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26 agosto, 2025

COELHO
, Trindade - IN ILLO TEMPORE. Estudantes, lentes e futricas. Desenhos de Antonio Augusto Gonçalves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud & Cia, 1902. In-8.º (19x12 cm) de [2], 422, [8] p. ; mto il. ; E.

Segunda edição - publicada no mesmo ano da primeira - de um clássico da literatura memorialista do meio estudantil coimbrão. Trata-se de uma das mais apreciadas e emblemáticas obras que se escreveram sobre o assunto, belissimamente ilustrada no texto com desenhos de Mestre António Augusto Gonçalves e fotografias coligidas em Coimbra por António Luís Teixeira Machado e Adriano Marques.
"In illo tempore - no tempo em que eu andava em Coimbra, andava lá tambem a estudar Direito um rapaz chamado Passaro. Elle não se chamava Passaro. Passaro, pozemos-lhe nós, porque além de ser alegre como um pintassilgo, e vivo como um ardal, - usava o cabello não sei de que modo, que parecia que lhe punha duas azas atraz das orelhas, e que a cabeça lhe ia a voar!
Elle não se zangava que lhe chamassem Passaro, e até gostava: - e como alcunha que se ponha em Coimbra, péga como se fôsse visgo, - desde o Camões que era lá em Coimbra o Trinca-fortes, até ao fallecido Alves da Fonseca, chamado o Chato José do Cão, por andar sempre com um cão atraz d'elle e ter um nariz muito chato, ou ao outro a quem por ter só metade do bigode passaram a chamar Gode, e ainda a outro o Sete Fallinhas, que por se desfazer em fifias quando fallava, - ninguem lhe chamava d'outra maneira: - «Ó Passaro, isto!» - «Ó Passaro, aquillo!».
A pontos que o rapaz addicionou a alcunha ao appellido..."
(Excerto de A festa das latas)
Indice:
A festa das latas. | Resurrexit non est hic. | O Saraiva das forças. | Lopes ou Bettencourt? | Poetas balneares. | O Orpheon Academico. | Balthazar, o lethargico! | D, Felicidade. | A Niveleida. | O Lusitano e o Anda a Roda. | A campanha do Ze Pereira. | A sebenta. | Na aula do Chaves. | O «Velho». | As fogueiras do S. João. | A Casaqueida. | Um homem não é de pau. | A récita dos quintannistas. | Alho! Alho! Alho! | A Cabra! | O Bólson das contas lisas. | «Á tabúa!». | «Viu bem?». | Os voluntarios... da Economia!... | O grande Damazio. | «Miserere nobis!». | Leão, rei dos animaes. | Sanches, o comilão.
José Francisco Trindade Coelho (1861-1908). "Escritor. Natural de Mogadouro, a sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa atividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar democraticamente o cidadão português. Era um homem inconformado. Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes. Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária. Algumas obras: «Manual Político do Cidadão Português», o «ABC do Povo», o «Livro de Leitura». A série «Folhetos para o Povo», onde se incluem, entre outros: Parábola dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio contra a Usura, Loas à Cidade de Bragança, e Cartilha do Povo, A Minha candidatura por Mogadouro. Como obras literárias deixou: «Os Meus Amores» (1891) e já inúmeras reedições de «In Illo Tempore» (livro de memórias de Coimbra-1902)."
(Fonte: Wook)
Bela encadernação meia de pele com cantos, nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Carminado à cabeça. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

