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09 abril, 2026

CUNHA, Annibal -
EM MINHA LEGITIMA DEFEZA.
Exposição apresentada ao Senado da Republica Portugueza por... Capitão-Pharmaceutico. Porto, Typographia Artes & Lettras, 1913. In-8.º (21x15 cm) de 27, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da Revolta de 31 de Janeiro de 1891, ocorrida no Porto. Trata-se da narrativa do autor, participante directo do movimento conspirativo, tendo tomado parte nos encontros e negociações de bastidores entre militares e iminentes figuras da República, e do que se seguiu - a fuga, e o exílio após o fracasso golpista, - e por fim o regresso à Pátria, onde, após o 5 de Outubro de 1910, reclama da sua situação militar. Inclui diversa documentação relacionada com o 31 de Janeiro, incluindo missiva abonatória em seu nome expedida por João Chagas do Limoeiro, em artigo de 1897, publicado no jornal Marselhesa, que o próprio dirigia a partir da cadeia, e outros testemunhos abonatórios de conhecidas personalidades do regime recém-instituído.
Opúsculo valioso, raro, sem referências bibliográficas, incluindo a BNP que não menciona a obra. Por certo com tiragem reduzida
"Sendo estudante, assentei praça, como voluntario, no mez de Janeiro de 1888, no Regimento de Infanteria 18, requerendo licença para estudos, que me foi concedida. Em 1890, á data do Ultimatum do governo inglez, tinha eu o posto de cabo. Tomei parte activa nas manifestações academicas de caracter politico que então se produziram, chegando a dirigir os meus companheiros do Lyceu do Porto sob o meu commando.
Terminando o anno lectivo, recolhi ao corpo e empreguei todo o tempo disponivel na propaganda republicana a dentro dos quarteis, distribuindo, secretamente, periodicos republicanos pelas casernas, organisando grupos e dando reuniões de cabos depois do toque de recolher.
Uma noite, estando de inspecção o capitão Sarsfield, reuni os meus camaradas e propuz-lhes a conveniencia de sahirmos  armados para a rua, afim e se proclamar a Republica. No meu enthusiasmo de rapaz, julguei que o momento era opportuno, visto que á Guarda Municipal não tinha sido ainda distribuida a espingarda Kropatschek, o que nos dava uma grande superioridade, apezar de estarem muito reduzidos os quadros dos regimentos da guarnição do Porto, pelo facto de haverem  sahido grandes contingentes d'estes corpos para o cordão sanitario. Quando este plano estava prestes a ser executado, alguem lembrou a conveniencia de préviamente nos entendermos com os elementos civis, pois poderia a nossa precipitação prejudicar quaesquer trabalhos revolucionarios que estivessem organisados. Por proposta minha, ficou desde logo nomeada uma commissão de cabos, que no dia immediato procuraria João Chagas, director da Republica Portugueza, para lhe offerecer a nossa cooperação Assim se fez, indo nós á redacção do jornal avistarmo-nos com João Chagas, que ficou surpreehendido com o que ouvia e deliberou enviar-nos no dia seguinte um delegado seu, que se entenderia connosco no Jardim da Cordoaria.
De facto, lá appareceu, á hora marcada, o Dr. Eduardo de Souza, que, em face da nosse attitude, e reconhecendo a gravidade da situação, nos aconselhou a fallarmos novamente com João Chagas, ficando eu incumbido d'essa missão.
João Chagas aconselhou-nos que esperassemos alguns dias até ao regresso ao Porto de Bazilio Telles e Santos Cardoso, para depois se dar inicio aos trabalhos revolucionarios entre militares. Pôz-me depois em relações directas com Alves da Veiga, Bazilio Telles e Santos Cardoso, que morava então na rua do Almada, onde João Chagas, para este effeito, lhe foi apresentado por José Pereira de Sampaio, que os reconciliou."
(Excerto da Narrativa)
Aníbal Augusto Cardoso Fernandes Leite da Cunha (1868-1931). "Cientista, pedagogo e militar. Filho de António Cardoso Leite da Cunha, militar, e de D. Quitéria Augusta Fernandes Cunha, naturais do Porto e moradores na rua do Almada, nasceu na freguesia da Vitória, Porto, a 8 de setembro de 1868. Foi batizado no dia 24 de outubro seguinte, tendo como padrinhos José Fernandes, seu avô materno, e Ana Rita da Costa Pinto.
No Porto fez o curso dos liceus e cedo se notabilizou pela sua intervenção cívica. Militar desde 1888 (assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria 18), participou na Revolta de 31 de Janeiro de 1891, facto que o conduziria ao exílio. Em Espanha, onde se exilou, foi um dos subscritores do Manifesto dos Emigrados da Revolução Republicana Portuguesa de 31 de Janeiro de 1891, editado em Madrid a 12 de abril desse ano. No Brasil, onde também esteve exilado, exerceu o magistério.
Regressou a Portugal após amnistia, a 6 de junho de 1893, e casou com Laura Vieira d’Andrade.
Em 1910 foi reintegrado no exército, mais tarde, em 1921, foi promovido a Major Farmacêutico e em 1930 colocado na situação de reserva.
Aníbal Cunha é considerado um dos principais obreiros da afirmação do ensino farmacêutico em Portugal, muito tendo contribuído para a converter a Escola de Farmácia na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, em 1921.
Integrou associações científicas e foi condecorado com a medalha de prata de classe de comportamento exemplar, medalha de bronze comemorativa da Revolta do 31 de Janeiro e medalha de ouro de comportamento exemplar. Foi, ainda, distinguido, com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e o título de Comendador da Ordem Militar de Avis.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
85€
Reservado

19 janeiro, 2026

MACHADO SANTOS, A CARBONÁRIA E A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO.
Textos de Joaquim Madureira, Augusto Vivero e António de la Villa. Precedido de um estudo por João Medina. Textos Universitários – Opúsculos / 1. Lisboa, Cooperativa Editora História Crítica, S.C.A.R.L., 1980. In-8.º (20x15 cm) de 56, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante documento histórico sobre a implantação da República e a acção da Carbonária. Valorizado pela introdução de João Medina (n. 1939), com inclusão de textos de conhecidos jornalistas da época a que reportam os acontecimentos: Joaquim Madureira (1874-1954), também conhecido pelo pseudónimo "Braz Burity", e os espanhóis Augusto Vivero (1879-1939) e António de la Villa (1881-?).
Ilustrado com fotografias a p.b.
"Se observarmos com atenção esta figura política que os historiadores parecem querer esquecer, não podemos deixar de sentir uma espécie de embaraço misturado com muita perplexidade, já que tudo se mostra contraditório e por vezes mesmo paradoxal no destino e na alma do homem que fundou a República, que foi o braço armado que, na hora decisiva em que todos desanimavam e alguns desertavam já, fez pender a balança da História para o campo dos revoltosos e, no reduzido acampamento da Rotunda, com uns quantos sargentos, praças e civis, verdadeiramente arrebatou a vitória nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910."
(Excerto do estudo de João Medina)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

09 novembro, 2024

PATRICIO, Arthur - NA BARRICADA DA ROTUNDA : episodios interessantes do movimento revolucionario. 
[Por]... 1.º Cabo de Artilharia N.º 1
. Lisboa, Centro Typographico Colonial, 1912. In-8.º (21 cm) de 47, [1] 
p. ; [1] f. il. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relato do ambiente que se viveu em Lisboa ao longo do dia 5 de Outubro de 1910, particularmente na Rotunda. Trabalho "escripto na cazerna, quando recruta nas horas de folga da instrucção" por um simpatizante da causa revolucionária, testemunha ocular dos acontecimentos, que dedica o opúsculo aos seus "camaradas do heroico e glorioso Regimento de Artilharia n.º 1, aos carbonarios e a todos os que contribuiram para a implantação da nossa querida Republica."
Livro ilustrado com fotogravuras dos participantes nos combates ao longo do texto, em separado com um retrato do autor, e em folha desdobrável à parte, "o heroe Raphael Miguel", junto com o grumete artilheiro Alfredo Gomes Froes, ambos resistentes ao fogo das forças de Queluz comandadas por Paiva Couceiro. Inclui ainda o retrato de destacados lideres republicanos: Miguel Bombarda; Bernardino Machado; Machado dos Santos; Magalhães Lima; Afonso Costa; Teófilo Braga; João Chagas.
"Antes de entrar no assumpto a que o titulo se refere, julgo conveniente explicar o seguinte:
Tive a felicidade de ser testemunha do audacioso movimento que proclamou a Republica, e estou portanto ao alcance de narrar os acontecimentos que os meus olhos viram. Ao tempo ainda era paizano, trabalhava pelo officio de impressor no Centro Typographico Colonial, largo da Abegoaria, 27."
(Excerto do preâmbulo, Leitores)
"[...] Os soldados conviviam com os grupos revolucionarios civis no mais amplo e fraternal amplexo, deitando-se alguns na verde relva á sombra das palmeiras, outros fumando reclinados nos selins dos muares, olhando para o cigarro, como que perguntando a si proprios se seria aquelle o ultimo que saboreavam...
Estendidos na relva, viam-se muitos populares bem trajados, com carabinas na mão, e toda a casta de armamento, taes como revolveres, pistolas automaticas, facas, espadas, sabres, etc., e que fallavam em voz baixa, incutindo uns aos outros coragem no sacrificio de darem o seu sangue pela Republica, de morrerem por ella, visto estarem metidos n'aquella aventura para a vida ou para a morte. [...]
Já tinha visto o Machado Santos, o unico e heroico official que commandava aquellas forças, codjuvado por sargentos que, como elle, tambem andavam a cavallo, percorrendo a frente do acampamento dando ordens. [...]
Tinha o rosto sereno, a fronte lisa, e não mostrava inquietações; os soldados que ao principio, quando eu cheguei, pareciam indisciplinados, recebiam agora as ordens, que cumpriam com escrupulosa exactidão. [...]
Assisti nas terras do Parque Eduardo VII ao combate com a bateria de Queluz e estive em risco de ser victima; pelos atalhos que iam dar ao quartel de artilharia avançavam constantemente numerosos grupos armados com espingardas que levavam e transmitiam ordens, expondo-se assim a uma morte inevitavel. [...]
Começou a circula a noticia da approximação de artilharia de Santarem, que vinha em attitude hostil, e de um provavel desembarque de dois mil marinheiros, que, tomando o quartel general aos monarchicos, viria avenida acima, para secundarem o feliz exito do movimento."
(Excerto da narrativa)
Exemplar brochado em bom estado geral deconservação. Capas frágeis, manchadas, com pequenos defeitos.
Raro.
Peça de colecção.
35€

25 abril, 2024

FOTOGRAFIAS (3) DO 25 DE ABRIL DE 1974

Dim: 137x86 mm

Fotografias de época, originais, "tiradas" na Baixa de Lisboa no dia do golpe militar de 25 de Abril de 1974, movimento que ficaria conhecido para a história como Revolução dos Cravos:
 
- Na primeira, populares posam junto de soldados em defesa de posição, divisando-se um, parcialmente, deitado na calçada (no canto inferior esquerdo da foto), e o outro, agachado, perna direita fletida, joelho esquerdo no chão e arma em estado de prontidão.
 
- Na segunda, militares do Exército e da Armada estabelecem perímetro de segurança.

- Na terceira, militar da Armada posa em "base-estrado" (de sinaleiro) junto à estátua do poeta António Ribeiro "Chiado" no largo com o mesmo nome.
 
Exemplares em bom estado de conservação.
Raro conjunto.
Com interesse histórico e documental.
100€

05 junho, 2023

SÁ, Mário de Vasconcelos e - 31 DE JANEIRO : 1891. Porto, Editado pela Comissão das Comemorações, [1956]. In-4.º (23x17 cm) de 16 p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Folheto comemorativo da revolta de 31 de Janeiro de 1891, primeiro movimento revolucionário que eclodiu no Porto, tendo por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal.
Opúsculo muito ilustrado com desenhos e fotogravuras alusivas aos acontecimentos, sendo uma delas em página inteira: Emigrados politicos em Hespanha.
"A causa próxima e directa da eclosão do movimento de 31 de Janeiro de 1891 foi a consciência do contraste entre uma Pátria, forte e digna, que abrira à Europa e, em particular à Inglaterra, as estradas dos Oceanos e as portas do Oriente, e a Pátria de então, que cedeu, com humilhação e opróbrio, à brutalidade do "Ultimatum" inglês.
Mais uma vez o Porto assumiu, heróica mas isoladamente, as responsabilidades que lhe cabiam como capital cívica do país. O Porto salvou a honra da nação. Viu-se que nem tudo estava perdido. E o malôgro dos precursores acendeu uma chama de esperança, que não voltou a apagar-se."
(Excerto de Causas da eclosão e do malôgro)
índice:
Causas da eclosão e do malôgro, por Jaime Cortesão | A Revolução de Trinta e Um de Janeiro : o panorama político português à data da aclamação de D. Carlos | As aspirações de Cecil Rodes e o "Ultimatum" | A Nação reage | A «Liga Liberal» e o Governo | Na véspera da revolução | Madrugada do dia 31 de Janeiro: a revolução e a concentração das forças republicanas | A proclamação da República e do Governo Provisório | A Guarda Municipal ataca | O rescaldo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil, algo oxidado.
Muito invulgar.
Indisponível

29 setembro, 2022

LAVRADOR, José - A REVOLUÇÃO NA ILHA DA MADEIRA.
Depoimento para a historia da politica portugueza
. Rio de Janeiro, Editorial "Alba" Limitada, [193-]. In-8.º (19 cm) de 173, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre a Revolta da Madeira da autoria de José Lavrador, cônsul do Brasil, espectador atento dos acontecimentos que tiveram início na madrugada de 4 de Abril de 1931, e que teve participação de uma força naval ingleza em apoio das forças governamentais.
"Tratou-se de uma revolta popular e militar contra o regime da Ditadura Nacional, em resposta à política económica restritiva imposta por António de Oliveira Salazar, à época desempenhando as funções de Ministro das Finanças. Este é um depoimento que narra os acontecimentos ocorridos na vila de Machico, entre fevereiro e abril de 1931. Dividida em três partes a obra relata os “Acontecimentos”, os “Actos e factos”, e um conjunto de reproduções fotográficas."
(Fonte: https://abm.madeira.gov.pt/revolta/)
Livro ilustrado com um mapa da Madeira e, no final, com 24 fotogravuras relacionadas com os movimentos militares distribuídas por 22 páginas.
"Tendo certa imprensa extrangeira, a proposito dos acontecimentos madeirenses de 1931, avançado então "ligeiro" conceito e "açodada" conclusão, foi pedido o meu depoimento na seguinte carta:
- "Funchal, 20 de Maio de 1931.
Exmo. Senhor Consul do Brasil:
Para prestigio do nome portuguez e mesmo para honra de vencidos e vencedores pedia a V. Excia. me fornecesse os esclarecimentos que se seguem.
Dirijo-me á V. Excia. porque se trata duma pessoa possuidora das mais altas qualidades de espirito, de caracter, de saber e de independencia, pessoa respeitada por vencidos e vencedores, amada por todos e representando uma Nação, que não consideramos extranha, mas sim nossa irmã.
1.º - Os combates que se deram durante o ultimo movimento a que distancia foram do Funchal?
2.º - Foram ou não esses combates que resolveram a rendição?
3.º - Onde desenbarcaram as forças inglezas?
4.º - Qual o fim do referido desembarque?
Creia-me com alto respeito e alta estima, etc.
Alexandre da Cunha Telles, Presidente da Sociedade Portugueza da Cruz Vermelha no Funchal"
(Excerto de Uma Explicação)
Indice:
Uma Explicação. | Primeira Parte: Os Acontecimentos. I - Prodromo do movimento revolucionario. II -  
O levante militar. III - Repercussão. IV - Adhesão e insucesso dos Açores. V - Mediação do Bispo do Funchal. VI - A lucta. Segunda Parte: Actos e factos. (Annexos). [I -V]. Terceira Parte: Documentos historicos. (Annexos). [24 fotogravuras, sendo duas em página inteira].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Interior correcto. Capas e lombada apresentam restauros com fita gomada.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

30 julho, 2022

DIARIO DA JUNTA GOVERNATIVA DO REINO DE PORTUGAL.
Colecção completa (N.os 1 a 16 - 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919). Reprodução zincográfica
. Porto, J. Pereira da Silva - Editor, 1919. In-8.º (21,5 cm) de [40] p. ; B.
1.ª edição em livro.
Edição fac-símile do Diario da Junta Governativa do Reino de Portugal, (15 números publicados + 1 número impresso, mas que não chegaria a circular), - orgão de informação do directório chefiado por Henrique de Paiva Couceiro que, com forças leais ao seu projecto político, havia proclamado a monarquia na cidade do Porto.
"A reprodução zincográfica do Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, constitui um dos elementos mais importantes para a história da restauração monárquica no Norte do país. Poucos conseguiram coleccionar até ao penúltimo número, e raríssimos até ao n.º 16, - que não chegou a ser distribuído - êste repositório interessantissimo de documentos históricos, onde a orientação dos restauracionistas mais vivamente se afirmou.
A impressão do Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, foi feita em três tipografias e em diferentes formatos: os n.os 1 a 3, na tipografia do jornal «A Pátria!», com a designação de «Tipografia Nacional», e os n.os 4 a 7, na «Tip. Mário Antunes Leitão», com as dimensões de 0m,47x0m,35, e os n.os 8 a 16, na «Empreza Gráfica A Universal», conservando estas últimas dimensões, excepção feita do n.º 16 (último) que tem 0m,45x0m,34."
(Introdução)
"A 19 de Janeiro de 1919, Domingo, foi proclamada no Porto a Monarquia, tendo como seu chefe Paiva Couceiro e muitos militares monárquicos, tendo esta proclamação sido seguida em muitos pontos do país, mas principalmente no Norte.
A Monarquia é restaurada no Monte Pedral, no Porto, onde as tropas monárquicas em parada ouvem a proclamação monárquica, lida por Satúrio Pires, fiel apoiante e grande amigo do capitão Paiva Couceiro. [...]
Às 17 horas, na sala de reuniões da Junta Geral do Distrito, tomou posse a Junta Governativa do Reino, com a presença do representante da Diocese do Porto, reverendo D. Teófilo Salomão, que receberia o juramento dos membros da Junta.
Foi então criado o Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal. Neste jornal seriam publicados todos os decretos da Junta, reguladores da vida política, social e económica dos portugueses, fixando preços, feriados, o regime político, nomeações de oficiais e funcionários do estado, abolição do escudo, abolição do registo civil, requisição de veículos com «motor de explosão» e a regularização das relações com a Igreja. Num deles era publicado o decreto de abolição da República e recuperada a Carta Constitucional Portuguesa de 29 de Abril de 1826, e noutro era restabelecida como oficial a Religião Católica e Apostólica Romana."
(Fonte: Pereira, Pedro Marçal Vaz - Monarquia do Norte. A Guerra Civil entre Monárquicos e Republicanos : Onde Dois Governos Governaram Portugal Durante Três Semana, 2016)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Ex-libris de António Manuel Lobão de Mascarenhas no verso da capa.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

14 julho, 2021

RIBEIRO, Victor - A REVOLUÇÃO E A REPUBLICA HESPANHOLA : 1868 A 1874. Por... Academia das Sciencias. Lisboa, Edição da Casa Alfredo David : Encadernadôr, 1912. In-8.º (19 cm) de 214, [2] p. ; il.  ; E. Bibliotheca Historica (popular e ilustrada) - V
1.ª edição.
Livro ilustrado ao longo do texto.
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Vestígios de selo (biblioteca?) na lombada; com duas páginas soltas, uma delas apresenta rasgão.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

23 junho, 2021

GOMES, Adelino & CASTANHEIRA, José Pedro - OS DIAS LOUCOS DO PREC [do 11 de Março ao 25 de Novembro de 1975]. Prefácio de Gonçalo M. Tavares. [Lisboa], Expresso : Público, 2006. In-4.º (27 cm) de 431, [1] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
PREC (Processo Revolucionário em Curso). Importante subsídio para o estudo do conturbado período da vida nacional conhecido por "Verão quente de 75".
Livro impresso em papel de superior qualidade, profusamente ilustrado com desenhos e fotografias da época, a p.b. e a cores.
"Em 2005, o Expresso e o Público revisitaram oito meses e meio que mediaram entre a tentativa de golpe de 11 de Março e o 25 de Novembro de 1975.
Concebidas e desenvolvidas em inteira autonomia, as duas iniciativas editoriais empenharam-se em apurar, com rigor, a cronologia noticiosa daquele período. A selecção dos factos fez-se, quase sempre, a partir da imprensa escrita do tempo. [...]
Os textos publicados em cada um dos jornais são facilmente reconhecíveis: os do Expresso abrem cada capítulo, à maneira de uma entrada longa ou de um artigo-síntese; os do Público narram os desenvolvimentos noticiosos quotidianos, de que vão apresentando uma espécie de revista de imprensa. [...]
Entre Abril de 1974 e Abril de 1976, data da aprovação da Constituição, seguida da vitória presidencial de Ramalho Eanes sobre Otelo Saraiva de Carvalho, os portugueses viveram, seguramente, os tempos mais exaltantes da segunda metade do século XX.
O secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, entre outros, viu o Portugal do imediato pós 25 de Abril como um caso perdido para o então chamado "mundo livre".
Nesse período, em particular entre 11 de Março e 25 de Novembro de 1975 - a cuja narração jornalística o presente livro precede -, o País encontrou-se, por mais de uma vez, à beira da guerra civil."
(Excerto da introdução)
Encadernação editorial policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
30€

19 maio, 2021

NORONHA, Eduardo de - NA RUSSIA : aspectos da guerra e da revolução.
Narrativa historica e anecdotica com 107 gravuras. Feita e coordenada por...
Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1906. In-8.º (18,5 cm) de [4], 384 p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
"A Guerra Russo-Japonesa foi uma guerra entre o Império do Japão e o Império Russo que disputavam em 1904 e 1905 os territórios da China e da Manchúria. A guerra ocorreu no nordeste asiático, agravou-se, e o regime político do czar Nicolau II da Rússia foi abalado por uma série de revoltas internas em 1905, envolvendo operários, camponeses, marinheiros (como a revolta no couraçado Potemkin) e soldados do exército. Greves e protestos contra o regime absolutista do czar explodiram em diversas regiões da Rússia. Os líderes socialistas procuraram organizar os trabalhadores a fim de debater as decisões políticas a serem tomadas. O Japão era um país de tradições militares, apesar de enfrentar severas crises económicas. Com navios menores, mas com grande mobilidade e poder de fogo muito superior ao dos pesados e antigos navios russos, a Marinha japonesa impôs uma derrota humilhante ao inimigo. Esta guerra marcou o reconhecimento do Japão como potência imperialista pelas diversas nações da Europa, enquanto a derrota russa, por sua vez, patenteou a fraqueza do regime czarista e iniciou a sua queda, concretizada na Revolução de 1917. A guerra também foi conhecida como a "primeira grande guerra do século XX"
(Fonte: wikipédia)
"A principal causa da sangrenta guerra entre a Russia e o Japão foi a preponderancia que os dois paizes desejavam obter no Extremo-Oriente.
Depois de varias tentativas de paz, feitas com alguma candura pelo tzar Nicolau II, as hostilidades foram rôtas inesperada e brutalmente.
Na noite de 8 para 9 de fevereiro de 1904, os torpedeiros japonezes acommettiam a esquadra russa, fundeada em Porto-Arthur, e avariavam-lhe seriamente algumas das suas principaes unidades de combate. A guerra estava declarada."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Introducção. | Primeira Parte - Na Manchuria. | Segunda Parte - A revolução.
Encadernação editorial em tela com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

16 maio, 2021

SOCIEDADE PORTUGUEZA DA CRUZ VERMELHA.
Relatorios apresentados á Commissão Central sobre os serviços prestados nos dias 14, 15 e 16 de Maio em Lisboa e Porto
. Lisboa, Composto e impresso na Tipografia - Casa Portugueza, 1915. In-8.º (21,5 cm) de 51, [1] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do golpe de 14 de Maio de 1915, que depôs o chefe do Governo, Gen. Pimenta de Castro, levando à demissão do Presidente da República, Manuel de Arriaga, que em Janeiro havia convidado o primeiro para presidir a um governo de unidade nacional.
"A Revolta de 14 de Maio de 1915 foi um golpe de estado em Portugal, liderado por Álvaro de Castro e pelo general Sá Cardoso, que teve como objectivo o derrube do governo presidido pelo general Pimenta de Castro e a reposição da plena vigência da Constituição Portuguesa de 1911. Os revoltosos consideravam que esta constituição estava a ser desrespeitada pelo Presidente da República, Manuel de Arriaga, ao dissolver unilateralmente o Congresso da República, convocando eleições,[carece de fontes] sem que alegadamente tivesse poderes constitucionais para tal acto. O movimento foi vitorioso, levando à substituição do governo pela Junta Constitucional de 1915 e à demissão de Manuel de Arriaga. A revolta constituiu-se na mais violenta manifestação militar em Lisboa no século XX, [carece de fontes] tendo causado pelo menos 200 mortos e cerca de 1000 feridos. Durante a revolta, João Chagas, indigitado para chefe do governo, foi atingido a tiro no Entroncamento, pelo senador João José de Freitas, ficando gravemente ferido e cego de um olho. O agressor foi linchado pela multidão.
A revolta terminou com a intervenção da marinha de guerra espanhola com o envio do couraçado España, e com a correspondente reação da marinha britânica e francesa, que também enviaram contingentes navais para Portugal."
(Fonte: Wikipédia)
A presente obra compõe-se dos relatórios elaborados pelos responsáveis da Cruz Vermelha, bem como da correspondência trocada entre várias personalidades da vida política, militar, médica e social, sobre os acontecimentos.
Livro ilustrado com 4 folhas intercaladas no texto reproduzindo diversas fotos a p.b. de um transporte de feridos no Terreiro do Paço, bem como retratos do pessoal de saúde - médicos e enfermeiras - e um grupo que inclui os Bombeiros Voluntários Lisbonenses.
O relatórios contemplam a avaliação no terreno feita pelas autoridades médicas, bem como os serviços prestados aos feridos na sequência da revolta em Lisboa e no Porto, ao longo dos três dias de confrontos. Inclui os nomes e funções de todo o pessoal de saúde que colaborou no socorro, assim como a identificação e postos dos militares envolvidos, bem como dos civis apanhados no tiroteio, e as circunstâncias que concorreram para a sua recolha.
Documento histórico, raro e muito interessante.
"No Tejo havia tiroteio.
Ás quatro e meia da madrugada é feita do Arsenal de Marinha a primeira chamada de socorro para serem transportados dois feridos.
Como era proximo, immediatamente mandei shir duas macas que em poucos minutos voltaram com os cadaveres do commandante do Cruzador Vasco da Gama, Capitão de Mar e Guerra Snr. Francisco de Assis Camillo e com o Fiel d'artilheria do mesmo navio, 1.º Sargento, Snr. Manuel Alves Lopes.
Verificados os obitos pelo Sr. Dr. Correia Ribeiro foram os dois corpos transportados para a morgue, no automovel de macas.
Em seguida, sem que haja meio possivel de o descrever, começou o Documentofunccionamento permanente dos telephones militer e civil a pedir socorros e a virem ao posto inumeras pessoas com identicos pedidos.
Dos que cahiam feridos proximo do posto, ou eram transportados por particulares ou d'isso havia conhecimento, iam os nossos maqueiros buscal-os. [...]
Eram requisitados socorros de pontos onde se travavam combates, era necessario atravessar linhas de fogo, era necessario arriscar a vida de minuto a minuto para ir entre os que combatiam buscar combatentes que a cada momento cahiam varados pelas ballas contrarias."
(Excerto do Relatório de Lisboa)
"Sendo do dominio publico o breve inicio d'um movimento revolucionario, começaram pela tarde de 13 do corrente  a afluir á sede do Posto permanente, os diferentes elementos da ambulancia da Cruz Vermelha.
Pelas 22 horas foi pedido o primeiro socorro para a Praça da Trindade onde se iniciaram os acontecimentos e para onde immediatamente seguiu uma secção de maqueiros com as competentes macas, um enfermeiro e respectivos pensos prestando os seus serviços não só de curativos como de transporte de feridos provenientes de estilhaços de bombas explosivas. [...]
Chegada a madrugada de 14, tomaram grande vulto os boatos de graves acontecimentos que se iriam dar pelo que reunidos os officiaes da Cruz Vermelha foi resolvido pedir uma columna á ambulancia n.º 7 de Gondomar para seguindo para o Porto vir auxiliar os serviços provenientes dos acontecimentos que se iriam dar."
(Excerto do Relatório do Porto)
Índice:
- Relatorio dos Serviços da Cruz Vermelha, prestados pelas Ambulancias n.os 1 e 2 de Lisboa conjuntamente com os seus alliados Bombeiros Voluntarios Lisbonenses durante a Revolução Constitucional iniciada na madrugada de 14 de Maio de 1915.
- Relatorio dos Serviços da Cruz Vermelha, prestados no Porto pela Ambulancia n.º 5 da mesma cidade conjuntamente com uma columna da Ambulancia n.º 7 de Gondomar durante a Revolução Constitucional iniciada na noite de 13 de Maio de 1915.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos. Mancha de humidade antiga visível nas primeiras folhas do livro.
Muito raro.
Peça de colecção.
50€

21 abril, 2021

PINHO, Manuel S. - A REVOLTA DE TORRES NOVAS.
(Apontamentos para a sua história)
. [S.l.], O Almonda [Gráfica Almondina - Torres Novas], 1927 [1986]. In-4.º (23,5 cm) de 312, [6] p. ; B.
1.ª edição independente.
Certamente, com tiragem restrita. Este livro é uma edição fac-similada dos originais publicados em 1927 no jornal «O Almonda».
As deficiências gráficas que por vezes apresenta, são motivadas, apenas, pelo facto de alguns originais já estarem pouco legíveis, devido ao tempo e aos processos de impressão da época.
Importante subsídio para a história do conturbado período que se seguiu às guerras liberais, e em particular para a cidade - na época, vila - de Torres Novas, onde teve início a rebelião contra o governo de Costa Cabral, tudo tendo culminado na capitulação de Almeida após prolongado cerco. Os efeitos da intentona prolongaram-se no tempo, noutros cenários estratégicos, nomeadamente através de alianças políticas e militares, destacando-se neste particular, as acções de guerrilha levadas a cabo por bandos de malfeitores, onde pontificavam, entre outros, os Brandões, que nesse período puseram as Beiras a ferro e fogo, deixando um rasto de intimidação e morte.
"A revolta de Torres Novas - Apontamentos para a sua história, é um modestíssimo trabalho, fruto da paciência, e não da erudição ou inteligência, porquanto a prosa do texto é fraca e comezinha, e a coordenação talvez disparatada e sujeita a muita crítica.
Compõe-se êle apenas de elementos que se acham disseminados em variadas obras, jornais, e arquivos, e podem servir a quem com mais competência, pretenda um dia, fazer a história da revolta que, em Torres Novas rebentou no ano de 1844, e que se tivesse vingado, teria certamente evitado os pronunciamentos de 1846, que constituiram o conhecido movimento da Maria de Fonte."
(Excerto do Antelóquio)
"António César de Vasconcelos Correia, mais tarde conde de Tôrres Novas , e então coronel de cavalaria na 3.ª secção do exército, foi quem deu o brado de revolta na noite de domingo, de 4 para 5 de Fevereiro de 1844, na vila de Tôrres Novas, enviando uma carta ao coronel Pina, comandante do regimento de cavalaria n.º 4, ali aquartelado, (cujos soldados queriam tanto ao coronel César de Vasconcelos «como a um amigo, ou a um pai» do dizer de Jacinto Augusto de Freitas e Oliveira), convidando-o a aderir, ou então, a retirar-se para onde lhe aprouvesse. [...]
O coronel Pina porém, não aderiu e retirou-se para Santarém, acompanhado do ajudante, quatro oficiais, e vinte e seis praças a cavalo e algumas desmontadas, onde se apresentou ao respectivo governador civil pelas oito horas da manhã de terça feira, dia 6.
Com efeito, na madrugada do dia 5, chegaram às proximidades da vila, dois destacamentos do regimento de cavalaria n.º 4, vindos um de Rio Maior, e outro de Aldeia Galega do Ribatejo, comandados respectivamente pelos alferes Francisco José de Miranda Pego e Guilherme Frederico Portugal e Vasconcelos que surpreenderam em Alcanena uma fôrça do Corpo de Segurança Pública do distrito de Santarém, às ordens do tenente José Maria Limpo de Lacerda, que conseguiu evadir-se para aquela cidade com três dos seus soldados, tendo os restantes sido depois abandonados  pelos revoltosos, por, segundo se dizia em Tôrres Novas, não estarem em condições de poder acompanhar aqueles destacamentos de cavalaria. [...]
Em Tôrres Novas muitos indivíduos tinham conhecimento da revolta, alguns até por terem prestado um bom concurso para a sua efectivação, como Agnelo Freire Salter de Sousa Cid, José Maria Queirós, e outros.
Os soldados e sargentos do regimento de cavalaria n.º 4 que na noite de domingo haviam abandonado o seu comandante, juntaram-se aos dois destacamentos chegados, com os oficiais da mesma unidade, capitães António Germano de Oliveira Sampaio, Guilherme Xavier de Vasconcelos Correia, e alferes Manuel Lourenço da Cunha, bem como o capitão de cavalaria na 3.ª secção do exército, João Cesário de Oliveira Sampaio, o tenente do estado maior Francisco Maria de Sousa Brandão, aos quais por sua vez se reüniram José Gerardo Ferreira de Passos coronel de artilharia, José Estevão Coelho de Magalhães capitão da mesma arma, e Joaquim Tomás Lôbo de Ávila, alferes do regimento de infantaria n.º 1, que tinham chegado no sábado de Lisbôa.
Foi então que António César de Vasconcelos Correia tomou o comando das fôrças revoltadas, e como chefe começou a dirigir a sedição, estabelecendo na Quinta do Minhoto o seu quartel general."
(Excerto do Cap. III - O grito de revolta)
Índice:
[Antelóquio preventivo]. | [Dedicatória]. | I - A atmosfera carregada. II - As  representações. III - O grito da revolta. IV - De Tôrres Novas à Guarda. V - O cêrco de Almeida. VI - O trio  pacificador. VII - A capitulação de Almeida. VIII - Pelas malhas do cêrco ou aventuras de José Estevão. IX - As guerrilhas. X - Os Relatórios. XI - No exílio. XII - O regresso dos emigrados. | Notas. | Manancial bibliográfico. | Índice.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e miltar.
75€

05 novembro, 2020

BARREIROS, Tenente Fernando - A GUARDA FISCAL E A INCURSÃO DE CHAVES. Lisboa, Typographia "A Editora Limitada", 1913. In-8.º (19 cm) de 14, [2] p. ; [1] f. il. ; [1] mapa ; B.
1.ª edição.
Narrativa pormenorizada da defeza de Chaves aquando das "incursões monárquicas" chefiadas por Paiva Couceiro a partir da Galiza.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao tenente Eduardo Picaluga.
Ilustrado em extratexto com o retrato d'A primeira vitima da contra-revolução monaquica - o soldado da guarda fiscal José de Carvalho - por um grupo de monarquicos, comandado por D. João d'Almeida, na madrugada de 2 de outubro de 1911, proximo a Soutelinho da Raia.
Contém um mapa de dimensões generosas (35,5x28,5 cm): "Esboço do terreno onde operou a 
coluna de Vila Verde no dia 8 de julho de 1912 : Escala aproximada: 1/50.000".
Inclui no final do livro dois quadros:
- Relação das praças da 4.ª companhia da guarda fiscal que tomaram parte no combate de Vila Verde da Raia em 7 de julho de 1912 e no de Chaves em 8, sendo as que só tomaram parte no primeiro ou no segundo respetivamente designadas pelas letras V e C.
- Relação das praças da 4.ª companhia da guarda fiscal que tomaram parte sob o comando do sr. tenente Pires de Moraes no combate de Chaves em 8 de julho de 1912.
"Desde maio de 1911 até ao total aniquilamento dos realistas na veiga de Chaves foi a 4.ª companhia da circumscrição do norte da guarda fiscal sobrecarregada com serviço de defeza da Republica muito para apreciar, por quanto foi sempre prestado da melhor vontade e desinteressadamente, não tendo as praças recebido qualquer gratificação durante a espinhosa vigilancia da fronteira.
Na primeira fase da defeza de Chaves dirigida pelo sr. coronel André Bastos foi por requisição d'aquelle oficial reforçada a companhia com 50 praças da circumscrição do sul, o que permitiu tornar mais ativa a vigilancia em torno da villa, que de noite era exercida por vedetas da guarda fiscal estabelecidas desde o Tamega, pelos fortes, até Santo Amaro, no Tabolado, Rivelas e Entrocamento.
Quando da primeira incursão foi a guarda fiscal a unidade que teve a primeira victima, o pobre soldado José de Carvalho, traiçoeiramente assassinado na serra da Panadeira, e na segunda invadiram os realistas não só os quarteis dos postos mas ainda os domicilios das praças roubando ou inutilisando tudo o que encontraram."
(Excerto de Antecedentes)
Matérias:
Antecedentes. | Combate de Vila Verde da Raia em 7 de julho. | Combate de Chaves em 8 de julho.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico e militar.
Indisponível

16 agosto, 2019

BRANDÃO, José - A NOITE SANGRENTA. [Prefácio de Raul Rêgo]. Lisboa, Alfa, 1991. In-8.º (19 cm) de 241, [3] p. ; il. ; E. Col. Testemunhos Contemporâneos, 40
1.ª edição.
Trabalho de investigação sobre o 19 de Outubro de 1921, episódio trista da nossa história que ficaria conhecido para a posteridade como 'A Noite Sangrenta'.
Edição ilustrada com 28 fotografias a p.b. distribuídas por 12 páginas.
"Elementos republicanos radicais da Marinha e da G.N.R. desencadearam uma tentativa de golpe revolucionário. Gerou-se uma situação confusa e descontrolada em Lisboa no decurso da qual foram barbaramente assassinados o chefe do Governo, António Granjo, Carlos da Maia, Freitas da Silva e Machado Santos, o herói da Rotunda em 5 de Outubro de 1910. […]
José Brandão, o autor de «A Noite Sangrenta», um dos livros que melhor narra o que se passou e porque se passou, descreve de maneira viva e veraz o assassínio de Granjo: «O chefe do Governo, vencido, mantém até ao fim a coragem que o abatimento não excluiu. Salta os três degraus e, então, lança as suas últimas palavras, em que há ódio e resignação: – Já sei o que vocês querem! Matem-me, que matam um bom republicano!
Soou uma descarga; debaixo, corresponderam. António Granjo caiu ao comprido, vertendo sangue por inúmeros ferimentos. Estava ainda nas últimas convulsões quando um dos assassinos, que, no dizer da testemunha ocular, é um clarim da GNR, de desmedida estatura, sacou da espada e a cravou no estômago com violência tal que, atravessando o corpo, ficou presa no sobrado. Depois, friamente, o facínora, pondo o pé sobre o peito de António Granjo, sacou a arma e gritou triunfalmente, mostrando-a aos companheiros: – Venham ver de que cor é o sangue do porco!»."
(Fonte: aventar.eu)
"Os tiros soavam por todo o Terreiro do Paço. Ali, no mesmo local onde há catorze anos ocorrera o Regicídio, voltava a cheirar a sangue de tragédia nacional.
No Arsenal de Marinha passavam-se momentos de arrepiante pavor, com cenas de crueldade assassina raramente vistas em Portugal.
Desta vez não eram os corpos do rei e do príncipe herdeiro que estavam estendidos no chão do Arsenal.
Republicanos, fundadores do novo regime saído da Revolução de 5 de Outubro de 1910, são as vítimas escolhidas para o tenebroso festim de sangue que vai acontecer nesta noite de 19 de Outubro de 1921."
(Excerto do Cap. I, Um festim de sangue)
Índice:
Prefácio. |  Introdução. | I - Um festim de sangue. II - A Camioneta Fantasma. III - A república do terror. IV - Sobre o cadáver de Sidónio. V - A marcha heróica para um cano de esgoto. VI - «Raios partam a Revolução e a República». VII - Como se chega ao 19 de Outubro. VIII - Outubro. IX - «Ele falará! Ele falará!». X - Finalmente a verdade. XI - O que falta dizer. | Nota final. | Bibliografia.
José Brandão (n. 1948). Político, historiador, escritor e cronista português. "Tem uma vasta série de artigos publicados entre 1983 e 1995 em jornais que vão do Expresso ao Jornal de Palmela, passando pelo Diário de Notícias, Diário de Lisboa, O Jornal, Tempo, O Distrito de Setúbal, e oito livros editados: «Sidónio : Ele Tornará Feito Qualquer Outro», 1.ª ed. 1983, Editora Perspectivas & Realidades; 2.ª ed. 1990, Publicações Alfa. «Carbonária : O Exército Secreto da República», 1.ª ed. 1984, Editora Perspectivas & Realidades; 2.ª ed. 1990, Publicações Alfa. «100 Anos por 1 Dia», Editorial Inquérito, 1987. «A Noite Sangrenta», Publicações Alfa, 1991. «Suicídios Famosos em Portugal», Europress Editores, 2007. «Portugal Trágico : O Regicídio», Âncora Editora, 2008. «Cronologia da Guerra Colonia»l, Prefácio Editora, 2008. «A Vida Dramática dos Reis de Portugal», Ministério dos Livros, 2008. «Os Homens do Rei», Ministério dos Livros, 2010. No site www.vidaslusofonas.pt colabora com as seguintes biografias e artigos: D. Carlos I, Machado Santos, Álvaro Cunhal, Sidónio Pais, Miguel Bombarda, João Franco e Os Livros e a Censura em Portugal.
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

11 maio, 2018

SANTOS, João Antonio Correia dos – SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA POLÍTICA E MILITAR DA REVOLUÇÃO DE 14 DE MAIO DE 1915. Por... Capitão de infantaria habilitado com o curso do Estado Maio e professor do Colégio Militar. Lisboa, Tipografia da Cooperativa Militar, 1915. In-4.º (23cm) de 245 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da revolta de 14 de Maio de 1915, golpe de estado liderado por Álvaro de Castro e pelo general Sá Cardoso, que conduziu à deposição do governo presidido pelo general Pimenta de Castro e à reposição em vigor da Constituição Portuguesa de 1911. A sangrenta insurreição foi responsável por cerca de duas centenas de mortos e aproximadamente um milhar de feridos.
"Os factos que expomos, uns foram presenciados por nós, outros foram extraídos de relatórios dos comandantes das unidades e uma grande parte foi colhidas nas declarações feitas pelas figuras, que mais se salientaram no movimento insurrecional, que sem dúvida foi dos abalos mais violentos que regista a história. Parece-nos que toda a gente devia ter ficado com a impressão bem nítida de que a República está profundamente arreigada na alma popular e que perdem o tempo os que julgam poder derruba-la."
(Excerto do prefácio)
Encadernação cartonada, recente, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

02 abril, 2018

NOGUEIRA, José - A ACÇÃO D'UM REVOLUCIONARIO. Na Revolução para a Republica e a defeza do Quartel dos Marinheiros. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso em A Polycommercial, Lisboa], 1911. In-8.º (21,5cm) de 8 p.
1.ª edição.
Relato de um carbonário, interveniente directo nos acontecimentos que conduziram à instauração da República, tendo feito parte da pequena guarnição que defendeu o Quartel de Alcântara. Trata-se da narrativa de José Nogueira, comerciante, que, com um grupo de civis assaltou o quartel de marinheiros em Alcântara, na noite de 3 para 4 de Outubro de 1910.
Folheto publicado pouco tempo após os referidos acontecimentos. Contém referências aos grupos carbonários "Andrade" e "Franklin Lamas".
"Desde longos annos que sou republicano e feito bastante propaganda a favor da causa da Republica. Sacrificando os meus interesses no meu meio de vida, commerciante, cheguei mesmo a dar muitas vezes alguns dissabores a minha familia.
Para a revolta de 28 de Janeiro estava prompto, e não só expuz a minha vida como toda a actividade e a minha propria familia, pois que fui convidado para ceder a minha casa para se fazer d'ella uma «praça de guerra» tendo que desalojar a minha familia que se foi abrigar aonde foram passar um mau bocado. D'ahi a pouco encontravam-se em minha casa um grupo de vinte e tantos paisanos, devidamente armados e municiados com armas diversas não faltando as bombas de dinamite."
(Excerto do texto)
Exemplar em bom estado de conservação. Pelo interesse e raridade a justificar encadernação.
Muito raro.
Com grande interesse histórico.
Peça de colecção.
Sem registo na BNP, ou em qualquer outra fonte bibliográfica.
Indisponível

28 outubro, 2017

REPUBLICA PORTUGUEZA. Historia da Revolução fielmente descripta : 5 d'Outubro 1910 = Preço 40 réis = [S.l.], [s.n. - Typ. Eduardo Roza, Lisboa], [1910]. In-8.º (21,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante descrição da revolução republicana de 5 de Outubro de 1910. Relato genuíno dos acontecimentos que roça a ingenuidade.
Estes opúsculos, publicados poucos dias após a instauração da República, são muito raros e procurados.
Matérias:
Antecedentes da Revolução [inclui breve narrativa do golpe falhado de 28 de Janeiro de 1908 e do regicídio].
A Revolução. Primeiros momentos. Horas de angustia. A caminho da redempção!!! A de Outubro de 1910, uma e meia da madrugada.
Antes do triumpho. No quartel de marinheiros - Armando o povo - Sete municipaes que adherem. Fogo contra o palacio das Necessidades - O rei em automovel - Forças que ficam no caminho - As forças revolucionarias repellindo heroicamente as forças inimigas - A retirada d'estas - Os marinheiros embarcam - O plano - Ataque ás forças "fieis" no Rocio - Tiroteio - Do Tejo para terra - Convento incendiado - Esquadras assaltadas - Dois valentes - As forças republicanas engrossam - O "D. Carlos" em poder dos revoltosos - A orientação do movimento - Adhesões na provincia - Momento supremo - O movimento dos comboios foi suspenso.
Momentos decisivos. A victoria. As forças reublicanas destroçam os contingentes do exercito fieis ao regimen. A valente Marinha - Os revolucionarios apoderam-se do cruzador "D. Carlos" e ficam senhores do rio.
Fuga da Familia Real. A caminho do exilio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequena falha de papel no canto inferior dto.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível