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03 outubro, 2026

O PÉ DESCALÇO : uma vergonha nacional que urge extinguir - Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Porto, Imprensa Social, 1956. In-8.º (19x13 cm) de [8], 324, [12] p. ; il. ; B. Col. Liga Portuguesa de Profilaxia Social, 16
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o hábito de andar descalço em Portugal, comportamento arreigado numa faixa importante da população até meados do séc. XX, e que mereceram do Estado vigorosas medidas de repressão.
"Foi em Janeiro de 1928 que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social iniciou a campanha contra o indecoroso, inestético e anti-higiénico hábito do pé descalço. O que tem sido a sua acção através de longos anos, para pôr cobro a tão vergonhoso costume, pode ser facilmente avaliado se considerarmos que semelhante campanha era profundamente adversa à índole do nosso povo, aferrado a uma tradição de muitos séculos, à incultura e incompreensão dos visados, à comodidade e ao interesse mal compreendido de quem receava ter de aumentar uns tristes centavos ao salário magro dos seus servidores."
(Excerto da Introdução)
"«Entra definitivamente em vigor, no próximo dia 15, a ordem que extermina «os pés descalços». O Porto, a partir do dia 15, pula à sua própria categoria na Civilização. Nada explicava, nada podia perdoar a persistência desse velho hábito, revelador apenas do relaxamento, de indiferença, de falta de gosto e provocador de mil prejuízos morais, estéticos e até materiais. Esse costume produzia, na mulher, um desfeiamento lento, espalmava-lhe os pés, quebrava-lhe toda a graça, masculinizava-a... No homem, levava-o, à semelhança dos selvagens do interior africano - e só desses selvagens, visto que os da América, os «peles vermelhas», calçam uma espécie de alpergatas a que chamamos «Swantzor»..."

(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.

20€
Reservado

28 setembro, 2026

À NAÇÃO - ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA-COIMBRA. [Coimbra], Associação Académica de Coimbra, 1969. In-fólio (34x22,5 cm) de 10 p. (inc. capa) ; B.
1.ª edição.
Folheto histórico, policopiado. Trata-se do comunicado-protesto justificativo dos estudantes de Coimbra face aos acontecimentos que tiveram início a 17 de Abril de 1969, e que abalaram o Estado Novo. A 6 de maio o governo mandou encerrar a Universidade e cancelar a Queima das Fitas. O cerco incluía carros e GNR a cavalo. O presente opúsculo foi concebido e distribuído em 7 de Maio - no dia seguinte a estes eventos.
"A crise começou no dia 17 de Abril de 1969. Os estudantes pretendiam intervir durante a inauguração do edifício das matemáticas e o presidente da Direção Geral da Associação Académica, Alberto Martins, pediu a palavra, mas foi impedido de o fazer.
Os estudantes, que já estavam em protesto exigindo a reintegração de professores e a democratização do ensino superior, tomaram conta da sala onde decorria a inauguração. A crise agudiza-se nas horas e dias seguintes com a prisão de vários dirigentes académicos e a ocupação de Coimbra por forças militares e policiais.
O Ministro da Educação e o reitor acabariam por se demitir, mas vários estudantes da academia seriam forçados a integrar as forças armadas, seguindo para a guerra do ultramar."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/a-crise-academica-de-1969-17-de-abril/)
"Acontecimentos de magna importância para a vida nacional ocorrem em Coimbra desde 17 de Abril do ano corrente.
A Nação, porém, só passados treze dias obtém do Governo, por intermédio do Ministro da Educação Nacional, uma informação que até o cidadão mais desprevenido considerou tardia, suspeita e tendenciosa.
Tardia porque a Nação tem o direito de ser informado diariamente não apenas das transferências futebolísticas mas, principalmente, daqueles acontecimentos que ferindo os seus órgãos vitais mais afectam a sua fisiologia dinâmica. A informação do País não mais pode ficar dependente de simples critérios de oportunidade política; de um simples "achar vantajoso-ministerial" sob pena de grave ofensa do direito à informação, sob pena do descrédito da nossa imprensa, sob pena de se facilitar o boato de tão graves consequências."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - Antecedentes. III - O dia 17 de Abril de 1969. IV - Conclusões de interesse nacional: 1.º - Reforma global do ensino; 2.º - Independência-autonomia; 3.º - Auto-gestão; 4.º - O reconhecimento da utilidade social do estudante; 5.º - Educação permanente; 6.º - Democratização do ensino.
Exemplar em brochura, bem conservado. Apresenta vinco ao centro.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

26 setembro, 2026

COSTA (Mesquitella), D. Bernardo da -
TOIROS DE MORTE.
Relatório apresentado por... e aprovado pela Comissão nomeada pala Portaria de 6 de Maio de 1933, nos termos do art. 1.º do decreto- lei n.22.482. Lisboa, [Tip. da Emprêsa Nacional de Publicidade - Lisboa], 1935. In-8.º (20x14,5 cm) de 123, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho elaborado pelo autor com o propósito e expectativa de obter autorização das autoridades para corridas com "touros de morte" em Portugal - tema momentoso na época - que se traduz na morte do touro na arena a culminar a faena.
"Encarregado de elaborar o parecer da Comissão que S. Ex.ª o Sr. Ministro do Interior houve por bem nomear para estudar a possibilidade da realização de corridas com toiros de morte, tenho a honra de vir desempenhar-me dessa missão, lastimando, ao apresentar êste trabalho, que a escolha tivesse recaído sobre a pessoa menos autorizada para o fazer. [...]
O assunto é tão vasto e tão contrariado tem sido, que a sua defesa não se torna fácil - não porque lhe escasseiem as provas mais seguras, mas porque contra cem anos de de certos preconceitos resultam muitas vezes inúteis todos os argumentos. [...]
A Comissão, emitindo o seu voto favorável, não fêz mais, pois, que interpretar o sentir do numerosíssimo público que pela tauromaquia se interesse e que é, por conseguinte, o único cuja opinião interessa.
Podia resumir assim o seu parecer: a necessidade, porém, de esclarecer certos pontos, incluindo alguns de ordem puramente técnica, obriga-me a demonstrar:
- na autorização dos «toiros de morte» reside o ressurgimento da tauromaquia portuguesa;
- dêsse ressurgimento só podem advir benefícios no campo económico;
- tanto sob o aspecto social como debaixo do ponto de vista educativo, se os «toiros de morte» não nos oferecem vantagens apreciáveis (o que é discutível) também não nos trazem inconvenientes nenhuns.
O estudo da questão sob êstes quatro aspectos principais - artístico, económico, social e educativo - é o objecto dos quatro capítulos em que se divide o presente Relatório."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | I - Aspecto Artístico: I) Origens do toureio; II) O toureio em Espanha; III) O toureio em Portugal. II - Aspecto Económico: I) Do espectáculo em si; II) Da criação do gado bravo; III) O toiro como animal de ceva; IV) O toiro como animal de trabalho; V) O toiro como animal de lide. III - Aspecto Social. IV - Aspecto Educativo. | Apêndice
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€
Reservado

03 setembro, 2026

ALGARVE -
Guia Turístico do Algarve
. Olhão, Edição da Revista Internacional, 1944. In-8.º (20x14,5 cm) de [116] p. ; [2] f. il. (4 estampas f/v) ; [2] mapas ; il. ; B
1.ª edição.
Capa assinada por Narciso Morais (1892–1977), aguarelista e ilustrador como seu pai, o conhecido Alfredo de Morais (1872–1971). Texto de Mário Lyster Franco. Gravuras de Martins & Ferreira, L.da.
Curioso roteiro, o primeiro sobre o assunto - com estas características - publicado entre nós. Obra de propaganda à região algarvia, às suas cidade e vilas do interior e do litoral, promovendo as suas praias de areia branca, a par com as actividades lúdicas, serviços e indústrias sedeadas da região. Inclui publicidade da época.
Obra pioneira, rara e muito interessante, publicada numa época em que o turismo algarvio, ainda muito insípido, principiava a despontar.
Livro profusamente ilustrado no texto, incluindo a planta de Faro em página inteira, e em separado, com 4 estampas (duas de Lagos; uma de Monchique-convento; outra da Praia da Rocha), e dois mapas: Barlavento e Sotavento algarvio.
"A província do Algarve, que uma cordilheira quési interminável de montanhas divide do Alentejo, que o acidentado percurso do Guadiana separa da Andaluzia e que o Oceano Atlântico abraça por dois lados em carinhoso amplexo, constitue tôda ela uma verdadeira região de turismo.
Situada mo extrêmo sul do País e muito justamente considerada uma das mais lindas regiões de Portugal, abunda-lhe em primorosos trechos de païsagem e em notas características de vida regional, aquilo que circunstâncias várias fizeram que lhe faltasse em riquezas monumentais. Com os seus campos intensamente cultivados de uma flóra especial e tratados como autênticos jardins, as suas povoações dotadas de um facies próprio que um delírio de brancura e alguns pormenores de construcção mais acentuam, com um clima verdadeiramente excepcional, onde os rigores do inverno dificilmente se conhecem e os grandes calores são, quási sempre, amenizados pela brisa marítima, o Algarve, dotado de uma luminosidade que por vezes entontece e de um céu de azul vibrante que só encontra rival no do mar em que se reflete, merece ser devidamente assinalado ao turista que nêle muito encontrará digno de despertar-lhe o interêsse."
(Excerto de Algarve)
Índice:
Algarve | Faro | S. Braz de Alportel | Loulé | Olhão | Tavira | Castro Marim | Vila Real de Santo António | Albufeira | Armação de Pera | Silves | Praia do Carvoeiro | Portimão | Praia da Rocha | Caldas de Monchique | Lagos | Sagres e o Cabo de S. Vicente | O fabrico das conservas de peixe | A pesca do atum | O sal.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Raro.
50€

01 setembro, 2026

OS PADRES BRANCOS
. [S.L.], Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral da Informação, 1971. In-8.º (21x15 cm) de 24 p. ; B.
1. edição.
Folheto oficial de propaganda publicado em Lisboa pela Direcção-Geral da Informação, organismo dependente da Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT) do governo de Marcello Caetano. Trata-se de uma operação de contra-informação do regime do Estado Novo face a um dos incidentes diplomáticos e religiosos mais graves da Guerra Colonial - a saída dos Padres Brancos de Moçambique.
A expulsão e retirada dos Padres Brancos de Moçambique ocorreu em maio de 1971, transformando-se num dos maiores escândalos políticos e religiosos do final do regime do Estado Novo. O episódio expôs a profunda ruptura entre os missionários e o governo colonial português.
Em Fevereiro de 1971, os Padres Brancos tomaram a decisão interna de abandonar Moçambique. A liderança da congregação em Roma confirmou a saída formal em Maio do mesmo ano. Em carta aberta, denunciaram que a sua permanência se tinha tornado um "contratestemunho". Eles recusavam-se a apoiar implicitamente, através do silêncio, um regime colonial opressor.
Sentindo-se afrontado pela denúncia internacional, o governo português antecipou-se e expulsou formalmente os missionários do território. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da altura, Rui Patrício, convocou uma conferência de imprensa em Lisboa para atacar publicamente a decisão da congregação. Mais de 40 missionários dos Padres Brancos foram forçados a abandonar as suas missões (principalmente na região de Tete) de forma imediata. (IA)
"Os Padres Brancos decidiram abandonar Moçambique. Em 15 de Maio publicaram a carta que se segue com o n.º I.
Em face deste anúncio, o Governo português notificou os Padres Brancos de que deveriam abandonar a província até 30 de Maio.
Sobre o assunto o Rev.º Padre Dr. Erwin Helmle, S. A. C., escreveu em 25 de Maio a carta que tem o n.º II e em Junho a Conferência Episcopal de Moçambique publicou o comunicado com o n.º III.
Por último, a conferência de imprensa dos Padres Brancos, dada em Paris foi comentada, já em Julho, pelo Bispo de Quelimane (Moçambique) nos termos que se referem no n.º IV."
(Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

31 agosto, 2026

ACÔRDO A QUE CHEGARAM OS GOVERNOS DE PORTUGAL E DA AUSTRÁLIA PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E DARWIN.
Por troca de notas de 11 de Dezembro de 1940 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
e
ACÔRDO ENTRE OS GOVERNOS PORTUGUÊS E JAPONÊS PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E PALAU. Assinado em Lisboa em 13 de Outubro de 1941 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Acordos históricos subscritos entre Portugal - por Oliveira Salazar - e a Austrália e o Japão para a abertura de rotas aéreas entre o território timorense e esses dois países. Apesar da política de não-alinhamento portuguesa, de que são exemplo estes tratados firmados em plena 2.ª Guerra Mundial, em Dezembro de 1941 a Austrália enviou a Força Pardal (Sparrow Force) para ocupar Timor - violando a neutralidade portuguesa - para criar uma barreira defensiva contra o Japão que, pouco tempo antes, atacara Pearl Harbor. Finalmente, a 20 de Fevereiro de 1942, o Japão invadiria Timor, repelindo para as montanhas a força expedicionária australiana.
Ambas as edições são bilingue: Português/Inglês na primeira, e Português/Francês na segunda.
Exemplares em brochura, bem conservados.
Raro conjunto.
Com interesse histórico.
20€

27 agosto, 2026

FELGAS, Hélio Esteves -
A REVOLTA MILITAR NO CONGO.
[Por]... Major de Infantaria. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G. - Lisboa], 1960. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 107, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo coevo, muito completo, acerca da emancipação do Congo Belga, e tudo o que se seguiu, questão melindrosa que muito interessava a Portugal, potência colonizadora vizinha (com extensa linha de fronteira no norte/nordeste de Angola), pelo perigo de contágio independentista que representava, e que muito preocupava o regime. A proclamação da independência do Congo Belga (actual República Democrática do Congo) ocorreu a 30 de Junho de 1960, marcando o fim de 80 anos de domínio colonial da Bélgica. A Guerra Colonial eclodiria 9 meses mais tarde, precisamente no norte de Angola.
Esta é a obra de um oficial experiente do Exército Português, conhecedor do contexto, que olha para o assunto com as mesmas dúvidas e receios do Estado face aos ventos de mudança em África.
Ilustrada no texto com mapas e fotografias a p.b.
"Cinco dias apenas após a Proclamação da Independência, a República do Congo viu-se sùbitamente sacudida por uma inesperada revolta geral da «Force Publique» manifestada em uma tremenda explosão de xenofobia.
Sem meios para se fazerem obedecer , sem prestígio, sem coesão, sem qualquer maturidade política ou administrativa, os governantes congoleses desorientaram-se e assistiram impotentes ao resvalar do País para a anarquia e para o caos. Resvalamento esse que era há muito aguardado por quem, como nós, estudou e evolução dos acontecimentos que precederam a concessão da Independência pelos belgas, e conhecia o atraso geral das populações indígenas completamente inaptas para se governarem por si próprias.
Ao mundo atónito a nova República do Congo mostrou com exuberância o que sucede quando meia dúzia de políticos inexperientes, sobressaindo de uma massa ignara e primitiva e desejosos de satisfazer os seus interesses pessoais guindando-se aos altos postos da governação, exigem para o seu País uma independência que ele está longe de poder usufruir.
E mostrou também a tremenda responsabilidade das nações civilizadoras que não podem - sejam quais forem as pressões que sobre elas se exerçam - abandonar levianamente os seus territórios coloniais concedendo-lhes uma Independência para a qual elas sabem que eles não estão preparados."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Início da revolta | Impotência e desorientação do governo congolês perante o alastramento da revolta | O êxodo dos europeus | A intervenção das forças belgas | A independência da Katanga | Os apelos à O. N. U. | A internacionalização da questão | A tentativa de intromissão da Rússia | O corte de relações com a Bélgica | O restabelecimento da ordem no Congo | Dificuldades políticas internas | A O. N. U. e a República do Congo | A entrada das forças da O. N. U. na Katanga.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e colonial.
30€

23 agosto, 2026

CAMPOS, Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de -
INQUÉRITO ALIMENTAR ENTRE OS OPERÁRIOS DA FÁBRICA DE LOUÇA DE SACAVÉM.
Trabalho efectuado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge. Lisboa, [s.n. - Papelaria e Tipografia Leixões, de Fonseca & C.ª - Matosinhos], 1949 [Imp. 1950]. In-4.º (24,5x19 cm) de 62, [2] p. ; [5] f. ; [VII] Quadros ; [III] Gráficos ; [III] Tabelas ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro, o primeiro do género realizado entre nós, versa sobre a qualidade da alimentação do operariado num complexo fabril. Para o efeito, foi escolhida a Fábrica de Loiça de Sacavém, icónica unidade industrial que laborou entre 1850 e 1994. Após o 25 de Abril de 1974 a empresa entrou numa espiral de degradação, com inúmeros problemas laborais e financeiros, que culminaria com o brutal assassinato do administrador - Diamantino Pereira - em Dezembro de 1982 - pelas Forças Populares 25 de Abril.
Relatório ilustrado com gráficos, quadros e tabelas estatísticas, no texto e em separado, sendo alguns em folhas desdobráveis.
"Temos a honra de entregar a V. Ex.ª o primeiro inquérito alimentar realizado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge.
O inquérito fez-se entre a população operária da fábrica de Sacavém, conforme propuzemos e foi aprovado por Sua Excelência o Subsecretário de Estado da Assistência Social.
A escolha de uma fábrica, nos subúrbios de Lisboa, oferecia a vantagem de manter em contacto permanente o pessoal e o Serviço, de modo a remover as dificuldades que sempre surgem em trabalhos desta espécie.
Assim foi possível treinar o pessoal, o que facilitará bastante a sua tarefa, nos inquéritos futuros."
(Excerto de I - Relatório - Inquérito)
"O nosso inquérito não visou a vida económica do operário nem os problemas que lhe andam adstritos.
Apesar disso, averiguou-se haver operários que têm de percorrer grandes distâncias para chegar à fábrica. Este esforço custa muitas calorias, que fazem falta ao trabalho e quiçá à nutrição de cada um dos indivíduos.
As habitações, embora em terra de algum importância, como Sacavém, na vizinhança de Lisboa, não têm água encanada nem rede de esgotos. Mas foram encontradas limpas, como é próprio das mulheres portuguesas."
(Excerto de I - Relatório - Nota complementar)
Índice:
I - Relatório. II - Preâmbulo. III - Inquérito Alimentar: A - Famílias seleccionadas. B - Condições de vida das famílias. C - Tabelas de composições de alimentos. D - Alimentos consumidos. E - Valor alimentar as rações: 1 - Princípios energéticos; 2 - Princípios minerais; 3 - Princípios vitamínicos. F - Alterações clínicas. G - Provas laboratoriais. H - Sugestões. IV - Inquérito da Cantina: 1 - Condições prévias; 2 - Alimentos consumidos; 3 - Valor alimentar das rações da cantina; 4 - Correcções trazidas às alimentação familiar; considerações clínicas sobre os indivíduos que aí tomam refeições e sua comparação com os restantes membros da família.- V - Considerações Finais.
Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de Campos. Teve uma carreira médica multifacetada, marcada pela investigação pioneira em nutrição, pela alta administração da saúde pública e pela gestão de crises institucionais durante o Estado Novo e a transição para a democracia. Após terminar o curso de Medicina (1942), dedicou-se ao estudo das condições de vida e carências da população portuguesa. Autor de um estudo pioneiro sobre a nutrição dos operários da Fábrica de Louça de Sacavém, ligando a alimentação à saúde laboral - o Inquérito Alimentar entre os Operários da Fábrica de Louça de Sacavém (1949). Replicou esta metodologia científica no levantamento de hábitos alimentares em famílias do Minho e Ribatejo (1950) e em cantinas escolares (1957). Num dos períodos de maior tensão entre a classe médica e o regime, assumiu um papel puramente administrativo e de alta complexidade. Foi o médico designado pelo Ministério da Saúde, ao abrigo do Decreto-Lei 447/72, para tutelar a Ordem dos Médicos num momento de boicote dos clínicos e perseguição política aos contestatários por parte da PIDE/DGS. O cargo cessou com a Revolução de 25 de Abril de 1974. No pós-25 de Abril, integrou os quadros de reestruturação do sistema de saúde nacional. Presidiu à Comissão Instaladora e exerceu o cargo de Diretor-Geral do Serviço de Luta Antituberculosa (SLAT). Ascendeu a Inspector Superior da Direcção-Geral da Saúde. Ao cessar funções em Novembro de 1984 recebeu um louvor do Ministro da Saúde pelo seu zelo e dedicação ao serviço público. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
85€

17 agosto, 2026

MODÊLO DE ESTATUTOS PARA AS CASAS DO POVO -
Instituto Nacional do Trabalho e Previdência.
N.º 7 = 2.ª Ed. =  1934. [Lisboa], Edições do Sub-Secretariado de Estado das Corporações e Previdência Social, 1934. In-8.º (22x14 cm) de 19, [1] p. ; B.
Documento histórico. Trata-se do regime normativo que iria regular o funcionamento das Casas do Povo, instrumento de previdência e solidariedade social criado pelo regime do Estado Novo.
As Casas do Povo são instituições portuguesas criadas originalmente em 1933 com o objetivo de servir como centros sociais, de previdência e de representação profissional no meio rural. Ao longo de décadas, o seu papel transformou-se profundamente, evoluindo de organismos corporativos do Estado Novo para associações locais de solidariedade e cultura. Fundadas pelo Decreto-Lei n.º 23.051 de 23 de Setembro de 1933, faziam parte da organização corporativa do trabalho. Funcionavam sob a tutela do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP) e serviam para prestar assistência médica, pagar pensões de reforma e promover a instrução local no meio rural. (IA)
"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
"Artigo 1.º - Nos termos do Decreto-lei n.º 23.051, de 23 de Setembro de 1933, é constituída a «Casa do Povo de ............................», com sede em ............................ e que se regerá por estes Estatutos e pelo Decreto acima referido.
§ único - A Casa do Povo de ....................... terá uma bandeira com as côres do seu concelho, tendo ao centro o escudo nacional e, dispondo por baixo dêste, a sua designação.
Art. 2.º - Esta associação tem personalidade jurídica, podendo demandar e ser demandada e exercer todos os direitos relativos aos seus legítimos interêsses.
Art. 3.º - São fins da Casa do Povo:
1.º . Criar instituïções destinadas a assegurar aos sócios protecção e auxílios nos casos de doença, desemprêgo, inhabilidade e velhiçe.
2.º - Ministrar ensino aos adultos e às crianças, promover diversões e a prática de desportos e utilizar o cinema educativo.
3.º Cooperar nas obras de utilidade comum, comunicações, serviço de águas e higiene pública e outras equivalentes."
(Capítulo I - Constituïção e fins)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta sombreado por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

11 agosto, 2026

NÃO FALAR NA POLÍCIA
: dever revolucionário
. [S.l.], Edições Avante, 1972. In-8.º (17x11 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto clandestino de propaganda comunista. Trata-se de um manual de "sobrevivência" para instruir os simpatizantes e activistas do PCP a resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS sem comprometerem o partido e os camaradas.
Não falar na polícia : dever revolucionário é um opúsculo clandestino editado pelas Edições Avante! em 1972. O texto orientava os militantes do Partido Comunista Português (PCP) e os opositores ao Estado Novo sobre como resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS. Publicado em plena fase final do regime, funcionava como um guia prático de contra-informação e segurança na clandestinidade. Estabelece a recusa absoluta em prestar declarações à polícia política como um princípio ético e político essencial. Orientações Principais: Silêncio total - Encarar o silêncio perante os agentes como a única defesa coletiva da organização; Resistência à tortura - Desmistificar a ideia de que a violência ou os métodos da PIDE eram invencíveis para justificar confissões; Proteção partidária - Evitar que a queda de um militante comprometesse a rede clandestina e a segurança dos camaradas. (IA)
Documento histórico, sem menção na BNP.
"A ditadura fascista, ontem com Salazar e hoje com Marcelo Caetano, procura sobreviver e retardar o seu inevitável derrubamento, insistindo em recorrer ao arbítrio e à violência. A ascensão do movimento popular de massas em Portugal e o alargamento da heróica luta dos povos das colónias portuguesas, bem como as vitórias dos mundo socialista e das forças anti-imperialistas acentuam as debilidades e contradições do regime fascista. Quanto maior é o seu enfraquecimento, maior é o seu desespero. Isso explica a intensificação da repressão e o crescente furor das torturas policiais aos comunistas e a outros patriotas presos.
É certo que não é de hoje a crueldade dos torturadores policiais durante os interrogatórios. Ela vem muito de trás, desde a instauração a ditadura em 1926. Desde então milhares de presos políticos foram torturados e dezenas de comunistas e outros antifascistas foram assassinados com torturas por se recusarem a trair os seus ideais.
Sucede, entretanto, que a experiência da polícia é maior. E, se considerarmos os últimos anos, é indubitável que tem vindo a aplicar torturas cada vez mais refinadas, generalizando-as a quase todos os presos e prolongando-as até ao limite da resistência física."
(As torturas policiais aumentam)
Índice:
1 - As torturas policiais aumentam: - As responsabilidades dos comunistas; - Pode ser que sejas preso.
2 - Defende-te e defende o Partido: - A prisão e o 1.º interrogatório; - Os interrogatórios; - A polícia procura conhecer-te e demolir a tua resistência; - Os agentes «bons» e os «maus»; - Mentiras, calúnias, tentativas de suborno; - O isolamento - a incomunicabilidade.
3 - As torturas; - A «estátua»; - A tortura do sono; - As alucinações; - As montagens da polícia; Outras formas de tortura; - Tem coragem e vencerás!
4 - O que a polícia pretenderá de ti: - As «histórias»; - Deves ou não declarar ser membro do Partido? - Não fazer confissões ou declarações; - A polícia «sabe tudo» - as armadilhas; - Os «apóstolos» da traição.
5 - O que decide de um bom comportamento: - Todos podem resistir à polícia; - O Partido e os pseudo-revolucionários; - Os bons e os maus portes na polícia; - Heróis do Partido e do Povo; - Preocupação essencial: defender o Partido.
Exemplar em brochura, com os cadernos por abrir (presos por agrafo), em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
75€

06 agosto, 2026

POLÍTICA IMPERIAL DE FOMENTO : Novas Directrises.
"Portugal Maior" - Cadernos Coloniais de Propaganda e Informação
. Luanda, Edição da "Casa da Metrópole", 1945. In-8.º (21,5x15 cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de propaganda patriótica impresso em Luanda, Angola, publicado no último ano de guerra mundial. Trata-se do n.º 1 de uma colecção que atingiu 10 números, editada entre 1945-47.
Capa assinada "MCastelo".
A "Casa da Metrópole" em Luanda foi uma instituição colonial portuguesa de propaganda, informação e dinamização cultural ativa no século XX (com forte presença na década de 1940). A sua actuação baseava-se em frentes estratégicas bem definidas: Funcionava alinhada com as diretrizes do Estado Novo para projetar a presença e a herança portuguesa no território angolano. Foi responsável pela publicação de diversas obras e cadernos de propaganda colonial. O exemplo mais notório é a coleção "Portugal Maior: cadernos coloniais de propaganda e informação", que incluía ensaios e registos fotográficos históricos. Fazia a ponte de comunicação cultural e identitária entre a "Metrópole" (Portugal Continental) e os colonos radicados na então colónia de Angola. (IA)
Opúsculo ilustrado com retrato do Prof. Marcelo Caetano, Ministro das Colónias, colado na folha que sucede ao rosto.
"A idéia imperialista assenta sôbre princípios básicos, entre os quais é de maior vulto o que traduz uma forte unidade espiritual que se repercute na comunicação da língua, de sentimentos e de afectos, de esperanças e de aspirações.
Recebendo do passado as lições da expansão e da expressão de Portugal no Mundo, conhecendo do presente as inconfundíveis realizações materiais e espirituais que dignificam e enaltecem a política do Govêrno, a gente lusíada torna, acima de tudo em realidade, a unidade imperial portuguesa, agora servida por uma doutrina que se expande progressivamente por tôdas as terras do Império, animadas pelas precisas oportunas e justas resoluções do ilustre titular da Pasta das Colónias, cuja figura revela uma inteireza de carácter que se oferece ao desenvolvimento ordenado das nossas terras ultramarinas na mais rasgada visão imperial e humana."
(Excerto da Abertura) 
"«Quem conheceu a África tropical há 50 anos e a conhece hoje; quem há meio século viveu nas colónias portuguesas e por elas hoje transita - há-de verificar que consoante é voz corrente dos velhos coloniais «a África mudou muito» e até porventura aventurará (embora com excessivo optimismo) o paradoxo de que «a África já não é África».
Tais conceitos exprimem a admiração pela mudança operada nas condições de vida do branco, parece que nas próprias condições e ambiente, em virtude da ocupação europeia, que ousadamente rasgou estradas pelo coração dos sertões, assentou vias férreas, lançou cabos telefónicos e ergueu cidades e vilas no litoral e no interior, desbravou o mato, afastou as feras e cultivou fazendas em sítios outrora inóspitos. O que se fêz, alenta esperanças sôbre o muito que se pode fazer."
(Excerto de Discurso do Prof. Marcelo Caetano aqui reproduzido)
Índice:
[Abertura ] | [Reprodução de discurso do Prof. Marcelo Caetano] | Política de Fomento | Inspecção Superior de Fomento Colonial | A urbanização nas colónias africanas | O Gabinete de Urbanização Colonial - Sua orgânica e funções | A missão dos técnicos em África e a juventude escolar | O novo espírito a instaurar no fomento das colónias | A valorização do trabalho indígena | O auxílio do Estado às actividades privadas | A utilidade social da coordenação económica | «Tenha confiança no futuro do nosso império Colonial» | Apêndice: A «Casa da Metrópole» em Luanda e a sua actuação: - Finalidade; - Meios de acção.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

22 julho, 2026

PORTUGAL -
VISITE A SERRA DA ESTRELA. Lisboa, Neogravura, 1952. Encarte desdobrável (23,5x11 cm) : il. ; B.
1.ª edição.
Folheto desdobrável - trilingue (português/francês/inglês) - de propaganda à Serra da Estrela, a Manteigas e à sua estância termal. As dimensões (generosas) do encarte, todo aberto, é 23,5×66 cm, com texto e ilustrações frente e verso.
Para além de fotografias das belezas da Serra, contém informações úteis para os visitantes: Vias de comunicação - Carreiras de caminoetas; Passeios e excursões; Igrejas; Culinária e doçaria; Hotéis e Pensões, etc.
Inclui ainda um mapa no cento do folheto com a localização de Manteigas na Serra, com as estradas identificadas e as distâncias em quilómetros de Manteigas a alguns pontos de interesse turístico.
"Manteigas
Vila encravada em pleno Hermínio, a 720 metros de altitude, antigamente baluarte inexpugnável, hoje encantadora de turismo e cura, manancial de inexgotáveis riquezas.
Situada na margem esquerda do Zêzere, na Serra da Estrela, possui as melhores quedas de água do país.
Cabe-lhe, por isso, justamente, a designação de centro de turismo , o que é ainda justificado pelo facto de se encontrarem, no seu concelho, os mais importantes locais da Serra que têm valor turístico, como sejam os Cântaros, as Cascatas do Poço do Inferno, Candieira, Covões, as Lagoas da Paixão, Clareza, Cântaro, o Chafariz de El-Rei, o Frade e a Freira, os panoramas do Fragão do Corvo, S. Lourenço, Curral da Nave, Nave de Santo António, Covão da Ametade e Fonte Paulo Luís Martins."
(Excerto de Manteigas)
Exemplar em brochura, bem conservado. Apresenta mancha escura nos rebordos do folheto.
Raro.
Indisponível

05 julho, 2026

ESTABELECIMENTOS HOTELEIROS DE PORTUGAL -
Hotels : Hotéis - 1963 : Portugal
. Lisboa, SNI, 1963. In-8.º (23x20 cm) de 55, [1] p. ; [1] mapa Portugal ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada por Paulo-Guilherme (1932-2010).
Curioso roteiro dos estabelecimentos hoteleiros disponíveis e "certificados" no ano de 1963 em Portugal continental, Açores e Madeira. Muito completo e organizado, composto por quadros com as localidades/endereço e o nome dos espaços; inclui o telefone dos estabelecimentos, o tipo de alojamento, estadia e as refeições, e respectivos preços.
Guia quadrilíngue (português/francês/inglês/alemão), editado pelo SNI - Secretariado Nacional da Informação - Cultura Popular e Turismo, não mencionado na BNP.
Nos anos 60, o turismo em Portugal registou um crescimento explosivo e de massas, forçando o Estado Novo a transitar de uma lógica puramente propagandística para uma atividade económica vital. Pressionado pela necessidade de divisas para financiar a Guerra Colonial, o regime abriu as fronteiras ao turismo internacional. (IA)
Inclui mapa do território nacional com dimensões generosas (32,5x20 cm) em separado: "Portugal : Edições SNI Lisboa".
"O presente guia indica os hotéis, pousadas, estalagens e pensões oficialmente classificados. Todos estes estabelecimentos, com preços visados pela Direcção dos Serviços de Turismo, possuem as comodidades indispensáveis, satisfazendo, de um modo geral e dentro da sua categoria, os clientes a que se destinam.
Além dos incluídos neste guia, outros estabelecimentos existem tais como pensões, de 3.ª classe e hospedarias.
Há, também, estabelecimentos não classificados pela Direcção dos Serviços de Turismo, os quais, pela modéstia das suas instalações e serviços, são considerados sem interesse para o turismo.
À entrada dos estabelecimentos hoteleiros encontra-se afixado um quadro com os preços que lhes correspondem. Sobre estes preços o hóspede pagará 10% para o serviço e, nas zonas de turismo, uma sobretaxa de 3%. Nas refeições a preço fixo estão incluídos 3 dl de vinho comum.
Os preços referidos neste guia são indicados em escudos."
(Excerto de Informação geral)
Exemplar em brochura bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

15 junho, 2026

PARREIRA, Anabela B. & CALDEIRA, Arlindo M. & MAURÍCIO, Carlos C. & CABRAL, João C. & PISCO, José - O I CONGRESSO DA UNIÃO NACIONAL -
Colóquio sobre o Fascismo em Portugal : Faculdade de Letras de Lisboa : Março de 1980. [Lisboa], A Regra do Jogo, 1982. In-8.º (21x13,5 cm) de 22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de reflexões de personalidades do mundo académico sobre o 1.º Congresso da União Nacional.
O I Congresso da União Nacional realizado a 26 de maio de 1934, foi uma cimeira oficial do partido único que sustentava o Estado Novo. Serviu para legitimar a ditadura e consolidar a doutrina corporativista e nacionalista liderada por António de Oliveira Salazar.
O Colóquio sobre o Fascismo em Portugal (1980) foi um encontro científico pioneiro organizado por historiadores e académicos nos dias 12, 13 e 14 de março de 1980 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. (IA)
Obra interessante e muito invulgar. A BNP não menciona este título na sua base de dados.
"A UN é criada em 30 de Julho de 1930 por iniciativa governamental, cabendo ao Ministério do Interior a instalação das primeiras comissões a nível distrital e concelhio. Será, porém, extremamente lenta a implantação e organização desta «força civil de apoio à Ditadura». [...]
A UN levara dois anos a pôr de pé a sua estrutura institucional mas não conseguira, apesar das intenções, explícitas ou não, tornar-se a única força nacionalista capaz de congregar o apoio ao regime, ao mesmo tempo que, intitulando-se «frente» visava impedir de facto o aparecimento de outras organizações. Uma outra vai efectivamente surgir, implantando-se no próprio terreno da UN, aproveitando a sua falta de dinamismo e uma indefinição de princípios e uma moderação de processos de actuação que, quer-nos parecer, constituem mais que incoerência ideológica (que não seria de espantar), estudada estratégia. A nova força, que tal não quererá entender, é, evidentemente, o «nacional-sindicalismo».
Decalcada dos partidos de Hitler e Mussolini (que venera) a organização de Rolão Preto fermentara quase simultaneamente à UN e podemos mesmo perguntar-nos se certos momentos da institucionalização do partido de Salazar, mais precipitados que a sua pachorrenta marcha habitual, não serão resposta aos assomos dos «camisas-azuis». Em Fevereiro de 1932 surgira o diário nacional-sindicalista Revolução que, não pondo em causa a predominância de Salazar, defende posições e desenvolve acções que não podiam coincidir com a prudente estratégia do professor de Coimbra.
A situação agravar-se-á durante 1933, ano em que os «camisas-azuis» parecem mais activos, cada vez mais críticos e quase hostis."
(Excerto de I - A União Nacional até 1934)
Índice:
I - A União Nacional até 1934. II - Convocação e Regulamento do Congresso. III - Os Congressistas. IV - O Congresso. | Conclusões.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse histórico.
15€

01 junho, 2026

MANUAL DA PEREGRINAÇÃO OPERÁRIA A FÁTIMA :
3 e 4 de Outubro 1943
. [Lisboa], Edições ACP, 1943. In-8.º (15 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual da histórica peregrinação do operariado português a Fátima, a primeira, sendo responsável máximo e presidente da Comissão Executiva da Peregrinação Abel Varzim, conhecido sacerdote, activista católico no período do Estado Novo, regime com quem, por vezes, entrou em conflito.
Inclui no interior a letra de marchas, cânticos e hinos relacionados com o evento, entre outros, a Marcha dos Desempregados.
Livro ilustrado com 5 belíssimas estampas em página inteira.
Junta-se um exemplar de O Semeador, Ano IV - N.º 4 : Domingo, 23 de Janeiro de 1949.

"A Nossa Peregrinação vai ser:
Um acto de Reparação nacional por tôda a classe operária, que tanto tem ofendido a Deus.
Uma afirmação colectiva da nossa dignidade humana e cristã.
Uma demonstração de brio e de camaradagem, dando um exemplo de aprumo e boa educação.

Para isto:
a) preparemo-nos espiritualmente com dignidade;
b) procuremos evitar palavriado inconveniente;
c) em tôdas as circunstâncias, mostremos que somos cristãos, tratando-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos e camaradas;
d) nos percursos a pé, marcharemos ordenadamente, não como soldados, mas sem nos separarmos uns dos outros, sem procurarmos ser engraçados. A nossa romagem é santa!
e) evitemos cestos e malas de mão que dão uma ideia triste da nossa jornada; levemos antes sacos alpinos ou sacolas;
f) sigamos em tudo as instruções que nos forem dadas.

Não nos esqueçamos
de lenços de bolso;
de uma toalha para nos limparmos;
de um pouco de sabão ou sabonete;
de um pente;
de um copo, mesmo de papel;
de calçarmos sapatos cómodos, que não magoem os pés;
de um agasalho por causa do frio da noite.

As nossa intenções:
Peregrinos! Não vamos a uma romaria, nem a um passeio! Vamos fazer uma Peregrinação de sacrifício e de penitência, pedindo à Virgem Santíssima que nos alcance, para tôda a classe operária,
Paz, Pão e Trabalho
E uma vida mais digna, mais cristã e mais pura.
No caminha para Fátima
Alegria, dignidade, espírito de sacrifício e de oração.

Na terra bendita de Fátima
Fé;
Disciplina;
Confiança;
Obediência pronta.

Os actos de Peregrinação decorrerão com o brilho que a tua disciplina lhes quiser dar."

(A Nossa Peregrinação)
Índice: A Nossa Peregrinação | Programa | Desfile | Via Sacra | Procissão das Velas | Adoração nocturna | Assembleia Geral e Côro falado | Missa dialogada: - Preparação: I Parte: As Almas purificam-se; II Parte: As Almas instruem-se. / O Sacrifício: I Parte: As Almas oferecem-se a Deus. II Parte: Eucaristia - As Almas unem-se ao sacrifício de Cristo. III Parte: Comunhão - As Almas participam sacramentalmente no sacrifício de Cristo. / Conclusão. / Procissão do Adeus. | A Minha Confissão | Oração operária a Nossa Senhora de Fátima.
Abel Varzim da Cunha e Silva (Cristelo, Barcelos, 1902-1964). "Foi um sacerdote católico português. Nasceu em Cristelo (Barcelos), diocese de Braga, no seio de uma família da classe média rural, sendo filho de Adelino da Costa e Silva, proprietário, natural da freguesia de Vilar de Figos, concelho de Barcelos, e de Adelaide Rosa Varzim da Cunha e Silva, professora do ensino oficial, natural da freguesia e concelho da Póvoa de Varzim. Ingressou na escola onde sua mãe era professora, tendo concluído a “instrução primária”, com o exame da quarta classe, em julho de 1912, aos dez anos. Querendo ser sacerdote, teve de ingressar no liceu da Póvoa de Varzim, por não haver seminário menor em Braga, pois este tinha sido ocupado militarmente em 1911. Em 1916, quando terminou o liceu, esse problema estava resolvido e Abel Varzim concluiu então os estudos preparatórios. Em 1921, entrou para o Seminário Conciliar daquela cidade, onde se formou em Teologia, tendo celebrado “Missa Nova”, a 3 de julho de 1925, na Póvoa de Varzim. Correspondendo a um pedido do Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, o prelado Bracarense, D. Manuel Vieira de Matos, cede o novo sacerdote à Diocese de Beja, tendo sido colocado no Seminário Menor de Serpa como professor e prefeito, desde a sua inauguração em 21 de novembro de 1925. Ali lecionou durante cinco anos e aplicou o seu dinamismo, tendo apoiado, inclusivamente, a iniciativa da Equipa Educativa do Seminário, na fundação do agrupamento de escuteiros n.º 38 (Beato Nuno Álvares Pereira) do C.N.S. [Corpo Nacional de Scouts - atual Corpo Nacional de Escutas], do qual foi nomeado Chefe. Após esta estadia em Serpa, seguiu para a Universidade de Lovaina, na Bélgica, o que lhe rasgou novas perspetivas e abriu mais largos horizontes. Quatro anos depois, em 23 de abril de 1934, doutorava-se em Ciências Políticas e Sociais. De regresso a Portugal, redigiu, com o Padre Manuel Rocha, os Estatutos da Acção Católica Portuguesa (ACP), pugnando para que esta fosse constituída por organismos especializados, de jovens e adultos, e de agricultores, operários, universitários, etc.. Este documento, mau grado a oposição do Estado Português, foi aprovado pela Santa Sé. Esteve também na fundação da Liga Operária Católica, o Organismo Especializado da ACP, criado oficialmente em 30 de junho de 1935, e que iniciou a sua atividade em 1936, da qual foi Assistente Geral até 1948. Foi o grande impulsionador do jornal “O Trabalhador”, ao qual se dedicou depois de alma e coração. Aquando do seu regresso a Portugal, profundamente interessado pelos problemas sociais, e consciente do atraso estrutural em que o país se encontrava, acolheu como boa a solução imposta por Salazar, de um Estado Unitário Corporativo, aceitando por isso o “Estatuto do Trabalho Nacional”. Cedo, contudo, verificou que estava equivocado, e que o regime do Estado Novo não respondia aos problemas que afligiam os trabalhadores, e o comum dos portugueses. Foi deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938/1942, ficando célebre um “Aviso-Prévio” que ali apresentou em 17 de fevereiro de 1939, sobre os Sindicatos Nacionais, em que criticava certos aspetos da organização sindical corporativa, onde mencionava a ação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, e nomeadamente a sua ineficácia em muitos aspetos. Esta passagem pela Assembleia Nacional ficou também marcada pela intervenção que proferiu, no dia 6 de fevereiro de 1941, “manifestando a sua discordância” com os termos do Decreto-Lei n.º 31.107, que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. Os ataques e ameaças que, então, enfrentou afastaram-no definitivamente das ideias do Estado Novo. Começou então a conhecer os caminhos amargos da perseguição política (e não só), ao mesmo tempo que realizava com forte empenho ações de formação para trabalhadores e estudantes universitários, naquilo a que hoje chamaríamos “formação para a cidadania”."
(Fonte: Wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
Indisponível

20 março, 2026

VICTÓRIA, Margarida -
AMORES DA CADELA "PURA".
Volume I. Confissões. [Volume II. Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa]. Lisboa, Bertrand Editora : Chiado, 2004. 2 vols in-4.º (23x15 cm) de 291, [1] p. ; [8] p. il. (I) e 188, [20] p. il. (II) ; B.
1.ª edição.
Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa, mulher irreverente, cosmopolita, à frente do seu tempo, viveu em São Miguel, Lisboa, Paris e no Cairo. Obra completa, em dois tomos. O primeiro volume teve edição em 1976, sendo o segundo inédito, editado apenas em 2004, postumamente.
Obra ilustrada com inúmeras fotografias distribuídas por 28 páginas extra-texto: 8 no 1.º volume; 20 no 2.º volume.
"Margarida Victória nasceu em Ponta Delgada em 1919, no seio de uma aristocrática e abastada família.
Estas confissões são um relato apaixonado e pungente de uma vida de encontros e desencontros.
Corajosamente verdadeiro, Amores de uma Cadela "Pura", é sem dúvida um grande documento humano."
(Retirado da badana anterior)
"Margarida Victória Borges de Sousa Jácome Correia nasceu em Ponta Delgada, em 31 de Março de 1919, no seio de uma aristocracia e abastada família açoriana. Com uma infância dominada pelos fortes traços do carácter do pai, o Marquês de Jácome Correia, e pela formação ultraconservadora da mãe, Margarida Victória cresceu quase entregue a si própria e viria a prender-se muito cedo a um casamento irremediavelmente condenado. A partir daí a vida de Margarida Victória foi um constante laboratório das mais ímpares experiências humanas, umas envoltas pelo véu de um romantismo exótico, fantástico e cosmopolita, outras eivadas de um entendimento terno e simples, onde o denominador comum residia sempre numa forte cumplicidade e numa natural adesão a espíritos cultos e sensíveis. Margarida Jácome Correia, Margarida Victória, Marquesa de Jacóme Correia ou, simplesmente, para muitos da sua Fajã natal, a marquesinha, soube resistir à força das convenções, dos espartilhos rígidos e das razões preconcebidas."
(Fonte: Wook)
"O livro de memórias de Margarida Victória tem o título forte e original de Amores de uma Cadela "Pura". A sua leitura suscita várias interrogações: é a confissão de uma vida? o auto-retrato de uma mulher infeliz? a autópsia de uma família? a denúncia de uma época e de um lugar, a sociedade fechada e hipócrita da ilha de São Miguel? É, de acto, isto tudo. E o segundo volume com o mesmo título, até agora inédito, vem completar o itinerário recordado desta mulher invulgar. Do que ela foi, do que quis ser ou do que a obrigaram a ser. Haverá diferenças ou aproximações entre a Cadela Pura (e os seus amores) e a Macaca de Fogo, última musa de Vitorino Nemésio, celebrada nos seus derradeiros poemas, envolvidos com as chamas de um amor tardio mas vulcânico?"
(Excerto de Retrato (incompleto) de Margarida Jácome)
Margarida Jácome Correia (Ponta Delgada, 1919 - Lisboa, 1996). "Detentora de grande beleza, de forte personalidade, e de considerável fortuna familiar, Margarida Vitória Borges de Sousa Jácome Correia, Marquesa de Jácome Correia ou, para o povo da Ilha de S. Miguel, A Marquesinha, era filha de Aires Jácome Correia, marquês de Jácome Correia, e de Dona Joana Chaves Cymbron Borges de Sousa. Cultivou relações com personalidades importantes do meio cultural português, designadamente os escritores Armando Côrtes-Rodrigues, com quem foi casada, Domingos Monteiro, Hernâni Cidade, Natália Correia e Vitorino Nemésio.
A sua vida afetiva, recheada de acidentes por vezes dramáticos, por vezes pitorescos, atingiu contornos escandalosos para os padrões portugueses e sobretudo insulares da época. Foi através de Côrtes-Rodrigues que Margarida Vitória conheceu Vitorino Nemésio, que por ela se apaixonou, vivendo os dois uma relação amorosa de enorme intensidade que durou até à morte de Nemésio e que este registou nos poemas que viria a reunir no livro Caderno de Caligraphia. Encontram-se ecos desta relação nas memórias de Margarida Vitória, o polémico Amores de Cadela «Pura»: confissões, cujo primeiro volume (1976) foi escrito com o apoio de Vitorino Nemésio – e sobretudo no segundo volume, concluído pouco antes da morte da autora e que só viria a ser publicado em 2004."
(Fonte: https://www.agendalx.pt/events/event/margarida-jacome-correia/)
Exemplares em brochura, bem conservados.
Esgotado.
35€

07 fevereiro, 2026

CANTARES DE PORTUGAL. Música de Estefânia Cabreira - Letra de Oliveira Cabral - Ilustrações de Carlos Carneiro. Porto, Editorial Domingos Barreira, [1939]. In-8.º (21,5x15 cm) de 81, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante repositório de cantigas populares portuguesas, de teor patriótico umas - «Por Deus e pela Pátria», de raiz folclórico as outras - «Modas Populares».
Livro dedicado "Às crianças de Portugal, para que em suas almas germinem, cresçam e floresçam as crenças e o patriotismo dos nossos gloriosos antepassados."
Bonita peça de cultura musical, propaganda do regime do Estado Novo, ilustrada com belíssimos desenhos de Carlos Carneiro (1900-1971), conhecido pintor, natural do Porto.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, com pequena falha (arredondada) no revestimento da capa frontal, à cabeça.
Invulgar.
15€