MORAIS, Maria Adelaide Pereira de - EUGÉNIA DA CUNHA PEIXOTA OU O MORGADO DO PARTO SUPOSTO. Braga, [s.n. - Composição e impressão nas Ofic. Gráficas da Livraria Cruz - Braga], 1977. In-4.º (24x17 cm) de 15, [1] p. ; [1] f. il. ; [1] mapa genealógico ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo acerca de um aparente embuste - um "parto suposto" - segundo a língua afiada do povo, a que se juntou a má vontade de parte da família do morgado de S. Miguel, em S. Clemente de Sande, Guimarães, os que com esse nascimento perdiam direitos ao morgadio, e que por isso, não se conformando, levaram a acesa disputa familiar.
Ensaio histórico e genealógico, invulgar e muito interessante, publicado em separata da revista «Armas e Troféus» : Janeiro-Abril de 1977 - N.º 1.
Ilustrado com duas fotografias da Quinta de S. Miguel em folha separada do texto, e um desdobrável de generosas dimensões (24x36,5 cm), também à parte do texto, com a árvore genealógica do Morgadio de S. Miguel.
"[...] Passa o morgadio da Rua das Flores para a quinta de S. Miguel. Em breve morre sem descendência Patrício Machado de Miranda.
A estas páginas, chega seu irmão e sucessor, Jerónimo Machado de Miranda. Vem velho, de mãos trémulas, manco a arrastar-se com dificuldade o 8.º senhor do Morgadio. É este o marido que Deus e vontade dos Pais destinam para Eugénia da Cunha Peixoto, a do Parto Suposto Ouçamos os nobiliários:
- «... f. a de M. el da Cunha Maranhas, q por morte de seu marido ficou prenhe, e teve hum f.º chamado Sebastião e como os parentes do marido duvidarão do parto lhe moverão demanda, mas venceo a viuva e morrendo o f.º passou o vincullo a sua Irmã Ignez de Miranda, e por isso lhe chamão o Morgado do parto suposto...»
- «Esta Eugenia da Cunha ordenou hu parto supposto para levar o morgado q instituio Gil L.co de Miranda de q este Jm Machado era sucessor s. g.».
Quem foi? Que fez Eugénia da Cunha Peixoto?
Apertada em faixas, ao colo da ama, estremece e possivelmente chora, a 25.5.1594, a recém nascida Eugénia, ao receber o Baptismo na igreja de S. Sebastião em Guimarães; são seus padrinhos Fernão Rebelo e a mulher de Pedro Roiz Caneiros. É a primogénita de Manuel da Cunha, o Maranhas, «que veio das Indias de Castella», onde fez fortuna depois de ter saído de Guimarães, «fidalguo qaue diz elle proprio ser», e de sua mulher Antónia de Freitas Peixoto, dos Morgados de Lamelas, ligados aos Peixotos, da Casa da Pousada, sangue do mais nobre, vínculo mais antigo das terras de Guimarães.. Infância passada entre rezas e folguedos, a correr pelos seus a esperança do Desejado, a fé num Portugal sempre vivo, a inocência a livrá-la da dor de saber uma Pátria quase morta nas areias de Alcácer, alguns anos antes de ela vir ao mundo."
(Excerto do Estudo)
Maria Adelaide Cardoso de Menezes Pereira de Moraes (1930-2023). "Nasceu em Lisboa a 20 de junho de 1930. Filha da vimaranense Dona Luiza Adelaide Cardoso de Macedo e Menezes (Margaride) e do diplomata brasileiro José Júlio Carvalho Pereira de Moraes, foi funcionária do Museu Alberto Sampaio, entre 1978 e 1994, e académica correspondente da Academia Portuguesa de História.
Entre as várias obras publicadas da investigadora, destacam-se Velhas Casas I a XI (1967-1990); Velhas Casas de Guimarães em dois volumes (2001 e 2002); Eugénia da Cunha Peixota ou O Morgado do Parto Suposto (1977); Guimarães, Terra de Santa Maria (1978); Capelas Vinculadas da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira (1981), entre outras."
Entre as várias obras publicadas da investigadora, destacam-se Velhas Casas I a XI (1967-1990); Velhas Casas de Guimarães em dois volumes (2001 e 2002); Eugénia da Cunha Peixota ou O Morgado do Parto Suposto (1977); Guimarães, Terra de Santa Maria (1978); Capelas Vinculadas da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira (1981), entre outras."
(Fonte: https://maisguimaraes.pt/presidente-da-camara-municipal-de-guimaraes-lamenta-morte-de-maria-adelaide-moraes/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
20€
Reservado



Sem comentários:
Enviar um comentário