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13 julho, 2026

MENDES, Adelino - CARTAS DA GUERRA (janeiro a abril de 1917). Porto, Edição da «Renascença Portuguesa», 1917. In-8.º (19 cm) de 338, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Volume de crónicas que o autor - jornalista português destacado na Flandres - produziu à laia de diário a partir de diversos pontos de França - Paris, Brest, Amiens, "Norte de França" e do front - durante a Grande Guerra, para publicação no jornal A Capital.
Trata-se de um importante subsídio para a história da Primeira Guerra Mundial, com relevância para a bibliografia WW1.
Raro e muito interessante.
Exemplar muito valorizado pela sua dedicatória autógrafa a Francisco Carrelhas.
"Numa tarde de gêlo e de neve, uma destas tardes do Norte da França sacudidas por uma brilha que retalha, encontraram-se, no campo de batalha do Somme, um jornalista, um coronel de artilharia e não sei quantos mais oficiais. Tomou-se uma chávena de chá, palestrou-se um pouco, e quando a claridade daquele dia baço de inverno começava a empalidecer, o jornalista levantou-se e pronunciou as primeiras palavras de agradecimento e de despedida. Então, o coronel, délgado, sêco, rijo, enérgico e vermelho como um inglês, erguendo-se também, disse para o seu hóspede com aquela simplicidade britânica, que não tem igual no mundo:
- Se quere assistir a alguma coisa de interessante deixe bater as seis horas. Vamos começar a bombardear a povoação de Irles...
O jornalista esperou. E daí a pouco, na penumbra triste e fria do entardecer, a grande sinfonia começava. Cem canhões de grosso calibre, postos em fila por detrás duma alta trincheira, arremessaram contra a povoação indicada a primeira rajada de aço a escaldar. E daí em diante, as mesmas gùelas de aço continuaram a vomitar as mesmas granadas, sem descanso, sem interrupção, sem um momento de repouso. A morte despenhava-se em catapultas, em cada segundo que os relógios contavam. O rugir da artilharia espalhava, pela solidão compacta que pesava sôbre as coisas destruidas,  como que a última benção compassiva. Então, admirado com semelhante espectáculo, que jámais podera sonhar, o jornalista, voltando-se para o oficial que comandava, que dirigia o chuveiro incessante das granadas, preguntou-lhe quando ter minaria o inferno que começára momentos antes e que para êle era já qualquer coisa horrivelmente pavorosa.
- Durará até que a povoação bombardeada cáia em nosso poder. Contamos gastar sessenta mil projécteis e perder cento e vinte homens. Mas ámanhã ao meio dia tê-la-hemos em nosso poder..."
(Excerto de Sob a metralha - Frente inglesa, 25 de março)
Índice:
Em viagem | Uma vaga de gêlo | Os da rectaguarda | Oito negativos | «Les permissionaires» | O primeiro contingente português | Sãos e salvos | Males que perduram | Laranjas de Sagunto | As naus catarinetas | Os prisioneiros | A Inglaterra e a polícia dos mares | Paris não é uma cidade triste | O Clero e a Pátria | A guerra e os desenhadores | «Il ne manque que le pape!» | Os voluntários portugueses | O teatro e a guerra | A filantropia em acção | As montras dos jornais | Paris doutros tempos | A alegria dos ingleses.
Com o exército inglês: - Para o «front» - Na zona dos exércitos - Na zona dos exércitos - Era uma vez... - Os olhos dos exércitos - Os herois da quinta arma - Os novos artilheiros - I - Os novos artilheiros - II - Perto das trincheiras - A cidade de Albert - A virgem d'Albert - A batalha do Somme - I - A batalha do Somme - II - Thiepval, a destruida - A batalha do Ancre - Sob a metralha - Três horas num campo de batalha - Nesle, a libertada - A vila ressuscitada - Terras mortas - Nas regiões destruidas - Péronne - Bapaume - «Lerne Leiden, Ohne zu Klagen!» - Grutas de Trogloditas - O que é uma «base» - O que é uma «base» -O que é uma «base» - Domenico Oliva - Nota.
Adelino Lopes da Cunha Mendes (1878-1963). "Jornalista e escritor, nasceu na Freguesia do Reguengo do Fetal (Batalha), a 28-10-1878 e faleceu em Lisboa, a 26-08-1963. Era filho de João José Gomes Mendes e de Maria Vitória Lopes da Cunha. Depois de ter feito os Estudos Secundários em Leiria, iniciou a sua carreira de Jornalista em O Século, do qual veio a tornar-se Redactor principal, a partir de 1925. Publicou numerosos artigos e reportagens em jornais diários (Novidades, República, A Capital, Jornal de Notícias, O Século, etc), tendo participado com convicção e vigor em várias campanhas, destacando-se entre elas a Crise do Douro (1909), o Terramoto de Benavente (1910), a Revolução do 5 de Outubro (1910) e o Advento da República em Espanha. Ocupou os cargos de Redactor do Diário do Senado e de Arquivista Judicial da Boa Hora. Foi correspondente de guerra em França, em 1917. Foi correspondente de guerra em França,em 1917.
Obras principais: Terras Malditas (Campanha Dum Repórter), (1909); O Algarve e Setúbal, (1916); Cartas de Guerra (Janeiro a Abril de 1917), (1917); Ares de Espanha. Política, Figuras e Paisagens, (1930); A Esplêndida Viagem, (crónicas, 1945); «Um panteísta - Afonso Lopes Vieira», (In Memoriam 1878-1946), (1947)."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2018/07/14/quem-foi-quem-na-toponimia-da-batalha/)

Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
50€
Reservado

02 julho, 2026

CABRAL, Juvenal A. Lopes da C. -
O CRIME DO LARGO DO HOSPITAL DA CIDADE DA PRAIA. Por... (Professor Primário na Guiné). Literatura Africana - Cabo Verde. [S.l.], Edição do Autor [Composto e impresso na Tipografia Civilização, de Pereira & Souza - Pôrto], 1930. In-8.º (19x12 cm) de 32 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Edição original da primeira obra do autor, pai de Amílcar Cabral (1924-1973), activista político pela libertação das colónias portuguesas da Guiné e Cabo Verde, fundador do PAIGC (1956).
Trata-se de um texto invulgar e muito curioso, espécie de novela-reportagem (a fazer lembrar os textos de Reinaldo Ferreira - o Repórter X!), sobre o assassinato ocorrido na cidade da Praia de uma moça - Alice, - "que embora filha natural, pertencia a uma raça de portugueses notáveis". No final, em Morte de Alice, o autor homenageia a infeliz rapariga com um conjunto de quadras.
Obra rara, por certo com tiragem restrita, dedicada "À mocidade caboverdeana - em particular - e em geral a todos os africanos das colónias, que saibam honrar a Pátria Portuguesa, estudando e propagando a suavíssima língua de Camões."
Ilustrada com o retrato de Juvenal Cabral em folha separada do texto.
"[...] Um crime pode inspirar um artista. Mas numa consciência sã e normal causa sempre a repulsa e a dor.
Lopes Cabral é bem o educador que se não compraz no estreito âmbito das quatro paredes da sua escola. Êste livrinho é a prova de que êle sabe actuar omnimodamente, cumprindo o dever  de corrigir a aconselhar a Sociedade para o Bem - condenando actos repugnantes e anti-sociais."
(Excerto do Prefácio de J, Mota)
"Extraordinàriamente sugerido pelo gesto criminoso de um homem que, matando a sua amante a tiros de revólver, não teve uma lágrima de arrependimento ou um simples queixume, sequer um gemido(!) que denunciasse o remorso pela prática de tão ignóbil acção, - o modesto trabalho que apresento perpectuando um acontecimento, muito vulgar nos grandes centros, porém raríssimo em terras africanas, principalmente naquela em que êste teve lugar, onde o sossêgo é permanente, em conseqüência, não tanto da fé religiosa como da índole natural do povo - é como um brado de cave ne cadas à mocidade da Praia, teatro do emocionante e deplorado drama."
(Excerto de Palavras necessárias)
"Amanhecer límpido e sereno o dia sete de fevereiro de 1930.
A atmosfera, que de ordinário se apresentava carregada e húmida - como que em contínua destilação de cristais - permitiu, por excepcional condescendência, que o Sol beijasse nêsse dia o coração da linda cidade da Praia que, inundada de luz vivificante, exulta de alegria pelos cumprimentos matutinos que o astro-rei, tão cortezmente lhe enviava, do alto da sua inacessível tribuna. [...]
Quem haveria de supôr que antes da tarde dêsse memorável dia, a cidade seria testemunha de um cruel assassínio?
Alice de **, natural da Praia, contava apenas vinte e dois anos de idade - feitos precisamente no dia em que a bala do carrasco lhe ceifou a existência!
Extremamente formosa, pertencia ao grémio dessas belezas peregrinas capazes de transtornar o mais indiferente celibatário.
