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27 julho, 2024

LIMA, Jaime de Magalhães - A GUERRA : depoimentos de hereges. Coimbra, F. França Amado, Editor, 1915. In-8.º (18,5x12,5 cm) de XX, 172, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante ensaio filosófico sobre a Grande Guerra - publicado no segundo ano do conflito - e as prevísiveis consequências resultantes do mesmo para a humanidade.
"Um direito o nosso tempo conquistou plenamente - o direito da heresia. [...]
O direito da heresia, o direito de discutir, contestar e negar todas as ideias por qualquer modo dominantes, todas as convenções estabelecidas, todos os dogmas, todos os princípios e todos os preceitos da religião, da filosofia, da arte, da sciencia, da politica, e de quanta afirmação o nosso pensamento sonhe ou imponha... [...]
O cataclismo de 1914, turvando em ansiedade todos os corações, onde corações encontrou, ainda os mais débeis, foi um ensejo tremendo dêsse direito de heresia que uma lente e progressiva insistência anterior havia constituído e estabelecido firmemente em o nosso espírito; foi um ajuste de contas correspondente à magnitude sem precedentes da guerra que êle soltou."
(Excerto do Prologo)
Indice:
Prologo | Convulsões dum enfermo | Ganhos e perdas | Revisão de valores | Da arte de gastar e suas responsabilidades | O cavador e o profeta | Aparições.
Jaime de Magalhães Lima (1859-1936). Natural de Aveiro. Foi um pensador, poeta, ensaísta e crítico literário português, irmão do jornalista e político republicano Sebastião de Magalhães Lima. Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1888, onde conheceu Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e o seu grande amigo Antero de Quental. Era admirador de Tolstoi, que conheceu quando foi à Rússia, conforme relata no seu livro Cidades e paisagens (1889). Dirigiu a revista Galeria Republicana (1882-1883) e colaborou na Revista de Portugal de Eça de Queiroz. Colaborou ainda com regularidade no mensário O Vegetariano, dirigido por Amílcar de Sousa e em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas: A semana de Lisboa (1893-1895), Branco e negro (1896-1898), Atlântida (1915-1920), Pela Grei (1918-1919) e na revista Homens Livres (1923). A sua bibliografia é variada. Escreveu romances, ensaios e biografias.
(Fonte: Wikipédia)
Magnífica encadernação meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com assinatura de posse na capa e f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse para a bibliografia WW1.
Indisponível

07 maio, 2024

LIMA, Jayme de Magalhães -
SONHO DE PERFEIÇÃO
. Porto, Typographia Pereira, 1901. In-8.º (21,5x14,5 cm) de [6], 392 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance rural cuja acção decorre na zona de Aveiro, em meados do século XIX.
"O dr. Mateus era um santo homem. A pé logo ao amanhecer, em singelo esmero, a face barbeada, cabellos brancos, poucos e desalinhados, conserva-se agora, aos cincoenta annos, como sempre fôra desde que saiu de Coimbra. Bondoso, d'uma inalteravel bondade, o olhar calmo, cheio d'indulgente sympathia, todo o tempo se lhe divide entre o escriptorio, onde trabalha e ouve os clientes, o tribunal da villa da Eirinha e o seu quintal, de que brotam com opulencia fructos, vegetações e flôres - unico, mas infinito prazer da sua vida. Conservára-se solteiro, vivendo sob a tutela benefica e doce da irmã, mais velha, que tudo mandava em casa, mandando bem, modesta e ordenadamente. Desprezando os regalos do matrimonio, nunca se resolvera a casar. Além d'isso, não faltavam herdeiros: tinha os sobrinhos, os filhos do irmão, juiz n'uma comarca do Minho. Demais, os clientes eram tantos!... coitados! não os podia desamparar. Renunciava a uma familia limitada, porque adoptára outra, incerta, vaga e extensa - a dos que precisam d'auxilio."
(Excerto do Cap. I)
Jaime de Magalhães Lima (1859-1936). Natural de Aveiro. Foi um pensador, poeta, ensaísta e crítico literário português, irmão do jornalista e político republicano Sebastião de Magalhães Lima. Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1888, onde conheceu Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e o seu grande amigo Antero de Quental. Era admirador de Tolstoi, que conheceu quando foi à Rússia, conforme relata no seu livro Cidades e paisagens (1889). Dirigiu a revista Galeria Republicana (1882-1883) e colaborou na Revista de Portugal de Eça de Queiroz. Colaborou ainda com regularidade no mensário O Vegetariano, dirigido por Amílcar de Sousa e em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas: A semana de Lisboa (1893-1895), Branco e negro (1896-1898), Atlântida (1915-1920), Pela Grei (1918-1919) e na revista Homens Livres (1923). A sua bibliografia é variada. Escreveu romances, ensaios e biografias.
(Fonte: Wikipédia)
Magnífica encadernação em meia de pele com cantos, com dourados e ferros gravados a ouro sobre rótulos carmim na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Ex-libris colado no verso da f. rosto. Ausência f. ante-rosto(?).
Raro.
Indisponível

