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28 abril, 2026

HISTORIA DO FADO. Versos de Avelino de Sousa. Musica de Alves Coelho. Lisboa, Valentim de Carvalho Editor, [s.d.]. In-fólio (31,5x27 cm) de 4 p. (inc. capas) ; B.

1.ª edição.
Capa de Stuart Carvalhais (dedicada ao Cap. Menezes Ferreira).
Canção patriótica, cujos versos exaltam o fado, a canção nacional, companheira na gesta portuguesa, - "Soluçou a sorrir nas caravelas (...) Gemeu chorando N'Alcacer Kibir - Cantou vibrando lá nas trincheiras em França."
A Biblioteca Nacional não dá notícia desta obra. O Museu do Fado possui uma cópia digitalizada, sendo no entanto diferente o desenho da capa, também da autoria de Stuart, mas sem a Grande Guerra por tema.
Pela sua beleza, interesse e raridade deve ser encadernado ou emoldurado.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Discreta assinatura de posse.
Raro.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção. 
35€
Reservado

23 outubro, 2025

D. FRANCISCO, Bispo Conde -
LISTA DE ALGUNS ARTISTAS PORTUGUEZES COLLIGIDA DE ESCRIPTOS E DOCUMENTOS.
Pelo Excellentissimo e Reverendissimo Senhor... no decurso de suas leituras em Ponte de Lima no anno de 1825, e em Lisboa no anno de 1839. Lisboa, Na Imprensa Nacional. 1839. In-8.º (21,5x15,5 cm) de [2], 59, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante compilação de apontamentos biográficos referentes a personalidades da vida literária e artística nacional por Francisco de São Luís Saraiva, mais tarde conhecido por Cardeal Saraiva.
"Tendo eu, no decurso de minhas leituras, achado memoria de Artistas Portuguezes pouco conhecidos, e de alguns estrangeiro, que trabalhárão em Portugal, fui apontando os seus nomes, e desses apontamentos tirei a presente Lista, que agora ponho em alguma ordem."
(Excerto de Advertencia)
Índice:
Advertencia | Architectos. | Arte de escrever, Desenho á penna. | Esculptores e Entalhadores: Em pedra, em madeira, em metaes, em cera, em barro, etc. | Gravadores. | Constructores de Navios. | Pintores, Desenhadores, Miniatores, Bordadores, etc. | Musicos. | Supplemento á Lista dos Artistas começada a publicar em o N.º 3 do Recreio em 1839 - Architectos; Arte de escrever, Desenho á penna; Esculptores etc.; Gravadores de Cunhos e Medalhas da Casa da Moeda de Lisboa; Musicos; Additamento ao ao Supplemento dos Esculptores.
D. Frei Francisco de São Luís Saraiva, "Cardeal Saraiva" (1766-1845). "Natural de Ponte de Lima, onde nasceu em 26 de Janeiro de 1766. Desempenhou o cargo de Ministro do Reino entre 24 de Setembro de 1834 e 16 de Fevereiro de 1835, integrando o primeiro governo constitucional, presidido pelo Duque de Palmela, nomeado por D. Maria II, D. Frei Francisco de São Luís Saraiva começou por ordenar a libertação dos presos sem culpa formada e conceder providências em favor dos estudantes das academias de Coimbra, Lisboa e Porto afectados pela sua dedicação à causa liberal. Não foi, todavia, neste cargo que mais se distinguiu na sua dimensão maior de político influente e respeitado, reconhecido como uma das figuras mais proeminentes da sociedade portuguesa da sua época. O seu prestígio resulta, sobretudo, da sua vincada personalidade, dos ideias que perfilhou e dos altos lugares a que ascendeu, com destaque para os de Reitor da Universidade de Coimbra, Bispo de Coimbra, Deputado em sucessivas legislaturas, Presidente da Câmara dos Deputados, Regente do Reino, Guarda-Mor da Torre do Tombo, Conselheiro de Estado e, finalmente, Patriarca de Lisboa, onde viria a morrer em 7 de Maio de 1845, com 79 anos de idade."
(Fonte: https://www.pontedelimacultural.pt/Blog.asp?t=paginas&pid=1464&mpid=1433) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. F. rosto apresenta mancha no pé.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

26 agosto, 2025

COELHO
, Trindade - IN ILLO TEMPORE. Estudantes, lentes e futricas. Desenhos de Antonio Augusto Gonçalves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud & Cia, 1902. In-8.º (19x12 cm) de [2], 422, [8] p. ; mto il. ; E.

