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27 março, 2024

CAMACHO, Gabriel de Medina e ROCHA, Antonio C. -
A BAILARINA DOS OLHOS BRANCOS : novela
. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [1934?]. In-8.º (19x12 cm) de 332 p. ; E.
1.ª edição.
Romance de costumes, levemente erótico, retrata o bas-fond de Lourenço Marques (hoje Maputo), capital de Moçambique, onde, juntamente com a Beira, a acção da trama decorre. Trata da história de vida, dos amores e desamores de Judith Orloff - a «Bailarina de Olhos Brancos» - e de sua filha Raquel, dona de beleza sensual comparável à de sua mãe.
"Nos países incluídos na zona de influência do trópico de Capricórnio, o mês de Janeiro é, dentro da roda do ano, um dos mais duros e exaustivos por ser calmoso e abafadiço. [...]
Nos países tropicais, quando o fôgo do sol aperta, o gêlo é uma panaceia. Tudo suavisa, excepto o esbrazeamento das paixões de qualquer natureza. Verifica-se, mesmo, um acréscimo de exaltação espiritual perfeitamente proporcionado ao abaixamento da temperatura dos organismos.
Assim sucedeu em certa  noite januarina, quando os freqüentadores do «Rialto» se refrescavam, resfastelados lânguidamente nas cadeiras de vêrga que ocupam uma boa parte da alegre Praça.
Á medida que as epidermes arrefeciam, maior ardor encandescia os comentário àcêrca da estreia da «Bailarina dos Olhos Brancos», a efectuar-se dentro de alguns dias no «Varietá»."
(Excerto do Cap. I)
As mulheres escasseavam. Raras de aventuravam a acompanhar os seus maridos ou parentes para uma terra como aquela, onde, apenas, surgiam dissabores, febres e aborrecimentos. [...]
E as brancas escasseavam tanto!
Nestas circunstancias bem podemos imaginar qual a sensação produzida pela primeira aventureira europêa que naquele meio surgisse fazendo valer a côr da sua pele. A penuria de mulheres de «carne branca» provocou, necessáriamente, a exploração de um negócio altamente productivo e, sob este ponto de vista, preferivel à prostituição deliberada e declarada.
Naquela época o Bar assumiu as proporções de instituição imprescindível. Continha os dois mais vigorosos atractivo da vida: - o alcool e a mulher. Era o maravilhoso templo do prazer! [...]
A rua Araujo, estendida paralelamente ao caes do porto, era, por este facto, a mais indicada para os estabelecimentos dedicados áquele comércio. Quasi tôdas as lojas desta movimentada rua estavam ocupadas por bonitos Bars. [...]
Havia «bar-maids» de varias raças e tipos; desde a voluntariosa transwaliana até à especuladora grega; desde a arteira francesa até à merencoria russa.
Entre todas, uma se notabilisou pela sua formosura: Judith Orloff. Nascida em Odessa, surgira, ainda adolescente, em Lourenço Marques. Os motivos e determinantes do seu aparecimento naquela capital nunca se apresentaram inteiramente esclarecidos. Sabe-se apenas ter vindo para Africa em companhia duma família judaica, como ela.
Teria atingido a idade de dezoito anos quando misteriosamente a família abalou para parte incerta. Mas a rapariga ficára, sitiada por mil cubiças.
Certo dia correu na cidade uma notícia sensacional; Judith alistára-se na luzida legião das «bar-maids», fazendo do balcão do Bar de Peggy a sua gloriosa trincheira. A linda russa contituia um atractivo irresistivel."
(Excerto do Cap. II)
Encadernação em meia de tela revestida a tecido com cantos e rótulo na lombada, com título e autores gravados a ouro. Aparado. Conserva a belíssima capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€

