Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevistas. Mostrar todas as mensagens

22 março, 2026

MAIA, Berta - AS MINHAS ENTREVISTAS COM ABEL OLIMPIO "O DENTE DE OURO".
Paginas para a historia da morte vil de Carlos da Maia, republicano - combatente de 5 de Outubro -
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Ottosgrafica - Lisboa], 1928. In-4.º (23x17,5 cm) de 64 p. ; B.

1.ª edição.
Berta Maia, viúva de José Carlos da Maia - uma das vítimas da madrugada de 19 de Outubro, que para a história ficaria conhecida pela "Noite Sangrenta" - empenhou-se viva e corajosamente na busca da verdade: quem e porquê tinham sido os mandantes dos crimes, tendo para o efeito entrevistado na prisão Abel Olímpio - «o Dente de Ouro» - cabo da marinha, líder da "camionete fantasma" - responsável identificado pelo morticínio.
Ilustrado com fac-símiles dos Autos referentes às declarações de vários dos envolvidos neste processo "Noite Sangrenta".
"No dia 19 de outubro de 1921, eclode uma revolta militar sob o comando do coronel Manuel Maria Coelho, antigo revolucionário do Movimento Republicano de 31 de Janeiro de 1891. O chefe do Governo, António Granjo, apresenta a demissão, mas o Presidente da República, António José de Almeida, não nomeia um novo executivo.
Neste ambiente de impasse, na noite de 19 para 20 de outubro, um grupo de civis e militares, liderado pelo cabo marinheiro Abel Olímpio, conhecido por O Dente de Ouro, conduz os acontecimentos da designada Noite Sangrenta.
Uma camioneta – a "camioneta-fantasma" – percorre Lisboa em busca de diversas figuras do regime republicano, que, forçadas a entrar no veículo, são posteriormente executadas. Na Noite Sangrenta são assassinados, entre outros, o Primeiro-Ministro, António Granjo, e dois protagonistas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Machado Santos e Carlos da Maia."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/noite-sangrenta.aspx)
"Tu, meu filhinho, ficaste órfão aos seis mezes, toda a tragedia se desenrolou á tua vista e tu sorrias, sorrias sempre! Deus Meu! Pensei que um dia a tua alma estimaria lêr estas páginas, escritas por tua Mãe, sem odios, sem gritos de vingança, e então uma lágrima rolaria pela tua face, serena, sem revoltas, amparado á cruz de Cristo, forte, altivo na tua dôr, orgulhoso de teu Pae!"
(Excerto de Porque escrevi este livro)
"Um mez e dias depois da morte do meu marido adorado, - estava eu prostrada no leito numa grande agonia, - trouxeram-me um cartão de visita: era da policia, do director Barbosa Viana, convidando-me a ir o Governo Civil. Levantei-me e fui. O Dr. Barbosa Viana escondeu-me numa sala e, sentada junto duma porta de vidro, foi-me possivel perceber o que se passava na sala contigua. Ouvia, não via, parecendo-me conhecer a voz de quem procurava defender-se. Eu tremia num desespero louco, ouvindo falar no que se passara em minha casa. Uma voz nega a celebre frase que lhe recordam:
- Então tu não disseste em cada de Carlos da Maia - «ele tambem não teve dó de mim, mandou-me para a Africa a ganhar 10 réis por dia e minha mãe morreu de dôr»? És capaz de manter essa negativa diante da viuva? Conhece-la?
- Sim, - respondeu.
A porta abre-se, e eu vejo o marinheiro cujo olhar terrivel e me gravara pra todo o sempre. Atiro para longe o chapeu e digo-lhe:
- Conheces-me? Olha bem para mim. Não me deste tiros, mas vê bem que eu sou um cadaver!
O Dr. Barbosa Viana agarra-me com força, pela frente, no momento em que tento avançar para o assassino, obriga-me a sentar num sofá, sofocada. Então, aquele homem frio, que dir-se-ia de gelo em minha casa, com uma lagrima nos olhos, fixando-me, diz:
- Esta senhora é a unica pessoa que me pode acusar..."
(Excerto de Depois da tragedia - No Governo Civil)
Índice:
Dedicatoria. | Porque escrevi este livro. | Depois da tragedia: No Governo Civil; Na Prisão da Junqueira. | Depois da condenação do Abel Olimpio: Na Penitenciaria de Coimbra - Primeira entrevista; Segunda entrevista; E o Abel falou - Terceira entrevista. | O Snr. Virgilio Pinhão em minha casa. | Os autos [Fac-símiles].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

18 janeiro, 2025

JOBIM, José -
A VERDADE SOBRE SALAZAR.
(Entrevistas concedidas em Paris pelo Sr. Affonso Costa, ex-presidente da Liga das Nações e antigo primeiro-ministro de Portugal). Prefacio de Danton Jobim. Rio, Calvino Filho, editor, 1934. In-8.º (19x12,5 cm) de 141, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para história da política portuguesa nos alvores do Estado Novo, protagonizado por Afonso Costa - figura de proa da 1.ª República - que através de um conjunto de entrevistas concedidas a partir do exílio a um jornalista brasileiro, dá conta do seu "incómodo" com a situação vigente no país.
"Não sou amigo nem partidario do Sr. Affonso Costa. Reporter brasileiro, correspondente de jornaes brasileiros, não desejo immiscuir-me nos negocios internos de Portugal. Colhi, entretanto, um grande e expressivo depoimento sobre o momento politico portuguez. O ex-primeiro ministro e antigo presidente da Liga das Nações supportou durante annos o assédio que lhe movi. Não queria falar a estrangeiros sobre seu paiz. Ao fim de trez annos, capitulou. O que não obtivera a habilidade do jornalista conseguiu o odio contra a dictadura militar que, atacando-o, lhe nega o direito de defesa. E o Sr. Affonso Costa falou-me, concedendo a sua entrevista mais sensacional. Este livro é uma resposta ao "Salazar" do Sr. Antonio Ferro. Deveria compol-o um portuguez. Mas o estado totalitario do Doutor Salazar, pela sua propria estructura e finalidade, se attribue em Portugal o dominio absoluto dos prélos e das consciencias. Além do mais, a dictadura portugueza mantém um amplo e bem organisado serviço de propaganda entre nós. Creio, pois, que se deve conceder o direito de trazer ao publico brasileiro "a voz do outro sino"."
(Introdução)
"Neste livro o sr. Affonso Costa renova a sua velha crença nos destinos da democracia.
Si eu tivesse de tratar da personalidade politica do ex-primeiro ministro portuguez antes de ter deante dos olhos a série de entrevistas que ahi está, não o chamaria pura e simplesmente um democrata. Democrata e democracia são, em nosso tempo, expressões vagas, imprecisas, e, por isso, incolores, tão amplo o sentido que as conveniencias partidarias lhe emprestaram, sobretudo nas nossas jovens republicas da America Latina, e tão numerosos e evidentes têm sido os contrabandos de idéas e interesses sob esses rotulos honestos.
Recordando o seu passado republicano e as idéas que elle sustentou, teriamos preferido situal-o entre os authenticos jacobinos, cuja caracteristica fundamental é o culto da autoridade soberana do Estado, a necessidade da submissão de todos á lei, que emana da vontade popular, expressa através da igualdade politica, sem que se attenda ás differenciações de ordem economica e social. [...]
O estatismo exagerado que caracteriza a nossa época é levado a suffocar as liberdades individuaes. O sr. Salazar repete as variações do sr. Mussolini sobre as relações entre  liberdade e autoridade, que, aliás, em si, não têm nada de novo.
As theorizações fascistas, o esforço pela creação de uma physionomia propria para o fascismo, estão consubstanciadas na exposição doutrinaria redigida pelo Duce para a Encyclopedia Italiana:
"Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fóra do Estado". (Discurso no Scala de Milão). [...]
O sr. Oliveira Salazar é partidario intransigente desse estaismo fascista. Sob a sua immediata direcção organiza-se em Portugal um movimento corporativista, nos moldes do syndicalismo burocratico italiano. Mas haverá consições, na republica portugueza, para a victoria desse movimento? E a dictadura militar qu governa o paiz será capaz dessa tarefa? Eis uma these interessante e opportuna que aos pensadores e homens de estado portuguezes, que conhecem de parto a situação politico-social do paiz, incumbe responder."
