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12 julho, 2026

CASTRO, Augusto de -
OS MYSTERIOS DO SOMNO.
2.ª Parte. Somnambulismo, Espiritualismo e Espiritismo. Investigações scientificas sobre trabalhos de Charcot, Liebault e Bernheim. Por... (Professor de ensino livre). Lisboa, Livraria Portugueza de João Carneiro & C.ta, [191-]. In-8.º (19,5x13 cm) de 98, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra rara, muitíssimo interessante. Não datada, publicada algures no final da primeira/início da segunda década do século XX. Relativamente à menção "2.ª Parte", sem informação do título da "1.ª Parte", podemos supor que diga respeito ao Tratado de Sciencias Ocultas (Sonambulismo, espiritualismo, espiritismo e grafologia), editado pela Romano Torres também no início do século XX.
Ilustrada com desenhos esquemáticos no texto e em página inteira.
"Não comporta o presente livro, pela sua indole e destino, fazer uma analyse das sciencias cujos elementos constituem a parsophia magica. O que aqui cabe fazer é abraçar as syntheses, apresentar, em blóco, as conclusões a que deverêmos atêr-nos e indicar ao leitor estudioso, que, sobre o assumpto, queira adquirir maio somma de conhecimentos, os tratados especiaes que d'elle se occupem. [...]
Eis-nos, pois, no seculo XX no mesmo ponto em que ficaram os magos da Edade Media; voltamos a continuar os seus trabalhos de transmutação, e a querer iniciar-nos no saber, ousar, querer e calar; voltamos a estudarmo-nos para nos conhecermos. [...]
Vejamos agora  como as sciencias psychologicas e moraes proclamam principios parecidos para o eu.
As manifestações da alma realisam-se por vibrações, quer da verdade, quer do pensamento. - Todas as impressões dos nossos sentidos provêm das vibrações. - Vemos, ouvimos, cheiramos, gostamos e apalpamos, não por effeito dos orgãos a que cada um dos diversos sentidos se refere, mas por inflexos ou impressões que os nervos sensitivos se encarregam de transmitir á alma."
(Excerto de I - Sciencias physicas e psychicas)
Indice:
I - Sciencias physicas e psychicas. II - Sciencias conjecturaes. Physiognomia: a) Os ademanes e o porte; b) O gesto e o proceder; c) Belleza e fealdade; d) A voz; e) O rosto. III - Psychismo transcendental: a) Fascinação; b) Somnambulismo; c) Perigos do hypnotismo. IV - Espiritualismo e espiritismo. O espiritismo em relação com o hypnotismo. Acção do pensamento. V - Perda de memoria e dos diversos sentidos. Personalidades multiplas. Acção suggestiva a distancia. Saber, ousar, querer e callar. VI - Conclusão.
Augusto de Castro Sampaio Corte-Real (1883-1971). "Advogado, escritor, jornalista, político e diplomata. Dirigiu, no Porto, o diário "A Província" e foi, em Lisboa, redactor principal do "Jornal do Comércio" e cronista de "O Século". Deputado durante a monarquia pelo Partido Progressista. Esteve ligado ao teatro, como professor do Conservatório e como autor de comédias ligeiras (Amor à Antiga, Chá das Cinco, As Nossas Amantes) e dramas psicológicos (Caminho perdido, Vertigem, A Culpa). Foi director do "Diário de Notícias" entre 1919 e 1924, ano a partir do qual exerceu vários cargos diplomáticos na Europa, voltando mais tarde à direcção do jornal. Foi comissário-geral da Exposição do Mundo Português de 1940."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/82654)
Exemplar em brochura, por aparar, bem conservado. Com falta das capas.
Raro.
35€