12 novembro, 2022

FERRAZ, Márcia Ramos Ivens - SÒZINHA NO MATO.
Narrativa inédita da vida da autora sòzinha no mato, no meio indígena
. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco, [1955?]. In-8.º (19 cm) de 247, [9] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Memórias de uma colona portuguesa em terras de Moçambique. Obra premiada no 25.º Concurso de Literatura Colonial.
Livro ilustrado com 49 fotogravuras distribuídas pelo texto.
"Foi este livro escrito por uma Mulher de uma energia rara, que afrontou sem receio a triste vida do mato africano, na esperança de melhores dias para si e para os seus entes mais queridos.
Sem ajuda de ninguém, tentou desbravar a selva inóspita para colher os frutos do seu arriscado labor.
Provou ser enérgica, não só quando, altas horas da noite, sentiu envolvida a sua casa pelo gentio irrequieto, que afinal vinha pedir-lhe justiça e que tratasse dos feridos duma luta de selvagens, mas também no seu viver, sòzinha no mato, olhando o bem-estar dos filhos, lutando pela vida sem sombra de desânimo, chegando quase a morrer enterrada no lodo da terra pantanosa, não vendo o caminho, metida no capim, devendo a vida aos pretos que acompanharam a sua patroa - a Missis - exemplo heróico encorajando os pretos, para os quais chegou a ser um ídolo!
Descrições de um grande realismo, sem pretensões de estilo, tornam suave e encantadora a leitura."
(Excerto do Prefácio, de Guilherme Couvreur de Oliveira)
"A escritora africana demonstrou uma coragem e um desassombro fora do comum atribuído a uma mulher, enfrentando uma vida dura e difícil e ainda lutando com algumas dificuldades financeiras para melhor administrar e produzir nas suas terras.
Ao par dessas peripécias e dessas dificuldades a Sr.ª Ivens Ferraz não perdeu o seu tempo, pois, além dos resultados materiais do seu trabalho, digno dos melhores elogios, ofereceu-nos não um relatório de seus trabalhos mas um livro que nos mostra uma maneira muito suave, alegre, humorística e às vezes trágica o que foi sua vida nas selvas africanas.
A obra é digna de ser lida por quantos se interessam por estes assuntos relativos à vida das selvas,  pois estão muito bem descritos e estudados sob vários aspectos a vida dos negros, mostrando como vivem em sua comunidade, os casamentos, as festas, a alimentação que usam, enfim, os seus usos e costumes. Ao par desses aspectos está também muito bem estudada a fauna, mostrando como as pessoas devem se precaver com as feras..."
(Excerto de Duas palavras, de Júlio Pinto Gualberto)

"Ao fazer a descrição da minha vida no mato, das cenas comigo passadas ou por mim presenciadas, e outras que, embora tivessem lugar em redor da minha propriedade e nas proximidades, depressa vinham ao meu conhecimento, contarei primeiro a maneira como aqui vim encontrar-me neste isolamento.
Cerca de vinte anos antes do meu casamento, quando ainda me encontrava em Portugal, já aquele que veio a ser meu marido era proprietário de um vasto terreno situado em Maholéla, que obtivera por concessão do Estado. Mais de 600 hectares, dos quais cerca de metade encontrei desbravados por ele, em magníficas terras de aluvião.
Conta meu marido que escolheu este terreno quando era quase todo um enleado de trepadeiras, em floresta virgem, de árvores seculares e milenárias, habitada pelos animais selvagens - o leopardo, o pitão (vulgarmente conhecido por jibóia) e até o leão, e que, na enorme lagoa que ali existe, se banhavam hipopótamos e crocodilos, e vinham beber água manadas de elefantes - que ainda hoje ali vão - e toda a fauna da região."
(Excerto do Cap. I - A propriedade de Maholéla)
Exemplar em brochura bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e ultramarino.
Indisponível