Segunda edição - publicada no mesmo ano da primeira - de um clássico da literatura memorialista do meio estudantil coimbrão. Trata-se de uma das mais apreciadas e emblemáticas obras que se escreveram sobre o assunto, belissimamente ilustrada no texto com desenhos de Mestre António Augusto Gonçalves e fotografias coligidas em Coimbra por António Luís Teixeira Machado e Adriano Marques.
"In illo tempore - no tempo em que eu andava em Coimbra, andava lá tambem a estudar Direito um rapaz chamado Passaro. Elle não se chamava Passaro. Passaro, pozemos-lhe nós, porque além de ser alegre como um pintassilgo, e vivo como um ardal, - usava o cabello não sei de que modo, que parecia que lhe punha duas azas atraz das orelhas, e que a cabeça lhe ia a voar!
Elle não se zangava que lhe chamassem Passaro, e até gostava: - e como alcunha que se ponha em Coimbra, péga como se fôsse visgo, - desde o Camões que era lá em Coimbra o Trinca-fortes, até ao fallecido Alves da Fonseca, chamado o Chato José do Cão, por andar sempre com um cão atraz d'elle e ter um nariz muito chato, ou ao outro a quem por ter só metade do bigode passaram a chamar Gode, e ainda a outro o Sete Fallinhas, que por se desfazer em fifias quando fallava, - ninguem lhe chamava d'outra maneira: - «Ó Passaro, isto!» - «Ó Passaro, aquillo!».
A pontos que o rapaz addicionou a alcunha ao appellido..."
(Excerto de A festa das latas)
Indice:
A festa das latas. | Resurrexit non est hic. | O Saraiva das forças. | Lopes ou Bettencourt? | Poetas balneares. | O Orpheon Academico. | Balthazar, o lethargico! | D, Felicidade. | A Niveleida. | O Lusitano e o Anda a Roda. | A campanha do Ze Pereira. | A sebenta. | Na aula do Chaves. | O «Velho». | As fogueiras do S. João. | A Casaqueida. | Um homem não é de pau. | A récita dos quintannistas. | Alho! Alho! Alho! | A Cabra! | O Bólson das contas lisas. | «Á tabúa!». | «Viu bem?». | Os voluntarios... da Economia!... | O grande Damazio. | «Miserere nobis!». | Leão, rei dos animaes. | Sanches, o comilão.
José Francisco Trindade Coelho (1861-1908). "Escritor. Natural de Mogadouro, a sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa atividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar democraticamente o cidadão português. Era um homem inconformado. Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes. Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária. Algumas obras: «Manual Político do Cidadão Português», o «ABC do Povo», o «Livro de Leitura». A série «Folhetos para o Povo», onde se incluem, entre outros: Parábola dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio contra a Usura, Loas à Cidade de Bragança, e Cartilha do Povo, A Minha candidatura por Mogadouro. Como obras literárias deixou: «Os Meus Amores» (1891) e já inúmeras reedições de «In Illo Tempore» (livro de memórias de Coimbra-1902)."
(Fonte: Wook)
Bela encadernação meia de pele com cantos, nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Carminado à cabeça. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

26 fevereiro, 2025

SOUSA, José Miguel Franco de -
IMAGENS DE CAÇA.
Desenhos e Aguarelas. [S.l.], Prodgraf, 2009. In-fólio (30,5x21,5 cm) de [96] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Belíssima edição impressa em papel de superior qualidade, de grande esmero e apuro gráfico, totalmente devotada à Caça. Livro profusamente ilustrado em página inteira - a p.b. e a cores - com a reprodução de desenhos e aguarelas alusivas ao tema, notando-se sobretudo a omnipresença canina - perdigueiros, podengos, galgos e outros, dos caçadores, e das presas, estando representados cervos, corças, cabras montesas, lebres, patos, perdizes, faisões, javalis, raposas, e até linces e lobos.
Peça artística, muito bela, não mencionada na BNP. Obra de coleccionador. A apresentação ficou a cargo, respectivamente, do autor - em dedicatória, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro de Lancastre.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Dedico este trabalho a quem comigo caçou ao longo de cinco décadas, bem como, a todos os amantes da natureza e da sua fauna. Àqueles que não tiveram a minha sorte de poder viver tão em contacto com o campo e seus animais, quero deixar em imagens essa vivência da forma como eu a vi e vejo. Os caçadores, ao contrário do que muita gente julga, são os maiores defensores da fauna cinegética, pois sem ela não poderiam praticar este desporto. Pena é que muitos dos que se dizem caçadores, não passem de atiradores - caçar não implica matar, tudo o que se passa até à morte da caça, é muito mais bonito que essa morte. [...]
Tentei mostrar a caça do modo que a vejo, poderá ser criticada uma ou outra figura não duvido, mas, são desenhos e aguarelas, não fotografias. No entanto, procurei ser o mais fiel e realista possível."
(Excerto da Dedicatória)
José Miguel Franco de Sousa. "Convivendo com animais durante toda a sua vida, tornaram-se a base do seu trabalho. A sua dedicação à precisão e aos detalhes advém do seu conhecimento da anatomia dos animais, o que torna o seu trabalho muito realista. Tenta sempre transmitir a sensação de movimento e de características o mais próximo possível da realidade.
Por ser caçador, está bem familiarizado com as armas de fogo e com todos os artefactos utilizados neste desporto, bem como com a forma como os cães são utilizados nas diferentes formas de caça. Sendo um cavaleiro apaixonado, sabe também tudo sobre o animal, as diferentes selas e rédeas a utilizar, e os inúmeros movimentos do cavalo, como andar, trotar, galopar ou saltar."
(Fonte: https://artparks.co.uk/artist/jose-miguel-franco-de-sousa/)
Encadernação editorial em tela verde, assinada F. Sousa a seco e bordeaux, revestida de sobrecapa policromada.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

28 agosto, 2022

ALMEIDA, Fialho d' & VASCONCELLOS, Henrique de & PENTEADO, Manuel - LIVRO PROHIBIDO. Profecias, farças e sandices. Lisboa, [s.n. - imp. Centro Typographico Colonial], 1904. In-4.º (24 cm) de 141, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Paródia à sociedade portuguesa da época, ou "o castigo dos costumes pelo riso".
Ilustrações de Celso Hermínio e Francisco Teixeira.
"Vae o leitor assistir a um espectaculozinho em tres actos, complexo - tragedia, comedia de salão e uma revista politica e de costumes - onde tres escriptores trataram de lhes rezumir, em tres figurações diferentes, o quantum d'anotação filosofica, optimismo ou agrura dos seus espiritos fasciados.
Espectaculo que o leitor não terá de pagar por um quartinho, como no D. Maria e D. Amelia, obrigado de dois em dois minutos a erguer-se para deixar passar um senhor retardatario, e que a seu talante pode aplaudir ou patear, sem que maiormente isso lhe traga as hostilidades de ninguem."
(Excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, sujas, com defeitos.
Muito invulgar.
20€

01 abril, 2022

[FULLER, Josef] - ELEMENTOS DE MODELAÇÃO DE ORNATO E FIGURA.
2.ª edição
.
Biblioteca de Instrução Profissional dirigida por Thomaz Bordallo Pinheiro. Paris : Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand - Rio de Janeiro : S. Paulo : Belo Horizonte, Livraria Francisco Alves, [192?]. In-8.º (18,5 cm) de [2], VI, 148 p. ; mto il. ; E.
"A presente obra define e descreve a modelação, detalhando a modelação em cerâmica e em cera, e a escultura, em pedra e madeira, abordando algumas noções anatómicas humanas (relevantes para a modelação estatuária), e termina com a exemplificação de motivos decorativos aplicados à ornamentação escultural."
(Fonte: https://sites.ipleiria.pt/projetocp2s/2019/01/09/elementos-de-modelacao-de-ornato-e-figura/)
Livro muito ilustrado ao longo do texto com belíssimos desenhos, alguns deles em página inteira.
"Ao escrevermos êste livrinho, não pretendemos dar uma descrição completa do que seja a modelação; nem isso cabia nos limites dos volumes desta biblioteca.
Numerosas são as aplicações da escultura, pois que sendo esta arte de copiar o relêvo dos objectos em pedra, metal, madeira, barro, gêsso ou qualquer outra substância que lhe conserve inalteravelmente as formas, o seu conhecimento é essencial e indispensável ao estatuário, ao escultor, ao canteiro, ao entalhador, ao cinzelador, ao ourives, ao ceramista, ao estucador, etc. [...]
A modelação e a escultura estão de tal maneira ligadas, que esta última não pode existir em toda a sua perfeição sem aquela. Por isso julgamos indispensável que, além da modelação, completemos êste livro com umas noções gerais sôbre a forma e execução da escultura em pedra e madeira.
Trataremos, portanto, na primeira parte da modelação, propriamente dita, em barro e em cêra; na segunda, daremos umas noções sôbre o corpo humano, que julgâmos indispensáveis na modelação de estatuária, e, na terceira, ocupar-nos-emos da escultura em pedra e madeira.
Para finalizar o nosso pequeno livro e para auxiliar todos quanto se interessam por êstes assuntos, juntâmos uma série de estampas com desenhos de diversos motivos ornamentais, que muito poderão concorrer para os estudos de composição e decoração."
(Excerto do Prefácio)
Josef Füller (1861-1927?). "Foi um escultor e professor austríaco. Em Viena, estudou na Escola de Arte Industrial do Império Real Museu Austríaco de Arte e Indústria entre 1879-83, seguido do Curso Geral de Escultura na Imperial Real Academia das Belas-Artes entre 1883-86, e terminou os seus estudos com o Curso Especial na Escola Superior de Escultura entre 1886-89. Antes de terminar este curso, foi contratado como professor na Escola de Desenho Industrial Jácome Ratton em Tomar, com vista a colmatar a falta de professores de desenho em território nacional durante este período, lecionando até 1894. No ano letivo seguinte, foi para a Escola de Desenho Industrial Rainha D. Leonor nas Caldas da Rainha. Cumulativamente, desde 1892, Füller foi diretor artístico da fábrica de faianças caldense Atelier Cerâmico. O escultor mudou-se para a capital quando essa fábrica foi transferida para Campolide em 1896, local onde funcionou até 1899. Foi professor contratado de Desenho Ornamental e Modelação até 1916 e professor provisório de Desenho Geral, Desenho Ornamental e Modelação, cargos exercidos na Escola Industrial Afonso Domingues em Xabregas. Como escultor, participou na 3ª Exposição de Belas-Artes do Grémio Artístico em 1893 e na 4.ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes em 1904. Publicou duas obras, inseridas na coleção Biblioteca de Instrução Profissional, intituladas Manual do Formador e Estucador e Elementos de Modelação de Ornato e de Figura."
(Fonte: https://sites.ipleiria.pt/projetocp2s/2019/01/09/elementos-de-modelacao-de-ornato-e-figura/)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€

05 setembro, 2021

ALMADA : o escritor, o ilustrador. [Coordenação: Manuela Rêgo. Capa e fotografia: Luís Carlos]. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros : Secretaria de Estado da Cultura : Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1993. In-4.º (23,5cm) de 351, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Belíssimo catálogo impresso em papel de superior qualidade - gráfica e esteticamente irrepreensível -, profusamente ilustrado com reproduções de trabalhos do Mestre.
"Almada tornou-se uma referência obrigatória para qualquer estudo dos movimentos artísticos e literários das primeiras décadas do século XX. Não sendo fácil encontrar artistas que revelem uma mesma craveira em artes diferentes - neste caso «manipulando» a palavra e a imagem -, mais notável se tornam a sua personalidade e o seu trabalho, tratados com igual destaque nas obras de consulta sobre literatura e artes plásticas."
(Excerto da apresentação)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

26 abril, 2020

COELHO, Trindade - IN ILLO TEMPORE. Estudantes, lentes e futricas. Desenhos de Antonio Augusto Gonçalves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud & Cia, 1902. In-8.º (18,5 cm) de 422, [4] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Edição original de uma das mais apreciadas e emblemáticas obras sobre a vida estudantil coimbrã, belissimamente ilustrada no texto com desenhos de Mestre António Augusto Gonçalves e fotografias coligidas em Coimbra por António Luís Teixeira Machado e Adriano Marques.
"In illo tempore - no tempo em que eu andava em Coimbra, andava lá tambem a estudar Direito um rapaz chamado Passaro. Elle não se chamava Passaro. Passaro, pozemos-lhe nós, porque além de ser alegre como um pintassilgo, e vivo como um ardal, - usava o cabello não sei de que modo, que parecia que lhe punha duas azas atraz das orelhas, e que a cabeça lhe ia a voar!
Elle não se zangava que lhe chamassem Passaro, e até gostava: - e como alcunha que se ponha em Coimbra, péga como se fôsse visgo, - desde o Camões que era lá em Coimbra o Trinca-fortes, até ao fallecido Alves da Fonseca, chamado o Chato José do Cão, por andar sempre com um cão atraz d'elle e ter um nariz muito chato, ou ao outro a quem por ter só metade do bigode passaram a chamar Gode, e ainda a outro o Sete Fallinhas, que por se desfazer em fifias quando fallava, - ninguem lhe chamava d'outra maneira: - «Ó Passaro, isto!» - «Ó Passaro, aquillo!».
A pontos que o rapaz addicionou a alcunha ao appellido..."
(Excerto de A festa das latas)
Indice:
A festa das latas. | Resurrexit non est hic. | O Saraiva das forças. | Lopes ou Bettencourt? | Poetas balneares. | O Orpheon Academico. | Balthazar, o lethargico! | D, Felicidade. | A Niveleida. | O Lusitano e o Anda a Roda. | A campanha do Ze Pereira. | A sebenta. | Na aula do Chaves. | O «Velho». | As fogueiras do S. João. | A Casaqueida. | Um homem não é de pau. | A récita dos quintannistas. | Alho! Alho! Alho! | A Cabra! | O Bólson das contas lisas. | «Á tabúa!». | «Viu bem?». | Os voluntarios... da Economia!... | O grande Damazio. | «Miserere nobis!». | Leão, rei dos animaes. | Sanches, o comilão.
José Francisco Trindade Coelho (1861-1908). "Escritor. Natural de Mogadouro, a sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa atividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar democraticamente o cidadão português. Era um homem inconformado. Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes. Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária. Algumas obras: «Manual Político do Cidadão Português», o «ABC do Povo», o «Livro de Leitura». A série «Folhetos para o Povo», onde se incluem, entre outros: Parábola dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio contra a Usura, Loas à Cidade de Bragança, e Cartilha do Povo, A Minha candidatura por Mogadouro. Como obras literárias deixou: «Os Meus Amores» (1891) e já inúmeras reedições de «In Illo Tempore» (livro de memórias de Coimbra-1902)."
(Fonte: wook)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura possessória na f. rosto.
Invulgar.
Indisponível

16 setembro, 2019

FADO PATRIOTICO. Canções de Portugal - Coimbra [do reportorio do Orfeon da Universidade]. Ao muito amigo Vasco Macieira. Por Antonio Menano. Letra de Fernandes Martins. 3.ª edição. Lisboa, P. Santos & C.ª : Salão Mosart, [1922]. In-fólio (32,5 cm) de 4 p. (inc. capas) ; B.
Canção patriótica cujos versos exaltam os portugueses a pegar em armas para defender o país.
Belíssima capa (não assinada) tendo como motivo a Grande Guerra - em 1.º plano, a República "imaculada", e em 2.º plano, os campos de batalha da Flandres sob céu tinto de sangue.

"Já se ouviu de serra em serra
A vóz da Patria a gritar:
Tomai as armas, meus filhos
Que temos de batalhar.

Erguei-vos novo e velhos
A pé todos em geral!
Erguei-vos todos á uma
Para salvar Portugal."

(Excerto da letra)

Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequenos rasgôes marginais (sem perda de papel).
Pela sua beleza, interesse e raridade deve ser encadernado ou emoldurado.
Raro.
A BNP possui um exemplar registado na sua base de dados.
Peça de colecção.
Indisponível

05 maio, 2019

LORAINE, Fanny - A MINHA PRIMEIRA VIAGEM À LUA : novela. Tradução do original por Álvaro Machado. Com ilustrações de Cristiano de Carvalho. Pôrto, Livraria Escolar "Progredior", 1937. In-8.º (19 cm) de 130, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica. Fanny Loraine será o pseudónimo literário de Giuseppe Casagrande(?).
Livro muitíssimo valorizado pelos 9 desenhos em página inteira precedendo cada um dos capítulos que constituem a obra, e um outro, mais pequeno, na última página de texto, que reproduz o desenho do Cap. IX, todos da autoria de Cristiano de Carvalho (Porto, 1874 – Matosinhos, 1940), intelectual, político e artista português multifacetado - desenhador, ilustrador e caricaturista.

"O quimérico sonho dos poetas
Temsido sempre de ir à Lua...
Sonho literário? Sonho d'ascetas?
Não será isso loucura sua?
Subir, subir até à meseta
Longinqua da famosa Diana,
Até ver atingida a meta
Doa astro que argentea luz emana!

Já o famoso Jules Verne,

Com grande sabedoria
Nos tinha feito lá chegar
Embora com fantasia
Aquelas regiões etereas,
Com o fim de as devassar.

Eu também quiz demonstrar

Como se pode até à Lua ir.
Por isso escrevi êste livro;

Livro que acabo de fechar

Mas que outros podem abrir."

(Ao leitor - reproduzido da badana da capa)
"- Parece-me que daqui só saïremos feitos em pó - comentou Polínio, esfregando as mãos, como se ficasse muito satisfeito com o seu macabro prognóstico.
- Tranqüilize-se. - E o professor Schulze, sustendo fortemente o manípulo do quadrante, para assim manter a vertiginosa marcha da aeronave, que naquele mesmo momento acabava de se encontrar próximo da atracção entre a Terra e a Lua, disse ainda: - Não ficaremos feitos em pó porque estou plenamente convencido dos meus planos.
- Pelo menos, em pedaços, não lhe parece, miss Kathleen?- observou de novo Polínio, fixando còmicamente os olhos de uma jovem e intrépida americana, muito loira, muito formosa, e que havia abandonado a sua casa, a sua família e o seu país apenas com o firme propósito de acompanhar von Schulze na mais temerária das temerárias façanhas."
(Excerto do Cap. I, Nos domínios do infinito)
Índice:
I - Nos domínios do infinito. II - A ascensão maravilhosa. III - Com os pés na Lua. IV - Os astrónomos discordam. V - As surprêsas do nosso Satélite. VI - Do monte Everest ao monte Leibnitz. VII - Pérolas e anões. VIII - Da Lua não respondem! IX - A ultima esperança perdida?...
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

