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05 abril, 2026

MESQUITA, Luís de -
MENSAGEIRO DO ESPAÇO.
Colecção Flamingo. Lisboa, Sampedro, [1957]. In-8.º (18x11,5 cm) de 271, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Capa assinada por Victor Ribeiro.
Curioso romance de ficção científica, o único deste género publicado nesta estimada colecção.
"Mensageiro do Espaço, quarto volume da Colecção Flamingo, é um romance de ficção científica, um dos primeiros, senão o primeiro, de autoria portuguesa a ser publicado. [...]
Misto de realidade e de imaginação, [a ficção científica] fornece o meio ideal de evasão inteligente das preocupações da vida. Distrai, mas também instrui, revelando ao leitor muitos factos que lhe eram desconhecidos e, ao mesmo tempo, representando o género mais variado no campo do pensamento humano."
(Excerto de Nota dos editores)
"Não havia dúvida de que as coisas não estavam a correr-lhe bem naquela tarde. Por mais que se esforçasse, Carlos não lograva concentrar a sua atenção no trabalho que há dias o ocupava tão apaixonadamente.
Tratava-se do cálculo matemático das características e coordenadas de um pequeno cometa que descobrira duas noites antes na Constelação dos Gémeos.
Evidentemente que, no campo da astronomia, tal evento é banal, sobretudo se levarmos em conta as modestas proporções do astro em questão. Mas para Carlos, novel astrónomo amador, a descoberta de um pontinho brilhante, ainda por catalogar, assumia naturalmente foros de de acontecimento sensacional na sua vida. Alvoraçado, não abandonava, durante a noite, a ocular do seu pequeno reflector, tentando obter algumas fotografias que pudessem documentar a pequena memória que estava a elaborar, anunciando o nascimento de mais um cometa - o seu cometa."
(Excerto de I - Sintomas precursores)
Índice:
Nota dos editores | I - Sintomas precursores. II - Desaparecido. III - O Mensageiro. IV - As razões. V - Viagem interplanetária. VI - «Tahal», Mundo de maravilha. VII - Antina. VIII - O Conselho dos Anciãos. IX - Digressão pelo passado. X - «Aliks», música e amor. XI - Turismo fugaz. XII - Micro-Estrelas, Estrelas e Galáxias. XIII - A Revelação. XIV - Humanidades longínquas. XV - Ronda planetária. XVI - O aviso | Epílogo.
Luís de Mesquita. "Professor de bioquímica da Universidade de Lisboa, escreveu “A Ameaça Cósmica” (Liv. Sampedro Ed., Lx.ª s/d), confirmando o talento de narrador que já exibira em “O Mensageiro do Espaço”. Um cientista descobre que grandes cataclismos ocorrerão na Terra durante a passagem próxima de um cometa, procurando por isso alertar os mais poderosos governos, que não chegam a entendimento estratégico. Até ao instante fatal, sucedem-se vários desenlaces particulares entre personagens cujas relações ambíguas caminham para uma urgente redefinição."
(Fonte: https://projectoadamastor.org/cool_timeline/a-ameaca-cosmica/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

15 março, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do -
A VIAGEM AVENTUROSA DE SUVENINE BOLIFACE A ZELSTRUFS.
[Pelo]... Socio Efectivo da Associação dos Arqueologos Portuguezes, Socio Correspondente do Instituto Portuguez de Historia, Arqueologia e Etnologia, etc. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], Janeiro - 1934. In-8.º (18x11,5 cm) de 133, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, enquadrável no domínio da narrativa fantástica e de ficção científica. A viagem de Suvenine Boniface na sua nave - o Passaro Novo - pelo espaço sideral, mais não é que um ensaio satírico de crítica de costumes políticos e sociais do país, e da Madeira em particular, substituindo o nome de Portugal, Lisboa e Funchal por nomes de ficcionados de um planeta distante, com hábitos idênticos aos nossos.
Trata-se antes de tudo, de um exercício irónico sobre o carácter das elites lisboetas e do povo madeirense, do mais "ilustrado" ao mais "simplório", contando histórias e episódios, verídicos, por certo, sob a capa de nomes de família e empresas "alternativos", que farão as delícias de quem estiver na disposição de tentar desvendar os destinatários das farpas, numa e noutra região. 
No início da história, ainda nos EUA, ponto de partida da viagem, o autor alude com fina ironia ao modo de vida americano. No final refere-se a Salazar como o grande «Apostolo» de Benciana, "sacerdote muito subtil, muito serafico que sabia mais de diplomacia que os mais afamados diplomatas... [que] com untuosidade tinha sabido dominar na vida publica dos velhos tempos idos e com o novo estado de cousas lá ia fazendo chegar a braza á sua sardinha...".
Romance "fora da caixa" estas 'memórias' de Suvenine Boliface, raro e muito interessante, certamente com tiragem reduzida.
"Estava a dar a hora da partida quando o Jornalista entrou precipitadamente naquele compartimento de 1.ª classe...
A noticia de que Suvenine Boliface chegára a Lisboa e seguia, em rigoroso incognito, no rápido do Norte caíra inesperadamente na redacção.
Tornava-se indispensavel descobrir aquele sabio audacioso que, em parte, realisára um sonho de Julio Verne atravessando o espaço e chegando a um planeta desconhecido...
O feito apaixonára os estudiosos, os homens de ciências e até os prosaicos burguezes! Na verdade é merecedor de assombro e da curiosidade o homem que abandona a Terra, atravessa o espaço como um meteóro, chega a um outro planeta e, depois de tudo isto, ainda encontra coragem e energia para regressar heroicamente ao nosso triste «vale de lágrimas».
Quando Suvenine Boliface, depois da sua viagem maravilhosa, aterrou proximo de New-York sentiu-se tão infeliz com a imprevista celebridade que deliberou esquivar-se ás mais simples revelações. Os Reporters, com a audaciosa impertinencia profissional, afligiam-no de tal forma que resolveu fugir... Andou pelos vastos Estados Americanos mas, quando menos esperava, surgiu-lhe um Reporter implacavel, com o «Kodak», o lapis e o bloco, na ancia de colher elementos com que saciar a bisbilhotice internacional da Imprensa. [...]
O planeta a que me tinha levado o audacioso empreendimento era designado, pelos homens que o habitavam, por Zelstrufs.
Não tardou a que me certificasse de que ali, tal como na Terra, os homens eram identicos e nutriam os mesmos instintos, a mesma alma, as mesmas ambições... Aconteceria assim em todos os outros planetas que povoam o espaço?
Havia em Zelstrufs varios paizes e homens de raças diversas.
O Passaro Novo levou-me por felicidade para um dos paizes que mais contingentes déra ao progresso e á civilisação.
Uma especie de monarca governava o estado mas a sua acção nunca podia actuar beneficamente porque os organismos publicos e ainda mais os politicos dominados pela cegueira das democracias prejudicavam todos os planos e a boa vontade do Principe que só queria bem servir a Patria e assegurar ao seu Povo paz e prosperidade."
(Excerto do Romance) 
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar em brochura, revestido de cartolina negra (substituindo as capas originais), em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

29 outubro, 2025

CONSTANTINO, M. - BIBLIOTECA BÁSICA DE FICÇÃO CIENTÍFICA
. [S.l.], Edição: Associação Policiária Portuguesa, 1990. In-4.º (28x18,5 cm) de [4], 137, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa: João Sarzedas.
Importante repositório bio-bibliográfico da temática «Ficção Científica»., que inclui breve apontamento biográfico dos principais escritores.
Obra policopiada, rara e muito interessante. Sem menção na Biblioteca Nacional.
Ilustrada no texto com desenhos alusivos ao tema e reprodução de capas de livros e retratos de romancistas.
"Existem publicações que especificam o que é a Ficção-Científica. Outras há que a caracterizam, historiam e dissecam.
Não se vai, pois, historiar ou critiquizar tal género literário. A missão apaixonante proposta é, simplesmente, seleccionar.
No presente, estão publicados em Portugal traduções ou originais nacionais, menos de um milhar de títulos. Todavia, ao nível mundial, considerando como ano zero o da publicação de Frankenstein, de Mary Shelley, obra considerada como uma das fundadoras da moderna ficção científica, calcula-se a representação em mais de trinta mil volumes.
A pretensão, como se apontou, é seleccionar. Seleccionar uma lista das melhores obras de todos os tempos de modo a formar uma Biblioteca Básica de ficção científica. Básica em essência e em mérito.
Missão apaixonante, considerou-se, mas também extremamente difícil. O trabalho exige muito tempo, imensas consultas, um mínimo de metodologia, para evitar preferências individuais e fiança de seriedade.
Garante-se a seriedade."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
45€

21 maio, 2025

MÜNCHLAUSEN, Karl von -
AVENTURAS PASMOSAS DO CELEBRE BARÃO MUNKAUSEN, que contém hum resumo de viagens, campanhas, jornadas e aventuras extraordinarias; igualmente a descripçaõ e huma viagem á Lua e canicula.
Traduzido do inglez. Nova ediçaõ. Lisboa. M. DCCC.XXXV. Na Typographia Rollandiana. In-8.º (15,5x11 cm) de XV, [1], 126 p. ; B.
Conjunto de histórias de aventuras extraordinárias, obra de referência da literatura Fantástica e de Ficção Científica.
"Nunca houve aventuras como as do Barão de Munchausen. São também as mais incríveis narrativas de viagem de que se tem notícia. Munchausen nasceu em 1720, foi tenente, capitão de cavalaria, serviu num regimento russo e lutou em duas guerras turcas – além de ter carregado sua imaginação por Cairo, Londres, Gibraltar, pelo Ceilão, África, e uma infinidade de lugares, incluindo a Lua e o centro da Terra. Depois de doze anos de serviço militar, aposentou-se. Nas recepções em sua casa em Hanover, na Baixa Saxônia alemã, gostava de ntreter os amigos com suas histórias. Entre os ouvintes, estava o bibliotecário Rudolf Erich Raspe (1736 - 94), a quem se atribui a autoria de parte dos relatos do Barão. Mas Munchausen, o personagem, se tornou maior."
(Fonte: Fnac)
A BNP não menciona esta edição de 1835, apenas uma outra de 1847.
"O Barão Munkausen tem sem duvida feito grande beneficio ao Mundo Litterario, sendo tal o numero de viajantes faltos de fé, que até era necessario hum Gulliver em pessoa para os exceder. Se o Barão de Tott valerosamente deo fogo a huma enorme peça de Artelharia, o nosso Barão fez mais, pois passou com ella a nado a travez do Oceano. Quando os viajantes pertendem ser os heroes da sua propria historia, devem necessariamente admittir superioridade, e envergonharem-se de serem excedidos por Munkausen. [...]
O Barão na seguinte obra parece ás vezes philosophico: a sua descripção da lingoa do interior da Africa, e a sua analogia com a da Lua, o faz ver como perfeitamente versado nas antiguidades etymologicas das Nações, e aclara a occulta historia dos antigos Scythas e outros povos."
(Excerto do Prefacio)
"Hum amigo, e parente meu me persuadio embarcar em huma viagem de descobertas, pois elle se persuadia que neste globo havia habitantes de igaul grandeza como os que Gulliver descreve no Imperio de Brobdingnag. Eu da minha parte sempre tratei esta historia como fabula; porém para lhe fazer a vontade, pois me tinha estabelecido seu herdeiro, embarquei em hum navio destinado para o mar do Sul, onde chegámos se encontrar couza notavel, excepto vermos alguns homens, e mulheres que jogavão ao Exo Baldexo, e dansavão minuetes no ar.
No decimo-outavo dia depois de termos passado a Ilha Otaheite, de que o Capitão Cook tanto fallou, e d'onde elle trouxe Omai, atacou hum furacão o navio com tal violencia, que pelo menos o fez subir mil legoas acima da superficie do mar, onde o conservou até vir hum vento fresco, que nos encheo as velas, e empurrava o navio para diante com incrivel velocidade: desta sorte navegámos na atmosfera acima das nuvens pelo espaço de seis semanas. Finalmente vimos terra, que parecia ser huma grande, e brilhante Ilha de figura circular, onde vendo hum Porto conveniente entrámos, e démos fundo; e baixando a terra a achámos habitada. Aqui vimos figuras estupendas montadas em Abutres de enorme grandeza, cada hum com tres cabeças. Para vos dar alguma idéa destas aves devo informar-vos que cada aza tinha a mesma largura que seis vezes a largura da vela grande do nosso navio, que era de seiscentas toneladas. Assim em lugar de andarem a cavallo como nós, voão de huma parte para outra nestas aves, os habitantes da Lua (pois achámos que nella estavamos). O Rei estava em guerra com o Sol, e offereceo-me hum commando do qual me escusei."
(Excerto de XI - Huma visita (accidental) á Lua...)
Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen (1720-1797). "Foi um militar e senhor rural alemão. Os relatos das suas aventuras serviram de base à célebre série As Aventuras do Barão de Münchhausen, compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres, originalmente, em 1785. São histórias fantásticas e bastante exageradas, veiculadas sobretudo na literatura juvenil. Trata-se de um personagem que se equilibra entre a realidade e a fantasia, no seu próprio mundo, desenvencilhando-se dos mais diversos perigos com bravura e à custa de fugas impossíveis.
Nascido em Bodenwerder, durante a juventude Münchhausen serviu como pajem de Anthony Ulrich II, Duque de Brunswick-Lüneburg, e mais tarde entrou para o exército russo, onde serviu até 1750, participando em particular de duas campanhas contra os turcos. Ao retornar para casa, começou a espalhar várias histórias extremamente exageradas sobre suas aventuras; ganhou a fama de maior mentiroso do mundo.
De acordo com as histórias, contadas e recontadas, os feitos incríveis do Barão incluíram viagens em bolas de canhão, jornadas à Lua, e, a mais famosa, a fuga de um pântano ao puxar a si mesmo pelos próprios cabelos(!) - ou pelos atacadores das botas(!), dependendo da versão. Muitos utilizam esta última narrativa para, por analogia, mostrar a tolice que se é tentar sair de uma situação difícil sem a ajuda de alguém, apenas por si mesmo. O filósofo alemão Nietzsche fez uma referência a essa história no aforismo 21 de Além do bem de do mal, contrariamente à tese do livre-arbítrio.
Os relatos incríveis levaram o bibliotecário alemão Rudolf Erich Raspe (1736-1794) a redigir As Loucas Aventuras do Barão de Münchhausen, publicado pela primeira vez em Londres (1785), salvo uma coleção anónima de 1781, sob suspeita que o próprio Rudolf a tenha escrito. Conta-se que Rudolf acrescentou outros eventos bizarros, que o próprio Münchhausen achou exagerados."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Recoberto por capa de protecção recente, em cartolina, com título, autor e ano manuscritos. Aparado à cabeça. F. rosto apresenta assinatura de posse e falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro.
Peça de colecção.
85€