04 julho, 2020

INSO, Jaime de - O CAMINHO DO ORIENTE. [Por]... Capitão-Tenente. [Prefácio do Conde de Penha Garcia]. Lisboa, Tipografia «Élite» - [Edição do Autor], [1932]. In-8.º (19 cm) de 374, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Candido Silva.
Romance baseado em factos históricos, premiado no VI Concurso de Literatura Colonial.
"O livro que tenho a honra de prefaciar intitula-se «O Caminho do Oriente» e é devido à pena do Comandante Jaime do Inso.
O autor, ilustre oficial da Marinha, que conhece bem esse maravilhoso caminho e no Oriente viveu bastante tempo, elaborou atravez um enredo simples uma série de descripções de viagem palpitantes de vida, que terminam com um pequeno drama sentimental vivido em Macau. [...]
O Livro tem assim um duplo interesse pelo equilibrio da descripção e da narrativa com a evocação histórica."
(Excerto do Prefácio)
"Manhã de sol. Tejo claro, cheio de luz, de um fevereiro que parecia primavera.
O Cephée, bojudo, de ventre ciclópico e pesado, tinha o virador à boia e pronto a largar.
Era um velho navio alemão apresado na guerra e que navegava para a Austrália com a bandeira francesa.
Nestas viagens, transportava também os passageiros que em Marselha tinham de embarcar nos grandes paquetes das «Messageries» que fazem a carreira do Extremo-Oriente.
Tocava o sino a despedir as visitas que iam a bordo abraçar os que partiam."
(Excerto do Cap. II, A partida)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

20 abril, 2020

CAJÃO, Luís - A ESTUFA : romance. Lisboa, Sociedade de Expansão Cultural, 1964. In-8.º (19 cm) de 299, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Romance neo-realista cuja acção decorre na ilha do Príncipe, no arquipélago de S. Tomé. Inclui no final do livro um glossário dos termos indígenas. Obra "maldita" pelo Estado Novo, foi proibida de circular em S. Tomé e Príncipe, sendo que tal não terá sido possível no continente dada a rapidez com que esgotou.
"Para ele Filipe, a família iniciava-se com o avô Bernardo. Esse avô de barba um tanto híspida, olhinhos míopes e irónicos, mento perfeito, no qual pressentia o homem capaz de, sózinho, enfrentar legiões, mitos e procelas.
Infortunadamente já mal o recordava: de uma queda em que galgando até ao fundo a escada o velho se quedara leso, murchamente a pender para um lado (se o esquerdo, se o direito, não lhe seria fácil precisá-lo); e das já raras vezes em que num Minerva ia a Sintra colher (soubera-o mais tarde) as ternuras parisienses de «mademoiselle» Juliette.
Sim, com que dramática rapidez se desvanecia o avô desse período! Pouco mais, afinal, que um fantasma!
No empenho de reconstituir o velho, dera-se Filipe, inequívoco, a um longo escavar sentimental, sujeito, já se vê, a muito de poético e de subtil desdobramento. Seria até inevitável. Sobretudo na medida em que ambicionava poder um dia repeti-lo.
Verberando os tempos de hoje - «tempos de loucura e de impiedade!» -, asseverava a tia Olímpia que homens como ele, bravos, inflexíveis, quase heróicos, muito poucos ou já nenhum haveria."
(Excerto do Cap. I)
José Luís Cajão (1920-2008). Natural da Figueira da Foz. Escritor português cuja obra se insere na corrente do neo-realismo. "Contista, romancista, ensaísta e musicólogo. Diplomado pela Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra foi, durante cerca de dois anos, administrador de uma roça na Ilha do Príncipe, São Tomé (1958), altura em que escreveu o romance A Estufa e Panorâmica de São Tomé e Príncipe. A propósito de A Estufa, Luís Cajão seria por Agostinho Veloso, na Brotéria, situado «entre os melhores mestres da novelística contemporânea», ao passo que As Escarpas do Medo ganharia especial popularidade ao ser adaptado por Jorge Brum do Canto a episódios televisivos. João Gaspar Simões (cf. Crítica IV) escreve a respeito de Luís Cajão: «Devem-se-lhe algumas páginas de ficção muito dignas de figurar entre as melhores que se escreveram no nosso tempo.»"
(in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998)
Exemplar brochado em bom estado deconservação.
Invulgar.
15€

