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26 setembro, 2025

COSTA, Vieira da -
ENTRE MONTANHAS (Scenas da vida do Douro). Por...
 Romances Nacionaes - IIILisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903. In-8.º (19x12 cm) de 493, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Romance naturalista de costumes durienses cuja acção decorre, sobretudo, no Praso das Mattas, vasta quinta vinhateira situada no Douro transmontano.
"Nos principios d'este ultima decada do seculo, que vae correndo, era motivo geral de curiosidade nas Caldas do Mollêdo, já entre os banhistas adventicios, já entre os indigenas interessados, a presença alli, em determinados dias, d'um rapaz para muitos desconhecido, e que de ordinario se apresentava com uma regularidade severa de funccionario escrupuloso. Viam-n'o sempre chegar a horas certas, pelo começo da tarde, ás vezes a cavallo, ás vezes no comboio, inteiramente vestido de luto aliviado, muito cuidado no seu vestuario e profundamente comedido nos seus modos. Tão comedido mesmo, que ninguem lograva atinas com a causa das suas visitas, para muitos inteiramente mysteriosas.
Era um elegante typo de rapaz, alto e delgado, de curtis mate, olhos castanhos e um fino bigode louro-escuro sobre a bocca séria, sensual e carnuda. Não tomava banhos, não visitava ninguem, não parára jamais em frente de qualquer janella: e como tambem não assistia a nenhum divertimento, - a nenhum baile ou soirée, a nenhuma reunião ou merenda, a nenhuma burricada ou regata - nem mesmo se podia dizer que o desejo de distracções o trouxesse á terra.
A verdade, porém, é que se muitas eram as pessoas que ignoravam quem elle fôsse, algumas havia, comtudo, que o conheciam a fundo, com grande precisão de pormenores illucidativos. E d'essas, o commendador Amaral Leitão era o mais instruido, e foi o que logrou desvendar o mysterio.
O tal rapaz, que elle conhecia tão bem como os seus dêdos - aquelles dêdos grossos, cabelludos, com um rico annel de brilhantes no fura-bollos da mão direita - chamava-se Affonso Duarte da Cruz Silveira, era vaccinado, tinha vinte e cinco annos de edade e 1,74 centimetros d'altura, rigorosamente medidos no estalão administrativo quando fôra á inspecção para soldado, de que, aliás, um numero alto o livrára. Pelo que respeitava a bens de fortuna, ou meios de a adquirir, possuia uma casa de moradia nas ribas do Douro, uma legua para oeste, em sitio ermo, com uma terreola annexa onde cultivava com aproveitamento couves gallegas e aboboras meninas, cebollinho e outras plantas hortenses e dois milheiros de cêpas muito cuidadas, que davam o melhor de doze pipas de vinho, bom anno, mau anno, ; tinha ademais uma commisão para compra de vinhos da respeitavel firma ingleza - Coley and Smith - Oporto - que negociava na especialidade; e como esperanças de futura prosperidade, possuia lá para as bandas de Murça um tio materno, septuagenario, doente e sem mais herdeiros. Sobre o luto, que elle trazia, não se sabia nada."
(Excerto do Cap. I)
José Augusto Vieira da Costa (1863-1935). "Nasceu em Salgueiral, concelho da Régua, em 14.3.1863. Aí morreu em 13.1.1935. Colaborou em vários jornais e revistas, nomeadamente na Ilustração Transmontana e em jornais do Brasil. Publicou os romances Entre Montanhas (1903) A Irmã Celeste (1904) e A Familia Maldonado (1908). Deixou organizado o romance O Amor, e a novela Sob a Folhagem. Já quase cego escreveu Portugal em Armas, publicado por ocasião da Grande Guerra. A cegueira deixou-o na miséria pelo que a Câmara da Régua lhe estabeleceu uma pensão. O Dr. Fidelino Figueiredo publicou uma análise crítica sobre a sua obra."
(Fonte: http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=555&id=2555&action=noticia)
Encadernação simples em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com imperfeições nas pastas.
Raro.
Indisponível

