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25 abril, 2026

COELHO, R. - HORAS DE GUERRA. Memórias de Um Miliciano. Fornos d'Algodres, Tipografia Mondego, 1924. In-8.º (22,5 cm) de [16], 174, [10] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
M
emórias de guerra de Manuel Benjamim Rodrigues Coelho, natural de Tavira, que combateu na Grande Guerra nas fileiras do C. E. P., sendo um dos sobreviventes de La Lys. Trata-se dos seus apontamentos, em grande parte, escritos no front.
Livro ilustrado com sete estampas em página inteira, incluindo um croquis do itinerário seguido pela 11.ª C. do B. I. 12 na batalha de 9 de Abril.
"No dia 8 nada de anormal! Nada indicava que estávamos da véspera dos importantes acontecimentos que vieram a desenrolar-se, no entretanto dão-se ordens para que o batalhão disponha as coisas para retirar na manhã do dia 9. Estes preparativos e estas ordens são dadas e cumpridas com alegria e entusiasmo: - chegava enfim o anceado repouso ao cabo de três intenssissimos mêses de luta nas trincheiras dum sector agitadissimo. Mas esta vida é tôda feita de surprêsas - e a alegria transbordante dos nossos homens fôi surpreendida pela agitação nervosa, inquietantes, dum infernal bombardeamento que na negra madrugada de 9, veio assaltar as nossas linhas. E os homens da 11.ª companhia em vez de retirarem, teem contraordem e marcham a ocupar um reducto de Pem du Hem.
A ordem é cumprida sem exitação, - as leis da guerra são duras - e o alferes Assis Gonçalves, que sempre teve os seus homens obedientes e disciplinados, leva-os para mais um sacrificio sem uma única defecção. E lá marcham debaixo dum bombardeamento de cada vez mais violento, correndo ou rastejando sob uma chuva intenssissima de estilhaços, indo um deles atingir em pleno peito, o sargento Domingues o qual lhe fura a máscara anti-gaz. Mas isso só serve para o encorajar! Metem-se a córta-mato, atravessam em La Fosse o canal Lawe na direcção de Bout Deville, pois é impossivel o transito nas estradas, batidas em tôda a extensão. Procuram através de tudo cumprir a ordem do comando do batalhão!
Meio desnorteados encontram um reducto à frente do chateau du Marais ocupado já por tropas inglêsas comandadas por um alferes e depois superiormente pelo capitão Holdswuth, mas para o atingir é necessário atravessar a vau o largo dreno de irrigação que o circunda.
Os homens levavam consigo apenas as munições de reserva, ou seja 100 cartuchos cada um, e as secções de metralhadoras traziam os depósitos vasios, em virtude da ordem repentina do comando do batalhão e por informarem e por informarem o comandante da companhia, que no reducto havia munições; de sorte que, encontraram-se na frente do inimigo com aquela miseria!...
Aqui, neste pequeno reducto, os soldados do 12 procuraram salvar a honra do seu Exercito."
(Excerto do Cap. X, Do Lys ás areias de Ambleteuse)
Índice:
Prefácio. I - A Viagem. II - Durante a preparação. III - Na fornalha. IV - Laventie. V - O Parque. VI - A Permissão. VII - De volta ao Front. VIII - Uma eleição torpedeada. IX - Outro modo de vida. X - Do Lys ás areias de Ambleteuse. XI - O grande delírio. XII - De regresso.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, com mancha antiga de humidade junto da lombada.
Raro.
40€