10 janeiro, 2019

GUERRA, Maria Sofia Pomba - DOIS ANOS EM ÁFRICA. Prefácio de Vitorino Nemésio. Ilustrações de Aurora Severo. [S.l.], Edição da Autora, 1935 [na capa, 1936]. In-8.º (19 cm) de XIII, [1], 206, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Romance colonial, resultante das vivências da autora em África. Um jovem - Rafael - abandona os estudos em Coimbra para embarcar com destino a Moçambique. As primeiras 33 páginas da obra são dedicadas ao ambiente estudantil, pejadas de referências às tradições universitárias coimbrãs.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
Ilustrado ao longo de texto com belíssimos desenhos.
"Livro de impressões coloniais vagamente romanceadas - um jovem a colocar, um tio utopista que o chama e a selva de Moçambique como fundo e quási como desfecho -, não são poucas as suas páginas em que começa a levantar-se diante de nós a nebulosa que prometia uma estrêla, ou seja, o comêço de conflito que anunciava um drama."
(Excerto do Prefácio)
"Nessa manhã de inverno e sol, complacente, desprendera sôbre a terra um bafo morno. A diafaneidade reverberante de luz, a pureza tépida da doce viração alagavam o coração de Rafael em ondas de prazer.
Da pasta tremulava já um «grêlo» azul. Deitou a capa ao ombro, consultou o relógio: faltavam dois minutos e o átrio das Químicas, ali perto, estava meio deserto.
Sentados nos plintos das colunas, dispersos pelas escadas de entrada, uma dúzia de colegas falazavam.
Media o tempo a cadência dos passos; a voz das raparigas, em notas mais agudas, ritmava o sussurro e, lá dentro, no ádito, iam-se aglomerando novos grupos.
O archeiro, agaloado de verde, apertado no uniforme justo, ia gastando o tempo. [...]
Rafael enveredou seus passos para o Castelo. Por tôda a parte enxameiam manchas negras de capas.
Cêrca da Associação Académica há grande falazar: troços de moços contravêm com sanha, invectivam outros com afã inimigos irosos e cada qual porfia em alfaiar o preferido com mais avantajada cópia de primores. Próximas estão as eleições para o Senado e os moços estudantes não cessam afanosos combates em prol da sua dama: a Idea."
(Excerto do texto)
Maria Sofia Pomba Guerra (Elvas, 1906 - Cascais, 1976). "Mulher revolucionária na sua geração, manteve uma intensa actividade política, sendo uma activa militante antifascista e anticolonialista. Em 1949 tornou-se a primeira mulher branca a ser presa e deportada para a metrópole, ficando detida em Caxias até Julho de 1950.
Farmacêutica, analista e professora, Maria Sofia Carrajola Pomba Amaral da Guerra nasceu em Elvas, a 18 de Julho de 1906. Frequentou a Universidade de Coimbra na década de 20, juntamente com o futuro marido, Platão Zorai do Amaral Guerra, e terá estado inscrita em mais do que um curso."
(Fonte: FB, Antifascistas da Resistência)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