24 fevereiro, 2025

MENDES, Adelino - TERRAS MALDITAS (campanha d'um reporter)
. Porto, Magalhães & Moniz, L.da - Editores, 1909. In-8.º (19 cm) de [8], 223, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de reportagens realizadas pelo autor em Trás-os-Montes, na zona do Douro vinhateiro, expondo ao país as condições de vida - pobreza e miséria - das populações locais.
"Em meiados de janeiro recebi de V. Ex.ª o encargo de ir ao Douro inquerir do viver do malaventurado povo que habita essa provincia. Procurei com todo o empenho dar no Seculo, em cartas successivas, a impressão aproximada de tudo quanto vi e observei. As minhas revelações tiveram o condão de commover o paiz inteiro; e de todos os lador surgiram donativos que foram enxugar muita lagrimas e minorar muita miseria nas Terras malditas por onde peregrinei quasi dois mezes, vivendo a vida amargurada do povo, recolhendo-lhe os queixumes, ouvindo-lhe as angustiadas narrativas da sua desgraça, soffrendo com elle e maldizendo, como elle maldiz, a raça damninha de politicos que o levou ao supremo abandono e quasi ao supremo desespero.
Foi ainda V. Ex.ª que me sugeriu a ideia de publicar as minhas cartas em volume. Acceitei-a, porque o inquerito do Seculo, assim archivado, ficará constituindo uma demonstração flagrante da vida primitiva, humilhante  semi-barbara, que neste desgraçado Portugal levam ainda em pleno seculo vinte muitos milhares de individuos. E ao colligir as minhas chronicas tive o cuidado de as não alterar, procurando conservar-lhe todo o caracter de reportagem feita a correr, quasi de afogadilho, e sem pretensões litterarias que só serviriam para estragar o assumpto.
Este livro não é, portanto, mais do que o diario impressivo d'um «reporter» que procurou levar honestamente a cabo a missão de que foi incumbido."
(Excerto do prólogo - Ao senhor Silva Graça)
Crónicas:
Ao senhor Silva Graça. | I - Regoa, 18 de janeiro. II - Regoa, 20 de janeiro. III - Regoa, 21 de janeiro. IV - Regoa, 22 de janeiro. V - Regoa, 26 de janeiro. VI - Regoa, 27 de janeiro. VII - Alijó, 29 de janeiro. VIII - Alijó, 30 de janeiro. IX - Alijó, 31 de janeiro. X - Alijó, 1 de fevereiro. XI - Alijó, 2 de fevereiro. XII - Alijó, 2 de fevereiro. XIII - Alijó, 4 de fevereiro. XIV - Alijó, 6 de fevereiro. XV - Sabrosa, 7 de fevereiro. XVI - Sabrosa, 8 de fevereiro. XVII - Alijó, 9 de fevereiro. XVIII - Sabrosa, 10 de fevereiro. XIX - Regoa, 13 de fevereiro. XX - Regoa, 14 de fevereiro. XXI - Regoa, 15 de fevereiro. XXII - Lamego, 17 de fevereiro. XXIII - Lamego, 18 de fevereiro. XXIV - Lamego, 21 de fevereiro. XXV - Lamego, 22 de fevereiro. XXVI - S. João da Pesqueira, 22 de fevereiro. XXVII - S. João da Pesqueira, 25 de fevereiro. XXVIII - S. João da Pesqueira, 1 de março. XXIX - Carrazeda de Anciães, 2 de março.
Adelino Lopes da Cunha Mendes (1878-1963). "Jornalista e escritor, nasceu na Freguesia do Reguengo do Fetal (Batalha), a 28-10-1878 e faleceu em Lisboa, a 26-08-1963. Era filho de João José Gomes Mendes e de Maria Vitória Lopes da Cunha. Depois de ter feito os Estudos Secundários em Leiria, iniciou a sua carreira de Jornalista em O Século, do qual veio a tornar-se Redactor principal, a partir de 1925. Publicou numerosos artigos e reportagens em jornais diários (Novidades, República, A Capital, Jornal de Notícias, O Século, etc), tendo participado com convicção e vigor em várias campanhas, destacando-se entre elas a Crise do Douro (1909), o Terramoto de Benavente (1910), a Revolução do 5 de Outubro (1910) e o Advento da República em Espanha. Ocupou os cargos de Redactor do Diário do Senado e de Arquivista Judicial da Boa Hora. Foi correspondente de guerra em França, em 1917. Foi correspondente de guerra em França,em 1917.
Obras principais: Terras Malditas (Campanha Dum Repórter), (1909); O Algarve e Setúbal, (1916); Cartas de Guerra (Janeiro a Abril de 1917), (1917); Ares de Espanha. Política, Figuras e Paisagens, (1930); A Esplêndida Viagem, (crónicas, 1945); «Um panteísta - Afonso Lopes Vieira», (In Memoriam 1878-1946), (1947)."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2018/07/14/quem-foi-quem-na-toponimia-da-batalha/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

07 dezembro, 2024

OLIVEIRA, Pe. Miguel de -
A CAMPANHA DE ENTRE DOURO E VOUGA NA SEGUNDA INVASÃO FRANCESA
. Coimbra, Coimbra Editora, 1945. In-4.º (24x17 cm) de 17, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante subsídio para a história das invasões napoleónicas, no caso, parte da segunda protagonizada por Soult, publicada em separata do Vol. XI do Arquivo do Distrito e Aveiro.
"Ainda hoje o «tempo dos franceses» marca época no espírito do nosso povo. Recordam-se atrocidades e vinganças, cenas de pavor e rasgos de heroísmo, daqueles dias em que Portugal, como diz Camilo, era «tão façanhoso contra franceses e tão roupa deles». Quando, porém, se pretende concretizar algum episódio referido pela tradição, tudo aparece vago e confuso.
Vamos dar sumária notícia do que se passou entre Douro e Vouga, para mais fàcilmente se poderem situar no quadro histórico quaisquer memórias, documentos ou tradições, com que os leitores desejem contribuir para o esclarecimento dessa campanha."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
A invasão dos franceses | A ofensiva luso-britânica | O morticínio da Arrifana | S. João da Madeira e Arrifana | O Pinheiro das Sete Cruzes | Operações na beira-mar.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

