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29 outubro, 2026

VIANA, Mário Gonçálvez -
DA SUGESTÃO NO ANIMATÓGRAFO.
Estudo social, psicológico e crítico, original de... [S.l.], [Edição do Autor - Composto e impresso na tipografia André J. Pereira  & F.º - Viana do Castelo], Ano de 1921. In-8.º (17,5x12,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio pioneiro - pretensamente científico - sobre o efeito que o cinema e a projecção de filmes em salas às escuras, verdadeiros "antros de perversidade", tem na mente e no comportamento humano, e o perigo que representa para a sociedade tais "experiências".
Obra rara, interessante e muito curiosa, com indubitável interesse para a bibliografia cinéfila.
"É um caso curioso, a curiosa psicologia das sociedades contemporâneas que se vão suicidando lentamente, sem terem a nítida noção do que fazem. Um sôpro de desvario obscurece a inteligência humana, fazendo desaparecer o resto de bom-senso que ainda parecia existir.
Os mais alarmantes simptomas de dissolvência, latentes muitas vezes ou esboçados apenas, são precipitados irremediavelmente pela fôrça poderosa de um conjunto de circunstâncias de tal forma alarmante, que surpreëndem pela rapidez do imprevisto e mais ainda - que assustam, pela sua gravidade presente e por uma sombria perspectiva de conseqúências possivelmente desastrosas, os espíritos estudiosos e calmos de todos os que não se deixam arrastar na avalanche sinistra das actuaes loucuras humanas. [...]
No entanto, longe de nos querermos referir a todos eles, é nosso intuito, por ora, focar com nitidez a influência deletéria e subversiva que tem exercido sôbre os indivíduos em especial - e portanto sôbre os agrupamentos sociaes em que eles vivem e de que fazem parte - um dos elementos mais desorganizadôres das sociedades que se arrogam a civilizadas - o Animatógrafo."
(Excerto do Estudo)
Mário Gonçalves Viana (Lisboa, 1900 - Esposende, 1977). "Pedagogo, escritor e crítico literário, atividade que exerceu no Jornal do Comércio e Colónias e no Polígrafo. Foi professor e formador de professores. Foi, igualmente, autor de uma obra vasta nas áreas da pedagogia, psicologia e biografia. Refletiu, abundantemente, sobre os valores da educação e sobre a deontologia docente. Fez os estudos secundários em Coimbra, tendo-se licenciado em Direito na Universidade de Lisboa em 1923. De 1927 a 1930, foi redactor principal do Jornal do Comércio e das Colónias, de que era também crítico literário. Entre 1934 e 1936, exerceu o cargo de conservador do Registo Civil de Manteigas, tendo depois seguido a carreira de professor do ensino secundário em vários estabelecimentos de Viana do Castelo, Esposende e Porto. Colaborou no jornal A Voz, de Lisboa, com uma secção regular de Sociologia Agrária, e foi cronista e crítico literário do Diário do Minho, de Braga. Tem ainda colaboração sobre educação física, pedagogia desportiva e psicologia, dispersa por jornais e revistas de Portugal, Brasil, Uruguai, Chile, Itália, França e Espanha."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, parcialmente por abrir, bem conservado. Capas oxidadas.
Raro.
Peça de colecção.
35€

14 setembro, 2026

CASTELLO-BRANCO, Camillo - DELICTOS DA MOCIDADE.
Primeiros attentados litterarios. De... Porto, Livraria Civilisação : De Eduardo da Costa Santos & Sobrinho - Editores, MDCCCLXXXIX. [1889]. In-8.º (18x12 cm) de XII, [4], 269, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante colectânea dos primeiros trabalhos de Camilo, inclui prefácio de João António de Freitas Fortuna, seu grande amigo. Publicada originalmente em 1889, no ano anterior à sua morte, reúne poemas, contos, ensaios e estudos literários que marcam os primeiros passos da sua vasta carreira.
O livro funciona como uma compilação de paratextos, memórias e produções juvenis, incluindo o célebre conto Uma Noite no Cemitério, que reflete sobre a perda trágica do seu grande amigo de juventude em Vila Real, José António T. C. de Melo e Nisa. Na própria advertência da obra, Camilo sublinha o caráter íntimo e por vezes doloroso de revisitar estas páginas, que representam em grande parte a história da sua juventude.
"É meia noite. Ao som as doze badaladas, tangidas no velho campanario de S. Diniz, minha alma calou-me nas veias em effluvios de terror e santidade, e depositou-me nos labios tyremu,los uma oração para o Senhor.
E a minha oração era como a vida purificada na particula, que o homem tem de Deus, e na lagrima do céo, estremada de muitas lagrimas da terra.
O meu viver era todo espiritual, e comparei-me ao espirito do justo que, soprado da terra - ás portas de céo - escuta ainda o borborinho cá de baixo e já ouve o cantar dos anjos aos pés do Altissimo. O meu viver material parecia-me a sumir-se lento e suave pelas fisgas dos sepulchros, entre os quaes eu ajoelhava, como o delirante, que pede ao Creador  alma e luz para o finado, que não sente os joelhos do filho, dobrados sobre a lagea silenciosa...............................................
E o extasis desvaneceu-se, porque era de homem, ligado com as paixões dos homens, e eu era o unico cadaver, animado, entre tantos cadaveres.
Voz de vivo, que falla com os mortos - a minha voz era sombria e soturna."
(Excerto de Uma Noite no Cemitério)
Camilo Castelo Branco (1825-1890). "Nasceu em 1825, em Lisboa, e faleceu em 1890, em S. Miguel de Seide (Famalicão). Com uma breve passagem pelo curso de Medicina, estreia-se nas letras em 1845 e em 1851 publica o seu primeiro romance, Anátema. Em 1860, na sequência de um processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido, com quem mantinha um relacionamento amoroso desde 1856, Camilo e Ana Plácido são presos, acabando absolvidos no ano seguinte por D. Pedro V. Entre 1862 e 1863, Camilo publica onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Tornou-se o primeiro escritor profissional em Portugal, dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular a partir da observação da sociedade, com inclinação para a intriga e análise passionais. Considerado o expoente do romantismo em Portugal, autor de obras centrais na história da literatura nacional, como Amor de Perdição, A Queda dum Anjo e Eusébio Macário, Camilo Castelo Branco, cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se com um tiro de revólver a 1 de Junho de 1890."
(Fonte: https://www.portoeditora.pt/autor/camilo-castelo-branco/39147)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com picos de acidez no interior.
Muito invulgar.
50€