31 janeiro, 2025

GUSMÃO, Lapas de -
NO MUNDO DESCONHECIDO
. Lisboa, Tip. da Emprêsa Nacional de Publicidade, 1937. In-8.º (19,5x13 cm) de 256 p. ; E.
1.ª edição.
Obra curiosíssima sobre a questão da imortalidade do homem, espécie de romance-ensaio escrito na 1.ª pessoa. Estudo muito interessante, especulativo, situado no âmbito da Ficção Científica em alguns sites/blogues da especialidade neste género de literatura.
"O mistério da Morte - O conceito do Universo - A ideia de Deus problemas eternos que neste livro tento enunciar e apresentar, não em exposições suculentas ou divagações cansativas, mas sob forma leve, vivida e dramatizada, em termos, julgo, de poderem ser apreendidos por tôdas as inteligências.
Problemas eternos são chamados e com inteira razão, porque nunca o espírito do Homem logrará decifrá-los e compreendê-los em toda a sua plenitude, não obstante as doutrinas fantasiosas das religiões, as efabulações metafísicas e lendárias da fé, as investigações positivas da ciência ou as lucubrações, mais ou menos filosóficas e mais ou menos profundas, do génio humano.
Desde sempre, êsses problemas preocuparam a Humanidade e a preocupá-la continuarão por todos os tempos, visto ultrapassarem as possibilidades da sua inteligência e da sua razão, e jàmais êles serão, porventura, desvendados porque, quem sabe? talvez constituam problemas, sim, mas apenas existentes na ansiedade da alma humana.
Neste termos, quem ousará ter a estulta pretensão de apresentar uma solução arrogantemente definitiva, ou ao menos uma explicação inteiramente inédita, sôbre tão magno e angustioso assunto?
Através das indicações da minha razão e das sugestões da minha fantasia, teria eu conseguido vislumbrar uma fugidia sombra da Verdade?
Terá sequer existência real essa suposta Verdade que, segundo pretendem inculcar, todo o homem, consciente ou inconscientemente, guarda no fundo de si mesmo?..."
(Excerto do preâmbulo)
Joaquim Lapas de Gusmão (1886-1962). Jornalista, escritor, Combatente da Grande Guerra em África e França, condecorado com a Cruz de Guerra.
Colaborou nos jornais A Pátria, do Porto, e na Capital, Lucta, Intransigente, O Século e Diário de Notícias, de Lisboa. Publicou entre outros, os volumes Visão da Guerra e A Guerra no Sertão, em que descreve o que viu em França e África durante a Primeira Guerra Mundial, o drama em 3 actos O Mutilado, sobre o mesmo assunto, a tragédia em um acto Uma noite, o romance fantástico No mundo desconhecido e o ensaio filosófico Matéria e Vida.
Encadernação meia de pele com rótulo e dourados na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom  estado geral de conservação. Lombada apresenta falha de pele no pé.
Raro.
Indisponível

02 dezembro, 2024

FLAMMARION, Camille -
OS HABITANTES DOS OUTROS MUNDOS.
Traducção do tenente Moraes Rosa. VI - Bibliotheca d'Educação Nacional. Lisboa, Empreza do Almanach Encyclopedico Illustrado - Editores-Proprietarios Abel d'Almeida & C.ª, 1909. In-8.º (18x11,5 cm) de 149, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o "desconhecido astral", com interesse e importância para a bibliografia dos temas "Astronomia" e "Ficção Científica".
"A astronomia abrange, no seu estudo, o conjuncto do universo. Sem a astronomia, é impossivel discorrer com exactidão sobre qualquer coisa, seja sobre philosophia, sobre religião ou mesmo sobre politica.
A humanidade terrestre não é a unica familia do Creador; o principio e o fim da Terra não são o principio e o fim do mundo; em uma palavra, os principios, que julgámos absolutos, não são mais do que relativos, e uma nova philosophia, grande e sublime, se levanta, por si mesma, sobre o moderno conhecimento do Universo.
Tratarèmos, neste livro, do que de mais racional se pode dizer sobre a natureza e sobre as faculdades dos habitantes dos outros mundos. Ha muito tempo que os homens dos outros planetas são outros tantos pontos de interrogação, arrogantemente apresentados perante o espirito do philosopho e do pensador. Ha muito tempo que elles inquietam a nossa alma investigadora, sem deixarem cahir nas nossa mãos a chave da sua mysteriosa existencia. Alem disso, sendo a questão enigmatica, é, precisamente, por essa circumstancia, que tem attrahido o interesse e curiosidade de muita gente."
(Excerto de I - Os habitantes dos outros mundos)
Indice:
Cap. I - Os habitantes dos outros mundos. II - Inferioridade dos habitantes da Terra. III - A humanidade collectiva. IV - Appendice. | Curiosidades scientificas: - Como se pésa a Terra; - Como se medem as distancias da Terra á Lua e da Terra ao Sol; - Como se medem as distancias da Terra aos outros planetas e ás estrellas.
Camille Flammarion (1842-1925). "Denominado "Poetas das Estrelas", "Poeta da Astronomia" ou "Poeta dos Céus", Nicolas Camille Flammarion nasceu em Montigny-le-Roi, uma zona localizada a Leste, no interior de França, no dia 26 de fevereiro de 1842. Criança com aptidões excecionais, com 16 anos, depois de ter escrito uma Cosmogonia Universal de 500 páginas, foi admitido no Observatório de Paris. Mais tarde fundou e dirigiu o Observatório de Juvisy, tendo também sido o fundador da Sociedade Francesa de Astronomia. Célebre como astrónomo, pelas suas pesquisas relativas a estrelas duplas e múltiplas e a topografia de Marte, foi nomeado Comandante da Legião de Honra, uma das maiores condecorações não-militares de França. Espírita convicto e amigo próximo de Allan Kardec, conta entre as obras de que foi autor, uma considerável e rica produção espírita."
(Fonte: https://feportuguesa.pt/180-anos-sobre-o-seu-nascimento-camille-flammarion/)
Encadernação editorial em vermelho com ferros gravados a seco e a negro e branco nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Carimbo oleográfico da Livraria Esteves - Portalegre na f. rosto.
Muito invulgar.
25€