20 junho, 2023

VALENTE, Joaquim Pinto - AGUAS SULFURO-MEDICINAES DE AREGOS (RESENDE).
Dissertação inaugural apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto. Porto, Imprensa Moderna, 1886. In-8.º (21,5 cm) de 75, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio académico sobre as águas medicinais das Caldas de Aregos, estância termal antiga situada no concelho de Resende, junto ao rio Douro. Trata-se, julgamos, da mais antiga monografia que sobre este assunto se publicou. A BNP não menciona o livro.
"[Para além de Lafões], os favores dados aos monarcas e nobres apontam para a utilização de outras fontes termais ainda durante o período medieval. É o caso das Caldas de Aregos. Localizada no município de Resende, no norte do país, as ditas caldas datam do século XII, quando a beata rainha D. Mafalda (1197–1256), mandou ali construir uma albergaria, com tanques para o uso das águas termais e duas camas para receber os pobres de saúde e de dinheiro."
(Fonte: SILVA, André Costa Aciole da, "Queremos e mandamos (...) que o dito hospital (...) cure os enfermos (...)": Poder e medicina no hospital de Nossa Senhora do Pópulo (séc. XVI-XVII), UFG, Goiás, 2015)
"É hoje geralmente reconhecido e utilisado o concurso valiosissimo, que a therapeutica aufere da hydrologia minero-medicinal, esse vastissimo campo, tão pobremente cultivado n o nosso paiz, esse precioso thesouro de tantas virtudes therapeuticas, tão negligentemente explorado entre nós.
O nosso trabalho por muito pouco contribuirá para o preenchimento d'essa lacuna enorme, aberta na historia da medicina portugueza.
No entanto, não foi elle indifferentemente escolhido: satisfazendo a lei que nos obriga á apresentação de um trabalho, que encime o nosso tirocinio escolar, tivemos tambem em vista exhumar do esquecimento e abandono, em que jazem, as sulfuro-thermas de Aregos, e solicitar para este ponto a attenção de mais levantados espiritos, para que o cunho da sua auctoridade referende as amplas applicações d'essa preciosidade therapeutica."
(Excerto do Prologo)
Índice:
Prologo. | Capitulo Primeiro - Generalidades. Capitulo Segundo - Analyse qualitativa e quantitativa. Trabalhos da nascente: a) Ensaios sulphydrometricos (em todas as nascentes); b) Analyse qualitativa da nascente do Ribeiro. Trabalhos no laboratorio: Analyse quantitativa: Dosagem da totalidade dos elementos fixos: 1) Dosagem da silica; 2) Dosagem do ferro; 3) Dosagem da alumina; 4) Dosagem da cal; 5) Dosagem da magnezia; 6) Dosagem do acido sulfurico; 7) Dosagem da soda e potassa; 8) Dosagem da totalidade do acido carbonico; 9) Dosagem da manganez. | Quadro da analyse quantitativa. Capitulo Terceiro - Acção therapeutica das aguas de Aregos. | Proposições.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Mancha de humidade transversal à maior parte do livro, com particular incidência nas folhas finais. Capa manchada, apresenta falha de papel nos cantos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