Têz de moreno carregado, olhos de um brilho revelando inteligência sem cultura, bôca pequenina protegendo uma enfiada de alvinitente marfim, cabelos pretos luzidios, dispensando a sciência do artista para uma ondulação permanente - Alice de ** ocupava, pela sua deslumbrante formosura, lugar de destaque entre as moças mais lindas da cidade da Praia."
(Excerto de Do amor ao crime)
Índice:
Dedicatórias | Prefácio | Palavras necessárias | Do amor ao crime | O assassino | Morte de Alice.
Juvenal António Lopes da Costa Cabral (Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde, 1889 - Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, 1951). "Nasceu na ilha de Santiago em 1889, filho de António Lopes da Costa, um abastado proprietário rural, e de Rufina Lopes Cabral, filha de agricultores (pequenos proprietários). Com apenas oito anos, Juvenal foi enviado para Portugal, para estudar - um luxo só possível a uma reduzida elite das ilhas. Foi o primeiro aluno negro a entrar nos portões da escola primaria de Santiago de Cassurães, na Beira Alta. Seguiu-se o Seminário de Viseu, onde segundo ele mesmo, passou os melhores anos da sua vida. Mas face às dificuldades da família em manter os seus estudos, devido à estiagem, Juvenal retornou a Cabo Verde em 1906. De regresso a Cabo Verde, os pais destinaram-no ao sacerdócio católico. Não concluiu o curso no Seminário de São Nicolau, preferindo antes instalar-se na ilha de Santiago. Em abril de 1911, viajou para a Guiné-Bissau, à procura de emprego, de futuro, de melhor sorte. Ali viverá mais de trinta anos. Funcionário publico em Bolama, foi, depois, o primeiro professor de uma escola primária em Cacine, com uma escassa meia dúzia de alunos. Ele mesmo se definirá, um dia, como «um obscuro professor não diplomado».
Juvenal Cabral caracterizava-se a si próprio como “cabo-verdiano de nascimento e raça, português pela bandeira e educação, e, portanto, convictamente integrado nos alevantados ideais que deram a Portugal o prestigio universal que desfruta”. Era um homem com uma grande consciência e preocupação política e social sobre a situação de Cabo Verde, mas ao mesmo tempo era adepto da política colonial portuguesa e de Salazar (de quem fora colega, em Viseu). O espírito patriótico e a admiração que nutria pela colonização portuguesa, não impediram Juvenal Cabral, de várias vezes criticar a política colonial da metrópole em relação a Cabo Verde. Críticas essas que se deviam, sobretudo, à maneira como o governo português conduzia as políticas relativas às crises agrícolas e consequentes períodos de fome nas ilhas." 
(Fonte: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/5aa63601-7780-48d2-b02b-87662f03fda6/content)
Publicou:
1930: O Crime do Largo do Hospital da Cidade da Praia (Crónicas jornalísticas e sociais); 1947: Memórias e Reflexões (Sua obra magna, lançada originalmente como Edição do Autor na Cidade da Praia); 1949: Bêjo Caro! (Poema-panfleto satírico); 1949: Confissão de Zé Badiu (Texto literário em crioulo, anotado pelo seu filho Amílcar Cabral); 2002: Reedição póstuma de Memórias e Reflexões pelo Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde. Os seus restantes poemas (como O Voo da Avezinha) e diversos ensaios foram dispersos e publicados ao longo das décadas - de 1910 a 1950 - em jornais e revistas da imprensa cabo-verdiana. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

22 maio, 2025

PINTASILGO, José Manuel - MANGA DE RONCO NO CHÃO.
[Prefácio de António de Spínola]. Lisboa, [s.n. - Impresso nas Oficinas Gráficas da Companhia Nacional Editora - Lisboa], 1972. In-8.º (21x15 cm) de 116, [4] p. ; [33] f. il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas reunidas em volume, antes publicadas no jornal Época durante o ano de 1972, redigidas no cenário militar mais adverso experimentado pelas tropas portuguesas durante a Guerra Colonial, recolha muito valorizada pelo prefácio do General Spínola, governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné.
Livro ilustrado com inúmeras fotografias a p.b. - impressas sobre papel couché - distribuídas por 33 folhas intercaladas no texto.
"Enfrentamos uma conjuntura que dispensa, creio bem, qualquer explanação sobre o alto interesse de preservar a informação pública dos grupos de pressão que cada vez mais pretendem comandar as opiniões à luz dos seus interesses, nem sempre coincidentes com o superior interesse geral.
Na hora que passa, caracterizada pela luta de ideias, as campanhas de esclarecimento reclamam, deste modo, cada vez maior dimensão, pois ninguém poderá contestar que um perfeito conhecimento da realidade dos factos, servido por uma sólida formação cívica, é ainda o melhor escudo da sociedade contra as manipulações ideológicas a que pretendem sujeitá-la. [...]
«Manga de Ronco no Chão» é a colecção num só volume das crónicas que o jornalista José Manuel Pintasilgo, enviado especial do jornal Época à Guiné, aqui recolheu e aquele diário divulgou. A sua publicação, integrada no conceito de «moral informativa» que acima aflorámos, dignifica o autor e a Imprensa Portuguesa, pela isenção que caracteriza a notável reportagem jornalística coligida no presente livro, de inegável merecimento para a difusão da verdade. [...]
Não pode o leitor, todavia, interpretar esta obra como simples divulgação viva da realidade da Guiné do presente, que ressalta nas crónicas compiladas; é que, para além disso, ela é ainda um documento esclarecedor de conceitos que conduzem à solução inadiável de problemas que não devem ser iludidos mas antes apresentados abertamente à opinião pública."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com indubitável interesse histórico.
Indisponível

19 março, 2025

MONTEIRO, Carlos -
DE SETÚBAL ÀS TERRAS DE ANGOLA.
Patrocínio do Movimento Nacional Feminino. Reportagem de... Publicado no jornal "O Distrito de Setúbal". [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Rápida de Setúbal, Lda. - Setúbal], 1973. In-8.º (21x14,5 cm) de 61, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de: Gertrudes Páscoa Geraldes Monteiro.
Crónicas de viagem por Angola de um setubalense por adopção.
Ilustrado com fotografia a p.b. ao longo do livro, sendo algumas em página inteira.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. J. Carlos Botelho.
"Sou um Homem das «terras do Demo», designação que Mestre Aquilino Ribeiro dá às terras beiroas que me serviram de berço.
Em Coimbra, na verdura dos meus anos, desfolhei as mais perfumadas pétalas da minha vida.
Durante duas décadas, a seguir identifiquei-me com a «Planície Heróica», o Alentejo, tão decantado por Manuel Ribeiro.
Mais tarde vim para a terra de Bocage, onde me vinculei.
Sonhei sempre. Encarei a Vida. Lutei com verticalidade. Tive sonhos desfeitos. Cânticos de vitória, não faltaram. De entre tudo, tentei o Ultramar. A frustração dessa hora, que se esfuma pela mocidade, marcou-me doridamente.
Aqui, em Setúbal, a par da minha actividade de fundo que é a Escola, o jornalismo seduziu-me. Alistei-me nele. No seu quadro. Para ficar. Para servir.
Um convite atencioso do Movimento Nacional Feminino para visitar o Estado Português de Angola, veio salvar das cinzas um sonho. Vibrei. Pois. Rejuvenesci."
(Excerto de Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

