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13 agosto, 2021

FARIA, Eduardo de - OS QUE GANHARAM COM A GUERRA
. Lisboa, Tipografia da L. C. G. G., 1935. In-8.º (19 cm) de 267, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Romance sobre vidas suspensas - os encontros, desencontros e consequências provocadas pela Grande Guerra. Livro raro e muito interessante, com um final desconcertante.
"Encontrou, dias depois, um soldado de fato de campanha e sem o braço direito.
Olhou-o timidamente mas, disposta a saber notícias do pai do seu filho, dirigiu-lhe a palavra, ao princípio a mêdo, mas depois já com confiança originada pelo rosto franco e aberto do mutilado.
Êle depois de concentrar-se uns momentos, teve um gesto de desalento, e disse:
- Não conheci, minha senhora. Eu era do 35, um regimento que estava colocado bem longe da pessoa que pregunta.
Também não se admire, acrescentou. Tive lá um irmão a quem nunca consegui pôr a vista em cima.
Só sabia dêle pelas cartas que a minha «velhota» me mandava.
Ia a agradecer-lhe e retirar-se quando, no desejo de aprofundar aquela vida em que José Manuel vegetava, preguntou:
- E a França é assim uma coisa tam má como alguns dizem?
- Essa é boa, minha senhora, exclamou o soldado.
Aquilo não é mau, é péssimo.
Entra um homem para as «trinchas» como uma alminha cheia de pecados desce ao inferno.
E não tem mais um momento de socego, nem de paz.
A tôdas as horas, em todos os minutos, vive sob uma pressão enervante, capaz de desorganizar todos os espíritos e atirar tôdas as cabeças para a loucura.
Ás vezes, após a rendição, e ao atentarmos na calma existente em todo o sector, dizemos para os nossos botões:
Esta manhã vamos descansar um bocado!
Mas, é o descansas.
Dali a pouco, começam as metralhadoras, as "luizas", a cantar, vê-se razando o chão a cortina pesada dos gazes asfixiantes, e o "boche" atira-nos para cima com "balázios" de todos os calibres, alguns do tamanho daquela creança que ali vai pela mão da mãe.
Um autentico pavor, minha senhora."
(Excerto do Cap. 10)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Contracapa manchada.
Raro.
Indisponível

13 junho, 2021

FARIA, Eduardo de - E, QUANDO A GUERRA ACABOU...
Drama em 1 acto
. Lisboa, Tipografia L. C. G. G., 1932. In-8.º (17,5 cm) de 18, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro do tema "Grande Guerra" de Eduardo de Faria, autor de outras obras subordinadas ao mesmo assunto, tais como: Auto das três almas (1929); Expedicionários (1931); Herois e seus fantasmas (1934); Éramos três irmãos (1936).
Opúsculo dedicado pelo autor aos irmãos Mac-Bride - Alberto e Eugénio - médicos portugueses que integraram o contingente português na Flandres.
"A cêna representa a salinha de visitas dum manicómio. Ao centro, uma mesa com ilustrações já desfolhadas e cebosas pelo uso. Cadeiras de vêrga encostadas às paredes. Ao fundo, uma janela que deita para a cêrca. Não há flores em jarras, nem quadros a animar o ambiente frio e desconfortável. De fora, chega, volta e meia, um grito que arrepia, tornado mais negro ainda êsse sombrio quadro."
(Excerto da apresentação da cena)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. rosto (canto superior direito).
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.
Indisponível

28 março, 2020

FARIA, Eduardo de – ERAMOS TRÊS IRMÃOS… 1 Acto em verso. Lisboa, Tipografia dos Combatentes da Grande Guerra, 1936. In-8.º (22 cm) de 32 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo ilustrado com o retrato do autor em separado.

“Desconhecido?

Quem é? Eu sei quem é êsse heroi ignorado,
Sei até o seu nome e a terra onde nasceu.
Repousa na Batalha a parte que morreu
Mas a outra metade anda-nos lado a lado.

Sei que foi marinheiro, e como nauta ousado,
Com Carvalho Araujo tombou olhando o ceu.
Na África lutou, fome e sede sofreu
E em La Lys deixou seu nome celebrado.

Dorme uma parte só, num socêgo infinito.
A outra, anda por aí, sem um ai, sem um grito,
Vergada sob o pêso de tam fugaz glória.

É um bloco imenso, com nome já esquecido.
É um batel sangrento, à praia devolvido,
São os trinta e seis mil de que não reza a História”

(Prólogo)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

02 julho, 2019

CARVALHO, Major, Mario Affonso de - O BOM HUMOR NO C. E. P. (França 1917-1918). 2.ª edição Correcta e aumentada. Pelo... ex-Alferes Provisor dos Batalhões de Infantaria n.º 23 e 14 do C. E. P. [Prefácio de Eduardo Faria]. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G.], 1945. In-8.º (18cm) de 309, [3] p. ; il. ; B.
Memórias de guerra do autor, combatente do C. E. P. em França.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com mapas, croquis, desenhos e fotogravuras, alguns em página inteira.
"Suponho, que não deve causar estranheza a ninguem, o facto de só passados 26 anos após o final da penúltima grande guerra, eu ter dado á luz estes episódios e histórias anecdóticas do nosso C. E. P., que saquei da gaveta da minha secretária onde os tinha registado no meu Diario de Campanha, amarelecido e poeirento e d'onde deviam ter sahido ha mais tempo, desde que apresente a minha razão, seja ou não aceitavel. [...]
Nas minhas descripções não ha fantasia para armar ao efeito.. Tudo se passou assim tal e qual.
Como igualmente já afirmei na primeira edição, n'este amontoado de histórias, episódios e ditos de graça, eu tive em primeiro logar a intenção de focar a psicologia humorística das nossas tropas do C. E. P. e isto honestamente, sem pretensões, n'um tecido de prosa fácil e acessível, para que possa estar ao alcance tanto de ricos como de pobres das letras.
Se outra razão não houvesse para fazer este meu livro, bastava a honra, que sinto em trazer a público as minhas impressões sobre a vida dos combatentes portuguezes na maior guerra em que tomaram parte até hoje, para justificar plenamente esta minha decisão.
É também esta obra, um himno ao seu heroismo.
Foi lá - na Flandres - que conheci, atascado na lama e enregelado até á medúla, a emoção forte da batalha e a satisfação muito intima de nos vermos debaixo de temporal de ferro e fogo e verificarmos admirados que somos capazes de o afrontar, indiferentes ao perigo e á morte!.."
(Excerto da Apresentação)
"Glória immorredoira aos bons soldados de Portugal, valentes legionários do martirio, fieis e sacrificados servidores da Raça, humildes heroes que dormem o derradeiro somno debaixo d'essa terra de França bela e imortal, terra que a insania da ignobil metralha desvastou, em ppapando-a do seu sangue generoso e que tão bem souberam morrer em holocausto á liberdade, longe da Pátria, entregues apenas á brutalidade do seu Destino!..."
(Dedicatória, Aos portuguezes que tobaram na Flandres!)
Índice: Prefácio. | Apresentação. | O Rastilho da Guerra de 1914-18. | 1.ª Étape - Campanha de Pau-Lona. 2.ª Étape - A marcha Pesadêlo. 3.ª Étape - Na zona dos Acantonamentos. 4.ª Étape - A marcha para as Trinchas. Ultima Étape - Na fornalha ardente: Sector de Fermes-du-Bois; Sector de Fauquissart; Sector de Neuve-Chapelle. | - Música, arte divina. - História da música. - Música militar. - A música do C. E. P. - A giria da malta. - Filosofia da malta das trincheiras. - O amor no C. E. P. - Básicos e bibásicos. - O bom humor poético. - Fado do piolho. - O Corned-beef. - Adeus cama fofa. - Prisioneiros. - Batalha de Rastatt. - Clarins! a marcha da Aida! - Parada da Victoria. - Apoteóse. - O que disse a critica.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa manchada, com pequenos defeitos no revestimento.
Pouco comum.
Com interesse histórico.
30€

03 fevereiro, 2019

FARIA, Eduardo de - HEROIS E SEUS FANTASMAS. [S.l.], [s.n. - impresso na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra], 1934. In-8.º (19,5cm) de 220, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas sobre a Grande Guerra e os efeitos produzidos nos combatentes.
Capa de António Antunes.
Obra dedicada pelo autor, respectivamente:
Á sagrada memória dos doze mil mortos que deixámos na França, na África e no mar.
Para que, ao menos, o seu sacrefício crie o horror a uma nova guerra.
Á geração dos «menos de trinta anos».
Para que nos seus corações nasça um sentimento de justiça aos que se bateram, e un hino à Paz.
Ás Mães, às Esposas, a tôdas as Mulheres que não nos desampararam na hora do perigo, e que, ainda hoje, fazem das suas lágrimas um bálsamo que nos mitiga a sêde de justiça.
Á Liga dos Combatentes da Grande Guerra, Cruzada das Mulheres Portuguesas, Comissão dos Padrões da Grande Guerra e F. I. D. A. C. (Fédération Interalliée das Anciens Combatants).
Aos corações puros da gente da minha terra.
"Antes de começar a desembobinar o documento horrível intitulado Herois e seus Fantasmas, acho oportuno explicar os intuitos desta obra isenta de espírito faccioso, seja qual fôr a forma como encarêmos, e destinada, sómente, a erguer nas almas um ardente desejo de Paz.
Inúmeras produções têm aparecido nas montras atulhadas das livrarias, glosando o velho mote da grande guerra e trazendo-nos aspectos quasi sempre individuais da campanha, pois o escritor se limita a circunscrever o "seu caso", porque a grandeza e a extensão do conflito não lhe permite narrar "o todo".
E, perante a vista horrorisada dos espectadores, perpassou o grande drama representado de 1914 a 1918, um drama que, embora viesse mudar, por completo, a face do mundo permitindo-lhe novas directrizes e novíssimas experiências no campo político e social, vinha, também, fazer renascer no espírito da Humanidade sacrificada, o anseio de que nova carnificina não inundasse a terra de sangue. [...]
Esta obra, obra afinal escrita mais com o coração, vem atacar um caso novo.
Não vem fazer a apologia da guerra, mas vem falar na guerra de ontem e na situação de hoje; vem, sobretudo, narrar a odisseia dos «Herois e seus fantasmas», pois de autênticos fantasmas se trata, nada semelhantes aos soldados varonis e fortes que se bateram com denodo."
(Excerto da introdução, Ao leitor)
Índice:
Ao leitor. - Não ha asár, meu alferes. - A bóta do môrto. - O servente do hospital. - A última víctima. - Dôr de mãe. - O regresso. - Uma historia sem comentarios. - No manicomio Miguel Bombarda. - No Telhal. - O soldado de Pêro Pinheiro. - A «sardenta». - A ultima noite. - Novela da triste sorte. - A agonia de Foch. - A «outra verdade». - A morte do nosso Marechal. - Sua Ex.ª o Diabo. - A quda do Idolo. - A volta do desaparecido. - Renuncia. - O que caiu no fim do ano. - O crime do «Zé Soldado». - A marcha dos mórtos.
Encadernação simples em meia de percalina. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequena falha do revestimento na extremidade inferior da lombada.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

31 janeiro, 2018

FARIA, Eduardo de - EXPEDICIONÁRIOS. Com um prefácio do Ex.ᵐᵒ General Norton de Mattos. Lisboa, Edição do Autor [imp. na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra], 1931. In-8.º (21 cm) de 179, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de H. Martins.
Episódios da Grande Guerra em África vivenciados pelo autor, expedicionário em Moçambique.
"Nas páginas lidas, vejo o relato dos sofrimentos que tiveram de suportar as nossas tropas na costa oriental de África, a quando da Grande Guerra. Em todas as guerras tem havido, e haverá sempre, fome, sêde, calôr ardente ou frios glaciais, as intermináveis e angustiosas marchas sôbre lamas viscosas, ou em areias movediças, os climas palustres, as epidemias de toda a espécie; e tudo isto em tão alto e cruciante grau que os ferimentos são o que menos custa, e a morte é, ás vezes, bem vinda. [...]
Fez reviver, em mim, o livro «Expedicionários» dolorosos transes.
Não estavamos em 1914 preparados, como povo, para nos defendermos das cobiças de estrangeiros; como exército, para combatermos, fôsse onde fôsse, fôrças de nações civilizadas; como Estado, para ràpidamente visionarmos a nossa missão e aproveitarmos a victória, não sòmente para a conservação do que possuiamos, mas também para reivindicar parte do que tinha sido nosso.
As energias nacionais superaram, em grande parte, a falta de preparação do povo e do Exército; - fizeram-se os milagres do costume, o muito com pouco da toda a nossa História."
(excerto do prefácio)
Índice:
Prefácio. Conversação prévia. I - O regresso. II - Quem parte leva saudades. III - Escola de Herois. IV - O busilis da questão. V - A autoridade moral. VI - Tragédias de hospital. VII - Prisioneiros de guerra. VIII - A loucura colectiva. IX - O cigarro do soldado. X - Notícias de longe. XI - O Armistício. XII - Tudo como dantes. XIII - Natal em campanha. XIV - O desmanchar da feira. XV - A moeda com que se paga aos vassalos. XVI - Um problema complicado. XVII - Uma pausa. XVIII - O respeito popular. XIX - O sr. Prudêncio. XX - Mortos eternos. XXI - Recordar... é morrer. XXII - Cegos da guerra. XXIII - Tenhâmos fé. XXIV - Um monumento aos vivos. XXV - O grande capitão. XVI - Espiões. XXVII - A grande parada. XXVIII - Nacionalisemos a África. XXIX - O nosso orgulho. XXX - Definição oportuna. XXXI - Uma reunião singular. XXXII - A hora própria. XXXIII - Fala do soldado desconhecido.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na capa e f. rosto. Dedicatória (não do autor) igualmente na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

06 junho, 2013

FARIA, Eduardo de - AUTO DAS TRÊS ALMAS. Lisboa, [s.n. - imp. na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra], 1929. In-8º grd. (22cm) de 15, [1] p. ; B.

Comovente peça de teatro em verso tendo a Grande Guerra como pano de fundo. Um mutilado da guerra conta à mãe e filha de um camarada de armas morto a seu lado em França, a 9 de Abril, o seu sacrifício e recorda as suas últimas palavras.




"Senhoras. Vinde ouvir
estes versos dedicados àqueles pobres soldados
que andaram àlem na Guerra.
Lusitanos esforçados por seu valôr imortal.
Luctando por sua terra
em louvôr de Portugal.

Vinde ouvir a odisseia
dêsses infantes valentes
que marcharam deligentes
e que tão poucos voltaram.
Vinde vêr o brio ardente
traduzido em mago canto.
Vinde a enxugar o pranto
que suas noivas choraram.

Senhoras, senhores, crianças,
vinde ouvir os tons plangentes
dêsses serranos valentes
luctando mesmo sem esp'rança
...........................................
Caem calmas e bonanças
a cobrir já toda a terra,
após o esfôrço imortal.
Soldados da Grande Guerra,
Ó heróis de Portugal."

(Prólogo)

Eduardo de Faria (1896-1951). Tenente, oficial miliciano combatente da Grande Guerra.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta vinco no canto sup. dto da capa. 
Muito invulgar.
Indisponível