03 setembro, 2024

CASTRO, Augusto de & LUCIO, João - ATÉ QUE ENFIM!... Peça em 1 prologo e 8 quadros, escripta expressamente para ser representada na recita de despedida do Curso do 5.º anno theologico-juridico de 1901-1902. Coimbra, Typographia França Amado, Abril de 1902. In-8.º (21,5x14,5 cm) de 198, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original da peça de fim de curso dos autores - Augusto de Castro, advogado e dramaturgo, e João Lúcio, advogado e poeta algarvio - obra não muito referenciada na sua bibliografia.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória de Augusto de Castro, datada de 1902, a Aníbal Beleza (1876-1949), conhecido político e causídico travanquense, com autógrafo dos dois amigos.
"Esta peça foi escripta para viver apenas o espaço d'uma noite. Como arte, tem talvez todos os defeitos que fazem uma obra inferior: falta-lhe a unidade, a sobriedade, a forma. Mas os seus auctores vêm publical-a... Porque?
Em primeiro logar, pela recordação, pela suavissima saudade que estas paginas representam. N'ellas fica toda essa errante phantazia, toda essa vida dispersiva de troça e insubmissão que, durante cinco annos inolvidaveis, fez a mais viva parte da estreita camaradagem dos auctores. Vida passada a rir, entre a blague e o sonho, essa alegre e imprevidente musa da Troça a conduziu!...
Em segundo logar, têm ainda os auctores a vaidade de suppor que não será de todo inutil a publicação d'esta peça. Se muito lhe falta, como arte, algumas qualidades tem todavia, como obra de espirito que pretende ser: a expontaniedade, a mocidade, a irreverencia. E n'um paiz de submissos, de conselheiros e de tristes, talvez estas paginas de despreoccupação e de riso possam merecer a benevolencia d'um publico habituado a desalentos desde a cozinha até á litteratura."
(Excerto do preambulo)

Scenario: A Porta Ferrea, com a esquina á D. onde se pregam os cartazes.
O affixador de cartazes entra, trazendo uma escala e um cartaz da peça e, emquanto colloca a escada, vae dizendo no tom vago de quem falla para si proprio:

"A récita dos rapazes
Tem-me dado uma massado!...
Comecei a pôr cartazes
Ao romper da madrugada.

Hoje é dia de alegria
P'ra quem seja quintanista...
Estão por cá as familias:
Têm as noivas á vista...

Representam, gosam, riem,
Ou então vão namorar...
E dizem-se entristecidos
Por Coimbra irem deixar.

N'um tom levemente ironico:
Saudades e desgostos...
- Isto nunca foi verdade!...
Com convicção:
Uma terra como esta
Provoca lá saudade!...

De manhã teem as aulas,
De noite são as licções:
O pouco tempo que resta
É para as dissertações.

Vêm p'ra cá tão alegres,
Rindo, cheios de vigor;
Mas as capas e sebentas
Tiram-lhes risos e côr!

Depois, ao voltar a casa,
Vão fracos e incapazes
Com intenção:
O estudo e as serventes
Estragam muito os rapazes."

(Excerto do Prologo)

Augusto de Castro Sampaio Corte-Real GCC • GCSE • GCIH • GOB (Porto, 1883 - Lisboa, 1971). "Mais conhecido por Augusto de Castro, foi um advogado, jornalista, diplomata e político com uma carreira que se iniciou nos anos finais da Monarquia Constitucional Portuguesa e se estendeu até ao Estado Novo. Escritor, jornalista e diplomata, foi um dos mais destacados publicistas do Estado Novo, ganhando notoriedade como comissário da Exposição do Mundo Português, em 1940."
(Fonte: Wikipédia)
João Lúcio Pousão Pereira (Olhão, 1880-1918). "Foi um poeta português, sobrinho do pintor Henrique Pousão. Vulgarmente relegado para a categoria de poeta local (considerado o expoente maior da poesia olhanense) ou de poeta regional (nomeadamente devido à sua obra O Meu Algarve), João Lúcio esteve, porém, à altura dos grandes nomes da Renascença Portuguesa, embora o seu voluntário afastamento dos grandes centros culturais do país tenha contribuído para tais definições limitadoras. Figura prolífica, começou com apenas 12 anos a publicar os seus primeiros versos (no extinto periódico O Olhanense). Enquanto estudante no Liceu de Faro, fundou e dirigiu um jornal literário intitulado O Echo da Academia. Acabados os estudos em Faro, decidiu ir para Coimbra estudar Direito, em 1897, onde conhecerá e se tornará amigo de figuras brilhantes como Teixeira de Pascoaes, Augusto de Castro, Alfredo Pimenta, Afonso Lopes Vieira, Fausto Guedes Teixeira e Augusto Gil. Destacando-se no meio de tal plêiade, João Lúcio colabora com poesias suas em diversos jornais e revistas literárias nacionais (fundando inclusive, em 1899, um quinzenário intitulado O Reyno do Algarve), até conseguir finalmente, em 1901, publicar o seu primeiro livro, Descendo, aclamado com louvor pela crítica da época."
(Fonte: Wikipédia)
Preciosa encadernação meia de pele com cantos, e dourados gravados nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Peça de colecção.
85€

