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17 maio, 2026

RIBEIRO
(Humbérï), Humberto - UM VADIO... : romance. Porto, Editor Carlos José Ribeiro, 1926. In-8.º (21,5X14,5 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de costumes baseado numa história real, de miséria humana, do conhecimento do autor.
"Ó vergastados da vida! é por vós que êste livro fala aos homens sem piedade, sem critério, aos malabaristas da lei e aos senhores do ouro." O Autor
Romance pungente, sobre os meandros da marginalidade e prostituição na Cidade Invicta há um século atrás.
A BNP não menciona o presente título. Também nada foi possível apurar acerca do autor ou da sua obra por ausência de fontes biobibliográficas.
"Não teve o meu amigo a pretensão de fazer uma obra de literatura petulante nem astuciosa para o coração de moças garridas - mas, sim, uma obra de emotiva realidade, descrição de um caso patológico moral, que serve para os estudiosos e para os homens que se alapardam nas altas Direcções Gerais da Sanidade, resolverem a melhor forma de fazer-se a ablação dêsses carcinomas morais."
(Excerto da carta de Vidal Oudinot)
"Preguntáste-me, há tempos, se eu sabia algo acêrca da vida daquele infeliz rapaz a quem conhecemos sob a alcunha de o Trovador, indivíduo que, certa noite, nos deliciou, juntamente com a sua companheira de infortúnio - aquela Luisita muito magra, de olhos negros e tristes - com a audição de alguns fados, cantados num tom de voz doce e maguada, repassada de sentimento.
Nada te disse na ocasião, porque nada podia dizer-te, porém, o teu interêsse, sem saber explicar-te o motivo, fez nascer em mim o irresistível desejo de os tornar a vêr.
Assim resolvido, calcurriei grande número de ruas do Pôrto, de preferência as mais sórdidas e entrei em muitas espeluncas, sem que me fosse possível descobri-los. [...]
Todo eu fui ouvidos. Vim a saber que o infeliz [Trovador] estava na cadeia."
(Excerto de Carta a Diniz, amigo do autor)
"Em meados de 1922, vinda de uma aleola do Douro, desembarcava na estação de Campanhã, uma interessante rapariguita, de catorze anos de idade, orfã de pai e mãe, que para o Pôrto vinha destinada a exercer o mistér de serviçal, para o que trazia uma recomendação a deter minado negociante de ferragens da rua do Almada, indivíduo que logo a alugou. Depois de haver prestado o máximo dos seus serviços durante três anos, foi despedida, em virtude do falecimento do chefe da casa.
Muito inexperiente, foi esbarrar-se numa das inúmeras Agências de Serviçais que enxameiam o Pôrto, estabelecimentos que a experiência grandemente nos tem demonstrado nada mais serem do que engenhosas ratoeiras armadas ás incautas que o azar da vida para ali arremessa, obrigando-as, muitas vezes, senão sempre, a darem o primeiro passo no limiar da porta que dá ingresso no templo da prostituição.
Foi, pois, numa destas execrandas casas que Luisita - assim lhe chamavam - caiu."
(Excerto de Um vadio...)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel nos cantos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

07 maio, 2026

AUGUSTO, Ignacio -
A INFELIZ.
Conto moral. Por... [Porto], Editor Ignacio Augusto [Imprensa Nacional], 1905. In-8.º (19x12 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Conto verídico com intuitos moralizadores. Narra a "perdição" de uma moça do campo, desde os tempos da fábrica onde se empregara (e fora seduzida) às ruas de Lisboa onde, de prostíbulo em prostíbulo, terminou os seus dias. No final, o autor apela à consciência colectica pela "extranha tolerancia em favor das vergonhosas casas de prostituição".
Opúsculo curioso e muito invulgar. A BNP não menciona. Nada foi possível apurar acerca do autor d'A infeliz, uma vez que não foi possível chegar a qualquer fonte bio-bibliográfica, mas pelo sentido da narrativa seria do Porto, como aliás a "biografada", mas esta dos arrabaldes da Cidade Invicta.
"Em 1886, epocha em que se passa esta narrativa, vivia n'uma das freguezias do visinho concelho do Porto, uma familia composta de pae, mãe e uma filha, uma innocente e loira creancinha que era o enlevo de seus paes.
Thereza, assim se chamava a joven que fórma o assumpto d'esta narração, passou os primeiros annos da sua vida na aldeia. Na plenitude das suas forças e da sua saude, Therezinha tomava parte alegremente em todos os innocentes jogos das creanças da sua idade.
Á medida que ia crescendo, notava-se que chegaria a ser uma rapariga formosissima; possuia umas bellas feições e uma esbelta figura, presentes do céu que desgraçadamente se trocam para muitas infelizes em rêdes de Satanaz. A sua educação domestica deixou alguma coisa a desejar, não obstante, a sua familia desfructava de uma certa consideração na aldeia.
Therezinha foi crescendo, crescendo, e, pelo espaço de muitos annos, cumpriu com exactidão todos os seus deveres.
Como seus paes não fossem ricos, com pesar seu, se viram obrigados pela idade avançada e pela falta de saude, a pedirem a uns antigos conhecimentos, para que a sua filha fosse admittida como operaria-aprendiza em uma fabrica de tecidos, onde pudesse ganhar o sufficiente para a ajuda do seu alimento e do seu vestuario. [...]
Na fabrica acima dita, quem exercia o logar de pagador era o filho d'um dos proprietarios da mesma, um valdevinos, em toda a extensão da palavra, e a quem o pae obrigou a trabalhar, para lhe tornar com a prisão d'um trabalho assiduo, a orgia menos extensa.
Mas, mesmo assim o seu germem vicioso e envenenador, ia-se alastrando lentamente em todas as victimas que por fatalidade de dirigiam um olhar, ou por algumas d'aquellas a quem a necessidade obrigava a dirigirem-se-lhe.
Carlos, pois assim se chamava o pagador, nas suas horas vagas passeava pela fabrica jogando ás escondidas de seu pae, chalaças ás operarias. As mais escrupulosas respondiam-lhe inconvenientemente, em quanto que as menos escrupulosas se riam das suas chalaças respondendo com ditos e gracejos de toda a ordem. No numero d'estas, contava-se Thereza."
(Excerto de A Infeliz)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido e manuseado. Capas frágeis, manchadas, com defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