29 setembro, 2024

SALOMÃO, Ricardo & GAMBOA, Pedro -
DETECTIVES PARTICULARES EM PORTUGAL.
Por... E ainda entrevistas com: Insp. Varatojo; Artur Cortês; Diplo; Dinis Machado. Lisboa, Margem, [1985]. Oblongo (17,5x24 cm) de 56, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Livro curiosíssimo, algo insólito, dá a conhecer o mundo dos serviços de investigação privados na década de 80.
Trata-se de uma reportagem sobre esta actividade marginal, de "espionagem", ilegal na época.
"Quem não conhece Columbo ou Mike Hammer como exemplos de detective americano, ou Sherlock Holmes e Miss Marple no caso inglês, ou ainda Poirot e Maigret no universo da língua francesa? Mas do "seu" detective o público português nada sabe. [...]
Nós quisemos saber quem é o detective português.
A legislação proíbe, ou, na melhor das hipóteses, não prevê a existência de investigação privada. Mas o facto é que nas "Páginas Amarelas" várias empresas de investigação anunciam os seus serviços; a verdade é que diariamente os jornais trazem nas colunas dos pequenos anúncios, ao lado dos astrólogos, das massagistas, dos clubes gay e das orações ao "Divino Espírito Santo", os préstimos de inúmeros detectives privados, na sua maioria sem qualquer espécie de qualificação ou princípios deontológicos, o que desperta a gula de muitos vigaristas.
Não estão dentro as regras legais, pouco se falando deles, mas... bem à nossa frente trabalham os detectives particulares.
Classe dividida por lutas e intrigas internas, está também dividida em tipos básicos, formando modelos que nos servem para uma apreciação global.
Saímos para a rua à procura do detective nacional e encontrámos quatro tipos distintos de detective. Estes quatro tipos agrupam-se em duas grandes divisões: As empresas e os free lancers. Para além desta distinção de "status" há naturalmente, e como seu efeito, um discurso que no primeiro grupo tem na "legalidade" o seu leitmotiv, em oposição ao outro grupo que se encontra num assumido discurso de marginalidade."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Tipo I - O Troféu Tanit; - Ruper - O Homem da Rua. | Tipo II - "Há coisas que não queremos falar". | Tipo III - O Típico. Tipo IV - O Tipo; O Tipo na cidade | Contratipo - O Detective Barroco | Opinião: Polícia Judiciária - A Perspectiva do Estado; Inspector Varatojo - Governo devia Legalizar | Ficção: Diplo - O Detective possível; Artur Cortez; Dinis Machado.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
50€