25 março, 2026

CABREIRA, Antonio -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O PLANETA MARTE.
Conferencia realisada em 18 de janeiro de 1901 no Instituto 19 de Setembro. Pelo fundador e secretario geral... Socio Correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, [etc.]. Lisboa, Imprensa Lucas, 1901. In-4.º (23x16 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho sobre o planeta Marte - em 8 partes - vertido em conferência.
Trata-se das reflexões astronómicas do autor, trabalho pioneiro, dos primeiros que sobre o assunto se publicaram entre nós. Além de repetir o que se sabia na época sobre o "planeta vermelho", que era pouco, o autor interroga-se acerca da possibilidade de vida vegetal e animal em Marte, e num plano superior, aos "habitantes inteligentes".
Opúsculo raro e muito interessante.
"Quando Marte se constituiu, estava animado de uma temperatura proxima de 1995 graus centigrados. Dada pois a sua antiguidade, deve admittir-se que disporá já de pouco calor central
Os factos mais importantes da meteorologia do planeta são grandes oscillações de temperatura e enormes tempestades. O Sol da-lhe apenas 4 decimas do calor e da luz com que nos acalenta. As noites tornam-se excessivamente frias, porque a pouca espessura da atmosphera permitte uma forte irradiação dos terrenos. [...]
A constituição chimica da atmosphera de Marte deve ser egual á nossa, porque o seu espectro revella riscas de absorpção identicas ás do espectro d'esta ultima."
(Excerto do Cap. IV)
"Tendo-nos referido, muito summariamente, a Marte, sob os pontos de vista mathematico, meteorologico e geographico, vamos finalmente dizer duas palavras ácerca do mysterioso problema da sua biologia, tão envolto nas brumas do desconhecido e, por vezes, dourado pelos fulvos clarões da phantasia romantica.
Procedendo Marte da mesma origem que a Terra é provavel que a identidade de corpos simples não seja apenas a revellada nas respectivas atmospheras e que, portanto, haja tambem compostos analogos nos dois planetas; logo póde admittir-se que dos seus aggregados resultassem vegetaes, que teem ainda por si o facto favoravel da abundancia das chuvas. [...]
Acerca da vida animal, começaremos por affirmar que, considerada como termo superior de uma longa evolução organica, só surgiu, no mundo que habitamos, n'um certo estado cosmico, para alem de cujos limites não pode manter-se, e que as civilisações estabelecidas como modo de ser d'essa vida, só se definiram e ergueram quando o homem poude entregar-se mais á consciencia da sua funcção moral. [...]
Posto isto, embora as condições meteorologicas permittissem a habitabilidade nos continenentes de Marte, a civilisação seria sempre rudimentar; os seres poderiam attingitr uma fórma superior mas os fructos dos seu trabalho, por mais solidos que se supposessem, não poderia resistir nem ao destroço pelos vendavaes, tão frequentes, e muito menos á submersão pelas aguas do degelo, de onde resultaria, mesmo, uma enorme lentidão no progresso intellectual, que tanto carece do concurso d'esse trabalho. O unico abrigo seriam então as cavernas nas raras montanhas que existem, se é que fossem poupadas pe,os diluvios.
Tambem se torna facil demonstrar que é inconcebivel a vida superior nos ares do planeta.
E concluir-se-ha d'estas considerações que não ha vida em Marte? E quem nos diz que o estado cosmico do planeta jamais permittisse quasquer combinações organicas ou que todas ellas se extinguiram com os ultimos lampejos do fogo central?
Mas as mancha luminosas observadas em 1892, e ha poucos dias ainda um traço brilhante que, intermittentemente, durou uma hora, não signifficarão, por ventura, qualquer intencional tentativa feita por uma especie de seres, avida de relações com a Terra? E os proprios canaes de notavel rigos geometrico com os seus desdobramentos não constituirão outra prova da existencia de habitantes intteligentes em Marte?"
(Excerto do Cap. VI) 
António Cabreira (Tavira, 1868 - Lisboa, 1953). "Matemático, jornalista e publicista português, António Tomás da Guarda Cabreira de Faria e Alvelos Drago da Ponte nasceu a 30 de outubro de 1868, em Tavira, no distrito de Faro.
De uma família aristocrática liberal algarvia e irmão de Tomás Cabreira, formou-se em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa. Empenhado em ações políticas, participou, em 1891, em várias reivindicações estudantis, tornou-se redator político de A Nação e, entre 1892 e 1897, exerceu vários cargos no Partido Legitimista ao qual aderiu.
Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, foi secretário da Secção do Ensino da Matemática, em 1895, e vice-presidente da Secção de Geografia, em 1896, participando nas atividades de exaltação colonial e nacionalista que surgiram em consequência dos acontecimentos de 1891.
Fundador do Instituto Dezanove de setembro, dedicou-se à gestão e à docência nessa instituição. Em 1895, criou um projeto para um Curso Colonial no Instituto destinado aos colonos e funcionários da administração colonial. Em 1899, foi designado docente das disciplinas de Mecânica Racional e de Filosofia das Matemáticas do Curso de Ciências do ensino secundário daquele Instituto.
Ligado à Academia das Ciências de Lisboa, conseguiu, com o seu desempenho, a criação de novos institutos, como o Instituto Teofiliano (1912), o Instituto de Trabalhos Sociais (1914), o Instituto Arqueológico do Algarve (1915), o Instituto Histórico do Minho (1916) e o Instituto António Cabreira (1919).
Como jornalista, fundou ainda O Clarim, um panfleto doutrinário. Participou e organizou alguns eventos importantes, como o I Congresso Arqueológico Nacional, o I Congresso Colonial de 1900 e o 1.º Congresso Pedagógico Nacional, em 1908.
Enquanto publicista, escreveu sobre vários assuntos, que vão desde questões matemáticas até problemáticas de ensino. Destacam-se algumas obras, como Análise Geométrica de Duas Espirais Parabólicas (1895), Sobre Algumas Aplicações do Teorema de Tinseau (1897), O Ensino Colonial e o Congresso de Lisboa (1902), O Milagre de Ourique e as Cortes de Lamego (1925) e Júlio Verne, Educador e Pedagogo (1925).
António Cabreira faleceu a 21 de novembro de 1953, em Lisboa."
(Fonte: Infopédia) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€