16 abril, 2017

CALVÃO, G. Alpoim & PEREIRA, Sérgio A. - CONTOS DE GUERRA. Lisboa, [s.n. - imp. A. Gutenberg, Chaves], 1994. In-8.º (21cm) de 159, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatos da Guerra Colonial pelo comandante Alpoim Calvão.
"Parece-me pois, oportuno relatar, ainda que de forma muito incompleta e pontual, o que foi a guerra para a grande maioria das unidades combatentes, a nível de Companhia do Exército ou de Paraquedistas e de Destacamento de Fuzileiros.
Por isso, o relato não trata das grandes linhas políticas e estratégicas, de complicados planos militares e de desenvolvimento económico, de vedetas parlamentares e combatentes antifascistas. Fala apenas de Marinheiros e de Soldados e dos sargentos e oficiais que directamente os comandaram. Creio que a esmagadora maioria do milhão de homens que passou pelas fileiras, no antigo Ultramar Português, se pode reconhecer nas palavras deste livro. [...]
Aos que, desertores na frente de combate ou refractários às incorporações - ínfima percentagem e lamentável excepção, graças a Deus! - durante anos, nas emissoras estrangeiras, insultaram e procuraram desmoralizar o Povo Português representado pelos seus Soldados, manifesto a expressão da minha pena, tanto mais profunda quanto mais alto tenham subido nas novas estruturas sociais e políticas surgidas a seguir ao 25 de Abril de 1974."
(excerto da introdução)
Guilherme Almor de Alpoim Calvão (1937-2014). "Foi um dos oficiais mais condecorados das Forças Armadas, nasceu a 6 de janeiro de 1937, em Chaves, viveu em Moçambique, frequentou a Escola Naval e esteve várias vezes na frente de combate na guerra colonial. De fuzileiro a capitão de mar-e-guerra, fez várias comissões no Ultramar, recebeu, por exemplo, duas Cruzes de Guerra. Depois da guerra, Alpoim Calvão iniciou outra cruzada, de oposição ao regime democrático pós-25 de Abril de 74. Alpoim Calvão recusou-se a participar no movimento militar que levou à revolução de 25 de Abril de 1974, apesar de ter sido convidado. Calvão foi, aliás, fundador do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), responsável por uma série de assaltos e atentados bombistas a sedes do PCP no Verão Quente de 1975. O comandante participou no falhado golpe de Estado de 11 de março de 1975, sobre o qual escreveu um livro, editado em 1995, «O 11 de Março - peças de um processo». Na sequência da participação neste golpe, Alpoim Calvão foi expulso das Forças Armadas, com outros 18 militares, entre os quais o general António de Spínola. Foram reintegrados três anos mais tarde. Continuou, contudo, com uma forte lealdade ao general Spínola e acompanhou-o no exílio. Passou por Espanha e Brasil até regressar a Portugal. [...] Mas, esse não foi o único momento polémico da carreira de Alpoim Calvão. Em 1970, comandou a «operação Mar Verde» que consistiu numa invasão da Guiné-Conacri, uma operação que, segundo descreveu o próprio em entrevista à Lusa, em 1998, teve duas vertentes: libertar os prisioneiros de guerra portugueses e «destruir os meios navais do PAIGC e da República da Guiné».
(in www.tvi24.iol.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

06 fevereiro, 2016

GIP (Francisco João da Costa) - JACOB E DULCE (Scenas da vida Indiana). Por... 2.ª edição. Nova-Goa, Typographia da «Casa Luso-Franceza», 1907. In-8.º (18,5cm) de LXI, 162 p. ; B.
Jacob e Dulce : cenas da vida indiana, é um romance goês que se enquadra na corrente literária do realismo. Foi publicado pela primeira vez em folhetim nas páginas do jornal O Ultramar, da cidade de Margão. Conheceu três edições em livro: 1896; 1907; 1974.
"A visão de Goa que nos deixa Francisco João da Costa, ou Gip, pseudónimo pelo qual o autor também ficou conhecido, é muito diferente daquela que encontramos na Ilustração Goana, e no Gabinete Literário das Fontaínhas. Embora tivesse morrido jovem (com 41 anos, em 1900), este “advogado e distinto escritor” (Aleixo, s/d), consolidou o seu lugar nas letras indo-portuguesas. Foi o autor do maior “best-seller” [a presente obra] em Goa, de todos os tempos, tendo sido imediatamente traduzido para concani. [...] Jacob e Dulce é uma sátira clássica: o comportamento de uma série de personagens em dadas situações chave, expõe o ridículo, o baixo, ou o patético nos padrões sociais pelos quais se regem. [...] Francisco João da Costa oferece-nos na sua escrita um dos raros casos de resistência à assimilação das culturas portuguesa e europeias como únicas referencias civilizacionais legítimas, criando uma alternativa ao coro de vozes legitimadoras que caracterizavam as letras goesas. Francisco João da Costa foi inovador, e foi ao mesmo tempo tão bem acolhido por uns e tão marginalizado e odiado por outros. [...] No entanto, acabou por ser o mais popular escritor goês de sempre, o que prova que as suas vinhetas eram certeiras e tiveram eco na sociedade. O seu discurso de resistência, pelo acolhimento que teve, prova ser assim igualmente parte da paisagem ideológica local, constituindo elemento necessário e integrante para uma correcta visão da complexidade da vivência do colonialismo na Índia portuguesa."
(Passos, Joana (2008), "A ambivalência de Goa como imagem do império português e as representações da sociedade colonial na literatura luso-insiana", e-cadernos ces, 1, 37-56) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas com defeitos; capa apresenta falha de papel no canto inferior dto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico para a literatura goesa.
Indisponível