24 abril, 2024

A HISTÓRIA DA I GUERRA MUNDIAL -
BBC HISTÓRIA.
O início da Grande Guerra - Gallipoli - Somme - Vida nas trincheiras - O impacto dos EUA - 1918: um ano crucial - O Armistício. Lisboa, Goody S.A., [2014?]. In-fólio (30x21 cm) de 160, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Número especial da BBC - História dedicado à Primeira Guerra Mundial.
Profusamente ilustrado com mapas, desenhos, croquis, retratos e fotografias a p.b. e a cores relacionadas com o conflito e os seus actores principais - políticos e militares - que de uma forma ou outra contribuíram e (ou) participaram na disputa.
"O assassinato de Francisco Fernando viria a acabar com um século de paz relativa na Europa e a dar origem a um dos conflitos com mais baixas registadas na história mundial. Durante quatro anos, exércitos enormes das principais potências mundiais enfrentaram-se violentamente.
É neste conflito que surgem os tanques e a utilização dos serviços secretos na obtenção de informação sobre as linhas inimigas. A tática e a estratégia militar desempenharam também um papel relevante para ambos os lados.
Nesta edição, vai encontrar os momentos cruciais deste conflito, explicados ao pormenor pelos mais conceituados especialistas. Desde já o referido assassinato do arquiduque austro-húngaro até ao Armistício, passando pelas batalhas sangrentas de Somme e Verdun, e tudo sobre o conflito que mudou o mapa europeu."
(Sinopse)
"Para os que a viveram, esta seria a "guerra que acabaria com todas as guerras". [...]
Aqui, mostramos-lhe todo o enredo da Primeira Guerra Mundial, desde o seu início sangrento até à sua difícil conclusão. [...] Além das batalhas e personalidades mais importantes, também analisamos a dimensão humana do conflito: o que os soldados comiam, como lidavam com os ataques de gás, porque é que visitavam prostitutas e como recearam o regresso a casa."
(Excerto do preâmbulo - Bem-vindo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

08 novembro, 2023

NEVES, Hermano -
COMO TRIUMPHOU A REPUBLICA.
Subsidios para a historia da revolução de 4 de outubro de 1910. Lisboa, Empreza Editora "Liberdade", 1910. In-8.º (21,5 cm) de 143, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Capa icónica de L. Pimentel.
Edição original de uma das mais apreciadas obras pós (e pró) República, publicada poucos dias após a mudança de regime em Portugal, saída do movimento revolucionário republicano.
Conheceu três edições em 1910, e uma outra, recentemente (em 2010), fac-símile da primeira.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com fac-símiles de documentos, retratos e fotogravuras alusivas ao movimento revolucionário, sendo algumas delas em página inteira.
"Como triumphou a Republica?...
Averiguem, e as respostas a esta simples questão, que afflora ainda aos labios de milhões de creaturas attonitas, divergem como o dia da noite. As opiniões entrechocam-se, e fornecem geralmente dos mais seguros symptomas para o diagnostico irrefutavel de um crédo politico ou de uma convicção religiosa.
Falle, antes de tudo, o funccionario conservador, para justificar o velho aphorismo de que «o melhor fica para o fim».
O typo é anodyno, balôfo, indolente. Na pupila manhosa descorinam-se ainda vagos vislumbres de terror:
- Como triumphou?... Ora... pela regra natural de que o mundo vae cada vez a peor. Se haviamos de esforçar-nos por defender os principios estabelecidos, uma monarchia com tradicções gloriosas de quasi oito seculos, onde, graças a Deus, nunca faltou justiça a quem a reclamou dos poderes constituidos, não senhor... Vieram os exaltados, os lunaticos, os maçonicos. Metteram-se, como piolho por costura, no segredo das casernas, das repartições do Estado. Illudiram o povo. Minaram tudo, n'um trabalho de sapa, como toupeiras escavando n'um sub-solo galerias subterraneas em todas as direcções."
(Excerto da abertura)
Hermano Neves (Alvares, Góis, 1884 - Lisboa, 1929). "Introdutor da grande reportagem na imprensa nacional, é considerado por muitos o pai do Jornalismo moderno no país. Hermano Neves foi o primeiro enviado especial português a cobrir uma guerra [WW1].
Em 1910, o país mudou. O repórter seguiu de perto os acontecimentos de 4 e 5 de outubro, que culminaram na implantação do regime republicano. A sua cobertura jornalística acabou por dar origem à obra Como triumphou a Republica, publicada pouco depois da revolução. Mas a sua consagração jornalística viria a ser conquistada na redação d’A Capital. No periódico moderno e de pendor republicano, Hermano Neves amadureceu enquanto jornalista e tornou-se um dos mais dinâmicos e requisitados repórteres da publicação. Foi pioneiro no desenvolvimento do género moderno de reportagem, incluindo trabalhos sobre as incursões monárquicas, durante as quais chegou a ser confundido com um espião.
Considerado o pai do jornalismo moderno, Hermano Neves ficou imortalizado como um dos mais célebres repórteres do seu tempo, destacando-se na crítica, no comentário, na crónica e, especialmente, enquanto introdutor da grande reportagem na imprensa portuguesa."
(Fonte: https://www.newsmuseum.pt/pt/imortais/hermano-neves)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel. Miolo em bom estado, sendo no entanto fraca a qualidade do papel. Pelo interesse e raridade, deve ser encadernado.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