08 agosto, 2026

CRAVEIRO, T. A. -
ENSAIO ÁCERCA DA TRAGEDIA.
Por... Membro do Instituto de França, e do Instituto do Brazil. Lisboa, [s.n. - Typ. da Soc. Propagadora dos Conhecimentos Uteis - Lisboa], 1843. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo histórico e contemporâneo sobre o teatro do género clássico - o drama. Trata-se de uma obra de crítica literária escrita pelo terceirense Tibúrcio António Craveiro. Publicada em Lisboa em 1843, aborda a estética teatral e analisa a tragédia clássica, destacando-se por ser um dos primeiros textos portugueses a utilizar o termo "ensaio". (IA)
"Não nos propomos acompanhar passo a passo o adiantamento da arte dramatica d'esde o seu berço, e mantinhas: já n'este assumpto se gastaram lucubraçoens, e vigillias. Não indagâmos tambem que fins teve, se os satisfaz, se he nociva, ou proficua, se finalmente tocou o seu fastigio, ou se ainda lhe é dado o subir. Limitâmo-nos ao genero tragico, e seguindo-o desde a puberdade, ou d'esde o seu estado viril, buscâmos indagar qual a sua origem, e fim na antiga eschola; se a sua essencia he uma, limitada, e invariavel, ou multiplice, ampla, e livre; em que se fundaram as alteraçoens da nova eschola; e se finalmente ellas aperfeiçoaram ou deterioraram o genero."
(Excerto do Ensaio)
Tibúrcio António Craveiro (Angra do Heroísmo 1800 - Velas, 1844). "Poeta, historiador e ensaísta, com uma obra que inclui temáticas de história, teoria da literatura e poesia. Também se dedicou à tradução de obras de autores franceses e ingleses. Ficou conhecido pela morbidez da sua poesia e pelo seu gosto pelo horror e pela magia negra. (IA)
"Nasceu em Angra do Heroísmo, cidade onde frequentou as aulas de Teologia Moral, revelando-se um aluno estudioso e aplicado. Terminados os estudos empregou-se como professor régio da instrução primária na cidade de Angra.
Em consequência da sua adesão ao liberalismo, após a Abrilada de 1824 exilou-se em Londres. Em 1826 fixou-se na cidade do Rio de Janeiro, onde encontrou emprego como professor de Retórica.
No Rio de Janeiro, cidade onde permaneceria até 1842, foi um fundadores e bibliotecário do Real Gabinete Português de Leitura, envolvendo-se activamente na vida literária e política da cidade. Durante este período produziu a maior parte da sua obra publicada. Foi lente do Imperial Colégio de Pedro II, do Rio de Janeiro.
Considerado um árcade tardio, dedicou-se à poesia, à historiografia, ao ensaios e à tradução, tendo publicado uma versão lusófona das obras Mérope de Voltaire (1826), Mitrídates de Jean Racine (1828) e Lara de Byron (1837). Foi autor da primeira tradução de Byron no Brasil. Deixou alguns textos publicados na imprensa brasileira e no periódico lisboeta O Panorama (1837-1868).
Em 1842 deixou o Brasil e durante algum tempo viveu em Lisboa. Em 1844 voltou aos Açores. Morreu nesse ano a bordo de um navio, aparentemente vítima de suicídio, em condições que nunca ficaram esclarecidas. O seu cadáver foi desembarcado nas Velas, São Jorge, onde foi sepultado.
Segundo os relatos da época, o escritor teria a sua sala de trabalho decorada com aparelhos de tortura, múmias e gravuras macabras. As paredes seriam salpicadas de sangue e a sua mesa de trabalho, uma lousa de mármore negro, roubada da sepultura de uma donzela."
(Fonte: Wikipédia)
Tibúrcio António Craveiro foi um poeta que dedicou a sua obra à exploração da condição humana e à crítica social, frequentemente utilizando um tom irónico e mordaz. As suas poesias caracterizam-se pela linguagem cuidada e pela capacidade de evocar imagens fortes, abordando temas universais como o amor, a morte e a busca por sentido. A sua produção literária reflete um profundo conhecimento da alma humana, explorando as complexidades das relações interpessoais e as contradições da sociedade. Craveiro destacou-se pela originalidade do seu estilo e pela forma como soube aliar a profundidade temática à expressividade formal, deixando um legado poético notável pela sua autenticidade e pela sua força expressiva."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/tiburcio-antonio-craveiro)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas manchadas, alvo de restauro. Com pequeno orifício a partir da segunda parte do livro até final.
Raro.
Indisponível

05 agosto, 2026

PIMENTA, Alfredo -
A REVOLUÇÃO MONARCHICA. Por...
Lisboa, Edição do Autor , 1919. In-8.º (18x12 cm) de 60, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio doutrinário publicado pouco tempo após a efémera tentativa de restauração monárquica, que ficaria para a história como a 'Monarquia do Norte'.
Publicado no rescaldo dos acontecimentos da Monarquia do Norte (a tentativa de restauração monárquica liderada por Paiva Couceiro em janeiro de 1919), o livro funciona como um estudo crítico e uma apologia ideológica. Nele, o autor analisa a instabilidade da Primeira República Portuguesa e defende a solução monárquica como a alternativa lógica contra a desordem política da época.
Alfredo Pimenta, que no início da sua vida pública teve simpatias anarquistas e republicanas, já se tinha convertido nesta altura a um monarquismo convicto e contra-revolucionário, posicionamento que reflete diretamente nas páginas desta obra de cariz doutrinário. (IA)
"A questão política continúa em equação, á espera de uma resolução positiva, normal e definida. O Equívoco nacional, aggravado com o advento do regime republicano, mantem-se. [...]
A situação republicana gerada pelos intuitos e pela vontade de Sidonio Pais, fracassou e morreo estrangulada ás mãos da demagogia organizada. A dissolvencia dos caracteres accentuou-se. A impotencia das intelligencias attingio a sua maxima evidencia. Não ha Governo. Não ha Lei.
E no entretanto, um momento houve em que seria fácil conduzir o Paiz àquella estabilidade, àquella comcórdia, àquella calma que são as condiçoens essenciais da sua vida normal.
Uma vez assassinado o Presidente Sidonio Pais, o caminho lógico, intelligente, seguro, era só um: o da restauração das instituiçoens tradicionais portuguezas, em moldes diversos dos que ellas tinham em 5 de outubro de 1910. [...]
No domingo, 19 de janeiro, á 1 hora da tarde, estávamos nós no Largo das Duas Egrejas com um dos mais combativos e decididos jornalistas da Monarchia, combinando a nossa acção parlamentar do dia seguinte, quando o governo de Tamagnini Barboza de apresentasse, como esperávamos, ás Câmaras, a relatar os acontecimentos sediciosos de Santarem. As nossas palavras e os nosso projectos não eram de quem presumia que meia hora depois, no Porto, se restaurasse a Monarchia."
(Excerto de 26, Fevereiro) 
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, manchadas. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

03 agosto, 2026

NETTO, Antonio Lino -
A QUESTÃO AGRARIA.
Por... Licenciado em direito, secretario geral do governo civil de Portalegre e socio effectivo do Instituto de Coimbra. Estudos de Renascença Nacional I. Porto, Typ. a Vapor da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1908. In-8.º (18,5x12 cm) de 349, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio agrário, político, económico e sociológico, publicado pouco tempo após o regicídio, quando o país vivia tempos conturbados, de instabilidade e incerteza, marcado por uma profunda crise política, económica e social.
Trabalho académico, pioneiro. Nas palavras do autor, trata-se de um "assumpto profundamente patriotico e momentoso, bastante complexo, sem duvida; mas, por isso mesmo, susceptivel de revelar a capacidade trabalhadora e as poucas ou muitas luzes intellectuaes de quem tome a peito o seu estudo".
"Ha em Portugal, como em outros paizes, uma profunda questão social caracterisadamente agraria, isto é, uma questão que está implicando com a organisação juridica sobre a propriedade rustica, sobre a forma de distribuição dos diversos productos, e sobre a representação do valor d'estes em competencia com o dos productos de outra natureza."
(Excerto de Introducção - I. O que é a questão agraria)
"A theoria do valor, - annota sensatamente o sr. dr. Marnoco e Sousa -, embora preocupe os economistas ha mais de um seculo, não se póde considerar ainda constiuida; é bem o dragão que, no dizer figurativo do economista Costa- Rossetti, está guardando a entrada da sciencia economica. Ahi se encontra a principal razão da desordem que domina nos nossos tempos o mundo economico. É, pois, na theoria do valor que teem de concentrar-se os principaes cuidados e attenções dos economistas; de outra formas os estudos da sciencia economica redundarão em estirilidade e serão como pedras n'um edificio sem alicerces. Vamos tambem, para a logica das nossas considerações, referir-nos a essa theoria, e ver como ella, por mal formulada, tem affectado, provocando-a, a questão agraria."
(Excerto de I - A verdadeira theoria do valor)
António Correia Lino Leitão Neto (1873-1961). "Nasceu em Mação a 30 de janeiro de 1873 e faleceu em Lisboa a 16 de novembro de 1961. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde terminou, em 1899, a Licenciatura em Direito. Foi professor universitário, tendo ensinado no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, no Instituto Superior de Comércio de Lisboa (depois, Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, integrado na Universidade Técnica de Lisboa) e na Escola Politécnica (futuro Instituto Superior Técnico). Dirigiu o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e foi vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa. Exerceu advocacia e exerceu diversos cargos públicos e políticos, entre os quais o de Câmara Municipal de Lisboa e deputado.
Foi membro da Sociedade de Estudos Pedagógicos e da Sociedade de Geografia de Lisboa. Católico militante, esteve ligado ao Centro Católico Português, que presidiu.
Foi condecorado pela Santa Sé com a grã-cruz da Ordem de São Gregório Magno.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Letras a 10 de março de 1938."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21232)
Encadernação simples meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

27 julho, 2026

CABRAL, Fred. A. de Vasconcellos Pereira -
VESTIGIOS GLACIARIOS NA SERRA DA ESTRELLA.
Rochas striadas, penedos erraticos, morenas. Por... Engenheiro adjuncto da Secção geologica. Lisboa, Imprensa Nacional, 1884. In-8.º (23x13 cm) de 26 p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante estudo geológico, pioneiro, dedicado à Serra da Estrela.
Trabalho invulgar e muito interessante, com interesse histórico e bibliográfico. Trata-se do "Extracto da  Revista de Obras Publicas e Minas n.ºs 177 e 178, de setembro e outubro de 1884".
"A circumstancia de estarmos encarregados pelo digno chefe da secção de trabalhos geologicos, o sr. Nery Delgado, do estudo dos terrenos quaternarios do paiz, determinou a excursão, que em agosto de 1883 fizemos á Serra da Estrella, para verificar, se aquella montanha tinha estado glaciada n'uma epocha geologica a que já uma vez tivemos de chamar plio-pleistocenica, por querer d'este modo abranger o periodo pliocenico, e o que se lhe seguiu.
Já em 1879 tinhamos sido levados a concluir, que as nossas montanhas mais elevadas deviam ter estado no periodo pleistocenico cobertas de neves perennes, que tivessem dado origem a gelos fluentes... [...]
Tendo, porém, esta serra, attrahido muito a attenção, e tendo sido bastante visitada por nacionaes e estrangeiros, sobretudo n'estes ultimos tempos, não sabemos, que até ao dia em que a ella subimos, e alli observámos os factos, de que vamos dar breve noticia, pessoa alguma tenha feito referencia a vestigios glaciarios ali encontrados. Assim, era ardente o nosso desejo de a percorrer tambem, porque, a pezar de tudo, era firme a nossa convicção, de que ali deviam existir ainda pelo menos algumas provas do trabalho de gelos fluentes; e a verificação d'este facto, alem de não a dispensar a sciencia, era de grande alcance para a explicação da origem, até agora obscura, de muitos dos depositos superficiaes conhecidos no paiz.
Para procurar estas provas, e colher exemplares, que pozessem fóra de toda a duvida a antiga glaciação da serra, a ella subimos, pois, no dia 15 de agosto, com a intenção de por lá permanecer alguns dias.
O nosso intento era visitar primeiro as origens de alguns dos valles, em que correm as ribeiras affluentes do Alba; valles, que começam a definir-se nos planaltos mais elevados da serra, e seguem direcções entre as de noroeste a sudoeste, cortando profundamente as encostas, por vezes alcantiladas da montanha, e separando assim os diversos contrafortes, que com maiores altitudes se prolongam para aquelle quadrante.
Fomos pois acampar n'um estreito valle, chamado Covão Grande da Lagoa Comprida, por n'ella haver uma pequena lagoa perenne, que comtudo é a maior da serra, e cujas aguas vão engrossar a Ribeira da Caniça, affluente do Alba; e démos-lhe a preferencia, não só por ella offerecer melhores condições para acampar, como pela sua proximidade do grupo de lagoas da encosta noroeste da serra, perto das quaes esperavamos encontrar com mais facilidade alguns dos vestigios que buscavamos."
(Excerto do Estudo)
Frederico Augusto de Vasconcelos Pereira Cabral (1820-1886). "Pioneiro na investigação da Geologia do Quaternário e da Pré-História em Portugal. Engenheiro de Minas ligado ao Ministério das Obras Públicas, esteve ao serviço da Comissão dos Trabalhos Geológicos de Portugal e procedeu a observações nos depósitos quaternários da Foz do Douro com interesse arqueológico, as quais se destacam pelo rigor da descrição e interpretação. Desenvolveu uma aproximação metodológica e conceptual inovadora para a época, relacionando conhecimentos de origem e índole muito diversas: geomorfológicos, geológicos e arqueológicos."
(Fonte: https://www.researchgate.net/publication/375759624_Frederico_de_Vasconcelos_Cabral_pioneiro_da_Geologia_do_Quaternario_e_da_Pre-Historia_portuguesas)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Alvo de restauro nas capas e no interior, visando suster a humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 julho, 2026