18 julho, 2023

J. P. OLIVEIRA MARTINS : In Memoriam.
30 Abril 1845 - 24 Agosto 1894.
Oitavo anniversario do seu fallecimento. Preço 300 réis. [S.l.], [s.n.], [1902]. In-4.º (23,5x17,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Joaquim Pedro de Oliveira Martins (1845-1894), ilustre historiador, político e cientista social português, por ocasião do 8.º aniversário da sua morte. O prefácio - Ao leitor - é assinado por seu irmão Guilherme, tendo o elogio/apontamento biográfico - Oito annos de repouso - ficado a cargo de Jaime de Magalhães Lima. Inclui no interior, à parte, as notas biográficas do homenageado por ordem cronológica e a lista de obras publicadas.
"O producto da venda d'este opusculo constituirá um fundo cujo rendimento será destinado á creação d'um premio escolar que receberá o nome de Premio Oliveira Martins".
"Que incerta a vida ultra-tumular dos que no mundo exerceram poder sobre os homens! Aqueles que pareciam destinados ao esquecimento, passando na terra apenas entre leves sussurros d'estranheza, ressurgem em espirito, a dominar gerações ininterrompidas; outros, cuja morte foi temeroso luto, lançando o pavor nas multidões, como abandonadas da protecção dos deuses, rapidamente se sepultam n'um desapparecimento de todo o vestigio, apagado para sempre, sem que a saudade jámais o descubra. [...]
Um amigo meu, vendo morta a seu lado uma pessoa querida e meditando o passado e tristes erros que alli terminavam, ao pressentir para ella esse esquecimento total, verdadeira anniquilação da alma, exclamou n'um impeto doloroso: - Afinal, o melhor é vivermos para deixar saudades.
Que saudades deixou Oliveira Martins? Como ressurgiu, depois que a escuridão de quatro estreitas paredes de marmore, rematando tormentosos dias, lhe encerrou para eterna paz o corpo fatigado?"
(Excerto de Oito annos de repouso)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequeno orifício e uma ou outra mancha.
Invulgar.
Com interesse biográfico.
15€

21 junho, 2022

LIMA, Jayme de Magalhães - TRANSVIADO. Romance illustrado com magnificas gravuras. Lisboa, Empreza Editora, 1899. In-8.º (17 cm) de 293, [3] p. ; [6] f. il. ; B.
1.ª edição.
Romance rural de índole realista. Vida e morte de Cláudio - os seus amores e desamores, ilusões, desilusões e opressões de uma alma inquieta e atormentada. A acção decorre entre 'Vilalva', Albergaria e Coimbra.
Livro ilustrado com 6 desenhos fora do texto de autor não identificado, sendo as chapas abertas por Pastor (Francisco Pastor, 1850-1922).
"Nos campos do Mondego, abaixo de Coimbra, a primavera é frequentemente agreste e fria. Quando o vento do mar sopra rijo sobre os brancos lençoes de malmequeres a surgir da terra humida e paludosa, ainda farta das aguas do inverno, as tardes são inclementes para o corpo ávido de repouso e doçura da natureza.
Este rapaz que além se apeou d'uma carruagem, em frente da estação de S. Braz, na estrada que vem dos lados de Albergaria, atravessou a linha conchegando o gabão que o vento desconcerta, e, mal entrado na gare, em que só destaca uma carreta abandonada com poucos fardos, procura onde se abrigue. Estamos todavia n'uma tarde d'abril.
O rapaz seguiu vagarosamente, ao longo da gare; na porta em que leu «sala d'espera» abriu e entrou. A uma canto, sobre um duro banco de madeira, dormitava um homem gordo, de lunetas, mãos nos bolsos e chapéu derrubado para os olhos; ao lado uma mulher esbelta e franzina, um olhar brilhante sob o véo que lhe cobria o rosto.
- Eu agora... contra a luz... não distinguia bem. Pedoe v. ex.ª! disse dirigindo-se ao recem-chegado.
- Eu tambem, como vinha de fóra e a sala estava um pouco escura, não o conheci á primeira vista. Foi necessario reparar um pouco...
- Então como tem passado v. ex.ª depois da sua jornada ao estrangeiro?... Será melhor sentar-nos, acrescentou apressadamente o homem das lunetas sem esperar resposta... V. ex.ª tem aqui logar... dizia affastando um cesto de morangos d'um sofá que parecia mais commodo.
- Muito obrigado, muito obrigado... Não se incommode... Em qualquer sitio...
E o rapas ia a sentar-se quando o outro, abruptamente, o obriga a aprumar-se apontando-lhe a mulher.
- Minha mulher... o sr. Claudio de Souza Portugal, um cavalheiro muito illustrado e do meu maior respeito!"
(Excerto do Cap. I)
Jaime de Magalhães Lima (1859-1936). Natural de Aveiro. Foi um pensador, poeta, ensaísta e crítico literário português, irmão do jornalista e político republicano Sebastião de Magalhães Lima. Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1888, onde conheceu Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e o seu grande amigo Antero de Quental. Era admirador de Tolstoi, que conheceu quando foi à Rússia, conforme relata no seu livro Cidades e paisagens (1889). Dirigiu a revista Galeria Republicana (1882-1883) e colaborou na Revista de Portugal de Eça de Queiroz. Colaborou ainda com regularidade no mensário O Vegetariano, dirigido por Amílcar de Sousa e em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas: A semana de Lisboa (1893-1895), Branco e negro (1896-1898), Atlântida (1915-1920), Pela Grei (1918-1919) e na revista Homens Livres (1923). A sua bibliografia é variada. Escreveu romances, ensaios e biografias.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel, com especial relevância no canto superior direito onde falta um pedaço. Lombada restaurada. Deve ser encadernado.
Raro.
25€

14 maio, 2022

LIMA, Jaime de Magalhães - OS POVOS DO BAIXO VOUGA.
[Prefácio de Fernando Magano]
. [S.l.], Edição das Câmaras Municipais de Ílhavo e Murtosa e da Comissão de Turismo da Torreira, 1968. In-8.º (18 cm) de 94, [2] p. ; [10] f. il ; B.
1.ª edição independente.
Capa de David Cristo.
Interessante estudo etnográfico, antes publicado em «Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia», Porto, 1926.
Livro muito valorizado pelas belíssimas estampas - impressas sobre papel couché - intercaladas no texto.
"Ao norte de Portugal, sobre o Atlântico, a linha de costa afrouxa e decai para o lado da terra, fechando pelo poente uma extensa meia-lua de planuras vastas, cortadas de canais e lagos, e na linha interior demarcada pelas primeiras elevações dos contrafortes das serras de Arouca, Talhadas, Caramulo e Buçaco.
Descendo do Caramulo para o litoral em um dia tempestuoso e negro, cerrado de nuvens rasteiras, impedindo a difusão vertical da luz, tive ensejo de ver na sua maior extensão aquelas terras, iluminadas de modo que todos os acidentes de relevo se confundiam e nivelavam, formando de lés-a-lés como um mar profundo e negro, do qual o Cabo Mondego, ao sul, e os montes da margem esquerda do Douro, ao norte, seriam os redentes da entrada de uma baía. [...] Ainda agora, sem maior esforço de imaginação se suspeitam e ressurgem os dias em que as águas do Cértima, do Águeda, do Vouga e do Caima viriam directamente àquela baía e de lá ao mar, pouco a pouco minguando para dar lugar à elevação gradual do chão arável, formado pelos assoreamentos fustigados pelo vento e pelas ondas do mar... [...]
Assim se teria traçado e efectuado o actual e complicadíssimo sistema de ilhas, canais, baixios, restingas e cales, enredado já pela vastidão de superfície em que estes movimentos se cruzavam... [...]
Foi com estes elementos que se formou a região do Baixo Vouga, tal qual hoje a vemos, toda cortada de lagos e canais em suas formas tentaculares, tão depressa deixando erguer a terra como logo lhe abrindo uma tortuosa estrada fluida. E digo região do Baixo Vouga do que outros usam chamar a ria de Aveiro. [...]
Que gente mora nestas terras? Donde veio e que caracteres as distinguem? Que condição etnográfica foi sua no passado, o que é no presente, e que probabilidades tem de ser no futuro?"
(Excerto do texto)
Índice:
Nota explicativa. | Prefácio. | A região do Baixo Vouga. | Origem dos povos do Baixo Vouga. | Tipos étnicos. | A gente de Ílhavo. | A gente da Murtosa. | Diferenças na voz. | Distinção de profissões.| As feiras. | A cultura. | Conclusões.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível