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04 agosto, 2026

MACHADO, Julio Cesar -
MIL E UMA HISTORIAS. Por... Empreza Litteraria de Lisboa - Officina Typographica da Empreza Litteraria de Lisboa, 1888. In-4.º (22,5x14 cm) de 335, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de pequenos contos e crónicas bem humoradas, não ficcionadas, pela pena de Júlio César Machado, conhecido jornalista e romancista lisboeta.
Obra ilustrada com o retrato do autor em página inteira precedendo a f. rosto.
"Publicada originalmente em 1888, esta coleção de contos oferece um retrato vívido e multifacetado da sociedade portuguesa do século XIX. Com uma escrita elegante e perspicaz, Machado tece narrativas curtas que exploram o quotidiano, os costumes e as idiossincrasias da época.
Cada história é uma janela para um mundo de personagens memoráveis e situações inusitadas, repletas de humor e reflexões sobre a condição humana."
(Fonte: Amazon)
"Que outros mettam hombros a grandes historias, romances em largos volumes, contos da proporção de romances; vamos, nós, a entreter-nos, se isto se puder conseguir, com os casos, os ditos, os feitos e gestos, de Pedro, de Paulo, de Sancho, de Martinho... Tudo é grande agora, bem se sabe, lettras, artes, politica, e coisas; deixem, todavia, que um fiel, que sempre foi dado á alegria e á sensibilidade, venha recitar, a meia voz, as suas oraçõesinhas, perante o altar da anedocta!"
(Preâmbulo)
"De uma occasião, cavaqueando o Innocencio e o Meréllo, na loja do livreiro Rodrigues, da rua do Crucifixo, farejaram um livro de valia; cuidando qualquer dos dois, que, o outro, não houvesse dado por elle.
Principiaram então, como que ao desafio, em espertezas, procurando mutuamente afastar o competidor do logar da maravilha.
Já um chamava o outro para a porta, e lhe narrava não sei que historia em grandes ares de confidencia; - já o outro consultava o relogio e lhe dizia a hora, adiantando-a, ao passo que lhe perguntava qual fosse a sua hora de jantar... Nem o Meréllo nem o Innocencio arredavam um passo da baiuca do livreiro, recinto encantado da ambicionada joia.
N'isto, não se atrevendo nem um nem o outro a desampararem a caça, nem, tão pouco, a separarem-se, sairam juntos.
Innocencio, morava n'esse tempo, ao Rato, na rua de S. Filippe Nery; o Meréllo, como que deleitando-se com a sua conversação, foi indo até lá.
Uma vez chegado, disse-lhe o auctor do Diccionario Bibliographico:
- Você onde vae?
O Meréllo, titubiando, denunciou, porventura, na sua hesitação, o designio que guardava em seu animo? Chi lo sá?!
Respondeu conforme poude:
- Eu agora... estou capaz de ir... tenho por força de ir agora...
- Para cima?
- Não; ali, para aquelle lado...
Innocencio fixava-o no branco dos olhos."
(Excerto de Crónica)
"Porque em pequenita, o maior gosto d'ella fosse acompanhar com a voz as pancadas de um relogio de parede, que havia em casa, um d'aquelle antigos e grande relogios chamados de caixa, puzera-lhe a familia, por brincadeira, a alcunha de Ti-ki-ni.
O nome d'ella é... Deixemos. É melhor ficar-mos chamando chamando-lhe como em pequena a tratavam... Ti-ki-ni.
Nunca o sól illuminou mais alegre creaturinha, nem houve ainda pintor que conseguisse toques mais finos que as duas pregas pequeninas, que se lhe desenhavam nas faces quando ella ria.
Apparentou-lhe sempre o seu genio travesso um quê de diabrete; quebrar por gosto, rasgar para se entreter: demonio bom, - e mais vale isso do que anjo mau. Cresceu-me deante dos olhos...
De domingo para domingo, fazia differença na altura. Com que ufania nos contou, de uma occasião, haver feito a bainha da sáia mais estreita, para o vestido ficar mais comprido!
N'uma bella manhã, encontrando-a no Chiado, disse-me sorrindo.
- Caso-me amanhã."
(Excerto de Conto)
Júlio César da Costa Machado (Lisboa, 1835-1890). "Nasceu numa família de posses e conviveu desde cedo, pela mão do pai, no meio literário e teatral lisboeta. Foi jornalista, tradutor, autor de romances, contos e peças de teatro, destacando-se como um dos mais célebres folhetinistas e cronistas do seu tempo. Publicou o seu primeiro romance, Estrela d’Alva, com apenas 14 anos, na revista A Semana, de Camilo Castelo Branco, de quem se tornaria amigo íntimo. O seu pai morreu em 1852, deixando-lhe dívidas que o obrigaram a obter, desde jovem, rendimento da escrita. Tornou-se tradutor, folhetinista, cronista, colaborando em dezenas de periódicos: A Revolução de Setembro, Revista Universal Lisbonense, Diário de Notícias, Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, Revista Ocidental, Ilustração Portuguesa, Eco Literário, este último cofundado por si em 1886. Os seus textos eram simultaneamente populares e apreciados pelos pares, que lhe admiravam o humor, o estilo coloquial e ligeiro, a atenção aos temas do quotidiano. Publicou vários livros, nomeadamente Cláudio (1852), A Vida em Lisboa (1858), Contos ao Luar (1861), Cenas da minha Terra (1862) e Contos a Vapor (1863). Muitos dos seus folhetins e crónicas de viagem, entre os quais Do Chiado a Veneza, foram reunidos em volume. Em 1890, na sequência do suicídio do seu filho único, Júlio César Machado pôs termo à vida."
(Fonte: Wook)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
35€

09 novembro, 2025

MACHADO, Julio Cezar -
CLAUDIO, romance. Por...
Lisboa, [s.n.], [1852]. In-8.º (14,5x10 cm) de 112 p.  E.
1.ª edição.
Edição original deste curioso romance, "avançado" para a época. Trata-se da primeira obra do autor, escrita quando ainda adolescente, por certo com tiragem curtíssima.
"Escrito aos 16 anos, sob a influência de Balzac e das Memórias dum Doido, de Lopes de Mendonça. O protagonista, Cláudio de Mendonça, é um jovem cínico e cético que, depois de um primeiro desgosto amoroso, desposa sem amor Maria, uma jovem herdeira órfã e rica, para a lançar perversamente nos braços do seu amigo Luís, também ele dececionado com o amor." (Infopédia)
"N'um dos primeiros dias de Março de 1850, entrava no caffé suisso um rapaz de vinte a vinte e um anno, elegante, bello, e bem vstido, mas deixando perceber atravez de todo o luxo de que estava adornado um não sei que indisivel de desgraça, e de dôr; o seu rosto era pallido, os seus olhos d'uma expressão melancholica espargiam, de vez em quando, um olhar sinistro transpassado de desespero.
O moço chegou-se a elle e perguntou-lhe:
- Caffé?
A esta pergunta o rapaz ergueu os olhos para o creado, depois disse friamente:
- Genebra.
Em seguida sentou-se a uma mesa, tirou o chapeo, encostou a cabeça a uma das mãos, metteo os dedos por entre os cabellos castanhos, que lhe ondeavam em desordem, e disse com uma voz fraca e angustiada:
- Oh! foi isto o que eu quiz!"
(Excerto do Cap. I)
Júlio César da Costa Machado (Lisboa, 1835-1890). "Nasceu numa família de posses e conviveu desde cedo, pela mão do pai, no meio literário e teatral lisboeta. Foi jornalista, tradutor, autor de romances, contos e peças de teatro, destacando-se como um dos mais célebres folhetinistas e cronistas do seu tempo. Publicou o seu primeiro romance, Estrela d’Alva, com apenas 14 anos, na revista A Semana, de Camilo Castelo Branco, de quem se tornaria amigo íntimo. O seu pai morreu em 1852, deixando-lhe dívidas que o obrigaram a obter, desde jovem, rendimento da escrita. Tornou-se tradutor, folhetinista, cronista, colaborando em dezenas de periódicos: A Revolução de Setembro, Revista Universal Lisbonense, Diário de Notícias, Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, Revista Ocidental, Ilustração Portuguesa, Eco Literário, este último cofundado por si em 1886. Os seus textos eram simultaneamente populares e apreciados pelos pares, que lhe admiravam o humor, o estilo coloquial e ligeiro, a atenção aos temas do quotidiano. Publicou vários livros, nomeadamente Cláudio (1852), A Vida em Lisboa (1858), Contos ao Luar (1861), Cenas da minha Terra (1862) e Contos a Vapor (1863). Muitos dos seus folhetins e crónicas de viagem, entre os quais Do Chiado a Veneza, foram reunidos em volume. Em 1890, na sequência do suicídio do seu filho único, Júlio César Machado pôs termo à vida."
(Fonte: Wook)
Encadernação artística - de Augusto Ferin - inteira de pele com ferros gravados a negro e a ouro nas pastas e na lombada. Corte das folhas dourado. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. F. rosto apresenta duas assinaturas de posse, ao centro e à cabeça. Com vestígios de humidade no interior das pastas.
Muito raro.
Peça de colecção.
75€

07 fevereiro, 2024

MACHADO, Julio Cesar - DA LOUCURA E DAS MANIAS EM PORTUGAL : estudos humoristicos. Por... Segunda edição. Lisboa, Livraria de A. M. Pereira - Editor, 1872. In-8.º (18x12 cm) de IX, [1], 244, [2] p. ; E.
Incursão do autor no Hospital de Rilhafoles (desde 1911, Hospital Miguel Bombarda), em visita ao "mundo" da loucura humana, aproveitando a "deixa" para se satirizar, nos capítulos seguintes, as "manias" relacionadas com a superstição popular. Obra invulgar e muito curiosa.
"Propunha-se este livro a dois fins: chamar a attenção dos governos para esse hospital de Rilhafoles em que ninguem pensava; e chamar a attenção do publico - a parte sã, a parte com juiso de entre elle - para castigar, rindo, as superstições, que com o invadirem de mais o paiz tornam Portugal uma nação de enguiçados. [...]
No que respeita ás crendices, diz tudo o acolhimento que teve este livro, a alegria com que foi saudada a idéa de combater pelo ridiculo este reviver dos oraculos - embaraço maior na vida do que os que a vida naturalmente dá."
(Excerto do preâmbulo)
"Tudo é alegre, á entrada: flores e arvores. D'ali a nada, - da porta para dentro parece já que passou o outomno por cima da primavera d'aquelle jardim!... Apagam-se as côres, escurece o céo, ouve-se estalar a casca das arvores... Principiam as physionomias a transtornar-se; já os olhos não são outra cousa senão buracos luzidios; cavam-se as faces, parecem caretas os sorrisos, não teem os gestos significação, as feições são vagas, a fórma tem contornos indecisos; tudo são personalidades phantasticas, existencias ficticias; linguagem que não se entende: gente estranha, que dá idéa dos habitantes da lua!...
Alguns dançam, e cantam; e passa a tristeza n'aquella alegria, e transpõem-se effeitos de claro e escuro na musica e na voz d'elles, envolvendo-lhes a idéa como n'um crespusculo!... [...]
Ás vezes chega a parecer-nos que é natural tudo aquillo; que o ser como nós somos e portar-se como nos portamos - é ser afectado, é ser pedante... [...]
Ha ali, hoje, quinhentos e onze d'esses infelizes; duzentas e cincoenta e sete mulheres, duzentos e cincoenta e quatro homens; tres creanças idiotas. [...]
Os doentes entram ali por ordem da auctoridade publica, ou a requerimento de particular, - com attestado do medico, auto de investigação, e, se são pobres, certidão do parocho, - e ficam quinze dias em observação; findos elles, ou a doença não se verifica e são immediatamente despedidos, ou, verificada a alienação, colloca-se o doente na repartição que o director lhe destina, e segue o tratamento.
O tratamento! Isto é, - o estudo, a observação constante, as experiencias, mil tentativas, o diligenciar permanente de chamar á razão e ao sentimento das cousas aquelas pobres cabeças cançadas de sonhos, de lutas, de prazer ás vezes, de amarguras, de esperanças, de enganos!... Vêl-os como medico, como philosopho, e como  morralista, - unica maneira de poder assenhorear-se-lhes dos segredos."
(Excerto de Rillhafoles - I. Os doidos)
Indice dos capitulos:
I - Os doidos. II - As doidas. III - Os idiotas. IV - Os furioso. V - Telha. VI - Enguiços. VII - Agouros. VIII - Feitiços. IX - Encantos. X - Sonhos. XI - Sinas. XII - Coisa má. XIII - As mulheres de virtude.
Júlio César Machado (Lisboa, 1835-1890). "Foi um escritor português do século XIX. Jornalista, tradutor, autor de romances, contos e peças de teatro, um dos mais destacados da segunda metade do seu século. Salientou-se, sobretudo, como folhetinista e cronista. Escreveu biografias, comédias, contos, crónicas, dramas e romances. Trabalhou como folhetinista no Diário de Notícias e colaborou com alguns textos da sua autoria no Paquete do Tejo (1866-1867), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Renascença (1878-1879?), Ribaltas e Gambiarras (1881) e Lisboa creche: jornal miniatura (1884). Nas suas obras retratou a vida lisboeta, da sua época, de forma crítica e humorística. Foi iniciado na Maçonaria, entre 1853 e 1856 na Loja União Independente, do Grande Oriente Lusitano Unido, tendo como nome simbólico Balzac. Ironicamente, a sua vida, consagrada à escrita humorística do quotidiano, terminaria num ambiente de tragédia familiar. Dois meses depois do suicídio do filho único, Júlio da Costa Machado, no mesmo ano da morte do seu grande amigo Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado, não resistindo à dor provocada pelo suicídio do único filho, pôs termo à vida na sua casa, terceiro andar do número 2 da Travessa do Moreira ao Salitre, em Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação inteira de pele - executada nas oficinas do Estabelecimento Prisional de Coimbra - com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

10 junho, 2023

PINHEIRO, Raphael Bordallo - ALBUM DE CARICATURAS PHRASES E ANEXINS DA LINGUA PORTUGUEZA. Com um prefacio por Julio Cesar Machado. Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, 1876. Oblongo (24x31 cm) de 30 p. ; [13] estampas ; B.
1.ª edição.
Obra de referência bordaliana, publicada em Lisboa numa época em que o autor se encontrava no Brasil, em trabalho (1875-1879). - "A 19 de Agosto de 1875 parte para o Brasil onde trabalha nos jornais O Mosquito, Psit!!! e O Besouro e desfruta dos prazeres do Rio de Janeiro com os seus companheiros da "República das Laranjeiras". Do lado de lá do oceano Atlântico continua a enviar a sua colaboração para jornais e revistas, exemplo disso é o Álbum de Phrases e Anexins da Língua Portuguesa (1876) e o Almanaque da Senhora Angot (1876-77). As saudades da Pátria e as constantes ameaças contra a sua vida fazem-no regressar a Portugal, onde chega em Maio de 1879, para começar logo a trabalhar n'O António Maria (1879). Seguiu-se o Álbum das Glórias (1880), No Lazareto de Lisboa (1881), Pontos nos iis (1885) e, finalmente, A Paródia (1900)." (in http://www.caestamosnos.org/efemerides/034.htm)
Livro belissimamente ilustrado com 13 estampas separadas do texto (completo), protegidas por lamina de papel vegetal (com excepção de uma).
"Dizia elle, que a sua patria era a rua de S. José, n.º 47 (hoje 33); estamos felizmente n'um paiz em que isto se póde escrever para o publico sem receio que o senhorio do predio augmente a renda aos actuaes inquilinos para fazer valer a prenda gloriosa de haver nascido alli o talentoso artista. O predio continuará a valer o mesmo; talvez até o senhorio embirre de haver estado a fazer uma casa para lhe nascerem artistas n'ella! Mais valera malvas ás portas!...
Em todo o caso, que o senhorio estime, que não estime, que o predio fique valendo o mesmo, que valha mais, que valha menos, o certo é que Raphael Bordallo Pinheiro alli é que nasceu.
Seu pae, á força de desgostos adquiridos na vida artistica, em que o seu nome conseguiu todavia sobresair como o de um homem de merecimento e de bom caracter, não queria por nenhum modo que elle se dedicasse á mesma carreira, para a qual aliás o moço sentia irresistivel vocação.
- Ha de ser outra cousa!
- Que outra cousa, meu pae? Eu não sirvo senão para artista!
- Mas ser artista, aqui, não serve para cousa nenhuma!
- E então?
- E então, é preciso estudares, a ver se te faço advogado como teu avô, como teu tio..."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manusedo. Sem capas, preso por atilhos. Última estampa (13.ª) apresenta pequena falha de papel marginal, no canto inferior direito, sem afectação da mancha tipográfica. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse bordaliano.
50€

18 janeiro, 2023

MACHADO, Julio Cesar, e HOGAN, Alfredo - PRIMEIRO O DEVER! : comedia drama em tres actos.
Original por...
Lisboa, Typographia do Panorama, 1861. In-8.º (22,5 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro cuja acção decorre na "actualidade", em Lisboa. Trata-se de uma de duas comédias saída da colaboração entre os dois autores: além deste Primeiro o dever!, publicaram no mesmo ano A Vida em Lisboa : comedia drama em quatro actos.
"(Ao levantar o panno, o prior de Val de Vides entra pela esquerda trazendo um pequeno cofre aberto e cheio de cartas, que elle mexe. Claudio Borges, ao fundo, occultando-se logo que o prior apparece. Um criado a meia scena.)
Prior (folgazão) - Não ha decerto mais delicado encargo: analysar as cartas de um namorado, e dar sobre as almiscaradas epistolas um parecer serio?!... Eu nunca li obras d'este genero... sinto-me embaraçado, ao mesmo tempo curioso... Vamos: vou encerrar-me n'aquella sala e metter mãos á obra."
(Excerto do Acto I - Scena I)
Júlio César da Costa Machado (Lisboa, 1835-1890). "Nasceu numa família de posses e conviveu desde cedo, pela mão do pai, no meio literário e teatral lisboeta. Foi jornalista, tradutor, autor de romances, contos e peças de teatro, destacando-se como um dos mais célebres folhetinistas e cronistas do seu tempo. Publicou o seu primeiro romance, Estrela d’Alva, com apenas 14 anos, na revista A Semana, de Camilo Castelo Branco, de quem se tornaria amigo íntimo. O seu pai morreu em 1852, deixando-lhe dívidas que o obrigaram a obter, desde jovem, rendimento da escrita. Tornou-se tradutor, folhetinista, cronista, colaborando em dezenas de periódicos: A Revolução de Setembro, Revista Universal Lisbonense, Diário de Notícias, Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, Revista Ocidental, Ilustração Portuguesa, Eco Literário, este último cofundado por si em 1886. Os seus textos eram simultaneamente populares e apreciados pelos pares, que lhe admiravam o humor, o estilo coloquial e ligeiro, a atenção aos temas do quotidiano. Publicou vários livros, nomeadamente Cláudio (1952), A Vida em Lisboa (1958), Contos ao Luar (1861), Cenas da minha Terra (1862) e Contos a Vapor (1863). Muitos dos seus folhetins e crónicas de viagem, entre os quais Do Chiado a Veneza, foram reunidos em volume. Em 1890, na sequência do suicídio do seu filho único, Júlio César Machado pôs termo à vida."
(Fonte: Wook)
Alfredo Possolo Hogan (1830-1865). "Nasceu e faleceu em Lisboa. Funcionário dos correios, cultivou a literatura negra, tornando-se um romancista e um dramaturgo bastante popular em Lisboa. Nas suas obras notam-se influências de Eugène Sue e Alexandre Dumas. Escreveu vários romances históricos, como Marco Túlio ou o Agente dos Jesuítas (1853), Mistérios de Lisboa (romance em 4 volumes, 1851), Dois Angelos ou Um Casamento Forçado (romance em 2 volumes, 1851-1852), etc. Das peças de teatro, destacam-se: Os Dissipadores (1858), A Máscara Social (1861), Nem Tudo que Luz É Oiro (1861), A Vida em Lisboa (em parceria com Júlio César Machado, 1861), O Dia 1º de Dezembro de 1640 (1862), As Brasileiras; Segredos do Coração e O Colono. Foi-lhe atribuída a autoria do romance A Mão do Finado (1854), publicado anonimamente em Lisboa, pretendendo ser a continuação de O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas."
(Fonte: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/hogan.htm)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Rasgão (imperceptível) na capa sem perda de suporte. Lombada apresenta falhas de papel.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

