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11 abril, 2026

VIEIRA, Affonso Lopes - O ROMANCE DE AMADIS.
Composto sobre o Amadis de Gaula de Lobeira. Por... Lisboa, Sociedade Editora Portugal-Brasil, L.da, [1922]. In-8.º (17,5x12 cm) de [2], XLI, [1], 216, [8] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Versão moderna do Amadis de Gaula, talvez a mais conhecida novela de cavalaria da Península Ibérica.
Ilustrado com bonitas vinhetas tipográficas assinalando o início e o final da obra.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Moreira Júnior.
"O Romance, Novela, História, Livro ou Conto, escrito por Afonso Lopes Vieira, nobre arauto e mantenedor do Lirismo da alma portuguesa e evocador das suas mais puras manifestações, não é invenção nova, individual dêle.
É a interpretação  moderna, a síntese artística de uma das grandes obras antigas de fantasia que todos conhecem os, de nome e fama pelo menos: o Amadis de Gaula (não da França, mas de Gales, Wales). Isto é: a narração das proezas e aventuras do primeiro e modelar cavaleiro andante das nações peninsulares que criaram o tipo. A narração, sobretudo, dos seus amores com Oriana, a Sem-Par, ora idílicos, ora contrariados.
Derivado, há mais de sete séculos, de lendas bretónicas, cantadas por troveiros anglo-franceses, o Amadis chegara a Portugal na mocidade del-rei D. Denis, nacionalizado por um meigo trovador desta costa ocidental, o qual, impulsionado acaso por atavismos célticos, talvez já tivesse redigido outros Lais de Bretanha, traduzindo e imitando Tristan e Lançarote, que em parte subsistem anónimos, em parte desapareceram."
(Excerto do Prefacio, de Carolina Michaëlis de Vasconcellos)
"Senhores, ouvide o romance de Amadis, o Namorado. Escreve-o um velho trovados português, e depois um castelhano, trocando-lhe a língua e o jeito, da sua terra o levou. Mas já as mais nobres mentes de Espanha por nosso o dão.
Em Portugal tem a segunda pátria o espírito heróico e amoroso da Távola-Redonda.
E o conto é de amor fino e fiel, de português amor, rendido com êle só.
Ao começar o romance de Amadis, invoco a memória do cavaleiro-poeta que o compôs, para que me alumie. Invoco o par para sempre enlaçado e vivo de Tristan e Iseu, que morreram de amor e dor ambos os dois.
E vós que amais com amor heróico e fiel, que amais o amor, ouvide a história como eu a senti."
(Excerto de I - Perion)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidades. Interior correcto.
Muito invulgar.
45€

26 fevereiro, 2026

MOISÉS, Massaud -
A NOVELA DE CAVALARIA NO QUINHENTISMO PORTUGUÊS.
O Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Universidade de São Paulo : Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras - Boletim n.º 218 : Literatura Portuguêsa n.º 13. São Paulo - Brasil, [s.n.], 1957. In-4.º (24x17 cm) de 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho académico sobre o Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda de Jorge Ferreira de Vasconcelos, exemplo maior do Romance de Cavalaria lusitano de quinhentos, obra moral e política oferecida ao futuro rei D. Sebastião, impressa pela primeira vez em Coimbra, na oficina de João de Barreyra (1567).
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O trabalho que se vai ler, é uma tentativa de exame parcial da matéria cavaleiresca portuguêsa. [...]
Não obstante acreditar que qualquer obra de criação ou de interpretação fala por si própria, parece-nos natural referir algumas da idéias que nortearam o nosso espírito no estudo da Cavalaria portuguêsa.
A novela que estudamos, coloca imediatamente em pauta a questão do conceito de Idade Média e Renascença. Para nós, que procuramos raciocinar em têrmos de realidade portuguêsa, o século XVI apresenta duas linhas culturais evidentes: a medieval e a renascentista. Por outras palavras: no século XVI português, que denominamos Quinhentismo, convergem valores medievais e valores contemporâneos, renascentistas, pois a Idade Média não se interrompo sùbitamente para dar início aos tempos modernos, mas perdura, evoluindo, através de tôda a Renascença.
Dentro dêsse prisma, procuramos estudar a novela de cavalaria portuguêsa, especialmente o Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda, de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Verifica-se que a novela de cavalaria, gênero medieval no seu conteúdo, permanecendo no século XVI, revela justamente aquêle caráter bifrontal apontado.
Doutro lado, assente que a Idade Média portuguêsa não possui novelas nativas, mas apenas traduções (ressalvemos o caso ainda discutível do Amadis), o século XVI é a grande época da cavalaria lusitana, pela nacionalização do gênero e pelo número de espécies aparecidas."
(Excerto da Introdução)
Jorge Ferreira De Vasconcelos (15--/1585). "Nasceu na segunda ou terceira década do século XVI, não se conhecendo, contudo, uma data precisa. Seu pai, António Dias Pereira, era natural de Coimbra. É referido que foi criado do duque de Aveiro, D. João de Lencastre, e são-lhe atribuídos os títulos de doutor jurista e de cavaleiro da Ordem de Cristo. Exerceu os ofícios e cargos de moço de câmara do Infante D. Duarte (1540), moço de câmara de D. João III, escrivão do tesouro da casa real (1553–1563), Tesoureiro do Tesouro Real (1563–1575) e Tesoureiro do Armazém da Guiné e Índia (1580–1583). Em 1550, Jorge Ferreira de Vasconcelos encontra-se em Lisboa, pois descreve no Memorial das Proezas da Távola Redonda o Torneio de Xabregas. Foi casado com D. Ana de Souto, senhora nobre. Perdeu um filho jovem, Paulo Ferreira, em 1578, na batalha de Alcácer Quibir. Confirma-se ainda que, em 1584, a sua filha, Briolanja Mendes de Vasconcelos, se casou, na freguesia do Sacramento, com Dom António de Noronha, que viria a ser o promotor das edições seiscentistas das comédias Ulysippo e Aulegrafia. Morreu em 1585 e foi enterrado no cruzeiro central da igreja da Trindade."
(Fonte: Wook)
Massaud Moisés (São Paulo, 1928-2018). "Foi um professor, ensaísta e crítico literário brasileiro. Fez contribuições notórias para a teoria e crítica literária no Brasil. Foi titular da Universidade de São Paulo (USP), de 1973 a 1995, ano em que se aposentou."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

12 março, 2021

BARROS, João de - A PRYMEIRA PARTE DA CRONICA DO EMPERADOR CLARIMUNDO DONDE OS REYS DE PORTUGAL DESÇENDEM
. Lisboa, Biblarte, Ldª : Ernesto Martins, 2003. In-fólio (31 cm) de [4], 342, [2] p. ; E.

Edição fac-símile. Tiragem fora de mercado xerocopiada do único exemplar original conhecido, existente na Biblioteca Nacional de Madrid, conforme informação e cedência do professor Eugénio Asensio. Salvo melhor opinião, trata-se da única reprodução da Crónica alguma vez publicada com estas características.
"A Crónica do Imperador Clarimundo foi escrita por João de Barros quando era ainda um jovem fidalgo da corte do rei D. Manuel. Como o próprio virá a expressar anos mais tarde, tratou-se de um "debuxo" da sua obra maior, as Décadas da Ásia.
Esta obra relata as façanhas do cavaleiro Clarimundo ao longo de um percurso de vida heróico, desde o dia do seu nascimento envolto em acontecimentos extraordinários. Fantasia e realidade conjugam-se aqui para a mitificação das origens de Portugal através da sua realeza, cuja ascendência remontaria a esta figura de excepção. A temática da identidade ganha aqui uma importância relevante, na relação com a glorificação do reino.
Os "livros de cavalarias", são testemunhos literários de um tempo de transição entre a Idade Média e o século XVI, nomeadamente no que respeita ao imaginário cavaleiresco e à expressão do maravilhoso. Esta obra é também identificadora de uma cultura peninsular voltada para a expansão e auto-glorificação. Sendo o primeiro livro de cavalarias português, segue o modelo de "Amadís de Gaula", escrito anteriormente em língua castelhana por Garcí Rodriguez de Montalvo, em sintonia com o ideário dos reis católicos."

(Fonte: http://www.bnportugal.pt) 
João de Barros (Vila Verde, Viseu, 1496 - Vermoil, Alcobaça, 1570). "Historiador, geógrafo, autor de importante obra doutrinária, pedagógica e gramatical e alto funcionário da coroa portuguesa no reinado de D. João III. Nascido provavelmente em Viseu, de família fidalga, ainda muito jovem entrou na corte régia onde, com outros moços-fidalgos, aprendeu latim, matemática e humanidades.
A Crónica do Imperador Clarimundo (1522), romance de cavalaria que exalta as origens imaginárias da casa real portuguesa, oferecida a D. Manuel em 1520, assinala a sua estreia como escritor. Nela, o herói Fanimor profetiza em prosa de aspiração épica as futuras glórias dos reis de Portugal. O Clarimundo constitui sobretudo um "ensaio" de João de Barros, nascido dois anos antes da chegada de Vasco da Gama à Índia, para aquele que já então era, inegavelmente, o seu verdadeiro projecto: a narração dos feitos dos portugueses no Oriente.
A Crónica agradou de tal forma a D. Manuel que o monarca quis encarregá-lo da escrita das "cousas das partes do Oriente", já que até então, apesar de querer celebrar os feitos portugueses, "nunca achara pessoa de que o confiasse" (Década I, “Prólogo”). A morte do rei veio interromper o projecto já que o novo soberano, D. João III, lhe concedeu, logo em 1522, o governo do Castelo da Mina, cargo que não terá chegado a exercer, embora talvez tenha viajado até S. Jorge. [...] Foi como historiador que João de Barros ganhou maior projecção. Projecto de uma vida, a Ásia constitui a "coroa de glória" da sua actividade como escritor. [...]
Historiador dos feitos do Oriente, amigo e panegirista de D. João III, distinguido pelo monarca com mercês várias e cargos de relevo na administração, João de Barros foi um dos expoentes e um dos porta-vozes destacados da ideologia expansionista da coroa portuguesa no século XVI. A sua concepção da história, servida por um inequívoco rigor documental, por uma vasta erudição e por uma língua grave e majestosa, reflecte a prudência do cortesão que serve o seu rei, mas também a noção humanista da necessidade da glorificação dos heróis."

(Fonte: http://www.fcsh.unl.pt/cham/eve/content.php?printconceito=762)
Encadernação inteira de percalina com cercadura e ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

23 julho, 2020

VIEIRA, Affonso Lopes - O ROMANCE DE AMADIS. Composto sobre o Amadis de Gaula de Lobeira. Por... [Prefácio de Carolina Michaëlis de Vasconcellos]. Lisboa, Sociedade Editora Portugal-Brasil, [1922]. In-8.º (17,5 cm) de XLI, [1], 216, [8] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Rara edição original de uma das mais conhecidas e apreciadas obras do autor que a dedica a seu pai: "Do pouco que fiz, creio que é isto o melhor: eis porque ofereço a quem, por sua ternura, de longe preparou as possibilidades de eu o fazer." Livro ilustrado com uma capitular, e duas bonitas gravuras em madeira - uma no início, e outra no final.
"Senhores, ouvide o romance de Amadis, o Namorado. Escreveu-o um velho trovador português, e depois um castelhano, trocando-lhe a língua e o jeito, da sua terra o levou. Mas já as mais nobres mentes de Espanha por nosso o dão.
Em Portugal tem a segunda pátria o espírito heróico e amoroso da Távola-Redonda.
E o conto é de amor fino e fiel, de português amor, rendido como êle é só.
Ao começar o romance de Amadis, invoco a memória do cavaleiro-poeta que o compôs, para que me alumie. Invoco o par para sempre enlaçado e vivo de Tristan e Iseu, que morreram de amor e dor ambos os dois.
E vós que amais com amor heróico e fiel, que amais o amor, ouvide a história como eu a senti."
(Excerto do Cap. I, Perion)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
30€

09 julho, 2019

MORAES, Francisco de - OBRAS DE FRANCISCO DE MORAES. [Palmeirim de Inglaterra]. Tomo I [Tomo II e Tomo III]. Lisboa, Escriptorio da Bibliotheca Portugueza, 1852. 3 vols in 12.º (13,5cm) de 480 p. (T. I) ; 474 p. (T. II) ; 404, 47, [1] p. (T. III) ; E.
"O Palmeirim de Inglaterra, de nome completo Cronica do famoso e muito esforçado cavalleiro Palmeirim d'Inglaterra, é um romance de cavalaria português escrito por Francisco de Morais (1500-1572) entre 1541 e 1543. O livro possui algumas lembranças autobiográficas do autor. É considerado um dos melhores romances de cavalaria do século XVI, e foi como tal elogiado por Cervantes em Dom Quixote."
(Fonte: wikipédia)
Obra em 3 volumes (completa). As últimas 47 páginas do Tomo III são preenchidas com os Dialogos de Francisco de Moraes, author de Palmeirim de Inglaterra. Com um desengano de amor, sobre certos amores, que o author teve em França com uma dama franceza da Rainha Dona Leonor, offerecidos a Gaspar de Faria Severim, Executor Mór do Reino, etc.
"Ignora-se em que terra de Portugal nascesse Francisco de Moraes Cabral, que depois, por este seu livro do Palmeirim de Inglaterra, se ficou chamando Francisco de Moraes Cabral o Palmeirim. Seu Bisneto, o Padre Balthasar Telles, da Companhia de Jesus, o denomina Brigantino; e Barbosa depois de o ter dado em uma parte como natural de Bragança, n'outra o põe filho de Lisboa. [...]
Francisco de Moraes serviu de Thesoureiro d'elrei D. João III, e esteve em França na companhia do Embaixador de Portugal, o conde de Linhares, D. Francisco de Noronha. Ahi se affeiçoou a uma dama da Rainha D. Leonor, chamada Torsi, com a qual comtudo não casou, e sim com Barbosa Madeira, da qual teve numerosa descendencia. Foi cavalleiro e commendador da ordem de Christo, e morreu violentamente(*), como conta Barbosa Machado, á porta do Rocio de Evora no anno de 1572."
(Excerto do Prologo)
(*) A 'morte violenta' do autor poderá estar relacionada com as insinuações desrespeitosas que Morais terá proferido a respeito da linhagem da Casa de Bragança, e de D. Nuno Álvares Pereira.
"A primeira referência conhecida à morte violenta de Francisco de Morais é a de João Franco Barreto (1600-após 1674) que regista na sua Bibliotheca Luzitana: «dizem foi morto, a ferro, em Evora, a Porta do Roçio junto Aorta delRey, estando ali a corte» (Barreto 1674?: fl. 475Av). Posteriormente, Camilo Castelo Branco (1920: 60-61) segue-lhe no encalço, afirmando claramente a relação direta entre esta morte «a ferro» e o seguinte trecho que se encontra no diálogo moraisiano entre o Escudeiro e o Fidalgo: «Até o Conde Dom Nuno Alveres que deixou o Estado de Bragança, quereis que tivesse hum quarto disso. E dais por prova d’isso a capella dos Corvos que está em Evoramonte, feita por João Gonçalvez Barbadão seu avô. E que por esta razão há hy muitos que se desprezão de Pereiras»."
(Fonte: https://ielt.fcsh.unl.pt/wp-content/uploads/2018/01/dialogos-ou-coloquios.pdf)
Encadernações em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplares em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto (3 exs). Carimbo de biblioteca privada na f. rosto (3 exs).
Raro.
Indisponível

04 maio, 2019

EXTREMOSAS AVENTURAS // DE // LIZARDA, // INCONSTANCIAS // DE // RAULINO, //E // GENEROSIDADES // DO // CAPITÃO SISNANDO. // LISBOA: // Na Off. de Simão Thaddeo Ferreira. // ANNO M. DCC. XCIV. // Com Licença da Real Meza da Commissão Geral sobre o Exame, e Censura dos Livros. Vende-se na loja do Livreiro Francisco José Alvares, na Rua de S. Bento. In-12.º (14,5cm) de [2], 133, [1] p. ; E.
Novela de cavalaria sobre os amores desencontrados de dois cavaleiros que tomam parte no cerco de Lisboa. Edição original? Nada foi possível apurar a esse respeito por total ausência de referências bio-bibliográficas; estamos no entanto em presença de uma obra muitíssimo interessante, por certo concebida por autor luso, dada a profusão e qualidade dos pormenores e referências históricas à tomada de Lisboa e ao nosso primeiro rei.
"Governando com prosperos augmentos, á custa de muito sangue de perfidos inimigos, o Serenissimo Dom Affonso Henriques a maior parte deste venturoso Reino, como verdadeiro Rei, eleito pelo mesmo Christo. Tendo posto cerco á Cidade Ulyssea, por ser edificada pelo antigo Elisso, se he que não furtando a Ulysses esta gloria, dissermos que era a populosa Lisboa no mundo tão celebrada, que nunca Athenas fora de Platão por divina encarecida, se já a este tempo a conhecêra. Não consultando o piedoso Rei algum oraculo para alcançar victoria, como Gustino conta de Leonila, mas confiando em o auxilio supremo, que logo se mostrou propicio a seu fervoroso zelo, permittindo que entrasse pela fóz do Téjo huma grande armada, que da parte do Norte sahíra, para ajudar a conquista da Terra Santa. E conhecendo os Capitães della, que erão santos os piedosos intentos do virtuoso Rei, condescendêrão facilmente aos largos offerecimentos, que lhe fazia promettendo, que se o ajudassem a ganhar aquella Cidade (além do grande serviço, que a Deos farião) lhes daria por premio, praças, terras, campos, e mais despojos, que tomassem aos inimigos. Acceitárão todos desinteressados, que nunca o interesse vence animos generosos, e mais quando muita parte delles era de Varões mui illustres. E contente o zeloso Rei com tão felices principios, e foi para a parte, aonde em nascendo o dourado Phebo désse com seus raios lustre sómente ás armas, que trazião vestidas, que dálo a seu valor era escusado, pois o publicavão as heroicas obras, que tinhão feito no mundo, aonde depois o mesmo Rei por seu respeito deo principio ao celebre Templo de São Vicente de Fóra, que néssa era póde apostar vantagens aos mais sumptuosos da Europa.
Ficárão os nossos Portuguezes na costa de hum monte, mais visinho ao mar Oceano, aonde o sol se escondia descançado, porque o grande valor, com que exercitavão suas forças em os opprimidos Mouros, o segurava do antigo impedimento, que puzera a petição de hum Capitão valeroso a seu accelarado curso. E porque a larga conversação entre os discretos faz tratar como visinhos aos mais estranhos, sendo bastante a de cinco mezes de cerco, houve lugar a que se communicassem entre si huns, e outros soldados, como se já de muitos tempos fossem conhecidos.
Succedeo pois em o entremeio deste tempo, que temos dito, sahir de sua enstancia (havendo já tres horas que o Sol se ausentára) hum Capitão Portuguez dos que tinhão menor idade, mas dos mais illustres, e valerosos, que ElRei Dom Affonso tinha em seus exercitos, e o que mais dera a conhecer suas forças aos Mouros, que vinhão socorrer os cercados em huma ponte, que franqueva um braço do visinho Téjo, que por ter braço, e o sangue muito, parecia então sangrado sem estar enfermo; levou o tempo esta testemunha, mas deixou a piedade Christã uma memoria augmentada depois por hum prudente Mouro, e he hum Religioso Convento, situado aonde primeiro fora o castello de hum Mouro convertido. Chamava-se elle Dom Sisnando, e ainda parente do Conde Sisnando, que tinha sido Consul em as terras de entre Douro, e Mondego. O qual levado da curiosidade de ver como os estrangeiros vigiavão suas estancias, vestido em suas armas, foi discorrendo por entre algumas tendas, e chegando perto de huma, que estava mais apartada, á qual os troncos de humas antigas arvores servião de amparo, ouvio proferir vozes baixas, mas tão encarecidas, que o confrangêrão a deter o passo, e avivar os sentidos, para que melhor percebessem, o que hum soldado dizia em sua lingua, o que em a nossa era desta maneira:
Como he possivel falso Raulino, que mereças de tuas grandes obras alguma gloria, se tuas cruezas me tem causado tão rigorosa pena?"
(Excerto da 1.ª parte do texto)
Encadernação recente, cartonada, com ferros gravados a seco e a ouro nas pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP ou qualquer outra fonte bibliográfica.
Peça de colecção.
Indisponível

10 dezembro, 2018

HISTORIA DO IMPERADOR CARLOS MAGNO, E DOS DOZE PARES DE FRANÇA, augmentada com a noticia circumstacial das estaturas, e fisionomias do imperador Carlos Magno, e dos Doze Pares de França. Dividida em tres partes. Traduzida do castelhano em portuguez, com maior elegancia para a nossa lingua. Nova edição. LISBOA: Na Typ. de Mathias José Marques da Silva. 1854. In-8.º (15,5cm) de [8], 464, 16 p. ; E.
Romance de cavalaria, obra clássica da literatura cavalheiresca, originalmente publicado sob anonimato, em França, no século XVI. Conheceria a 1.ª edição portuguesa na primeira metade do século XVIII, em duas partes (1728-1737), sendo seu tradutor Jerónimo Moreira de Carvalho.
"Na era de 467 floreceo o Imperador Carlos Magno, respeitado de todos os Monarcas, pelo seu distincto valor, e de seus Paladinos, de que se faz uma breve descripção.
Carlos Magno era de grande estatura, e mui robusto, com 70 pollegadas de alto, cara espaçosa, e redonda, olhos avermelhados, que indicavão ferocidade ao gesto, cabellos bastante ruços, pernas grossas, e grandes pés; conservava a barba do comprimento de 7 pollegadas; dormia pouco, porque velava parte da noite, occupado em Santos exercicios; era pois observante Catholico e de rectissima justiça."
(Excerto de Noticia circunstancial)
"Mandando Carlos Magno apregoar por todo o Reino, a sua partida contra os Turcos, muitos principaes Cavalheiros, e Senhores grandes se resolvêrão acompanhallo, deixando as suas casas, mulher, filhos e familia, e se ajuntárão em pouco mais de trinta mil homens de peleja, e vendo-se Carlos Magno acompanhado de tão luzida gente, zelosa pela Fé de Jesu Christo, partio de París para Jerusalem, com grande esperança de alcançar victoria, e restaurar as cousas santas.
Chegado á Turquia; entrárão em hum aspero monte, que tinha quinze legoas de comprido e dez de largo; e por cauda da immensidade de Leões, Tigres, Ursos, Guidos, e outros ferozes animaes, soffreo grande ruina no Exercito, e principalmente de noite; e com a fadiga e sobresalto dos ditos animaes; perdêrão os guias o caminho, e não sabião o que havião de fazer; e buscando estrada direita, chegou a noite e se achárão todos cançados, e sem mantimentos.
Vendo isto Carlos Magno, mandou que em huma planicie, que alli estava, se ajuntasse todo o Exercito, e poz nas entradas os soldados, que lhe pareceo estavam mais descançados, para se defenderem dos animaes, que com grande furor os accommettião para fartar a fome; e retirado Carlos Magno junto a huma arvore, se encommendou a Deos, e lhe pedio que tivesse piedade da sua gente."
(Excerto deo Cap. IX, Como Carlos Magno se partio com um grande Exercito para Jerusalem)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Com seis páginas alvo de restauro.
Raro.
Inocêncio não menciona esta edição, que também não se encontra recenseada na BNP.
Indisponível

17 janeiro, 2014

[PIMENTEL, José Freire de Serpa] - O INFANÇÃO DAS TROVAS. Fragmentos de uma historia. Colligidos por J. F. de S. P. Coimbra, Na Imprensa da Universidade, 1843. In-8.º (16cm) de XI, [1], 40 p. ; B.
Raríssima. Obra projectada para 4 volumes, dos quais apenas 2 foram publicados – o Primeiro Fadario (1843) e o Segundo Fadario, com o sub-título Armonias (1844). A BNP (Biblioteca Nacional) dá-nos notícia apenas do 2.º, mas com o ano de publicação incorrecto.
“Os cavalleiros vão entrando, entrando; e o Infanção das Trovas não apparece. Os olhos, que o viram sair tão prasenteiro, e tão ébrio de amor e venturas, a demandar a liça, estão curiosos de vêr como agora regressa, com que ademans se apresenta, que nova tenção traz no escudo, que recente e namorada trova no alaúde.
Até que alfim um tropear apressado de ginetes faz estremecer a ponte levadiça. – Enderessão-se para lá todos os olhos; e eis no meio de outros campeões o Infanção das Trovas. Vem sem elmo, e sem couraça, traz um chapéo derrubado sobre os olhos, vem rebuçado em largo manto negro, e não traz tenção no escudo, nem trova no alaúde.”
(excerto do texto)
José Freire de Serpa Pimentel (1814-1870). “Autor da segunda geração romântica, segundo Visconde de Gouveia e Par do Reino, nascido a 21 de novembro de 1814, em Coimbra, e falecido a 22 de janeiro de 1870, em Lisboa. Irmão do também poeta António de Serpa Pimentel, destacou-se como poeta medievista e dramaturgo. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, exerceu vários cargos de magistratura, como o de juiz de Direito e governador civil do Porto, e assumiu vários postos literários, como os de sócio do Conservatório Dramático e do Instituto de Coimbra. Em 1838, ano em que publicou o seu primeiro drama, D. Sisnando, Conde de Coimbra, fundou o Teatro Académico de Coimbra, dirigido por uma Academia Dramática que tinha como órgão a Crónica Literária da Nova Academia Dramática, que Serpa Pimentel dirigiu e onde deixaria uma vasta colaboração. Ao longo da sua vida, colaborou em vários outros periódicos, tais como os jornais de poesias O Trovador e O Novo Trovador, a Revista Universal Lisbonense, O Panorama, O Mosaico, O Prisma e A Ilustração. Publicou e/ou fez representar muitos dramas históricos, de entre os quais O Almansor Aben-Afan (1840) e D. Sancho II (1846). Em 1839 e 1840, publicou respetivamente os volumes de poesias Solaus, Cancioneiro e Tradições cavaleirosas da minha pátria, inspirados pelo gosto pelos poemas narrativos de cunho épico e popular introduzido por Almeida Garrett. Juntamente com João de Lemos e Luís Augusto Palmeirim, Serpa Pimentel seria assim o grande responsável pela proliferação das xácaras e dos solaus característica do nosso segundo romantismo. Tanto na sua obra dramática como na sua poesia lírica sobressaem as pinturas históricas, de onde ressaltam as figuras dos grandes heróis nacionais, os motivos fúnebres e fantásticos e a evocação dos lugares simbólicos da pátria e, particularmente, de Coimbra.”
(Fonte: infopédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem capa frontal. Julgamos que a numeração das páginas está incorrecta, sugerindo a falta de duas folhas entre o final do preâmbulo (A Historia do Livro), e o início da obra (Primeiro Fadario).
Raro.
Sem indicação de registo na Biblioteca Nacional (BNP).
Indisponível