CAMARA, Manuel da -
ANTERO DE QUENTAL E A SUA MORTE
. Ponta Delgada, Edição do Diario dos Açores, 1930. In-8.º (22,5x17 cm) de 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo anteriano sobre o grande vate micaelense, na vida e na morte. O autor testemunhou as derradeiras aparições do poeta em casa do avô, médico, o último que Antero, em desespero, consultou, e que coincidiram com os seus últimos dias de vida. Manuel da Câmara reproduz os diálogos de Antero com um seu amigo, retido na cama em casa do médico, dando expressão sentida às as suas desesperações e amarguras, e finalmente, na véspera, à ideia madura do suicídio que viria a cometer horas depois.
"Antero de Quental e a sua Morte (1930) é uma obra ensaística de Manuel da Câmara, que analisa as circunstâncias e o pensamento filosófico que culminaram no trágico desfecho do poeta. O livro reflete sobre a depressão e a "filosofia da morte" do autor Antero de Quental. A 11 de setembro de 1891, após regressar à sua ilha natal e mergulhar num profundo estado de depressão (agravado por distúrbios de saúde mental), o poeta pôs termo à vida num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada. A obra contextualiza esse acto voluntário não apenas como um drama pessoal, mas como o culminar da evolução intelectual e espiritual de Antero, figura cimeira da Geração de 70." (IA)
Obra rara e muito interessante, ilustrada no texto e em página inteira com fotogravuras reproduzindo retratos do Poeta e locais relacionados com o assunto.
"[...] Os amigos e quantos privaram com Antero nunca duvidaram do inalterável equilíbrio entre as suas ideias e os seus actos, e sempre lhe reconheceram os altos "sentimentos correspondentes á evolução do pensamento", numa lógica seqüência incompatível com a loucura, ainda que qualificada de genial. E, se a sua vida, enquanto a dispepsia o poupou, foi espelho do mens sana in corporo sano, como é possível classifica-lo nos quadros da neurologia e da psiquiatria?
Ora êste pobre opúsculo - onde, a par das velharias algumas coisas novas se dizem, umas e outras indispensáveis ao nosso propósito - pretende demonstrar:
1.º - Nenhuma enfermidade mental ou nevrasténica de nascença influiu na vida ou na morte do Poeta;
2.º O Poeta contraíu uma dispepsia com conseqüências nervosas, profundamente neurastenizante nos últimos dias que viveu, donde resultou o suïcídio.
Mas, para Antero se decidir ao suïcídio, duas grandes batalhas se travaram:
A do pessimismo - relativo á incurabilidade da doença, visionada a caminho da loucura - contra o experimentado estoicismo do gigante,, vencido pela primeira e última vez; a do gigante contra os seus sentimentos morais, irreconciliáveis com a ideia de se matar, batalha da qual, infelizmente, saiu vencedor.
Isto me proponho provar..."
(Excerto da Dedicatória)
"Certo dia, verão de 1891, atravessava eu a saleta da casa de meu Avô materno quando divisei na transparência da porta envidraçada, entrada principal do edifício, um vulto de gigante a estender a mão para a campainha que não chegou a soar, por eu ter acudido lesto a abrir.
O gigante entrou.
Nunca o tinha visto, em carne e osso, mas logo o reconheci, pois o seu retrato, inconfundível, andava em ilustrações e nos albuns da minha família.
Era Antero de Quental - alto como um choupo; fronte desafogada e espaçosa; a cabeleira, que já não era a juba da leonina da juventude a encurtecer-lhe a testa, ainda loura; a barba, loura também, virgem de navalha, apenas retocada pela tesoura; a expressão severa, adoçada pelo azul puríssimo dos olhos onde resplandecia uma ascese de santidade.
E, enquanto eu o encarava, numa admiração pasma, o gigante quebrou o silêncio com estas palavras sonoras:
- "Conheci-te pelo olhar, por outra coisa não". és filho de João Luís. Vai chamar teu avô, o doutor José Pereira Botelho."
(Excerto do Cap. I)
Manuel da Câmara Velho de Melo Cabral (Lagoa, São Miguel, 1869 - Ponta Delgada, 1939). "É principalmente conhecido com o nome abreviado de Manuel da Câmara, com que publicou muita da sua obra. Funcionário da Fazenda Pública e Secretário de Finanças na Horta. Foi jornalista, escritor e político sendo hoje conhecido como contista. Deu início à vida literária nos jornais da sua cidade natal, no fim do século e foi, em Lisboa, redator do Jornal de Lisboa, dirigido pelo micaelense Armando da Silva, frequentando na capital a boémia elegante. Acabou por regressar às ilhas e ingressar no funcionalismo público, na área das Finanças. Na Lagoa, onde foi administrador do concelho, fundou o Vigilante, em 1905 e em Ponta Delgada, O Distrito. Parte da sua vida foi passada na cidade da Horta, onde foi nomeado governador civil durante o consulado sidonista (1918-1919).
Na sua obra literária é-lhe reconhecida uma prosa elegante e esmerada que usou nos contos e narrativas de temática regional. J. G. Reis Leite (Mar.2001)"
(Fonte: https://arquivos.azores.gov.pt/descriptions/1813203)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenos cortes de papel marginais.
Raro.
30€

22 junho, 2026

GRAÇA, A. Santos -
A CRENÇA DO PÒVEIRO NAS "ALMAS PENADAS".
Separata da "Homenagem a Martins Sarmento". Póvoa de Varzim - Portugal, [s.n.], 1934. In-4.º (23x16 cm) de [8] p. ; B.
1.ª edição independente.
Curiosíssimo ensaio sobre as superstições das gentes poveiras.
Opúsculo com interesse regional, histórico e etnográfico.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Exmo. Professor Virgilio Correia" (1844-1944), professor universitário, historiador da arte, arqueólogo e jornalista português natural do Peso da Régua.
"Nos povos da beira-mar, a superstição da aparição dos «espíritos» revela, com as suas angústias e temores, um fundo moral impressionante. Superstição arreigada em todos os povos, principalmente nos da Ibéria, não sei se a do Pòveiro se irmana com a mesma concepção doutros povos. Desta dúvida me veio o desejo de arquivar os seus aspectos locais.
Admite o Pòveiro três espécies de almas: as dos justos, que, mal se despegam do corpo, vão gozar a Bem-aventurança; as boas, mas que certas faltas em vida obrigam a penas até á remissão; e as más, que não têm lugar nem no céu nem no inferno, andando errantes entre «ares e nuvens» para todo o sempre.
São as duas últimas espécies - as «Almas Penadas»."
(Excerto do Ensaio)
António dos Santos Graça (Póvoa de Varzim, 1882-1956). "Foi um etnógrafo, jornalista e político português. Fundou o semanário "O Comércio da Póvoa de Varzim", em 1903, com Carlos de Almeida Braga, José Eduardo Pinheiro, Júlio Dias Vieira de Sousa, Leopoldino Gomes Loureiro, Bernardino Pinheiro e o Padre Afonso dos Santos Soares.
Destacou-se no estudo da cultura poveira, especialmente no que toca ao estudo das siglas poveiras, com obras como O Poveiro (1932), A Crença do Poveiro nas Almas Penadas (1933), Inscrições Tumulares por Siglas (1942) e A Epopeia dos Humildes (1952)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de ppel no canto inferior direito.
Raro.
20€

14 junho, 2026

KANT, Immanuel -
ENSAIOS DE KANT A PROPÓSITO DO TERRAMOTO DE 1755.
Traduzidos por Luís Silveira. Lisboa, Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, 1955.In-8.º (21,5x16,5 cm) de [4], III, [1], 64, [2] p ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima do eminente filósofo alemão, elaborada pouco tempo após o Terramoto de Lisboa em 1755, pela primeira vez vertida para português no ano em que se assinala o bicentenário da tragédia.
Acerca dos ensaios de Kante relacionados com o Terramoto de Lisboa, com a devida vénia, reproduzimos parte do artigo de Leonel Ribeiro dos Santos da UL:
"Os 3 ensaios que, sobre o terremoto de Lisboa de 1 de novembro de 1755, Kant escreveu nas semanas e meses que seguiram à catástrofe e que foram publicados nos primeiros meses do ano 1756 (o primeiro, em 24 e 31 de janeiro, num semanário de Königsberg, o segundo e mais longo, publicado autonomamente no início de março, e o terceiro, publicado no mesmo semanário do primeiro, a 10 e 17 de abril), têm sido objeto de muito escassa atenção, até mesmo por parte dos kantianos, passando despercebidos ou sendo mesmo desvalorizados, ora porque se tomam por meros escritos de juventude e de circunstância, não sendo o assunto de que se ocupam nenhum tópico relevante da agenda propriamente filosófica da época, ora porque se pensa tratarem eles de matérias que eram objeto de saberes ainda “selvagens” ou em processo de constituição como a Geologia e a História da Terra, baseados na descrição e na interpretação de fenómenos empíricos para cuja explicação se invocava teorias antigas e, por isso, também sem uma real relevância para os estudos da sismologia “científica”, que só se afirmaria como tal muito mais tarde. Desvalorizados, por conseguinte, tanto pela sua irrelevância filosófica quanto pela científica. [...]
A primeira coisa que impressiona ainda hoje o leitor destes ensaios é a rapidez da resposta reflexiva de Kant aos acontecimentos e a amplitude e densidade científica e especulativa dessa resposta. [...] Atendendo à quantidade de autores, testemunhos e fontes (mais de uma vintena) que cita, refere e comenta nesses ensaios, sobretudo no segundo, não é verossímil que Kant os tivesse encontrado e reunido todos à pressa para apoiar as suas reflexões. Na verdade, esses escritos, embora sejam motivados pelo acontecimento sísmico, que abalou e destruiu Lisboa na manhã do 1 de novembro de 1755, inscrevem-se numa fase importante de constituição e afirmação do pensamento do jovem Kant, nos anos 1754-1756, caracterizada por preocupações naturalistas, na qual ele se revela já como um pensador autónomo e extremamente ousado, ocupado sobretudo com questões de Cosmologia e Cosmogonia, de História da Terra e Geografia Física. [...]
Mas não só isso. O jovem Kant revela-se particularmente impressionado pelo caráter singular do acontecimento. Disto dão prova várias declarações esparsas pelos ensaios que apontam todas para a singularidade, a magnitude e extensão de efeitos, o alcance e o significado do terremoto de Lisboa, e não apenas como fenómeno físico digno de ser pensado por investigadores da natureza, mas também pelo que ele representa como desafio, interpelação e ocasião para uma reflexão sobre o destino coletivo dos homens e sobre a condição humana."
(Fonte: Santos, Leonel Ribeiro dos, Pensar a catástrofe, pensar a atualidade: Os ensaios de Kant sobre o terremoto de Lisboa, Universidade de Lisboa, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (Lisboa, Portugal), 2016)
"Os ensaios escritos por Kant acerca do terremoto de 1755 merecem ser considerados, ainda hoje, entre as mais importantes páginas da literatura mundial que dizem respeito ao acontecimento.
Ao fazer-se a presente tradução para língua portuguesa destes escritos pretendeu-se chamar, de novo, a atenção para uma das melhores descrições coevas do fenómeno e para as considerações éticas do filósofo em volta dele. [...]
Quando Kant, porém, corajosamente, sustentou que o abalo de terra e de mar que atingiu Lisboa com destruições e morte não teria sido o castigo divino caído sobre a cidade cheia de pecados, e pretendeu demonstrar a utilidade dos terremotos e a vanidade do juízo dos homens sobre as desgraças que os oprimem, escreveu páginas profundas que transpuseram os limites do tempo e conservam, hoje ainda, o vigor e a beleza com que há duzentos anos foram escritas."
(Excerto do Preâmbulo)
"Grandes acontecimentos, que interfiram no destino da humanidade, despertam, com razão, a curiosidade inerente a tudo quanto é fora do vulgar e levam a inquirir das causas que os provocaram. [...]
A primeira observação que qualquer faz imediatamente é que o solo sobre o qual vivemos deverá ser oco e que as abóbadas que o formam se continuam, umas ligadas às outras, até sob o mar.
Não quero ir buscar exemplos históricos, pois não pretendo escrever uma história dos tremores de terra. [...] Lisboa e a Islândia, por exemplo, que distam uma da outra mais de quatro centenas e meia de milhas alemãs, sofreram, no mesmo dia, um terremoto. [...]
Se em casos tão terríveis valesse aos homens tomar precauções, e não se julgasse inútil e irrisório opor fracas resistências a desgraças gerais, deviam as ruínas de Lisboa Lembrar que não se deveria tornar a construir ao longo do Tejo, dado que o rio indica a direcção que, naturalmente, os tremores de terra seguirão nesse país. [...]
A catástrofe de Lisboa parece que foi também maior por a cidade estar construída ao longo do Tejo; por esta razão, as cidades em regiões onde são frequentes os tremores de terra e onde é possível determinar o sentido deles não deveriam ser construídas em direcção paralela à dos sismos. Mas a maior parte dos homens, em circunstâncias semelhantes a esta, pensa de modo diferente. Como o terror lhes rouba a reflexão, julgam que estas grandes desgraças são das tais que se não podem minorar por qualquer preocupação e supõem que a dureza do destino só pode ser abrandada por uma submissão cega e entregam-se completamente à misericórdia ou à cólera divina."
(Excerto da Introdução de Kant)
[Preâmbulo] | [Introdução de Kant] | História e descrição dos acontecimentos mais notáveis do terremoto que no fim do ano de 1755 agitou grande parte da Terra | Explicação preliminar do estado em que se encontra o interior da Terra | Acerca dos antecedentes do último terremoto | O terremoto e maremoto do dia 1 de Novembro de 1755 | Considerações acerca das causas deste movimento das águas | O terremoto de 18 de Novembro | O terremoto de 9 de Dezembro | O terremoto de 26 de Dezembro | Dos lapsos de tempo que medeiam entre tremores de terra sucessivos | Do local da combustão subterrânea e dos lugares onde os tremores de terra são mais frequentes e perigosos | Da direcção em que o solo é agitado pelos tremores de terra | Da relação dos tremores de terra com as estações do ano | Da influência dos tremores de terra na atmosfera | Da utilidade dos terremotos | Observação | Considerações finais | Novas considerações acerca dos últimos abalos da Terra.
Immanuel Kant (1724-1804). "Nasceu em 1724, em Könisberg, onde faleceu em 1804. Teve uma vida calma, sóbria, dedicada ao estudo e ao ensino. Profundamente imbuído dos ideais do Iluminismo, Kant professou uma profunda simpatia pelos ideais da Independência Americana e da Revolução francesa. Foi pacifista convicto, antimilitarista e estranho a toda a forma de patriotismo exclusivista. As obras de Kant costumam distribuir-se por três períodos, que habitualmente se denominam pré-crítico, crítico e pós-crítico. As suas obras mais conhecidas e influentes foram escritas no segundo período, incluindo-se entre elas a Metafísica dos Costumes."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€

12 junho, 2026

BEAU, Albin Eduard -
ANTERO DE QUENTAL E A IDEA DA MORTE. Por...
Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da Coimbra Editora, Limitada], 1935. In-4.º (25x16 cm) de 20, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio anteriano sobre a ideia da Morte, e como esta vai influenciar a vida e o trabalho do Poeta.
Antero de Quental e a idea da morte, publicado pelo germanista e professor Albin Beau em 1935, analisa a evolução do pensamento do poeta português.
Beau explora como a reflexão de Antero sobre a finitude se transforma numa "filosofia idealista da morte", vista não como tédio mórbido, mas como libertação e fusão com o infinito. (IA)
Obra invulgar e muito interessante. 
"O combate espiritual travado entre os dois Anteros, o luminoso e o nocturno, marca o início da Modernidade na literatura portuguesa: o seu drama pessoal e a profunda crise de consciência encontraria, através da reflexão filosófica, a resposta para questões metafísicas como o Ideal, a Morte, a Verdade. A sua «Filosofia idealista da Morte» veicula uma aspiração positiva e libertadora, ultrapassando a ideia pessimista e mórbida, e revela um percurso evolutivo desde uma impressão negativa até à ansiada liberdade no infinito. Questionando a existência e o mistério do Além e confessando o seu tormento íntimo e a sua inquietação, Antero medita na ideia da Morte aliada à concepção do bem, da liberdade ou do amor, recorrendo ao sonho como forma de estabelecer comunicação com a profundidade e os segredos do universo." (Guerreiro, Emanuel, A ideia da morte nos Sonetos de Antero de Quental, FCHS-UA, 2008)
"Quando Antero de Quental, nas notas para o Ensaio sôbre as bases filosóficas da moral ou filosofia da liberdade, chegou a considerar «a idea da Morte a base da vida moral», tal pensamento já era o fruto - se bem que ainda não o definitivo ponto de chegada - dum longo e variado desenvolvimento sentimental e intelectual.
A Morte, quer contemplada ou sentida como fenómeno natural, quer cantada como visão poética, quer encarada e pensada como problema filosófico e metafísico, constitui um tema integrante do seu pensar, sentir e poetar, atravessando a sua obra, desde as primeiras poesias até as últimas manifestações que lhe conhecemos."
(Excerto do Ensaio)
Albin Eduard Beau (Hamburgo, 1907 em Hamburgo - Coimbra, 1969). "Foi um filólogo alemão, romanista e lusitano. Em 1930 tornou-se professor de alemão no Instituto Alemão da Universidade de Coimbra. Foi  Secretário-Geral do Instituto Alemão de Cultura em Lisboa."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/78435)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas. Interior correcto.
Muito invulgar.
20€

04 junho, 2026

CINTRA, Alfredo dos Santos -
ORGANIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES AÉREAS.
A Ligação Aérea entre a Metrópole e as Colónias. Projecto apresentado por... (Major de Aeronáutica). Lisboa, Tip. Cristóvão Augusto Rodrigues, Limit., 1936. In-8.º (22x16 cm) de 7, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio pioneiro - em 7 "Bases" - do Major Alfredo Cintra sobre as ligações aéreas entre Portugal e as ex-colónias.
"A Inglaterra, a França, a Holanda, a Bélgica, a Espanha, a Itália, isto é, todos os países coloniais, num perfeito conhecimento das vantagens que certamente lhe advirão, têm dedicado a sua melhor atenção à ligação aérea entre a Metrópole e as suas Colónias, não se poupando para êsse efeito aos mais pesados sacrifícios.
As facilidades concedidas pelas comunicações rápidas fôram sempre e serão um dos factores primaciais para a vida económica de regiões longínquas; foi sem dúvida pensando nisso que os países coloniais fôram levados a encarar e resolver o problema das comunicações aéreas com as suas colónias.
Só Portugal, a terceira potência colonial, ainda não deu um passo nesse sentido, urge portanto que se ponha o problema e se resolva rápidamente para que num futuro muito próximo não possam vir a sentir-se as conseqüências desastrosas que a falta da sua solução nos poderá trazer."
(Excerto do Projecto)
Alfredo Desleque dos Santos Cintra (Sintra, 890-1976). Foi general, oficial da Aeronáutica Militar e pioneiro da aviação em Portugal. No dia 3 de Agosto de 1948 foi promovido a General de três estrelas, o primeiro da Aeronáutica Militar a atingir aquele posto. Foi o primeiro Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, quando a mesma foi criada com a fusão das componentes aéreas da marinha e do exército. Tendo começado a sua carreira militar como praça e passando posteriormente para a categoria de oficiais, prestou um importante contributo na história da aviação militar portuguesa, participando activamente na criação da Força Aérea Portuguesa, na participação de Portugal na NATO e, no final da sua carreia, foi ainda Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, entre 1952 e 1953."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com sinais de humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

31 maio, 2026

ANGELL, Norman -
A GRANDE ILLUSÃO
. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1914. In-8.º (19x12,5 cm) de 288 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio, com interesse para a história e bibliografia WW1.
"Para analisar a guerra Angell escolheu um ângulo que não era o dos pacifistas, embora seus argumentos contribuíssem inevitavelmente a essa causa. Também não defendeu a não resistência ou o desarmamento unilateral, como alguns dos seus contemporâneos. No prefácio da edição francesa de A Grande llusão, de 1911, afirma expressamente: "O meu objetivo não é provar que a guerra é impossível, mas que é inútil ... O meu livro não é anti-militarista ou pacifista no sentido ordinário em que esses conceitos são empregados. Não aconselho a nenhuma nação que se descuide da sua defesa, mas procuro demonstrar que nenhum Estado tem interesse em atacar outro, e que a necessidade de estar permanentemente em condições de defender-se se deve a que cada um acredita que o outro tem esse interesse.""
(Fonte: https://funag.gov.br/biblioteca-nova/produto/1-985-grande_ilusao_a)
"A que corresponde o sobrelanço actual das nações europeas em materia de armamentos? O que foi que lhe deu origem, e o que é que o explica pelo que respeita á Inglaterra e á Allemanha? Cada nação invoca, para justificar os proprios armamentos, a necessidade em que se encontra para se defender. Ora essa necessidade implica que ha outras nações que julgam ter algum interesse em tomar a offensiva, porque a defeza só faz sentido quando ha ataque prévio. Quaes são os móbeis que as nações attribuem aos visinhos de quem assim desconfiam?"
(Excerto de Resumo synoptico)
Ralph Norman Angell Lane (1872-1967). "Economista inglês. Foi membro do Instituto Real dos Negócios Estrangeiros, da Liga das Nações e do Conselho Nacional da Paz. Na sua obra The Great Illusion (1910, A Grande Ilusão), defendia a doutrina que nenhuma nação ganhava com a guerra, pois a guerra é prejudicial à economia acarretando várias desvantagens para as nações. Seguiu-se The Great Illusion, 1933 (1933) onde aborda o desenvolvimento da economia e das ideias abordadas na primeira publicação. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1933, pela sua contribuição para a estabilidade internacional.
Escreveu ainda: The Fruits of Victory (1921), The Money Game (1928), The Unseen Assassins (1932), America's Dilemma (1940), The Steep Places (1947) e After All (1951)."
(Fonte: https://www.infopedia.pt/artigos/$norman-angell)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Volume de trabalho, apresenta alguns sublinhados a tinta no interior. Capas cansadas, com defeitos.
Invulgar.
15€
Reservado

13 maio, 2026

SEPULVEDA, Christovam Ayres de Magalhães -
ORGANISAÇÃO MILITAR DOS ARABES NA PENINSULA.
Por…Capitão de cavallaria. Lente da Escola do Exercito... [etc.]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1901. In-4.º (25x16,5 cm) de 137, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo pioneiro e histórico sobre a ocupação árabe da Península Ibérica em todas as suas vertentes: militares, políticas, religiosas e motivacionais.
Obra rara e muito interessante, com relevância para a nossa própria história e organização civil e militar.
Ilustrada no texto com desenhos de apetrechos e equipamento militar para a guerra, a pé e a cavalo, e em separado, com duas estampas: I - Iatagan moderno, 1218 de Hegira - (Da collecção do Dr. Teixeira de Aragão) - [a duas cores]; II - Capacete arabe - (Da collecção de Sua Magestade El-Rei).
"A mesma curiosidade em assumptos que, por dever de officio, e natural pendor, versamos, e a mesma orientação no que toca ao criterio e methodo a applicar no estudo da historia, nos levou a dar toda a importancia a um periodo da historia da peninsula hispanica que tanta influencia teve na nossa antiga organisação militar, e tão intimamente se liga com a historia militar portuguesa. É o periodo da dominação dos arabes em todo esse territorio peninsular e das luctas que as armas christãs tiveram de sustentar a fim de rehaver para a nossa raça e para a nossa crença o que em má hora perdera, pelo predominio de outras crenças e outras raças. Essas lutas tinham produzido uma tão importante modificação na maneira de ser militar dos dois povos, primeiro em opposição, e mais tarde em intimo contacto e em fusão, que um e outro apresentaram, num periodo largo da historia da peninsula, uma feição caracteristica, cujo estudo se torna indispensavel para comprehendermos bem a nossa organização militar e a nossa historia guerreira na Idade Media.
Esse estudo não estava feito entre nós ; d'ahi a necessidade que tive de o produzia, embora com os fracos recursos de que dispunha. É um simples ensaio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Constituia a guerra para o musulmano uma necessidade, um dever, uma religião.
Era a guerra o instrumento mais poderoso da sua fé; pela guerra dilatára o seu dominio pelo mundo inteiro, e com elle um novo credo religioso dimanado como a fé christã, dos preceitos fundamentaes da Biblia.
Foi inspirado o espirito do proselytismo, diz Sedillot, que Mohamede se propoz desenvolver o genio militar dos arabes «persuadindo-os de que Deus lhes dava o mundo em partilha»; redobrava-lhes as forças; uma exaltação religiosa se apoderava de todas as almas; com estas simples palavras «na vossa frente está o paraiso, atraz o inferno», os chefes arrastavam os seus soldados ao meio de uma furiosa refrega; e esse delirio supersticioso, essa vehemencia de sentimento e de acção destruia os maiores obstaculos."
(Excerto do Estudo)
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (1853-1930). "Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda nasceu em Goa, a 27 de março de 1853, e faleceu em Lisboa, a 10 de junho de 1930. Formado no curso de infantaria e cavalaria da Escola do Exército e no Curso Superior de Letras, foi promovido a alferes graduado em 1876 e a coronel em 1911, tendo sido também lente na Escola de Guerra. Eleito deputado pelo Partido Regenerador por três vezes, desempenhou os cargos de governador civil de Bragança e de promotor de justiça do 2° Conselho de Guerra da 1ª divisão. Integrou a redação do Jornal do Comércio e das Colónias, do qual veio a ser diretor.
Foi cofundador, em 1911, da Sociedade Nacional de História, ao lado de Fidelino de Sousa Figueiredo, David de Melo Lopes e José Leite de Vasconcelos. Ao longo da sua vida, Cristóvão Aires pertenceria ainda ao Instituto de Coimbra, à Real Academia de História de Madrid e à Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido também vogal da Comissão Nacional para as comemorações da Guerra Peninsular em 1908.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 8 de abril de 1886, tendo aí exercido os cargos de Inspetor da Biblioteca (1907-1913), Secretário da Classe de Letras (1910; 1915), Vice-Secretário (1914) e Secretário Geral (1921-1930). Integrou ainda a Comissão de Inventário do Museu Maynense."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/45)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

19 abril, 2026

NEMÉSIO, Vitorino - ERA DO ÁTOMO/CRISE DO HOMEM.
Colecção Ciências Sociais e Humanas
. Amadora, Livraria Bertrand, 1976. In-8.º (18,5x11,5 cm) de 145, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"Conjunto de reflexões escritas em plena guerra fria entre o bloco de Leste e o Ocidente. Nelas o autor simboliza no problema do átomo todo um conjunto de características com que pretende identificar essa etapa da humanidade."
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Mário Mesquita.
"Vamos tentar versar o tema crucial do nosso tempo: as dúvidas que se levantam - em certos espíritos, pelo menos - acerca do caminho por onde a civilização conduz o homem moderno.
Generalizou-se a designação de Era Técnica para o tempo que vivemos. Mas, dado o aspecto mais saliente e característico da Técnica gerada mundialmente pela revolução industrial é a desintegração da energia nuclear, que produziu a bomba atómica, há já quem chame ao nosso tempo a Era Atómica. Não certamente pelo volume de energia dessa proveniência ao dispor das tarefas da paz, mas porque o espectro da guerra, desde a terrível revelação estratégica de Hiroxima, é dominado pela ameaça do poder catastrófico dos engenhos nucleares teleguiados.
Intitulei estas considerações - Era do Átomo/Crise do Homem -, não só por ceder a esse pendor, mas pela vantagem de ganhar indirectamente um símbolo (pois não me esqueço de que sou poeta) para exprimir o lado talvez mais alarmante da crise contemporânea: a despersonalização massificada - e portanto atomística - do tipo de homem que a vive ou nela é gerado."
(Excerto do Cap. I)
Vitorino Nemésio (1901-1978). "Justamente considerado um dos maiores poetas e prosadores portugueses do século XX, Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, nasceu em Praia da Vitória (Ilha Terceira, Açores), cursou Direito e Letras em Coimbra e licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa (1931). Fundador da Revista de Portugal (1937-1940), professor catedrático (1941) e notável conferencista, cedo se tornou uma das mais importantes referências na investigação e crítica literárias, para além de originalíssimo prosador e poeta, cuja obra emparceira com a de Eça de Queirós, no romance e crítica e a de Fernando Pessoa na poesia."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/espolios_autores/e11_nemesio_vitorino.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
35€