01 novembro, 2017

ARAÚJO, Norberto de - ALFAMA. Texto de... Desenhos de Ingeborg von Erlachcoord. Fotografia de Armando Serôdio e Horácio Novais. Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa : Repartição de Informação, Espectáculos e Turismo, 1982. Oblongo (24x33,5cm) de [88] p. ; todo il. ; B.
1.ª edição
.
Bonita monografia de Alfama impressa em cartolina, profusamente ilustrada com fotografias a cores e belíssimos desenhos do antigo e tradicional bairro lisboeta.
"Alfama é o mais antigo e um dos mais típicos bairros da cidade de Lisboa. Actualmente, abrange uma parte da freguesia de Santa Maria Maior e outra da freguesia de São Vicente. O seu nome deriva do árabe al-hamma (الحمّة), que significa banhos ou fontes.
As vistas mais espectaculares sobre Alfama têm-se do passeio público formado pelos miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia. Por cima e envolvendo Alfama ficam a colina do Castelo de São Jorge, fortaleza e palácio real até ao século XVI, e a colina de São Vicente. Para além do Castelo, os principais monumentos da zona são a Sé, a Igreja de Santo Estêvão e a Igreja de São Vicente de Fora.
Alfama é um bairro muito peculiar em se assemelhar a uma antiga aldeia não só em aspecto como por ter uma comunidade relativamente pequena e próxima. O bairro é frequentado diariamente por turistas portugueses e estrangeiros, sendo considerado como o mais seguro de toda a cidade de Lisboa. É conhecido pelos seus restaurantes e casas de fado, assim como pelos festejos dos Santos Populares, em especial na noite de Santo António, de 12 para 13 de Junho."(fonte: wikipédia)
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

15 setembro, 2017

QUATRO ANOS DE PROPAGANDA DO CAFÉ PORTUGUÊS : QUATRE ANS DE PROPAGANDE DU CAFÉ PORTUGAIS : PORTUGUESE COFFEE-FOUR YEARS' PUBLICITY. Separata N.º 26. Revista do Café Português. Lisboa, Junta de Exportação do Café, 1961. In-4.º (25,5cm) de 98, [2] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Bonita edição de propaganda ao café português produzido no Ultramar.
Colaboraram nas Campanhas de Propaganda da Junta os Artistas seguintes. Desenhadores e Pintores: Adolfo Rabanal, Baltazar, Domingos Saraiva, Garcês, Garcia, Jaime Correia, Jorge Oliveira, Júlio Gil, Luiz Filipe de Abreu, Luís Osório, Manuel Correia, Marcello, Mário Costa, Paulo Guilherme e Taborda.
"Qualquer produto, por melhor que seja, precisa de ser conhecido para se impor. E esse conhecimento é feito através da propaganda, actividade a que já se chamou a grande descoberta do nosso século. [...]
Nenhum dos meios mais modernos se poupou para estas campanhas, desde a publicidade gráfica à televisão, passando pelo teatro, pela rádio, pelo cinema e pela comparência em feiras nacionais e internacionais com representações adequadas [...]
A presente brochura pretende dar um resumo do muito que se fez na propaganda do café e não deixar que se percam algumas belas gravuras que foram utilizadas, «maquettes» de pavilhões, passagens de filmes de cinema, etc. Artistas plásticos dos mais categorizados do nosso meio, mas já com projecção internacional, deram-nos a sua colaboração preciosa, principalmente em matéria de propaganda gráfica."
(excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

06 maio, 2016

PICARIA AO USO DO SÉCULO XVIII EM HONRA DE S. A. R. O DUQUE DE EDIMBURGO. Palácio do Correio-Mór : Junho 1973. [S.l.], [s.n. - imp. na Tip. Ant. S. Gonçalves, Sucrs, Lda.], [1973]. In-8.º (19x22,5cm) de 8 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Programa de picaria, ilustrado nas capas e no interior pelos belíssimos desenhos de mestre Serrão de Faria a acompanhar a descrição do espectáculo. O programa foi executado por conhecidos cavaleiros nacionais, incluindo as principais figuras do toureio equestre da época.
"Desde tempos imemoriais que os habitantes da Península Ibérica cultivam o gosto pelo cavalo.
Hoje, em Portugal, não existe qualquer Academia Equestre, mas o interesse pelos exercícios de manejo mantém-se bem vivo e latente no povo. É vulgar, pode-se mesmo dizer banal, ver um cavaleiro executar qualquer dos ares que da alta-escola são apanágio. [...]
É pois, dentro desta tradição e gosto do povo, que em Portugal ainda hoje perdura a escola de Marialva - Real Picaria, século XVIII.
É na equitação prática, não já em escaramuças e guerras, mas nos redondéis das praças de toiros, que ela se faz sentir e vive, não em exibições nos moldes de Saumur, nem numa equitação de espectáculo, de supra virtuosismo como a Escola de Viena, mas sim numa monte adequada e incisiva para a luta com toiros ou no simples e ingénuo divertimento das cavalhadas.
A equitação portuguesa é tradicionalista, é prática, é única no mundo.
Aqui perduram os últimos cultores de uma arte há muito desaparecida: a equitação de combate."
(excerto da apresentação)
Programa:
- Cortesias. - Ensino. - Jogos de destreza. - Escaramuça à gineta. - Cortesia final.
Intervenientes
Cavaleiros:
João Branco Núncio; Dr. Fernando Salgueiro; Manuel Conde; David Ribeiro Telles; D. José de Athayde; José Mestre Baptista; Alfredo Conde; José Samuel Lupi; Fernando Andrade Salgueiro; Gustavo Zenckl; José Cortes; Afonso Cortes; Luís Miguel da Veiga; D. Francisco Azarujinha; Dr. Frederico Cunha; João José Zoio; Emídio Pinto; D. Diogo de Bragança (Lafõens); João Moura; Dr. José Núncio Fragoso; João Trigueiros de Aragão; João Lory de Oliveira; João Filipe Graciosa; Francisco Cancela de Abreu; Miguel Júlio Calheiros Quina.
Música:
Academia de Instrumentistas da E. N., maestro Alvaro Cassuto. Música portuguesa do século XVIII.
Charanga da G. N. R.
José Francisco Quelhas Serrão de Faria (n. 1937). "Azinhaguense, nasceu em 1937, sendo considerado o ‘pintor do cavalo Lusitano’. A sua Obra retrata magistralmente sobre o papel, sobre a tela, as “linhas”, dos magníficos ‘filhos do vento’ da Lusitânia. É com fina sensibilidade, profundo conhecimento e singular arte que representa com os seus pincéis, também os campinos e as suas montadas na sua faina diária, o gado bravo, e a paisagem da lezíria e do espargal. A sua oficina de criação insere-se no Solar dos Serrão, casa de família do século XVI, na Azinhaga. Frequentou cursos de gravura, litografia, serigrafia e xilogravura na Cooperativa de Gravadores Portugueses. Como caudeleiro, foi ainda Presidente do Stud-Book Lusitano e autor de publicações sobre o Cavalo, tais como “Caballus”, “Ginete Ibérico” e o “ Solar do Cavalo”. Autor ainda de outros livros como, “Dois Dedos de Conversa”, “Futebol, Iluminuras e Textos Consagrados”, “ Vales Traçados”, “Lisboa do Rio para as Colinas” e “Olivença”, foi ainda colaborador do jornal “ A Capital” e de vários outros jornais e revistas. Está representado em várias colecções particulares, nacionais e estrangeiras. São de salientar as exposições colectivas em que participou, tais como: Santarém-1955, 1957,1974,1989 e 1991(Salão de Outono), Lisboa- 1967, 1990 ( Rádio Renascença) e 1991 ( Rádio Renascença) , Amadora-1970, Estoril-1982 (Novos Gravadores) e 1988 (casino do Estoril), Noruega – 1989 (Galeria Nillestad) e Severdo Vouga- 1990. E as exposições Individuais: Santarém 1960, Lisboa – 1966,1986 (Galeria Palma), 1987 (Galeria Paulino Ferreira), 1988 (Galeria Gravura), 1990 (Idem), 1993( Casa do Ribatejo), 1994 (Sétima Colina), Caldas da Rainha, 1969, Golegã- 1984 e 1992 ( Encontros de Arte Contemporânea), Noruega – 1987 ( Galeria Nillestad), Soure-1989, Figueira da Foz – 1990, Chamusca – 1991, Azinhaga – 1994. Participou ainda na Golden Art Galery em Folson, Califórnia, em 1986."
(fonte: www.serraodefaria.com/biografia)
Exemplar brochado, com atilho em cetim verde, em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível