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12 janeiro, 2024

ALMEIDA, Antonio José d' -
PALAVRAS D'UM INTRANSIGENTE.
Aos patriotas, aos sinceros. Coimbra, Typographia Operaria, 1890. In-8.º (19,5x14 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo escrito na Cadeia de Coimbra, na sequência da prisão do autor - futuro Presidente da República - na época, jovem estudante - pela critica aberta ao Rei D. Carlos num jornal de Coimbra - o Ultimatum - por ceder às pretensões africanistas da Inglaterra. Aqui, de forma despreocupada, o autor explica os motivos que conduziram ao seu encarceramento. No final critica o juiz que o condenou.
"O Ultimato britânico de 1890 contra as pretensões portuguesas em África provocou um movimento social e político de exaltação patriótica e de contestação da Monarquia. Marcava o fim do pretendido “mapa cor-de-rosa”, que uniria Angola e Moçambique, sob a soberania de Portugal. [...]
António José de Almeida, jovem estudante em Coimbra, escreve nas páginas d’O Ultimatum, de 23 de março de 1890, o artigo “Bragança, o último”, que o levaria a ser condenado a três meses de prisão."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Ultimato-britanico.aspx)
"Em fins de março sahiu em Coimbra o numero programma do Ultimatum.
Dos seus leitores uns estreme«ceram aterrados, outros applaudiram frementes, outros ainda, os indifferentes, indifferentes mesmo naquella hora sombria em que a Patria agonisava, raça maldita de espiritos feitos de pedantismo com laivos de bazofia, chamaram-lhe uma rapaziada. [...]
Que, no fim de contas, o Ultimatum, que queria fazer conservar em carne viva, no espirito de quem o lesse, a infamia da Inglaterra, não era mais que um grito de guerra, soltado nervosamente e de cabeça levantada, junto á bandeira republicana, em nome dos interesses d'um povo humilhado, em nome dos direitos de Portugal opprimido."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto inferior direito, assinatura de posse e selo de biblioteca na lombada.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€
Reservado

11 maio, 2020

ALMEIDA, Antonio José d’ – UMA PENDENCIA CELEBRE. 2.º milheiro. Lisboa, Livraria Ventura Abrantes, 1914. In-8.º (22 cm) de 31, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Processo da exigência de retratação ou reparação pelas armas de Afonso Costa a António José de Almeida, director de O Século, após publicação de um artigo de Alfredo Pimenta nesse jornal. O duelo não chegou a realizar-se.
Contém:
O artigo de Alfredo Pimenta que despoletou a pendência intitulado «O Partido dos Encandalos».
Documentos das actas do desafio de Afonso Costa a António José de Almeida.
Explicação de António José de Almeida relativa a este caso com o título «Por minha honra!».
A justificação do artigo que deu origem à polémica pelo seu autor - Alfredo Pimenta – intitulado «Eu e o Snr. Affonso Costa».
Documentos relativos ao desafio, para reparação pelas armas, de Afonso Costa aos membros do Grupo Parlamentar Evolucionista.
Acusação final de António José de Almeida a Afonso Costa onde, entre outros epítetos, o qualifica de mau, rancoroso, manhoso e vingativo.
"…Quem aparece envolvido na questão de Ambaca? O partido democrático, gente do partido democrático. Quem aparece envolvido na questão do opio? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão das prescrições de S. Tomé? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão de o Poder Executivo tomar resoluções propositadamente para favorecer certos e determinados indivíduos. O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão da sonegação de documentos da polícia de Lisboa? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão de sofismação da venda do prédio Grandela? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na escandalosa questão das Portas de Rodam? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido em todas as tramoias eleitorais? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece solidarizado, cúmplice de assassinatos, atentados contra a propriedade, insultos públicos, agressões, violências e desordens? O partido democrático, gente do partido democrático…
Onde houver um escândalo, onde houver uma negociata, onde houver um ponto escuro, onde houver um tumulto, uma arruaça, uma violência – é certo e sabido: há democráticos."
(Excerto do artigo de A. Pimenta)
"Meus queridos amigos e colegas Alvaro de Castro e Alvaro Pope: - Tendo chegado agora ao meu conhecimento o artigo de fundo de hoje do Jornal A República, em que sou gravemente ofendido, peço-lhes a fineza de exigirem do ex.mo sr. Antonio José d’Almeida, director desse jornal, uma completa retratação ou uma reparação pelas armas, para o que lhe confiro os mais plenos poderes, - Saude e fraternidade. – Lisboa, 12 de Junho de 1914, ás 23 horas. – Afonso Costa."
(Carta de Afonso Costa às suas testemunhas)
"Ex.mo sr. dr. Afonso Costa, querido amigo: - Lisboa, 14 de Junho de 1914. – No desempenho da honrosa missão que v. ex.ª nos conferiu… [após recusar bater-se em duelo] afirma o snr. Almeida que assume as responsabilidades do artigo ofensivo em todos os campos, menos no do duelo, por este ser contra os seus compromissos de honra! Mas não é contra os seus princípios, nem contra os seus compromissos de honra, ofender ou consentir que outrem ofenda no jornal de que é director! Ofênde, mas esquiva-se depois á reparação devida e usada entre homens de honra! Ás creaturas que procedem desta forma chamam Croabbon e Chateauvillard: invalides de l’honneur; e não seremos nós quem lhes mude o epiteto. […]  Escusamos de dizer que v. ex.ª deve considerar definitivamente encerrada esta pendencia, visto que á única reparação a que v. ex.ª tinha direito se esquiva o snr. Antonio José de Almeida. Depois do que se passou, fica, a v. ex.ª, e a todos os homens de honra, tomar em qualquer campo responsabilidades áquele senhor. – Saude e fraternidade. – Alvaro de Castro, Alvaro Pope."
(Excerto da carta das testemunhas de Afonso Costa, Álvaro de Castro e Álvaro Pope, ao próprio)
"… Chamam-me medroso, valetudinário da honra? Como eu, portador da verdade viva das minhas convicções, me rio disso, na cara dos que se encontram na virilidade da desvergonha.
Se há alguém que sabe que eu não tenho medo, é o snr. Afonso Costa. É êle, que bem o viu na noite de 4 para 5 de outubro, ó se viu! É êle, quem bem o tem observado, sabendo-me assaltado com cacetes e pistolas, em comícios e manifestações e até em locais onde simplesmente ia tratar de minha vida, por um bando de sicários, que se dizem seus correligionários e que êle tem amparado com o seu silencio benevolo, senão com o seu aplauso recôndito. […] É tempo de terminar. Aí ficam as peças do processo A opinião publica que pronuncie o seu julgamento..."
(Excerto da explicação de A. José de Almeida, «Por minha honra!»)
Encadernação simples em meia de percalina. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. As duas primeiras f. de texto apresentam rasgão à cabeça, sem perda de papel, e sem afectar o texto.
Raro.
20€

04 novembro, 2013

ALMEIDA, António José de - EM HONRA DOS SOLDADOS DESCONHECIDOS. Discursos proferidos pelo Presidente da República Portuguesa Dr. António José de Almeida na sala e no átrio do Palácio do Congresso, em 7 de Abril de 1921. Lisboa, Imprensa Nacional, 1921. In-4.º grd. (28,5cm) de 27 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem comovente, com grande valor histórico e simbólico.
Edição impressa em papel de linho, com grande esmero e apuro gráfico.
"Em nome da República Portuguesa, tenho a honra de impor ao féretro dos dois Heróis desconhecidos as insígnias da Ordem da Tôrre e Espada. Faço-o profundamente sensibilizado, considerando êste momento, porventura, o mais solene da minha vida. São dois desconhecidos que caíram no campo da Honra em defesa da Pátria. Mas a êsses desconhecidos toda a gente os conhece. Êles são o Povo, o Povo grande, admirável, predestinado, que, durante oito séculos, construiu por suas mãos vigorosas e leais êsse edificio de imortal grandeza que se chama História de Portugal. Pela primeira vez, entre nós, se lhe rende uma homenagem digna do seu valor."
(Excerto do discurso realizado no átrio do Palácio do Congresso)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente oxidadas.
Invulgar.
Indisponível

26 agosto, 2012

ALMA NACIONAL. Director: Antonio José d’Almeida. Lisboa, [Composto e Impresso na typ. «A Editora»], 10 de Fevereiro de 1910 e 29 de Setembro de 1910. 34 números in-4.º (27cm) de 541 págs em numeração contínua ; il. ; E.
Colecção completa.
Ilustrado com dois sugestivos desenhos de Francisco Valença em dupla página - a "A Situação Política" e "A Missa Negra".
A revista republicana Alma Nacional surge em Fevereiro de 1910, sob a direcção de António José de Almeida. Teve 34 números e foi editada semanalmente até 29 de Setembro de 1910, a 7 dias da revolução de Outubro. Propunha o director que a revista fosse a “crónica severa, e ao mesmo tempo agitada, da nossa vida e a precursora da pátria nova; (…) uma revista patriótica e um órgão de solidariedade universal, (…) arma de combate contra a monarquia, elemento de educação para o povo e instrumento de propaganda nacional, (…) Não será uma obra truculenta, mas um grito de indignação e de revolta (…) será a revista de todos, da plebe, dos trabalhadores, dos oprimidos de hoje.”»; (…) «urge uma nova religião e um novo altar, um credo e uma fé republicana, um grande credo humanista que possa secularizar o cristianismo. Assim, o partido republicano tem de abalar o arcaboiço da sociedade velha…destruir o regime, deitar abaixo a monarquia, o Portugal brigantino, afastar o entulho monárquico, o guano clerical, os quatro séculos de jesuitismo.»”
“Periódico republicano de referência, cultural e doutrinário, indispensável ao estudo e compreensão históricos da primeira década do século XX português, e nomeadamente a génese e a implantação da República. Colaboração, entre outros, de Guerra Junqueiro, Basílio Teles, Teófilo Braga, Agostinho Lemos, Miguel Bombarda, Teixeira de Queirós, Tomás da Fonseca, Raul Proença, Manuel de Sousa Pinto, Aquilino Ribeiro, etc., para além de vastíssima intervenção escrita do próprio António José de Almeida.”
António José de Almeida (1866-1929). “Único Chefe de Estado da I República que cumpre os quatro anos de mandato [1919-1923] que a Constituição definia. Ainda no período da Monarquia Constitucional, já era um elemento marcante do republicanismo português. Após a proclamação da República, foi um dos líderes políticos mais influentes. Com poderes de dissolução do Parlamento, que utiliza por duas vezes, o seu mandato foi extremamente agitado, com sucessivas e graves crises governativas.”
Encadernação em meia de percalina com dourados na lombada. Sem as capilhas de protecção dos fascículos.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Dedicatória autógrafa (ilegível) de oferta à “Biblioteca do Sporting C. Portugal”. Selo na lombada. Carimbo de posse da Biblioteca do Sporting Club de Portugal na 1.ª p. do 1.º número.
Invulgar e muito procurado.
Com interesse histórico.
Indisponível