16 janeiro, 2026

VEIGA, Sebastião Philippes Martins Estacio da -
PROJECTO DE LEGENDA SYMBOLICA PARA A ELABORAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DA CARTA DE ARCHEOLOGIA HISTORICA DO ALGARVE. Submetido ao exame Da Academia Real das Sciencias de Lisboa, dos Instittutos scientificos e litterarios, dos Archeologos e Escriptores Portuguezes que se occupam de estudos archeologicos, geographicos e historicos a fim de poderem indicar quasquer outras antiguidades historicas de Portugal que não estejam symbolisadas nos quadros respectivos ás já classificadas no territorio do Algarve. Por... Socio Correspondente da Academia Real das Sciencias e da Sociedade de Geographia de Lisboa, etc. Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1885. In-4.º (24x16 cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante projecto arqueológico, pioneiro, com interesse para a história da região algarvia.
Ilustrado no texto com lista de "sinais" (desenhados) - Signaes radicais, e, na página seguinte, com quadro-complemento alfa numérico - Quadro dos tempos, edades, periodos e épocas a que pertencem as antiguidades historicas descobertas no Algarve.
"Nas mais adiantadas nações, em que os estudos da archeologia monumental vão logrando incalculavel progresso, está reconhecida, como indispensavel, a utilidade das cartas archeologicas, porque são estas cartas a base fundamental adoptada para o reconhecimento e manifestação das antiguidades de cada território, o quadro synoptico dos seus monumentos e o repertorio ou indice remissivo dos logares que ficaram caracterisando as nacionalidades extinctas. [...]
Com referencia ao Algarve, dividi os tempos historicos, comprehendendo a instituição da monarchia portugueza, em tantos periodos, quantas foram as nacionalidades que senhorearam aquelle territorio, sendo cada perioso subdividido em épocas e estas representadas por seus mais typicos caracteristicos..."
(Excerto do Projecto)
Sebastião Philippes Martins Estácio da Veiga (1828-1891) foi um importante arqueólogo e escritor português. Natural de Tavira, estudou no Liceu de Faro, frequentou a Escola Politécnica de Lisboa, e seguiu a carreira de oficial de secretaria da Sub-Inspecção Geral dos Correios e Postas do Reino.
Em 1876, após as fortes cheias ocorridas no Algarve, o gabinete de Fontes Pereira de Melo encarrega-o de fazer o levantamento dos vestígios arqueológicos que ficaram a descoberto, tanto nesta região (como as ruínas de Milreu), como no Alentejo. O resultado do seu trabalho dará origem à Carta Arqueológica do Algarve (1878), culminando na fundação do Museu Arqueológico do Algarve, em Lisboa. No ano de 1880, Estácio da Veiga secretaria o Congresso Internacional de Antropologia e de Arqueologia Pré-Histórica, em Lisboa."
(Fonte: https://fchs.ualg.pt/estacio-da-veiga)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

19 maio, 2024

GARCIA, Joaquim -
BARCA-VOLANTE : arte de pesca de lançamento circular.
Privilegiada por Alvará Regio. Tavira, Typ. Burocratica, 1885. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 31, [1] p. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Inovadora arte de cerco, ou de lançamento circular, desenvolvida no Algarve, que pretendia reunir o melhor de várias artes de pesca, incluindo os "galeões", técnica desenvolvida com bons resultados pelo país vizinho, mas dispendiosa e não totalmente adequada à faina portuguesa.
Esta curiosa monografia - muito rara - foi concebida e mandada imprimir por Joaquim Garcia, o proprietário do "privilégio régio" (detentor exclusivo deste empreendimento pesqueiro), na Tipografia Burocrática (1882-1912), inovador projecto tipográfico tavirense de João Gil Pessoa, primo direito do pai de Fernando Pessoa. É de realçar a consciência ambiental do autor, expressa na preocupação que o "varrimento" do fundo mar com artes de pesca desenvolvidas para o efeito causa ao ecossistema, e as graves consequências daí resultantes para o futuro das pescas.
Ilustrado no final com desenho esquemático de grande dimensões (58x55 cm) representando o funcionamento da Barca-volante.
"Quando se examina a carta da Europa, reconhece-se facilmente que Portugal é, em relação á sua população e á sua area, uma das nações d'esta parte do mundo que dispõe de maior extensão de costa maritima. [...]
Desde a Ponta de S.to Antonio, junto á foz do Guadiana, até Caminha, em todas as zonas departamentaes, ha numerosos pontos apropriados ao exercicio da pesca; aos quaes, ora n'uns ora n'outros, concorre todos os annos bastante pescaria; e mais concorrerá, de certo, se alguma vez se pozerem em pratica todos os meios preventivos, que se oppozerem á devastação dos prados submarinos, e á retenção e destruição da massa embryonaria proveniente da desova fecundada e dos numerosos cardumes de peixes pequenissimos, cuja extincção é uma das causas que mais poderosamente concorre, para o escasseamento da pesca domiciliaria e de arribação em alguns dos nossos districtos maritimos. Apezar, porém, do inestimavel valor d'essa riqueza que a provida mão da natureza tão generosamente nos proporciona, temos deixado jazer no mais deploravel estado de atrazo, a industria que tem por fim o emprego dos meios destinados ao aproveitamento de tão magnifica fonte de producção."
(Excerto de Duas palavras)
Indice:
I - Duas palavras. II - Artes de cêrco. III - Galeões. IV - Barca-volante. V - Armação do apparelho e seu lançamento ao mar.. VI - Barcascas ou artes de chavega. VII - Comparação entre a barca-volante e as barcas actuaes ou artes de chavega. VIII - Comparação entre a barca-volante e os galeões. IX - Differenças economicas entre a barca-volante e os galeões. X - Companhas. XI - Observações geraes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Contracapa apresenta secção de papel que aí esteve colado.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
45€

03 janeiro, 2024

CORDEIRO, Arsénio -
PESCA GROSSA EM PORTUGAL.
[Por]... Do Conselho Técnico do Clube dos Amadores de Pesca de Portugal e Federação Portuguesa de Pesca Desportiva. [S.l.], Junta de Turismo de Cascais, 1950. In-4.º (24,5x19 cm) de 31, [3] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da pesca grossa entre nós, publicado numa época em que o país dava os primeiros passos para a divulgação deste desporto, e de que este trabalho é exemplo. Inclui no final pequeno resumo em inglês.
"Até 1950 não há registo de capturas de espadartes por pescadores amadores em Portugal. Em 30 de Outubro de 1954, Manuel Frade pesca o primeiro exemplar desta espécie, com 153 quilos, nas águas de Sesimbra. Seguiram-se as grandes pescarias de Arsénio Cordeiro (1910-1982), médico e professor catedrático que foi o grande responsável pela divulgação da pesca desportiva de alto mar em Sesimbra e, particularmente, desta espécie que se tornou numa referência gastronómica da vila e deu, inclusive, nome a uma unidade hoteleira."
(Fonte: https://www.sesimbra.pt/noticia-72/ultimos-dias-da-quinzena-do-espadarte)
Livro ilustrado com 6 figuras a p.b.  - impressas sobre papel couché - distribuídas por 3 folhas intercaladas no texto.
"Ao abordar  este assunto não podemos deixar de pensar que vamos falar sobre uma modalidade actualmente quase inexistente, mas cujas condições potenciais são de tal modo favoráveis que bem se pode afirmar termos até aqui desprezado uma riqueza colocada pela Providência a nossos pés.
Nem todos os países podem aspirar a incluir no seu arsenal turístico aquilo a que os anglo-saxões chamam o Big-Game Fishing, pois que a captura de peixes gigantes com cana e carreto está naturalmente condicionada pela existência dos mesmos em local acessível. [...]
Dum modo geral pode dizer-se que sempre há possibilidades de big-game, elas são exploradas ao máximo, mesmo em locais, como a Inglaterra, em que as áreas de pesca ficam a 50 ou 70 milhas dos portos mais próximos. Em toda a parte se procura desenvolver a pesca grossa. Em toda a parte menos cá!
O objectivo deste trabalho é pois o de contribuir com a nossa magra experiência pessoal para pôr o problema em equação, procurando estabelecer como premissas iniciais:
1) O conhecimento das nossas possibilidades no que respeita a peixes de desporto;
2) A delimitação de zonas com características próprias e interesse turístico;
3) Os requisitos necessários para tornar possível o aproveitamento desportivo e turístico dessas zonas e desses peixes."
(Excerto do preâmbulo - Considerações prévias)
Índice:
Consideração prévias | I Parte - Peixes de desporto da costa portuguesa: 1.º ) Anequim; 2.º) Atum; 3.º) Espadim; 4.º) Espadarte. II Parte - Zonas de pesca grossa: 1.º - Zona de Peniche - Berlenga: a) Mar do Cerro ou Mar do Sudoeste da Berlenga; b) Baixa da Corredoura; c) Farilhões - Mar dos Farilhões - Mar da Belatina; 2.º - Zona de Cascais - Sesimbra; 3.º - Algarve - Zona de Faro - Tavira. III Parte . Futuras investigações: 1.º) Equipamento; 2.º) A equipa de pesca; 3.º) Forma prática de realização. | Resumo e Conclusões | Summary | Bibliografia.
Arsénio Luís Rebello Alves Cordeiro (Lisboa, 1910-1982). "O Prof. Arsénio Cordeiro é considerado uma das figuras mais proeminentes da Medicina Portuguesa da segunda metade do século XX, devido às suas qualidades como clinico, investigador, professor, pedagogo, pela sua personalidade e carácter impar e multifacetada, percorrendo diversas áreas, desde a medicina até às inúmeras práticas desportivas. Especializou-se ainda em Medicina Desportiva, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, visitando Roma, Bolonha, Berlim e Hamburgo.  Empenhou-se em várias especialidades da medicina como em Medicina Interna, Cardiologia, Medicina Desportiva, Medicina do Trabalho e Medicina Aeronáutica, tendo participado em inúmeros congressos internacionais nestas áreas.  Foi nomeado Professor Catedrático de Patologia Médica, em 1958 e de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1964.  Para além de ter sido desportista de enorme mérito, distinguiu-se como campeão nacional de esgrima e espada em 1939, obtendo o record europeu da pesca do espadim branco e nos anos de 1955 e 1958, na pesca do espadarte.  Foi pioneiro da prática de esqui na Serra da Estrela. Participou também em outras atividades como a caça, remo e hipismo, tendo sido sócio e representado várias associações venatórias e piscatórias."
(Fonte: https://www.medicina.ulisboa.pt/newsfmul-artigo/89/viagem-vida-do-prof-arsenio-cordeiro)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
50€

