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24 setembro, 2026

IVO, Pedro -
CONTOS. Por... Porto, Typographia da Revista, 1874. In-8.º (17,5x12 cm) de 266, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante colecção de contos, rústicos, de inspiração romântica.
"Corre a manhã de um domingo de novembro, frio, triste e chuvoso.
Na unica rua da aldeia, formada por meia duzia de casas térreas, separadas umas das outras pelos muros de vedação de algumas hortas, onde raros pés de couve, queimados pelas geadas, se erguem d'entre as hervas parasitas, não transita viva alma.
As unicas creaturas, que vagueiam fóra de telhas, são um porco e um frango: o primeiro, na sua marcha tortuosa e indecisa, vai roçando com o focinho quanto encontra no chão, soltando o monótono grunhido que, em lingua suína, deve exprimir: «Serve-me,» «Não me serve,» e o segundo, caminhando em passo presumido, vai vasculhando no lixo o pão de cada dia.
Não se ouve outro ruído, que não seja o das gotas da chuva, que cáhem das beiras dos telhados.
Aberta, apenas se vê uma porta.
Entremos.
Eis-nos na tenda do Snr. José... da Tenda.
Não sei se os leitores se teem, como eu, recolhido algumas vezes n'uma tenda de aldeia, á espera que a chuva passe.
Se teem, conhecem de certo o desconsolo, que causa a vista d'aquelle sólo composto da lama acarretada pelos tamancos de quatro gerações, o aspecto do balcão negro e ensebado, suando immundicie por todos os poros da madeira, com o bordo polido pelo roçar dos freguezes, fartos de escutar pela vigesima vez a historia de dois cruzados novos e tres moedas de doze falsos, e pregados ao mesmo balcão, como prova da pureza d'alma do tendeiro e da perversidade dos homens, que não são tendeiros."
(Excerto de O milagre)
Indice:
O milagre | A sentença da tia Angelica | A boneca | A doida de Tagilde | Meigo | A quina d'espadas | A figa d'azeviche | O embarcadiço | O cruzeiro da via-sacra | O berço.
Pedro Ivo (1842-1906). "Pedro Ivo é o pseudónimo literário de Carlos Lopes. Nasceu e faleceu no Porto. Viveu na Alemanha, onde estudou, esteve no Brasil e na África portuguesa, tendo sido Presidente da Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro de África. Nas suas obras de ficção notam-se influências de Camilo e de Júlio Dinis, em especial nas descrições da vida do campo e no sentimento trágico da vida.
Obras: Contos (1874); O Sello da Roda (romance, 1876); Serões d'Inverno (contos, 1880)."
(Fonte: https://vercial.utad.pt/ivo.htm)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cantos com sinais de uso.
Raro.
35€

30 novembro, 2019

GALHARDO, José & SANTANA, Vasco & LOPES, Carlos - VERSOS DA OPERETA ROMÂNTICA A INVASÃO. Estreada em Lisboa, em Fevereiro de 1945 no Teatro Maria Vitória. Lisboa, Composto e impresso: Oficinas Gráficas Couto Martins, 1945. In-8.º (19,5 cm) de 10, [2] p. ; B.
1.ª edição.
A Invasão, opereta histórica pelo facto de incluir no segundo acto os versos de Lisboa, não sejas francesa!, famoso fado-canção, pela primeira vez impresso, e que mais tarde, em 1952, seria imortalizado pela voz de Amália Rodrigues.

"Não namores os franceses,
Menina Lisboa!
Portugal é meigo, às vezes,
Mas certas coisas não perdoa!
Vê-te bem no espelho
Dêsse honrado velho!
Como o seu exemplo atrai!
Vai

Pelo meu leal conselho:
Não dês desgostos ao Teu Pai!


ESTRIBILHO

Lisboa,
Não sejas francesa!
Com toda a certeza
Não vais ser feliz!
Lisboa!

Que ideia daninha,
Vaidosa alfacinha,
Casar com Paris!
Lisboa,

Tens cá namorados
Que dizem, coitados,
Co'as almas na voz:
Lisboa,

Não sejas francesa!
Tu és portuguesa!
Tu és só p'ra nós!


Tens amor às lindas fardas,
Menina Lisboa?
Vê lá tu p'ra quem te guardas!
Donzela sem recato, enjôa!
Tens aí tenentes,
Belos, imponentes,
Nados e criados cá!
Vá,

Tenha modos mais decentes,
Menina caprichosa e má!
"


ESTRIBILHO

(Lisboa, não sejas francesa!, Ana Maria I e II)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Vincado, por ter sido dobrado a meio.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
35€