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09 outubro, 2026

BARROSO, P.ᵉ Domingos - O PERGIGUEIRO PORTUGUÊS.
2.ª edição revista e aumentada
. Porto, Gazeta das Aldeias, 1962. In-8.º (19,5x14 cm) de 174, [4] p. ; [1+32] f. il. ; B.
Monografia sobre o Perdigueiro Português, uma das mais apreciadas, completas e emblemáticas obras de canicultura que sobre a raça se publicou entre nós. Trata-se da segunda edição, preferível à primeira porque mais aumentada em texto e gravuras.
Ilustrada em separado com o retrato do autor + 32 estampas reproduzindo desenhos e fotografias de magníficos exemplares da raça.
"A Paleontologia prova-nos que o cão existe sobre a terra pelo menos desde o tempo em que sobre a mesma terra existe o homem.
Mais: - que, já nas recuadas épocas da Pré-história, havia diferentes raças de cães, possìvelmente também com diversas utilizações.
Mas, donde nos veio ele ou, se alguém o prefere, donde nos vieram elas?
As opiniões dividem-se. Uns dizem-no oriundo do lobo."
(Excerto do Cap. I - A origem do cão)
"Quando nasceu o perdigueiro?...
Perguntar não custa muito. O responder é que às vezes tem as suas dificuldades. [...]
A acção do cão, na caça das aves como em qualquer outra, tem forçosamente que ser modelada por e para os nossos meios de ataque.
E o primeiro de todos os meios de ataque à disposição do homem que a nós, europeus, parece exigir um perdigueiro foi, com certeza, a altanaria. Podia, por isso, muito bem ter nascido com ela. A asa e a garra dos voláteis de presa são o complemento natural do olfacto do cão."
(Excerto do Cap. II - Se o cão foi logo o perdigueiro)

Índice: Uma conversa em família. | I - A origem do cão. II - Se o cão foi logo o perdigueiro. III - Se o perdigueiro nasceu na Ásia. IV - De quando e onde nasceu o perdigueiro. V - Da facilidade de certas transmutações. VI - De como o sabujo se porta na berlinda. VII - Em que o cão de água nos dá um ar da sua graça. VIII - De um fidalgo cem por cento, que não tem a certeza quem seja seu pai. IX - De um pobre de Cristo caído nas bocas do mundo e das queixas que o mundo alega. X - Em que se encontra um cavalheiro de nome podengo. XI - Em que o leitor pode descansar um bocadinho, a ver a paisagem. XII - Em que o podengo encarrilha, definitivamente, no caminho do perdigueiro. XIII - De uma pergunta, encontrada à ventaneira... XIV - ... e uma resposta pelo sistema de conta-gotas. XV - Duma boa cara e dum bom coração... XVI - Enfim, o nosso perdigueiro! XVII - Uma silhueta que se recomenda. XVIII - Aromas e cabeças. XIX - Cabeças e aromas. XX - Uma conformação robusta. XXI - Semelhanças ou diferenças? XXII - Esperteza e instinto. XXIII - Sua humildade e mais partes. XXIV - Da sua precocidade. XXV - Do ensino a dar-se-lhes. XXVI - Degenerescência ou falta de cuidado? XXVII - Cruzamentos estranhos. XXVIII - A origem do pointer. XXIX - O que há a fazer?
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas com pequenos defeitos.
Muito invulgar.
35€

02 outubro, 2026

RODRIGUES, Álvaro e DIAS, António C. -
PRÁTICAS DE COZINHA : Cursos Itinerantes de Hotelaria.
Apontamentos coligidos pelos monitores:... Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral do Turismo. Lisboa, Centro Nacional de Formação Turística e Hoteleira, [196-]. In-fólio (29x20,5 cm) de [2], 310, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual culinário gravado em stencil e reproduzido em duplicador. Contém inúmeras receitas culinárias, as mais variadas.
Os cursos itinerantes de hotelaria foram iniciativas históricas em Portugal, promovidas no século XX pela Direcção-Geral do Turismo, para levar formação prática em cozinha e serviço hoteleiro às regiões do país fora dos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto), onde a hotelaria e o turismo começavam a dar os primeiros passos e onde as unidades hoteleiras locais careciam de mão de obra qualificada. (IA)
Obra rara e muito curiosa, sem menção na BNP.
"Técnica" é o conjunto dos processos de execução dum trabalho ou de uma arte. Não apenas a profissão, mas também toda a operação que lhe diz respeito tem a sua técnica, mais conhecida em cozinha pelo termo "princípios". A "mise en place", é um exemplo desses princípios.
A Técnica Culinária, é em definitivo o conjunto das pequenas operações postas em prática pelo cozinheiro, tendo em vista a preparação dos alimentos. Ela compreende primeiro que tudo a manipulação das matérias primas, partindo das mais simples ou das mais conhecidas, e utilizando sempre o seu nome técnico para evitar qualquer confusão. Ela compreende também os temperos preliminares e os seus empregos sucessivos, nos diversos modos de cozedura."
(Técnica Culinária)
Índice:
Técnica Culinária | Higiene Profissional | Vocabulário Técnico | Utensílios | Cozinha Fria | Secção de Sopas | Secção do Entremédio | Secção do Peixeiro | Secção dos Assados | Secção dos Molhos | Pastelaria | Manteigas, Compostas e Molhos  Guarnições  Massas  Ovos e seus derivados  Caldos e Sopas  Peixes, Mariscos e Crustáceos | Carnes | Diversos | Pastelaria
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta mancha no pé.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
60€

