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18 fevereiro, 2021

TEIXEIRA, Carlos - MEDICINA E SUPERSTIÇÕES POPULARES DE VIEIRA. Extracto de fasc. IV do vol. VI dos «Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia». Pôrto, Imprensa Portuguesa, 1934. In-4.º (23 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso ensaio etnográfico-antropológico desenvolvido pelo autor numa comunidade minhota: "todos os factos e notas etnográficas aqui arquivadas fôram reünidas ou observadas por mim na freguesia de Roças, do concelho de Vieira do Minho, situado a nordeste da cidade de Braga.".
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa de Carlos Teixeira ao conhecido antropólogo Prof. Mendes Correia.
"O minhoto é, em geral, saüdável mas, mesmo doente, emquanto se pode arrastar trabalha e labuta, sacrificando por vezes a sua vida ao amanho difícil dos seus campos ou às necessidades do seu gado, as vaquinhas mansas, companheiras queridas de trabalho e canseiras. [...]
O trabalho deu-lhe a alegria que o caracteriza; a alegria deu-lhe a saúde e a força, e estas a persistência, a vontade férrea que vence todos os obstáculos, salta tôdas as dificuldades.
Emquanto pode, resiste; o médico só em último caso é chamado à pressa.
A farmacopeia caseira é abundantíssima, desde prátivas ingénuas em que a religião se junta à mais baixa superstição e em que a doença é tida como uma personalidade que se afasta com rezas e benzeduras, aos chás e dufamadoiros e aos mais disparatados e irrisórios tratamentos. O remédio é Deus, diz o povo em sua linguagem. Curandeiros de profissão não há.
Embora muitos dos remédios usados sejam verdadeiramente disparatados, no entanto um grande número tem a sua explicação cinetífica e, é preciso notá-lo, dão às vezes óptimos resultados, efeito talvez da sugestão, pela fé inabalável com que são tomados ou praticados.
Não raro se recorre a bruxas e feiticeiras e, se o o indivíduo mostra sinais de ter diabo, leva-se, num dia certo, a São Bartolomeu de Cavez, ou põe-se-lhe a Senhora das Neves, da Lagoa, na cabeça.
E a terapêutica popular não esqueceu sequer o remédio contra os freqüentes achaques de dor de cotovelo:
O alecrim do Castelo
Tem a fôlha recortada;
Para as dõres de cotovelo
Não há coisa mais provada.
E não esqueceu também os afamados chás de arestas de cabeças de prégos, muito bons... «para não tossir depois de morto».
A superstição desempenha também um papel importante na vida minhota, e como por vezes é difícil delimitar o campo puramente supersticioso do campo puramente medicinal aqui juntamos os dois."
(Excerto do texto)
Matérias:
Aparições diabólicas. | Bruxas e feiticeiras. | Feitiços e bruxedos. | Oração dos ovos. | Á volta do pão. | Para talhar o bicho. | Arremesso dos dentes. | Ninhos. | Á cata dos grilos. | Modo de talhar o «doce». | Modo de talhar o ar e a inveja. | Mau olhado. | A «fraga das penas más». | Oração à lua. | Ínguas. | Entorses. | Erisipela. | Raiva: Contra a raiva, nada mais conheço que esta oração a S. Romão, advogado de cães danados... | Bichas. | Previsão do sexo. | Gravidez e parto. | Maleitas. | Cravos. | Asma. | Ventre caído. | Impigens. | Folgo-lobo. | Dores de dentes. | Tumores, abcessos e espinhas. | Queimaduras. | Engasgados. | Reumatismo. | Ferimentos. | Bicha solitária. | Sarna. | Cólica e dores de barriga. | Garrotilho. | Pisaduras. | Diarreia. | Picadela de víbora. | Ougados. | Enxègados. | Saída do umbigo. | Queda do cabelo. | Sarampo. | Febre. | Feridas. | Dores de ouvidos. | Inflamação dos olhos. | Dores dos rins. | Constipações. | Flato. | Prisão de ventre. | Dores de estômago. | Para que o leite seque. | Anemia. | Tuberculose. | Rendidos. | Espinhela caída. | Icterícia. | Superstições diversas. | Sonhos. | O «sardão» e alguns remédios dos suínos. | Para a tosse das vacas. | Sôlho. | Sangrias. | Gravidez das porcas. | Gôgo e outras doenças das galinhas. | Oração das doze palavras.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada reforçada.
Raro.

35€
Reservado

23 março, 2020

OS MILÉNIOS DO GARRANO - Vários Autores. [Coordenação: Adelino Gouveia, José Vieira Leite, Rui Dantas]. Vieira do Minho, Associação dos Criadores de Equinos de Raça Garrana (ACERG), 2000. In-4.º (23x23 cm) de 107, [1] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história, conhecimento e divulgação da raça Garrana, "uma das quatro raças de equinos autóctones de Portugal, juntamente com a Lusitana, a Sorraia e o Pónei da Terceira. Embora criado em liberdade o Garrano é classificado taxonomicamente como cavalo doméstico."
Testemunhos de, entre outros, D. Duarte Pio, o Duque de Bragança, Paulo Valadas de Castro, Maria Portas, João Filipe Figueiredo (Graciosa), D. Eurico Dias Nogueira, João Paulo Carneiro Ribeiro.
Bonito livro, concebido com esmero e apuro gráfico, impresso em papel de superior qualidade e ilustrado ao longo do texto com belíssimas fotografias a cores.
Junta-se um folheto da Associação dos Criadores de Equinos de Raça Garrana, com o título "Garrano", referente ao projecto "O Garrano - uma raça em extinção", contendo o Padrão da Raça Garrana (com foto de um exemplar da raça), o Calendário Anual de feiras, exposições e concurso de modelos e andamentos e a Área Geográfica de implantação da raça (mapa).
"A Identidade de Portugal está intimamente ligada ao mundo rural.
Nos alvores da sua origem, a nacionalidade viu as suas raízes reforçadas com o repovoamento dos campos incultos à espera de quem deles tirasse o sustento. E mesmo a gloriosa gesta dos Descobrimentos não pode ser entendida sem o substracto rural que alimentou a nossa vocação marítima.
Desde então, os valores rurais tornaram-se parte integrante do nosso património biológico, económico, sociológico e cultural. [...]
De presença milenar em Portugal, há séculos que o cavalo Garrano constitui um elemento integrante da paisagem humanizada do Minho.
Os vestígios arqueológicos, as referências escritas que remontam aos Romanos, as lendas que empolgam a História - D. Afonso Henriques teria tido um Garrano como montada - testemunham a forte inserção deste cavalo no Norte do nosso território, especialmente a partir do repovoamento da região no reinado de D. Dinis.
O pequeno cavalo Garrano revela-se como o mais adequado à lavoura do sistema agrícola de minifúndio, e ao transporte de pessoas e mercadorias com maior economia e segurança pelas íngremes e sinuosas vias de montanha. De tal modo que, apesar de algumas leis terem pretendido obrigar à criação de cavalos de maior porte, nas Corte de Évora em 1490 os lavradores minhotos obtiveram de D. João II permissão para criarem éguas Garranas."
(Excerto de O Garrano do Minho e a Tradição, D. Duarte Pio)
Encadernação do editor com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Esgotado.
40€