17 outubro, 2023

REDONDO, Belo e VIEIRA, Tomé -
CRIMES E CRIMINOSOS CÉLEBRES.
I. Diogo Alves e a sua quadrilha. Lisboa, Guimarães & c.ª - Editores, [1930]. In-8.º (19x12 cm) de 119, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Livro composto por uma séria de ensaios acerca de conhecidos criminosos e os crimes que os conduziram à "celebridade", sendo o maior e mais importante o estudo dedicado a Diogo Alves (c. 1810-1841), galego radicado em Portugal, conhecido pela sua propensão para a criminalidade violenta e por "actuar" no Aqueduto das Águas Livres, onde esperava as vítimas, e bastas vezes, após consumar os assaltos, as atirar dali abaixo.
"Diogo Alves nasceu na Galiza, numa localidade próxima de Lugo. Como tantos galegos neste período, veio para Portugal à procura de trabalho e de uma vida melhor. Diogo Alves tinha apenas 13 anos e, segundo Alberto Câmara e Santos Júnior (Santonillo), trabalhou honestamente como moço de recados e boleeiro em Lisboa.
São também estes autores que nos indicam que Diogo Alves começou a frequentar uma taberna para os lados de Benfica e que a sua passagem por ali, principalmente o relacionamento com a proprietária, Gertrudes Maria, conhecida como “a Parreirinha”, rapidamente conduziu o galego para maus caminhos, da bebida e do vício do jogo.
É a partir do seu relacionamento com a Parreirinha e a frequência da taberna que Diogo Alves, com a alcunha “O Pancada”, organiza a sua quadrilha e inicia a sua carreira como ladrão de casas abastadas. Acompanhavam o galego, António Palhares (soldado), Manuel Joaquim da Silva, conhecido como o “Beiço Rachado” (também soldado), João das Pedras, o “Enterrador” e Claudino coelho, o “Pé de dança”."
(Fonte: https://historialx.com/os-crimes-de-diogo-alves/)
"Com esta obra, os autores não pretendem satisfazer a curiosidade mórbida de certo público, nem atender a predilecções doentias dos que se comprazem na contemplação da miséria e da desgraça. Por isso, nas páginas que se seguem, a verdade suplanta a imaginação, o romance é preterido pela reportagem - ou não fôssemos nós os repórteres das secções criminais dos dois maiores diários portugueses."
(Excerto do Prefácio)
"A pena capital foi abolida entre nós em 1842. E Diogo Alves, um dos ultimos condenados à morte, celerado que a fôrca libertou das malhas sombrias e torturantes do remorso, chega até aos nossos dias deformado pela lenda. [...]
Tudo isto concorreu,  sem dúvida, para que a personalidade de Diogo Alves, entregue ao sabor de desvairadas paixões, não tivesse chegado completa, inteira na sua exacta expressão, até o nosso tempo. Por outro lado, o terror que a sua sinistra figura semeou e a hediondez dos seus crimes, acicatando a imaginação popular, tam fàcilmente impressionável, legaram-nos uma personagem que não é absolutamente a verdadeira, com traços que, a-pesar-de inexactos, são vivos, de sugestivo recorte. [...]
Pela ferocidade das suas proezas é um criminoso sem igual, que aniquila vidas só pela ânsia de roubar. Mais do que o sangue das suas vítimas, o que o perturba e comove é o ouro que lhes arranca. Durante anos, desfaz existências por dez réis de mel coado, na impunidade mais absoluta. Mas, certo dia, o remorso toca-o, desperta-lhe no peito um coração que parecia empedernido e o seu espírito envolve-se na noite sombria da pior, da mais cruel expiação: do arco grande do aqueduto das águas Livres precipita nas terras de Campolide, de uma altura de 62 metros, depois de roubar o pouco dinheiro que ela tinha, uma pobre mulher que levava uma filhinha ao colo; no espaço, a caminho do abismo onde não tardaria a desfazer-se a sua carne tenra, a pequenita, sem compreender a maldade que ia arrancar-lhe a vida e à mãi, sorriu - diz o Povo, com doce e ingénuo sorriso, ao assassino...
Diogo Alves ficou, desde então, condenado."
(Excerto de Diogo Alves e a sua quadrilha)
Índice:
Prefácio | Diogo Alves e a sua quadrilha | O homem nu | O falso casamento dos «Irmãos Unidos» | Proezas dum gatuno elegante | «Giraldinha», a Flor do Crime.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas cansadas com mancha de humidade.
Invulgar.
Com interesse histórico e criminal.
20€

