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19 junho, 2026

CASTELLO BRANCO, Camillo -
UM LIVRO
. Porto, Typographia de J. A. de Freitas Junior, 1854. In-8.º (21x13,5 cm) de 204, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Um Livro é uma obra interessante e muito curiosa, espécie de romance em verso, e uma das publicações mais raras e menos conhecida de Camilo Castelo Branco, publicada originalmente em 1854 sem o nome do autor. Oferecida a José Barbosa e Silva, "como pequeno obulo de reconhecida amisade", foi dada à estampa numa fase muito inicial da sua carreira literária (com cerca de 28 anos), antes de este atingir o auge da sua fama com as novelas da década seguinte.
Enredo determinado por um crime passional, verídico, explicado por Camilo em "Notas", reflete a juventude do autor e o seu estilo irónico, abordando temas como a vaidade e a dor humana, o ciúme, a paixão e a morte.
Inclui no final (pp. 162-204) uma pequena novela: Vinte dias de agonia, de que falaremos a seguir.

"Traja de lucto o viuvo,
Vestem-se as armas de negro;
Vem a nobresa em redor
Consolar o primo illustre,
Que verga ao peso da dôr.
O sino dobra a finados,
Dizem-se missas geraes.
Soam, no templo, responsos
Em pomposos funeraes.
E, entre os muitos, que elevam
As suas preces ao ceu
O consternado consorte,
Que, dizem, fôra um atheu,
Em maus tempos, que lá vão,
Ergue as mãos, vai n'um transporte
De fervente dovoção,
Seguindo o rolo do incenso,
Que perfuma os pés do immenso,
A quem pede a eternidade
Para a esposa estremecida!...
...................................................
Pungente affronta, cuspida
Na virtude, e na piedade!..."

(Excerto de VII)

"Este caracter, ligeiramente esboçado, não é fantastico, nos traços essenciaes. O homem, que ahi se pinta, foi, viveu, e conheci-o tal, na primeira luz do quadro, em que os acessorios, o ornato, é o que menos val. Chamava-se José Pacheco de Andrade. Oriundo de uma das mais distinctas familias de Cabeceiras de Basto, seu pai era o capitão-mor, Serafim Pacheco dos Anjos. [...]
José Pacheco de Andrade, quando eu o conheci, trazia sobre os hombros uma manta, apontoada de farrapos, uma tigella vermelha debaixo do braço, e dormia no palheiro d'um lavrador, onde creio que morreu. Representava 44 annos, quanto muito. A fome não podéra ainda descompôr-lhe o rosto fino, e feminil. A expressão torva, panica, e repulsiva tinha-a nos olhos ardentissimos, e incovados. No trato era rude affavel. Tinha asperas vaidades de fidalgo, que se esquece de que é mendigo, e mansas humilhações de mendigo, que se esquece de que é fidalgo."
(Excerto de Notas)

Relativamente à novela Vinte dias de agonia com que termina o volume, diz-nos Camilo:
"Escrevi, ha tempo, sob a mesma impressão, uma prosa, que me parece mais poesia que o verso, e que muito serve de commentario ao poema. Elle, o poeta, que o foi na vida, na resignação, e na morte, que abraçou, sorrindo-lhe, como desgraçado e como christão, não direi quem foi Cubra-se-lhe a face com uma dobra da mortalha de Alda. São dous nomes, que não profanarei... duas imagens magnificas na dôr e na poesia, excepções a tudo isto que por ahi vai...
É esta a prosa: diz mais que o canto, penso eu:
Vinte dias de agonia
Quiz abrir um abismo na minha alma. Quiz envolver-me nas trevas de uma angustia mortal. Quiz imaginar as agonias d'um homem, que, aos vinte e seis annos, cae na sepultura, depois de erguer-se ao ponto culminante da vida, e da esperança. Vi-o morrer. Morreu como se a morte, seu unico anjo d'amor, lhe désse um beijo de paz eterna na hora final. Mas aquelles vinte dias derradeiros foram a purificação daquelle holocausto sublime, consummado pelas bagas d'um suor frio, pelo cahir d'uma lagrima glacial, pelo estorcimento convulso dos labios, semelhante a um sorriso."
(Excerto de Vinte dias de agonia)
Camilo Castelo Branco (Lisboa, 1825 - São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, 1890). "Foi um dos maiores e mais prolíficos escritores portugueses do século XIX. É amplamente considerado o principal expoente do Romantismo em Portugal. Ele destacou-se também por ser o primeiro escritor profissional do país a conseguir viver exclusivamente dos rendimentos da sua vasta produção literária. Em reconhecimento ao seu impacto cultural, o rei D. Luís I concedeu-lhe o título de Visconde de Correia Botelho em 1885." (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Desencadernado, sem capas. F. rosto apresenta manchas, pequeno rasgão e três orifícios à cabeça.
Raro.
75€