14 fevereiro, 2026

MORAIS, Maria Adelaide Pereira de -
EUGÉNIA DA CUNHA PEIXOTA OU O MORGADO DO PARTO SUPOSTO
. Braga, [s.n. - Composição e impressão nas Ofic. Gráficas da Livraria Cruz - Braga], 1977. In-4.º (24x17 cm) de 15, [1] p. ; [1] f. il. ; [1] mapa genealógico ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo acerca de um aparente embuste - um "parto suposto" - segundo a língua afiada do povo, a que se juntou a má vontade de parte da família do morgado de S. Miguel, em S. Clemente de Sande, Guimarães, os que com esse nascimento perdiam direitos ao morgadio, e que por isso, não se conformando, levaram a acesa disputa familiar.
Ensaio histórico e genealógico, invulgar e muito interessante, publicado em separata da revista «Armas e Troféus» : Janeiro-Abril de 1977 - N.º 1.
Ilustrado com duas fotografias da Quinta de S. Miguel em folha separada do texto, e um desdobrável de generosas dimensões (24x36,5 cm), também à parte do texto, com a árvore genealógica do Morgadio de S. Miguel.
"[...] Passa o morgadio da Rua das Flores para a quinta de S. Miguel. Em breve morre sem descendência Patrício Machado de Miranda.
A estas páginas, chega seu irmão e sucessor, Jerónimo Machado de Miranda. Vem  velho, de mãos trémulas, manco a arrastar-se com dificuldade o 8.º senhor do Morgadio. É este o marido que Deus e vontade dos Pais destinam para Eugénia da Cunha Peixoto, a do Parto Suposto Ouçamos os nobiliários:
- «... f. a de M. el da Cunha Maranhas, q por morte de seu marido ficou prenhe, e teve hum f.º chamado Sebastião e como os parentes do marido duvidarão do parto lhe  moverão demanda, mas venceo a viuva e morrendo o f.º passou o vincullo a sua Irmã Ignez de Miranda, e por isso lhe chamão o Morgado do parto suposto...»
- «Esta Eugenia da Cunha ordenou hu parto supposto para levar o morgado q instituio Gil L.co de Miranda de q este Jm Machado era sucessor s. g.».
Quem foi? Que fez Eugénia da Cunha Peixoto?
Apertada em faixas, ao colo da ama, estremece e possivelmente chora, a 25.5.1594, a recém nascida Eugénia, ao receber o Baptismo na igreja de S. Sebastião em Guimarães; são seus padrinhos Fernão Rebelo e a mulher de Pedro Roiz Caneiros. É a primogénita de Manuel da Cunha, o Maranhas, «que veio das Indias de Castella», onde fez fortuna depois de ter saído de Guimarães, «fidalguo qaue diz elle proprio ser», e de sua mulher Antónia de Freitas Peixoto, dos Morgados de Lamelas, ligados aos Peixotos, da Casa da Pousada, sangue do mais nobre, vínculo mais antigo das terras de Guimarães.. Infância passada entre rezas e folguedos, a correr pelos seus a esperança do Desejado, a fé num Portugal sempre vivo, a inocência a livrá-la da dor de saber uma Pátria quase morta nas areias de Alcácer, alguns anos antes de ela vir ao mundo."
(Excerto do Estudo)
Maria Adelaide Cardoso de Menezes Pereira de Moraes (1930-2023). "Nasceu em Lisboa a 20 de junho de 1930. Filha da vimaranense Dona Luiza Adelaide Cardoso de Macedo e Menezes (Margaride) e do diplomata brasileiro José Júlio Carvalho Pereira de Moraes, foi funcionária do Museu Alberto Sampaio, entre 1978 e 1994, e académica correspondente da Academia Portuguesa de História.
Entre as várias obras publicadas da investigadora, destacam-se Velhas Casas I a XI (1967-1990); Velhas Casas de Guimarães em dois volumes (2001 e 2002); Eugénia da Cunha Peixota ou O Morgado do Parto Suposto (1977); Guimarães, Terra de Santa Maria (1978); Capelas Vinculadas da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira (1981), entre outras."
(Fonte: https://maisguimaraes.pt/presidente-da-camara-municipal-de-guimaraes-lamenta-morte-de-maria-adelaide-moraes/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

13 fevereiro, 2026

PROENÇA, P.ᵉ Álvaro - COMO O POVO REZA. (Etonografia). Lisboa, [s.n. - Tip. Inácio Pereira Rosa, Lisboa], 1941. In-8.º (18,5x13 cm) de 173, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Capa da autoria do artista Dr. Rui Nogueira.
Importante subsídio etnográfico, histórico e religioso.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógafa do autor.
"Razoávelmente estudado tem sido, já, o nosso bom povo de costumes tão pitorescos e belos.
Pelas nossas aldeias e mais reconditos lugarejos, desde o Minho, jardim mimoso de sonho, até ao Algarve encantado, olhos perspicazes, almas de artistas, têm seguido, com amor e ternura, as manifestações belas da vida simples e sóbria duma população ingénua e laboriosa. [...]
Há todavia alguma coisa que ainda falta na nossa literatura etnográfica.
Nunca o povo é tão curioso, tão digno de ser estudado e tão grande quando como quando as suas mãos calejadas se erguem para o céu.
É vê-lo, de olhos alheados das coisas da terra, desbarreado, modesto, mais humilde do que nunca, a rezar, ajoelhado nas frias lages da sua igreja paroquial, na capelinha pequenina e pobre ou à noite junto à lareira.
Por mais descrente que o observador seja, é impossível que não encontre grandeza na oração do povo. [...]
Apesar de ser assim, o povo tem sido pouco estudado neste ponto. Orações supersticiosas, bruxedos, crendices de tôda a espécie, tudo isso foi já recolhido. Da oração pura e simples encontra-se aqui uma amostra, além outra, raras, e todavia pela sua beleza e interêsse, elas devem ser conservadas com amor.
Por nosso lado julgamos fazer obra bôa recolhendo o que de mais belo tem a alma popular, aquilo que dela se evola quando a religião aprendida e bebida no leite materno é praticada e vivida sem mistura de produtos de ignorância ou de fá vacilante."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo; Sinal da Cruz; Orações da manhã; Ao sair de casa; Ao entrar na igreja; Para a missa; Para a confissão; Para a comunhão; Orações à Virgem; Orações ao anjo da guarda; Orações aos santos; Orações pelas almas; Para as tentações; Orações da noite; Orações para o trabalho; Orações diversas; Padre Nosso; Avé Maria; Credo; Para o Natal; Para a Semana Santa; Um pouco de catecismo.
Padre Álvaro Proença (Lisboa, 1912-1983). "Entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa (a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus (desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos, entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983. Dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).”
(Fonte: https://toponimialisboa.wordpress.com/2018/07/06/alameda-padre-alvaro-proenca-na-freguesia-que-estudou-e-onde-foi-paroco/)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa apresenta pequenas falhas marginais.
Raro.
25€