01 setembro, 2026

OS PADRES BRANCOS
. [S.L.], Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral da Informação, 1971. In-8.º (21x15 cm) de 24 p. ; B.
1. edição.
Folheto oficial de propaganda publicado em Lisboa pela Direcção-Geral da Informação, organismo dependente da Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT) do governo de Marcello Caetano. Trata-se de uma operação de contra-informação do regime do Estado Novo face a um dos incidentes diplomáticos e religiosos mais graves da Guerra Colonial - a saída dos Padres Brancos de Moçambique.
A expulsão e retirada dos Padres Brancos de Moçambique ocorreu em maio de 1971, transformando-se num dos maiores escândalos políticos e religiosos do final do regime do Estado Novo. O episódio expôs a profunda ruptura entre os missionários e o governo colonial português.
Em Fevereiro de 1971, os Padres Brancos tomaram a decisão interna de abandonar Moçambique. A liderança da congregação em Roma confirmou a saída formal em Maio do mesmo ano. Em carta aberta, denunciaram que a sua permanência se tinha tornado um "contratestemunho". Eles recusavam-se a apoiar implicitamente, através do silêncio, um regime colonial opressor.
Sentindo-se afrontado pela denúncia internacional, o governo português antecipou-se e expulsou formalmente os missionários do território. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da altura, Rui Patrício, convocou uma conferência de imprensa em Lisboa para atacar publicamente a decisão da congregação. Mais de 40 missionários dos Padres Brancos foram forçados a abandonar as suas missões (principalmente na região de Tete) de forma imediata. (IA)
"Os Padres Brancos decidiram abandonar Moçambique. Em 15 de Maio publicaram a carta que se segue com o n.º I.
Em face deste anúncio, o Governo português notificou os Padres Brancos de que deveriam abandonar a província até 30 de Maio.
Sobre o assunto o Rev.º Padre Dr. Erwin Helmle, S. A. C., escreveu em 25 de Maio a carta que tem o n.º II e em Junho a Conferência Episcopal de Moçambique publicou o comunicado com o n.º III.
Por último, a conferência de imprensa dos Padres Brancos, dada em Paris foi comentada, já em Julho, pelo Bispo de Quelimane (Moçambique) nos termos que se referem no n.º IV."
(Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

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