29 outubro, 2024

TEIXEIRA, Manuel S. -
VIAGEM AO SECULO XXX. Lisboa, Edição da Editorial Natura, 1945. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 95, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica portuguesa.
"Decorreram alguns anos entre os dias em que a presente novela foi escrita e a sua publicação.
Tanto bastou para demonstrar que o mundo de amanhã será o outro, bem diferente do mundo hoje conhecido."
(Reflexão preambular)
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na primeira página de texto.
"Paulo era filho de pais portugueses que havia anos haviam imigrado do continente europeu. Educado numa grande cidade do Novo.-Mundo, breve começou a interessar-se pelos problemas do Progresso.
Ao mesmo tempo que êle, a T. S. F. ensaiava os primeiros passos Nunca jóvem soberana tivera uma côrte de admiradores espalhada por todo o Mundo como a vencedora do éter. Jàmais homens de todos os continentes se uniram num tão grande amor.
Como a nova Fada vinha possuída de misteriosos encantos! [...]
Com os melhoramentos introduzidos no tubo «audion» tornou-se possível construir receptores eléctricos que se foram aperfeiçoando gradualmente, graças ao esfôrço dos adoradores da deusa peregrina. [...]
Fez novas instalações, aplicou maiores voltagens e conseguiu fazer chegar a voz a todas as cidades do país.
Também o país não era tudo, e havia ainda o resto do Mundo.
Novas instalações, mais fôrça electromotriz aplicada, e a as suas hertzianas atingiriam o outro lado do Globo.
Pouco depois começou a receber notícias dos antípodas acêrca das suas emissões que eram consideradas óptimas.
Ficou desolado e lamentou a pequenez da Terra. Aonde mais o poderiam levar as rádio-freqüências?"
(Excerto do Cap. I)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

12 abril, 2024

LÓ, Silvano -
VOLTA AO MUNDO NUM CARTUCHO. Romance de aventuras para a juventude. Por... [Prefácio de Maria Archer]. Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1940. In-8.º (18 cm) de 153, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Obra aventurosa de teor patriótico, composta por duas novelas, dirigida aos mais novos. O autor, tipógrafo de profissão, escreveu e compôs graficamente o livro.
Ilustrada com três bonitos desenhos em página inteira assinados por Rodrigues Alves.
"Um desconhecido, modesto de trajo, com a lancheira e um rôlo de papéis na mão, senta-se no meu gabinete de trabalho. [...] Declina o nome e o móbil da visita - pedir-me um prefácio para o livro que vai publicar, e do qual é autor e compositor tipográfico. [...]
A idéia é sumamente simpática, e simpática é, também, a obra empreendida pelo meu novo camarada das letras. O seu livro entre no «mare magnum» da literatura infantil. A crianças devem amá-lo e preferi-lo. O enrêdo é simples: uma aventura extraordinária leva três garotos a correr o  mundo. Silvano Ló transporta os seus pequenos leitores pelo mar e pela terra, desdobrando, com uma nobre intenção patriótica, sucessivas passagens da colonização portuguesa nas plagas ultramarinas."
(Excerto do Prefácio)
"«Século»!... «Diário»!... República»!... Traz a bola!...
Pendurado no estribo do combóio, cuja máquina já silvava, anunciando a partida, Manuel virava-se, ainda na esperança de vender alguns dos poucos exemplares que lhe restavam na sacola.
A máquina, num arranco, puxou as carruagens, e o combóio engolfou-se na negra bocarra do túnel, que logo o tragou.
Esgotado pelo trabalho de jornaleiro - um dia inteiro a calcorriar a cidade, berrando a plenos pulmões - o «ardina» deixou-se cair num banco e começou a pensar na sua triste vida...
Com treze anos de idade, órfão de pai e mãe, completamente só neste mundo, vivia em casa duma pobre viúva, a qual trabalhava todo o santo dia, para poder sustentar os seus dois filhos, João e Maria, respectivamente de oito e dez anos."
(Excerto de I - A mensagem do Infante)
Encadernação simples em meia de percalina. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

02 março, 2024

GALLIS, Alfredo -
OS SELVAGENS DO OCCIDENTE
. Lisboa, Imprensa de Lucas Evangelista Torres, 1890. In-8.º (16x11 cm) de 240 p. ; E.
1.ª edição.
Autor "maldito", Alfredo Gallis ficou conhecido para a posteridade pela literatura "erótica" que publicou no final do século XIX/princípio do século XX. Este Os selvagens do occidente, publicado na sequência do Ultimatum, passa-se num país de faz-de-conta, - o país dos Papa-Moscas, cuja capital é Lisbonolandia, - e reflete o desencanto do autor com o status quo nacional. Obra de critica social e política, zurze nas elites governativas, mas também no cinismo e nos costumes desviantes da capital. Com a devida vénia, infra reproduzimos excerto relacionado com esta obra em particular publicado no Dicionário de Historiadores Portugueses - da Academia Real das Ciências ao final do Estado Novo:
"Fino observador da cidade - A Lisbonolândia, “capital do país dos Papa-Moscas” (Os Selvagens do Ocidente, p. 8) -, pisou o terreno de políticos e decisores, coristas, atores e ladrões comuns, sob o fundo de uma multidão pobre e analfabeta, em torno da qual, e por entre as “brumas de uma selvajaria inaudita onde por todo o país campeia o assassinato, o estupro, a embriaguez, a vingança política pessoal, o clericalismo boçal e reacionário, e as romarias a vários oragos de parva invocação” (Idem, p. 8), tinham decorrido os 19 anos de reinado de D. Carlos." (https://dichp.bnportugal.gov.pt/imagens/gallis.pdf)
"Entre 35º 56' e 42º 6' de latitude, e 8º 5' e 11º 4' de longitude seguindo o meridiano de ilha de Ferro; existe o paiz dos Papa-Moscas, pequena região fertil e pittoresca collocada no extremo occidental da Europa. De Norte a Sul mede 93 leguas, e 40 na sua maior largura.
A sua circumferencia é de 235 leguas e a superficie calcula-se em 3:150.
Ao norte confina com a Hespanha, paiz civilisado, que n'um dia em que suppoz que os germanicos lhe queriam usurpar a possa das ilhas Carolinas, foram ao consulado alemão, arreiaram a bandeira teutonica, e o governo em vez de se pôr de cocoras n'uma atittude dysentherica de poltrão mal disposto do ventre, appoiou os actos dos patriotas hespanhoes, de fórma que a negra aguia da Germania, encolhendo as azas perante a dentuça do leão de Castella, sujeitou o seu intuito de rapina á conciliação arbitraria da branca pomba do Vaticano.
E assim a Hespanha mostrou ao mundo, que se em Berlim haviam soldados e em Essex a fabrica Krupp, nas suas montanhas e cidades, nos seus valles e aldeias, haviam hespanhoes, e no peito de cada um uma couraça de honra para caminhar ao encontro dos fortes teutonicos, caso a dignidade da patria perigasse.
Pois apenas uma legua separa Badajoz, cidade pequena da civilisada Hespanha, de Elvas, cidade tambem pequena, do selvagem paiz dos Papa-Moscas.
Contam historias antigas bolorentas e bafiosas, factos positivos que attestam, que em remotas eras os Papa-Moscas foram um povo de heroes e sobretudo uma verdadeira pleidade de patriotas..."
(Excerto de No paiz dos Papa-Moscas - I. Situação geographica, fórma de governo...)
"Lisbonolandia, capital da Moscolica, bella cidade de granito á beira mar plantada, é, com relação ao paiz um verdadeiro aborto. Sendo a cabeça d'esse anão do occidente, pela sua desmesurada grandeza dá ao pobre um aspecto hediondo que o expõe á commiseração publica. [...]
Assim com o  Paris é a cidade do luxo, Londres a do dinheiro, Berlim a dos militares, Vienna a das mulheres formosas, Madrid a dos cafés, e Haya a da gente asseada e trabalhadora; Lisbonolandia é a cidade das  mulheres feias, dos politicos sem officio, das casas de prégo, das egrejas, dos peralvilhos sem vintem, e da riqueza esfomeada. Edificada sobre sete colinas, coroada por um ceu azul d'uma encantadora doçura oriental, e banhada por um rio amplo, formoso e imponente, geologica e topographicamente fallando, Lisbonolandia é uma cidade encantadora que apezar de immersa na mais profunda selvageria deslumbra toda a gente civilisada que a visita. Possue alguns edificios notaveis, restos venerandos dos bons tempos em que se politicava menos e trabalhava mais, e os seus habitantes são d'um caracter pacifico que pede meças ao dos bodes.
De vez em quando dá se uma sarrafusca em que a auctoridade policial é aggredida e um troço de janizaros chega a sahir do quartel. Isto porém não influe na cordura lanigera dos cidadãos. O conflicto provém geralmente d'uma questão entre meretrizes e fadistas da Mouraria, ou porque a carroça dos cães pretende levar entre grades caninas um rafeiro cidadão com colleira e licença, assim como quem diz, com voto e folha corrida."
(Excerto de Lisbonolandia - Cap. I)
"Ahi pelos fins do mez de dezembro de 1889 começou a circula em Lisbonolandia um boato assustador.
Dizia-se á bocca pequena que os gabinestes Moscolico e Bretão andavam jogando a cabra cega (cega para o primeiro) ácerca da delimitação de uns territorios que em Africa possuiam os Moscolicos, territorios historicos abandonados ao relaxe, á incuria e á avareza dos fallidos... e que os praticos bretões de ha muito percebiam que lhe faziam arranjo.
Estes boatos cochichavam-se á bocca pequena, porque o moscolico em geral e o lisbonolense em particular, nutriam a fé profunda, tambem historica, de que os seus melhores amigos e mais fieis alliados eram os bretões."
(Excerto de A Grande Tragedia)
Índice:
Primeira Parte: No paiz dos Papa-Moscas. Segunda Parte: Libonolandia. Terceira Parte: A Grande Tragedia.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam desgaste  no rebordo.
Raro.
45€

30 novembro, 2023

PAIVA, Abel -
UMA CARTA DO PLANETA NEPTUNO.
Traduzida por um major aviador do Exército Português. Lisboa, [s.n. - Imprensa Lucas & C.ª], 1941. In-8.º (15,5x11 cm) de 7, [1] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima. Trata-se de uma crítica à Humanidade e ao dinheiro que tudo comanda - ao individualismo e à maldade humana - e de apologia ao amor pelo próximo.
Folheto de ficção científica com propósitos antiguerristas, publicado em plena Segunda Guerra Mundial. Descreve o ambiente de concórdia existente em Neptuno - o "planeta ideal" - com as suas vias de comunicação e cidades aéreas, a sua alimentação (frugívera) e a vida alegre que levam, onde, de acordo com o "neptunino", são "crianças tôda a vida".
Insólito, raro e muito interessante.
"Metida por debaixo da porta, e trazida por um distinto aviador do Exército, que não conhecemos, mas que teve a coragem estóica de ir a Neptuno, recebemos uma carta daquele planeta, que no-la enviou o célebre aviador neptunino que o ano passado entrevistámos na magnífica Serra de Portalegre, quando por momentos, ali poisou num rápido descanso da sua viagem através dos planetas!"
(Primeiro parágrafo)
Exemplar brochado em bom etado geral de conservação. Frágil, com pequenos defeitos.
Muito raro.
Peça de colecção.
35€