12 julho, 2015

BRANCO, Emílio Castelo - A TERRA DA ESPERANÇA : novela colonial. [Prefácio de Augusto Cunha]. Espinho, A. Tavares Carvalho, 1940. In-8.º (19cm) de [2], IX, [1], 250 p. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor a Augusto Casimiro.
"A Terra da Esperança é, portanto, um livro que povoa a grande utilidade dos concursos de literatura colonial, estímulo e incentivo, para se avolumar um género literário de que o nosso país, colonizador por índole, mas largo tempo esquecido de que possuía colónias, - tanto necessita.
É uma obra bem portuguesa, de profundo sentido nacionalista; e é de obras como esta que resulta a melhor propaganda das colónias.
Mas esta faz mais, porque exalta também as qualidades da nossa gente, o valor do povo português, esteja onde estiver."
(excerto do prefácio)
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível

26 março, 2015

NA TERRA DOS FELUPES. [S.L.], s.n.], [s.d.]. In-4.º (24,5cm) de 6 f. ; il. ; B.
Conto infantil manuscrito, sem indicação de autor.
Ilustrado com bonitos desenhos coloridos.
"Naquela manhã quente, manhã de Africa, na terra dos felupes o Joãozinho sentia-se o protagonista dalguma das aventuras que lêra nas A.B.C. - Zinhas que a mamã lhe tinha dado. O rei da selva, e porque não?"
(excerto do texto) 
Felupes 
"Povo autóctone da Guiné-Bissau. Os felupes são um grupo étnico, sub-grupo dos Diolas e que compreende as populações existentes no Sul de Casamança e São Domingos na Guiné-Bissau, isto é, entre o Rio Casamansa e o Rio Cacheu. Os felupes dedicam-se além da pesca, à cultura do arroz, da mandioca e da batata-doce.”
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com defeitos; margens apresentam danos e manchas de humidade. 
Muito invulgar.
Indisponível

24 dezembro, 2014

COSTA, Ferreira da - NA PISTA DO MARFIM E DA MORTE. 6.ª edição. Pôrto, Editôra Educação Nacional, L.da, 1944. In-8.º (19cm) de 459, [13] p. ; il. ; E.
Capas e desenhos no interior de Manuel Ribeiro de Pavia.
Memórias do autor referentes à sua passagem por terras de Angola. Obra composta por três narrativas, foi um sucesso de vendas na época. A presente edição foi publicada em 1944, no mesmo ano da 1.ª edição.
"Este livro encerra pedaços de vida, jorros de sangue, imagens de uma juventude morta.
Escrevi-o debruçado para a minha alma, povoada de duendes saüdosos, cheia de labirintos negros e de paisagens ricas de Sol, esquecido, por momentos, da nostalgia que me deprime, da morna existência que me quebranta.
Pregunto a mim próprio se fui quem viveu essas páginas de perigo e de febre, êsses lances em que o sangue moço cachoava, impaciente, gerando audácias irreflectidas."
(excerto da introdução, Pórtico)
Narrativas:
- Vida, paixão e fim de André da Silva - o «Falta d'Ar».
- Sangue na planura.
- Seis horas de angústia.
Ferreira da Costa (1907-1974). Jornalista e repórter português. Aos 17 anos, entrou como redactor no jornal A Tarde, de Lisboa. Fez parte das redacções de outros jornais diários e, em 1928, seguiu para África. No regresso entrou para O Século, onde conquistou, mercê da sua actividade infatigável e das suas excepcionais qualidades, uma posição de justo relevo. Publicou importantes obras de literatura colonial, donde se destacam «Na Pista do Marfim e da Morte» e «Pedra do Feitiço».
Meia-encadernação com lombada e cantos em pele, com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Ténues sombreados de humidade em algumas páginas do livro. Pequenas esfoladelas nas pastas. Assinatura de posse na f. anterrosto.
Invulgar e muito apreciado.
15€

21 dezembro, 2014

CASIMIRO, Augusto - NOVA LARGADA : romance de África. Capa de Tagarro. Lisboa, [s.n. - Composta na Tip. da «Seara Nova : Impresso nas Oficinas Gráficas, Lisboa], 1929. In-8.º (19cm) de 240 p. ; B.
1.ª edição.
Apreciada obra do autor, vencedora do prémio do Concurso de Literatura Colonial (1929).
"Nova Largada surge-nos como uma narrativa a várias vozes, que se desenvolve quer através de excertos de diários quer através de excertos epistolares que são intercalados ao longo do desfiar da(s) história(s). Traduzindo aspectos da vida em África após o final da I Grande Guerra, este romance insere-se claramente na problemática que se colocou à administração portuguesa dos territórios africanos no pós-guerra."
(in literaturacolonialportuguesa.blogs.sapo.pt)
Augusto Casimiro dos Santos (1889-1967). “Escritor e militar português. Após a conclusão dos estudos liceais em Coimbra, em 1906, integrou a Escola do Exército. Como oficial, participou na Campanha da Flandres (1917-18) durante a Primeira Guerra Mundial, o que lhe valeu várias condecorações e a promoção a capitão. Exerceu também o cargo de governador do Congo português, de secretário do Governo-Geral de Angola, em 1914, e acompanhou a missão de delimitação da fronteira luso-belga em África. Por se opor ao regime nacionalista, esteve preso na Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, na década de 30, regressando a Lisboa, em 1936, graças a uma amnistia. Um ano depois, foi de novo reintegrado no Exército português, mas como reserva.
A experiência militar marcou a sua escrita, especialmente em Nas Trincheiras da Flandres (1919) e Calvários da Flandres (1920). Como autor de poesia, ficção e textos de intervenção, em que manifestava a sua filiação no ideário republicano, o escritor publicou ainda, entre outros livros, Para a Vida (1906), A Evocação da Vida (1912), Primavera de Deus (1915), A Educação Popular e a Poesia (1922), Nova Largada (1929) e Cartilha Colonial (1936), obra na qual manifestou o seu desejo patriótico de afirmação de Portugal no mundo. De referir que Augusto Casimiro foi colaborador da revista Águia e cofundador (1921), dirigente e redator (1961 a 1967) da revista Seara Nova, principal órgão de comunicação que se oponha democraticamente ao regime de Salazar e ao Estado Novo.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

04 janeiro, 2012

[SILVA], João Augusto - ÁFRICA : da vida e do amor na selva. Lisboa, Edições Momento, 1936. In-8.º (21cm) de 181, [9] p. ; il. ; B.
1ª edição.
Episódios de caça grossa, do quotidiano na selva e da interacção com as gentes e os animais na Guiné.
Ilustrada com 5 colagens - 4 fotos e 1 auto-retrato do autor.
Obra galardoada com o 1.º lugar no X Concurso do Prémio de Literatura Colonial da AGC, em 1936.
"Contam-se seis anos em que embarquei em feio vapor encarvoado, com destino a África, decidido à vida aventurosa no sertão sob o céu dos trópicos..." (excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação; restauro de amador na lombada; assinaturas de posse no rosto; rasgão na contracapa, sem perda de papel; capas oxidadas.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível