Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Brasileira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Brasileira. Mostrar todas as mensagens

18 maio, 2025

FREITAS, José Antonio de - ESTUDOS CRITICOS SOBRE A LITTERATURA DO BRAZIL. Por... subdito brazileiro. Habilitado com o curso theorico de artilheria pela Escóla Polytechnica de Lisboa e com o Curso Superior de Lettras. I. O LYRISMO BRAZILEIRO. Lisboa, Typographia das Horas Romanticas, 1877. In-8.º (19 cm) de 142, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio oitocentista sobre a literatura brasileira.
"Lançámos mão de um problema secundario, de uma fórma da litteratura brazileira, e pelo estudo das origens, que a produziram, propomo-nos reconstruir o genio do povo do Brazil, suas tendencias historicas e a base critica para a disciplina de seus talentos. [...]
De feito, ha muitos annos que se manifesta no Brazil uma vida litteraria verdadeiramente notavel. Enxameiam os poetas de elevado mrecimento; succedem-se as publicações com grande applauso e contentamento do povo, de modo que não só existem escriptores distinctos e eminentes, como os Gonçalves Dias, os Porto Alegre, os Magalhães e os Alencar, mas tambem existe um publico, que os anima, protege e auxilia."
(Excerto da introdução - Ao leitor)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Etiqueta de biblioteca na lombada. Carimbo de biblioteca nas primeiras quatro páginas do livro, incluindo as f. rosto e anterrosto.
Muito invulgar.
20€

18 dezembro, 2024

FILHO, Teutonio -
M.ᴹᴱ BIFTECK-PAFF : romance
. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1914. In-8.º (18,5x11,5 cm) de 211, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original deste pouco conhecido trabalho de Teotónio Filho, autor "maldito" brasileiro, conhecido pelas suas obras controversas e reacionárias, indispôs a elite brasileira da época.
Raro. Obra inicialmente publicada em Portugal, a BNP não menciona.
"- Mariazeta!
No cáes, em pleno dia, sob um sol que faiscava contra as vidraças das carruagens, Flavio empolgou num abraço a delgada cretaura que noutras épocas fôra a sua irmã mui bem querida, o pequeno anjo dos seus dias d'infancia morta. E agora, nesse amplexo doce, nesse retorno de vida passada, ele punha toda a volta d'uma esplendida, antiquissima ternura.
- Mariazeta! Mariazeta!
- Flavio!
Ela parecia comovida. Ele julgou descobrir-lhe uma lagrima figidia e rompeu o silencio, perguntando:
- Esperaste muito?
- Dez minutos. Bôa viagem?
- Os nove dias de Lisbôa aqui, foram agradaveis... De Cherburgo a Lisboa, não... O mar, por taes bandas é violento - oh! nem imaginas...
Desviaram a vista para o oceano - ele, com expressão de fadiga terminada - ela, com expressão de desejo e de amor pelo horizonte misterioso. O porto interno estava pouco movimentado. Junto aos recifes vapores de carga sopezavam mercadorias d'alvarengas enormes. Lá fóra, na Lamarão, o transatlantico balançava-se ás vagas da maré alta."
(Excerto do Cap. I)
Theotônio de Lacerda Freire Filho, ou Theo Filho, (1895-1973). "Foi um dos escritores mais lidos no Brasil nos anos 20 do século passado. Descreveu a boémia parisiense e carioca, e os vícios da elite brasileira. Cônsul brasileiro em França, correspondente internacional, jornalista, poeta, dramaturgo e comediógrafo. Romancista "pré-modernista" e "maldito"."
(Fonte: https://www.skoob.com.br/autor/1272-theo-filho)
"Theotonio Filho publicou três títulos em casas editoriais portuguesas. A Tragédia dos Contrastes apareceu em 1911, por Guimarães & C., de Lisboa. Seu primeiro romance, todavia, parece que foi mal recebido por uma parte do público brasileiro. Em 1912 [1914] Mme. Bifteck-Paff foi lançado pelo mesmo editor. Esse romance, escrito em Aix, no ano anterior, mas ambientado no Recife e na praia de Olinda, desenvolvia o tema da traição, observado ora pela lógica da mulher adúltera, ora pela lógica do canalha que a passou para trás. Finalmente, Bruno Ragaz, anarquista surgiu, em 1913, em edição de Magalhães & Moniz Editores, do Porto."
(Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp056898.pdf)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Miolo correcto. Apresenta mancha na f. rosto.
Raro.
35€

19 janeiro, 2024

RIO, João do
(Paulo Barreto) -
AS RELIGIÕES DO RIO. Rio-de-Janeiro : Paris, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1906. In-8.º (18,5x12 cm) de [10], 245, [1] p. ; 24, [2] p. Cat. Liv. Garnier ; B.
Trabalho pioneiro. Importante contributo para o estudo da feitiçaria, satanismo, do sobrenatural e das seitas religiosas no Brasil, e em particular no Rio de Janeiro. Em 1904 o jornalista João Paulo Barreto, que ficou mais conhecido como João do Rio, escreveu para o jornal carioca Gazeta de Notícias uma série de reportagens sobre as diversas manifestações religiosas que eram praticadas no Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi publicado em livro, com curta tiragem, hoje muito raro. Em 1906 seguiu-se a presente edição, também ela rara. "Foi considerado um livro polémico, adorado por alguns e esconjurado por outros, por o considerarem irónico e preconceituoso".
Ilustrado no texto com "escalas" das Intonações, do Karma, da Fisiolatria, e lista de nomes esotéricos com as respectivas construções nominais.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao conhecido escritor e cronista português Albino Forjaz de Sampaio (1884-1949).
"A religião? Um mysterioso sentimento, mixto de terror e de esperança, a symbolisação lugubre ou alegre de um poder que não temos e almejamos ter, o desconhecido avassallador, o equivoco, o medo, a perversidade..
O Rio, como todas as cidades nestes tempos de irreverência, tem em cada rua um templo e em cada homem uma crença diversa.
Ao ler os grandes diários, imagina a gente que está ríum paiz essencialmente catholico, onde alguns mathematicos são positivistas. Entretanto, a cidade pullula de religiões. Basta parar em qualquer esquina, interrogar. A diversidade dos cultos espantar-vos-á. São swendeborgeanos, pagãos litterarios, phgsiolatras, defensores de dogmas exóticos, auctores de reformas da Vida, reveladores do Futuro, amantes do Diabo, bebedores de sangue, descendentes da rainha de Sabá, judeus, schismaticos, espiritas, babalãos de Lagos, mulheres que respeitam o oceano, todos os cultos, todas as crenças, todas as forças do Susto. Quem atravez a calma do semblante lhes adivinhará as tragédias da alma? Quem no seu andar tranquillo de homens sem paixões irá descobrir os reveladores de ritos novos, os mágicos, os nevropathas, os delirantes, os possuidos de Satanaz, os mystagogos da Morte, do Mar e do Arco-íris? Quem poderá perceber, ao conversar com estas creaturas, a lucta fratricida por causa da interpretação da Bíblia, a lucta que faz mil religiões á espera de Jesus, cuja reapparição está marcada para qualquer destes dias, e á espera do Anti-Christo, que talvez ande por ahi? Quem imaginará cavalheiros distinctos em intimidade comas almas desencarnadas, quem desvendará a conversa com os anjos nas chombergas fétidas.
Elles vão por ahi, papas, prophetas, crentes e reveladores, orgulhosos cada um do seu culto, o uniço que é a Verdade. Falai-lhes boamente, sem a tenção de aggredil-os, e elles se confessarão, - porque só numa cousa é impossível ao homem: enganar o seu semelhante, na fé.
Foi o que fiz na reportagem a que a «Gazeta de Noticias»| emprestou uma tão larga hospitalidade e um tão grande rindo; foi este o meu esforço: levantar um pouco o mysterio das crenças nesta cidade."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | No Mundo dos Feitiços: - Os Feiticeiros; - «As Iauõ»; - O Feitiço; - A Casa das Almas; - Os novos feitiços de Sanin; - A Egreja Positivista; - Os Maronitas; - Os Physiolatras. | O Movimento Evagelico: - A Igreja Fluminense; - A Igreja Presbyteriana; - A Igreja Methodista; - Os Baptistas; - A. A. C. M.; - Irmãos e Adventistas. | O Satanismo: - Satanistas; - Á Missa Negra; - Os Exorcismos; - As Sacerdotizas do Futuro; - A Nova Jerusalém; - O Culto do Mar. | O Espiritismo: - Entre os Sinceros; - Os Exploradores; - As Synagogas.
João do Rio (pseud. de Paulo Barreto - João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto) (1881-1921). "Jornalista, cronista, contista e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de agosto de 1881, e faleceu na mesma cidade em 23 de junho de 1921. Fez os estudos elementares e de humanidades com o pai. Aos 16 anos, ingressou na imprensa, notabilizando-se como o primeiro jornalista brasileiro a ter o senso da reportagem moderna, entre as quais se tornaram célebres “As religiões no Rio” e o inquérito “O momento literário”, ambas reunidas depois em livros ainda hoje de leitura proveitosa, constituindo o segundo excelente fonte de informações acerca do movimento literário do final do século XIX no Brasil.
Nos diversos jornais em que trabalhou, granjeou enorme popularidade, sagrando-se como o maior jornalista de seu tempo. Usou vários pseudônimos, além de João do Rio, destacando-se: Claude, Caran d’Ache, Joe, José Antônio José. Como homem de letras, deixou obras de valor, sobretudo como cronista. Foi o criador da crônica social moderna. Como teatrólogo, teve grande êxito a sua peça A bela madame Vargas, representada pela primeira vez em 22 de outubro de 1912, no Teatro Municipal.
Ao falecer, era diretor do diário A Pátria, dedicado aos interesses da colônia portuguesa, que fundara em 1920. No seu último “Bilhete” (seção diária que mantinha naquele jornal), escreveu: “Eu apostaria a minha vida (dois anos ainda, se houver muito cuidado, segundo o Rocha Vaz, o Austregésilo, o Guilherme Moura Costa e outras sumidades)...” Seu prognóstico ainda era otimista, pois não lhe restavam mais que algumas horas quando escreveu aquelas palavras.  Falecido dentro de um táxi, deu corpo ficou na redação de A Pátria, exposto à visitação pública. Seu enterro, dos maiores da história carioca, realizou-se com cortejo de cerca de cem mil pessoas. Na Academia Brasileira de Letras, que então ficava no Silogeu Brasileiro, na praia da Lapa, disse-lhe o discurso de adeus Carlos de Laet.
Segundo ocupante da cadeira 26, foi eleito em 7 de maio de 1910, na sucessão de Guimarães Passos, e recebido pelo acadêmico Coelho Neto em 12 de agosto de 1910. Recebeu o acadêmico Luís Guimarães Filho."
(Fonte: https://www.academia.org.br/academicos/paulo-barreto-pseudonimo-joao-do-rio/biografia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
85€

15 junho, 2023

ALMEIDA, Julia Lopes d' - A VIUVA SIMÕES
. Lisboa, Antonio Maria Pereira - Editor, 1897. In-8.º (16,5 cm) de 210, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de costumes brasileiro cuja acção decorre no Rio de Janeiro. Originalmente saído dos prelos em livro pela mão do editor António Maria Pereira (Lisboa), foi anteriormente publicado como folhetim na Gazeta de Notícias (Rio, 1895). A obra da autora - Júlia Lopes de Almeida - insere-se na corrente literária do Realismo/Naturalismo, e foi "reconhecida pelos críticos coetâneos como a primeira romancista brasileira, uma profissional das letras".
"Em uma de suas obras mais relevantes, A viúva Simões, Júlia Lopes de Almeida enfatiza as prescrições às mulheres brasileiras, o que se dá pela representação de uma viúva e o ressurgir de uma paixão há tempos esquecida. Telles (2008) resume a narrativa dizendo que:
[...] temos mãe e filha da alta burguesia apaixonadas pelo mesmo homem.
No conflito, a mãe experiente e conhecedora das artes da sedução e a filha
inocente e ingênua, as duas enlouquecem e permanecem encarceradas nos
anseios e culpas de uma vida sem nenhuma perspectiva, a não ser a regra
social do casamento
(Telles, 2008, p. 438).
Conforme a estudiosa destaca, a transgressão da personagem acaba punida, revelando, portanto, o destino daquelas que ousavam transgredir os papéis impostos socialmente."
(Fonte: Guimarães, Cinara Leite - O espaço ficcional em narrativas de Júlia Lopes de Almeida: A viúva Simões e a Falência, João Pessoa, 2015)
"Apesar de moça e de rica, a viuva Simões raras vezes sahia; dedicava-se absolutamente á sua casa, um bonito chalet em Santa Thereza. Vivia sempre alli, inquirindo, analysando tudo n'um exame fixo, demorado, paciente, que exasperava os seus cinco criados: a Benedicta, cosinheira preta, ex-escrava da familia; o Augusto, copeiro, francez, habituado a servir só gente de luxo; a lavadeira Anna, allemã, de roasto largo e olhos deslavados; o jardineiro João, portuguez, homem já antigo no serviço, e uma mulatinha de quinze annos, cria de casa, a Simplicia, magra, baixa, com um focinho de fuinha e olhos pequenos, perspicazes e terriveis.
Não era facil dirigir pessoal tão differente em raças e em educação. A viuva, modesta, e um pouco indolente para os deveres exteriores, consumia alli, dentro das suas paredes, toda a sua actividade.
Em vida do marido frequentara algum tanto a sociedade; mas depois que elle partiu sósinho para o outro mundo, ella encolheu-se com medo que se discutisse lá fóra a sua reputação, cousa em que pensava n'uma obsessão quasi nevrotica.
Adquirira fama de menagère exemplar; e então levava o escrupulo a um ponto elevadissimo, para não desmerecer nunca do conceito de boa dona de casa."
(Excerto do Cap. I)
Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). "Nasceu no Rio de Janeiro, a 24 de setembro de 1862, numa família de abastados imigrantes portugueses. Importante escritora, ativista pelo abolicionismo e cronista brasileira, teve uma educação liberal e esmerada. Em 1886, mudou-se para Lisboa e, no ano seguinte, já casada com o poeta português e diretor da revista A Semana Ilustrada Filinto Almeida, publicou o seu primeiro livro de contos, Traços e Iluminuras. Colaborou intensamente com diversas publicações periódicas sobre temas políticos e sociais, como a abolição da escravatura e os direitos civis, e, depois do seu regresso ao Brasil, para São Paulo, em 1889, publicou o seu primeiro romance, Memórias de Marta. Ao longo dos seguintes, Júlia Lopes de Almeida publicará alguns dos seus mais conhecidos romances, entre eles, A Falência. Nos primeiros anos do início do século, o casal mudou-se para uma casa no Rio de Janeiro, conhecida como Salão Verde, um espaço frequentado por intelectuais cujas conhecidas tertúlias eram organizadas e dirigidas por Júlia. Apesar de ter sido uma das impulsionadoras da criação da Academia de Letras Brasileira, viu, por ser mulher, o seu nome preterido da lista de membros-fundadores, em favor do marido. Em 1925, a família cruza novamente o Atlântico para se fixar em Paris. De regresso ao Brasil, Maria Júlia Lopes de Almeida, um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, morre na sua cidade-natal, vítima de malária, a 30 de maio de 1934."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeníssima falha de papel no pé.
Muito raro.
75€

