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26 outubro, 2026

LIÇÕES D'OPTICA. Coimbra, Imprensa Litteraria, 1880. In-8.º (20x13 cm) de 340 p. ; [16] estampas ; E.
1.ª edição.
Manual de óptica oitocentista, não assinado.
Ilustrado com 16 estampas extra-texto, albergando 107 "figuras" (desenhos esquemáticos).
Nada foi possível apurar acerca destas Lições ou do seu autor por não existirem referências bibliográficas, incluindo na BNP, mas por certo, será obra de um professor da Universidade de Coimbra.
"É de todos conhecido, que somos dotados de julgar da existencia e apreciar as propriedades dos objectos, collocados a distancia de nós; o orgão dos sentidos, que nos habilita a ter estas percepções, é o orgão da vista, o olho.
Mas, para que isto assim seja, é necessario que haja alguma cousa, que sirva de communicação entre esse orgão e os objectos exteriores: de facto, sem esta communicação, não se comprehende como os objectos nos impressionassem a distancia. Ora, chama-se visão a percepção dos objectos por meio do sentido da vista; e luz é essa relação ou communicação, que ha entre o olho e o objecto, ou melhor, a causa d'essa communicação: por isso se define
Luz é a causa externa da visão.
Optica é a parte da physica que se occupa do estudo da luz."
(Excerto da Primeira Lição - Introducção ao estudo da Optica)
Encadernação meia de percalina com lombada lisa. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado mas sólido. Assinatura de posse na f. rosto. Apresenta apontamentos a lápis à cabeça, nas margens e em rodapé. Em falta estampa 5 (fig. 39).
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Raro.
20€
Reservado

10 julho, 2026

ARRIAGA, Manuel d' -
RENOVAÇÕES HISTORICAS.
Primeira Parte: Necessidade da intervenção das Sciencias Naturaes na Historia Universal dos Povos para assental-a em bases positivas e dar-lhe um caracter verdadeiramente scientifico. Dissertação de... Para o concurso da cadeira de Historia Universal e Pratica no Curso Superior de Letras. Lisboa,  273 - Imprensa - Rua da Rosa - 275, 1878. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho académico de Manuel de Arriaga, que, não obstante a sua evidente qualidade, seria desvalorizado pelos decisores do concurso.
Renovações Históricas (1878), é um ensaio filosófico e científico de Manuel de Arriaga, figura incontornável do republicanismo e primeiro Presidente de Portugal. A obra defende a aplicação dos métodos e princípios das ciências naturais à História Universal, perspectivando a evolução social e cultural com base no evolucionismo. O livro reflete a profunda influência do positivismo e das teses darwinistas na intelectualidade portuguesa do final do século XIX. Arriaga argumenta que a evolução humana não é apenas biológica, mas também social, e que a historiografia necessita de uma base científica sólida para compreender o progresso da humanidade e a sua emancipação das amarras dogmáticas. (IA)
Obra rara e muito interessante.
"Um dos traços caracteristicos do seculo que vae findar está manifestamente na decadencia progressiva em que vão os estudos empyricos do passado, baseados na auctoridade e na fé, e a rapida evolução com que se elevam em sentido contrario as sciencias naturaes, baseadas na observação e na analyse.
Desde o meiado do seculo XVIII podemos dizer que as attenções dos grandes pensadores tem-se voltado, quasi exclusivamente, para a contemplação e estudo do mundo exterior, com grave detrimento, é forçoso confessal-o, do nosso mundo interior."
(Excerto do Cap. I)
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue (Horta, Matriz, 1840 - Lisboa, 1917). "Ilustre advogado, professor, escritor e político português. Orador de excelência e membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, foi dirigente e um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português. A 24 de agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga. Exerceu aquelas funções até 29 de maio de 1915, data em que foi obrigado a demitir-se, sendo substituído no cargo pelo mesmo Teófilo Braga, que como substituto completou o tempo restante do mandato.
Formou-se no ano de 1865 e no ano seguinte abriu um escritório de advogado em Lisboa, cidade onde se fixou. Tentou então ingressar na docência do ensino superior e nesse ano de 1866 concorreu, sem êxito, a um lugar de professor da 10.ª cadeira da Escola Politécnica de Lisboa. Não tendo conseguido ingressar na docência, rapidamente se notabilizou como advogado, ganhando uma carteira de clientes que lhe permitia segurança financeira e os meios para ajudar o irmão a terminar os seus estudos.
Também se revelou, desde os seus tempos de Coimbra, cultor da poesia e da literatura, tendo mantido até ao fim da sua vida uma actividade literária e interesses culturais que o integram claramente na Geração de 70.
Em 1878 concorreu para o lugar de professor de História Universal e Pátria do Curso Superior de Letras, mas voltou a ser preterido, apesar do brilhantismo da dissertação que apresentou a concurso. Apesar de ser considerado um gentleman e de vestir à melhor moda da aristocracia do tempo, a sua fama de revolucionário não deixou certamente de influir sobre o júri."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mancha e pequena falha de papel no canto superior direito. Interior correcto.
Raro.
Peça de colecção.
45€

14 junho, 2026

KANT, Immanuel -
ENSAIOS DE KANT A PROPÓSITO DO TERRAMOTO DE 1755.
Traduzidos por Luís Silveira. Lisboa, Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, 1955.In-8.º (21,5x16,5 cm) de [4], III, [1], 64, [2] p ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima do eminente filósofo alemão, elaborada pouco tempo após o Terramoto de Lisboa em 1755, pela primeira vez vertida para português no ano em que se assinala o bicentenário da tragédia.
Acerca dos ensaios de Kante relacionados com o Terramoto de Lisboa, com a devida vénia, reproduzimos parte do artigo de Leonel Ribeiro dos Santos da UL:
"Os 3 ensaios que, sobre o terremoto de Lisboa de 1 de novembro de 1755, Kant escreveu nas semanas e meses que seguiram à catástrofe e que foram publicados nos primeiros meses do ano 1756 (o primeiro, em 24 e 31 de janeiro, num semanário de Königsberg, o segundo e mais longo, publicado autonomamente no início de março, e o terceiro, publicado no mesmo semanário do primeiro, a 10 e 17 de abril), têm sido objeto de muito escassa atenção, até mesmo por parte dos kantianos, passando despercebidos ou sendo mesmo desvalorizados, ora porque se tomam por meros escritos de juventude e de circunstância, não sendo o assunto de que se ocupam nenhum tópico relevante da agenda propriamente filosófica da época, ora porque se pensa tratarem eles de matérias que eram objeto de saberes ainda “selvagens” ou em processo de constituição como a Geologia e a História da Terra, baseados na descrição e na interpretação de fenómenos empíricos para cuja explicação se invocava teorias antigas e, por isso, também sem uma real relevância para os estudos da sismologia “científica”, que só se afirmaria como tal muito mais tarde. Desvalorizados, por conseguinte, tanto pela sua irrelevância filosófica quanto pela científica. [...]
A primeira coisa que impressiona ainda hoje o leitor destes ensaios é a rapidez da resposta reflexiva de Kant aos acontecimentos e a amplitude e densidade científica e especulativa dessa resposta. [...] Atendendo à quantidade de autores, testemunhos e fontes (mais de uma vintena) que cita, refere e comenta nesses ensaios, sobretudo no segundo, não é verossímil que Kant os tivesse encontrado e reunido todos à pressa para apoiar as suas reflexões. Na verdade, esses escritos, embora sejam motivados pelo acontecimento sísmico, que abalou e destruiu Lisboa na manhã do 1 de novembro de 1755, inscrevem-se numa fase importante de constituição e afirmação do pensamento do jovem Kant, nos anos 1754-1756, caracterizada por preocupações naturalistas, na qual ele se revela já como um pensador autónomo e extremamente ousado, ocupado sobretudo com questões de Cosmologia e Cosmogonia, de História da Terra e Geografia Física. [...]
Mas não só isso. O jovem Kant revela-se particularmente impressionado pelo caráter singular do acontecimento. Disto dão prova várias declarações esparsas pelos ensaios que apontam todas para a singularidade, a magnitude e extensão de efeitos, o alcance e o significado do terremoto de Lisboa, e não apenas como fenómeno físico digno de ser pensado por investigadores da natureza, mas também pelo que ele representa como desafio, interpelação e ocasião para uma reflexão sobre o destino coletivo dos homens e sobre a condição humana."
(Fonte: Santos, Leonel Ribeiro dos, Pensar a catástrofe, pensar a atualidade: Os ensaios de Kant sobre o terremoto de Lisboa, Universidade de Lisboa, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (Lisboa, Portugal), 2016)
"Os ensaios escritos por Kant acerca do terremoto de 1755 merecem ser considerados, ainda hoje, entre as mais importantes páginas da literatura mundial que dizem respeito ao acontecimento.
Ao fazer-se a presente tradução para língua portuguesa destes escritos pretendeu-se chamar, de novo, a atenção para uma das melhores descrições coevas do fenómeno e para as considerações éticas do filósofo em volta dele. [...]
Quando Kant, porém, corajosamente, sustentou que o abalo de terra e de mar que atingiu Lisboa com destruições e morte não teria sido o castigo divino caído sobre a cidade cheia de pecados, e pretendeu demonstrar a utilidade dos terremotos e a vanidade do juízo dos homens sobre as desgraças que os oprimem, escreveu páginas profundas que transpuseram os limites do tempo e conservam, hoje ainda, o vigor e a beleza com que há duzentos anos foram escritas."
(Excerto do Preâmbulo)
"Grandes acontecimentos, que interfiram no destino da humanidade, despertam, com razão, a curiosidade inerente a tudo quanto é fora do vulgar e levam a inquirir das causas que os provocaram. [...]
A primeira observação que qualquer faz imediatamente é que o solo sobre o qual vivemos deverá ser oco e que as abóbadas que o formam se continuam, umas ligadas às outras, até sob o mar.
Não quero ir buscar exemplos históricos, pois não pretendo escrever uma história dos tremores de terra. [...] Lisboa e a Islândia, por exemplo, que distam uma da outra mais de quatro centenas e meia de milhas alemãs, sofreram, no mesmo dia, um terremoto. [...]
Se em casos tão terríveis valesse aos homens tomar precauções, e não se julgasse inútil e irrisório opor fracas resistências a desgraças gerais, deviam as ruínas de Lisboa Lembrar que não se deveria tornar a construir ao longo do Tejo, dado que o rio indica a direcção que, naturalmente, os tremores de terra seguirão nesse país. [...]
A catástrofe de Lisboa parece que foi também maior por a cidade estar construída ao longo do Tejo; por esta razão, as cidades em regiões onde são frequentes os tremores de terra e onde é possível determinar o sentido deles não deveriam ser construídas em direcção paralela à dos sismos. Mas a maior parte dos homens, em circunstâncias semelhantes a esta, pensa de modo diferente. Como o terror lhes rouba a reflexão, julgam que estas grandes desgraças são das tais que se não podem minorar por qualquer preocupação e supõem que a dureza do destino só pode ser abrandada por uma submissão cega e entregam-se completamente à misericórdia ou à cólera divina."
(Excerto da Introdução de Kant)
[Preâmbulo] | [Introdução de Kant] | História e descrição dos acontecimentos mais notáveis do terremoto que no fim do ano de 1755 agitou grande parte da Terra | Explicação preliminar do estado em que se encontra o interior da Terra | Acerca dos antecedentes do último terremoto | O terremoto e maremoto do dia 1 de Novembro de 1755 | Considerações acerca das causas deste movimento das águas | O terremoto de 18 de Novembro | O terremoto de 9 de Dezembro | O terremoto de 26 de Dezembro | Dos lapsos de tempo que medeiam entre tremores de terra sucessivos | Do local da combustão subterrânea e dos lugares onde os tremores de terra são mais frequentes e perigosos | Da direcção em que o solo é agitado pelos tremores de terra | Da relação dos tremores de terra com as estações do ano | Da influência dos tremores de terra na atmosfera | Da utilidade dos terremotos | Observação | Considerações finais | Novas considerações acerca dos últimos abalos da Terra.
Immanuel Kant (1724-1804). "Nasceu em 1724, em Könisberg, onde faleceu em 1804. Teve uma vida calma, sóbria, dedicada ao estudo e ao ensino. Profundamente imbuído dos ideais do Iluminismo, Kant professou uma profunda simpatia pelos ideais da Independência Americana e da Revolução francesa. Foi pacifista convicto, antimilitarista e estranho a toda a forma de patriotismo exclusivista. As obras de Kant costumam distribuir-se por três períodos, que habitualmente se denominam pré-crítico, crítico e pós-crítico. As suas obras mais conhecidas e influentes foram escritas no segundo período, incluindo-se entre elas a Metafísica dos Costumes."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€

08 junho, 2026

MELLO, Dr. Antão de - 
A IMBECILIDADE E A DEGENERESCENCIA NAS FAMILIAS REAES. A Hereditariedade, as suas taras phisicas, os estygmas intellectuaes da degenerescencia, perturbações nutritivas, a educação, o problema sexual, a loucura mystica, etc. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1908. In-8.º (19x11 cm) de 106, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho "científico" sem ordem cronológica aparente: na primeira parte da obra, o autor discorre sobre várias famílias reais europeias, dos Romanov a Roma e a Júlio César, sendo a segunda parte dedicada, quase que exclusivamente, à realeza portuguesa, onde, na sua análise impiedosa, praticamente ninguém fica a salvo.
"O resultado de uma investigação scientifica não será, com certeza, tomado á conta de pessimismo, ou de ataque directo a qualquer classe.
Por contrario que possa parecer ao bom sentido, terá sempre uma parte de verdade. Ter-se-ha obtido por a experiencia e a reflexão sobre as experiencias, e se os individuos que hão experimentado e reflexionado, são normaes, conterá alguma coisa que deva poder acceitar-se por outros individuos normaes."
(Excerto do Preâmbulo)
A côrte portugueza, na primeira dinastia não sahiu de um estado semi-barbaro, oscilando entre a violencia da vida guerreira e a carnalidade dos prazeres animaes. Alternando o terror do inferno com o embrutecimento da sensualidade, e acabando n'uma positiva orgia de impudicia, tão desbragada que offendeu a curta castidade dos tempos."
(Excerto do Estudo)
Antão de Melo. "Foi um médico e escritor português, célebre pela autoria do polémico ensaio A Imbecilidade e a Degenerescência nas Famílias Reais (1908). Publicado no ano do Regicídio, procurou aplicar teorias médicas e genéticas da época para defender que as dinastias europeias se tinham degradado. Ele atribuía a decadência das famílias reais à endogamia, a taras físicas e a problemas hereditários. Ideologicamente alinhado com o pensamento republicano da época, Antão de Mello via o sistema monárquico como um obstáculo ao progresso, argumentando que a própria dinastia de Bragança era uma causa da decadência nacional." (IA)
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado geral de conservação. Contracapa apresenta pequena falha de papel à cabeça. Com etiqueta de biblioteca na lombada.
Raro.
35€

25 março, 2026

CABREIRA, Antonio -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O PLANETA MARTE.
Conferencia realisada em 18 de janeiro de 1901 no Instituto 19 de Setembro. Pelo fundador e secretario geral... Socio Correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, [etc.]. Lisboa, Imprensa Lucas, 1901. In-4.º (23x16 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho sobre o planeta Marte - em 8 partes - vertido em conferência.
Trata-se das reflexões astronómicas do autor, trabalho pioneiro, dos primeiros que sobre o assunto se publicaram entre nós. Além de repetir o que se sabia na época sobre o "planeta vermelho", que era pouco, o autor interroga-se acerca da possibilidade de vida vegetal e animal em Marte, e num plano superior, aos "habitantes inteligentes".
Opúsculo raro e muito interessante.
"Quando Marte se constituiu, estava animado de uma temperatura proxima de 1995 graus centigrados. Dada pois a sua antiguidade, deve admittir-se que disporá já de pouco calor central
Os factos mais importantes da meteorologia do planeta são grandes oscillações de temperatura e enormes tempestades. O Sol da-lhe apenas 4 decimas do calor e da luz com que nos acalenta. As noites tornam-se excessivamente frias, porque a pouca espessura da atmosphera permitte uma forte irradiação dos terrenos. [...]
A constituição chimica da atmosphera de Marte deve ser egual á nossa, porque o seu espectro revella riscas de absorpção identicas ás do espectro d'esta ultima."
(Excerto do Cap. IV)
"Tendo-nos referido, muito summariamente, a Marte, sob os pontos de vista mathematico, meteorologico e geographico, vamos finalmente dizer duas palavras ácerca do mysterioso problema da sua biologia, tão envolto nas brumas do desconhecido e, por vezes, dourado pelos fulvos clarões da phantasia romantica.
Procedendo Marte da mesma origem que a Terra é provavel que a identidade de corpos simples não seja apenas a revellada nas respectivas atmospheras e que, portanto, haja tambem compostos analogos nos dois planetas; logo póde admittir-se que dos seus aggregados resultassem vegetaes, que teem ainda por si o facto favoravel da abundancia das chuvas. [...]
Acerca da vida animal, começaremos por affirmar que, considerada como termo superior de uma longa evolução organica, só surgiu, no mundo que habitamos, n'um certo estado cosmico, para alem de cujos limites não pode manter-se, e que as civilisações estabelecidas como modo de ser d'essa vida, só se definiram e ergueram quando o homem poude entregar-se mais á consciencia da sua funcção moral. [...]
Posto isto, embora as condições meteorologicas permittissem a habitabilidade nos continenentes de Marte, a civilisação seria sempre rudimentar; os seres poderiam attingitr uma fórma superior mas os fructos dos seu trabalho, por mais solidos que se supposessem, não poderia resistir nem ao destroço pelos vendavaes, tão frequentes, e muito menos á submersão pelas aguas do degelo, de onde resultaria, mesmo, uma enorme lentidão no progresso intellectual, que tanto carece do concurso d'esse trabalho. O unico abrigo seriam então as cavernas nas raras montanhas que existem, se é que fossem poupadas pe,os diluvios.
Tambem se torna facil demonstrar que é inconcebivel a vida superior nos ares do planeta.
E concluir-se-ha d'estas considerações que não ha vida em Marte? E quem nos diz que o estado cosmico do planeta jamais permittisse quasquer combinações organicas ou que todas ellas se extinguiram com os ultimos lampejos do fogo central?
Mas as mancha luminosas observadas em 1892, e ha poucos dias ainda um traço brilhante que, intermittentemente, durou uma hora, não signifficarão, por ventura, qualquer intencional tentativa feita por uma especie de seres, avida de relações com a Terra? E os proprios canaes de notavel rigos geometrico com os seus desdobramentos não constituirão outra prova da existencia de habitantes intteligentes em Marte?"
(Excerto do Cap. VI) 
António Cabreira (Tavira, 1868 - Lisboa, 1953). "Matemático, jornalista e publicista português, António Tomás da Guarda Cabreira de Faria e Alvelos Drago da Ponte nasceu a 30 de outubro de 1868, em Tavira, no distrito de Faro.
De uma família aristocrática liberal algarvia e irmão de Tomás Cabreira, formou-se em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa. Empenhado em ações políticas, participou, em 1891, em várias reivindicações estudantis, tornou-se redator político de A Nação e, entre 1892 e 1897, exerceu vários cargos no Partido Legitimista ao qual aderiu.
Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, foi secretário da Secção do Ensino da Matemática, em 1895, e vice-presidente da Secção de Geografia, em 1896, participando nas atividades de exaltação colonial e nacionalista que surgiram em consequência dos acontecimentos de 1891.
Fundador do Instituto Dezanove de setembro, dedicou-se à gestão e à docência nessa instituição. Em 1895, criou um projeto para um Curso Colonial no Instituto destinado aos colonos e funcionários da administração colonial. Em 1899, foi designado docente das disciplinas de Mecânica Racional e de Filosofia das Matemáticas do Curso de Ciências do ensino secundário daquele Instituto.
Ligado à Academia das Ciências de Lisboa, conseguiu, com o seu desempenho, a criação de novos institutos, como o Instituto Teofiliano (1912), o Instituto de Trabalhos Sociais (1914), o Instituto Arqueológico do Algarve (1915), o Instituto Histórico do Minho (1916) e o Instituto António Cabreira (1919).
Como jornalista, fundou ainda O Clarim, um panfleto doutrinário. Participou e organizou alguns eventos importantes, como o I Congresso Arqueológico Nacional, o I Congresso Colonial de 1900 e o 1.º Congresso Pedagógico Nacional, em 1908.
Enquanto publicista, escreveu sobre vários assuntos, que vão desde questões matemáticas até problemáticas de ensino. Destacam-se algumas obras, como Análise Geométrica de Duas Espirais Parabólicas (1895), Sobre Algumas Aplicações do Teorema de Tinseau (1897), O Ensino Colonial e o Congresso de Lisboa (1902), O Milagre de Ourique e as Cortes de Lamego (1925) e Júlio Verne, Educador e Pedagogo (1925).
António Cabreira faleceu a 21 de novembro de 1953, em Lisboa."
(Fonte: Infopédia) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€