16 junho, 2023

RAMOS, Jerónimo - MADRUGADA TRÁGICA EM TEIXEIRA DE SOUSA. Textos em português e inglês. [Luanda], Edição do Autor (Tipografia Angolana - 1967), 1967. In-4.º (24,5 cm) de 25, [3] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Fotos de A. Sequeira.
Importante subsídio para a Guerra do Ultramar. Relato da surtida da UNITA à vila de Teixeira de Sousa (actual Luau - Moxico, Angola), ataque prontamente rechaçado por civis e militares portugueses, com elevados custos humanos para o movimento de Jonas Savimbi, e cinco baixas do lado português - 4 colonos e um elemento da PIDE.
Livro ilustrado com fotografias a p.b. de feridos nos confrontos, dos defensores da povoação e autoridades civis e militares.
"Escrita poucas horas depois dos acontecimentos de Teixeira de Sousa, só agora é possível trazer à luz a publicidade esta pequena reportagem, por razões que não nos compete discutir, mas que residem, naturalmente, na obediência e no respeito a uma orientação que nos foi sugerida.
Se, como se reconhece, a oportunidade desta publicação deixou de ter interesse, é também verdade que ela servirá para esclarecer aqueles que estão menos a par do que se passa e ainda os outros que, em Angola, desejarem continuar a obra que todos nós levantámos durante séculos de uma permanência escudada em direitos que não são discutíveis."
(Excerto da Introdução)
"Conforme foi divulgado pelo Comando Chefe das Forças Armadas, processou-se um ataque a esta Vila por indivíduos vindos do Congo ex-Belga, na madrugada do dia 25 de Dezembro de 1966. [...]
Os terroristas eram portadores dos mais diferentes amuletos, tais como chapéus embrulhados em peles de animais selvagens. Depois de saquearem residências próximas da fronteira, dirigiram-se ao quartel militar.
Aí, a guarnição reagiu de acordo com as circunstâncias, infligindo ao inimigo cerca de 200 baixas, enquanto que os restantes elementos, em número de cerca de 500, se refugiavam nas matas, em direcção ao território do Congo.
Entretanto, os terroristas cortaram também a linha do Caminho de Ferro de Benguela, nas proximidades da Vila, paralisando assim o tráfego ferroviário."
(Excerto de Madrugada trágica)
Índice:
[Introdução] | | Madrugada trágica | Natal de 1966 | Momentos de expectativa  | Quem atacou?  | A lição e o rescaldo... | Tragic early-morning in Teixeira de Sousa.
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Conserva as capas de brochura.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€