14 março, 2023

SCHMIDT, Affonso - ZANZALÁS.
[Uma novela de tempos futuros]
. São Paulo, Edição «Spes», 1938. In-8.º (19 cm) de 143, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance, obra de referência da ficção científica brasileira, antes publicado parcialmente (1928) e em forma de folhetim (1936), sendo muito invulgar esta primeira edição em livro.
"Dentre muitas peças resgatadas do passado para a memória da ficção científica brasileira, Zanzalá, do importante jornalista, romancista e poeta Afonso Schmidt (1890/1964), é uma das que se destacam. Não tanto por sua qualidade nos protocolos do gênero, mas por seu pioneirismo histórico e por suas virtudes literárias.
Foi publicada completa pela primeira vez em 1936 no "Suplemento Literário" de O Estado de S. Paulo, mas sua estreia aconteceu de fato em 28 de fevereiro de 1928, na forma de um pequeno conto publicado no mesmo jornal, que veio a compor o primeiro capítulo da obra. Zanzalá somente foi publicada em livro em 1938, pela Editora Spes."
(Fonte: http://almanaqueafb.blogspot.com/2015/02/zanzala-afonso-schmidt.html)
"Zanzalá é um livro de ficção científica anticolonial escrito pelo autor cubatense Afonso Schmidt em 1928. Trata-se de um exemplo dos primórdios da ficção científica brasileira. Já recebeu homenagens tais como o nome da região de Zanzalá em São Bernardo do Campo, o grupo Coral Zanzalá e a Revista Zanzalá de ficção científica brasileira. O nome Zanzalá significa "flor de Deus" em árabe (زَهْرَة الله, ou zahra Allah).
O livro se passa na região da Serra do Mar, em direção ao litoral: uma cidade fictícia e hipertecnológica chamada Zanzalá. O mundo foi completamente destruído pela segunda guerra mundial, e a cidade de Zanzalá acaba sendo refúgio para a população de vários locais do mundo. O autor retrata a população da cidade como sendo extremamente culta, dada às ciências e à arte, com um grande investimento público nessas áreas; contava com diversos curadores musicais e cientistas. Eram também elevados moralmente, de maneira que não reconheciam o uso da guerra e da violência.
A história acompanha a vida de Zéfiro e Tuca, um casal de namorados que vive na cidade. Tuca recebe a notícia dos médicos de que irá morrer em breve. Os dois então se juntam para tentar encontrar algum meio de reverter esse destino, recorrendo tanto à recursos científicos quanto religiosos e espirituais."
(Fonte: Wikipédia)
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a António Ferro (1895-1956), conhecido escritor e jornalista português, grande dinamizador da política cultural do Estado Novo.
"Como será a existencia daqui a cem annos? A julgar pelo que ella foi ha um seculo, deverá ser muito differente. Pode-se tambem levar em conta que a evolução daqui para a frente se operará com maior rapidez do que do passado até nossos dias. Ha factores que representam um grande papel: o encurtamento das distancias, o progresso inacreditavel da sciencia, a tendencia que se accentúa cada vez mais para a simplificação da vida.
Se fossemos a observar apenas os primeiros factores, poderiamos prever para 2040, por exemplo, uma human idade inteiramente absorvida pela machina, completamente dominada pelas forças subtis da natureza que sempre procurámos escravisar, e que acabariam escravisando-nos. [...]
Escrevi estas paginas pensando no bom sorriso dos meus collegas de amanhan; deve ser o mesmo que eu esboço ao ler os meus collegas do passado. Felizmente para mim e para elles esta novella ficará perdida no mar das novellas que tiveram a ventura de não sobreviver á sua epoca."
(Excerto do preâmbulo)
"Se um cidadão de 1940 resuscitasse hoje do esquecido cemiterio do Saboó, onde os antigos santistas enterravam os seus mortos, e fizesse o trecho de estrada que vai ter á raiz da serra de Paranapiacaba, ser-lhe-ia bem difficil reconhecer o scenario que, certamente, lhe foi familiar naquelles priscos temos. [...]
O Zangalás hoje é um immenso funil; o lado esquerdo (de quem sobe) começa logo depois do Cubatão, num outeiro que se liga a morros e morros até perder-se na muralha sempre azulescente da serra; o outro lado começa em Piassaguera e logo se apruma em desfiladeiros cortados pelas duas grandes avenidas a que alludimos. A parte central é constituida por uma planicie trianguilar que, espremida entre montanhas vai afinando e subindo á proporção que penetra pela serra dentro. Esse valle, ha cem annos, era coberto de bananaes. Quando o Zanzalás chega - sempre num leve aclive - ao alto da serra, já não passa dum simples vallo com o seu fio de agua no centro, sobre o qual florecem em todas as estações os ultimos  lyrios do brejo. Mas quem dalli olha para baixo vê duas muralhas fugirem uma de cada lado, deixando no meio aquella planicie azul na qual caberia uma série de cidades.
Ao centro, ergue-se uma pyramide verde, com uma gotta de luz no tope.
Esse monumento, que se acha mais ou menos em frente ao segundo patamar da serra, tem a sua historia. Muitos pensarão que elle foi construido inteiramente pela mão do homem, como os do Egypto. É um engano. Já existia mais ou menos assim, em outros tempos; era um morro como os demais que os viajantes viam da janella do trem de ferro. De uma pyramide apresentava apenas as linhas principaes e o resto era corrigido pela fantasia dos observadores. Foi para commemorar o anno 2.000 que os santistas levaram a effeito a idéa de transformal-o, de facto, numa pyramide."
(Excerto do Cap. I - No seculo da simplicidade)
Affonso Schmidt (Cubatão, 1890 - São Paulo, 1964). "Foi um jornalista, contista, romancista, dramaturgo e ativista anarquista brasileiro. Em Cubatão fundou o jornal Vésper, e na cidade de São Paulo fez parte da redação dos importantes periódicos libertários, A Plebe e A Lanterna, ao lado de figuras lendárias do movimento anarquista brasileiro como Edgard Leuenroth e Oreste Ristori. Ocupou ainda posições na redação dos jornais Folha e O Estado de São Paulo. Na cidade do Rio de Janeiro, fundou o jornal Voz do Povo, que a seu tempo tornou-se o órgão de imprensa da Federação Operária. Foi diversas vezes preso por expressar o que pensava. Ganhou destaque também pelas diversas campanhas que realizou contra o fascismo e o clericalismo, através de panfletos ou de livros, peças teatrais e artigos de jornais. Escrevendo intensamente por toda sua vida, foi autor de uma vasta obra poética e literária reunida em mais de quarenta livros. Envereda por crônicas históricas, e fantasia, sendo também um pioneiro da ficção científica no Brasil."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado, com uma ou outra mancha nas capas.
Invulgar.
Indisponível