15 março, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do -
A VIAGEM AVENTUROSA DE SUVENINE BOLIFACE A ZELSTRUFS.
[Pelo]... Socio Efectivo da Associação dos Arqueologos Portuguezes, Socio Correspondente do Instituto Portuguez de Historia, Arqueologia e Etnologia, etc. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], Janeiro - 1934. In-8.º (18x11,5 cm) de 133, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, enquadrável no domínio da narrativa fantástica e de ficção científica. A viagem de Suvenine Boniface na sua nave - o Passaro Novo - pelo espaço sideral, mais não é que um ensaio satírico de crítica de costumes políticos e sociais do país, e da Madeira em particular, substituindo o nome de Portugal, Lisboa e Funchal por nomes de ficcionados de um planeta distante, com hábitos idênticos aos nossos.
Trata-se antes de tudo, de um exercício irónico sobre o carácter das elites lisboetas e do povo madeirense, do mais "ilustrado" ao mais "simplório", contando histórias e episódios, verídicos, por certo, sob a capa de nomes de família e empresas "alternativos", que farão as delícias de quem estiver na disposição de tentar desvendar os destinatários das farpas, numa e noutra região. 
No início da história, ainda nos EUA, ponto de partida da viagem, o autor alude com fina ironia ao modo de vida americano. No final refere-se a Salazar como o grande «Apostolo» de Benciana, "sacerdote muito subtil, muito serafico que sabia mais de diplomacia que os mais afamados diplomatas... [que] com untuosidade tinha sabido dominar na vida publica dos velhos tempos idos e com o novo estado de cousas lá ia fazendo chegar a braza á sua sardinha...".
Romance "fora da caixa" estas 'memórias' de Suvenine Boliface, raro e muito interessante, certamente com tiragem reduzida.
"Estava a dar a hora da partida quando o Jornalista entrou precipitadamente naquele compartimento de 1.ª classe...
A noticia de que Suvenine Boliface chegára a Lisboa e seguia, em rigoroso incognito, no rápido do Norte caíra inesperadamente na redacção.
Tornava-se indispensavel descobrir aquele sabio audacioso que, em parte, realisára um sonho de Julio Verne atravessando o espaço e chegando a um planeta desconhecido...
O feito apaixonára os estudiosos, os homens de ciências e até os prosaicos burguezes! Na verdade é merecedor de assombro e da curiosidade o homem que abandona a Terra, atravessa o espaço como um meteóro, chega a um outro planeta e, depois de tudo isto, ainda encontra coragem e energia para regressar heroicamente ao nosso triste «vale de lágrimas».
Quando Suvenine Boliface, depois da sua viagem maravilhosa, aterrou proximo de New-York sentiu-se tão infeliz com a imprevista celebridade que deliberou esquivar-se ás mais simples revelações. Os Reporters, com a audaciosa impertinencia profissional, afligiam-no de tal forma que resolveu fugir... Andou pelos vastos Estados Americanos mas, quando menos esperava, surgiu-lhe um Reporter implacavel, com o «Kodak», o lapis e o bloco, na ancia de colher elementos com que saciar a bisbilhotice internacional da Imprensa. [...]
O planeta a que me tinha levado o audacioso empreendimento era designado, pelos homens que o habitavam, por Zelstrufs.
Não tardou a que me certificasse de que ali, tal como na Terra, os homens eram identicos e nutriam os mesmos instintos, a mesma alma, as mesmas ambições... Aconteceria assim em todos os outros planetas que povoam o espaço?
Havia em Zelstrufs varios paizes e homens de raças diversas.
O Passaro Novo levou-me por felicidade para um dos paizes que mais contingentes déra ao progresso e á civilisação.
Uma especie de monarca governava o estado mas a sua acção nunca podia actuar beneficamente porque os organismos publicos e ainda mais os politicos dominados pela cegueira das democracias prejudicavam todos os planos e a boa vontade do Principe que só queria bem servir a Patria e assegurar ao seu Povo paz e prosperidade."
(Excerto do Romance) 
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar em brochura, revestido de cartolina negra (substituindo as capas originais), em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