31 agosto, 2023

PARA SE APRECIAR DEVIDAMENTE UM AUTOMÓVEL.
Capa de A. d'Almeida Azevedo - [Colecção] «O que se deve saber». Lisboa - Portugal, Edições «Alfa - Omega», [192-]. In-8.º (18 cm) de 53, [1] p. ; [18] p. pub. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livrinho dirigido a todos os apreciadores de automóveis. Impresso no início dos anos 20 do século passado, foi dos primeiros que sobre este assunto se publicou entre nós.
Revestido de capa muito bela, com desenho assinado por Almeida Azevedo. Raro e muito curioso.
Contém artigos muito curiosos com conselhos e dicas, incluindo, e sobretudo, um ensaio futurista de Carl Claudy (1879-1957) - visionário americano - que procura antecipar o automóvel de amanhã - em 2120 -, movido a electricidade, com pneus que-se-não-rompe, sem volante e guiado com a mente, entre outras previsões deliciosas, com uma gravura do "protótipo" em página inteira: - "De hoje a 200 anos - o automóvel do futuro".
Ilustrado no início com duas belíssimas estampas, cada uma em sua página com o seu contraponto: - Há 200 anos - o primeiro automóvel (de Cugnot) e De hoje a 200 anos - o automóvel do futuro, com desenhos no texto e no final, nas últimas 18 páginas, com propaganda relacionada com o mercado automóvel português - as "garages" concessionárias de serviços e das principais marcas (algumas entretanto desaparecidas) com a fraseologia publicitária de então: Georges Irat; Studebaker; Chrysler; Rolland-Pilain; Buick; Camions "Albion", Renault, etc., sendo que algumas têm associados desenho ou fotografia.
"Os cinco artigos de que se compõe este pequeno livro, excepto o segundo, da autoria do Sr. C. H. Claudy, da «Scientific American» (New-York), - foram escritos expressamente para serem publicados por ocasião da Primeira Exposição de Automóveis, no Estoril.
Postos de maneira a serem compreendidos pelo leigo em automobilismo, não deixarão certamente de interessar tambem os autenticos automobilistas, pois que se os primeiros encontrarão nêles muita coisa que ignoram, ficando assim, talvez, habilitados a poder apreciar um automovel, os ultimos terão na leitura destas paginas uns momentos de recreio.
O automovel, na nossa vida moderna, representa qualquer coisa de muito importante. Por consequencia, olhar para um automovel e, pelas suas linhas exteriores, dizer que ele é bonito, não deve ser bastante para o homem vulgar do nosso tempo. O automovel de hoje representa uma fase de um dos mais interessantes maquinismos que o homem realisou e que se acha em plena evolução.
Da leitura dos artigos Como foi o percursor do automovel e Como será o automovel do futuro concluirá certamente o leitor que o automovel actual está tão longe da grosseira máquina inventada por Cugnot, como o está do maravilhoso veículo imaginado por Claudy.
No artigo Como se escolhe um automovel topará o leitor com certas considerações que o ensinarão a olhar para um automovel com «olhos de ver».
Como se conduz correctamente um automovel indica como deve ser feita a manobra que mais ataranta os principiantes: a mudança das velocidades. E, por fim, Como se espatifa um automovel mostra o que se não deve fazer para que nós nunca digamos que o nosso automovel não presta.
Emfim, suponho que, acabada a leitura deste pequeno livro, todas as pessoas se acharão habilitadas, pelo menos, a poder dar uma razão verosimil por que apreciam mais este ou aquele automovel."
(Introdução, por "F. de C. H." - Fernando de Carvalho Henriques i.e. Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques)
Conteúdo:
[Introdução - Para se apreciar devidamente um automovel, por Fernando de Carvalho Henriques] | Como foi o percursor do automóvel, por A. J. de Azevedo | Como será o automóvel do futuro, por C. H. Claudy | Como se escolhe um automóvel, por A. J. de Azevedo | Como se conduz correctamente um automóvel, por X | Como se espatifa um automóvel, por F. de Carvalho Henriques.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil, com pequenos defeitos.
Muito raro.
Com interesse histórico, automobilístico e científico.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção.
50€

02 agosto, 2023

SÉLÈNES, Pierre de -
UN MUNDO DESCONOCIDO : dos años en la Luna.
Ilustraciones de Gerlier. Barcelona, Montaner y Simón, Editores, 1898. In-4.º (24,5x16,5 cm) de [2], 358, [4] p. ; il. ; E.
1.ª edição espanhola.
Interessante romance de ficção científica - sequela não autorizada de Da Terra à Lua, de Júlio Verne - da autoria de Pierre Sélènes, pseudónimo literário do escritor francês Ali Bétolaud de la Drable (1856-1919).
Nesta aventura passada na Lua, Sélènes recupera os personagens de Verne para a Utopia Subterrânea dos Meolicenes, cuja civilização superior possui meios e tecnologia avançada.
Versão em língua castelhana deste romance originalmente publicado em França com o título Un Monde Inconnu : deuax ans sur la Lune (1896), nunca vertido para português.
Livro ilustrado com belíssimos desenhos no texto e em página inteira de Gustave Gerlier (1826-1898), litógrafo e gravador francês, natural de Paris.
Encadernação editorial com bonito desenho de estrutura lunar com cúpula envidraçada gravado na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

23 junho, 2023

HENRIQUES, F. de Carvalho – A PROFECIA OU O MISTÉRIO DA MORTE DE TUT-ANK-AMON. Prefácio por João de Brito. Lisbôa, [Edição do Autor – imp. na Imprensa Libanio da Silva], 1924. In-8.º (19 cm) de 162, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance esotérico do género fantástico. Três amigos do Técnico (IST) vivem uma aventura extraordinária quando a sua vida se cruza com personagens do antigo Egipto.
"E passaram os trinta e três séculos que não foram mais do que um segundo a ligar a Eternidade passada com a Eternidade futura!"
"O livro publicado por Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques em forma de romance sob a epígrafe A Profecia ou o Mistério da Morte de Tut-Ank-Amon versa um tema filosófico que tem sido uma das preocupações constantes do espírito humano, o destino desta energia que em nós vive sob o nome de alma, depois daquilo que chamamos a morte do indivíduo…"
(Excerto do Prefácio)
Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques (1897-1962). "Escreveu, além de Mulheres de hoje... Corações de sempre (1924), A Profecia ou o mistério de Tut-Ank-Amon (1924), A quarta dimensão (1927), algumas obras relacionados com o comércio, como Vendedores e Compradores (1943) e O gerente e a sua gente (1958). Em 1925, dirige X: revista de informação prática, que poderá ter inspirado Pessoa e o seu cunhado Francisco Caetano Dias no seu projecto da Revista de Comércio e Contabilidade."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/f/571-fernando-de-carvalho-henriques)
"O primeiro romancista-egiptólogo português. O escritor Fernando de Carvalho Henriques (1897-1962) é totalmente desconhecido da esmagadora maioria dos portugueses. Há, no entanto, um romance seu, com contornos de policial, publicado em 1924, intitulado A Profecia ou o mistério da morte de Tut-Ank-Amon, que lhe confere um lugar pioneiro no panorama nacional e no contexto internacional. Na narrativa principal do romance, este Autor encaixou vários capítulos sobre “factos da antiguidade” para os quais mobilizou, como veremos, “conhecimentos históricos” sobre o antigo Egipto da época de Tutankhamon, genericamente correctos, inspirados e estimulados pelos ecos da então recente descoberta arqueológica e escavação, a partir de Novembro de 1922, do túmulo desse faraó egípcio, em Luxor ocidental, por Howard Carter e Lord Carnarvon."
(Fonte: https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/10226)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