23 agosto, 2025

PIMENTA, Belisário -
ANTÓNIO AUGUSTO GONÇALVES : polemista
. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da «Coimbra Editora, Limitada» - Coimbra], 1968. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante apontamento biográfico sobre o Prof. António Augusto Gonçalves, ilustre pensador, artista e historiador natural de Coimbra. Estudo publicado em separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXIV, 1968.
"António Augusto Gonçalves nasceu em Coimbra, a 19 de Dezembro de 1848. Herdou de seu pai, pintor e decorador com alguns merecimentos, uma fina sensibilidade estética e um critério de apreciação que irá aplicar na pedagogia e na vulgarização artísticas. Concluídos os seus estudos secundários, frequentou na Universidade de Coimbra, o curso de Farmácia, que logo abandonou. A partir de então passa a dedicar-se ao ensino livre do Desenho e da Matemática, ao mesmo tempo que irá alargando o campo dos seus conhecimentos artísticos. Belisário Pimenta, que com ele de perto privou, traça-nos … o perfil da sua mentalidade: «tinha contra si a mácula das suas ideias ao tempo muito avançadas em política e a outra mácula não menor da falta de crenças religiosas; de modo que o seu atrevimento em não seguir os cânones pedagógicos oficiais em Arte, o seu tolerante republicanismo apenas de princípios embora firmes e o não menos tolerante livre-pensamento, teriam, na época ressonância verdadeiramente revolucionária». Neste testemunho falta apenas a alusão ao enternecimento que lhe mereciam as camadas populares mais humildes e o operariado carecido de instrução."
(Fonte: https://acercadecoimbra.blogs.sapo.pt/coimbra-e-as-suas-personalidades-29734)
"Nas décadas dos meados do século passado, a seguir à implantação do sistema liberal em Portugal, nasceu uma série de gerações notáveis de que ùltimamente temos andado, com mais ou menos interesse, a celebrar os contínuos centenários. [...]
Coimbra foi então um centro de inquietadora rebeldia. A Universidade mantinha velho prestígio e velhas prerrogativas apesar do vendaval de 1834; a sua acção dominantemente conservadora exercia-se com relativa independência do poder central mas não acompanhava as elevadas intenções dos rapazes que, com a viveza dos 20 anos, sentiam o que havia de caduco na instituição dionisiana que impunha até à própria actividade cidadã bastante da sua gravidade e autoritarismo. [...]
Coimbra era pois um ambiente de inconformismo e de espírito de revolta - não aquela revolta que truculentamente surge nas ruas, de armas na mão quase sempre de origens duvidosas e sem finalidade de interesse elevado ou proveitoso, mas sim a revolta em que a inteligência domina e tem como armas a livre discussão e a livre intenção de progresso. [...]
Foi pois em ambiente de elevada aspiração idealista, de inconformismo raciocinado que muitas vezes se manifestava com algum entusiasmo, que se formara a mentalidade de António Augusto Gonçalves a cuja memória aqui deixo traçadas algumas linhas de impressões que vão ao correr da memória e ao sabor da velha amizade e da admiração que por ele sempre tive."
(Excerto do Estudo) 
António Augusto Gonçalves (Coimbra, 1848-1932). "Insigne arqueólogo, artista, crítico e historiador da Arte, e polemista vigoroso. De seu nome completo António Augusto Gonçalves Neves, era filho de um pintor conimbricense de merecimento. Completou os cursos liceal e de Desenho Filosófico, mas não chegou a obter qualquer grau na Universidade. Leccionou Matemática e Desenho, Professor de Desenho na Associação dos Ajustas de Coimbra e no Colégio dos Orfãos. Criou a Escola Livre das Artes do Desenho em Coimbra em 1878, que funcionou sob a sua direcção. Relator do Centro Operário de Coimbra em 1881. Secretário da Comissão Executiva da Exposição de Artefactos e Manufacturas do Distrito de Coimbra em 1884, tendo papel de relevo na organização do certame. Professor de Desenho na Escola de Desenho Industrial Brotero a partir de 1884, e desde 1889 na Escola Industrial Brotero, sendo então nomeado seu Director. Secretário da delegação de Coimbra da Associação Industrial Portuguesa em 1888. Por sua iniciativa, foi criado em Coimbra em 1890 um Museu de Arte Industrial. Embora filiado no Partido Republicano, obteve o apoio da Rainha D. Amélia e do Bispo-Conde D. Manuel de Bastos Pina para o seu plano de restauro da Sé Velha, cujas obras foram iniciadas em 1.1893. Reorganizou a partir de 1894 o Museu de Antiguidades do Instituto de Coimbra, que em 1911 deu lugar ao Museu Machado de Castro. Iniciado na Maçonaria em 1897 com o nome simbólico de “Fernão Vasques”. Superintendente dos Palácios Reais, nomeado pelo Governo Provisório em 24.10.1910. Sócio do Instituto de Coimbra e da Associação Liberal de Coimbra. Transitou para a Faculdade de Ciências em 12.5.1911. Professor da Faculdade de Ciências. Cadeiras - Desenho (1911-1928), prof. ordinário. Jubilação - Em 2.3.1929. Transitou da Faculdade de Filosofia como professor da cadeira de Desenho anexa às Ciências Biológicas. Pediu a aposentação em 7.1917, o que lhe foi indeferido. Vereador da Câmara Municipal de Coimbra. Membro do Conselho de Arte e Arqueologia de Coimbra em 1920."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/GONCALVES_antonioaugusto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas apresentam manchas de acidez.
Muito invulgar.
Indisponível