(Excerto do Prefacio)
"O Hotel Vernet, situado na rua do mesmo nome, que atravessa os Champs Elysées na altura de Georges V, é um dos mais curiosos de Paris. Ali se hospedam estrangeiros apenas. É um hotel caro e familiar. Ha antigos presidentes e mesmo reis dos paizes mais remotos. [...]
O Sr. Affonso Costa não me faz esperar cinco minutos. Entra com um sorriso nos labios. É um homem baixo, forte, elegante, com os cabellos grisalhos e a pêra - a mais famosa pêra de Portugal - quasi alva. Parece ter apenas quarenta annos. E tem mais de sessenta. Respira saude e energia. E quando fala, ao sorrir faz com que a gente se lembre logo de Mefistopheles, tal a expressão maliciosa, viva, intelligente de sua mascara. Ha mesmo sarcasmo e força nessa mascara.
- "Uma entrevista? diz-me. Pois, seja! Mas quero que note em que condições especiaes e excepcionaes lh'a vou dar. Tenho sempre hesitação e melindre em contar a estrangeiros o que se passa de desagradavel e de injusto no meu paiz. O meu orgulho pessoal e de portuguez não me permitte solicitar apoio ou solidariedade a estranhos e muito menos fazer-lhes queixas."
(Excerto da Entrevista)
José Pinheiro Jobim (Ibitinga, 1909 – Rio de Janeiro, 1979). "Foi um economista e diplomata brasileiro, morto político da ditadura militar brasileira. Trabalhou primeiramente como jornalista, tendo sido revisor e redator de "A Manhã", do Rio de Janeiro, e redator do "Diário de Notícias" de Porto Alegre. Contratado pela Agência Meridional dos Diários Associados, foi redator de "O Jornal" e seu enviado especial à Europa. Entre 1930 e 1936 viajou também à URSS, Ásia e África. Iniciou sua carreira diplomática em 1938, atuando como cônsul de terceira classe, no mesmo ano foi designado vice-cônsul em Yokohama, no Japão. Entre 1938 e 1941, de volta ao Brasil, serviu na Secretaria do Comércio Exterior. Em 1941 foi transferido para Nova Iorque, ainda no posto de vice-cônsul. Promovido a cônsul de segunda classe em 1942, permaneceria em Nova Iorque até 1943 como cônsul adjunto. Desde sua promoção a ministro de primeira classe, em 1959, ocupou o posto de embaixador do Brasil no Equador, de 1959 a 1962, na Colômbia e na Jamaica cumulativamente, de 1965 a 1966, na Argélia, de 1966 a 1968, e no Vaticano e Malta, de 1968 a 1973. Ao se aposentar do Itamaraty, em 1975, estava à frente da representação brasileira no Marrocos, onde chegara em 1973. Fundou com seus filhos a Editora Brasília Rio.
Em 15 de março de 1979, o embaixador, já aposentado, foi à Brasília, onde tomou posse o ditador João Batista Figueiredo e, com ele, o chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro, amigo de José Jobim. Durante a cerimônia, Jobim comentou com alguns amigos que estava escrevendo um livro de suas memórias, inclusive detalhes sobre o superfaturamento do governo na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que custou dez vezes o valor orçado, totalizando cerca de US$ 30 bilhões. Uma semana depois, no dia 22 de março, Jobim já estava de volta ao Rio de Janeiro e, logo depois do almoço, saiu de sua casa para encontrar um amigo. Seu corpo foi encontrado por um gari dois dias depois do sequestro, a menos de 1 quilômetro da Ponte da Joatinga. Ele estava pendurado pelo pescoço em uma corda de náilon em um galho de uma árvore pequena. Assim como as do jornalista Vladimir Herzog, seus pés, com as pernas curvadas, tocavam o chão, levantando suspeitas sobre a hipótese de suicídio. Seis anos depois, a promotora Telma Musse reconheceu que houve homicídio, mas considerou o caso insolúvel e pediu o arquivamento."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Aparado. Com falhas de pele na lombada.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

16 janeiro, 2024

JOÃO BRANCO NÚNCIO - ÉPOCA : Suplemento Especial. [Lisboa], Companhia Nacional Editora, 1973. In-4.º (28,5x20,5 cm) de 29, [3] p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Suplemento especial do jornal Época n.º 831 de 27 de Maio de 1973 dedicado às Bodas de Ouro da alternativa de Mestre João Branco Núncio. O jornal Época resultou da fusão dos jornais "A Voz" e "Diário da Manhã", foi lançado em 1 de Fevereiro de 1971 e circulou até Maio de 1974.
Contém uma reportagem de fundo sobre o cavaleiro - circunstância excepcional, dada a sua conhecida aversão a entrevistas. A contracapa reproduz autógrafo do toureiro com o agradecimento público a todos quanto o acompanharam na sua jornada de 50 anos.
Suplemento ilustrado com inúmeras fotografias do Mestre (no campo, feiras e praças), publicidade diversa, e um artigo sobre Nuno Salvação Barreto, cabo do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa.
"A singela homenagem que prestamos a João Branco Núncio no dia em que comemora as Bodas de Ouro da sua alternativa, tem  um duplo objectivo: o de festejar o artista que ao longo de cinquenta anos soube e pôde dignificar a sua Arte, e o de enaltecer o Homem probo, o chefe de Família, o trabalhador e o empresário que aos seus e à sua terra não regateou um avo da energia, ao longo da existência.
Respeitador dos valores tradicionais, em cada momento confiante nas amabilidades do futuro, tolerante e justo, nada mais se poderia acrescentar à vida de João Branco Núncio, se não fora a força com que enfrentou as adversidades, opondo-lhes persistentemente, uma ilimitada confiança de vitória.
Para além dos tumultos da existência, do bom e do menos bom existencial, da glória das arenas ou do secreto triunfo interior - homenageia-se também, e antes de tudo, aquele que tão portuguêsmente soube e sabe viver."
(Apresentação)
"Manhã cedo. A terra encharcada estendia-se por canteiros de arroz. Na outra, mesmo à ilharga, semeada de trigo, parecia também, aos olhos leigo da repórter, fortemente humedecida pelas violentas bátegas que, de espaços a espaços, caíam nas leiras castanho-escuras.
Dia de chuva, de vento desabrido, a secar em poucos instantes a água benfazeja.
Minutos antes deixáramos a Quinta da Palmeira, à saída de Alcácer, ao rés da estrada nacional que segue por esse Alentejo dentro, direita ao Torrão e a Beja.
João Núncio, calça de ganga azul justa às pernas, blusão ajaquetado de cabedal preto, botins de vitela, e na cabeça o tradicional chapéu e aba larga, senta-se ao volante do jipão e ruma a Vale de Lobos."
(Excerto da entrevista)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito raro.
Com interesse histórico e tauromáquico.
Indisponível

08 dezembro, 2021

CORREIA, Palmira – DOM DUARTE DE BRAGANÇA. 
Um homem de causas - causas de rei. Prefácio de Teresa Costa Macedo. Fotografias de António Homem Cardoso. Lisboa, Dom Quixote, 2005. In-4.º (23,5 cm) de 135, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro ilustrado com fotografias a p.b.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa de D. Duarte Pio.
Entrevista da jornalista Palmira Correia. “Dom Duarte fala das causas que abraça, das suas ligações às casas reais europeias, das viagens, da infância, dos pais, do exílio forçado, das suas recordações da Suiça, onde nasceu, da sua passagem pelo Colégio Militar, e do seu tempo de tropa em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Timor, a democracia, a independência das ex-colónias, a defesa do ambiente, o mutualismo e os traços da cultura portuguesa no mundo são também alguns dos temas abordados neste livro. “ (Excerto da apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

25 setembro, 2021

LIVERPOOL, Lord Russel of - PRISÕES E PRESOS EM PORTUGAL.
Um inquérito independente. Por...
[Lisboa], [s.n.], 1963. In-8.º (19,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório sobre as condições dos estabelecimentos prisionais portugueses, encomendado pelo Governo após denúncias veiculadas na imprensa internacional de tortura e maus tratos infligidos aos presos políticos.
"Durante os últimos dezoito meses fizeram-se certas alegações, em algumas organizações, como «Amnesty», sobre tortura e maus tratos aos presos políticos nas prisões portuguesas, e sobre as condições em que os mesmos vivem. Também foram escritos artigos em certos jornais ingleses a repetirem as mesmas alegações.
O Governo português tinha empenho em que qualquer observador imparcial e autorizado indagasse, nas próprias prisões, sobre as alegações de tortura e de maus tratos a presos políticos, as quais, embora negadas pelo Governo português, continuavam a ter crédito. Em Março de 1963 fui sondado para saber se eu estava disposto a empreender tal investigação. Ao mesmo tempo prometerem-me que teria pulso livre e acesso a todas as prisões e todos os reclusos. Concordei com tudo nesta base.
Cheguei a Lisboa no dia 20 de Abril e comecei a minha investigação logo no dia 22, acabando no dia 1 de Maio."
(Excerto do preâmbulo)
"O autor deste relatório independente - [Lord Russel of Liverpool (1895-1981)] - foi juiz militar adjunto ao Quartel-General do Primeiro Exército britânico (1942-43); ao Quartel-General das Forças Aliadas (1943-45); ao Quartel-General das Forças Britânicas no Próximo Oriente (1945-46) e ao do Exército do Reno (1946-47); foi ainda juiz conselheiro dos Serviços Jurídicos do Exército (1951-54).
Entre as suas obras publicadas contam-se «O Flagelo da Suástica» e «O Julgamento de Adolfo Eichmann»."
(Retirado do verso da f. rosto)
Matérias:
[Preâmbulo]. | A Prisão-Hospital de Caxias. Visitada em 23 de Abril. | A Prisão de Peniche. Visitada em 24 de Abril. | Entrevistas com presos em Peniche. Mário Pedrosa Gonçalves. Dr. Orlando Ramos. Dr. Humberto Lopes. | A Penitenciária de Lisboa. Visitada em 25 de Abril. | A Prisão de Caxias - Norte e Sul. | A Prisão do Aljube, em Lisboa. Visitada em 25 de Abril. Presos por mim interrogados no Aljube, no dia 25 de Abril. | A Escola- Prisão de Leiria. Visitada em 26 de Abril. | A Prisão da P.I.D.E. no Porto. Visitada em 27 de Abril. | A Sede da P.I.D.E em Lisboa. Visitada em 30 de Abril.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