20 fevereiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
O POETA CHIADO. (Novas investigações sobre a sua vida e escriptos). Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, 1901. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 59, [5] p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Apontamento biográfico romanceado de António Ribeiro, figura popular mais conhecida pelo epíteto Chiado - o Poeta Chiado.
Ilustrado com bonitas vinhetas tipográficas a assinalar o início de cada capítulo.
"A popularidade de Antonio Ribeiro o Chiado proveiu não tanto da sua veia poetica, aliás muito apreciada pelos entendidos, como das sua repetidas tunantadas, de que o povo tinha directo conhecimento, porque as presenceava em plena rua.
Era entre o povo, entre as classes humildes de que elle provinha, por que lá diz Affonso Alvares no proposito de deprimil-o
Nasceste de regateira
e teu pai lançava solas;
era entre a arraya miuda que o Chiado localizava o theatro das sua façanhas picarescas, dos seus feitos esturdios, das sua «partidas» e «piadas», como hoje dizemos."
(Excerto do Cap. IV)
António Ribeiro 'Chiado' (1520?-1591). "Poeta jocoso que viveu no século XVI. Era conhecido pelo Chiado, por ter morado muitos anos em Lisboa, na rua assim chamada já naquele século, nome que se conservou até meados do século 19, em que foi mudado para o de rua Garrett. Nasceu num humilde arrabalde de Évora, e faleceu no ano de 1591. Quis professar na Ordem de S. Francisco, mas não se lhe dando por válida a profissão, passou o resto da vida como celibatário, vestido sempre com hábito clerical. Apesar de não ser muito douto, tinha verdadeiro talento e bastante conhecimento das boas letras. Improvisava versos com a maior facilidade, mais pelo impulso da natureza, que de arte, sendo os seus versos muito jocosos e joviais, provocando festivos aplausos a quem os escutava. Também imitava com muita propriedade e galanteria as vozes e os gestos de diversas pessoas conhecidas. Todos estes predicados lhe alcançaram a estima geral e a maior popularidade."
(Fonte: www.arqnet.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos marginais.
Muito invulgar.
25€

20 janeiro, 2026

BRITO, Rozalino Candido de Sampaio e - O MUNDO NÃO SE ENDIREITA MAS EU NÃO LARGAREI NUNCA O MUNDO. Segunda edicção precedida d'uns bons bocadinhos, e seguida d'outros ainda melhores. (Mimozissimo presente, que o comprador pode fazer a qualquer... asno, por exemplo). Porto, Typ. de Antonio José da Silva, 1873. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], XXIV, 24 p. ; B.
Curiosíssimo opúsculo. Apesar de se tratar da segunda edição, esta poderia ser considerada uma 1.ª edição, tão grandes são as diferenças entre as duas  porque muito aumentada a presente, redigida com uma linguagem "terrível", conforme declara Rosalino: "talvez a mais terrivel que eu tenho escripto em toda a minha vida; mas é justa - é justissima". Assim, a primeira parte do livro (XXIV pp) é exclusivamente dedicada pelo autor à justificação da segunda edição, sendo a segunda parte preenchida com O mundo não se endireita.
Índice:
[Primeira parte]: Por conveniencia de futuro; Franqueza d'alma; Declarações muito necessarias; Uma attenção minha para com os criticos competentes; Prologo (tornado n'uma boa lição). [Segunda parte]: O mundo não se endireita mas eu não largarei o mundo. Vermes detestaveis ou viventes perigosos.
Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (? - 1904). "Poeta e polemista, falecido a 7 de Maio de 1904 na cidade de Lisboa, onde passou os últimos anos da sua vida, anteriormente havia residido no Porto até cerca de 1868 e, em seguida, em Coimbra, cidade na qual terá permanecido nas duas décadas seguintes e à qual ficou intimamente associado em virtude da enorme popularidade que aí adquiriu pela sua actividade nas letras ou pelas suas “extravagâncias literárias”, como melhor esclarece Cardoso Marta numa das suas anotações à obra Cartas de Camilo Castelo Branco (1918).
Embora não estando matriculado em qualquer instituição de ensino em Coimbra, onde terá apenas frequentado uma aula regida por Manso Preto a quem, num episódio que ficou célebre em toda a academia, chegou a pedir dispensa em verso por não ter estudado a lição, aí conviveu com inúmeros académicos e ficou na memória de várias gerações, incluindo alguns autores como Trindade Coelho, Brito Camacho, Sá de Albergaria, Mário Monteiro e António Cabral, que o mencionam nas suas obras, qualificando-o como um filósofo, humanitarista, precursor do nefelibatismo ou como um louco.
Publicando grande parte da sua obra na cidade de Coimbra, incluindo o jornal filosófico Luz da Razão, do qual foi o único redactor e que se imprimiu no Porto entre 1867 e 1868 e, em seguida, em Coimbra, onde obteve grande popularidade, a sua vasta produção literária, exceptuando o romance A observação e o homem orgulhoso (1876), é composta sobretudo por inúmeros opúsculos que ele próprio vendia, marcados por um tom inflamado e uma predilecção pelo grotesco.
Cultivando essencialmente a escrita poética e a prosa ensaística, fórmulas que por vezes integrou na mesma obra, da sua produção enquanto poeta conhecem-se, entre outras, as publicações O jovem ancião (1875), Camões: homenagem aos antigos heróis portugueses e sobre todos ao seu divino cantor Luís de Camões (1880), O legendário misterioso (1881), Uns pontos nos is à minha moda constituídos sempre (18--), Uns santos do céu: em verso (e prosa) amaldiçoados por um diabo da terra (1883), Espontaneamente vestir a pele do lobo e arranjar lenha para as suas costas ou quid pro quo em sonetos (1887), Cupido e Baco na rua do Ouro em dia de S. Martinho (1887) e Um sonetão, sim, capitão (1890).
Além destas obras, foi ainda autor dos opúsculos de carácter polémico ou filosófico O que é uma tourada perante a civilização (1870), O número terrível da luz da razão (1874), A pobreza e a mendicidade humana: remédio para aquela e a extinção absoluta de esta (1877), Processo académico oferecido aos estudantes: consagrado ao riso e dedicado ao Conselho de Decanos de todas as faculdades no outro mundo (1878), Discurso: para ser recitado no sarau literário à memória de Camões pelos estudantes de 1881 (1881), A carta (as touradas) do Ex.mo Sr. Dr. Luís de Magalhães e a resposta de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (1888), Algumas sandices de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito consagradas ao Sr. Emídio Navarro: não como ministro das obras públicas, mas sim como redactor-proprietário do jornal As Novidades (1888) e Um petisco! Um petisquinho! A novidade agora! Ou melhor Emídio Navarro com Rosalino Cândido de Sampaio e Brito não é tarea é um petisquinho, só um petisquinho! (1889)."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=34&Itemid=122)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.