15 abril, 2025

LEMOS, A. Tovar de -
RELATÓRIO DOS SERVIÇOS REFERENTES À PROSTITUIÇÃO. No ano de 1952. Por... Director do Dispensário de Higiene Social de Lisboa, etc. Direcção Geral de Saúde : Dispensário de Higiene Social - Lisboa. Lisboa, Tipografia Americana, 1953. In-8.º (21x14 cm) de 18 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relatório dos serviços de apoio à prostituição na capital. Trabalho curioso e interessante, sendo um manancial de informação sobre o assunto.
Ilustrado com desenhos no texto.
Invulgar, a BNP não menciona este relatório, apenas o do ano anterior - 1951 (1952).
"O nosso relatório deste ano, como já o referente no ano anterior, apresenta o movimento do serviço não só de inspecção das toleradas, mas também o das mulheres encontradas exercendo a prostituição sob o aspecto clandestino e ainda o despiste dos contágios comunicados em conformidade com as leis vigentes."
(Abertura)
Índice:
[Abertura] | I Parte - Inspecção das toleradas: A) Número de mulheres observadas. B) Número de mulheres que baixaram ao hospital. C) Número de inspecções feitas. D) Número de baixas e motivos. E) Morbilidade venérea. F) Tratamentos. G) Análises. H) Total dos Serviços Clínicos. I) Desaparecidas durante o ano. J) Grávidas. II - Parte - Clandestinas. Observações. Tratamentos. III Parte - Contágios participados (Nacionais e estrangeiros).
Alfredo Tovar de Lemos Júnior (1885-?). "Licenciado em medicina aos 23 anos, cedo começou a preocupar-se com os problemas sociais e com a saúde dos mais desprotegidos. Dedicou-se ao estudo da Higiene Social e à propaganda da Educação Física, e dirigiu a primeira Escola de Reeducação de Sinistrados do Trabalho. Desempenhou diversos cargos públicos, tendo sido Director do Dispensário de Higiene Social de Lisboa, Delegado de Saúde e Vereador da Câmara de Lisboa."
(Fonte: https://antigosescoteiros.blogspot.com/2010/12/dr-alfredo-tovar-de-lemos.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

31 janeiro, 2024

TAVARES, D. Regina M. B. -
HISTORIA COMPLETA DA PROSTITUIÇÃO.
Por... A Luxuria atravez dos tempos. Edição illustrada. Lisboa : Rio de Janeiro, Empreza Litteraria Universal, [1913]. In-8.º (19x13,5 cm) de 95, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante história da prostituição, desde os tempos bíblicos até à actualidade, em Portugal e no mundo.
Obra de D. Regina M. B. de Tavares, sendo que, a paternidade do livro pertence efectivamente a Augusto Bugalho Gomes, que aliás assina a capa como autor.
Ilustrada com sugestiva fotogravura separada do texto. Na capa consta a informação Edição illustrada com magnificas gravuras, ao invés da f. rosto com o singelo: Edição illustrada. O livro possui apenas uma estampa no interior.
"A historia da prostituição, tem fatalmente que abordar a da mulher impúdica atravez das éras.
A prostituta, é aquella que negoceia com os seus favôres, vendendo o corpo.
Dar o perfeito, o exacto inicio da prostituição, é hoje um impossivel, pois, embora lancêmos os olhos para as mais remótas paginas da Humanidade, sempre encontramos este commercio em uso; comtudo, não julgamos que, com os primeiros habitantes da Terra, viesse logo a prostituição.
Após a evolução da materia que formou a Terra, e, em seguida ao apparecimento dos seus primeiros habitantes, não podia de forma alguma, haver logo a prostituição, pois, homens e mulheres, tinham tudo quanto necessitavam."
(Excerto do Prologo: A prostituição atravez dos seculos)
"Nos primeiros anos da República, Bugalho Gomes, traça o roteiro dos diferentes espaços da prostituição lisboeta; os prostíbulos então mais conhecidos eram os da Ana do Cão na Travessa da Palha, da Barbuda na Travessa do Poço da Cidade, da Maria do Porto na Rua do Diário de Notícias e da antiga Antónia Morena, na Rua das Gáveas, entre muitos outros. Os colégios de apatroadas dividiam-se entre as arterias mais discretas da baixa pombalina e o Bairro Alto, enquanto quem preferisse as estrangeiras (francesas e espanholas, quase em exclusivo), se deveria dirigir à Rua do Ferragial de Baixo, à Travessa do Poço da Cidade, e ás ruas das Gáveas e da Glória. A casa de passe mais recatada era a da Caldeira no nº 14 da Travessa do Fala-Só."
(Fonte: https://educar.files.wordpress.com›boemia)
Indice:
Advertencia | Prologo: A prostituição atravez dos seculos | Primeira Parte: I - Duas palavras acerca da galanteria grega. II - Cortezãs gregas. III - Cortezãs romanas. IV - A postituição masculina - As rameiras lativas. V - Priapo. Cortezãs consideradas santas. VI - Libertinagem no Egypto. O phaulus e o triangulo. Obscenidades nos templos. Orgias entre os egypcios. Os lubricos Pharaós. Profanação dos cadaveres. Segunda Parte: I - A prostituição na França. Cortes dos Milagres. Napoleão Bonaparte. II - Algumas cortezãs do seculo XVII. Theroigne de Mericourt. III - Tempos actuaes. IV - A prostituição no Oriente e n'outras partes do globo. V - Algumas palavraas sobre a prostituição na Inglaterra,  Londres e Manchester. VI - As prostitutas de Berlim. A prostituição em Mitteweida. Na Suissa. Na Dinamarca. Na Hollanda. No Japão. Nas regiões polares. Na Italia. Roma. Turim e Napoles. Nos Estados Unidos. Na Hespanha. Terceira Parte: I - A prostituição em Portugal. Tempos remotos. As invasões dos romanos. Viriato e Sertorio. II - A prostituição em Portugal atravez dos seculos. III - Situação actual. Lisboa e Porto. Pederastia. IV - A prostituição nas provincias. | Epilogo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos e pequenas falhas de papel marginais. Assinatura de posse na f. ante-rosto. Carimbo com o nome do autor sobreposto ao nome impresso na f. rosto e na Advertencia.
Raro.
85€

28 dezembro, 2023

AIROZA, Padre João Pedro Ferreira -
COLLEGIO DE REGENERAÇÃO EM BRAGA.
Pelo... Coimbra, Imprensa da Universidade, 1892. In-4.º (25 cm) de 9, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo de apresentação do Colégio ao Congresso Pedagogico Hispano-Portuguez-Americano, realizado em Madrid - durante o mês de Outubro de 1892, na Universidade Central (actual Complutense).
"O Instituto Monsenhor Airosa – IMA, foi fundado, em 1869, pelo Padre João Pedro Ferreira Airosa (1836-1931), homem de grande iniciativa e entrega ao ideal do amor a Deus e ao Próximo que profundamente viveu e transmitiu.
Impressionado pelos relatos de vida e intenções de mudança que, enquanto sacerdote, se lhe revelavam, tomou como seu desafio fundar uma instituição, em Braga, a que inicialmente chamou de “Casa d’Abrigo”, com o objectivo de ajudar mulheres enredadas nas teias da prostituição que desejassem mudar de vida, dando-lhe por lema “Pela Instrução e pelo Trabalho”.
Em 1874, é mudado o nome para “Colégio da Regeneração”, e são aprovados os respectivos estatutos. Em homenagem ao seu fundador, na passagem do centenário da fundação, em 1969, a obra passa a chamar-se “Instituto Monsenhor Airosa” e é dotada de novos estatutos."
(Fonte: https://imairosa.wordpress.com/quem-somos/historia/)
"Sob a denominação de Collegio de Regeneração acha-se legalmente installado na cidade de Braga um asylo, que tem por fim acolher e encaminhar ao bem pela instrucção e pelo trabalho as infelizes mulheres extraviadas nos meandros da vida abjecta, habilitando-as a ganhar honradamente o pão de cada dia.
Foi creado pelo padre João Pedro Ferreira Airoza, da mesma cidade, auxiliado pelo fallecido padre João Carlos Rademaker, de Lisboa, e por uma commissão de senhoras. [...]
Para satisfazer ao seu fim, além das aulas de instrucção primaria, de desenho e de musica, tem o collegio officinas de costura e bordaddos, de engommar, de tecelagem e de lavagem de roupa,  bem como o ensino practico da horticultura e floricultura na cerca do edificio.
O producto dos seus trabalhos tem sido apresentado nas exposições de Braga, do Porto, de Lisboa e na exposição universal de Paris em 1889, sendo premiado em todas, o que demonstra á evidencia os bons fructos d'esta instituição humanitaria e civilisadora."
(Excerto da apresentação)
Monsenhor Airosa de nome João Pedro Ferreira Airosa (1836-1931). "Nasceu, em S. Pedro de Maximinos, em 20 de dezembro de 1836 e faleceu a 25 de setembro de 1931. Foi ordenado sacerdote, em 1859, celebrando a sua primeira missa no altar de Nossa Senhora da Piedade, na Sé Primaz. Dotado de uma profunda fé, deixou-se conduzir por um ideal e entregou-se totalmente a uma causa humanitária, recuperar e reabilitar mulheres jovens com condutas desviantes. Em 1869, fundou a Casa D’Abrigo instalada, provisoriamente, na rua do Areal, em S. Víctor, sendo mais tarde transferida para o Convento da Conceição. Em 1969, no centenário da fundação da Casa D’Abrigo, foi distinguido com a atribuição do seu nome à sua obra, passando a denominar-se Instituto Monsenhor Airosa."
(Fonte: https://www.cm-braga.pt/pt/1201/conhecer/historia-e-patrimonio/patrimonio-cultural/patrimonio-estatuario/item/item-1-11971)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas marginais.
Muito invulgar.
10€

22 agosto, 2023

GALLIS, Alfredo -
MULHERES PERDIDAS.
(Segunda edição). Tuberculose Social. III. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1931. In-8.º (19x12 cm) de 291, [5] p. ; B.
Romance-ensaio de cariz erótico, o 3.º de 12 da série "proscrita" naturalista Tuberculose Social.
Obra enriquecida com o excelente proémio onde Gallis - autor "maldito" - faz o balanço (pouco animador) da prostituição - o tema do livro - e do cinismo e falsa moralidade com que esta questão era abordada pela sociedade da época, no final do século XIX/princípio do século XX.
"Se a civilisação não fosse uma estrella luminosa que ainda se encontra a biliões de leguas de distancia da realidade pratica da vida das sociedades terrestres, de ha muito que a prostituição teria deixado de existir, como um dos vilipendios e ignominias que mais rebaixam e envergonham os povos cultos, e mais profundamente ferem e offendem o natural respeito que se deve á mulher."
(Excerto do Proemio)
"A lua vinha arrastando o seu disco de prata sob a profundez do ceu constellado, d'uma immaculada pureza limpida, e ao longe, lá muito ao longe, sentia-se o latir dos cães guardadores dos casaes, emquanto as ultimas luzes da casaria do logar se iam apagando umas após outras, é proporção que os seus habitantes se recolhiam aos leitos.
Sómente a fumarenta candeia do Serafim Trigoso se conservava ainda accesa, derramando o seu baço clarão avermelhado nos rostos rudes e grosseiros dos bebedores retardatarios. [...]
O relogio da ermida, presente do fallecido morgado, bateu as onze horas com um som cavo e pausado, que se foi diluindo no espaço, até morrer suffocado entre o frondoso arvoredo da montanha.
Então abriu-se uma pequena portinha pintada de verde, que existia na ala direita do palacio, e um vulto de homem, de alta estatura, embrulhado n'um capote escuro e com largo chapeu derrubado para os olhos, sahiu para a rua e parou um momento a examinar tudo quanto o rodeiava. [...]
O homem tomou a direcção do olival que existia por detraz da casa, e a passo largo e seguro, atravessou-o em toda a sua extensão. Cortou á esquerda, que percorreu na distancia de uns duzentos metros e entrou no estreito carreiro que ficava á esquerda.
Ao fim d'este existia uma sébe.
Sem hesitar saltou-a, e penetrou em terreno cultivado de propridade particular.
Chegado ali parou. Decerto que esperava alguem.
Essa pessoa appareceu dentro em pouco.
Era uma mulher de fórmas avantajadas, que se lhe dirigiu pressurosa.
- Julgava que não viesse hoje, exclamou ella.
- Porque?
- Porque o luar tem estado muito claro.
- Para te abraçar e beijar, respondeu elle apertando-a nos braços, viria, ainda mesmo que o sol rompesse de repente.
Ella sorriu-lhe, deixando vêr a fieira preciosa dos dentes alvissimos emergindo d'entre uns labios frescos e carminados."
(Excerto do Cap. I)
Joaquim Alfredo Gallis (Lisboa, 1859-1910). "Jornalista, romancista, contista, tradutor e historiador, iniciouse na imprensa, segundo várias fontes, no periódico As Instituições, em 1881 – assinou aí crónicas políticas e sociais, contos e poemas, com nome próprio e com um dos pseudónimos que mais usou (Rabelais).
Dedicou-se aos romances naturalistas – escritos que evidenciariam a observação direta da natureza e a análise rigorosa das histórias dos homens sem rodeios nem abstrações. Entre 1901 e 1904, publicou os 12 volumes de Tuberculose Social, destinados a denunciar os vícios e males da sociedade. Como uma tuberculose podia atacar qualquer dos órgãos do corpo, também “a moral pode estar tuberculosa em qualquer das suas múltiplas e complexas manifestações” (Chibos, 1901, p. 9). Cabia ao escritor não só declarar aos doentes a sua enfermidade como demonstrar aos saudáveis as causas da doença e a sua quota-parte de responsabilidade na propagação.
Dedicou-se, também, aos romances sensualistas, licenciosos, eróticos e pornográficos, com representações e descrições explícitas de sexo, vendidos aos milhares e abundantemente noticiados na publicidade dos jornais (como “Livros para homens” ou “Biblioteca do solteirão”).
Distinto jornalista e escritor afamado, estimado e ultrajado, reconhecido em Portugal e no Brasil, publicou cerca de 35 títulos. No Brasil saíram volumes de contos eróticos e muitas livrarias brasileiras possuíam uma categoria chamada “Obras de Rabelais”. Mais de uma dezena de obras estiveram proibidas durante o Estado Novo. Além de Rabelais, usou como pseudónimos Antony, Barão de Alfa, Condessa de Til, Duquesa Laureana, Kin-Fó, Ulisses e Katisako Aragwisa.
Em 1908, aos 49 anos, publicou o primeiro de dois volumes que continuavam a 3.ª edição da História de Portugal, Popular e Ilustrada, de Pinheiro Chagas, a quem chamava “mestre” (já continuada por Barbosa Colen e Marques Gomes). Para escrever a quente sobre o regicídio, a editora tinha escolhido “um escritor brilhantíssimo na forma, ponderado nas ideias, independente e, portanto, imparcial em política, homem que tem o braço afeito a publicações desta ordem” (História de Portugal (Complemento)…, p. 6). 
Autor de uma narrativa laica, antimilitarista, liberal e nacionalista, inscreveu-se numa elite lisboeta de funcionários e jornalistas cultivadores de múltiplos géneros textuais. Fino observador da cidade – A Lisbonolândia, “capital do país dos Papa-Moscas” (Os Selvagens do Ocidente, p. 8) –, pisou o terreno de políticos e decisores, coristas, atores e ladrões comuns, sob o fundo de uma multidão pobre e analfabeta, em torno da qual, e por entre as “brumas de uma selvajaria inaudita onde por todo o país campeia o assassinato, o estupro, a embriaguez, a vingança política pessoal, o clericalismo boçal e reacionário, e as romarias a vários oragos de parva invocação” (Idem, p. 8), tinham decorrido os 19 anos de reinado de D. Carlos."
(Fonte: Henriques, António - Dicionário de Historiadores Portugueses : Da Academia Real das Ciências ao final do Estado Novo, BNP, s/d)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos. Capa apresenta pequeno rasgão (sem perda de suporte) à cabeça.
Muito invulgar.
20€

07 dezembro, 2021

CORRÊA, Mendes - CREANÇAS DELINQUENTES. Subsidios para o estudo da criminalidade infantil em Portugal. Coimbra, F. França Amado, editor, 1915. In-8.º (19 cm) de [4], 131, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre a criminalidade infantil, elaborado já sob os auspícios da República, com algum rigor e método. Contém dedicatória autógrafa do editor na f. anterrosto.
“Teem sido estabelecidos os principaes tipos de anormais que fornecem contingentes sensiveis para a delinquência infantil. Citarei: os anormais por deficit intelectual (idiotas, imbecis, fracos d’espirito e sobretudo os simples atrasados mentaes), os instaveis com ou sem debilidade mental, os astenicos (apaticos, abulicos, preguiçosos), os anormaes por deficit afectivo ou moral (indisciplinados, amoraes e viciosos), os anormais convulsivantes (perturbações graves da epilepsia, histeria e coreia) e os alienados propriamente ditos. Os anormais por deficit físico ou sensorial também contribuem frequentemente para a criminalidade infantil, mas em geral as suas anomalias colaboram apenas por incidente com mais importantes fatores do crime. Os chamados anormaes por defeito educativo (ignorantes, atrasados pedagogicos, muito viciosos e imoraes por habito adquirido ou influencia do meio, etc.), dão muito maior quota de delinquentes, mas na verdade trata-se de falsos anormaes, porque os seus cerebros não teem necessariamente uma estrutura anomala ou patologica. Educadas convenientemente, essas creanças em nada se distinguem das creanças normaes.”
Matérias:
I. - «A creança delinquente». II. - «Vadios». III. - «Prostitutas e libertinos». IV. - «Gatunos». V. - «Agressores, assassinos e outros». VI. - «A criminalidade de menores em Portugal». VII. - «A lucta contra a criminalidade infantil». VIII. - «O exame medico-antropológico da creança delinquente».
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto inferior dto; assinatura de posse no verso da f. anterrosto.
Raro.
Indisponível

29 agosto, 2021

HISTORIA DAS MULHERES QUE SE TEM TORNADO CELEBRES POR SEUS AMORES, GALANTARIAS, FRAQUEZAS, E CAPRICHOS, ETC. Paris, Au De'pot de la Bibliothe'que Recreative. 1837. In-8.º (15 cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso conjunto de curtas biografias de mulheres viciosas condenadas pela Hitória.
"Messalina era bisneta de Octavia, irmã de Augusto, e filha de Valerius Messalinus Barbastus, e de Emilia Lépida. Nesta familia a lubricidade era de alguma maneira tradicional, pois que Lépida tinha sido accusada pela voz publica de entreter commercio incestuoso com seu irmão! Estava porem reservado a Messalina excêder sua mãi nos prazêres da voluptuosidade. Suas anticipadas disposições para a libertinagem tinhão resfriado o ardor daquelles que poderião pertender sua mão. Houve só Claudio seu parente que esgotou n'uma paixão brutal a coragem de arrostar a opinião publica desposando-a!
Este principe que a historia tem com justiça ultrajado, possuia um certo ar de nobreza e dignidade. Sua figura era agigantada. Era bastante encorpado, seus cabello brancos davão á sua fysionomia um certo ar de belleza; mas tinha pouca firmeza em seu andar; sua alegria era ignobil, sua colera horrenda, porque babava e espumava ao mesmo tempo... Acrescentai a isto um gaguejar continuo e um tremor de cabeça que se augmentava ao menor movimento.
Claudio esposou Messalina em quintas nupcias. Ella tomou um grande imperio sobre o caracter fraco deste principe, descobrindo lhe uma conspiração cuja importancia teve o cuidado de exagerar, depois ligou-se com os libertos que governavão o Imperador, e desde então deu um livre curso ás suas paixões. Era bella e é a isto sobre tudo que se deve atribuir a grande influencia que tinha sobre seu esposo imbecil."
(Excerto de Messalina)
Biografadas:
Messalina. | Cleopatra. | Marion de l'Orme. | Catherina segunda. | Maintenon. |  Ninon de Lenclos. | Sophia Arnoult. | Madama de Pompadour. | Madama du Barri. | Madama Foure's. | Madama Revel. | Madama du Cayla.
Encadernação "caseira", cartonada, com as pastas revestidas de cetim rosa, tendo "Mulheres Célebres" escrito na pasta frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sem f. anterrosto.
Raro.
35€

22 maio, 2021

SCHWALBACH, Fernando - O VICIO EM LISBOA.
(Antigo e Moderno)
. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1912. In-8.º (18 cm) de 95, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa monografia sobre a Lisboa viciosa, e o seu submundo de sensualismo e prostituição. Ilustrada com um exemplo real de perdição feminina do conhecimento do autor, em "Do bordel á alta e da alta á vala".
"Quantas duzias de vezes se tem ventilado este assumpto? Difficil, se não impossivel, se torna dizel-o ao certo, pois que sem conto já são.
No entanto é sempre novo, sempre palpitante, sempre da actualidade, pois que o vicio nunca teve tempo ou edade, é sempre novo, sempre moderno. Vão morrendo as sacerdotizas já muito usadas como a Antonia Moreno, a Monteverde, as mais altamente cotadas; a Lavradeira e outras do vicio baixo, se por acaso ha altura n'uma coisa que começa e acaba sempre da mesma forma, seja no bordel da classica meia porta, ou n'aquella a que dá ingresso a escada atapetada e as salas alcatifadas. Tanto ulula o vicio n'um desconjuntado leito de ferro, que geme e chora a sua desdita ao mais pequeno solavanco, como na cama á Luis XV, acobertado pela brancura nivea dos cortinados que, quem sabe, feitos ás vezes para encobrir a nudez que um sonho indiscrepto deixa profanar d'um corpo de virgem, acabam por tapar, não o corpo da mulher que se vende, mas a vergonha do homem que a compra!..."
(Excerto de A abrir)
"Ao começar este pequeno livro, tive apenas em mira esboçar, o mais ao de leve possivel, o que era o vicio em Lisboa; e com alguns exemplos por mim vistos no decorrer de doze annos de vida bohemia, mostrar não só os podres desse mesmo vicio, como os resultados funestos a que muitas vezes leva quem n'elle se internar."
(Excerto de A fechar)
Indice:
I A abrir. II - Hospedarias para pernoitar. III - Os bordeis. IV - Casas chics. V - Vicio e jogo. VI - As patroas. VII - Do bordel á alta e da alta á vala. VIII - A fechar.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e falhas de papel; lombada idem.
Raro.
Com interesse histórico e olisiponense.
Indisponível

16 dezembro, 2020

FAROL, Antonio F. de Ferrer - A LIBERTINAGEM PERANTE A HISTORIA, A PHILOSOPHIA, E A MEDICINA DO CASAMENTO POR AMOR COM BASE NA REGENERAÇÃO SOCIAL. These apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto para ser defendida pelo alumno do quinto anno... Porto, Typographia de José Pereira da Silva & F.º, 1865. In-4.º (27x20 cm) de 67, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa e algo insólita
tese académica sobre a libertinagem publicada em meados do século XIX.
"A libertinagem, olhada á luz da medicina, é o flagello que mais corrompe a humanidade. Paixão violenta, seductora aos olhos da mocidade inexperiente, essencialmente devastadora, é a libertinagem a causa proxima de horrorosos estados morbidos, que anniquillam a vitalidade mais resistente. A philosophia biblica e o dogma hippocratico erguem-se ao mesmo tempo contra esta aberração do espirito humano, que, gerando as trevas do mundo physico e moral, e collocando a sociedade n'uma posição baixa, miseravel e abjecta, tenta despedaçar todos os élos, pelos quaes sômos ligados á sublimidade, a que temos direito, como a obra prima do Supremo Ser.
No estudo d'esta paixão, dominante na geração moderna, tem o medico vasto campo para pôr em acção todos os seus recursos. E baldado não será o esforço que a tanto se abalançar. A actualidade escutará, em questões d'esta ordem, com mais respeito a voz da sciencia, do que as leis da moral. Embalada no berço sensualista, parece preferir agora o horror do tumulo á abjuração dos prazeres."
(Excerto da Introducção, I)

Matérias:
Introducção: I; II; III; IV; V. | Pederastia: I - Preâmbulo]. II - Causas sociaes; Causas physiologicas. III - Quaes são os effeitos da pederastia? IV. | Onanismo solitario no sexo feminino: I; II; III. | Onanismo solitario no sexo masculino: I; II. | Onanismo conjugal: I; II; III; IV. | Syphilis como effeito da polyandria exercida nas mulheres publicas. | Do casamento por amor - como base da regeneração social: I; II; III; IV; V; VI. | Em conclusão. | Proposições.
António Fernandes de Figueiredo Ferrer Farol (1839-1893). "Médico pela Escola Médico-cirúrgica do Porto. Nasceu em Viseu a 5 de junho de 1839, faleceu a 8 de maio de 1893. Foi um dos estudantes mais distintos do seu curso, que terminou em 1865, publicando no Porto, nesse ano, a sua tese com o título de A libertinagem perante a historia, a filosofia, e a patologia em geral. Entrou depois para o serviço médico do exército. Vindo para Lisboa em 1870, por tal forma começou a afirmar o seu talento médico que teve de pedir licença do serviço militar, para se entregar inteiramente à sua clínica que se tornou numerosa. Em 1873 estabeleceu na praça de D. Pedro, com o dr. Matos Chaves, um posto médico, que foi um dos primeiros que existiram em Lisboa. Dedicou-se também ao jornalismo, fundando em 1871 a Tribuna, folha de combate, que fez época. Foi director e redactor do seu jornal, tornando-se um escritor vigoroso e ao mesmo tempo elegante."

(Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/farolantonio.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam 

manchas de acidez.
Muito raro.
75€

16 junho, 2018

CORREIA, Alberto C. Germano S. - PROSTITUIÇÃO E PROFILAXIA ANTI-VENÉREA. História Demografia Etnografia Higiene e Profilaxia. ÍNDIA PORTUGUESA. Por... Coronel-médico, lente da Escola Médica, Sócio da Academia das Ciências de Lisboa e do Instituto Internacional de Antropologia, Comendador das Ordens Portuguesas de Cristo, São Tiago e Aviz. Bastorá : Índia Portuguesa, Tipografia Rangel, 1938. In-4.º (25cm) de [4], 404 p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre a prostituição na Índia Portuguesa - as suas causas e consequências. Impresso em Bastorá, Goa.
Valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao "Dr. Carlos Sampaio, digníssimo Inspector Administrativo".
"É um capítulo que não podia ser escrito em separado, tanto porque a modalidade clandestina do meretrício só se faz às ocultas, como porque o tráfico de mulheres  crianças anda intimamente ligado àquela forma de prostituição.
É nos lôbregos desvãos da servidão clandestina da mulher que os mercadores da carne feminina para o repasto do sensualismo conseguem aliciar, com maior facilidade e rapidez, as vítimas incautas para serem imoladas  no ignóbil altar da volúpia. [...]
Durante muito tempo foi a prostituição clandestina considerada como a fase inicial da deshonra feminina.
A mulher ou a adolescente mercadejava primeiro, às ocultas, com os encantos do seu corpo fresco e sadio.
Uma vez surpreendida em flagrante pela família, quando honesta, ou pelos agentes da polícia dos costumes, era obrigada a matricular-se, inscrevendo o seu nome no livro, onde se relacionam as mulheres que se tornam parceiras no gôzo sexual de qualquer homem."
(Excerto do Cap.  IV, Prostituição clandestina e o tráfico feminino na India)
Matérias:
I - Generalidades sôbre a Prostituição. II - A Prostituição no Indostão. III - A Prostituição na India Portuguesa. IV - Prostituição clandestina e o tráfico feminino na India. V - Tráfico feminino no Industão e na Índia Portuguesa. VI - A mulher e o trabalho feminino na Índia. VII - O perigo venéreo e a prostituição através dos tempos na Índia Portuguesa. VIII - As modernas directrizes da profilaxia antivenérea.
Alberto Carlos Germano da Silva Correia (1888-1967). Médico licenciado pela escola Médica de Gôa, formado pela Faculdade de Medicina do Porto. Coronel médico. Professor e Director da Escola Médica de Gôa e do Hospital Militar. Director do Instituto de Investigação Científica de Angola. Sócio da Academia das Ciências de Lisboa, da Sociedade de Geografia de Lisboa, do "Institut Internacional d'Anthropologie" de Paris, do "International Congress of the Antropological & Ethnological Sciences" e do Instituto Vasco da Gama de Gôa. Deixou publicada uma vastíssima obra histórica, antropológica, etnográfica, antropométrica e climatológica.”
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, manchadas de humidade; lombada apresenta falhas de papel.
Muito invulgar.
Indisponível

15 maio, 2016

MADEIRA, Pedro - O ESCÂNDALO DA PROSTITUÏÇÃO DE MENORES EM PORTUGAL. Por... Lisboa, Editorial do Povo, [s.d.]. In-8.º peq. (11,5cm) de 97, [3] p. ; B. Biblioteca Sensação!
1.ª edição.
Invulgar ensaio ilustrado com casos do conhecimento do autor.
"Era nossa intenção falar simplesmente dum caso de aparência exclusivamente moral, mas o homem cria os seus princípios e revela os seus valores de olhos postos na sociedade; e quanto melhor esta fôr melhor será o homem; e quanto melhor fôr o homem melhor ela será.
Esta série de fluxos e refluxos formava justamente o princípio dinâmico das civilizações. Assim como a função faz o orgão, a sociedade faz o homem e o homem faz a sociedade.
Eis por que, tratando dum caso moral, não pudemos subtrair-nos à considerações, embora muito sumárias, que acabamos de fazer.
Quando uma moral que diz que não se deve ter uma certa atitude ou praticar certa acção é inteiramente desmentida pelo espelho duma sociedade que mostrou a mais natural e calma das tolerâncias para com essa atitude e prática dessa acção, ou a moral é falsa ou está mal enunciada."
(excerto da introdução, Considerações preliminares)
Matérias:
Considerações preliminares. I. O exemplo. II. Coisas que acontecem... - III. Voz que não ecoa. IV. Itinerário impúdico.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Pouco comum.
Sem registo na BNP.
15€

04 outubro, 2013

PESSOA, Alfredo Amorim – OS BONS VELHOS TEMPOS DA PROSTITUIÇÃO EM PORTUGAL. Antologia de histórias e documentos colhidos na História da Prostituição em Portugal de Alfredo Amorim Pessoa (1887). Realização e anotações de Manuel João Gomes (1976). Com as licenças necessárias e privilégio d’el rei. Lisboa, Arcádia, 1976. In-8º (20,5cm) de 248 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrado com gravuras no texto.
“Este livro não pretende de modo algum desenvolver um estudo exaustivo sobre a prostituição em Portugal mas coloca uma pergunta inquietante: que diferença existe entre as relações sexuais dentro da prostituição e as relações sexuais convencionais? A partir daqui o autor analisa a história do adultério da libertinagem de tudo o que possa chamar-se «sexualidade» e a qual faz equivaler à devassidão extrapolando frequentemente para o campo da pura moralidade. A ideia central deste historiador e que preside ao seu exercício histórico é esta: cada século é sempre mais impuro do que o anterior. A Amorim Pessoa não interessa tanto estudar a prostituição enquanto fenómeno político-social mas expor os princípios que nas nossas sociedades feudais-burguesas norteiam as relações familiares. Esta obra (aqui compilada e anotada por Manuel João Gomes) vale sobretudo como documento psicológico de uma época – o fim do século XIX altura em que este trabalho conheceu grande publicidade e êxito.”
Matérias:
1.ª Parte – Pré-história da prostituição portuguesa.
2.ª Parte – História propriamente dita de Portugal.
3.ª Parte – Onde a história propriamente dita dá lugar a uma miscelânea jornalística.
Conclusão – Século XXI à vista.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito curioso.
Indisponível

17 janeiro, 2013

LEMOS, A. Tovar de – INQUÉRITO ACERCA DA PROSTITUIÇÃO E DOENÇAS VENÉREAS EM PORTUGAL : 1950. Lisboa, Editorial Império, 1953. In-8º (21,5cm) de 145, [1] ; [5] f. desd. ; [5] mapas color. ; il. ; B. Direcção Geral de Saúde : Dispensário de Higiene Social de Lisboa
Contém o retrato de S. Ex.ª o Senhor Ministro do Interior, Dr. Trigo de Negreiros em extratexto.
Ilustrado no texto e em separado com fotografias e mapas.
Obra de referência, talvez o mais importante estudo que sobre este assunto se publicou em Portugal.
“Quanto à prostituição pouco se tem adeantado no sentido da sua diminuição. O que possa parecer diminuição corresponde sempre a uma nova modalidade dela se exercer. A questão que mais interessa é evitar a exploração e a incitação. […] Outro assunto estreitamente ligado à prostituição é a propagação das doenças venéreas pelas mulheres que se entregam a essa vida. […] As doenças venéreas são sempre de esconder. A prostituição só se conhece a declarada, da clandestina também é difícil o testemunho da sua existência e o quantum é uma questão susceptível de erro, mercê de muitos factores a começar pela sensibilidade do informador.. Quando se diz muito ou pouco, é uma questão subjectiva. Mas de uma maneira geral e porque o inquérito é mais de aspecto de extensão que profundidade, colhem-se os elementos suficientes para se fazer uma ideia do que são as doenças venéreas e a prostituição em todo o país.” (excerto da introdução)
Alfredo Tovar de Lemos. “Licenciado em medicina aos 23 anos, cedo começou a preocupar-se com os problemas sociais e com a saúde dos mais desprotegidos. Dedicou-se ao estudo da Higiene Social e à propaganda da Educação Física, e dirigiu a primeira Escola de Reeducação de Sinistrados do Trabalho. Desempenhou diversos cargos públicos, tendo sido Director do Dispensário de Higiene Social de Lisboa, Delegado de Saúde e Vereador da Câmara de Lisboa."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico, sociológico e bibliográfico.
Indisponível