12 setembro, 2026

COELHO, Trindade –
MANUAL POLITICO DO CIDADÃO PORTUGUEZ. 2ª edição actualisada e muito augmentada. Prefacio de Alberto d’Oliveira, Ministro de Portugal na Suissa. Porto, Typographia a Vap. da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1908. In-8.º (19x12 cm) de XVI, 720 p. ; E.
Obra de referência. Trata-se da segunda edição deste importante Manual, publicada 2 anos após a primeira, e preferível a esta porque consideravelmente "actualizada e aumentada".
Verdadeiro manual de cidadania, o livro defende que um povo instruído é a base de um país livre e justo. Trindade Coelho pretendia que qualquer cidadão comum - e não apenas as elites - conseguisse ler o manual e compreender exactamente quais eram os seus direitos face ao poder do Estado, servindo como uma ferramenta de emancipação social.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a um seu "irmão" (maçon?), escrita pouco tempo antes de pôr termo à vida, tragédia ocorrida após a publicação do livro.
"Na sua marcha veloz, o tempo renova incessantemente as gerações. Dia a dia, homens que foram uteis no seu o paiz desapparecem no tumulo; e dia a dia tambem, cidadãos jovens attingem a edade de servir a patria como soldados, ou de intervir, como eleitores, na vida publica. Assim se renova constantemente uma nação, na sua marcha para o futuro; mas este só será prospero, se os elementos novos que a nação recebe contribuirem para a sua grandeza e para o seu prestigio.
Macebos! sois a esperança da patria, o reforço de que ella carece para que as baixas produzidas constantemente pela morte sejam preenchidas. Não tardará que a patria vos confir os seus destinos, - pesada responsabilidade a que não podereis fugir. Á custa de luctas tantas vezes sangrentas, fundaram vossos paes a liberdade; e mais preciosa herança não podiam elles legar-vos, pois de somenos valor seriam, sem ella, as demais riquezas. [...]
Mas indignos serieis vós da liberdade, se não possuisseis as virtudes que caracterisam o bom cidadão; se não amasseis a patria até derramardes pela sua independencia a ultima gotta de sangue; se para a vida publica não levasseis exactas e sãs ideias sobre a melhor forma de tornar prospero no interior o vosso paiz, e de o fazer respeitado no exterior."
(Excerto de Grandeza do papel que incumbe á mocidade)
José Francisco Trindade Coelho (Mogadouro, 1861 - Lisboa, 1908). "Formado em Direito na Universidade de Coimbra em 1885 (tempo esse cuja memória evoca no livro In Illo Tempore, 1902), e depois de breve período em que exerceu advocacia no Porto, decidiu-se pela magistratura, tendo sido nomeado procurador régio, sucessivamente para o Sabugal, Portalegre, Ovar e Lisboa. Revelando-se um magistrado íntegro e um homem de bem, conjugou o exercício da sua profissão com o cultivo das letras, que iniciou ainda estudante, tendo a sua passagem pelas diversas cidades em que viveu ficado assinalada pela fundação de uma série de jornais, desde A Porta Férrea e Panorama Contemporâneo, em Coimbra, à Revista Nova ou à Revista de Direito e Jurisprudência, em Lisboa.
Generoso, sonhador e entusiasta, com uma enorme capacidade de trabalho alternando com graves crises de esgotamento nervoso que o deixavam prostrado (foi na sequência de uma dessas crises que se suicidou), Trindade Coelho interessou-se pela pedagogia, pelo folclore e pelos estudos etnográficos, pela jurisprudência e pela política, para além da produção propriamente literária.
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=6362)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Encadernado sem as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
60€
Reservado

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