16 julho, 2022

DOCUMENTOS RELATIVOS ÁS OBRAS TOPOGRAFICAS DO SNR. JOSÉ JAMES FORRESTER SOBRE O PAIZ VINHATEIRO DO ALTO-DOURO E O RIO DOURO, mandados publicar, PELA EXM.ª CAMARA MUNICIPAL DA INVICTA CIDADE DO PORTO. Em sessão extraordinaria em 8 d'Abril de 1848. [Porto], Typographia Commercial Portuense, 1848. In-8.º (21,5 cm) de [6], 11, 3 p. ; B.
1.ª edição.
Opúculo com interesse para a história do Douro vinhateiro. Processo político relativo à publicação do mapa Paiz Vinhateiro - trabalho topográfico meritório, avançado para a época, da autoria do proprietário/produtor vinícola, e súbdito inglês estabelecido no Porto, James Forrester (1809-1861).
"Quando Joseph James Forrester chegou a Portugal, em 1831, tudo levava a prever que a sua permanência no país seria efémera. De facto, na conjuntura política e económica da época (apogeu do terror Miguelista, guerra civil, crise no sector do vinho do Porto, etc.) o futuro não se apresentava auspicioso para um jovem de 22 anos que vinha trabalhar para uma casa exportadora do Porto - a Offley, Webber & Forrester - que, tal como muitas outras envolvidas no negócio do vinho do Porto, atravessa então tempos difíceis. Porém, para o jovem idealista que ele era, o pulsar político que percorria o país e tinha no Porto, reduto liberal por excelência, o seu epicentro não poderá ter deixado de se afigurar fascinante e de lhe incutir o desejo de participar activamente no "processo revolucionário em curso". Também a crise que afectava o sector a que se vinha associar deverá ter funcionado como um estimulo para alguém que, como ele, ao longo de toda a vida mostrou ter um espírito combativo e não "baixar os braços" perante qualquer desafio.
Tanto ou mais determinante terá sido, no entanto, a atracção que, desde logo, terão exercido sobre o artista, que ele também era, quer a cidade do Porto, quer, sobretudo, o rio que nela desaguava - o Douro - e a região duriense. Daí que de imediato (ainda em 1831) tenha encetado o trabalho pioneiro de cartografar o rio Douro e o país vinhateiro do Alto Douro, cuja execução o ocuparia por vários anos e iria intercalando com desenhos, pinturas e fotografias de cenas e paisagens portuenses - a Rua Nova dos Ingleses, a feira da Cordoaria, o Porto visto de vários ângulos, o Freixo, a Igreja de S. Nicolau, os conventos da Serra e de Santo António, o Castelo da Figueira, etc. - e de personalidades da vida política e social nacional e local (marquês de Saldanha, José da Silva Passos, Félix Manuel Borges Pinto, Emanuel de Clamouse Browne, etc.). Seria, aliás, por esta sua vertente artística que seria agraciado, em 1855, com o título de barão de Forrester em reconhecimento pela "transcendente utilidade para este pais" da sua obra cartográfica - Carta Geológica das margens do rio Douro, Carta topographica do curso do rio Douro e Mappa do Paiz Vinhateiro do Alto Douro -, «um trabalho primoroso e perfeitamente acabado, rico pela abundância de informação original, (e) pela exactidão e beleza de execução».
"
(
Martins, Conceição Andrade - Forrester, o "país vinhateiro" e o retorno ao velho método de fazer vinho do Porto, ICSUL, 2008)
"Tendo chegado ao conhecimento da Camara Municipal desta Invicta Cidade do Porto, que V. S.ª emprehendêra varias obras relativas ao Rio Douro, e melhoramento de sua navegação, as quaes se achão em grande adiantamento, principalmente um mappa do paiz vinhateiro, - tendo para tão nobres fins feito grandes sacrificios, tanto de seu tempo, como de cabedaes, não e tendo poupado a cousa alguma para que tal mappa seja o mais perfeito possivel, e contenha uma minuciosa descripção de tudo quanto ha naquelle paiz de notavel, além de muitas e diversas exposições instructivas e scientificas em que V. S.ª patentea o seu abalizado talento, transcendente engenho, e o appreço que faz da nossa patria: - Resolveu, em Sessão de 7 do corrente, a mesma Camara, a que tenho a honra de presidir, [...] roga[r] instantemente a V. S.ª que não desista de levar ao cabo tão gloriosa empreza, fazendo publicos seus trabalhos, a que disveladamente se tem dedicado; e se necessario é, a Camara protesta prestar a V. S.ª toda a coadjuvação que estiver ao seu alcance, para se conseguir o desejado fim."
(Excerto de Ao cidadão britannico... por Antonio Vieira de Magalhães, Presidente da CMP)
Matérias:
Ao cidadão britannico, O Snr. Joze James Forrester. | Extracto da acta [da CMP]. | Primeira resposta dada á illustrissima Camara Municipal pelo Snr. Forrester. | Segunda resposta dada á illustrissima Camara. | Ao Sr. Joze James Forrester - Antonio Vieira de Magalhães. | A municipalidade do Porto sobre o Mappa do Rio Douro. | Representação á Camara do Snrs. Deputados da Nação Portugueza, pedindo garantia de propriedade das Plantas do Paiz Vinhateiro, a favor do Cidadão Britanico José James Forrester. | Acta da Vereação extraordinaria da Exm.ª Camara Municipal, para apresentação dos trabalhos topographicos, do cidadão Britannico José James Forrester, sobre o Rio Douro.
Joseph James Forrester (Kingston upon Hull, Inglaterra, 1809 - Cachão da Valeira, São João da Pesqueira, 1861). Foi um empresário inglês radicado em Portugal. James Forrester foi o primeiro barão de Forrester, título que lhe foi concedido por D. Fernando II, em 1855, na condição de regente durante a menoridade de D. Pedro V.
Em 1831 Joseph juntou-se à empresa vinícola de um tio seu no Porto, e iniciou uma reforma no comércio de vinhos. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Também estudou o oídio da vinha causado pelo Oidium tuckeri, desenhou notáveis mapas do vale do Douro (Mapa do Rio Douro). Por este trabalho, foi-lhe concedido o título de Barão, por D. Fernando II, em 1855, regente durante a menoridade de D. Pedro V.
Pintou várias aguarelas, e foi autor de O Douro Português e País Adjacente (1848) e de Prize Essay on Portugal and its Capabilities (1859), pela qual recebeu uma medalha de ouro.
Em 1861, o barco de Forrester virou-se no Cachão da Valeira, sendo arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo, nunca tendo sido encontrado o seu corpo."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 fevereiro, 2022