01 junho, 2020

FERREIRA, Izidoro Sabino - MEMORIAS DO ACTOR IZIDORO. Escriptas por elle mesmo precedidas do retrato do auctor e de uma carta do Ex.ᵐᵒ Sr. F. Palha. Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, 1876. In-8.º (18,5 cm) de 172, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do actor Isidoro, um dos nomes mais marcantes do teatro nacional no século XIX. Terminadas em Novembro de 1875, as suas Memórias foram publicadas em 1876, pouco antes do seu falecimento.
Livro muito valorizado com o retrato do autor extratexto, dado que raramente acompanha a obra.
Contém um apontamento biográfico da autoria de Júlio César Machado transcrito de uma obra por ele publicada em 1859, e que merece alguns comentários de Isidoro ao longo do texto.
"É difficil escrever uma carta analysando o seu livro.
Eu não sou a Critica, louvado Deus; e que o fosse, não me parece que ella tenha muito que fazer com um trabalho despido de pretensões, fructo de algumas horas de ocio, recordações ao correr da penna d'alguns factos da sua vida de artista, quasi collecção de anecdotas contadas ao publico com a semcerimonia de quem esta habituado a tratal-o familiarmente.
Para mim teem essas paginas, além do merecimento de haverem sido escriptas por um actor portuguez, o de me avivarem a doce memoria dos saudosos tempos que não voltam! A todas estas seducções accresce a sympathia que me desperta sempre a coragem de qualquer tentativa n'este paiz de má lingua e das senhoras visinhas. Não me acoime de iberico por este beliscão dado na querida patria nossa."
(Excerto da Carta de Francisco Palha)
Isidoro Sabino Ferreira (1828-1876). Categorizado actor português da segunda metade do século XIX. Nasceu em Lisboa. De origens humildes, teve uma infância difícil. Ambicioso e trabalhador, subiu a pulso na carreira teatral, actuando nos principais palcos da capital. No início, a fim de contribuir para a economia doméstica, emprega-se como aprendiz de tecelão numa fábrica em Xabregas. "Mais tarde, a paixão de Isidoro pelo teatro e o seu talento mudaram a sua vida. Após uma breve passagem como figurante no Teatro Nacional, o tecelão iniciou a carreira como actor profissional no Teatro do Salitre, e integrado numa sociedade de actores, trocando definitivamente o tear pelo palco. Em 1863, é contratado pelo Teatro Nacional, chegando mesmo a ser classificado pelo Conselho Dramático como artista de primeira. Isidoro era um homem empreendedor, cheio de força, a par de um enorme talento, reconhecido pela crítica, pelo público e pelos seus pares, o que lhe valeria, em 1875, as insígnias de «cavaleiro da antiga, nobilíssima e esclarecida ordem de S. Tiago de mérito científico, literário e artístico». E não se pense que ele era apenas um grande ator cómico. Isidoro era capaz de ir do drama à alta comédia, passando pela farsa e pela tragédia, sempre com a mesma classe, aplaudido pela sua personalidade e não pelos seus bonitos olhos ou por ter um palminho de cara engraçado. Aliás, ele tinha dois grandes olhos num rosto de feições vulgares, mas pouco belas! Tinha, porém, a seu favor um ar jovial, risonho, patusco, que despertava empatias por onde passava." [Faleceu relativamente jovem, em 1876, pouco depois da publicação da presente obra.].
(Fonte: jornalaudiencia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa suja com defeitos, e pequeno restauro no canto superior direito.
Raro.
Indisponível

