatria surgiu, segundo Cebola, durante o 4.º ano do curso, após a leitura do livro, Les psychonévroses et leur traitement moral (1904), do neuropatologista suíço Paul Charles Dubois (1848-1918). Em 1906 defendeu a sua tese inaugural, A Mentalidade dos Epilépticos, sob a orientação do Professor Miguel Bombarda no Hospital de Rilhafoles. O objectivo do seu trabalho consistiu em investigar se havia alguma lei psicopatológica nos escritos e obras artísticas (desenhos, cartas, livros, etc.) dos epilépticos aí internados. Para além disso, pôs em causa a tese defendida por César Lombroso (1835-1909), médico legista italiano, na sua obra O Homem de Génio (1889). Nesta afirmava que o génio era uma condição mórbida, e resultava de uma psicose de natureza epiléptica. Cebola considerava que o maior erro desta tese era o de defender que a inspiração criativa apenas ocorria nos espíritos superiores. Segundo Cebola, o acto de inspiração artística obedecia aos mesmos processos em todos os homens, podendo apenas haver diferença de grau. Concluiu que o génio não era sinónimo de degeneração epiléptica, ou nas suas palavras, o homem de génio “é progresso e não degenerescência”. Foi publicado a 26 de Agosto de 1906, um artigo dedicado a este capítulo da tese de Luís Cebola, na revista dirigida por Miguel Bombarda, A Medicina Contemporanea."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto superior esquerdo. Mancha ténue de humidade atinge a capa e a f. anterrosto. A numeração das páginas não estará correcta; às primeiras 16 páginas (inumeradas), que inclui as folhas de rosto, anterrosto e preâmbulo, seguem-se as restantes com início na página 29, o que indicia encontrarem-se em falta 12 páginas do livro, desmentidas no entanto pela sequência lógica da obra, que aparenta não existirem faltas, mas sim numeração errada.

Muito raro.
Com interesse histórico e clínico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

22 agosto, 2020

CEBOLA, Luiz - ALMAS DELIRANTES. [Por]... Director-Clinico do Manicomio do Telhal. Lisboa, Comercial Grafica, L.da, 1925. In-4.º (24 cm) de 194, [4] p. ; [17] f. il. ; B.
1.ª edição.
Viagem ao "mundo" dos alienados empreendida por Luís Cebola (1876-1967), conceituado médico alcochetano do primeiro quartel do século XX, especialista em doenças do foro mental.
Livro ilustrado com 17 fotogravuras intercaladas no texto, incluindo o retrato do autor.
"Ha vinte anos, iniciei as minhas viagens através dum outro mundo.
Jamais me embrenhei nessas regiões bisarras, sem registar uma nota interessante que me ajudasse a desvendar os misterios da Vida e da Morte.
Trilhando ocultas verêdas, muitas vezes me julguei incapaz de prosseguir; mas, a certa altura da jornada, surpreendia aspectos e panoramas tão atraentes, que, no regresso, abraçava satisfeito a meditação àcêrca dos homens e das coisas. Foi assim que comecei a compreender o sentido verdadeiro dos factos, assinalados no ciclo das existencias que dantes reputava obscuras.
No convivio com as almas de esse mundo abandonei todas as vaidades. Desci então ao abismo onde se esconde a noite; e de lá trouxe a coragem inalterável que desarma os perigos e amacia os obstáculos.
A flor magnifica da Filosofia desabrochára em meu ser. Agora já eu podia demandar o Palacio encantado.
Um dia logrou penetra-lo, enfim, a labareda que me consumia o espírito, retemperando-o para as lutas da Verdade.
Postas em jogo as minhas virtudes de criatura adaptavel, debrucei-me na Varanda Ideal sobre a multidão estranha.
Analisei-a.
Emocionei-me.
Vi o pensamento voar aos páramos do Infinito Vi as concepções atingirem as grandesas inegùaláveis. Vi as trévas faulharem as fulgurações do genio.
Assisti ao desenrolar dos sentimentos: ora suavíssimos, como um arroio cristalino, ora encapelados em vagalhões que tudo subvertem na sua queda. [...]
A plástica e o ritmo tinham as suas demonstrações funambulescas.
E, a fechar o cortejo, a cavalgada nevoenta dos indigentes de sol, de amôr e de energia. Sombra, indiferença, afrrapo. A miseria suprema das consciencias apagadas. O esquecimento. A cinza. O túmulo. Nada.
Foram estas impressões, colhidas nos departamentos da Loucura que me sugeriram este livro destinado àqueles que os desconhecem. Acharão nele algumas das mil facetas dos espíritos que desvairam."
(Excerto do Proemio)
"Quando na estrada que vai do berço á campa, nós presentimos o perigo iminente da queda final, logo, por instinto, mobilisamos os recursos máximos da defesa: apenas alguns tresloucados resolvem ficar á margem, devorando-se a si próprios.
O mineiro a esburacar as entranas da Terra; o fogueiro tressuando á boca da fornalha; o medico no ataque aos infinitamente pequenos que semeiam o flagelo das epidemias; o mergulhador devassando as profundesas abissais; todos, em suma, não obstante arrastarem o pesado madeiro da crucificação saúdam a Vida, com os lábios afeitos ás lamentações pungentes; enamoram-se dela, com os olhos já cansados de tantos horisontes sinistros; e entretecem-lhe corôas de rosas, com as mãos que amortalham dia a dia os altissimos ideais.
Este apêgo á existencia manifesta-se igualmente nos alienados cuja euforia se mostra ilimitada, enquanto as familias lhes desejam a morte.
Singular contraste, pondo em relevo uma ironia amarga!"
(Excerto de Na fronteira da Morte)
Indice do texto: Proemio. | Onde se encontra a Felicidade. | Mascaras. | Na fronteira da Morte. | Paraisos artificiaes. | O Amor. | Aparições macabras. | Sátira e filosofia. | Os Lobisomens. | A Moral. | Revivescência. | Historia triste. | As Bruxas. | Sombras fugidias. | Museu. | A Serpente do Mal. | Cantor boemio. | Dialogos. | Onde se esconde a maior Dôr.
Luís Cebola publicou em 1925 o volume Almas delirantes, onde apresentava diversas psicopatologias não de um ponto de vista médico-científico, mas elaborando retratos metafóricos e líricos, demonstrando que a perceção que tinha sobre os doentes ultrapassava a de objetos de estudo científico, constituindo um processo de identificação, empatia e compaixão. Cebola definia os estados psicopatológicos por oposição à normalidade, salientando, todavia, que estas doenças poderiam surgir em qualquer indivíduo, funcionando o livro simultaneamente como um aviso aos leitores. O volume permitia-lhe ainda divulgar o Museu da Loucura, que criara na Casa de Saúde do Telhal, e a arte dos seus pacientes, colocando-se assim na posição de mensageiro entre o universo fechado do hospital psiquiátrico e a sociedade portuguesa.
(Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104-59702018000100143&lng=en&nrm=iso&tlng=pt)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Manchado de humidade, no pé e à cabeça, com maior relevância no início e no final do livro.
Raro e muito curioso.
Indisponível

02 agosto, 2020

CEBOLA, Luís - PATOGRAFIA DE ANTERO DE QUENTAL. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Ideal, Lisboa], 1955. In-8.º (19 cm) de 113, [15] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio histórico, hereditário e psiquiátrico, pretende trazer alguma luz sobre as causas que concorreram para o suicídio do conhecido vate português.
"Muito se tem escrito sobre a vida e morte de Antero de Quental. De tantas realidades e hipóteses salienta-se o mistério que envolve o suicídio. Nem mesmo o eminente professor da antiga Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, Doutor José Tomás de Sousa Martins, arguto e erudito, resolveu o problema, porque no seu tempo a classificação psiquiátrica ainda não se firmava em trabalhos magistrais [...]
Tornando a ler os Sonetos Completos, de Antero de Quental, analisei toda a sua obra e as circunstâncias do suicídio, à luz da Psiquiatria moderna e Psiquiatria positiva. Com elas, aprendera a procurar segredos da natureza humana, ocultos no cérebro, quando, durante trinta e três anos, desempenhei as funções de médico-director do Hospital de doenças mentais do Telhal, e nos estudos em manicomios estrangeiros."
(Excerto de Nota preliminar)
"A Patografia tem por objecto investigar e descrever a influência que exerceu na vida duma personagem histórica a sua psicose ou psicopatia congénita. [...]
Aplicada ao caso de Antero de Quental, vou rebuscar os materiais, indispensáveis a um juízo seguro, nos antepassados e ambiente familiar, pedagógico, telúrico e académico; na marcha ondulatória do intelecto e do temperamento; no impulso revolucionário; no exame da obra máxima do Poeta; na correspondência epistolar; e na moléstia acidental e apreciação do conjunto psico-somático."
(Excerto de Objectivo da Patografia)
Índice:
Nota preliminar. | Objectivo da Patografia. | I - Factores intrínsecos e extrínsecos. II - Evolução cíclica da personalidade. III - Actividade político-social. IV - Análise dos «Sonetos Completos». V - Cartas e Comentários. VI - Doença intercorrente e conclusões.
José Luís Rodrigues Cebola Jr. (1876-1967). Natural de Alcochete. "Médico psiquiatra, formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde foi discípulo Miguel Bombarda. Foi director clínico da Casa de Saúde do Telhal, da Ordem Hospitaleira de São João de Deus (1911-1948), onde desenvolveu um trabalho médico inovador, pautado por uma elevada sensibilidade humana e social. Além das obras científicas, Luís Cebola também redigiu obras de natureza ficcional, mas inspiradas nas suas observações, experiências e reflexões como médico."
(Fonte: https://www.m-almada.pt/arquivohistorico/details?id=99908)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capas manchadas de humidade.
Muito invulgar.

Indisponível

24 dezembro, 2019

CEBOLA, Luiz – HISTORIA DUM LOUCO : analisada sob o aspecto psico-clinico. Lisboa, Livraria Central Editora H. E. Gomes de Carvalho, 1926. In-8.º (19 cm) de 168 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo de Luís Cebola, médico alienista, na época, director-clínico do Manicómio do Telhal.
“Não se encontra, ao correr a gama das perturbações emotivas, nada que se compare á Dôr Moral que este livro encerra. Jamais se evocou, em côres tão vivas, o terramoto duma alma que foi abatida pelo desvario e se perdeu através um dédalo de conflitos insoluveis, mergulhando exausta no silencio, ao cabo de violentos paroxismos de angustia, desespero e terror.
Caso clinico interessantíssimo, seria imperdoavel deixal-o oculto num arquivo de manicómio.
O heroi triste dessa larga historia de infinita desolação por minha instancia a narrou, mal a consciencia, refeita de luz, emergiu da sua noite de quatro anos. Tudo quanto sentiu adentro do cranio em tumulto, rememorou com admiravel precisão e riquesa de pormenores.
Ler esse documento é ouvir o grito duma tragedia. Analisa-lo é dissecar, atingindo as proprias raises ancestrais, o inventario duma existencia torturada.”
(Excerto do prefácio)
Luís Cebola (1876-1967). Médico alienista, natural de Alcochete. Estudou no Colégio Almeida Garrett, em Aldeia Galega (actual Montijo), onde completou os três primeiros anos do curso liceal, sendo depois transferido para o Liceu Nacional de Évora. De 1895 a 1900, realizou a preparação para os estudos médico-cirúrgicos na Escola Politécnica de Lisboa. Estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa de 1899 a 1906. Em 1906 defendeu a sua tese inaugural, A Mentalidade dos Epilépticos, sob a orientação do Professor Miguel Bombarda no Hospital de Rilhafoles. Luís Cebola foi nomeado director clínico da Casa de Saúde do Telhal (pertencente à Ordem Hospitaleira de São João de Deus), a 2 de Janeiro de 1911, por Afonso Costa, em representação do Governo Provisório da República Portuguesa, cargo que desempenhou até 1948. Enquanto director clínico parece ter sido responsável pela introdução e desenvolvimento da ergoterapia ou laborterapia, que visava a recuperação dos pacientes através do trabalho dirigido. E ainda, pela prática de uma psiquiatria social ou comunitária, i.e., uma terapêutica humanitária que visava incentivar a interacção social entre pacientes, médicos, enfermeiros, irmãos e familiares, através da prática de ofícios e de actividades artísticas, lúdicas e desportivas.”
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Carimbo na capa.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar cadastrado na sua base da dados.
Indisponível

24 julho, 2016

CEBOLA, Luís - PSIQUIATRIA SOCIAL. Ilustrações de Adolfo de Almeida, J. Ferreira d'Albuquerque e Stuart Carvalhais. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, 1931. In-4.º (23,5cm) de 204, [4] p. ; [1] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas de "vulgarização scientifica", a maior parte delas, publicadas no Diário de Notícias.
Obra ilustrada com o retrato do autor em extratexto. Muito valorizada pelos belíssimos desenhos que acompanham o texto, alguns em página inteira.
"A guerra que a Alemanha desencadeou em 1914, veio aumentar excessivamente, no mundo inteiro, o número de alienados. Caído na engrenagem bélica, por dever de aliança, secularmente pactuada com a Inglaterra, e por legítimo desejo de conservar as nossas províncias Ultramarinas, Portugal havia de colhêr as boas e as más conseqüências que derivariam dêsse acto de patriotismo e argúcia diplomática. Das segundas é que nos proveio, como às demais nações, a sobrecarga de loucos. [...]
Eu tratei, na Casa de Saúde do Telhal, a maior parte dos loucos que vieram do sector da Flandres e da Africa.
Recordando essa época de assustador acréscimo de perturbações psíquicas, cumpre-nos salientar, aqui, uma nota assás honrosa para o nosso povo. No referido estabelecimento psiquiátrico apenas registei um caso de simulação. Todos os oficiais e praças que ali foram internados, estavam afectados na sua mentalidade.
As determinantes haviam sido múltiplas. O cansaço físico, a nostalgia da Pátria e da família, a disposição congénita para as doenças da psique, a sífilis adormecida, o esgotamento de ordem intelectual e moral e, sobretudo, a emoção fulminante, produzida pelos obuses, deram origem a várias loucuras já conhecidas dos alienistas que não descobriram, em suas aturadas observações e pesquisas, nenhum sindroma revelador duma nova entidade vesânica. Todavia, predominou sempre a psicose emocional com o seu onirismo alucinatório e delirante.
O choque houvera sido tão violento, que, longe do pleiro, sentiam-se ainda envolvidos nas scenas apavorantes da guerra: os assaltos imprevistos às trincheiras, os arremêssos de granadas, a luta titânica de corpo a corpo na «Terra de Ninguém», o ruído enervante dos motores das aeronaves, o ribombo da artilharia pesada, as nuvens rastejantes dos gases tóxicos, o estilhaçar das pontes, o naufrágio dos navios torpedeados pelos submarinos traiçoeiros, o desmoronar das aldeias e cidades, os pesadelos dos sonhos regados de sangue, o silêncio inquietante das noites, a cólera dos prisioneiros, os ais dos feridos e a hecatombe dos mortos."
(excerto de Os loucos da Grande Guerra)
"A crença no regresso daqueles que morreram, ganha milhares de adeptos em todo o mundo. Simultâneamente, cresce o número das sociedades espíritas, caem no mercado livros , opúsculos e jornais em catadupas de propaganda e, com afan, se levantam os templos da nova religião.
Os espíritos, sob condições propícias, reaparecem - falando e escrevendo.
Habitantes das esferas luminosas que giram perpètuamente no espaço incomensurável, descem à Terra, na sagrada missão de aconselhar os vivos e procederem sempre com lisura de carácter e amor fraterno.
Quem duvidará dêles? O seu verbo, depurados das mentiras terrenas, traduz sómente a Verdade.
Acaso irá alguém negar a sua existência imaterial, mas constatada por actos insofismáveis, por realizações tangíveis, por documentos que os retratam?
- Ah! sim, os mortos voltam!"
(excerto de Os mortos voltam?) 
Matérias:
Explicação prévia. Doidos à solta. Um problema médico-social de flagrante actualidade. Proémio. I - Crianças anormais na Escola Primária. II - Os vagabundos. III - Penitenciárias e colónias criminais. IV - Os suicidas. V - Psicópatas no Exército e na Marinha. VI - Os magos das multidões. VII - Consultas pré-nupciais. VIII - Os loucos da Grande Guerra. IX - A ideia política. X - O culto de Vénus. XI - Assistência aos alienados. XII - Os mortos voltam? XIII - Bobos da rua. XIV - Os desvarios da nossa época. XV - Á roda dos tribunais. XVI - Como evitar a loucura? 
Luís Cebola (1876-1967). Médico alienista, natural de Alcochete. "Estudou no Colégio Almeida Garrett, em Aldeia Galega (actual Montijo), onde completou os três primeiros anos do curso liceal, sendo depois transferido para o Liceu Nacional de Évora. De 1895 a 1900, realizou a preparação para os estudos médico-cirúrgicos na Escola Politécnica de Lisboa. Estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa de 1899 a 1906. Em 1906 defendeu a sua tese inaugural, A Mentalidade dos Epilépticos, sob a orientação do Professor Miguel Bombarda no Hospital de Rilhafoles. Luís Cebola foi nomeado director clínico da Casa de Saúde do Telhal (pertencente à Ordem Hospitaleira de São João de Deus), a 2 de Janeiro de 1911, por Afonso Costa em representação do Governo Provisório da República Portuguesa, cargo que desempenhou até 1948. Enquanto director clínico parece ter sido responsável pela introdução e desenvolvimento da ergoterapia ou laborterapia, que visava a recuperação dos pacientes através do trabalho dirigido. E ainda, pela prática de uma psiquiatria social ou comunitária, i.e., uma terapêutica humanitária que visava incentivar a interacção social entre pacientes, médicos, enfermeiros, irmãos e familiares, através da prática de ofícios e de actividades artísticas, lúdicas e desportivas.”
(fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas, frágeis, com defeitos. Falha de papel no terço superior da lombada.
Invulgar.
Indisponível