Raro.
Sem registo na BNP.
25€

22 dezembro, 2025

A CEIA DOS CARDEAIS - Acto único
. [S.l.], [s.n.], [19--]. In-4.º (28,5x22,5 cm) de 15 f. ; B.
1.ª edição.
Paródia "erótica" à Ceia dos Cardeais de Júlio Dantas. O diálogo dos religiosos e as descrições dos seus "feitos" carnais, inclui linguagem licenciosa. Trata-se do exemplar original desta peça, batido à máquina a duas cores. Título manuscrito na capa, sublinhado a traço ondulado. Desconhece-se o autor e data (primeira metade do século XX?), e se foi reproduzido em livro ou de outra forma.

"A acção passa-se em Roma

Personagens:

Cardeal Pipia......... Sugeito com voz de mulher
Cardeal Rufo..........Tipo com fumaças de valente
Cardeal Vigni......... Sugeito com modos aristocráticos

A cena representa uma sala bem mobilada com estilo e elegância. A um canto, uma estante de música e instrumentos. Ao abrir o pano, os Cardeais sentados à mesa, ceiam. Os fâmulos servem-nos de joelhos.

Rufo

Vem amanhã o embaixador francês?!...
É preciso acabar com isto de uma vez.
(Outro tom). A França é um país que em tudo se intromete.
E um sujeito qualquer lá da terra do [...],
Vem abusar de nós com lérias e com tretas.
Ora que se deixe disso e vá fazer [...]!

Vigni

E Roma o que é então?... É uma santa gente,
E onde uns figurões se [...] mùtuamente!
Têm os vícios fatais de Sadoma e Gamorra
E quer dar leis ao mundo! Olha que porra! 
Sabe dos Cardeais que postos em fileira,
Gosavam todos três levando na [...]?
Oh!... Houve um escândalo tal no Vaticano
Que ao ouvido chegou, do Papa soberano!
E o Papa respondeu: Êle é de censurar.
Mas o que está no meio... Ai!... Muito há-de gosar!
(Outro tom). Veja lá se em França existe êste deboche?
(Orgulhoso). A França é grande em tudo!...

Rufo - (Atalhando)

Até em fazer [...].

Pipia - (Conciliando)

Não se zanguem, Iminências, então?! A zanga tem os seus perigos
E eu não quero ver ralhos entre amigos.

Vigni - (A um fâmulo)

Porto Velho

Rufo

Madeira.
Em tudo a primeira.

Vigni

É Roma. Não negue a própria luz do dia.