16 maio, 2023

RECORDAÇÕES -
Á MEMORIA DO NOSSO QUERIDO FILHO ANTONIO CORRÊA MEXIA DE MATTOS
Nascido em Loulé no dia 5 de junho de 1891 e fallecido em Lisboa no dia 5 de novembro de 1911. Fallecido quasi á mesma hora em que tinha nascido com muito poucos minutos de differença. Dedicam Seus inconsolaveis paes. [S.l.], [s.n. - Typ. «A Editora Limitada» - Lisboa], [1912]. In-8.º (19,5 cm) de XIII, [1], 190, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
In memoriam do jovem louletano António Correia Mexia de Matos patrocinado por seus pais, com a colaboração de amigos e admiradores do malogrado escritor.
Obra fora de mercado, para oferta, por certo com tiragem reduzidíssima, ilustrada em separado com um retrato de António de Matos. Trata-se do repositório de crónicas e artigos dispersos do jovem prosador sobre os mais diversos assuntos - sobretudo relacionados com o "seu" Algarve - com uma verve e desassombramento incomuns para a idade. Destaque para o "sentimento" posto no retrato do Fado - a canção nacional -, e na descrição da Coimbra estudantil.
Exemplar autografado pelo pai do escritor com dedicatória pungente a Carlos Cândido Pereira, condiscípulo de seu filho.
"Foi tão cruciante a dôr que sentimos ao ver evolar-se para sempre de ti o sopro da vida que te animava; foi tão rude o golpe vibrado ao nosso coração de paes, que tanto te idolatravam, que por algum tempo ficámos aturdidos e alheios a tudo o que que nos cercava... [...]
 Porque é que, contando apenas vinte annos, havias de desaparecer para sempre d'este  mundo d'enganos, sendo, como eras, um carinhoso filho, um irmão extremoso e um dedicado amigo?! [...]
Como piedosa homenagem á tua memoria, as produções litterarias que deixaste dispersas em varios jornaes e outras ineditas, colligimos neste livro, que não é destinado á venda publica, mas sim para ser offerecido aos teus e nossos amigos e, por isso, estes desculparão quaisquer incorrecções que nelle encontrem, porque têem que atender a que foram escritas, uma grande parte, em tenra edade e quando os teus conhecimentos litterarios oficiaes não iam alem do terceiro anno do lyceu e todas ellas dos quatorze aos vinte annos e do primeiro ao sexto anno do curso do lyceu.
Reunimos tambem a opinião da imprensa e de alguns amigos, a teu respeito. [...]
Nas regiões misteriosas para onde tão permaturamente partiste recebe esta singela homenagem e com ella as muitas lagrimas e saudades de teus desditosos paes."
(Excerto de Carta ao nosso filho)
"Se ha musicas que fazem vibrar na noss alma todos os sentimentos que possuimos, o fado é incontestavelmente uma d'ellas.
A italia com as suas affamadas operas; a Hespanha com as suas caracteristicas zarzuelas não interpretam melhor a psychologia dos seus povos, do que Portugal com o Fado.
Porque o fado, essa canção caracteristicamente portugueza, é acolhida com impetos de entusiasmo onde quer que se oiça e n'esses impetos parece que vae toda a alma dum portuguez, desfeita em pedaços, pelas vibrações mobidas do tanger duma guitarra. Sim, o fado é ouvido em toda a parte com os mesmos estuosos arrebatamentos, desde o mais sumptuoso palacio, onde, nas rumorosas abobadas, ecôam as suas notas, até á mais humilde mansarda, onde ellas se espalham, deixando no ar uma sonancia dolencia.
O fado tem o poder magico de interpretar os sentimentos da dôr, ou da alegria, que enlaceiam uma alma, pois que elle tangido languidamente numa guitarra faz percorrer no nosso corpo fremitos de estonteamento e produz-nos nevroses que, desaparecendo, deixam-nos emergidos numa doce e suave lethargia.
Elle, umas vezes, vem acompanhado d'alegria e vivacidade, outras vem envolvido em tristeza e melancolia; mas, quer venha duma maneira, quer doutra, o fado arranca-nos sempre expressões de enthusiasmo e sabe incutir-se na alma, ora arrebatadora, ora melancolicamente. [...]
Eu nunca me hei-de esquecer do conjuncto de linhas phisionomicas que apresentava o rosto dum misero cego que n uma feira tocava o fado numa guitarra velha. Cada desferimento dos seus dedos sobre as cordas, parecia vir acompanhado dum rajo de luz, soltos desses olhos, onde pairava para sempre o espesso nevoeiro da desgraça..."
(Excerto de O Fado)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva a capa de brochura, que foi colocada depois da f. ante-rosto, precedendo a f. rosto.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado.
Raro.
35€