14 março, 2023

SCHMIDT, Affonso - ZANZALÁS.
[Uma novela de tempos futuros]
. São Paulo, Edição «Spes», 1938. In-8.º (19 cm) de 143, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance, obra de referência da ficção científica brasileira, antes publicado parcialmente (1928) e em forma de folhetim (1936), sendo muito invulgar esta primeira edição em livro.
"Dentre muitas peças resgatadas do passado para a memória da ficção científica brasileira, Zanzalá, do importante jornalista, romancista e poeta Afonso Schmidt (1890/1964), é uma das que se destacam. Não tanto por sua qualidade nos protocolos do gênero, mas por seu pioneirismo histórico e por suas virtudes literárias.
Foi publicada completa pela primeira vez em 1936 no "Suplemento Literário" de O Estado de S. Paulo, mas sua estreia aconteceu de fato em 28 de fevereiro de 1928, na forma de um pequeno conto publicado no mesmo jornal, que veio a compor o primeiro capítulo da obra. Zanzalá somente foi publicada em livro em 1938, pela Editora Spes."
(Fonte: http://almanaqueafb.blogspot.com/2015/02/zanzala-afonso-schmidt.html)
"Zanzalá é um livro de ficção científica anticolonial escrito pelo autor cubatense Afonso Schmidt em 1928. Trata-se de um exemplo dos primórdios da ficção científica brasileira. Já recebeu homenagens tais como o nome da região de Zanzalá em São Bernardo do Campo, o grupo Coral Zanzalá e a Revista Zanzalá de ficção científica brasileira. O nome Zanzalá significa "flor de Deus" em árabe (زَهْرَة الله, ou zahra Allah).
O livro se passa na região da Serra do Mar, em direção ao litoral: uma cidade fictícia e hipertecnológica chamada Zanzalá. O mundo foi completamente destruído pela segunda guerra mundial, e a cidade de Zanzalá acaba sendo refúgio para a população de vários locais do mundo. O autor retrata a população da cidade como sendo extremamente culta, dada às ciências e à arte, com um grande investimento público nessas áreas; contava com diversos curadores musicais e cientistas. Eram também elevados moralmente, de maneira que não reconheciam o uso da guerra e da violência.
A história acompanha a vida de Zéfiro e Tuca, um casal de namorados que vive na cidade. Tuca recebe a notícia dos médicos de que irá morrer em breve. Os dois então se juntam para tentar encontrar algum meio de reverter esse destino, recorrendo tanto à recursos científicos quanto religiosos e espirituais."
(Fonte: Wikipédia)
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a António Ferro (1895-1956), conhecido escritor e jornalista português, grande dinamizador da política cultural do Estado Novo.
"Como será a existencia daqui a cem annos? A julgar pelo que ella foi ha um seculo, deverá ser muito differente. Pode-se tambem levar em conta que a evolução daqui para a frente se operará com maior rapidez do que do passado até nossos dias. Ha factores que representam um grande papel: o encurtamento das distancias, o progresso inacreditavel da sciencia, a tendencia que se accentúa cada vez mais para a simplificação da vida.
Se fossemos a observar apenas os primeiros factores, poderiamos prever para 2040, por exemplo, uma human idade inteiramente absorvida pela machina, completamente dominada pelas forças subtis da natureza que sempre procurámos escravisar, e que acabariam escravisando-nos. [...]
Escrevi estas paginas pensando no bom sorriso dos meus collegas de amanhan; deve ser o mesmo que eu esboço ao ler os meus collegas do passado. Felizmente para mim e para elles esta novella ficará perdida no mar das novellas que tiveram a ventura de não sobreviver á sua epoca."
(Excerto do preâmbulo)
"Se um cidadão de 1940 resuscitasse hoje do esquecido cemiterio do Saboó, onde os antigos santistas enterravam os seus mortos, e fizesse o trecho de estrada que vai ter á raiz da serra de Paranapiacaba, ser-lhe-ia bem difficil reconhecer o scenario que, certamente, lhe foi familiar naquelles priscos temos. [...]
O Zangalás hoje é um immenso funil; o lado esquerdo (de quem sobe) começa logo depois do Cubatão, num outeiro que se liga a morros e morros até perder-se na muralha sempre azulescente da serra; o outro lado começa em Piassaguera e logo se apruma em desfiladeiros cortados pelas duas grandes avenidas a que alludimos. A parte central é constituida por uma planicie trianguilar que, espremida entre montanhas vai afinando e subindo á proporção que penetra pela serra dentro. Esse valle, ha cem annos, era coberto de bananaes. Quando o Zanzalás chega - sempre num leve aclive - ao alto da serra, já não passa dum simples vallo com o seu fio de agua no centro, sobre o qual florecem em todas as estações os ultimos  lyrios do brejo. Mas quem dalli olha para baixo vê duas muralhas fugirem uma de cada lado, deixando no meio aquella planicie azul na qual caberia uma série de cidades.
Ao centro, ergue-se uma pyramide verde, com uma gotta de luz no tope.
Esse monumento, que se acha mais ou menos em frente ao segundo patamar da serra, tem a sua historia. Muitos pensarão que elle foi construido inteiramente pela mão do homem, como os do Egypto. É um engano. Já existia mais ou menos assim, em outros tempos; era um morro como os demais que os viajantes viam da janella do trem de ferro. De uma pyramide apresentava apenas as linhas principaes e o resto era corrigido pela fantasia dos observadores. Foi para commemorar o anno 2.000 que os santistas levaram a effeito a idéa de transformal-o, de facto, numa pyramide."
(Excerto do Cap. I - No seculo da simplicidade)
Affonso Schmidt (Cubatão, 1890 - São Paulo, 1964). "Foi um jornalista, contista, romancista, dramaturgo e ativista anarquista brasileiro. Em Cubatão fundou o jornal Vésper, e na cidade de São Paulo fez parte da redação dos importantes periódicos libertários, A Plebe e A Lanterna, ao lado de figuras lendárias do movimento anarquista brasileiro como Edgard Leuenroth e Oreste Ristori. Ocupou ainda posições na redação dos jornais Folha e O Estado de São Paulo. Na cidade do Rio de Janeiro, fundou o jornal Voz do Povo, que a seu tempo tornou-se o órgão de imprensa da Federação Operária. Foi diversas vezes preso por expressar o que pensava. Ganhou destaque também pelas diversas campanhas que realizou contra o fascismo e o clericalismo, através de panfletos ou de livros, peças teatrais e artigos de jornais. Escrevendo intensamente por toda sua vida, foi autor de uma vasta obra poética e literária reunida em mais de quarenta livros. Envereda por crônicas históricas, e fantasia, sendo também um pioneiro da ficção científica no Brasil."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado, com uma ou outra mancha nas capas.
Invulgar.
Indisponível

25 fevereiro, 2023

WELLS, H. G. - UMA HISTORIA DOS TEMPOS FUTUROS.
Traducção de Mayer Garção
. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1903. In-8.º (19 cm) de 169 p. ; B.
1.ª edição.
Capa de José Leite - 1903.
Interessante romance de ficção científica, sendo esta a edição original em língua portuguesa.
"O excellente mister Morris era um inglez que vivia no tempo da boa rainha Victoria. Era um homem prospero e muito sensato; lia o Times e ia á egreja. Ao chegar á edade madura, fixou-se-lhe no rosto uma expressão de tranquillo e satisfeito desdem por tudo quanto não era feito á sua imagem e semelhança. [...]
Possuia tudo quanto era correcto e conveniente possuir um homem na sua posição. E tudo o que não era correcto nem conveniente que um homem da sua posição possuisse, não o possuia.
Entre essas cousas correctas e convenientes que mister Morris possuia, contava-se uma mulher e filhos. Como era natural, sua esposa era d'um genero conveniente e tinha filhos d'um genero e em numero convenientes; não se notava n'elles nenhuma particula de estouvamento ou phantasia, pelo menos tanto quanto mister Morris o podia destrinçar. [...] Os filhos, educou-os mister Morris em boas e solidas escolas e abraçaram respeitaveis profissões; ás filhas, a despeito d'uma ou duas velleidades phantasistas, casou-as, arranjando-lhes bons partidos, homens de boa posição, já velhotes e «com esperanças.» E, quando lhe pareceu uma cousa conveniente e opportuna, mister Morris morreu."
(Excerto do Cap. I - A cura do amor)
Índice:
I - A cura do amor. II - Em pleno campo. III - As Vias da Cidade. IV - Em baixo. V - Bindon intervem.
Herbert George Wells (1866-1946). Escritor britânico. "Nascido em 1866 em Bromley, no Kent, numa família de modestíssimos recursos, Wells teve de começar a trabalhar aos 14 anos de idade, tendo sido sucessivamente aprendiz de fanqueiro, de droguista e contínuo numa escola. A primeira grande viragem da sua vida acontece aos 18 anos quando conquista uma bolsa para estudar biologia na Normal School of Science, em Londres, que leva a cabo então uma revolucionária experiência pedagógica de ensino livre. É aí onde encontra professores de excepcional gabarito como o famoso biólogo darwinista e agnosticista militante T. H. Huxley (avô do escritor Aldous), que o marcarão para sempre. Em 1888 obtém o seu diploma pela Universidade de Londres e torna-se o professor de ciências que, em 1895, a fama literária de "A Máquina do Tempo" virá arrancar para sempre do anonimato.
Transformou-se no celebérrimo autor de ficção científica H. G. Wells, cuja fama e influência nunca mais desapareceriam até ao fim dos seus dias - e mesmo para além deles.
Homem dotado de uma profunda consciência social, activista socialista, militante pela paz mundial e pela igualdade, defensor dos direitos das mulheres e da liberalização dos costumes, crente no papel emancipador da educação, polemista e panfletário, Wells manifestou durante quase toda a sua vida uma profunda fé no progresso humano e na capacidade libertadora da ciência."
(Fonte: http://static.publico.pt/sites/coleccaojuvenil/livros/18.maquinadotempo/texto3.htm)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Manuseado.
Raro.
Indisponível

05 janeiro, 2023

JOHN SPEED em O Investigador Espacial
. Lisboa, Aguiar & Dias, Ldª, 1972. In-8.º (17 cm) de 63, [1] p. ; B. Col. Condor - N.º 36
1.ª edição.
Banda DesenhadaHistória de aventuras/ficção científica publicada na icónica colecção Condor.
"Nunca cheguei a saber como John Speed obtinha aquelas informações secretas. Eu apenas as recebia e classificava para que ele pudesse estudá-las. Mas a que acabava de receber não podia ser arquivada."
(Preâmbulo de John Speed...)
A colecção Condor foi a primeira aposta da Agência Portuguesa de Revistas (APR) no campo das histórias completas. Foi, também, a primeira colecção portuguesa de mini-álbuns de BD já que todas as revistas anteriores publicavam histórias de continuação."
(Fonte: http://tralhasvarias.blogspot.com/2012/05/condor-todos-os-numeros.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

29 novembro, 2022

TAGORELLE, André - OS EMIGRANTES DO MUNDO EXTINTO.
(Fim das Aventuras de Armando Hidalgo). Tradução de Carvalho Lima. Colecção Espaço
. Lisboa, Edição: Mãos de Fada de Mário de Aguiar, [1960]. In-8.º (15 cm) de 151, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Ficção científica espanhola. História com qualidade literária duvidosa, algo naïf, em todo o caso, curiosa.
Título original: En la tumba de un crater.
"- Vamos, Mil-Homens! Espero que não sofras de vertigens... - disse Armando Hidalgo.
Já tinha baptizado daquele modo o pequeno ente vestido de ectoplasma. Enquanto Jan o contemplava, silencioso, procurando analisar o fenómeno, o aventureiro espanhol considerava aquele serzinho como outra mais de tantas coisas novas e singulares.
Aceitou, como facto consumado, que falasse sem órgãos bucais e que andasse ao lado de ambos, caminhando com pés que não pisavam e mal poderiam até pisar o chão!
Dava-lhe ordens, transformando, por artes de berliques e berloques, o seu papel passivo, de mero acompanhante, em guia e condutor. Assim era Hidalgo; e assim obtinha êxito onde ruía a ciência com todo o seu poder.
O transparente obedeceu à ordem e, graças à sua agilidade imaterial, foi o primeiro a chegar ao disco voador."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Escritos na f. ante-rosto.
Invulgar.
15€