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05 outubro, 2025

CARTAS SOBRE AS NEGOCIAÇOENS PENDENTES ENTRE AS CÕRTES DE PORTUGAL, E HESPANHA A CERCA DE MONTE VIDEO E A MENSAGEM DO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS AO SENADO E CASA DOS REPRESENTANTES; SOBRE A NECESSIDADE DE TOMAR POSSE DAS FLORIDAS, EMQUE SE VÊM OS MESMOS ARGUMENTOS PARA POSSUIR AS FLORIDAS, QUE PRODUS O AUTHOR PORTUGUEZ PARAQUE
El Rey de Portugal retenha Monte Video. Londres: Na Impreçao de Mess. Coz e Baylis, Great Queen Street. [1818]. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo interessantíssimo, com relevante interesse histórico.
Trata-se da troca de argumentos nas páginas de dois jornais londrinos, entre um patriota português e um espanhol, a propósito da ocupação de Montevideu (actual Uruguai), pelo coroa portuguesa. É evidente a fragilidade de uma Espanha não recuperada ainda da sua coligação com a França no contexto da Guerra Peninsular (1807-1814), parceria amplamente derrotada nos campos de batalha. No final vem impresso a missiva do presidente americano James Monroe ao Senado e Câmara dos Representantes dos EUA, justificando a ocupação da Florida, outra colónia espanhola, com a necessidade de defesa das fronteiras contra as incursões dos índios, resultado da inércia das autoridades espanholas, decisão que, aos olhos do patriota português, justifica a ocupação de Montevideu, já que as razões apresentadas são as mesmas - protecção de fronteiras.
A carta do "patriota português" é muito interessante, bem redigida, pejada de factos históricos relacionados com a Guerra das Laranjas e seus antecedentes, pondo a descoberto a traição espanhola de conluio com a França, e a ocupação ilegal de Olivença (que perdura) - uma verdadeira aula de história!
"Senhor! - A chegada do Ministro Portugues à Paris, que diariamente se espera, se olha anxiosamente como um acontecimento politico da maior importancia, sendo bem sabido que as discussoens entre Hespanha, e Portugal, relativas á occupaçaõ do territorio de Monte-Video, estaõ ao ponto de ser decididas. Diz o rumor, que o Gabinete do Brazil naõ está disposto a prestar a devida attençaõ ás reclamaçoens de Hespanha neste ponto, nem ás pacificas recommendaçoens das Potencias mediadoras."
(Excerto de Carta dirigida ao Edictor do Times...)
"Senhor! Era apenas de suppor (depois do que se tem dito e publicado) que algum individuo tivesse ainda o arrojo de se dirigir ao publico, da maneiro que o fez "Philo Justitiae," no jornal Times. Esta tentativa para influir a opiniaõ publica, por mais fraca que sêja, naõ se deve tractar com demasiada indifferença. A occupaçaõ de Monte-Video tem-se justificado com varios argumentos; 1.º que a Côrte do Rio-de-Janeiro se naõ devia fiar nas promessas da Côrte de Madrid, vista a experiencia, que tam cara lhe custou em tempos passados: segundo, que o Governo Portuguez teve em vista, na occupaçaõ de Monte-Video, proteger as suas fronteiras contra os designios de Artigas."
(Excerto de Carta ao Edictor do Jornal Inglez Morning Chronicle...)
"Apresento agóra ao Congresso todas as informaçoens, que possue o Executivo, a respeito da guerra com os Seminoles, e medidas que julgou proprio adoptar, para segurança dos nossos considadaõs, na fronteira exposta as suas devastaçoens. Os documentos inclusos mostram, que as hostilidades desta tribu naõ fòram provocadas, que saõ parte de um espirito, por longo tempo fomentado, e muitas vezes manifestado contra os Estados Unidos, e que no presente caso se vai extendendo a outras tribus, e assumem diariamente aspecto mais sério.
Como toda esta tribu habita o paiz que está dentro dos limites da Florida, éra a Hespanha obrigada pelo tractado de 1795, a prevenir que elles commettessem hostilidades contra os Estados Unidos. Temos visto, com pezar, que aquelle Governo tem absolutamente deixado de cumprir com ésta obrigaçaõ, nem sabemos que tenha feito esforço algum para esse fim."
(Excerto de Mensagem do Presidente ao Senado sobre as Floridas)
Índice:
Carta dirigida ao Edictor do Times, e naquelle Jornal publicada, sobre a posse de Monte-Video pelas Tropas portuguesas, por Philo Justitiae. Paris, 14 de Fevereiro [1818] | Carta ao Edictor do Jornal Inglez Morning Chronicle, em resposta à antecedente, por Um Portuguez amante do seu Rey e da sua Patria. Paris 9 de Abril 1818 | Mensagem do Presidente ao Senado sobre as Floridas, por James Monroe. Washington, 25 de Março 1818.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

11 dezembro, 2024

PIMENTA, Belisário -
A CAMPANHA DE 1801.
(Ligeiras considerações a propósito duns documentos). Coimbra, Biblioteca da Universidade, 1949. In-4.º (24,5x16,5 cm) de [4], 44 p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante contributo para a história do confronto militar luso-espanhol que ficaria conhecido para a posteridade como "Guerra das Laranjas", movimento que concorreu para a ocupação e subtracção de Olivença a Portugal.
Separata do «Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra», Vol. XIX.
"A rápida campanha de 1801, apodada pitorescamente «das laranjas», sem lances ou episódios de relevo nem comandantes que sobresaísem acima do mais vulgar, merece contudo as atenções dentro da história militar portuguesa. Tiram-se dela ensinamentos não só para o estudo geral da defesa do País como também para o das facilidades com que, em certas épocas, se entregou a quem o não merecia, a direcção suprema dos exércitos.
Este episódio doloroso da nossa história, consequência de muitas dificuldades da política externa mas muito principalmente do desleixo e desorientação da administração interna, contém vários aspectos dignos de serem observados - desde o da falta de coordenação nos assuntos de organização do exército e nos estudos ou planos de defesa, decerto os mais importantes, até ao cómico de certos pormenores que deu azo a sátiras e diatribes alegres tão predilectas ao português e que serão, possìvelmente, os aspectos mais tristes."
(Excerto do Estudo)
Belisário Maria Bustorf da Silva Pinto Pimenta (Coimbra, 1879 - Lisboa, 1969). "Nasceu em Coimbra em 1879. Frequentou o colégio externato do Padre Simões dos Reis e depois transitou para o Liceu. Aos 14 anos começou a formar a sua biblioteca pessoal, que no final da sua vida ultrapassava mais de oito mil obras. Seguiu a carreira militar ingressando como cadete na escola Prática de Infantaria de Mafra. Em 1903 foi promovido a alferes e em 1910 passou a ser Comissário da Polícia em Coimbra. A sua vida militar decorreu ainda por Valença, Portalegre, Castelo Branco, Lagos, Porto, Penafiel, Abrantes e Leiria. Em 1913 publica o seu primeiro trabalho sobre Miranda do Corvo, tema que foi uma das suas predileções e cultivou até ao final da sua vida. Os seus escritos sobre o concelho encontram-se dispersos por jornais (Alma Nova, Diário de Coimbra) e monografias, podendo ser considerado como o autor que mais se debruçou sobre o concelho. Privou com figuras ilustres da cultura como sejam Eugénio de Castro, António Nobre, António José de Almeida, Vitorino Nemésio, António Nogueira Gonçalves ou Álvaro Viana de Lemos, entre muitos outros."
(Fonte: https://cm-mirandadocorvo.pt/pt/menu/347/belisario-pimenta.aspx)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível