31 dezembro, 2022

PORTUGAL CORTICEIRO : organe des intérêts liégeurs portugais - Numéro Spécial - EXPOSITION INTERNATIONALE DE PARIS : 1937 /
PORTUGAL CORTICEIRO : orgão dos interesses corticeiros portugueses - Número Especial.
Director e Editor: Dr. João Calheiros. Administrador: Raul Contreiras. [Lisboa], [Dr. João Calheiros - Empresa de Propaganda Corticeira, Lda], 1937. In-fólio (31,5x23,5 cm) de 76 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para história da indústria corticeira nacional. Trata-se do Número Especial, redigido em francês, especificamente concebido para promoção da cortiça e seus produtores na Exposição Internacional de Paris realizada em 1937.
Oficialmente denominada "Exposition Internationale de Artes te Techniques dans a Vie Moderne", o certame decorreu entre 25 de Maio e 25 de Novembro de 1937, em Paris, com participação de 44 países, sendo 31 milhões o número estimado de visitantes.
Livro/revista muito ilustrado com desenhos, fotografias e mapas ao longo do texto, sendo que, a partir da página 45 - até final - o espaço é totalmente reservado à publicidade de produtores e lojistas relacionados com a cortiça.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
45€

30 dezembro, 2022

CORRÊA, Antonio Augusto Mendes - O GENIO E O TALENTO NA PATHOLOGIA
(esboço critico)
. Porto, Imprensa Portugueza, 1911. In-8.º (20 cm) de [6], 184 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio dedicado à análise das capacidades artísticas evidenciadas por pacientes internados em instituições consagradas às doenças do foro psiquiátrico, e outras patologias que, não se enquadrando nessas, eram tratadas como tal.
Primeira obra do autor, tendo servido de dissertação final ao curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Livro ilustrado com 17 figuras, sendo a maior parte em página inteira, reproduzindo trabalhos de doentes, os mais variados: desenho; pintura; artefactos de madeira, partituras, etc., produzidos em Rilhafoles, mais tarde Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), e no Hospital do Conde Ferreira (Porto).
"São velhos e banaes os conceitos de que «não ha grandes homens para os seus creados de quarto» e de que creaturas de mentalidade superior «não teem o juizo todo». A não ser que uma idolatria apaixonada, motivada as mais das vezes por uma conformidade de opiniões, venha suspender um tal criterio depreciativo, a cada passo de apontam, a meia voz e entre risinhos ironicos, excentricidades, manias bizarras, singularidades intimas, extravagancias ridiculas de creaturas notaveis, o que se leva tudo á conta de perturbações de saude mental. [...]
O medico moderno abandonou o papel restricto dos seus antecessores e, firmado na somma enorme de conhecimentos que a sciencia lhe fornece, entrou de alargar legitimamente o seu campo de acção. A medicina hoje tem, por exemplo, um importante aspecto social e ao medico exige-se em muitos casos que seja doublé de sociologo. Na hygiene, em medicina legar, etc., o medico não é o physico antigo, o remoto cirurgião, o humillimo curandeiro archaico, mas um verdadeiro sociologo, que põe em jogo factos sociaes e intervem poderosamente na vida colectiva das sociedades humanas.
Um campo novo se lhe abriu tambem na psychologia. O fôro da consciencia era antigamente quasi do exclusivo dominio do ministro da religião. A actividade do espirito não era devassada habitualmente pelo medico; nas proprias perturbações mentaes, nos casos de loucura, chamava-se o padre para com bençãos e exorcismos expulsar o espirito maligno do desventurado possesso, ou, com um pittoresco optimismo e uma crendice suprema, cuidava-se - noutras épocas - de adorar as victimas de taes perturbações como se uma inspiração divina sobre ellas tivesse baixado."
(Excerto de A medicina e a critica)
Matérias: A medicina e a critica. | Conceitos do genio e do talento. | A historia da questão da morbidez do genio e do talento. | As doutrinas de Moreau ( de Tours) e de Max Nordau. | A doutrina de Lombroso. | O genio e o talento nos alienados. | Conclusões.
António Augusto Esteves Mendes Correia (1888-1960). "Antropólogo português, nasceu a 4 de abril de 1888, no Porto, e morreu a 7 de janeiro de 1960, na cidade de Lisboa. Licenciou-se em Medicina em 1911 e foi nomeado assistente de Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde começou a ensinar Antropologia. Dois anos mais tarde, em 1913, fez provas públicas nesta mesma faculdade, apresentando a dissertação: "Os Criminosos Portugueses (Estudos de Antropologia Criminal)".
Apesar de ser licenciado em Medicina, António Mendes Correia dedicou-se sobretudo ao ensino e à investigação científica. Foi professor de Geografia e Etnologia na Faculdade de Letras do Porto e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da mesma cidade. Para além da docência, Mendes Correia ocupou diversos cargos diretivos, tendo sido Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Faculdade de Ciências do Porto (1923), Diretor da Escola Superior Colonial, que mais tarde se veio a chamar Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1946), e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), entre outros.
António Mendes Correia ajudou ainda a fundar diversos institutos, sociedades, museus e laboratórios científicos tais como o Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. No âmbito da política, foi Presidente da Câmara Municipal do Porto de 1936 a 1942 e Deputado da Assembleia Nacional a partir de 1945.
António Mendes Correia foi um dos nomes mais importantes da Antropologia portuguesa do século XX. Para além de professor de Antropologia, Mendes Correia soube acompanhar as mais relevantes correntes do seu tempo e contribuir para a sedimentação desta ciência em Portugal.
Conhecedor de múltiplos saberes, Mendes Correia publicou inúmeros estudos no âmbito da Antropologia, Arqueologia, Criminologia e História. Da sua vastíssima obra destacam-se as seguintes publicações: 1911, O Génio e o Talento na Patologia; 1913, Criminosos Portugueses; 1915, Crianças Delinquentes; 1915, Antropologia; 1919, Raça e Nacionalidade; 1921, Homo; 1924, Os Povos Primitivos da História; 1925, A Antropologia nas suas relações com a Arte; 1931, A Nova Antropologia Criminal; 1932, Origens da Cidade do Porto; 1934, Da Biologia à História; 1940, Da Raça e do Espírito; 1946, Uma Jornada Científica na Guiné Portuguesa; 1954, Antropologia e História.
(Fonte: infopédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

29 dezembro, 2022

MARIA, Rosa - COMO SE ALMOÇA POR 1$50.
Cem almoços diferentes. Compostos de carne, peixe, legumes, ovos, cereais, etc. Orçamentados ao preço do mercado. Por... 3.ª edição. Vida Económica. [Excelente auxiliar das donas de casa]
. Lisboa, Emprêsa Literária Universal, [193-]. In-8.º (19 cm) de 30, [2] p. ; B.
Curiosa colecção de 100 receitas do baixo custo, tendo em atenção a conjuntura económica e social da época.
"Ao elaborar estes menús económicos, tive em mira facilitar-vos perante a escassez de recursos, uma série de almoços práticos e variados, sem que com êles, tenham de gastar mais do que o orçamento, porém, estes almoços, quando cosinhados, em conjunto, (para duas ou três pessoas), devem sair mais económicos, podendo por isso, aumentar as quantidades nutritivas, tais como, manteiga, azeite, carnes, ovos, etc.
Servi-me da base dos preços do mercado Lisboeta, no momento de elaborar esta obrazinha, por isso será mais fácil haver algumas oscilações para mais ou menos, no entanto os preços indicados são os mais aproximados."
(Excerto do preâmbulo - Ás donas de casa)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas manchas.
Invulgar.
10€

28 dezembro, 2022

MENGO, Francisco da Silva - DICCIONARIO DE NOMES DE BAPTISMO.
Comprehendendo mais de quatro mil nomes de ambos os sexos. Colligidos dos Registos Officiaes, da Mythologia, da Historia, dos «Flos Sanctorum», etc. Por... Com um prefacio do Dr. Theophilo Braga, professor do Curso Superior de Lettras
. Porto, Typographia Elzeviriana annexa á Livraria Civilisação, 1889. In-8.º (18 cm) de XIV, 136 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso repositório/"dicionário" de nomes de baptismo, obra pioneira que sobre este assunto se publicou entre nós.
Sobre a presente obra, com a devida vénia, reproduzimos texto do excelente post publicado do blogue "Genealogia sem segredos"cujo link disponibilizamos no final.
"Anunciado como tendo "mais de quatro mil nomes de ambos os sexos" não só coligidos dos "registos officiaes", mas também "da Mythologia, da Historia, dos «Flos Sanctorum»", este dicionário publicado em 1889 é particularmente curioso. Por um lado, foi a primeira publicação do género em Portugal e - no seu propósito e no formato em que foi feita - seria também a última. Por outro lado, a obra poderá ter favorecido a grande diversificação de nomes de baptismo dados em Portugal em finais do século XIX e no início do século XX, sobretudo em zonas urbanas.
Prefaciado por Teófilo Braga, o Dicionário de Nomes de Baptismo de Francisco da Silva Mengo apresenta ainda outras curiosidades, como o facto de o autor ter elencado mais do dobro de nomes masculinos, face aos nomes femininos, quando a prática de escolha de nomes de baptismo, na época, revela-nos maior diversidade nos nomes dados a meninas. Outro detalhe curioso é a inclusão, na lista de nomes masculinos, de alguns nomes que hoje associamos ao sexo feminino, como Abigail ou Amarilis.
Quem era Francisco da Silva Mengo? Estabelecido no Porto como editor e livreiro (tendo chegado a ser dono da célebre Livraria Moré), era um erudito que privou com alguns dos mais importantes pensadores e romancistas portugueses da época, nomeadamente Camilo Castelo-Branco. À época em que escreveu o seu Dicionário de Nomes de Baptismo, encontrava-se já cego. Nesta obra compilou os nomes alfabeticamente, incluindo não só os que haviam sido "sanccionados pela Egreja", mas também muitos outros, que não correspondiam a santos ou beatos. A estes, o autor teve o cuidado de adicionar asteriscos, talvez para prevenir os leitores que a sua atribuição em baptismo poderia ser recusada.
Apesar de alguns milhares de nomes compilados, o Dicionário de Nomes de Baptismo de Francisco da Silva Mengo não abrangeu todos os nomes de baptismo que, na época, estavam a ser dados em Portugal. Aliás, numa das suas notas finais ao dicionário, o autor escreveu: "É sobrenome, assim como: Sertorio, Murillo, Cicero, Nelson, Cincinnato, Petrarca, Linneu, Collatino e outros, que actualmente estão sendo impostos como nomes de baptismo". Por conseguinte, Francisco da Silva Mengo omitiu alguns nomes de baptismo que entendia não serem apropriados para tal função. Contudo, não ficam claros os critérios seguidos pelo autor para a inclusão ou a exclusão de vários nomes. Basta referir que o dicionário inclui Elisabeto como nome masculino, mas omite Elisabete como nome feminino, embora este tenha passado a ser relativamente comum em Portugal várias décadas mais tarde. Apesar disto, o Dicionário de Nomes de Baptismo não deixa de ser uma obra interessante para quem se interessa pelo tema dos nomes dos seus antepassados, e para a Genealogia e História da Família em geral."
(Fonte: https://genealogiasemsegredos.weebly.com/blog/o-dicionario-de-nomes-de-baptismo-de-francisco-da-silva-mengo-1889)
"Para fazer um Diccionario de Nomes proprios, ha dois processos, que não se excluem, antes mutuamente se cosdjuvam; o primeiro é scientifico, applicando os methodos da Glottologia aos nomes individuaes ou locaes, estabelecendo os themas e modificações phoneticas e que derivam, segundo as linguas e épocas sociaes que contribuiram para a civilisação actual, e determinando as fórmas por que esses nomes passaram, segundo os cruzamentos das raças que constituem um dado povo. O segundo processo é empirico; consiste em colligir a maior somma de nomes, quer do uso vulgar, quer dos documentos, inscripções ou escripturas, para, diante, de séries completissimas, fixar as correlações e os themas ethnolinguisticos por onde esses nomes generativamente se agrupam.
Em Portugal, como parte da peninsula hispanica, um perfeito Diccionario onomatologico exigiria um estudo particular dos nomes bascos, celticos, romanos, germanico e arabes. Em relação aos nomes locaes, esse estudo leva, a importantes descobertas sobre o conhecimento das raças e sua distribuição topographica, como ensaiou Guilherme Humboldt; pelo seu lado, os nomes individuaes são magnificos elementos de uma paleontologia social."
(Excerto do Prefacio)
"Em razão do seu objectivo especial, nenhum Diccionario da Lingua Portugueza dá á estampa os nomes de baptismo.
Seguindo rumo differente, outros porém, destinados ao estudo de linguas extrangeiras, addicionam uma lista d'estes nomes, mas essa lista — evidentemente reproduzida, apenas com leves variantes, de umas para outras edições — deixa muito a desejar por deficiente, ou incorrecta. Demais, o elevado preço d'estes diccionarios e o facto de serem, como já dissemos, destinados a linguas extranhas, nem a todos permittem possuil-os, ou consultal-os; assim, a maioria das pessôas não tem para onde recorrer em casos de duvida, infelizmente frequentissimos, quer elles digam respeito á nomenclatura, quer á orthographia.
Preencher (pelo menos, diminuir em grande parte) uma tão sensivel  lacuna e facilitar ao mesmo tempo, de conformidade com as fontes mais auctorisadas, o conhecimento dos nomes sanccionados pela Egreja, - eis o intuito do presente opusculo, o primeiro no seu género até hoje publicado em Portugal.
Que esta circumstancia, sobretudo, desperte nos leitores alguma indulgencia para os defeitos do livro, e o auctor dará por bem empregadas as longas horas que consumiu na elaboração do seu trabalho.
Elle fez o que pôde, e não foi muito; outros virão talvez que, com menor esforço e maior applauso, farão mais e melhor."
(Preâmbulo - Duas palavras)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Selo de biblioteca da Freguesia de Santa Maria de Cintra na lombada, e carimbo e identificação manuscrita da mesma na f. rosto.
Raro.
Indisponível

27 dezembro, 2022

MORENO, Capitão Mateus - ASPECTOS MILITARES DA DEFESA DE ANGOLA.
Separata da «Revista Militar»
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra - Lisboa], 1940. In-4.º (23 cm) de 13, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessantíssimo ensaio militar sobre a defesa de Angola, sendo as considerações do autor baseados no presente da colónia e na análise de dados estatísticos.
Opúsculo ilustrado com tabelas e um mapa de Angola: Esquema da actual distribuição das unidades e serviços militares da colónia.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa, na capa, do autor ao "querido e velho amigo Dr. Francisco Carmo e Cunha".
"Como elementos de mobilização próprios, Angola deverá contar, para a sua defesa, com os europeus de metrópole que a habitam, com os europeus nascidos na colónia e com os respectivos indígenas e mestiços; não sendo, porém, todos estes elementos ainda bastantes para que se possa já pôr de lado o antigo recurso às expedições metropolitanas, sempre muito dispendiosas e sujeitas a outros inconvenientes em demasia conhecidos, e porque também não é, de facto, tão abundante já a população da colónia, que se nos apresente como de temer o problema da saturação demográfica, não falta quem, fundamentado em razões que muito interessam à resolução simultânea de dois problemas - o da colonização e o da defesa militar - alvitre a transfusão dos excedentes da população metropolitana para os locais de Angola considerados mais aptos à fixação do branco.
A pergunta: colonos ou soldados?, acorrem, então, os que assim opinam, com a firme resposta: - Colonos!, mas colonos que, no momento próprio, possam transformar-se em verdadeiros soldados, pegando em armas para a defesa do seu torrão, pois não se explica que um tão honroso encargo pudesse se confiado quási exclusivamente ao indígena, num sacrifício deveras pesado, sendo dêle dispensados aquêles a quem, mais do que ninguém, deve interessar a defesa da própria terra."
(Excerto de Como deve ser feita a defesa de Angola? Soldados ou colonos?)
Matérias:
[Preâmbulo]. I - Como deve ser feita a defesa de Angola? Soldados ou colonos? II - Angola é, dentre todos os países intertropicais, o que possue maior densidade de população branca. III - A organização defensiva de Angola. Números e possibilidades. IV - A lei-programa da reconstituïção económica e defesa nacional e a valorização do indígena.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. No interior é visível mancha de humidade antiga, de alguma dimensão, transversal ao livro. Com sublinhados e notas manuscritas laterais.
Raro.
Com interesse histórico e colonial.
Sem registo na BNP.
20€

26 dezembro, 2022

VASCONCELOS, Máximo Augusto de - O EMIGRADO FRANCÊS OU O DELFIM DE ELVAS.
[Por]... Coronel de Reserva
. Valença. Melgaço = Tip.ª «Melgacence», 1927. In-4.º (23,5 cm) de [4], 45, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico, trabalho de pesquisa e recolha sobre a verdadeira identidade do "Delfim de Elvas", por muitos identificado como Luís Carlos, herdeiro do trono francês, filho natural de Luís XVI e Maria Antonieta - ambos guilhotinados na sequência da Revolução Francesa - que terá fugido para Portugal para escapar ao cruel destino de seus pais.
"Laborioso é o estudo de factos históricos, quando dêles não resultam vestígios que guiem a inteligência do historiador; está nêste caso o interessante problema histórico que passo a tratar, guiando-me é certo pela resumida e vaga biografia de meu avô paterno, o suposto Augusto Cezar de Vasconcelos, - «O Delfim de Elvas», escripta por seu filho e meu tio José de Vasconcelos.
Desde 1830 era conhecido meu avô pelo Delfim de Elvas; tôda a gente de Elvas, desde então, se convencera que era falso o nome que uzava, embora fosse desconhecido o seu nome de baptismo, bem como o apelido de sua família; que êle cuidadosamente os ocultava, é óbvio, todos justamente o supunham, e afirmavam qual fosse, era o Delfim de França.
Ao alistar-se em começo de Abril de 1809, no regimento de artilharia n.º 3, por indicação do Marquez de Tiernay, General francês ao serviço de Portugal, e que era próximo parente do Rei de França Luís XVI, apresentara-se como natural da cidade do Porto, ao tempo ocupada pelo exército do Comando de Soult, desde 29 de Março a 12 de Maio do mesmo ano. [...]
Até 1830 facilmente ocultou a sua naturalidade, pois que sendo homem de vasta ilustração e falando e escrevendo correctamente o português, ninguém o supunha francês, tanto mais que tendo contraído casamento em Elvas em 1810, apresentara os seus papeis despachados no Bispado de Vizeu, e como natural da freguesia de S. Martinho de Pindo, hoje do concelho de Penalva do Castelo, districto de Vizeu.
Aqui temos a primeira contradição para se conhecer a sua identidade; é certo que mais tarde se veio a saber que eram falsos os papeis que apresentara para se casar, bem como falsa era a naturalidade e nome que deu ao sentar praça.
Em 1830 veio a Elvas um padre de Vizeu que o reconheceu como sendo o emigrado francês, que até 1809, estivera em casa dos fidalgos Melos daquela cidade, o que êle não negou; e acediado com perguntas da esposa e dos filhos, contou a sua odisseia desde 1793, em que acompanhado de uma dama francesa, embarcaram em França em um navio expressamente fretado, que os conduziu a Lisboa, onde desembarcaram, e a dama o metera em um colégio, de onde mais tarde fugira com um condiscípulo que o induziu a embarcar em um navio negreiro, de que era comandante o pai daquêle seu condiscípulo.
Ocultou com tudo o seu nome, a sua hierarquia e o apelido da sua família."
(Excerto da Introdução)
"Ficava a família Real no Templo, quando o Rei Luís XVI se arrancou aos últimos abraços para caminhar ao suplício.
A Rainha deitada sôbre a cama, vestida, tinha ficado durante longas horas de agonia no dia 21 de Janeiro de 1793, abismada em freqüentes desmaios, interrompidos por soluços e preces!! [...]
A convenção depois de decretar que a Rainha Maria Antonieta, seria separada do filho para ser julgada, assim lh'o fez notificar na prisão.
No acto da leitura desta ordem à família Real, o menino correu a abrigar-se nos braços da mãe, e não foi sem grande lucta que ela por fim o vestiu e o entregou inundado de lágrimas, aos carcereiros.
O sapateiro Simão, escolhido pela sua brutalidade para substituir o amor do coração terníssimo de sua mãe, o conduziu ao quarto destinado para o jovem rei agonizar!!
Ali foi dado por morto, quando na realidade foi salvo como se verá.
Em princípio de Abril do ano de 1809, saiu de Vizeu, acompanhado de um almocreve, um jovem de boa aparência; jornardeando por caminhos menos seguidos dirigiram-se a Borba, em demanda da residência do Marquez de Tarnay a quem se apresentou o nosso jovem."
(Excerto de O emigrado Francês ou o Delfim de Elvas - Cap. I)
Matérias:
Introdução. | Primeira Parte: Luís XVI. Rei de França - [V Capítulos]. Segunda Parte: O emigrado Francês ou o Delfim de Elvas - [XV Capítulos]. | Arvore genealógica da família dos Augustos de Elvas - [III Capítulos].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com vincos e pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

25 dezembro, 2022

M
OITA, Tiago Alexandre Asseiceira - O MISTÉRIO DO NATAL NA PINTURA PORTUGUESA. Lisboa, Paulus Editora, 2009. In-4.º (24,5 cm) de 172, [4] p. ; mto il. ; C.
1.ª edição.
Belíssimo livro, impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado com fotografias de alta resolução reproduzindo pinturas religiosas de mestres portugueses.
"Uma recolha apurada das principais obras (pinturas) de artistas portugueses de diferentes épocas e estilos que tenham como tema o Natal (visitação, nascimento, apresentação, reis magos etc.). Livro colorido, com um comentário histórico-teológico de cada obra. «Este é um livro de descobertas, histórias do "maravilhoso", atestados de fé, de mãos dadas com algumas das melhores formas artísticas geradas pelos mestres portugueses de ontem e de hoje. É um livro de crenças seculares mas também de afirmação de discursos estéticos aptos a gerar emoções, sem deixar de sensibilizar para a arrebatação mística. Como afirma o autor, Tiago Moita, do que se trata é de «avaliar como a arte cristã enfrentou a dificuldade de representar o mistério do Verbo feito carne», numa dimensão com visibilidade histórica e poder salvífico: «para todos, crentes ou não, as realizações artísticas inspiradas na Sagrada Escritura permanecem um reflexo do mistério insondável que abraça e habita o mundo». A escolha das obras não podia ser mais poderosa e certeira(…)»."
(Excerto do Prefácio)
Encadernação editorial, cartonada, policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

24 dezembro, 2022

MORAIS, Guilherme de - ILHAS DO INFANTE : manchas & paisagens dos Açores
. Angra do Heroismo, Livraria Editora Andrade, [1938]. In-8.º (18,5 cm) de 242, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição independente.
Edição original desta estimada colectânea de narrativas do autor que, em viagem pelo arquipélago dos Açores a bordo do icónico cruzador da Marinha de Guerra Portuguesa - o Vasco da Gama -, escreve sobre as ilhas do seu coração.
Livro ilustrado com um bonito ex-libris, desenho da autoria do pintor açoriano Domingos Rebelo.
"Êste livro tem, naturalmente, a sua história.
Uma história banal e simples como as páginas singelas que lhe formaram o corpo e deram também a alma.
Êste livro nasceu da sugestão amável de alguns amigos - generosos amigos - insistindo para que reunisse em volume as crónicas publicadas no "Correio dos Açôres", sob o título genérico de "Um Cruzeiro nos Açôres a bordo do "Vasco da Gama": - série de pequenas manchas ou notas de paisagem que o lápis apontou de fugida e os olhos fixaram, deslumbrados, durante o Cruzeiro do velho Pimpão da Heróica Marinha de Guerra Portuguesa pelas ilhas do meu Arquipélago, celebrando patrióticamente o V Centenário do seu Descobrimento. [...]
Ao idear êste livro de paisagens açoreanas notei que êle ficaria incompleto se o compuzesse apenas das crónicas publicadas no "Correio dos Açôres". Assim, outras páginas inéditas se juntam àquelas narrativas já estampadas na imprensa, de modo a dar uma visão de tôdas as ilhas que Frei Gonçalo Velho buscou, há cinco séculos, às ordens do Inclito Infante."
(Excerto do Pórtico)
Índice:
Pórtico. | Santa Maria. | Rumo a Oeste. | Graciosa ( a Ilha Verde). | O Corvo. | As Flores (Jardim dos Açores). | Intermezzo. | Da Ilha da Ventura. | O Pico (a Ilha da Alma Negra). | São Jorge. | S. Miguel (A Magna). | Versos de Guilherme de Morais.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capa de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
35€

23 dezembro, 2022

AYORA - CONTOS AZUES.
Com um prefacio de Claudia de Campos. Illustrados com aquarellas de Carlos Reis
. Lisboa, M. Gomes, Editor : Livreiro de Suas Magestades e Altezas, 1897. In-8.º (19 cm) de VII, [1], 149, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Edição original desta colectânea de contos juvenis da autoria de Ayora, pseudónimo literário de Dilara de Campos de Ornelas e Matos (1877-1952), filha da prefaciadora. Julgamos que este livro é tudo quanto foi publicado da sua lavra.
"As despretenciosas narrativas de Ayora são pequenas e elegantes versões onde predomina o elemento phantastico. E ella teve, talvez, razão dando a esse elemento a preferencia. [...]
É o sonho a sorrir-nos e a chamar-nos, cheio de tentadoras promessas; é o Reino da ficção a embalar-nos com as suas captivantes miragens e abir-nos as portas do mysterioso e attrahente Infinito, supremo anhelo de toda a alma humana."
(Excerto do Prefacio)
Indice:
Prefacio. | A gata branca. | A pequenina herdeira. | A filha da Virgem Maria. | Os ducados cahidos do céo. | O preguiçoso. | A flôr de Glady. |  Os musicos da cidade de Brême. | O judeu nos silvados. | O corvo. | Os vagabundos. | Uma estranha aventura. | A ondina do lago. | A fada das nesperas.
Encadernação editorial com desenho e letras impressos a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sem as estampas referenciadas na f. rosto. Folha de índice apresenta rasgão no pé com perda de suporte.
Muito invulgar.
Indisponível

22 dezembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - O REMEXIDO.
Volume I [Volume II]
. Porto, Companhia Portugueza Editora, [1922]. 2 vols in-8.º (18 cm) de 201, [3] p. ; [1] f. il. (I) e 192 p. ; [2] f. il. ; [1] fac-sim. desdob. ; E. num único tomo
1.ª edição.
Biografia romanceada do Remexido (1796-1838), guerrilheiro algarvio leal a D. Miguel que manteve acesa a resistência absolutista no sul do país, mesmo após a Convenção de Évora-Monte, assinada a 26 de maio de 1834, acto que formalizou o termo da guerra civil (1832-1834).
Obra em dois volumes (completa) ilustrada em separado: No 1.º volume: uma estampa de D. Maria II. No 2.º volume: três estampas e um documento fac-símile, respectivamente, Marquez de Sá da Bandeira - Uma das suas ultimas photographias (repetida); O Remexido no momento da prisão - Copia de uma gravura da epocha; Fac-símile desdobrável: Proclamação dirigida aos portugueses pelo próprio Remexido no seu quartel “em as Serras” do Algarve, a 3-5-1837, em que se intitulava Governador do Algarve, Comandante em Chefe Interino do Exército do Sul e Brigadeiro dos seus Reais Exércitos.
"- Com que então alcunharam-te de Remexido por tanto teres trabalhado para demover a minha tyrannia, para alcançar o meu consentimento - dizia n'um tom entre ironico e maguado o prior de Alcantarilha para o sobrinho no dia do casamento d'este.
A responsabilidade da antonomazia pertence a Maria, a minha querida Maria - explicou com uma expressão de ineffavel felicidade Sousa Reis, abraçando n'um duplo amplexo a mulher e o tio.
- O peor - continuou o sacerdote - é que os amigos acharam graça á alcunha  já ninguem te chama Sousa Reis, é só Remexido para aqui, Remexido para alli.
Assim succedeu na realidade O sobrenome de tal modo se espalhou e popularizou que adquiriu vinculos de appelido. Mais tarde, quando uma abundante prole abençoou o enlace, os filhos accrescentaram á designação patronimica aquella que um dia tão tragica notoriedade havia de adquirir. [...]
Uma semana após o casamento, o prior de Alcantarilha chamou o sobrinho ao seu escriptorio, e disse-lhe: - Como te prometti, e ficou assente com o virtuoso prelado, bispo d'esta diocese, tratarás dos dizímos de S. Marcos e de parte dos e S. Bartholomeu pertencentes á mitra e ao cabido.
- Já sei, meu querido tio, vou eu pessoalmente proceder á cobrança junto com os creados.
- Esse negocio e outros  devem produzir o suficiente para viveres remediado..."
(Excerto do Cap. IX - O desembarque de D. João VI)
Encadernações recentes inteiras de percalina com ferros gravados a ouro nas lomabadas. Conservam as capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

21 dezembro, 2022

OLIVEIRA, Dom Ernesto Sena de - PROVISÃO SOBRE NOSSA SENHORA E OS SEMINÁRIOS DE COIMBRA.
[Por]... Arcebispo Bispo de Coimbra
. [S.l.], [s.n. - Tip. Gráfica de Coimbra - Coimbra], 1954. In-8.º (20,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa apologia aos seminários, pelo Bispo de Coimbra, D. Ernesto Sena de Oliveira.
"Por agora, limitar-Nos-emos a falar-vos dum assunto de que já tantas vezes Nos temos ocupado nesta altura do ano e que aliás, se não erramos, tão intimamente se prende com a missão altíssima e essencial de Nossa Senhora.
Queremos referi-Nos aos Seminários.
Qual foi a missão essencial a que Deus chamou Nossa Senhora?
Foi indubitàvelmente a de dar Cristo ao mundo, isto é, a de dar ao mundo Aquele que é a Sua luz e o Seu Salvador.
A que se destinam por seu turno os Seminários? A dar ao mundo sacerdotes que são "outros Cristos", quer dizer, homens investidos no próprio sacerdócio de Cristo, destinados a ser n'Ele, com Ele e por Ele, «Luz do mundo e sal da terra» (S. Mat. V, 13) como o próprio Cristo proclamou."
(A missão essencial de Nossa Senhora/A função dos Seminários)
Matérias:
Quase ao findar do Ano Mariano. | Peregrinação ao Santuário de Fátima. | Encerramento do Ano Mariano em Coimbra. | A missão essencial de Nossa Senhora. | A função dos seminários. | A missão do sacerdote. | Maria Santíssima, o Seminário e o Sacerdote. | destinados a uma obra eminentemente sobrenatural os seminários precisam de recursos terrenos e temporais. | Depois do tufão revolucionário. | Apelo ao Clero. | Apelo aos fiéis em geral. | A caridade deve a ajudar todos. | Para o Seminário um quinhão e um carinho especial. | O que importa fazer. | Esmola pequenina mas de todos e alegremente dada. | Intenções da «Semana ou Campanha dos Seminários». | Comissões Paroquiais que devem superintender na Campanha. | Ofertório público e solene das dádivas recolhidas durante a semana. | Procissão do Ofertório. | Fundada esperança do Pastor. | Disposições práticas.
D. Ernesto Sena de Oliveira (Funchal, 1892 - Santa Cruz, Coimbra, 1972). "Foi transferido em 28 de Outubro de 1948, da Diocese de Lamego para a Mitra de Coimbra, e fez a sua entrada na Diocese em 13 de Março de 1949. Continuou a remodelação dos três edifícios do Seminário, quartos, soalhos, corredores, mobiliário e aformoseamento do átrio norte do Seminário. Em 1958 celebrou-se o segundo centenário do Seminário e foi inaugurado um busto do fundador. Deu grande impulso à Acção Católica, construiu de raiz o novo Paço Episcopal na Rua do Brasil para onde se mudou em 1961; em 1962 fez construir o Colégio São Teotónio; adquiriu para a Diocese a Casa e Quinta de S. António em Penacova. Resignou em 12.8.1967 e faleceu em 15 de Outubro de 1972."
(Fonte: https://www.diocesedecoimbra.pt/diocese/historia/bispos/1948-1967-d-ernesto-sena-de-oliveira:1152)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

20 dezembro, 2022

CORREIA, General J. Santos - O NOVE DE ABRIL E A PRIMEIRA GRANDE GUERRA.
Conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa em 9 de Abril de 1953. Separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa : Janeiro a Março de 1954
. Lisboa, [Distribuidores Gomes & Rodrigues, L.da, 1954. In-4.º (24,5cm) de 34, [2] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição. 
Conferência proferida pelo General Santos Correia sobre a participação portuguesa na Grande Guerra, e em especial na Batalha de La Lys, trágico episódio da nossa história militar, não deixando no entanto de focar os antecedentes do conflito.
Edição ilustrada com 4 folhas separadas do texto:
1. Mapa do teatro de operações militares com pormenor das frentes. 2. Mapa com dispositivo da 2.ª Divisão, em 8/9 de Abril de 1918. 3. Fotografia do Padrão de Lacouture e Uma trincheira portuguesa. 4. Fotografias da Festa da Vitória - desfile dos combatentes portugueses: em Paris; em Londres.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Coronel Mauro Olavo Correia de Azevedo.
"O Sector Português estava situado numa planície argilosa, que o degelo ou as chuvas transformavam em lamaceios, motivo dos muitos drenos que o atravessavam, permitindo a saída das águas para o rio Lys, ao Norte, e para a ribeira Lawe, sua tributária, a Oeste.
Ao longo dos seus 10 quilómetros de frente, estendia-se uma trincheira contínua - a linha avançada ou Linha A -, em parte cavada nesse terreno, preservando-se os combatentes do contacto da água por meio de grades de madeira colocadas acima do fundo. Um muro de sacos de terra servia-lhe de parapeito; à frente, três faixas de arame farpado dificultavam o seu acesso ao inimigo.
Para além dessa linha, uns 100 a 300 metros, ficava a 1.ª linha inimiga e, entre ambas, a «terra de ninguém», faixa de terra revolvida pelas granadas, onde apenas se via uma ou outra árvore decepada, vestígio de antiga casa ou cratera formada por granada, que a água transformava em pântano. Era uma faixa de desolação e morte: de desolação, pelo seu aspecto triste; de morte, porque, dia e noite, os combatentes a vigiavam."
(Excerto de A Batalha do Lys ou o 9 de Abril)
Índice:  [Preâmbulo]. | O Anteguerra. | A Guerra. | A intervenção de Portugal na Guerra. | O C. E. P. | A Batalha do Lys ou o 9 de Abril. | A Continuação da Guerra. | A Última Ofensiva. | A Cooperação de Portugal. | Dois esboços. | Quatro fotografias, of. do Sr. A. Garcês.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 dezembro, 2022

AGOSTINHO, José - A SANTA DOS IMPOSSIVEIS. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1931. In-8.º (20 cm) de [14], 152 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia romanceada de Santa Rita de Cássia (1381-1457), freira agostiniana da diocese de Espoleto, Itália. Devido aos milagres obtidos por sua intercessão o povo deu-lhe o nome de "Santa das causas impossíveis", tendo sido venerada sobretudo em Itália, Portugal e Espanha, onde o seu culto alastrou rapidamente.
Livro ilustrado em separado com reprodução de uma pintura da Santa.
"A tarde de 22 de Maio de 1381 veio cálida e embalsamada, propicia a idilios e clemencias. Antonio Mancini não fôra á herdade, seu labor e sustento.
Amata aconchegara-se no cadeirão da sua camara, envolta em roupagens. Tiritava, como se o tempo não fosse de sol estival e gemia como fonte crispada pelos ventos do sul, num pressentimento de vendaval e horror.
A aproximação do parto cobria-a de convulsões e agonias, de calafrios e espasmos. Esperavam com ansia pela parteira, que áquelas horas já tinha partido de Cassia na sua burrinha, nada e criada na Sardenha longinqua.
A sua burrinha! Firme e veloz de passo, robusta e amoravel, zelosa como se entendesse e amasse a sua missão, o seu relincho estridente era o alento, o repouso e o jubilo das parturientes daquelês rincões."
(Excerto do Cap. II)
José Agostinho de Oliveira (Lamego, 1866 - Lisboa, 1938). "Mais conhecido por José Agostinho, foi um professor, escritor, dramaturgo e crítico literário português. Autor de vasta obra em prosa e em verso. Escreveu ainda para a imprensa portuguesa e brasileira.”
(Fonte: Wikipédia)

Encadernação editorial inteira de percalina com feros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

18 dezembro, 2022

PEDROSO, Z. Consiglieri - A CONSTITUIÇÃO DA FAMILIA PRIMITIVA.
These para o Concurso da Primeira Cadeira do Curso Superior de Lettras (Historia Universal e Patria). Historia Ante-Historica. Por...
Lisboa, Lallemant Frères : Fornecedores da Casa de Bragança, 1878. In-8.º (20,5 cm) de IX, [1], 54 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante e valioso ensaio académico sobre a organização familiar no período pré-histórico.
Livro muitíssimo valorizado pela dedicatória manuscrita do autor "ao seu amigo J. de Freitas Branco".
"Anterior aos Kings, ao Pentateucho, á Iliada, ao Avesta, ao mais antigo hymno do Rik, e ao mais velho monumento da civilisação pharaonica, que é a mais velha civilisação historica, ha uma larga serie de seculos, durante os quaes o homem esboçou as primeiras fórmas do seu viver, e ensaiou os primeiros passos na estrada do progresso. Remontar, principalmente pela inducção scientifica auxiliada pelo methodo comparativo, e tendo em vista o que atraz deixámos dito, até esse longinqua epoca, é ir investigar o verdadeiro campo das nossa origens. Foi o que fizemos na nossa these, não perdendo num um unico momento de vista o principio critico superior que enunciámos, e fazendo entrar para a resolução do nosso problema os elementos que nos ministram as sciencias sociologicas, recentemente constituidas."
(Excerto do preâmbulo)
"Nada ha mais profundo e ao mesmo tempo mais curioso para a investigação  do philosopho e do historiador do que a alma de um povo. Emquanto as camadas superiores das sociedades se transformam  n'uma evolução constante, mudando a cada momento de aspecto, o povo, embora tendo da mesma sorte a sua evolução, guarda fielmente o deposito sagrado das suas tradições, que se transformam tambem, mas só com muita difficuldade se desarreigam do seu espirito. Atravessam incolumes estas tradições as epocas de mais brilhante civilisação, e se nem sempre se apresentam á luz do dia, nem por isso deixa de viver e ser evocadas no recinto do lar e no limitado circulo da familia, como as poeticas e saudosas recordações da infancia, que por vezes occorrem ao espirito do homem, já adulto, no recolhimento das suas meditações."
(Excerto de O elemento tradicional no estudo das origens historicas)
Matérias:
[Preâmbulo]. | Concepção acientifica da Historia ou sociologia concreta. | O elemento tradicional no estudo das origens historicas. | A constituição da familia entre as populações actuaes de civilisação rudimentar. | A constituição da familia entre a gente arica no começo dos tempos historicos. | Conclusão: A constituição da familia primitiva.
Zófimo José Consiglieri Pedroso Gomes da Silva (Lisboa, 1851 - Sintra, 1910). "Mais conhecido por Consiglieri Pedroso, foi um político, etnógrafo, ensaísta, escritor, professor e director do Curso Superior de Letras. Inicialmente militante do Partido Progressista e depois militante republicano, foi deputado às Cortes da Monarquia, eleito pelo círculo eleitoral de Lisboa. Orador de grande qualidade e de improviso fácil, raramente escrevia os discursos, ficando famoso pela acutilância dos seus folhetos doutrinários e como doutrinador republicano conhecido pela sua verve e recorte literário, tendo publicado várias obras e folhetos de pendor propagandístico. Para além da história, dedicou-se à etnografia e foi um dos introdutores da antropologia em Portugal, estudando os mitos, tradições e superstições populares, actividades em que era um típico letrado do último quartel do século XIX, profundamente imbuído de valores humanistas e revelando-se um ensaísta brilhante. Foi presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa e sócio efectivo da Academia de Ciências de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
35€

17 dezembro, 2022

RAPOSO, Hippolyto - LIVRO DE HORAS (1908-1911).
[Escrito por Hippolyto Raposo sendo escolar de Leis na Universidade]
. Coimbra, F. França Amado, Editor, 1913. In-8.º (19,5 cm) de XII, 262, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Pensamentos e reflexões do autor vertidos em crónicas durante o seu período de estudante, em Coimbra.
"Costume é dos mais antigos confessarem os Autores em os prologos de seus livros as causas e razões dos mesmos, para que a vaidade se não atribua o que é de sãos propositos e a Critica dos entendidos mais propenda á benevolencia do que ao rigor.
Assim usam e cuidam aqueles todos que se propõem tratar com escrupulo as mais grave materias, tanto da sciencia divina, como da humana, ainda que para versa-las lhes não faleça o engenho e o conhecimento adequado, em longo estudo e meditação adquirido."
(Excerto do Prologo - Ao leitor curioso)
"A minha engomadeira é uma mulher esperta, risonha e bem falante, com voz docemente cantada que torna a pronúncia de Coimbra a mais bela de Portugal.
Trabalha de manhã à noite, constantemente, e de tempos a tempos um novo filho se lhe vem dependurar do peito, a sorver-lhe a vida, já pobre de tanto desperdício.
Os pequenos, uns loiros, trigueiros outros, sem tipo de família definido, revolteiam pelo chão, resmungando, enquanto ela trata da roupa sobreposta em trouxas.
Tão martirizada de desventura, de fome em tempo de férias que a levavam à necessidade de recorrer ao último extremo do crédito - nunca o desespero a colheu, sempre resignada à espera que outubro chegue...
E são assim quasi todas, confiadas à incerteza do amanhã, como as aves do ceu da parábola que não semeiam e colhem.
A uma ouvi eu dizer que lhe tinham lido a sina em pequena e tudo saíra certo: não havia mais remédio..."
(Excerto de As Engomadeiras)
Taboa:
Epigrafe. | Dedicatoria. | Prologo. | OUTONO: O Mosteiro de Lorvão; Um morto; Lenda de Santa Comba; Canto do cisne. INVERNO: Penedo da Saudade»; Mimi Aguglia; Doutor Calisto; As Engomadeiras. PRIMAVERA: Carta a Alexandre Herculano»; Sobre o namôro coimbrão; O Cavaleiro da Saudade. ESTIO: Um mau começo»; Noivas tiranas; Lámpana Spenta; Juizo Final.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). "Mais conhecido por Hipólito Raposo, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi um dos fundadores do movimento político-cultural auto-intitulado Integralismo Lusitano e da revista Nação Portuguesa, órgão do movimento integralista. Também teve colaboração nas revistas "O Occidente" (1878-1915), "Serões" (1901-1911), "A Farça" (1909-1910), "Contemporânea" (1915-1926), "Atlântida" (1915-1920), entre outras. Diretor do periódico "A Monarquia", à frente do qual teve um papel relevante no Pronunciamento Monárquico de Monsanto, ocorrido em 1919. Foi condenado a uma pena de prisão. Cumprida a pena, partiu para Angola (1922-1923), onde exerceu advocacia em Luanda. De regresso a Portugal, continuou a exercer a profissão de advogado e afirmou-se como líder destacado e ideólogo do Integralismo Lusitano. Em 1930 recusou colaborar com a União Nacional, defendendo que essa devia ser a posição dos monárquicos, e opôs-se à institucionalização do regime do Estado Novo. Em 1950 foi um dos subscritores do manifesto Portugal restaurado pela Monarquia, uma tentativa de reatualização doutrinária do movimento integralista."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=16499)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Lombada reforçada com fita pelo interior.
Invulgar.
20€

16 dezembro, 2022

ENNES, Guilherme José - OS AMIGOS DAS CREANÇAS.
Por... Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19 cm) de 128, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio pedagógico para acompanhamento e educação dos mais jovens.
Estudo completo e visionário do Conselheiro Guilherme Enes, académico e médico militar (1839-1920), promove e desenvolve conceitos ainda hoje actuais.
Obra rara e muito curiosa, revestida por capa belíssima, não assinada.
"São muitos os inimigos das creanças. O abandono moral, intellectual e physico, a que são votadas muitas d'ellas, exigem, como intrumentos do bem, leis salvadoras dirigidas á questão e ao estado social das creanças. Por ellas, gemem todos os que proclamam a prioridade de educação sobre a instrucção, e a necessidade de manter em toda a sua pureza a alma e as faculdades das creanças.
Terreno novo, é preciso semeal-o todo do bem; só assim não ficara logar para a herva damninha.
Mas, contra os inimigos das creanças, combatem os «amigos das creanças». São todos os que teem uma vida sollicitude pela condição dos innocentes de mui tenra edade, todos os que cuidam incessantemente em os defender, confortar, e querer-lhes bem."
(Excerto de 1.ª Parte - Parentes e Professores)
Indice:
1.ª Parte - Parentes e Professores: I - as mães. II - A avósinha. III - As mulheres estereis e as tias que não casam. IV - A religiosa. V - O professor.
2.ª Parte - A Escola: VI - A escola. VII - Meio salubre. VIII - Hygiene pedagogica. IX - Ensino moral - Duração do trabalho intellectual diario. X - A edade das sensações - A gradação no ensino. XI - Lições curtas - Explicações breves. XII - Férias - Gymnastica. XIII - Poucos livros ou mesmo nada de livros. XIV - Livros infectados - A agua, amigo dilecto das creanças. XV - O somno no periodo escolar - Um collegio modelo - Temperatura das aulas. XVI - O sobrado das escolas - A côr azul ou verde das paredes - Resistencia das paredes á cultura de microbios. XVII - Creanças difficeis - creanças rebeldes - creanças depravadas. XVIII - Nascer direito e tornar-se torto - As atittudes escolares viciosas - O tronco e o caderno da escrita. XIX - A mão canhota - O espartilho e o banco escolar - Doenças infeciosas intistinaes - Modo de se evitar a sua diffusão na escola. XX - Encerramento da escola. XXI - As rezas que se dizem e se aprendem na escola. XXII - A recreação. XXIII - Jardins de infancia. XXIV - Ainda os jardins de infancia. XXV - O cabello comprido ou curto - Os livros e a myopia escolar. XXVI - Illuminação natural e artificial - Ventillação - Aquecimento - Mobilia escolar. XXVII - Excellencias do nosso regime escolar - A hygiene na escola primaria. XVIII - Regulamentação hygienica das escolas.
3.ª Parte - Colonias de férias: XXXIX - Colonias de creanças em férias. XXX - Estudo da questão em Portugal - Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado. Capas cansadas com pequenas manchas.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

15 dezembro, 2022

MACHADO, Bernardino - A CONCENTRAÇÃO MONARCHICA
. Lisboa, Typographia do Commercio, 1908. In-8.º (19 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Alocução de Bernardino Machado, futuro presidente da República, referindo-se de forma crítica, mas apaziguadora, ao regicídio ocorrido no Terreiro do Paço a 1 de Fevereiro desse ano, onde sucumbiram el-rei D. Carlos e o seu filho primogénito (e herdeiro ao trono), D. Luís Filipe; o autor lamenta as mortes, inclusive dos perpetradores do atentado.
"Não tendo podido, por doença, falar em publico desde a tragedia de 1 de fevereiro que, sobreviu ao mez terrivel de janeiro, as minhas primeiras palavras serão de piedade por todos os que nesse dia memoravel perderam a vida. Dois, o principe Luis Filippe e o caixeiro João Sabino eram ainda quasi umas creanças, e nada ha mais tocante para o coração dum pae do que o espectaculo da morte dos novos, que são a esperança de futuro das suas famillias. Dos outros tres nenhum era uma creatura vulgar. Inimigos, lutando em campos opostos, numa coisa se pareciam; expunham-se com o maior denodo pela sua causa. O rei, simples no seu trato como um guerreiro, dum sangue frio imperturbavel, levava bravamente a sua audacia até ás extremas temeridades; Buiça e Costa, dois lutadores heroicos. De nenhum dos tres a morte me podia ser indifferente. Buiça e Costa, por mais longe que estivessem de mim, que tenho sido sempre um moderado - fui-o como monarchico, sou-o como republicano - e embora não estivessem filiados no partido republicano, eram soldados do grande exercito português a que todos os liberaes ultimamente pertenciamos. [...]
Ha dois pontos de vista moraes para julgar a tragedia do Terreiro do Paço. Numa sociedade em paz, Buiça e Costa teriam sido uns assassinos e o seu acto cruento mereceria o nome dum atentado. Mas numa sociedade em luta, com o povo ofegante sob a opressão do poder, à la guerre comme à la guerre! Ora quem póde contestar que a nação estava ultimamente em guerra com o seu chefe?"
(Excerto do discurso)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 dezembro, 2022

MARQUES, Gentil - MONTIJO EM FESTA.
Guia Turístico das Festas de S. Pedro, no Montijo. Realização de... Com o patrocínio da Câmara Municipal do Montijo e da Comissão de Festas
. [S.l.], Edição do Jornal Festa, 1959. In-4.º (23 cm) de [36] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Programa das festas do Montijo referente ao ano de 1959.
Livro muito ilustrado, maioritariamente, com anúncios de empresas da cidade (vila, na época). Contém lista de "algumas efemérides" do concelho, assim como "curiosidades" e locais relevantes a visitar na vila. Inclui ainda o programa "3 Grandes Tardes de Touros no Monumental do Montijo".
"Amarelo e Verde são as cores do Montijo. Cores simbolistas, na sua essência. Por isso mesmo, as aproveito e emprego nesta saudação de boa vontade que desejo dirigir aos obreiros das Festas Populares de São Pedro. E bem populares, na verdade. Nasceram há séculos, por iniciativa dos pescadores. Pescador é povo. E hoje continuam a ser, e muito bem, festas do povo. Do povo do Montijo para o povo de Portugal."
(Excerto de Saudação em Amarelo e Verde)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€