19 julho, 2022

CASTRO, Augusto de - O QUE EU VI E OUVI EM HESPANHA : Junho a Agosto de 1917
. Lisboa, Livreiros-Editores J. Rodrigues & C.ª, 1917. In-4.º (23,5 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio bibliográfico para a história da Grande Guerra, e para o conhecimento da posição espanhola perante o conflito.
"Esta guerra creou estados juridicos novos e um direito internacional novo. Perante o formidavel incendio desencadeado no mundo, a velha expressão «neutralidade» é uma palavra vã. Não h, não pode haver neutralidades. A labareda da morte e da destruição não poupa já as mais intimas forças da Natureza. O fôgo crepita, consome, alastra-se.
A Hespanha não pode, pela propria força das circumstancias, que excede a sua vontade, ser neutral, no sentido da indiferença e e sinceridade da palavra, que é o seu unico sentido nobre, mas tambem não pode, não quer, ser intervencionista. Essa é a essencia dramatica do conflito moral que, n'esse povo cavalheiresco e impulsivo, se torna, de momento a momento, mas aceso."
(Excerto do Cap. I - O problema hespanhol)
Indice:
I - O problema hespanhol. II - «Rumores de Madrid». III - O espirito germanico em Hespanha. IV - O gabinete Dato. V - A revolução em marcha? VI - O que ouvi ao sr. Romanones. VII - O ultimo Bourbon. VIII - O que ouvi ao sr. Melquiades Alvarez. IX - O que ouvi ao sr. Dato. X - Fala Barcelona. XI - A aproximação anglo-hispanica. XII - Para onde caminha a Hespanha?
Augusto de Castro Sampaio Corte-Real GCC • GCSE • GCIH • GOB (Porto, 1883 - Lisboa, 1971). "Conhecido por Augusto de Castro, foi um advogado, jornalista, diplomata e político português, cuja carreira teve início nos anos finais da Monarquia Constitucional Portuguesa e se estendeu até ao Estado Novo."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidadas, frágeis, com defeitos marginais.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€
Reservado

10 outubro, 2016

CASTRO, Augusto de - CAMPO DE RUÍNAS : impressões da guerra. [2.ª edição]. 6.º milhar. Lisboa, Emprêsa Literária Fluminense, Lda, 1922. In-8.º (19cm) de 205, [3] p. ; B.
Conjunto de crónicas da Grande Guerra redigidas pelo autor, jornalista, a partir de França.
"Campo de ruínas, campo da morte - horizonte das grandes batalhas, donde a vida se sumiu, sôbre êle passa, por vezes, afugentada pela tempestade da artilharia, uma revoada de aves que corta o espaço e foge, desaparece no céu crispado e trágico. [...] Os homens, nas grandes covas do lôdo e da traição, espiam-se da sombra. Só os aviões, pássaros sinistros do Ódio, se elevam no ar que o eco dos canhões agita com o marulhar do vento. A voz das coisas calou-se. Os próprios corvos debandaram. Nessa sepultura gigantesca, povoadas de vivos, a voz de Deus emmudeceu.
É neste lívido scenário, em que o sol nasce tinto de sangue, que se desenrola o grande Drama Humano."
(excerto do preâmbulo, Campo de ruínas)
"Eis-me equipado e armado para entrar nesse grande mar de lama das trincheiras: botas altas, até ao joelho, grande impermeável de militar, capacete para proteger a cabeça dos estilhaços das granadas e o grande saco com a máscara dos gases a tiracolo. Na antevéspera, a aprendizagem na escola dos gases fôra completa e já estou familiarizado com o escafandro horrível e indispensável para a dura travessia das linhas de fogo.
Felizmente não chove. O ruído dos motores dos aviões corta, com o seu vôo sinistro, o espaço e, à medida que a estrada nos aproxima das extremas posições da frente de batalha, êsse ruído sibilante, áspero, contínuo, mistura-se com o matraquear das metralhadoras e, de momento a momento, com o trovão da artilharia. É um dia calmo, êste."
(excerto do Cap. I, Soldados portugueses, Nas trincheiras)
Índice:
Dedicatória. Campo de ruínas. I - Soldados portugueses: - O sol de Portugal! - Uma parada militar na Flandres. - Nas trincheiras. - Nas ambulâncias e nas baterias. - O general Tamagnini. II - Ruínas e heróis: - Como se vive na guerra. - O Milagre. - A Catedral. - Nas linhas inglêsas. - A morte da águia. - A cidade morta. III - O eco das batalhas: As deusas brancas. - A ofensiva da paz. - Como a Alemanha será vencida. - Paisagens da guerra. - Venizellos e Lloyd George. - Uma falsa «alerte». - O que é preciso dizer a Portugal.
Augusto de Castro Sampaio Corte-Real (Porto, 11.01.1883-Estoril, 24.07.1971). Foi um escritor, jornalista, advogado, político e diplomata português.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€