FILGUEIRAS, Prof. Arq.ᵗᵒ Octávio Lixa - «ENTRE NORMANDOS E ÁRABES NAS MARGENS DO DOURO».
Por... Bolseiro do Instituto de Alta Cultura. Publicações do Centro de Estudos Humanísticos (Anexo à Universidade do Porto)
. Porto, Centro de Estudos Humanísticos, 1964. In-4.º (24 cm) de 49, [3] p. ; il. ; B.
Interessante estudo histórico e etnográfico sobre as embarcações que navegaram no rio Douro e que, de certo modo, estarão na origem do barco rabelo.
Separata do «Stvdivm Generale» do Centro de Estudos Humanístico : Vol. X - N.º 1 - 1963.
Livro profusamente ilustrado ao longo do texto e em página inteira com fotogravuras, mapas e desenhos esquemáticos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Comodoro Alfredo Mota.
"Os barcos de rios de margens arenosas têm vantagem em apresentar determinada conformação, nomeadamente a proa mais ou menos avançada em ponte para poderem abicar a terra e ser mais fácil a saída ou a entrada de pessoas, - passageiros em trânsito ou tripulantes encarregados de certas manobras -; e um calado pequeno, de preferência aliado a um fundo chato, que também será exigido ou imposto por outros factores, como sejam no nosso caso uma série de completa de acidentes naturais - secos, pontos, galeiras e cachões. Se, por acréscimo, tivermos de entrar em linha de conta com um remo de governo - que se exige seja forte, porque o Douro, em Portugal, é um rio de montanha - o resultado imediato será um progressivo desenvolvimento e alteamento da popa do barco, além d diferenciação de um estrado para a manobra, o qual chegará a constituir um autêntico castelo de ré se a altura da carga, à frente, assim o exigir."
(Excerto da I Parte)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
25€

24 novembro, 2021

FILGUEIRAS, Octávio Lixa - PROTECÇÃO MÁGICA DOS BARCOS DO DOURO
. [Por]... Bolseiro do «Instituto de Alta Cultura». (Separata das Actas do Colóquio de Estudos Etnográficos «Dr. José Leite de Vasconcelos» - Vol. III). Porto, [s.n. - Imprensa Portuguesa - Porto], 1960. In-4.º (25 cm) de 13, [1] p. ; [7] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso e interessantíssimo ensaio sobre crença e superstição, por certo com tiragem reduzida. Trata da construção e "baptismo" dos barcos que sulcavam o rio Douro, bem como a simbologia e cerimonial associado à protecção das embarcações.
Livro ilustrado ao longo do texto com simbologia diversa, e em separado, com 7 folhas impressas sobe papel couché, reproduzindo 9 fotografias alusivas ao tema.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Ainda hoje em dia se observam no Douro umas tantas práticas, cujo sentido mágico, por vezes diluído, o povo quase acabou por desconhecer. Todas procedem da mesma fonte comum; e se não é difícil seguir-lhes o rasto através de outras zonas - o que em nada lhes diminui o interesse -, porventura muitos dos seus dados essenciais restam por definir e as possibilidades de o fazer são cada vez menores.
Passando em claro manifestações de carácter não geral, podem considerar-se como os dois momentos máximos a protecção mágica dos barcos do Douro, os que se observam durante a construção, com a colocação dos ramos. Correspondem a distintos estádios de fabrico e revestem-se de aspectos e significados muito diferentes:
- a primeira cerimónia, se tal palavra é admissível num caso destes, verifica-se logo num das fases construtivas iniciais, quando, depois de pronto o fundo chato e nele fixada a «ouca da vante» que uma «tasana» travou, é pregada uma cruz de trovisco no extremo livre e pela face anterior da «ouca»; tem por fim combater os «maus olhos, não vá o risco ficar torto»;
- com a segunda, coroa-se o lançamento à água, ficando o barco guarnecido com um festão de papel e um ramo de oliveira, respectivamente à proa e à ré; assim se pretende festejar a realização da obra e assegurar-lhe boa sorte."
(Excerto do texto)
Tópicos: As duas espécies de ramos votivos usados durante a construção dos barcos do Douro. | Fases construtivas em que se verifica a sua colocação. | Características das cruzes de trovisco; análise dos valores mágicos nelas contidos; outras cruzes apostas nos barcos e respectivas funções. | Ferraduras  chifres de carneiro. | Os ramos do após alançamento à água; análise do elementos que os formam; valores respectivos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