27 novembro, 2025

MACHADO, Virgilio -
A ELECTRICIDADE : Estudo de algumas das suas principaes applicações.
Por... Socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, etc. Illustrada com 61 gravuras em cobre (Reproduções galvanoplasticas). Lisboa, Por ordem e na Typographia da Academia Real das Sciencias, 1887. 
In-4.º (23x17 cm) de XXXV, [1], 376, [1] p. : il. ; E.
1.ª edição.
Obra histórica e importante. Trata-se de um trabalho pioneiro na área da electricidade e suas aplicações, a primeira do género publicada entre nós, quando esta ciência dava os primeiros passos.
Rara e muito interessante.
Ilustrada com inúmeras gravuras no texto ao longo do livro.
"A electricidade tem sido n'estes ultimos annos objecto de tão extensos estudos e desenvolvidas applicações, que a sua descripção minuciosa se tornou irrealisavel nos tratados geraes de physica occupados com variados e multiplos assumptos sobre os outros importantes ramos d'esta sciencia.
Esta razão nos levou a reunir em volume especial a descripção de algumas das principaes applicações da electricidade, que tivemos occasião de estudar por observação directa na exposição de electricidade em Paris no anno de 1881, acompanhando o nosso benevolo amigo, o sabio professor da Universidade de Coimbra dr. Santos Viegas e que completámos com o exame das subsequentes descobertas e invenções, que todos os dias se tem succedido com oasmosa rapidez. [...]
Este singello trabalho remedeia, se bem que muito imperfeitamente, a falta de um livro nacional sobre as applicações de uma sciencia em que temos no paiz cultores distinctos, que tem revellado a sua aptidão n'este ramo da physica por interessantes invenções apreciadas entre nós e no estrangeiro."
(Excerto do Preâmbulo)
"O estudo da electricidade offerece, como nenhum outro, á reflexão contemplativa do homem de sciencia um campo vastissimo de notaveis e inesperadas descobertas, de phenomenos curiosos e de leis interessantissimas, de applicações grandiosas e extraordinarias, que teem feito uma revolução completa na sciencia, nas artes e nas industrias, emfim no bem geral dos modernos povos civilisados, glorificando o seculo XIX, já de si glorioso pelas applicações verdadeiramente maravilhosas da força expansiva do vapor d'agua aos meios de locomoção terrestre e maritima, a diversis engenhos em centenares de fabricas e officinas."
(Excerto da Introducção)
Virgílio César da Silveira Machado (1859-1927). "Médico, investigador, pedagogo. Nasceu no dia 1 de Março de 1859, no Palácio de Queluz, filho de José Cipriano da Silveira Machado, que aí desempenhava funções de almoxarife e de Sebastiana Elisa da Silveira Machado. Faleceu na sua residência da Avenida da Liberdade, nº 232, em Lisboa, no dia 16 de Junho de 1927.
Frequentou a Escola Politécnica e desde logo manifestou uma paixão para os estudos de física experimental e prática, vindo a apresentar à Academia Real das Ciências, por intermédio do prof. Pina Vidal, algumas memórias publicadas no jornal da Academia, “Jornal de Sciencias mathematicas, Physicas e Naturaes”.
Especializou-se em electricidade médica e efectuou incursões nas mais relevantes Escolas e Universidades europeias, nomeadamente França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha e Espanha.
Em 1878 ingressou na Escola Médico-Cirúrgica, vindo a concluir o curso com distinção em 1883, com a tese “Paralisia infantil”. No mesmo ano, publicou ainda “Mielite crónica, difusa, Coreia de Sydenham, Paralisia de Bell e Paralisia múltipla de origem sifilítica”.
Nomeado pelo Governo em 1881, secretário do comissário especial de Portugal na I Exposição Internacional de Electricidade, realizada em Paris, na sequência da qual, de regresso à capital, proferiu seis conferências na Sociedade de Ciências Médicas, nas quais procedeu á divulgação do que observou em termos de conhecimentos técnicos e práticos, bem como sobre a existência de novos aparelhos. A viagem veio a ser profícua também pelo contacto que estabeleceu com alguns dos relevantes físicos de então, nomeadamente W. Thomson, Du Bois, W. Siemens, entre outros, apesar de Virgílio Machado ainda não ter concluído o curso.
Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e sócio titular da Sociedade das Ciências Médicas, ingressou em 1885, por concurso, para o corpo de médicos do Hospital de S. José. Dois anos depois, iniciou-se como lente de Química Geral e Análise Química no Instituto Industrial, funções que desempenhou até 1911 ao entrar para o Instituto Superior Técnico leccionando a mesma cátedra, até à reforma. O ensino era para si algo de prodigioso, a realização de uma epifania, quase algo de sagrado … Augusto da Silva Carvalho (APUD J. Andresen Leitão) refere: “Começava por ser rigoroso consigo mesmo, porque tinha como dogma que era criminoso e indigno o professor que roubava os seus discípulos na quantidade e qualidade do trabalho que lhes dedicava, ao mesmo tempo que traía o país que lhe confiava aquela santa missão.” Conjugava a teoria e a realização de trabalhos práticos, e, estimulando nos alunos à crítica científica.
Em 1892 publicou “Tratado de Química Geral e Análise Química”, em colaboração com o seu irmão Achiles, Professor de Química da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Foi pioneiro ao fazer passar uma corrente eléctrica, por meio de agulhas espetadas num aneurisma da aorta o que foi considerado uma epopeia científica. Percorreu escolas de renome e centros hospitalares da Europa a fim de explanar o seu saber.
Virgílio Machado referiu: “As afecções nervosas são aquelas em que mais larga aplicação tem a electricidade desde longa data. Indispensável é porém para quem deseje utilizar na clínica os numerosos e variados modos de tratamento eléctrico não só reconhecer a rigorosa técnica indispensável ao seu êxito mas saber estabelecer com a possível segurança um diagnostico nosográfico, topográfico, anátomo-patológico de qualquer afecção nervosa de modo a poder conjecturar-se se, no tratamento deste ou daquele caso, convirá ou não a terapêutica eléctrica, qual devendo ser a modalidade e a técnica a adoptar”. Sobre esta temática, tornou-se conhecido no estrangeiro.
No seu consultório (com instalações anteriores na Rua das Pretas, n.º 33 e Rua dos Fanqueiros, nº 150) situado na Rua de Santa Justa, nº 22, instalou em 1896, os seus “Raios Roentgen” poucos meses depois das primeiras ampolas de raios Roentgen terem sidos fabricadas na Alemanha. Rapidamente o espaço veio a tornar-se exíguo mas conhecido, através do incremento de novos aparelhos eléctricos e do subsequente numero de doentes, vindo, inclusive, a receber a visita do rei D. Carlos, afinal, foi nessa temática que Virgílio Machado se tornou uma figura conceituada no país e no estrangeiro. Por intermédio do Rei, veio a inaugurar, a 23.03.1903 na Rua da Alfândega, o instituto Médico, que posteriormente veio receber o seu nome."
(Fonte: https://livrariarodriguessite.wordpress.com/2018/03/01/virgilio-machado/)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

28 setembro, 2025

ESTAÇÃO DE MELHORAMENTO DE PLANTAS -
GUIA DOS ENSAIOS DE CAMPO. Elvas, [s.n. - Tipografia Elvense de António dos Santos - Elvas], 1942. In-8.º (21,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; [2] plantas ; il. ; B.
1.ª edição.
Guia da Estação de Melhoramento de Plantas, reputado estabelecimento de investigação agrícola localizado em Elvas.
"A ENMP de Elvas, ao longo da sua história, foi responsável pela obtenção e melhoramento de dezenas de variedades de plantas, tendo-se especializado em espécies de cereais, pastagens biodiversas, leguminosas e oliveira." (https://www.lusosem.pt/noticias/estacao-de-melhoramento-de-plantas-de-elvas-celebra-75-anos)
Livrinho ilustrado com fotografias no texto e duas plantas agrícolas em separado.
"A Estação de Melhoramento de Plantas tem a missão de crear formas de cereais e forragens com valor económico superior ao das que existem presentemente. Por essa circunstância deve ser considerada como «Fábrica de Novas Plantas». [...]
Para se conseguires êstes objectivos que ficaram apontados, existem na Estação de Melhoramentos de Plantas numerosos talhões com hibridos e ensaios de natureza diversa. É  a enumeração daqueles considerados de maior importância que se faz nesta publicação, afim de facilitar ao visitante a apreciação dos trabalhos em curso."
(Excerto de Palavras prévias)
Índice:
Palavras prévias | I - Trigo. II - Cevadas. III - Aveias. IV - Forragens. V - Milhos. VI - Centeios. VII - Ensaios de adaptação.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

07 janeiro, 2025

BOISSIER, Dr. Henri - GERAÇÃO E FECUNDAÇÃO. Os vicios no amor. 
[Pelo]... Da Academia de Medicina de Paris
. Lisboa, João Romano Torres & C.ª : Editores, [191-]. In-8.º (18 cm) de 35, [1] p. ; B. Biblioteca Scientifica Sexual, N.º 2
1.ª edição.
Interessante trabalho saído da pena do portuguesíssimo Henrique Marques, autor de diversos trabalhos de índole médico-sexual publicados sob a capa do pseudónimo Henri Boissier, via escolhida para a divulgação destes temas - "sensíveis" na época.
"É certo que os primeiros gosos do amor augmentam a energia do systema circulatorio do sangue e por isso mesmo, os vasos ãrteriaes levam mais calor e mais vida a todas as partes do corpo.
A satisfação dos desejos e das necessidades a que conduz a união dos sexos dá egualmente uma nova disposição ás faculdades intellectuaes.
A donzella, ha pouco timida, torna-se desembaraçada; a timidez transforma-se-lhe em confiança e até em audacia no desejo; os movimentos são mais livres, o andar mais medeiado, na conversação, a voz é menos incerta, sonora e, emfim, todo o porte se apresenta mais resoluto. [...]
A satisfação dos sentidos e o prazer material que d'ahi resulta são apenas o meio que a mulher emprega para chegar ao termo completo, ao objecto exclusivo de todas as suas vistas - a reproducção da especie.
Ser mãe, eis a aspiração suprema de toda a mulher!"
(Excerto do Cap. II, Segredos da Fecundação)
Sumario:
I - Destino dos sexos. II - Segredos da Fecundação. A concepção. - III - A fecundação. IV - Influencia do estado physico sobre a fecundação. V - Previsões dos sexos (Determinismo sexual).
Exemplar em brochura, por aparar, bem conservado. Sem capas. Deve ser encadernado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
30€

25 outubro, 2023

SILVA, Agostinho da -
UMA ASCENSÃO NOS HIMALAIAS. Iniciação : Cadernos de Informação Cultural. [S.l.], [Edição do Autor - Imp. Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» - Vila Nova de Famalicão], 1940. In-4.º (23 cm) de 21, [3] p. ; (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Número da apreciada Colecção "Iniciação" dedicada à expedição de 1920 ao Everest, a montanha mais alta do planeta, numa época em que os conhecimentos técnicos e desportivos sobre a matéria eram limitados.
Obra de divulgação, algo naif à luz do que hoje se sabe sobre o assunto, motivo de interesse e curiosidade.
Opúsculo ilustrado no texto com: um mapa rudimentar dos Himalaias; três fotogravuras: Um pico nos Himalaias; Aresta nordeste do Everest; Um pico ao nascer do sol.
"Os Himalaias, que constituem o grupo de montanhas mais importante da terra, ficam situados na região do norte da Índia e estendem-se por tôda a fronteira entre o território que se encontra sob o domínio inglês, o reino do Nepal, o reino de Butan e o reino do Tibet. [...]
De todos os montes é o mais alto o Everest, e assim chamado em honra de um alto funcionário britânico, sob cuja direcção se fizeram os trabalhos preparatórios da carta tipográfica dos Himalaias; até 1849 julgava-se que outros picos se elevavam mais, mas os cálculos vieram mostrar que era ao Everest que pertencia a realeza da montanha. [...]
O aspecto do Everest é diferente quando se contempla do lado da Índia ou do lado do Tibet; pelo sul, aparece rodeado de outros picos que lhe roubam parte da sua beleza; [...] quando o tempo está mau, o que sucede quási sempre, o Everest aparece rodeado por um colar de nuvens, e os turbilhões de vento levantam-lhe, nos flancos e no cimo, toneladas de neve que se espalha no ar e se confunde ao longe com a névoa; solitário e altivo, defendido pelos vendavais e pelas tempestades de trovões que de quando em quando desabam sobre êle, o Everest parece desafiar tôda a tentativa de escalada.
Mas basta que uma emprêsa pareça impossível, para que os homens sintam desejos de a tentar; o sonho dos melhores alpinistas, dos mais sólidos e ágeis trepadores de montanhas, tem sido o de conquistar o Everest; há certamente o interêsse científico; conviria que se pudesse estudar o efeito de uma altitude tam elevada, depois do esfôrço do ataque, sôbre o organismo humano e que se soubesse também alguma cousa de seguro sôbre a meteorologia da montanha; mas é fora de dúvida que o aspecto desportivo tem sobrelevado os outros em todos os que se têm arriscado a escalar o Everest ou, sequer, a aproximar-se dele.
Efectivamente, já é proeza notável chegar junto do monte; às dificuldades naturais, que são enormes, com as torrentes que tudo arrastam na sua passagem, as cordilheiras que barram o acesso, as tempestades de neve, o calor insuportável dos vales, a espessura da floresta, vêm juntar-se as dificuldades políticas: o Nepal e o Tibet contam-se entre os países mais fechados da terra; vivem no perpétuo receio do estrangeiro e defendem-se não permitindo a entrada senão em condições muito especiais e quando os governos se encontram bem dispostos em política internacional; caso contrário, arrisca a vida todo aquêle que ultrapassar a fronteira.
Nenhuma, porém, destas dificuldades assustou os homens que, em 1920, se lembraram de organizar uma expedição ao Everest, sob a inspiração e com o auxílio da Sociedade Real de Geografia de Londres e do Club Alpino."
(Excerto do texto)
George Agostinho Baptista da Silva GCSE (Porto, 1906 - Lisboa, 1994). "Foi um filósofo, poeta, ensaísta, professor, filólogo, pedagogo e tradutor português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade. Passou considerável tempo de sua vida no Brasil.
Realizando um percurso académico notável, de 1924 a 1928, Agostinho da Silva fez Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura com 20 valores. Em 1929, somente um ano depois de se licenciar, e quando contava apenas 23 anos, defendeu a sua dissertação de doutoramento a que deu o título O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas, doutorando-se com louvor.
Depois disso começou a escrever para a revista Seara Nova, colaboração que manteve até 1938.
Criou o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, e em 1940 publicou Iniciação: cadernos de informação cultural. Foi preso pela polícia política em 1943, abandonando o país no ano seguinte (1944) em direção à América do Sul, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no seguimento da sua oposição ao Estado Novo.
Regressou a Portugal em 1969, após a doença e morte de Salazar e a sua substituição por Marcello Caetano, facto que deu origem a alguma abertura política e cultural no regime. Desde então continuou a escrever e a lecionar em diversas universidades portuguesas, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (atual Instituto Camões)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
25€

15 maio, 2023

SILVA, Agostinho da -
O PLANETA MARTE. Iniciação : Cadernos de Informação Cultural. [S.l.], [Edição do Autor - Imp. Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» - Vila Nova de Famalicão], 1940. In-4.º (23 cm) de 20, [4] p. ; (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Número da apreciada Colecção "Iniciação", monografia de divulgação dedicada ao 'planeta vermelho', numa época em que os conhecimentos técnicos e científicos sobre a matéria eram limitados.
Opúsculo ilustrado no texto com um desenho esquemático - Movimentos de Marte - e uma fotogravura - Planisfério de Marte.
"Se numa noite límpida de verão, sem luar, contemplarmos o céu, veremos uma quantidade inumerável de astros cintilantes tremeluzirem, relampejarem de momento a momento; nos que nos parecem mais pequenos o ponto de luz quási desaparece por vezes aos nossos olhos; nos maiores, a variação de luminosidade faz-se sempre a partir de um certo número bem visível e os relâmpagos atingem de quando em quando um brilho admirável... [...]
Ora notaram êses nossos avós que, ao passo que quási todos os astros mantêm entre si as mesmas distâncias, pelo menos nos tempos de que os homens se podem lembrar, outros há que parecem deslocar-se no céu, afastando-se de um grupo de estrêlas para se aproximarem de outro, numa carreira incessante e caprichosa... Não lhes passou também despercebido que os astros errantes não cintilavam como os outros, ou melhor, que, dum modo geral, não cintilavam, porque, em certos momentos, tinham visto que a luz dêles também tremia."
(Excerto do texto)
George Agostinho Baptista da Silva GCSE (Porto, 1906 - Lisboa, 1994). "Foi um filósofo, poeta, ensaísta, professor, filólogo, pedagogo e tradutor português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade. Passou considerável tempo de sua vida no Brasil.
Realizando um percurso académico notável, de 1924 a 1928, Agostinho da Silva fez Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura com 20 valores. Em 1929, somente um ano depois de se licenciar, e quando contava apenas 23 anos, defendeu a sua dissertação de doutoramento a que deu o título O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas, doutorando-se com louvor.
Depois disso começou a escrever para a revista Seara Nova, colaboração que manteve até 1938.
Criou o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, e em 1940 publicou Iniciação: cadernos de informação cultural. Foi preso pela polícia política em 1943, abandonando o país no ano seguinte (1944) em direção à América do Sul, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no seguimento da sua oposição ao Estado Novo.
Regressou a Portugal em 1969, após a doença e morte de Salazar e a sua substituição por Marcello Caetano, facto que deu origem a alguma abertura política e cultural no regime. Desde então continuou a escrever e a lecionar em diversas universidades portuguesas, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (atual Instituto Camões)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

27 janeiro, 2023

KORTH, João G. D’ – BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A HEREDITARIEDADE. Dissertação inaugural apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto e defendida sob a presidencia do Ex.mo Snr. Augusto Henrique d’Almeida Brandão. Por… Porto, Typographia Central, 1879. In-8.º (21 cm) de 70, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssima tese académica sobre hereditariedade, tema aqui abordado de forma científica, poucos anos após a apresentação pública da teoria de Mendel, numa época em que pouco se sabia sobre o assunto.
"«Similia Similibus generantur». É esta a lei da hereditariedade em abstracto. O pequeno trabalho que apresentamos, é apenas uma tentativa para mostrar que tal these é verdadeira em concreto, sem excepções; que a sua applicação prática é d’uma alta importância para o futuro do homem civilisado e que os seus benefícios presentes são incalculáveis para o individuo. Se é uma lei e não simplesmente uma regra, não póde ter excepções. Cremos que póde provar-se que é uma lei, mostrando que as excepções – assim chamadas – estão realmente d’accordo com ella."
(Excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