28 maio, 2019

PLACIDO, D. Anna Augusta - LUZ COADA POR FERROS. Escriptos originaes. Por... [Introdução de Júlio César Machado]. Lisboa, Livraria de A. M. Pereira, 1863. In-8.º (19 cm) de XV, [1], 210, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Edição original da primeira obra de Ana Plácido, mulher de Camilo Castelo Branco. Ilustrada com o retrato da autora em separado.
"Luz Coada por Ferros é o primeiro livro de Ana Augusta Plácido, com edição em 1863. É dedicado à sua irmã Maria José Plácido, que Ana tratou quando os pais morreram. A autora recorda a irmã com carinho, afirmando: «Foste a minha única amiga neste mundo: não conheci afeição mais verdadeira.» A obra está repleta de dor e amargura, ainda que com traços de coragem, representando o tempo em que Ana esteve presa. A maior parte dos textos que compõem a obra foi produzida na Cadeia da Relação do Porto."
(Fonte: http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/c_castelo_branco/luz_ferros.html)

"Grande parte d'estes escriptos nasceram na calamitosa época do carcere e do escarneo dos meus algozes, nunca saciados das torturas que me inflingiram."
(Excerto da dedicatória)
"O Porto é o eden aonde mais infloram os amores angelicos, candidos e infantis. Ninguem me desmentira, creio. Aqui, não chegou ainda o contagio d'essa peste malefica que lavra já na capital, como em todas as capitaes dos grandes reinos.
Se ha aqui peccadora, empolgada nas garras satanicas de paixão menos pura, ai d'ella! por que as pedradas chovem-lhe compactas, e á penitente nem tempo lhe dão de repetir uma historia passada entre Jesus e os apredejadores d'uma mulher, em Judea.
Estamos pois na cidade da Virgem.
É nesta divina padroeira que as mães descançam o cuidado de guardar intactos d'um desejo ou pensamento equivoco, os corações virginaes das filhas, muito além dos vinte e cinco annos, até que o marido predestinado lhes calque aos pés o gracioso e puro emblema da innocencia."
(Excerto de Adelina)
Indice:
Introdução. - Adelina. - Meditações (I; II; III; IV; V; VI; VII). - O amor. - Recordação. - Porphecia no leito de morte. - Martyrios obscuros. - Impressões indeleveis. - Ás portas da eternidade. - A Julio Cesar Machado.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

29 setembro, 2017

BASTOS, Leite - PROSAS ALEGRES. Precedidas da apreciação litteraria do auctor por Julio Cesar Machado e Gervasio Lobato. Lisboa, Typographia da Bibliotheca Horas de Leitura, 1883. In-8.º (19cm) de 253, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Miscelânea de vários assuntos: um conjunto de pequenas crónicas, histórias de cariz pessoal e dois contos históricos. Obra rara, talvez a mais invulgar da bibliografia do autor, que pela sua estrutura e composição, a diferencia de tudo o que Leite Bastos havia publicado até então, ou viria a publicar.
"Dando ao prelo alguns dos mais chistosos folhetins d'este escriptor extraordinario, para o qual nenhuma fórma litteraria é desconhecida, desde o romance emaranhado e phantastico, ao estudo detido do natural, com todos os processos de observação e rigor de realismo impressionista, pômos em evidencia mais uma das qualidades d'essa individualidade caracteristica e singular, cujos poderosos dotes de engenho são geralmente conhecidos e apreciados pelos homens de letras mais notaveis."
(excerto da apresentação do editor)
"Era de poucas fallas, afeito ao tempo, rijo, secco, destemido; de physionomia tempestuosa, olhar curiscante.
Não se ria nunca. Nem era para graças. Sorria apenas em raras occasiões mas cada um d'esses sorrisos era como pronuncio de aguaceiro certo.
Havia uma só coisa capaz de o empalidecer  deveras: - o malsim da casinha! - duas que o obrigavam a decobrir-se: - quando passava Nosso-Pae ou quando lhe davam a gorgeta.
Esta geração de agora, calça por outro sapateiro, e já não tem pernas para aquellas botas collosaes, que elle usava no mais perfeito accordo com duas enormes esporas, cujas rosetas formidaveis seriam capazes de rasgar o ventre a uma baleia."
(excerto de O antigo boleeiro)
Índice:
O Auctor [apresentação do editor, Gervásio Lobato e Julio César Machado]. ǀ Horas Aziagas. ǀ Só duas palavras. ǀ Um caso de consciencia. ǀ O Homem das meias de seda. ǀ O menino entre os doutores. Scenas da emigração. I - Á Procura de Fortuna; II - A carta do Brazil. ǀ Dois Santinhos da côrte do céo. ǀ O actor Alvaro. ǀ Primeiros amores do Marquez de Pombal. Operarios do mal (Excerto de um inedito). I - Ratos de Sachristia; II - Politica de agua benta. ǀ A curiosidade dramatica. ǀ Abnegação de mãe. ǀ Rapaziadas do seculo XIX. ǀ O antigo bolieiro. ǀ O comparsa.
Francisco Leite Bastos (1841-1886). “Jornalista, autor de contos e romances policiais, dramas e comédias, nascido a 17 de setembro de 1841, em Lisboa, e falecido a 5 de dezembro de 1886, na mesma cidade. Gozou, no seu tempo, de um relativo êxito popular. Colaborou no Diário de Notícias e em vários jornais literários. Deu sequência ao Rocambole, de Ponson du Terrail, em Maravilhas do Homem Pardo. Toda a sua obra jornalística e literária se pauta pela crítica de costumes.”
(fonte: infopédia)
Belíssima encadernação em meia de pele com cantos, e dourados gravados nas pastas e na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Indisponível

04 fevereiro, 2017

PALMELLA, José - A ARISTOCRACIA DO GENIO E DA BELLEZA FEMINIL NA ANTIGUIDADE. Por... precedido de um juizo critico de Julio Cezar Machado. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1871. In-8.º (20,5cm) de XXVII, [1], 174, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original desta obra que alcançou grande sucesso literário e de vendas na época, tendo sido publicadas pelo menos cinco edições até 1876. Trata-se de um estudo comportamental da Mulher baseado no exemplo de conhecidas representantes do «belo sexo» da antiguidade clássica.
"A mulher, esta perola mimosa da creação, lançada dos labios de Deos no paraizo terreal para fazer entrever ao homem a belleza das divindades celestes; a mulher, esta rosa mysteriosa escapada do formoso seio dos anjos para vir perfumar a vida dos mortaes, tem sido e ha de ser perpetuamente o sonho doirado da mocidade, a etherea inspiração do poeta, a gloria azul do genio, a immortalidade dos heroes.
Sem ella nada de augusto e grande se póde elevar da terra ao céo.
Sua benefica influencia manifesta-se através de todas as regiões sociaes como os raios d'um esplendoroso sol se fazem sentir através da mais luxuosa e superabundante vegetação da zona tropical.
Ella é o iris da bonança, no meio d'este oceano encapellado da vida; raio purpurino resvalando num céo azul.
Sem ella, o que seria do homem? Quereis ouvir a resposta?"
(excerto de A Mulher)
Indice:
- Introducção, por Julio Cezar Machado. - Ao leitor. - A mulher. - Semiramis. - Sapho. - Corinna. - Aspasia. - Prhyné. - Cleopatra. - Hypathia de Alexandria.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas e lombada frágeis, com defeitos. Falha de papel no canto inferior dto da capa.
Raro.
20€

01 abril, 2015

ALMANACH DAS DAMAS. Para o anno de 1856 (bissexto.). Dedicado aos assignantes do Mensageiro das Damas. Lisboa, Typographia de Luiz Correa da Cunha, 1855. In-8º (16,5cm) de 128 p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com 3 belíssimas gravuras intercaladas no texto.
Primeiro, e único número publicado deste curioso Almanaque dedicado às senhoras.
"Escrever um Almanach para as Damas é tarefa maior do que a primeira vista se julga; todos sabem os caprichos de que as Damas em geral são dotadas, e ninguem ignora por consequencia a difficuldade de agradar a todas. A grande questão não está só em colleccionar artigos variados e interessantes, é necessario sobre tudo ter em vista o agradar ás Damas, e ahi é que está a grande difficuldade a vencer! Que escreveremos? de que lhes fallaremos?..."
(excerto da apresentação, A quem ler)
"Engulir a columna de Vendôme, ou metter na algibeira do collete a estatua de D. José I, considero eu como cousas menos difficeis do que escrever uma introducção para um Almanach. Ah! folhinhas, inemitaveis folhinhas de porta e d'algibeira, vós ao menos conservaveisvos na dignidade de um bom kalendario - não misturaveis com as festas annuaes, quaesquer versos á candêa. Hoje um Almanach é um livro pretensioso, a conhecer-se-lhe vaidade em tudo, cheio de enfeites litterarios que é um louvar a Deos, e tendo muito de tudo que se póde dispensar, e muito pouco do que se torna preciso. Uma folhinha era uma folhinha, et puis voilá tout."
(excerto da introdução de Júlio César Machado)
"As mulheres são bonitas quando amam, - quando riem, - quando choram, - quando soffrem, - quando dormem, - quando são aduladas, - quando triumpham de outra, - quando vão em caleche, - quando estão no theatro, - quando usam de botinhas, - quando dançam, - e quando namoram.
São feias quando não amam, - quando comem, - quando são zelosas, - quando sahem do banho, - quando cantam, - quando se penteam, - quando se riem muito, - quando se casam, - quando lêem novellas, - quando querem ter espirito, - quando são vaidosas, - quando fallam em politica, - quando são invejosas, - quando usam de calças, - quando estão á janella um dia todo, - e em fim quando são velhas."
(Bonitas e Feias, pp. 99)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado. Capas frágeis, com defeitos. Observam-se manchas de acidez nas páginas ao longo do livro.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

12 novembro, 2014

PLACIDO, D. Anna Augusta - LUZ COADA POR FERROS : escriptos originaes. Por... 2.ª edição. [Introdução de Júlio César Machado]. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, Livraria-Editora, 1904. In-8.º de 206 [2] p. ; E. Colecção Antonio Maria Pereira, 50
Obra que reúne um conjunto de reflexões de Ana Plácido.
"Luz Coada por Ferros é o primeiro livro de Ana Augusta Plácido, com primeira edição em 1863. É dedicado à sua irmã Maria José Plácido, que Ana tratou quando os pais morreram. A autora recorda a irmã com carinho, afirmando: «Foste a minha única amiga neste mundo: não conheci afeição mais verdadeira.» A obra está repleta de dor e amargura, ainda que com traços de coragem, representando o tempo em que Ana esteve presa. A maior parte dos textos que compõem a obra foi produzida na Cadeia da Relação do Porto."
(Fonte: Dicionário de Camilo Castelo Branco, de Alexandre Cabral, 1988)
"Não sabe talvez a auctora d'este livro, que estamos n'um paiz em que a primeira coisa que uma senhora de talento tem que fazer-se perdoar, é o seu talento mesmo. É tão commodo dispensar-se uma pessoa de ter espirito, que os semsaborões nacionaes formaram uma seita para castigar os que o teem; estre os homens a fórma de punir o talento é desvial-o dos destinos publicos, não lhe recompensar o heroismo da lucta, e, depois de o desdenhar, calumnial-o um dia; entre as senhoras o que se uza, é espalhar o boato de que a sua superioridade não as deixa attender a mais do que ao egoismo e á vaidade, sem consentir nunca que as domine a vehemencia de sentimentos, que formão o condão e a sorte da mulher."
(excerto da introdução)
Índice:
- [Dedicatória - Á memoria de minha irmã, D. Maria José Placido]. - Introducção. - Adelina. - Meditações (I; II; III; IV; V; VI; VII). - O amor! - Recordação. - Prophecia no leito da morte. - Martyrios obscuros. - Impressões indeleveis. - Ás portas da eternidade. - A Julio Cesar Machado.
Ana Augusta Plácido (1832-1895). Escritora portuguesa, mulher de Camilo Castelo Branco. "Com dezanove anos casou-se com o capitalista brasileiro Manuel Pinheiro Alves, de quarenta e três anos.
Em 1856 iniciou um relacionamento amoroso com Camilo Castelo Branco. Após queixa do marido contra a mulher e o amante, Ana Plácido é presa em 6 de Junho de 1860, e Camilo foge à justiça durante algum tempo, mas acaba por entregar-se em Outubro. Ficam detidos na Cadeia da Relação, no Porto.
Depois de absolvidos do crime de adultério em 16 de Outubro de 1861, Camilo e Ana Plácido passam a viver juntos. Dessa relação resultaram três filhos (embora o primeiro seja oficialmente filho do primeiro marido de Ana). Com a morte do primeiro marido em 1863, a herança passa para o primeiro filho do casal, sendo Ana a administradora dos bens. Passam a viver na propriedade do primeiro marido em São Miguel de Seide. Em 9 de Março de 1888 finalmente casam-se. Colaborou em diversas publicações, fez traduções, ajudou Camilo em alguns textos e dedicou-se, também, à poesia. No decurso da sua carreira literária assinou alguns trabalhos sob pseudónimo, os mais conhecidos: Gastão Vidal de Negreiros e Lopo de Souza." Publicou Luz Coada por Ferros (1863), 2.ª edição em 1904, e Herança de Lágrimas (1871), com o pseudónimo Lopo de Souza.
(Fonte: http://emprestimoexposicoescasadecamilo.wordpress.com)
Encadernação editorial inteira de percalina com título, autor e motivos florais gravados a seco e a negro nas capas.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse camiliano.
Indisponível