11 agosto, 2020

FRAGOSO, Fernando - HOLLYWOOD EM LISBOA. Encontros e desencontros com as vedetas de cinema, que a guerra trouxe a Portugal. Lisboa, Vida Mundial Editora, 1942. In-8.º (19 cm) de 184, [8] p. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada em plena 2.ª Guerra Mundial. Conjunto de depoimentos e reportagens jornalísticas a propósito do fluxo de personalidades ligadas ao cinema internacional que se refugiou em Portugal após a eclosão do conflito.
"A guerra trouxe a Portugal algumas das mais célebres vedetas mundiais. Lisboa, Cais da Europa, assistiu, dêste modo, à luzida parada das figuras que se habituara a admirar, imaterializadas em sombra e luz. Quando menos se esperava, desfeito o equilíbrio do sistema «astral» euro-americano, presenciámos, surpreendidos e interessados, o espectáculo duma chuva de estrêlas, sôbre as ruas e hoteis da cidade - estrêlas de todos os tamanhos e feitios, com a luz própria do seu talento ou com a chama duma publicidade engenhosa e bem estudada. [...]
Tôdas, grande e pequenas, cintilantes ou apagadas, viviam uma hora difícil, pela inquietação de Marte, que desorganizara as constelações existentes...
A guerra, com efeito, eclodira em França. E, quinze dias depois das primeiras notícias da invasão, aquele país capitulava, quási sem ter tempo de combater. O êxodo, iniciado semanas antes, atingiu, em poucos dias, proporções fabulosas. Portugal acolheu, então, com a hospitalidade proverbial do seu povo, essas vedetas, que traziam ainda no olhar o pavor do pesadelo vivido.
O que vão ler não é um romance nem uma obra literária, na acepção pretenciosa do termo. É, sim, e apenas, a reportagem, o depoimento dum jornalista que, por dever de ofício, surpreendeu algumas das figuras mais gradas da tela, nas horas de incerteza, nas horas dramáticas que viviam - e as traz, agora, ao convívio dos leitores, tais como elas são na vida real. [...]
Nas páginas que se seguem, há capítulos para ler e meditar - confissões e desabafos de produtores e realizadores, actos de contrição e actos de fé dos que têm responsabilidades nos destinos do Cinema."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com pequeno "rendilhado" de traça visível nas últimas folhas do livro, à cabeça, sem atingir a mancha tipográfica.
Invulgar e muito interessante.
Indisponível

27 julho, 2020

CADERNOS DE REPORTAGEM - N.º 5; Fevereiro/Março de 1984. Direcção: Fernando Dacosta. [Lisboa], Relógio d'Água, Editores, Limitada, 1984. In-8.º (18,5x21 cm) de 57, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa: "Quando mato alguém fico um bocado deprimido". Criminosos Entrevistados na Cadeia por Jorge Trabulo Marques.
Conjunto de entrevistas a 3 dos mais conhecidos marginais dos anos 70/80 efectuadas nas penitenciárias onde cumprem penas elevadas. Nos depoimentos fazem um balanço da sua vida de crime, preenchidas com episódios aparatosos, e falam do dia a dia na cadeia - as condições de vida, a droga, os ajustes de contas, a homossexualidade, o relacionamento com os guardas prisionais, etc.
Livro ilustrado ao longo do texto com fotografias dos meliantes.
"Condenado em Junho de 1981 por homícidio e roubo a 22 anos e 11 meses de prisão maior, quando já cumpria, por motivos idênticos, 12 anos de pena, Manuel Alentejano é de há muito uma legenda no mundo da marginalidade. Manuel Pedro Ramalho Dias, o seu verdadeiro nome, nasceu em Portel a 10 de Agosto de 1951. Uma infância de abandonos a tira-o para a pequena delinquência onde se revela, pela frieza de emoções, a rapidez de actuação e a capacidade de comando, uma figura de personalidade invulgar.
Dotado de grande inteligência, coragem e sensibilidade, Manuel Alentejano faz-nos (na entrevista e no Diário que publicamos a seguir) revelações de surpreendente perturbação.
Recapturado em Lisboa depois de uma fuga do tribunal da Boa Hora onde estava a ser ouvido para novo julgamento, foi metido no Estabelecimento Prisional de Lisboa (aí o encontrámos) após o que o transferiram para a penitenciária de Pinheiro da Cruz."
(Quando mato alguém fico um bocado deprimido, Introdução)
"Conhecido por Muleta Negra, Carlos Alberto Coelho Guerreiro é um dos nomes mais populares do mundo do crime português devido a inúmeros assaltos, roubos, prisões, embustes e fugas que realizou. Com 28 anos de idade, natural de Lisboa, bate-chapas de profissão, encontra-se a cumprir pena de 16 anos por decisão do Tribunal de Justiça (Abril 77).
Antes de ser preso, Muleta Negra, pertencia a uma quadrilha especializada em assaltos a ourivesarias que actuou com grande êxito de 1972 a 1974 nas zonas de Lisboa, Vila Franca de Xira e Tomar. Nesse ano foi capturado na Amadora após ter travado luta violenta com a polícia."
(Fizeram de mim um mito, Introdução)
"Por se encontrar a cumprir a parte final da pena a que foi condenado e, portanto, prestes a ser posto em liberdade, não revelamos a identidade do burlão que nos deu a entrevista que se segue.
Trata-se de um dos casos mais ousados da pequena história criminal (sociológica) portuguesa, famoso hoje pela sua inteligência, perspicácia, comunicabilidade e poder de persuasão."
(Histórias de um vigarista, Introdução)
Índice:
1. «Quando mato alguém fico deprimido» - Manuel Alentejano. | 2. Diário de Manuel Alentejano. Extracto de um longo diário escrito na cadeia por Manuel Alentejano a partir de 1979, e que constitui um documento de rara sensibilidade, inteligência, sufocação e amargura. | 3. «Fizeram de mim um mito» - Muleta Negra. | 4. Histórias de um vigarista [até vendeu um avião] - Identidade não revelada.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e criminal.
Indisponível

11 julho, 2014

PORTUGUESES NA GUERRA DO VIETNAME. Organização, introdução e notas de Adalino Cabral e Eduardo Mayone Dias. Rumford, RI (USA), Peregrinações Publications, 2000. In-8º (20,5cm) de 191, [1] p. ; mto il. ; B.
Entrevistas com emigrantes portugueses dos Estados Unidos que participaram na Guerra do Vietname. Publicado em Rumford, Rhode Island (EUA).
Muito ilustrado com fotografias a p.b. no texto. Na foto acima, em pose, Adalino Cabral, veterano do Vietname, e um dos organizadores do livro. 
"A todos os combatentes portugueses e luso-descendentes, a todos os que tombaram na Guerra do Vietname, a todos os membros do Exército, Marinha, Força Aérea, Corpo de Fuzileiros Navais e Guarda Costeira dos Estados Unidos que de lá regressaram, a todos os pais, irmãos, cônjuges e restantes familiares, bem como àqueles que souberam acolher com  dignidade e respeito o antigo combatente oferecendo-lhe um bem merecido abraço de boas-vindas quando mais era preciso e o continuam a fazer.
Todos sois "NUMBER ONE."
(dedicatória)
"Pareceu aos dois organizadores desta obra, emigrantes ambos nos Estados Unidos há longos anos, que seria valioso reunir testemunhos de outros emigrantes portugueses que tivessem servido a pátria adoptiva na Guerra do Vientname. Foi de facto uma guerra onde também portugueses estiveram presentes. E, mais uma nota a acrescentar à imensidão da tragédia dessa contenda, cerca de cem militares com sobrenomes portugueses por lá tombaram para sempre.
Nestas entrevistas tentámos determinar, para além dos naturais traumatismos a que está sujeito qualquer combatente, que grau de identificação sentiam os emigrantes portugueses, incorporados nas forças armadas americanas, com os ideais do seu país de acolhimento. Como é que a rejeição tantas vezes antes experimentada se poderia coadunar com a lealdade à nova nação que, na maioria dos casos, uma fria ordem oficial os mandava servir, que papel desempenharia uma possível gratidão pelo que a América lhes havia oferecido, até que ponto o sentido de dever os motivaria. E como reagiram quando se viram envoltos numa guerra distante, em que o perigo e a iminência da morte mesmo na retaguarda os cercavam quase a cada momento.
Uma faceta à margem dos nossos propósitos que emergiu destes diálogos foi uma curiosa amostragem do "portinglês", o falar luso-americano a que, diga-se de passagem, ambos os organizadores deste livro têm dedicado considerável atenção."
(excerto da nota prévia)
Índice:
Nota prévia.
Dois depoimentos à maneira de prefácio.
Texto de Adalino Cabral.
Texto de Eduardo Mayone Dias.
"A morte da poesia", poema de José Brites.
Entrevistas
1 - Amílcar Cerejo. 2 - Dinis Manuel Oliveira. 3 - Eduardo José F. Coelho. 4 - Francisco Cunha. 5 - Helder Correia. 6 - Henrique Oliveira de Sousa. 7 - Henry Mello. 8 - Horácio Manuel S. Almeida. 9 - João Marques Constantino. 10 - José Urbano Almeida. 11 - Jose Valadão Sousa. 12 - Lúcio Serpa. 13 - Luís Esteves. 14 - Manuel Botelho Tavares. 15 - Manuel Bráulio da Costa Fontes. 16 - Victor do Couto.
Posfácio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
25€

01 maio, 2012

LEITE, Pe. José – ASSIM FALOU O PADRE CRUZ. Porto, Livraria Apostolado de Imprensa, [s.d.]. In-8.º (19 cm) de 98, [2] p. ; [2] p. il. ; B.
1.ª edição.
Compilação de reflexões do Padre Cruz resultantes de uma séria de entrevistas concedidas pelo conhecido e apreciado sacerdote ao autor.
Livro ilustrado com 2 fotografias do Padre Cruz extratexto:
- Retrato tirado à porta de Igreja de S. Luís, Lisboa, em 25/8/1940; - No leito de morte.
"Não é uma biografia que apresento, mas apenas o resultado de dez entrevistas dadas pelo Senhor Dr. Cruz e orientadas para descobrir um pouco a sua vida mais íntima." (Excerto da introdução)
Bom exemplar.
Invulgar.
Indisponível

03 outubro, 2011

SAUERWEIN, Jules - MONARCAS DE AYER E DE MAÑANA : Recuerdos y Entrevistas. Mexico, D. F., Editorial Patria, 1953. In-8º (20cm) de 294 p. ; il. ; E.
Ilustrado com fotografias a p.b. intercaladas no texto.
1ª edição em castelhano.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor, datada (1953), aos Condes de Mafra.
"A quién dedicaré este libro sino a este bello y buen país donde he encontrado a los tres príncipes que me han ocasionado el escrebirlo? Porque Portugal es un asilo, viven aquí relativamente felices, a pesar de sus vicisitudes [...] ortugal es una tierra , no de destierro, sini de acogimiento, y hubiera faltado a mis más elementales deberes, si no hubiera dedicado este volumen, concebido y escrito sobre su suelo, a este país antiguo y moderno a la vez, tan hospitalario para con los errantes y los desgraciados, ya sean humildes o de estirpe real." (do introdução do autor)
Curioso livro, fruto do período de convivência que o autor manteve com os monarcas e respectivas famílias, exilados em Portugal nos anos 40 e 50 do século passado. Interessante conjunto de depoimentos do Rei Humberto de Itália, do Conde de Paris e D. Juan de Espanha.
Encadernação inteira de percalina com ferros a ouro na lombada; conserva as guardas de brochura.
Excelente exemplar.
Invulgar.
35€