12 abril, 2022

PALMA-FERREIRA, João - ACADEMIAS LITERÁRIAS DOS SÉCULOS XVII E XVIII.
Ministério da Cultura e Coordenação Científica : Secretaria de Estado da Cultura
. Lisboa, Biblioteca Nacional, 1982. In-4.º (23,5 cm) de 60, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio histórico sobre o academismo.
"A notícia acerca das primitivas Academias, intimamente ligas ao passado remoto e mítico, estão amplamente divulgadas.
A palavra «academia» é muito velha. Deriva de Ekademos ou Akademos, o homem que revelou aos perseguidores de Helena e de Teseu o local onde a heroína se escondia, um jardim das cercanias de Atenas que Akademos legou ao povo. [...]
"Mais modernamente passou a entender-se por Academia uma instituição que não se destina ao ensino sistematizado de todas as ciências, mas apenas de uma ou de várias ou que - o que é mais comum - se aplica a estudos artísticos. Na essência, porém, as Academias como tal tradicionalizadas continuam a ser autênticas sociedades de erudição, regidas por estatutos próprios, tendo como modelo mais recente a Academia Francesa. A sua intervenção cultural, notável em finais do século XVIII e no século XIX, tem sofrido as consequências naturais do envelhecimento das instituições e do desgaste da reacção antiacadémica que começa fazer sentir-se a partir das últimas décadas do século XIX.
Não convém esquecer que o próprio associativismo (que em Portugal floresceu depois de 1860) timbrou de um cariz social específico as Academias fundadas a partir dos últimos decénios de Oitocentos, muito distintas já das suas congéneres dos séculos XVII e XVIII e com as quais, aliás, têm poucas afinidades; algumas dessas últimas Academias, instituições de compromisso das novas tendências associativas e das velhas motivações académicas, receberam, em muitos casos, o nomes significativos de associações e sociedades, num caso e noutro respondendo as graus diferentes de exclusividade e vocação e interesses, de objectivos científicos ou meramente sociais, repetindo, na prática, conceitos em voga noutros sectores, muito distintos, de convívio e de preocupações."
(Excerto do preâmbulo - Nota prévia)
Índice:
Nota prévia. | O academismo no século XVII. Aspectos gerais. II - No século XVII: Academia dos Singulares de Lisboa; Academia dos Generosos; Academia Instantânea; Academia dos Únicos; Academia dos Estudiosos. III - No século XVIII: Academia dos Ocultos; Academia dos Anónimos; Academia dos Ilustrados; Academia Problemática; Academia dos Aplicados; Academia dos Unidos de Torre de Moncorvo; Academia Vimaranense; Academia dos Escolhidos; Outras Academia; Arcádia Lusitana ou Olissiponense;A Nova Arcádia. IV - Academias eclesiásticas: Academia Eborense; Academia Conimbricense; Academia Bracarense ou dos Engenhosos Bracarenses; Academia do Núncio; Outras Academias eclesiásticas. V - Paródias académicas: Academias dos Sovelantes e dos Fleumáticos. VI - As Academias no Brasil: Academia Brasílica dos Esquecidos; Academia Brasílica dos Renascidos; Outras Academias brasileiras. | Alguns textos exemplificativos: António Serrão de Castro; Bartolomeu de Faria; Francisco Lopes Sueiro; Sebastião da Fonseca e Paiva; André Leitão de Faria; António de Brito e Oliveira; Vicente da Silva; Pedro José da Silva Botelho; Joaquim Bernardes de Santa Ana; Pedro António Correia Garção; Lourenço Botelho Soto Maior; José do Couto Pestana. | Bibliografia seleccionada.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e literário.
25€

13 setembro, 2021

FIGUEIREDO, Pedro Americo de - O FORAGIDO.
Por... Com uma noticia biographica por J. M. Cardoso de Oliveira
. Rio de Janeiro : Pariz, H. Garnier, Livreiro-Editor, [1899]. In-8.º (19 cm) de LXI, 219, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Romance curioso, um dos mais apreciados da bibliografia do autor, onde são evidentes os traços do romantismo tardio brasileiro.
Ilustrado com um retrato extra texto do autor.
Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905). "Pintor, desenhista e escritor brasileiro, nasceu no estado da Paraíba e faleceu em Florença (Itália). Em Paris, estudou na Escola de Belas Artes, no Instituto de Física Ganot e na Sorbonne, dedicando-se também à literatura e à pesquisa científica. Recebeu grande influência dos pintores neoclássicos franceses. Entre as suas obras literárias e filosóficas, destacam-se A reforma da Academia de Belas Artes de Paris; Discursos sobre a Estética e Ciência e os Sistemas. Em Florença, realizou as suas mais famosas pinturas; celebrizou-se pelas telas "Batalha do Avaí" e "O Grito do Ipiranga". Em 1900, em Florença, pintou "Paz e Concórdia". Foi considerado um dos mais famosos artistas da sua época. Mas Pedro Américo não foi apenas um pintor célebre, foi também cultor de filosofia, homem de ciência, orador, poeta e romancista. Em tudo, soube manifestar a superioridade do seu talento privilegiado. Ligado à corrente estética e literária do Romantismo, publicou diversos romances e ensaios."
(Fonte: pitoresco.com.br)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Lombada com defeitos. Folha de rosto e seguinte apresenta falha de papel (por corte) para supressão de assinatura.
Raro.
45€

29 dezembro, 2017

RAMOS, Graciliano - VIDAS SECCAS : romance. Capa de Santa Rosa. Rio, Livraria José Olympio Editora, 1938. In-8.º (18cm) de 197, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Vidas Secas é talvez a obra mais famosa de Graciliano Ramos e, justamente, uma das mais apreciadas.
De acordo com Hélio Pólvora, Vidas Secas é um "romance escamoteável, à guisa de The Unvanquished e Go Down, Moses, de William Faulkner: podem ser desmontados em forma de contos ligados por débil fio condutor e no entanto autônomos entre si".
"Na planicie avermelhada os joazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cançados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio secco, a viagem progredira bastante tres leguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos joazeiros appareceu longe, atravez dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, sinha Victoria com o filho mais novo escanchado no quarto e o bahu de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aiol a tiracollo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no hombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atraz."
(excerto do capítulo inicial, Mudança)
Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 1892 - Rio de Janeiro, 1953). “Escritor, memorialista, crítico e jornalista, viveu, entre 1892 e 1910, acompanhando a família em diferentes cidades de Pernambuco e Alagoas, fixando-se finalmente em Palmeira dos Índios, cidade que será o cenário de Caetés, seu primeiro romance escrito entre 1925 e 1926. Como jornalista, atuou no Rio de Janeiro em 1914 e, a partir de 1915, em Alagoas. Exerceu diversas atividades políticas, como a de prefeito em Palmeira dos Índios em 1928 e a de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas até 1931. Atuou na área da educação como professor e diretor da Instrução Pública de Alagoas de 1932 a 1936 quando, por motivos políticos, foi demitido e preso, sendo enviado a Pernambuco e, posteriormente, ao Rio de Janeiro. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro em 1945. Presidiu a Associação Brasileira de Escritores por duas gestões consecutivas, a partir de 1951, ano em que também realizou o IV Congresso Brasileiro de Escritores, em Porto Alegre. Escreveu obras literárias fundamentais na literatura brasileira, destacando-se Vidas Secas, Memórias do Cárcere e Angústia. Suas obras foram traduzidas para 24 idiomas e publicadas em mais de trinta países."
(fonte: www.ieb.usp.br)
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a verde na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. anterrosto.
Raro.
Indisponível

29 maio, 2015

LIMA, Jorge de - INVENÇÃO DE ORFEU. [Prefácio de João Gaspar Simões]. Rio de Janeiro, Livros de Portugal, S. A., 1952. In-8.º (19,5cm) de [2], XX, 431, [7] p. ; B.
1.ª edição.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor a Jaime Zuzarte Cortesão Casimiro. Acompanha o livro uma fotografia de Jorge de Lima, autografada e datada (1945).
"Considerado pelo colega "Mário Faustino “o maior, o mais alto, o mais vasto, o mais importante, o mais original poeta brasileiro de todos os tempos", Jorge de Lima demonstrou toda a sua ambição artística em Invenção de Orfeu (1952), onde, também segundo Faustino, estão “alguns dos mais altos e dos mais baixos momentos da língua poética luso-brasileira.
Invenção de Orfeu é inquestionavelmente obra de grande fôlego na poesia nacional contemporânea. Poema em dez cantos, compostos de metros variados, descreve uma viagem, como a de Dante na Divina Comédia, ao Inferno e ao Paraíso — mas une outras epopéias na sua composição, como Os Lusíadas, de Camões, além de elementos da Bíblia e da sociedade brasileira; tudo alinhavado pela presença de Orfeu, herói mitológico que encantava deuses e mortais com sua lira. Por isso, essa “biografia épica", como explicita o autor no subtítulo, também é definida por alguns por meio de uma contradição: “epopéia lírica" (a epopéia clássica constituindo a descrição de matéria objetiva, enquanto a lírica deriva da subjetividade). Manuel Bandeira, observando que se trata de um poema “de técnicas e faturas extremamente variadas", afirma que “seu sentido profundo ainda não foi devidamente esclarecido pela crítica e talvez não o seja nunca, pois é evidente haver nele grande carga de subconsciente a par de certas vivências puramente verbais. Como quer que seja, é obra poderosa, onde deparamos com fragmentos de alta beleza, que são em si pequenos poemas completos". Um exemplo: “A garupa da vaca era palustre e bela,/ uma penugem havia em seu queixo formoso;/ e na fronte lunada onde ardia uma estrela/ pairava um pensamento em constante repouso".
Índice:
Prefácio.
Canto I - Fundação da Ilha. Canto II - Subsolo e Supersolo. Canto III - Poemas Relativos. Canto IV - As Aparições. Canto V- Poemas de Vicissitude. Canto VI - Canto da Desaparição. Canto VII - Audição de Orfeu. Canto VIII - Biografia. Canto IX - Permanência de Inês. Canto X - Missão e Promissão.
Marginália.
Jorge Mateus de Lima [1895-1953] nasceu em União dos Palmares, Alagoas, em 1895. O pai era negociante e senhor de engenho. O menino passou os primeiros anos entre a casa-grande da fazenda e o sobradinho da cidade natal, paisagem que iria influenciar seus escritos futuros. Depois dos estudos básicos em Maceió, com os irmãos maristas, iniciou em Salvador o curso de medicina, que concluiu no Rio de Janeiro. Além de exercer a profissão de médico, foi professor de literatura e ingressou na política. Estreou como escritor pela via neoparnasiana, conquistando o título de “príncipe dos poetas de Alagoas". Felizmente, o contato com o Modernismo e com o grupo regionalista do Recife, que contava com luminares como José Lins do Rego e Gilberto Freyre (1900-1987), fez com que ampliasse seu leque formal para ritmos mais variados e tingisse sua lira de preocupações sociais. São dessa época Poemas (1927), Novos Poemas (1929) e Poemas Escolhidos (1932). Abraçando o catolicismo de sua infância, passou a publicar obras religiosamente engajadas, como Tempo e Eternidade (1935, com Murilo Mendes), Túnica Inconsútil (1938) e Anunciação e Encontro de Mira-Celi (1951). O Livro dos Sonetos (1949) marca sua volta à métrica tradicional, mas com uma expressividade que não se encontra em suas primeiras obras. Morreu no Rio, em 1953."
(in  http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/invencao-orfeu-403430.shtml)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
75€

25 março, 2015

FREITAS, José Antonio de - ESTUDOS CRITICOS SOBRE A LITTERATURA DO BRAZIL. Por... subdito brazileiro. Habilitado com o curso theorico de artilheria pela Escóla Polytechnica de Lisboa e com o Curso Superior de Lettras. I. O LYRISMO BRAZILEIRO. Lisboa, Typographia das Horas Romanticas, 1877. In-8.º (19 cm) de 142, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio oitocentista sobre a literatura brasileira.
"Lançámos mão de um problema secundario, de uma fórma da litteratura brazileira, e pelo estudo das origens, que a produziram, propomo-nos reconstruir o genio do povo do Brazil, suas tendencias historicas e a base critica para a disciplina de seus talentos. [...]
De feito, ha muitos annos que se manifesta no Brazil uma vida litteraria verdadeiramente notavel. Enxameiam os poetas de elevado mrecimento; succedem-se as publicações com grande applauso e contentamento do povo, de modo que não só existem escriptores distinctos e eminentes, como os Gonçalves Dias, os Porto Alegre, os Magalhães e os Alencar, mas tambem existe um publico, que os anima, protege e auxilia."
(Excerto da introdução, Ao leitor)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Etiqueta de biblioteca na lombada. Carimbo de biblioteca nas primeiras quatro páginas do livro, incluindo as f. rosto e anterrosto.
Muito invulgar.
20€