26 abril, 2020

COELHO, Trindade - IN ILLO TEMPORE. Estudantes, lentes e futricas. Desenhos de Antonio Augusto Gonçalves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud & Cia, 1902. In-8.º (18,5 cm) de 422, [4] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Edição original de uma das mais apreciadas e emblemáticas obras sobre a vida estudantil coimbrã, belissimamente ilustrada no texto com desenhos de Mestre António Augusto Gonçalves e fotografias coligidas em Coimbra por António Luís Teixeira Machado e Adriano Marques.
"In illo tempore - no tempo em que eu andava em Coimbra, andava lá tambem a estudar Direito um rapaz chamado Passaro. Elle não se chamava Passaro. Passaro, pozemos-lhe nós, porque além de ser alegre como um pintassilgo, e vivo como um ardal, - usava o cabello não sei de que modo, que parecia que lhe punha duas azas atraz das orelhas, e que a cabeça lhe ia a voar!
Elle não se zangava que lhe chamassem Passaro, e até gostava: - e como alcunha que se ponha em Coimbra, péga como se fôsse visgo, - desde o Camões que era lá em Coimbra o Trinca-fortes, até ao fallecido Alves da Fonseca, chamado o Chato José do Cão, por andar sempre com um cão atraz d'elle e ter um nariz muito chato, ou ao outro a quem por ter só metade do bigode passaram a chamar Gode, e ainda a outro o Sete Fallinhas, que por se desfazer em fifias quando fallava, - ninguem lhe chamava d'outra maneira: - «Ó Passaro, isto!» - «Ó Passaro, aquillo!».
A pontos que o rapaz addicionou a alcunha ao appellido..."
(Excerto de A festa das latas)
Indice:
A festa das latas. | Resurrexit non est hic. | O Saraiva das forças. | Lopes ou Bettencourt? | Poetas balneares. | O Orpheon Academico. | Balthazar, o lethargico! | D, Felicidade. | A Niveleida. | O Lusitano e o Anda a Roda. | A campanha do Ze Pereira. | A sebenta. | Na aula do Chaves. | O «Velho». | As fogueiras do S. João. | A Casaqueida. | Um homem não é de pau. | A récita dos quintannistas. | Alho! Alho! Alho! | A Cabra! | O Bólson das contas lisas. | «Á tabúa!». | «Viu bem?». | Os voluntarios... da Economia!... | O grande Damazio. | «Miserere nobis!». | Leão, rei dos animaes. | Sanches, o comilão.
José Francisco Trindade Coelho (1861-1908). "Escritor. Natural de Mogadouro, a sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa atividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar democraticamente o cidadão português. Era um homem inconformado. Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes. Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária. Algumas obras: «Manual Político do Cidadão Português», o «ABC do Povo», o «Livro de Leitura». A série «Folhetos para o Povo», onde se incluem, entre outros: Parábola dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio contra a Usura, Loas à Cidade de Bragança, e Cartilha do Povo, A Minha candidatura por Mogadouro. Como obras literárias deixou: «Os Meus Amores» (1891) e já inúmeras reedições de «In Illo Tempore» (livro de memórias de Coimbra-1902)."
(Fonte: wook)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura possessória na f. rosto.
Invulgar.
Indisponível

27 fevereiro, 2015

COELHO, Trindade - IN ILLO TEMPORE. Estudantes, lentes e futricas. Desenhos de Antonio Augusto Gonçalves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud & Cia, 1902. In-8.º (18,5 cm) de 422, [4] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Edição original de uma das mais emblemáticas obras sobre a vida estudantil coimbrã.
Ilustrada no texto com desenhos de Mestre António Augusto Gonçalves e fotografias coligidas em Coimbra por António Luís Teixeira Machado e Adriano Marques.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Noticias d'Evora".
"In illo tempore - no tempo em que eu andava em Coimbra, andava lá tambem a estudar Direito um rapaz chamado Passaro. Elle não se chamava Passaro. Passaro, pozemos-lhe nós, porque além de ser alegre como um pintassilgo, e vivo como um ardal, - usava o cabello não sei de que modo, que parecia que lhe punha duas azas atraz das orelhas, e que a cabeça lhe ia a voar!
Elle não se zangava que lhe chamassem Passaro, e até gostava: - e como alcunha que se ponha em Coimbra, péga como se fôsse visgo, - desde o Camões que era lá em Coimbra o Trinca-fortes, até ao fallecido Alves da Fonseca, chamado o Chato José do Cão, por andar sempre com um cão atraz d'elle e ter um nariz muito chato, ou ao outro a quem por ter só metade do bigode passaram a chamar Gode, e ainda a outro o Sete Fallinhas, que por se desfazer em fifias quando fallava, - ninguem lhe chamava d'outra maneira: - «Ó Passaro, isto!» - «Ó Passaro, aquillo!».
A pontos que o rapaz addicionou a alcunha ao appellido..."
(excerto de A festa das latas)
Índice:
- A festa das latas. - Resurrexit non est hic. - O Saraiva das forças. - Lopes ou Bettencourt? - Poetas balneares. - O Orpheon Academico. - Balthazar, o lethargico! - D, Felicidade. - A Niveleida. - O Lusitano e o Anda a Roda. - A campanha do Ze Pereira. - A sebenta. - Na aula do Chaves. - O «Velho». - As fogueiras do S. João. - A Casaqueida. - Um homem não é de pau. - A récita dos quintannistas. - Alho! Alho! Alho! - A Cabra! - O Bólson das contas lisas. - «Á tabúa!». - «Viu bem?». - Os voluntarios... da Economia!... - O grande Damazio. - «Miserere nobis!». - Leão, rei dos animaes. - Sanches, o comilão.
José Francisco Trindade Coelho (1861-1908). "Escritor. Natural de Mogadouro, a sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa atividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar democraticamente o cidadão português. Era um homem inconformado. Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes. Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária. Algumas obras: «Manual Político do Cidadão Português», o «ABC do Povo», o «Livro de Leitura». A série «Folhetos para o Povo», onde se incluem, entre outros: Parábola dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio contra a Usura, Loas à Cidade de Bragança, e Cartilha do Povo, A Minha candidatura por Mogadouro. Como obras literárias deixou: «Os Meus Amores» (1891) e já inúmeras reedições de «In Illo Tempore» (livro de memórias de Coimbra-1902)."
(Fonte: Wook)
Belíssima encadernação em meia de pele ricamente ornamentada a ouro nas pastas e na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível