26 fevereiro, 2026

MOISÉS, Massaud -
A NOVELA DE CAVALARIA NO QUINHENTISMO PORTUGUÊS.
O Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Universidade de São Paulo : Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras - Boletim n.º 218 : Literatura Portuguêsa n.º 13. São Paulo - Brasil, [s.n.], 1957. In-4.º (24x17 cm) de 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho académico sobre o Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda de Jorge Ferreira de Vasconcelos, exemplo maior do Romance de Cavalaria lusitano de quinhentos, obra moral e política oferecida ao futuro rei D. Sebastião, impressa pela primeira vez em Coimbra, na oficina de João de Barreyra (1567).
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O trabalho que se vai ler, é uma tentativa de exame parcial da matéria cavaleiresca portuguêsa. [...]
Não obstante acreditar que qualquer obra de criação ou de interpretação fala por si própria, parece-nos natural referir algumas da idéias que nortearam o nosso espírito no estudo da Cavalaria portuguêsa.
A novela que estudamos, coloca imediatamente em pauta a questão do conceito de Idade Média e Renascença. Para nós, que procuramos raciocinar em têrmos de realidade portuguêsa, o século XVI apresenta duas linhas culturais evidentes: a medieval e a renascentista. Por outras palavras: no século XVI português, que denominamos Quinhentismo, convergem valores medievais e valores contemporâneos, renascentistas, pois a Idade Média não se interrompo sùbitamente para dar início aos tempos modernos, mas perdura, evoluindo, através de tôda a Renascença.
Dentro dêsse prisma, procuramos estudar a novela de cavalaria portuguêsa, especialmente o Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda, de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Verifica-se que a novela de cavalaria, gênero medieval no seu conteúdo, permanecendo no século XVI, revela justamente aquêle caráter bifrontal apontado.
Doutro lado, assente que a Idade Média portuguêsa não possui novelas nativas, mas apenas traduções (ressalvemos o caso ainda discutível do Amadis), o século XVI é a grande época da cavalaria lusitana, pela nacionalização do gênero e pelo número de espécies aparecidas."
(Excerto da Introdução)
Jorge Ferreira De Vasconcelos (15--/1585). "Nasceu na segunda ou terceira década do século XVI, não se conhecendo, contudo, uma data precisa. Seu pai, António Dias Pereira, era natural de Coimbra. É referido que foi criado do duque de Aveiro, D. João de Lencastre, e são-lhe atribuídos os títulos de doutor jurista e de cavaleiro da Ordem de Cristo. Exerceu os ofícios e cargos de moço de câmara do Infante D. Duarte (1540), moço de câmara de D. João III, escrivão do tesouro da casa real (1553–1563), Tesoureiro do Tesouro Real (1563–1575) e Tesoureiro do Armazém da Guiné e Índia (1580–1583). Em 1550, Jorge Ferreira de Vasconcelos encontra-se em Lisboa, pois descreve no Memorial das Proezas da Távola Redonda o Torneio de Xabregas. Foi casado com D. Ana de Souto, senhora nobre. Perdeu um filho jovem, Paulo Ferreira, em 1578, na batalha de Alcácer Quibir. Confirma-se ainda que, em 1584, a sua filha, Briolanja Mendes de Vasconcelos, se casou, na freguesia do Sacramento, com Dom António de Noronha, que viria a ser o promotor das edições seiscentistas das comédias Ulysippo e Aulegrafia. Morreu em 1585 e foi enterrado no cruzeiro central da igreja da Trindade."
(Fonte: Wook)
Massaud Moisés (São Paulo, 1928-2018). "Foi um professor, ensaísta e crítico literário brasileiro. Fez contribuições notórias para a teoria e crítica literária no Brasil. Foi titular da Universidade de São Paulo (USP), de 1973 a 1995, ano em que se aposentou."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

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