16 julho, 2014

AZEVEDO, Aluizio - LIVRO DE UMA SOGRA. Rio de Janeiro, Domingos de Magalhães - Editor : Livraria Moderna, 1895. In-8.º (18 cm) de 341, [3] p. ; E.
1.ª edição.
"De volta da minha ultima peregrinação a Europa, depois de cinco annos de saudades do Brasil, foi que, pela primeira vez, senti todo o peso e toda a tristeza do meu isolamento e pensei com menos repugnancia na hypothese de casar. Foi a primeira vez e tambem a ultima que semelhante velleidade me passou pelo espirito; d'ahi a vinte e quatro horas tinha resolvido ficar eternamente solteiro."
(Excerto do Cap. I)
Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo (1857-1913). "Nasceu em São Luís do Maranhão, em 1857. Contrariando a vontade paterna, que era vê-lo comerciante, viaja, aos 17 anos, para o Rio de Janeiro e começa a estudar pintura na Academia Imperial de Belas Artes. Logo passa a colaborar, com caricaturas e poesias, em jornais e revistas. Com a morte do pai em 1878, é obrigado a retornar a São Luís, onde, em 1880, lança o romance Uma Lágrima de Mulher, exageradamente sentimental, em estilo romântico. Fortemente influenciado pelas leituras de Eça de Queiroz e de Émile Zola, que lhe apontam um novo caminho, publica em 1881 O Mulato, obra que inaugura o Naturalismo na literatura brasileira. Por tratar-se de um libelo contra a vida e os costumes maranhenses no período abolicionista, o romance provoca violenta reação da sociedade provinciana e do clero, coagindo-o a voltar para o Rio de Janeiro, onde passa a viver da literatura, publicando romances, escrevendo folhetins e contos em jornais e redigindo peças teatrais. Em 1895, ao ingressar na carreira diplomática, abandona a literatura. Esteve, a serviço do Brasil, na Espanha, no Japão, no Uruguai, na Inglaterra, na Itália, no Paraguai e na Argentina, onde morreu em 1913.
Na carreira literária de Aluísio Azevedo, podemos distinguir duas posições estéticas simultâneas: de um lado, os romances românticos, que o próprio autor chamava de "comerciais", destinados a alimentar os jornais e a agradar a um público acostumado aos sentimentalismos e às extravagâncias da moda; de outro, os romances "artísticos", em que o autor adere ao espírito naturalista, produzindo verdadeiras obras-primas. À linha folhetinesca pertencem Memórias de um Condenado, Girândola dos Amores, Filomena Borges, entre outros. À linha artística pertencem os romances maiores de Aluísio: O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço. Escreveu também O Coruja, O Homem e o Livro de Uma Sogra.
Há nas principais obras do autor uma preocupação constante com a denúncia de situações sociais desumanas e injustas, que o tornam, acima de tudo, um romancista social."
(Fonte: www.lpm.com.br)
Bonita encadernação em meia de pele com nervuras e dourados gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Páginas encontram-se amarelecidas pela acção do tempo, e pelo tipo de papel utilizado na impressão. Discreto carimbo da Livraria de João Martins Ribeiro, Rio de Janeiro, na f. anterrosto
Raro.
280€

10 novembro, 2013

AMALIA, Narciza – NEBULOSAS : poesias. De… natural de S. João da Barra, provincia do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier : Livreiro-Editor do Instituto, [1872]. In-8.º (18 cm) de 192, [4] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Raríssima edição original do único livro publicado por Narcisa Amália. Valorizada pelo extenso prefácio de Pessanha Póvoa que não se limita a elogiar e recomendar a obra da autora, antes faz uma breve incursão pela história da poesia universal, analisa o estado da poesia brasileira e o papel que Amália nesta poderia desempenhar.
Livro ilustrado com formoso retrato da autora em folha separada do texto.
“Narcisa Amalia será a impulsionadora e o ornamento de uma épocha litteraria mais auspiciosa que a presente. Hade redigir os aphorismos poeticos, como Aristoteles escreveu os da natureza.
Na historia da nossa literatura, o seu enthusiasmo moral, que é um culto do seu talento, terá uma consagração nos annaes do futuro desta legião de inteligencias que está celebrando as glorias do presente.
Não a conheço, mas eu imagino que em seu rosto a tristeza occupa o logar da alegria.
- «A funda melancolia
Não seguiu-a desde a infância,
Deus não fel-a triste assim…
Houve na sórte inconstância,
E se perdeu a alegria,
É de homens obra ruim.» -
A extremosa pureza dos seus pensamentos, o pudor da sua imaginação, bem inculcam que os seus paes lhe anticiparam um thesouro no abençoado curso da sua educação, no santo respeito da familia e amor da patria.
Eu penso que o écho das suas palavras é um concerto de pezares. Ella aborrece a canalha subalterna das lettras, porque ha uma canalha illustre que é mais fidalga que a nobreza de decreto; essa, ella estima e applaude.
Narcisa Amalia não é um typo; é uma heroina.
Senio acaba de pedir que não elogiem os seus livros de prosa.
Eu peço que julguem o livro de N. Amalia, livro que illumina a grande noite da poesia brasileira.
Quando houver um Conselho d’Estado ou um Senado Litterario, Narciza Amalia terá as honras de Princeza das letras.
Este livro ha de produzir tristezas e alegrias. É a primeira brazileira dos nossos dias; a mais illustrada que nós conhecemos; é a primeira poetisa desta nação.
Delphina da Cunha, Floresta Brazileira, Ermelinda da Cunha Mattos, Maria de Carvalho, Beatriz Brandão, Maria Silvana, Violante, são bonitos talentos. Narcisa Amalia é um talento feio, horrível, cruel, porque mata áquelles. Foram as suas antecessoras auroras efémeras; ella é um astro com orbitra determinada.” […] Quando neste paiz a Republica Politica galardoar os benemeritos da Republica Litteraria, Narcisa Amalia exercerá a sua dictadura.
Não é descrente por moda, como foram os imitadores de Musset; não é sceptica como os de Goethe, é republicana como Schiller, como Felix da Cunha, e Landulpho; é intangivel como a fatalidade. […] Estreou-se emancipada da poesia-piegas, do verso-capadacio, da literatura-artezã, que a hi vivem estucando e distillando biliosas sujidades e obscenas audacias.
Hade vir a épocha em que o sentimento de patriotismo reinvindicará os nomes desses talentos extraordinarios.
Seu estylo vigoroso, fluente, academico; a riqueza das rimas, tão euphonicas, tão reclamadas e necessarias ao verso lyrico, suas convicções falando á alma e á imaginação, justificam a sua já precoce celebridade, confirmam a sua sorprehendente e rapida aparição, precedida do respeitoso coro da critica sincera e grave.
Não sabe fingir nem falsificar.
A sua individualidade litteraria acusa um caracter leal e capaz de todos os sacrifícios pelas grandes causas.”
(Excerto do prefácio)
Narcisa Amália de Campos (1852-1924). “Poeta, jornalista e feminista, nasceu em 1852. Mudou-se para Resende aos 13 anos, acompanhando os pais. Publicou um livro de poesias «Nebulosas». Militou na imprensa – foi a primeira jornalista brasileira – e lutou pelos direitos das mulheres, pela libertação dos escravos e pela proclamação da República em nosso país. Faleceu no Rio, em 1924, no dia de São João. Dois livros foram escritos sobre sua vida e obra: “Narcisa Amália, vida e poesia”, de João Oscar, Campos dos Goytacazes, 1994 e “Um espelho para Narcisa – reflexos de uma voz romântica”, por Christina Ramalho, Elo Editora, Rio,1999.  A acadêmica Heloisa Crespo publicou em 2002, o poema cordel “Narcisa Amália”.” (carlosaadesa. wordpress.com)
“Narcisa Amália, a republicana admirada pelo Imperador Dom Pedro. Mesmo sendo defensora das ideias e dos ideais republicanos, Narcisa Amália era admirada e chegou a ser homenageada pelo Imperador Dom Pedro II, em reconhecimento pela qualidade da sua poesia.
“Dom Pedro II, em visita a Resende, manifestou o desejo de conhecer a escritora pessoalmente. Contaram os cronistas que o imperador caminhou até a padaria onde Narcisa morava e trabalhava, para ouvir de sua própria voz alguns de seus poemas.”” (“Dicionário Mulheres do Brasil”, página 437).
Por ter sido uma personalidade muito à frente da sua época, Narcisa Amália também sofreu perseguições, calúnias e contrariedades daqueles que não aceitavam que uma mulher, em meados do século XIX e primeiras décadas do século XX, pudesse ter a sua presença marcante na vida cultural do nosso país, destacando-se como protagonista na história da literatura e, mais ainda, como defensora da sua autoafirmação e desafiadora corajosa de todos os limites impostos pela sociedade daqueles tempos à mulher.
(Sinvaldo do Nascimento Souza, www.rioeduca.net)
“Primeira mulher a se profissionalizar como jornalista no Brasil, alcançando projeção em todo o país através de seus artigos, Narcisa Amália publica, em 1872, seu primeiro e único livro de poesias, Nebulosas, obra que a consagrou. Moradora da cidade de Resende (RJ), casou-se por duas vezes e por duas vezes também se separou. Porém, se a vida conjugal da poetisa não foi das mais tranquilas, o mesmo não se pode dizer de sua vida literária, marcada por um estilo parnaso, destacado por grandes intelectuais, como, por exemplo, Machado de Assis. Narcisa Amália escreveu poemas para vários jornais da época e, através do espaço que conquistou na imprensa, trabalhou intensamente em favor das causas abolicionistas, republicanas e, destacadamente, pelos direitos da mulher.”
Fragmento
Por que sou forte
(a Ezequiel Freire)
Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d’alma toda vez que hesito...
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia — ao sentir que desfaleço...
E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: — aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!
É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,
E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!...
— E eis-me de novo forte para a luta.
Crítica
A nova geração
"As flores do campo [de Ezequiel Freire], volume de versos dado em 1874, tiveram a boa fortuna de trazer um prefácio devido à pena delicada e fina de D. Narcisa Amália, essa jovem e bela poetisa, que há anos aguçou a nossa curiosidade com um livro de versos, e recolheu-se depois à turris eburnea da vida doméstica. Resende é a pátria de ambos; além dessa afinidade, temos a da poesia, que em suas partes mais íntimas e do coração, é a mesma. [Naturalmente, a simpatia da escritora vai de preferência às composições que mais lhe quadram à própria índole, e, no nosso caso, basta conhecer a que lhe arranca maior aplauso, para adivinhar todas as delicadezas da mulher. Dona Narcisa Amália aprova sem reserva os "Escravos no Eito", página da roça, quadro em que o poeta lança a piedade de seus versos sobre o padecimento dos cativos. Não se limita a aplaudi-lo, subscreve a composição. Eu, pela minha parte, subscrevo o louvor; creio também que essa composição resume o quadro.”]
(Machado de Assis, Revista Brasileira, 1 dez. 1879).
Principais obras:
Nebulosas (1872); Nelúmbia (conto publicado no jornal Lux!, 1874); Por que sou forte (prefácio a Flores do Campo, 1874).
(in Clássicos Brasileiros: uma seleção de autores com obras em domínio público = Brazilian classics : a selection of authors with works in public domain / [organização, Aníbal Bragança ; versão inglesa, Iuri Lapa]. – Rio de Janeiro : Fundação Biblioteca Nacional; São Paulo : IMESP, 2011.)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Com defeitos, mormente, falhas nas extremidades da lombada e no revestimento da pasta posterior. F. anterrosto em falta. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação, sendo que as primeiras e últimas páginas do livro se apresentam levemente oxidadas.
Muito raro.
Com interesse para a História da literatura brasileira.
Indisponível

19 setembro, 2013

BRAGA, Belmiro - CONTAS DO MEU ROSÁRIO. [Rio de Janeiro], Companhia de Seguros de Vida "Cruzeiro do Sul", 1918. In-8.º (18,5 cm) de 243, [3], III, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Colectânea poética de Belmiro Braga.
Ilustrada com o retrato do autor em separado.
Índice:
- Lar Paterno. - Trechos de uma Vida. - Como um Sonho... - Ultimas Folhas.
Belmiro Ferreira Braga (1872-1937). Poeta brasileiro. "Nasceu a 7 de janeiro de 1872, na Fazenda da Reserva, em Vargem Grande, depois Ibitiguaia (hoje, Belmiro Braga). Morreu no dia 31 de março de 1937."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
10€

20 agosto, 2013

DINIZ, Almachio - MORAL E CRITICA (estudos, escriptos e polemicas). Porto, Magalhães & Moniz, 1912. In-8º (19cm) de 402, [2] p. ; B.
1ª edição.
Conjunto de crónicas sobre História, Filosofia e Direito relacionadas com Portugal e Brasil.
Almachio Diniz Gonçalves (1880-1937). “Foi um advogado, professor, escritor e poeta brasileiro. Formado em Direito, três anos depois, mediante concurso torna-se lente da Faculdade Livre de Direito da Bahia especializando-se no campo da filosofia jurídica. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, também ali faz-se catedrático da Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, lecionando Direito Civil. Foi um dos fundadores da Faculdade Teixeira de Freitas, em Niterói."
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Parte superior da capa levemente descolorida. 
Invulgar.
10€

14 julho, 2013

RAMOS, Graciliano - VIDAS SECCAS : romance. Capa de Santa Rosa. Rio, Livraria José Olympio Editora, 1938. In-8º (18,5cm) de 197, [3] p. ; B.
1ª edição.
Vidas Secas é talvez a obra mais famosa de Graciliano Ramos e, justamente, uma das mais apreciadas.
De acordo com Hélio Pólvora, Vidas Secas é um "romance escamoteável, à guisa de The Unvanquished e Go Down, Moses, de William Faulkner: podem ser desmontados em forma de contos ligados por débil fio condutor e no entanto autônomos entre si."
"Na planicie avermelhada os joazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cançados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio secco, a viagem progredira bastante tres leguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos joazeiros appareceu longe, atravez dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, sinha Victoria com o filho mais novo escanchado no quarto e o bahu de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aiol a tiracollo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no hombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atraz."
(excerto do capítulo inicial, Mudança)
Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 1892-Rio de Janeiro, 1953). “Escritor, memorialista, crítico e jornalista, viveu, entre 1892 e 1910, acompanhando a família em diferentes cidades de Pernambuco e Alagoas, fixando-se finalmente em Palmeira dos Índios, cidade que será o cenário de Caetés, seu primeiro romance escrito entre 1925 e 1926. Como jornalista, atuou no Rio de Janeiro em 1914 e, a partir de 1915, em Alagoas. Exerceu diversas atividades políticas, como a de prefeito em Palmeira dos Índios em 1928 e a de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas até 1931. Atuou na área da educação como professor e diretor da Instrução Pública de Alagoas de 1932 a 1936 quando, por motivos políticos, foi demitido e preso, sendo enviado a Pernambuco e, posteriormente, ao Rio de Janeiro. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro em 1945. Presidiu a Associação Brasileira de Escritores por duas gestões consecutivas, a partir de 1951, ano em que também realizou o IV Congresso Brasileiro de Escritores, em Porto Alegre. Escreveu obras literárias fundamentais na literatura brasileira, destacando-se Vidas Secas, Memórias do Cárcere e Angústia. Suas obras foram traduzidas para 24 idiomas e publicadas em mais de trinta países." (www.ieb.usp.br)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Páginas amarelecidas, dada a qualidade do papel e a acção do tempo.
Invulgar.
Indisponível

09 abril, 2012

RIO, João do – RAMO DE LOIRO : notícias em louvor. Paris-Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, [s.d.]. In-8º (17,5cm) de 204, [2] p. ; E.
1ª edição.
João do Rio, pseudónimo de João Paulo Barreto (1881-1921) foi um jornalista, cronista e tradutor brasileiro. “Segundo os seus biógrafos, ao profissionalizar-se, Paulo Barreto representou o surgimento de um novo tipo de jornalista na imprensa brasileira do início do século XX. Até então, o exercício do jornalismo e da literatura por intelectuais era encarado como uma actividade menor. Paulo Barreto move a criação literária para o primeiro plano e passa a viver disso, empregando os seus pseudônimos (mais de dez) para atrair diversos públicos consumidores.”
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros a negro nas pastas e na lombada.
Excelente exemplar.
Invulgar.
10€

08 abril, 2012

ATLANTIDA. Mensario Artistico Literario e Social para Portugal e Brazil. Sob o Alto Patrocinio de S. Ex.as os Ministros das Relações Exteriores do Brazil e dos Extrangeiros e Fomento de Portugal. Ano I, Vol. 1 (nº1 a nº4). Dir. de João do Rio e João de Barros. Lisboa, [s.n.] - Imprensa Libanio da Silva], 1915. In-8º (25cm) 595 p. ; il. ; E.
Ilustrações no texto e em separado.
Publicação luso-brasileira de grande qualidade literária, inclui variados textos (alguns deles inéditos) de consagrados escritores e ensaístas portugueses e brasileiros, entre outros, Olavo Bilac, Teófilo Braga, Afonso Lopes Vieira, Teixeira de Queirós, Alberto de Oliveira, Joaquim Manso, Câmara Reis, Eugénio de Castro.
Encadernação do editor inteira de tela com ferros a ouro e a seco na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Indisponível

07 novembro, 2011

MAIA, Aristides de Araujo - RECORDAÇÕES. De... (Nascido aos 16 de dezembro de 1859, no municipio de Theophilo Ottoni, Minas Geraes, residente na Capital Federal). Bello Horizonte, Imprensa Official de Minas Geraes, 1902. In-8.º (21,5cm) de 355, [5], II p. ; E.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória manuscrita do autor na f. rosto.
Aristides de Araújo Maia. "Nasceu em Teófilo Otoni (MG) no dia 16 de dezembro de 1859 e faleceu no dia 24 de julho de 1903, no Rio de Janeiro. Foi político, magistrado, jornalista e comerciante. Bacharelou-se em Letras pelo Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e no ano de 1881 doutorou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo. Diplomado, voltou a Minas Gerais para exercer a função de Promotor Público e Juiz Municipal de Rio Novo. Foi Deputado à Assembléia Provincial nos anos de 1888 e 1889. Republicano histórico, ao instalar esse regime, assumiu o governo provincial interinamente, entregando-o ao presidente Cesário Alvim, que o nomeou chefe de polícia. No período entre 1891 e 1895, foi deputado do Congresso Constituinte Federal e da 1ª Legislatura. Além de político, membro do Partido Republicano Mineiro (PRM), Aristides de Araújo Maia trabalhou no comércio e colaborou com vários jornais e revistas jurídicas. Na imprensa mineira usou o pseudônimo de “Mozambo” e em São Paulo redigiu A República, no ano de 1881." (www.siaapm.cultura.mg.gov.br)
Encadernação em meia de pele com ferros a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação, apresenta, no entanto, sinais de humidade e pequenas picadas de insecto no pé que se prolongam pelas primeiras páginas do livro sem contudo afectarem o texto.
Invulgar.
Indisponível

02 outubro, 2011

VERISSIMO, Erico - O SENHOR EMBAIXADOR : Romance. [Lisboa], Editôra Globo-Dist. Livros do Brasil, 1965. In-8º (21,5cm) de 429, [2] p. ; B.
1ª edição portuguesa.
Exemplar muito valorizado pela assinatura autógrafa do autor.
Bom estado.
Invulgar.
50€

27 abril, 2011

AMADO, Jorge - TENDA DOS MILAGRES (ROMANCE). São Paulo, Livraria Martins Editora, 1969. In-8º de 374, [1] p. ; il. ; B. Colecção Obras Ilustradas de Jorge Amado, XVIII.
Ilustrações de Jenner Augusto ; Capa de Carybé ; Retrato do autor por Carlos Scliar
1ª edição.
"Em Tenda dos Milagres, segundo romance de Jorge Amado, publicado em 1969, o autor apresenta a violência dos brancos diante de rituais de origem africana, e oferece o ingresso para um outro mundo, onde a mistura não é só de raças, mas também de religiões. É um grito contra o preconceito racial e religioso." (passeiweb)
Bom exemplar.
25€