Rufo

É filho de francês, por isso se agonia.

Pipia (Intervindo conciliador)

Então, deixem-se disso e vamos cear.
Não viemos aqui para para estarmos a altercar.
Na pândega, passar alegre, a vida tôda,
É a nossa divisa. O mundo que se [...]."

(Excerto da Peça)

Exemplar em brochura, preso por atilho, em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, apresentam pequenos cortes marginais.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

20 setembro, 2025

GALLIS, Alfredo - A BAIXA.
Lisboa no Seculo XX. (A grande aldeia). Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1910. In-8.º (
19x12 cm) de [6], 394, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance de costumes de cariz erótico. O autor, conhecido pela sua escrita sensual, descreve a baixa de Lisboa em tudo quanto esta pode oferecer de mau e repreensível, atentatória da moral e bons costumes da época, através dos "tipos" que a frequentam e habitam.
Obra invulgar e muito curiosa.
"Ha que explicar ao publico a synthese philosophica e sociologica d'esta obra, antes de entrarmos na sua contextura litteraria propriamente dita.
Ao raiar o dia 11 de Março do anno de 1910, dia em que começámos este trabalho, Lisboa, capital do reino de Portugal, tomada aos m ouros pelo primeiro rei portuguez D. Affonso Henriques, no anno de 1147, contando portanto sete seculos e sessenta e tres annos de existencia, é ainda, se a compararmos com as demais capitaes, do mundo civilisado, uma grande aldeia que d'essa civilisação mundial,  só tem um vago conhecimento pelo que lhe contam os donos das lojas de modas e chapeus para senhora, que annualmente vão a Paris e Londres fazer as suas encommendas e escolher os seus fornecimentos para a proxima estação de inverno.
Seria um erro grosseiro, chamar-se absolutamente civilisada, a uma capital europea, simplesmente porque ella possue tracção electrica, um theatro lyrico, meia duzia de avenidas desgraciosas e mal illuminadas, um tribunal da Boa Hora, que nem para servir de sentina publica está nos casos exigidos pela hygiene e decencia precisas, e alguns hoteis antiquados em locaes improprios a maioria d'elles aproveitando-se da velha disposição architectonica de quando a cidade foi reedificada depois do terramoto de 1755, ha seculo e meio!
Chamar-se franca e positivamente civilisada a esta capital, onde os garotos jogam a pedra pelas ruas, e os mendigos andrajosos e cobertos de vermes dia e noite assaltam os transeuntes, estendendo a mão á caridade publica como se usa nas estradas da Beira; onde no seu centro mais concorrido gira toda a noite uma legião de prostitutas, bandalhas da mais alta esphera, trocando entre si phrases obscenas, que chegam aos ouvidos de toda a gente, e servindo de materia de engorda para os cofres das multas policiaes; onde a gaitada semi-núa e devassa, risca a carvão as paredes dos predios, desenhando imagens eroticas e palavras indecentes... [...]
A vida da cidade é na baixa que circula com mais intensidade, n'esse acanhado peymetro que vae da rua das Pretas ao Terreiro do Paço, da rua dos Fanqueiros á praça de Camões. É n'elle que existem os theatros, os clubs, as lojas de modas, os hoteis, os restaurantes, os cafés, as tabacarias de luxo, as secretarias de estado, os tribunaes, o correio, os telegraphos, os templos elegantes, os ateliers de modista, os consultorios medicos de maior fama, as ourivesarias mais opulentas, as pastellarias da moda, os grandes magasins, Gran della e Armazens do Chiado; os dentistas de fama, os cabelleireiros e perfumistas, tudo emfim quanto chama a concorrencia e intensificação da vida de uma capital, á excepção dos banhos publicos,  que eram as casas de reunião dos romanos distinctos dos tempos de Nero e Tiberios."
(Excerto do Proemio)
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais 'Anthony', 'Rabelais', 'Condessa do Til' e 'Katisako Aragwisa'. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo 'Rabelais'. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal."
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Aparado. Capa frontal apresenta pequenas falhas de papel no pé.
Muito invulgar.
45€

28 agosto, 2025

LEITÃO, Arthur -
UM CASO DE LOUCURA EPILEPTICA.
[Por]... Medico pela Universidade. Lisboa, Proprietario e editor Arthur Leitão, 1907. In-8.º (21,5x15 cm) de 30, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra caluniadora, algo insólita. Trata-se de um ataque pessoal, rasteiro, do autor a João Franco, Presidente do Conselho na época, que reputa de desequilibrado, "culpa" da genética familiar.
Opúsculo raro, a BNP não menciona.
"Houve quem extranhasse que este «Relatorio» fosse pela primeira vez publicado num jornal politico - O Mundo.
Esse facto em nada altera, porém o rigoroso caracter scientifico do documento, e muito menos empalidece o valor das suas conclusões, até hoje incontestadas. [...]
Tinha o direito e o dever de o fazer.
Além de que que não é vedado a qualquer periodico, seja qual fôr o seu caracter ou indole politica tractar assumptos scientificos, e particularmente quando, como no caso presente, se ligam com o interesse publico geral. [...]
A publicação d'este «Relatorio», obedeceu, por conseguinte, sómente a um criterio ponderado de profilaxia social, que não admite hesitações, nem reservas, e está largamente justificada n'estas palavras bem singelas."
(Excerto de Duas palavras prévias)
"O Pae é um degenerado inferior com tendencias criminosas. É avarento. Desce resolutamente á prática do crime para obter dinheiro.
Na sua terra natal, e na sua provincia, é reputado como um bandido, e temido como um salteador.
As suas ladroeiras são conhecidas, e a maior parte dos seus crimes têem sido practicados como o auxilio e protecção do filho, garantindo-lhe pela sua elevada situação politica a impunidade. [...]
A Mãe era uma histerica e desequilibrada, acabando louca, em Lisboa, onde foi cuidada por varios medicos.
Os irmãos da mãe, tios do observado, foram trez, - todos anormaes.
Um d'elles, tipo fanfarrão, foi acusado de pretender envenenar a esposa, afim de se consorciar com outra mulher, com quem publicamente mantinha relações."
(Excerto de Antecedentes hereditarios)
"Antes do seu curso universitario, sabemos apenas que foi sempre um irritado, brusco e medroso, bisonho e beato.
Em Coimbra, onde concluiu o seu curso na faculdade de Direito, só foi conhecido pelas suas rusgas aos gatos, que denotavam manifestas tendencias criminosas, e em refregas nocturnas com os mais infesos habitantes da cidade, sempre cuidadosamente protegido pela valentia dos companheiros."
(Excerto de Antecedentes pessoaes)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

29 junho, 2025

G
ALLIS, Alfredo - A BURLA DO CONSTITUCIONALISMO. Autopsia á politica portugueza no actual momento historico. A pantomima, os pantomineiros e as pantominices do nosso mundo politico. 2.ª edição. Lisboa, Livraria Antonio Maria Pereira : Livraria editora e Officinas Typographica e de Encadernação Movidas a electricidade, 1907. In-8.º (19x12 cm) de 237, [3] p. ; E.
Análise corrosiva do ambiente político da época. O autor, jornalista e escritor de fino recorte humorístico, mais conhecido nas lides literárias pelos romances de matriz erótica que publicou no final do século XIX, princípios do século XX, crítica e põe a nu o jornalismo perverso, o clientelismo e os bastidores da política na capital.
Invulgar e muito interessante.
 "A obra do jornalista é ephemera embora civilisadora, e quem tiver assumptos de certa magnitude a tratar, e queira que elles perdurem na memoria dos povos, deve escolher de preferencia o livro ao jornal.
Eis o motivo porque em livro concretisei aquillo que muito facilmente poderis dizer em artigos jornalisticos... [....]
Desde que o jornal envaredou pelo campo da bisbilhotice do soalheiro, quer esse soalheiro seja um gabinete de ministro quer a humilde casa de um operario, a sua missão educativa e civilisadora ficou muito áquem do pensamento fundamental da creação da imprensa. [...]
Escreve-se sem sciencia nem consciencia, n'uma nojenta disciplina brutal que causa asco.
O jornalista politico em vez de orientar o seu partido e corrigir-lhe as demasias, applaude tudo e todos n'uma alacridade de palerma escravisado que indigna e revolta. [...]
Presentemente mesmo, ha pouquissimos jornalistas.
Em compensação abundam os industriaes da imprensa e os carpinteiros da mesma, que morrem sem ninguem os conhecer nem deixarem cousa que se veja, como succedeu a tantos que conheci nos começos da minha vida de jornalista.
A experiencia, unica e exclusivamente, me percaveu contra o destino fatal de todos os jornaes, aconselhando-me a que preferisse antes o livro que fica e se guarda, ao jornal que se lê e se atira para o lado ás vezes com um modo quasi despresivo.
N'este livro pois, deixo bem inpressas todas as considerações e criticas acerbas e desapiedadas, libertas de pressões partidarias, que me inspira o estado canceroso e putrido da politica portugueza n'este momento historico da nossa vida mundial como nação autonoma.."
(Excerto da introdução, Aos leitores)
Índice
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Aos leitores. Duas palavras ácerca da vida. I - A Carta Constitucional. II - Os influentes politicos. III - Dynastias reinantes em Portugal no actual momento historico. IV - O juizo de instrucção criminal - a lei de 13 de Fevereiro, e o juiz Veiga. V - O jornalismo politico, o jornalismo industrial, o jornalismo amalandrado. VI - Politica de partidos e politica de portuguezes. VII - O que faz a Hespanha. VIII - Camaras municipaes e administradores do concelho. IX - A vida dos governos. X - O espetro do absolutismo. XI - Os processos da politica e a Ex.ma Sr.ª D. Maria Emilia Seabra de Castro. XII - O parasitismo. XIII - Alguns alvitres simples.
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais Anthony, Rabelais, Condessa do Til e Katisako Aragwisa. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo Rabelais. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal."
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. F. ante-rosto apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Muito invulgar.
25€

23 junho, 2025

MORAES, Anacleto da Silva -
MALHOADA : poema heroi-comico em 5 cantos. Por... (Impresso em 1881 e publicado em 1894)
. Barcellos, Typographia da Aurora do Cavado, 1884 [capa, 1894]. In-8.º (17x12,5 cm) de VIII, 58, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra maior do autor. Trata-se de uma paródia a António Malhão, poeta em voga na época em que o poema foi composto, no final do século XVIII, tendo o poema circulado através de cópias manuscritas, como era uso então, até à sua publicação em livro - a presente edição.
"Este poema, que ficou inédito, foi composto em verso solto e 5 cantos por Anacleto da Silva Morais, oficial maior do antigo tribunal da junta do comércio. Em 1894 o dr. Rodrigo Veloso salvou da obscuri- dade a Malhoada, dando-a a público em Barcelos, e bem haja por fazê-lo, pois que ela é um dos nossos melhores poemas heroi-cómicos depois do Hissope. Menos ampla na arquitectura e vitalizada por menor fôlego, merecia contudo as honras da impressão. Como sátira pessoal que é, de carácter principalmente literário, não desluz hoje, antes aviva, a memória do protagonista: António Gomes da Silveira Malhão. Ainda que a existência de Anacleto de Morais haja excedido o primeiro quartel do século XIX, pode fixar-se com segurança a época da elaboração da MaIhoada; foi anterior a 1786, ano em que faleceu António Malhão."
(Fonte: Pimentel, Alberto - Poemas Herói-Cómicos Portugueses, Renascença-Porto, 1922)

"Canto o Malhão, e a vida extravagante
De insipido trovista, que arrojára
Avesso Fado, desde os patrios lares
A ver de Luso a capital da cidade.
Jocosa Musa, que em tão tenros annos
Quizeste bafejar-me a vaste ideia,
Não te envergonhesd de invocar teu nome
Para cantar assumptos tão rasteiros,
Emquanto as debeis penugentas azas
Não me permittem revoas mais alto,
E tu, Lereno amigo, que em meu canto
Sempre ao lado serás sobre as estrellas,
Acolhe a bronca Lyra, que dedico
Á gratidão e á candida amizade.
Se o teu saber profundo e se o teu braço
Para me defender ao lado tenho,
Verás como encarando a vil caterva
De atrevidos pedantes, que me insultam,
Qual carniceiro lobo invisto, aterro
Pavorosa phalange de rafeiros.
Grande Lisboa, abrigo de caturras,
Quam funerea te foi a infausta perda
Do gritador Valverde, que inda choram
Um Luiz Gaspar, um Braga, um Talaveira!
Façanhudo Dom Felix que assombraste
Da rua suja as bellas moradoras,
Inda limpando a esqualida ramela,
Solicito cultor do cemiterio,
Em quanto arranca sobre o teu sepulchro
As crespas couves, os succosos nabos
Repete os versos teus, chora o teu fado!
[...]
Emquanto houver Malhões, que o mundo alegrem.
A Fortuna, que ouvio da triste Lisia
Pela falta de bobos consternada,
Os lastimosos, vividos suspiros,
Em dar-lhe não tardou prompto remedio.
Na testa de um aalgosa penedia
Que humanas forças escalar não pódem..."

(Excerto do Poema)

Anacleto da Silva Moraes foi Official maior da Secretaria do Tribunal do Commercio, extincto em 1833. - Creio que foi Socio da Academia de Bellas Artes de Lisboa, mais conhecida pela denominação Nova Arcadia. Pelo menos é certo que tinha grande intimidade com o presidente d'aquella Academia Domingos Caldas Barbosa: e no Almanach das Musas, parte IV a pag. 78, vem uma Ode sua. - Ignoro a sua naturalidade, mas sei que falleceu em Lisboa, na freguesia da Encarnação, a 17 de Dezembro de 1831, em edade provecta. [...]
Entre o grande numero de poesias que escrevera, e que ou se extraviaram por sua morte, ou existem talvez em poder dos seus parentes, avulta um poema heroi-comico em cinco cantos, hoje quasi desconhecido, e composto, segundo parece nos fins do seculo passado. Serviu d'assumpto a esta composição a pessoa e obras do poeta Malhão, de Obidos, que por esse tempo gosava em Lisboa de alguma celibridade como improvisador facil e conceituoso. Intitula-se A Malhoada, é em verso solto, e offerece por todo o seu conceito notaveis pontas de similhança com o Hyssope. Ha mesmo alguns episodios em que ninguem poderá  desconhecer a imitação caracteristica e bem pronunciada. Todavia, á parte o senão de satyra pessoal, parece-me bem escripto, e prova irrefregavel do talento do auctor. Possuo d'elle uma copia, extrahida ha já bastantes annos de outra, que um amigo me facilitou, e é possivel que em Lisboa existam mais algumas, de que eu não tenha noticia."
(Breve noticia do auctor da «Malhoada», extrahida do «Diccionario Bibliographico Portuguez»)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Lombada apresenta restauro tosco.
Raro.
Peça de colecção.
35€

22 junho, 2025

SEQUEIRA, Francisco -
CAUSTICANDO...
Portalegre, Typographia Fragoso & Leonardo, 1899. In-8.º (17x11,5 cm) de 43, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra satírica em verso, a primeira do autor , onde, de acordo com Rodrigo Veloso, que faz a crítica desta para A Aurora do Cávado, Sequeira "não se consagra n'este [livro], como o proprio titulo já o está denunciando, a cantar a mulher e o amor, mas a desenrolar o latego da critica sobre uns tantos dos males e vicios de que mais vulgarmente enferma a nossa sociedade, e seus obreiros e agentes." (Francisco Sequeira. - Causticando - Rodrigo Veloso in A Aurora do Cavado, Nova Serie - N.º 16, Lisboa, 20 de Setembro de 1899)
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Ex.mo Senhor Dr. José Manuel de Moraes".
Ilustrado no final com pequena gravurinha em página inteira.

"- «Em estando comigo era contar
Que não fallava de outra cousa já
Padres para aqui, padres p'ra acolá
E deixem-no, que tinha que... fallar.

Enjoado, uma vez, de o aturar
E de tanta sandice, exclamo: olá,
Meu amigo e senhor, diga-me cá:
Que é religião? - Que fui eu perguntar?!...

O farronca atrapalha-se e emmudece
Co'uma cousa tão simples, que parece
Até não ser verdade o que lhe digo.

Quantos da mesma laia, senhor Leça:
Teem lingua, isso teem, mas... cabeça...»
- «Teem...» - Mas sem miolos, meu amigo...»"

(Um... farronca)

Francisco de Andrade Sequeira (1877-1955). "Sacerdote e Escritor, Poeta. Nasceu em Alpalhão a 26 de Fevereiro de 1877 e morreu em Portalegre a 25 de Fevereiro de 1955. Estudou no liceu e no Seminário daquela cidade e foi ordenado presbítero a 27-2-1899. Promotor do Bispado de Portalegre, governou-o episodicamente; foi secretário particular de D. António Moutinho e director diocesano do Apostolado da Oração. Catequista e conferencista de mérito, notabilizou-se como pregador, poeta e jornalista. Colaborador assíduo da imprensa católica nacional, dirigiu em Portalegre Luz d'Alma e O Boletim Paroquial. Trabalhos seus apareceram nos seguintes periódicos portalegrenses: União Católica, Juventude, O Distrito de Portalegre, O Campeão de Portalegre, O Leão, A Plebe e A Rabeca. Contam-se por centenas os poemas, sobretudo sonetos, que publicou na imprensa local com os pseudónimos de «Mário», «Amaia Celeste» e «Oriam». É autor de uma obra numerosa onde se incluem folhas soltas e conferências que ficaram inéditas e na posse da família. Dos seus trabalhos publicados, destacamos: Causticando, Portalegre, 1899; Sonetos, Portalegre, 1900; Farrapos, Portalegre, 1901", etc.
(Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1662926127277066&id=1597860520450294&set=a.1597865167116496&locale=pt_PT)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com falhas e pequenos defeitos.
Raro.
35€