01 fevereiro, 2020

AMORIM, Guedes de - A MULHER DO PRÓXIMO : novela. Lisboa, João Romano Torres, [1933]. In-8.º (19 cm) de 287, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Roberto Araújo.
Curioso romance de Guedes de Amorim, o terceiro da sua produção literária. A acção desenrola-se junto ao Douro, entre o Porto e a Régua.
"- Até amanhã, meu caro Bernardo.
Rodolfo de Alderete Tavira e Nápoles, conde de Jogueiros, depois das palavras de adeus, ficou com a mão estendida, dedos muito unidos, semelhando uma raspadeira de marfim, diante do amigo.
Bernardo Sernancelhe levantou-se do fauteuil onde estivera passando revista o exército de notícias do Times, e, depois de atirar um rápido olhar ao relógio, interrogou:
- Vais já para casa?
- Vou.
- Tão cedo? Ainda não chegámos á hora trágica: a meia noite...
- O club está hoje pior do que uma divorciada feia e honesta...
Bernardo Sernancelhe mostrou sobre o bigode, cortado já por alguns fios brancos, um sorriso irónico:
- Espera-te uma mulher...
- Não. Não me espera ninguem. Isto aqui, está monotono demais. Safo-me, antes de ficar mais sério e severo do que os moveis que nos rodeiam
- Bem. Acompanho-te.
O conde de Jogueiros achava melhor iludir o amigo com a verdade da monotonia que os cercava. Como os comerciantes, tambem êle considerava o segrêdo a alma dos negócios de amôr... [...]
O Club Portuense, o palacio da alta roda, a casa de família do mundo elegante nortenho, arrastava nas suas salas desertas a saüdade algida das noite de concerto e baile.
Á saída, o titular confessou:
- Já não se pode passar um inverno no Porto.
- Exageras, Rodolfo. Estamos ainda em Outubro.
- Oh! mas não há com quem se possa conversar.
- Sempre se estará aqui melhor que no teu solar do Douro.
- Hum! Duvido..."
(Excerto do Cap. I)
António Guedes de Amorim (1901-1979). “Escritor e jornalista português nascido em 1901, no Peso da Régua, e falecido em 1979. Como jornalista, consagrou-se no Porto, tendo iniciado a sua atividade em jornais académicos. Juntamente com a reportagem,cultivou a ficção e o género histórico. Publicou contos, novelas, biografias e romances, de que se destacam Aldeia das Águas (1939, vencedor do Prémio Ricardo Malheiros), Jesus Passou por Aqui (1963, vencedor do Prémio Cervantes) e Francisco de Assis Renovador da Humanidade (1960)."
(Fonte: infopédia)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Ligeiramente aparado à cabeça. Capas frágeis com defeitos marginais. Folha que precede o anterrosto apresenta falha de papel no quarto superior.
Raro.
15€

11 agosto, 2018

MATTOS, Armando de - O BARCO RABELO. Por... [Prefácio de Augusto César Pires de Lima]. Porto, Edição da Junta de Província do Douro Litoral, 1940. In-8.º (25cm) de 98, [8] p. ; [11] f. il. ; [1] mapa ; il. ; E. Comissão Provincial de Etnografia e História do Douro Litoral (Série A), I
1.ª edição.
Notável ensaio etnográfico sobre o barco rabelo, embarcação com grande tradição no transporte do Vinho do Porto, que desde tempos imemoriais sulca o Douro. Trata-se talvez, do mais importante trabalho que sobre este tema se publicou entre nós.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado ao longo do texto com belíssimos desenhos de barcos sob diversos ângulos, 11 estampas em separado reproduzidas sobre papel couché e um mapa desdobrável do rio Douro intercalado no texto.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a João de Paiva.
"Neste trabalho de feição etnográfica [...] procurei esquiçar, tam nitidamente quanto me foi possível, o perfil da mais típica e sugestiva embarcação dos rios nacionais: o rabelo, barco do Douro.
Na série de barcos que andam em uso nos rios portugueses, onde se encontram exemplares dignos de verdadeiro aprêço, êste de que me vou ocupar, é, sem dúvida, o que mais se distingue pelo seu todo estranho, bem longe do século febril em que vivemos.
Destaca-se aos olhos do viajante que venha até ao Douro. Encanta o sequioso de aspectos e emoções novas; deslumbra os païsagistas; seduz a curiosa observação do etnógrafo, que nêle repare alguma vez, com a atenção merecida.
Com o valor tradicional que lhe dá a sua existência de centenas de anos, num vaivém de subir e descer o mesmo rio; de fazer sempre as mesmas manobras; de passar da mesma forma os pontos difíceis de transpor; de animar com os mesmos movimentos a païsagem agreste do Douro; o barco rabelo integrou-se, absolutamente, na fisionomia das terras durienses.
Embora de origem distante, o Douro perfilhou-o, numa egoísta conveniência e, por isso, lhe mantém a rude contextura. A faina diária de alguma maneira lhe dominou as águas selvagens. E as margens milagrosas do vinho-fino, que êle visita diáriamente, encontram no rabelo a maneira cómoda e bizarra de mandar até ao empório exportador a sua produção divina.
A serenidade e o alheamento do seu porte ao cortar as águas sombrias do rio, num aspecto tam primitivo, na simplicidade da sua apresentação, obriga o nosso espírito, ávido de notícias, a desejar saber de onde veio o barco rabelo; a conhecê-lo nos pormenores da sua construção; nas minúcias da sua nomenclatura; leva-nos a inquirir dos seus tripulantes; a apurar dos seus usos, crenças e tradições."
(Excerto do preâmbulo, Duas palavras)
Tábua dos assuntos:
- Prefácio. - Homenagem. - Duas palavras. - I - O Douro; II - O barco rabelo; III - A navegação; IV - Os marinheiros. - Bibliografia. - Nota final.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com falhas de pele na lombada.
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

31 janeiro, 2013

MEMÓRIA DUM RIO : antologia de poesia sobre o Rio Douro. Porto, AEG - Associação de Escritores de Gaia, 1986. In-8º (21cm) de 117, [3] p. ; B. Colecção Olhos d'Água
Capa: José Manuel Pereira.

"Desde os plainos de Castela
Numa fuga sorrateira
Vem o Douro com cautela
Entrar «de salto» a fronteira
E o «Duero» castelhano
Corre agora livremente
Já no solo lusitano
A caminho do poente.
Ora manso, ora zangado
Vence fragas e courelas
Pois tem encontro marcado
Com o mar das caravelas.
Rio Douro, Rio Douro
Dos rochosos alcantis
És veia cava, tesouro
Do norte do meu país.
Foste dos caminhos mais belos
Que antigos povos trilharam
Pista de barcos rabelos
Que os meus avós pilotaram."

(excerto do poema Balada do Rio Douro de Alvaro Pinto Gonçalves)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€