21 outubro, 2022

NOBERTO, P. - PHILOSOPHIA SPECULATIVA. Ensaio d'explicação universal. Por... Coimbra: Na Imprensa da Universidade. 1836. In-8.º (20x13 cm) de 111, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Assinada P. Noberto, de acordo com a Universidade de Coimbra, em História da Ciência da UC, o autor da presente obra terá sido Pedro Noberto Correia Pinto de Almeida, professor da Faculdade de Filosofia. Além do seu carácter "especulativo", ou talvez por isso, deu origem a uma polémica assoberbada entre colegas - o autor e Sanches Goulão, que por pouco assumia proporções escandalosas.
"O Homem não póde olhar os phenomenos, que occorrem na Narureza, sem ambicionar conhecer-lhes as causas; e é o conhecimento destas, quem faz o objecto principal de sua solicitude philosophica.
Estas causas devem estar de tal sorte ligadas com os factos, que nellas seja precisamente comprehendida a reunião de todos os consimiles. D'aqui resultão para o philosopho duas difficuldades - o conhecimento de todos os factos congeneres, e o da relação, que os liga, e que deve conter a rasão sufficiente de todos. A primeira difficuldade é vencida pela experiencia, a segunda pela conjectura - ao analysta compete a primeira, ao metaphysico a segunda."
(Excerto do Prologo)
"A palavra sabidoria designou sempre o conhecimento de todas as coisas capazes d'excitar a curiosidade, e o elevado genio do homem; e d'ahi derivou para os perscutadores de quaisquer conhecimentos o nome d'amadores da sabidoria, ou philosophos, derivando do grego philo e sophia: mas bem depressa por um processo inverso a sabidoria perdeu o nome, que d'antes tinha, e em vez d'elle tomou um outro, derivado d'esse, em que intrára como componente para designar os studiosos, e que se chamou philosophia."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Prologo. | Introducção. | Parte I. Historia Natural: Art. 1.º Zoologia; Art. 2.º Phythologia; Art. 3.º Mineralogia. Parte II. Physica-Universal: Phenomenos da luz; do calor; da electricidade; das affinidaes; do magnetismo; physiologicos. Theoria da Lei-universal: Art. 1.º Da Physica; Art. 2.º Da Chimica; Art. 3.º Da Physiologia. | Conclusão. | P. S. | [Errata].
Pedro Noberto Correia Pinto de Almeida (1806-1849). "Professor da Faculdade de filosofia. Naturalidade - [Gervide, Loureiro, Peso da Régua], 3.11.1806 - Coimbra, 1.11.1849. Matrículas - Matemática, 21.7.1825; Filosofia, 8.10.1825; Medicina, 30.10.1834. Graus - Bacharel, 1.6.1 835; Licenciado, 2.3.1837; Doutor, 25.6.1837. Cadeiras - Zoologia (1838-1839), 2.° substituto; Física (1839-1842), 2.° substituto; Zoologia (1841-1844), 2º substituto; Botânica (1842-1848), 2.° substituto; Anatomia e Fisiologia dos Vegetais (1848-1849), 2.° substituto; Botânica (1848-1849), 2.° substituto. Cargos - Director do Jardim Botânico. Publicações - Vários trabalhos em revistas, e ainda: Filosofia especulativa, ensaio de explicação universal (Coimbra, 1836). Observações - Voluntário do Batalhão Académico em 1826. Presidente da Câmara Municipal de Coimbra."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/ALMEIDA_Pedronorbertocorreiapintode)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado de conservação. Com algumas manchas na capa e pequenas falhas de papel na lombada.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

30 setembro, 2022

CASTRO, Alberto Domingos Pinto de - PROBLEMAS DEONTOLÓGICOS DA MEDICINA ESPACIAL. Dissertação para o acto de licenciatura apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Rocha - Vila Nova de Gaia], 1961. In-4.º (24,5x20 cm) de [12], 56, [17] p. ; C.
1.ª edição. 
"Trabalho realizado nos Serviços de Deontologia Médica sob orientação do Ex.mo Senhor Professor Doutor Luís de Pina".
Interessantíssimo ensaio sobre os aspectos deontológicos a considerar na nova área médica que desponta - a Medicina Espacial.
Estudo publicado em 1961, durante a Guerra Fria, numa época de armamento e competição feroz entre as duas super-potências - EUA e URSS - pela conquista do espaço.
Releve-se, a título de curiosidade, que a presente tese foi submetida a provas no ano em que Yuri Gagarin - o primeiro homem no espaço - efectuou o seu voo inaugural a bordo da nave Vostok, em 12 de Abril de 1961.
Obra rara e muito curiosa, pelo tema em questão e timing da sua apresentação, e pelo facto de tal assunto ter sido desenvolvido por um cidadão nacional, circunstância altamente improvável por não ser Portugal um país com tradições aeroespaciais, muito menos na época. Nada foi possível apurar acerca do livro ou do seu autor por falta de referências, incluindo a Biblioteca Nacional, a não ser a menção da apresentação da tese no Anuário da Universidade do Porto, XV, 1960-61.
Livro impresso em papel encorpado, concebido com esmero e apuro gráfico.
"- Na ânsia, sempre insatisfeita, de desvendar, perante os seus olhos mortais, toda a grandeza da obra da Criação, tem a humanidade dedicado à exploração do Universo, o melhor de séculos de esforço constante. [...]
O progresso científico, tornando cada vez mais próxima a hora em que seres humanos poderão poderão evadir-se da velha Terra, põe à humanidade uma terrível pergunta: qual o comportamento dos primeiros astronautas a como resistirão aos choques emocionais a que têm de ser submetidos? As experiências que, em todo o mundo, estão a ser praticadas e a sua possível contestação trouxeram-nos à lembrança o tema que nos propomos tratar. [...]
O homem na sua constante ânsia de saber, lança-se à conquista do espaço, convencido de que isso o ajudará a viver mais e melhor, fazendo, para isso, estudos profundos e experiências arrojadas sobre o corpo humano, para conhecer as condições de vida que lhe serão impostas, a sua capacidade de adaptação a novos meios, enfim, submete o seu semelhante a tudo o que o seu génio imagina para levar a bom termo o seu grande sonho.
Como diz Toscano Rico: - "Não pode duvidar-se hoje da necessidade imprescindível de uma experimentação racional, como factor decisivo do progresso dos conhecimentos médicos", e neste caso dos conhecimentos gerais do homem. Mas, continua o mesmo autor, " a ânsia da descoberta ou o interesse especulativo da investigação, podem às vezes arrastar a experimentação numa correria desenfreada e torna-se lícito perguntar se não existem limites deontológicos que devam condicioná-la".
Serão exactamente esses limites, aplicados ao caso particular da exploração do espaço, a essência do tema que escolhemos para a nossa dissertação de Licenciatura."
(Excerto da Introdução)
Sumário:
I - Introdução. II - Um velho sonho. III - O Homem e o Espaço. IV - Conclusão. | Bibliografia.
Encadernação cartonada com letras gravadas a negro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
75€

24 setembro, 2022

VASCONCELLOS
(Mariotte), Amadeu de - A AEROSTAÇÃO. Actualidades Scientificas - III
. Porto, Editado pela Livraria Portuense de Lopes & C.ª - Successor, 1908. In-8.º (18 cm) de 146, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo científico - para a época - da conquista do ar.
Livro ilustrado com 47 gravuras ao longo do livro, composto por alguns (poucos) desenhos, mapas e fotogravuras de balões e dirigíveis, sendo algumas delas em página inteira.
"O homem não se contenta com ser elevado ás altas regiões da atmosphera com fins scientificos ou meramente sportivos. Apenas conseguiu devassar os ares, logo reconheceu que a sua conquista não seria absoluta emquanto não deixasse de ser um joguete dos ventos entro do oceano aereo e não podesse atravessa-lo em todas as direcções desejadas. É por isso que o problema da dirigibilidade dos aerostatos é tão antigo como os proprios balões."
(Excerto do Cap. V - Balões dirigiveis)
Matérias:
I - Os primordios da aerostação. II - Balões esphericos. III - Aerostação militar e aerostação scientifica. IV - Navegação aero-maritima e sport aerostatico. V - Balões dirigiveis.
Amadeu de Vasconcelos (pseud. Mariotte) (1879-1952). "Numa época em que ainda persistia a ideia da incompatibilidade entre a religião e a ciência, o padre portuense Amadeu Cerqueira de Vasconcelos (1878-1952) foi capaz de conciliar as actividades de divulgador científico com as de apologista do catolicismo, lutando assim contra “a apregoada antinomia entre a sciencia e a fé”.
Amadeu de Vasconcelos viveu longos períodos da sua vida em Paris e aí escreveu e publicou vários dos seus livros e artigos - em Português e Francês - em prol da ciência, contra a maçonaria e a favor do catolicismo e de um nacionalismo original. Para além de um escritor prolífico, O padre Amadeu de Vasconcelos foi crítico severo da sociedade civil e eclesiástica do seu tempo.
No Porto, teve acesas polémicas com as autoridades episcopais, os professores do seminário, o secretário do bispo e o próprio bispo. As agressões verbais e escritas chegaram a tal ponto que o secretário episcopal o padre Manuel Pereira Lopes ─ um jovem arrogante e pedante, acabado de regressar de Roma com um doutoramento em Teologia - prometeu ajustar contas com o incómodo padre ameaçando “partir-lhe a cara em plena rua”. A ameaça, prometida e muito anunciada, concretizou-se no dia 2 de Julho de 1907. O próprio bispo D. António Barroso rematou a agressão física com uma agressão moral: “uma pena de suspensão de 30 dias”, que foi muito criticada nos jornais da época e que reforçou o sentimento anti-clerical que então existia no Porto e em quase todo o país. O padre Amadeu de Vasconcelos não se resignou com tais humilhações, como o demonstram os vários artigos, que publicou na imprensa, e os manuscritos, que tencionava publicar em 1908 e nos quais revela dramaticamente a sua revolta contra o “cynismo” do bispo e o “pedantismo” do seu secretário “bruta-montes”.
Muitos foram os assuntos que abordou na sua extensa obra escrita. Publicou livros de crítica social, política, filosófica e religiosa."
(Fonte: http://oholoscopio.blogspot.com/2007/08/o-padre-amadeu-de-vasconcelos-mariotte.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel. Com falta última página de texto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Indisponível

18 fevereiro, 2022

MARTINS, J. Mendes - SOCIOLOGIA CRIMINAL (estudos).
Com prefacio do Ex.mo Sr. Dr. Julio de Mattos
. Lisboa, Tavares Cardoso & Irmão - Editores, 1903. In-8.º (19 cm) de XXXII, 140, [20] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo criminal sob o ponto de vista sociológico, publicado nos alvores do século XX, muito valorizado pelo extenso prefácio do conhecido médico alienista Júlio de Matos.
"Parte integrante do um aggregado humano, o criminoso actua sobre elle pelos delictos; perturbada, a collectividade reage pelas penas. Mas o estudo d'estas acções e reacções, que em todos os tempos e em todos os logares preocuparam os espiritos, não foi sempre positivo, nem podia sêl-o, porque a Sociologia, de que esse estudo é apenas um ramo, só se constituiu como sciencia a partir do momento em que o genio maravilhoso de Augusto Comte fez penetrar, sob o nome de continuidade historica, o luminoso conceito de evolução no dominio dos factos collectivos."
(Excerto do Prefacio)
"O regime penitenciario, desconhecendo em absoluto a indole indefinidamente variavel e essencialmente concreta do crime, e obedecendo em eus principios ao apriorismo e deducções subjectivas do do ontologismo classico, está mui longe de poder reputar-se um meio racional de repressão e, conjunctamente, um meio de regeneração do delinquente.
E assim, submette a torturas moraes cruciantes o honesto e laborioso chefe de familia que, soffrendo a expiação d'uma falta passageira, v. g., d'um crime de roubo ou fruto, a cujo commettimento o impelliram a occasião e quasi sempre a necessidade, á semelhança do galeriano João Valjean, pensa, durante a solidão e isolamento na cellula, nas angustias e desamparo da familia e na ignomia propria, ferreteada por esse regime repressivo, e que, tornando-lhe a lucta pela vida mais penosa e difficil, quando não impossivel de supportar, depois de restituido á liberdade, lança-o pelo desespero e miseria na iteracção do crime.
Por outro lado, apresenta-se com todos os encantos e attractivos para o criminoso habitual que, de ordinario, sem casa nem lar, compara o bem-estar e os confortos da vida cellular, ás refregas e accidentes d'uma vida miseravel e precaria."
(Excerto de Repressão do Crime)
Indice:
Prefacio do sr. Julio de Mattos. | Introducção.| Movimento Scientifico Contemporaneo (Seus Antecedentes Historicos). | Processo Methodologico (Estatistica Criminal). | Responsabilidade Criminal (O delinquente). | Repressão do Crime (Regime Penitenciario). | Appenso ( Instituição do patronato).
Exemplar em brochura, por aparar, bem conservado. Apresenta sublinhados e notas a lápis na primeira parte do livro.
Raro.
Com interesse histórico e criminal.
30€