23 setembro, 2026

1.ª BRIGADA MISTA INDEPENDENTE - 1978/1988 : DEZ ANOS DE ACTIVIDADE
. [Santa Margarida], 1.ª BMI, 1989. In-fólio (29,5x21 cm) de 112, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra comemorativa do primeiro decénio da 1.ª Brigada Mista Independente, antes 3.ª Divisão de Infantaria, e depois, em 1993, Brigada Mecanizada Independente, passando a designar-se Brigada Mecanizada a partir de 2006.
Profusamente ilustrada com fotografias a cores e a p.b., sendo algumas em página inteira.
"A Brigada Mecanizada (BrigMec) é uma grande unidade do Exército Português, constituindo uma das suas três brigadas. O seu comando, órgãos de base e unidades operacionais encontram-se aquartelados no Campo Militar de Santa Margarida, localizado na freguesia de Santa Margarida da Coutada, concelho de Constância. Tem como patrono, D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável.
Como grande unidade, a BriMec encontra-se inserida tanto na Componente Operacional (estrutura operacional) como na Componente Fixa (estrutura base) do Sistema de Forças do Exército, dependendo hierarquicamente do Comando das Forças Terrestres (CFT).
A BrigMec constitui a grande unidade de forças pesadas do Exército Português. Estas caracterizam-se por serem forças de armas combinadas, dotadas de meios mecanizados e blindados, vocacionadas para atuarem em situações de conflito de alta intensidade, onde os poderes de fogo, de choque e de proteção sejam determinantes."
(Fonte: Wikipédia)
"A 1.ª Brigada Mista Independente (1.ª BMI) comemorou em 6 de Abril de 1988 o 10.º aniversário da sua criação oficial. Apesar da sua ainda curta existência ele é hoje a expressão clara da vitória sobre o desafio que se colocou ao Exército Português, após o fim da guerra não convencional que o empenhou em África durante mais de uma década. Desafio que tinha o duplo objectivo de conjugar a vontade de renovação do Exército, nos planos técnico e táctico, com a vontade política de Portugal em reafirmar a sua participação na defesa colectiva da Aliança Atlântica. Aliança que o nosso país ajudou a formar e que se destina a manter a paz e a liberdade dos seus membros, não através da guerra, mas pela dissuasão.
O quadro desta Aliança é representado pelo Tratado do Atlântico Norte o qual surgiu como reacção dos países da Europa Ocidental., apoiados pelos Estados Unidos e pelo Canadá, à crescente expansão ideológica e territorial soviética verificada nos anos conturbados que se seguiram à 2.ª Guerra Mundial."
(I - Fundamento Histórico - Introdução)
Índice:
I - Fundamento Histórico. II - Grande unidade de campanha permanentemente constituída. III - Onde se localiza a Brigada. IV - Actividades da Brigada. V - Deslocamento para Itália e apoio logístico. VI - Referências elogiosas. VII - Desafios do futuro. | Cronologia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e militar.
20€

05 setembro, 2026

PEREIRA, Frederico A. - OS ELEPHANTES. Por... Consul de Portugal em Siam. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª, 1890. In-8.º (19x13 cm) de [2], 104, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre o elefante asiático, primeira (e única) obra que sobre o assunto se publicou entre nós.
Raro e muito curioso.
Ilustrado com uma estampa do animal em separado.
"Não vamos fazer um estudo profundo sobre este assumpto. O nosso intuito é sem pretensões e visa simplesmente a fazer conhecer o quanto o elephante é um animal util ao homem pela sua intteligencia."
(Excerto de O elephante historico e de guerra)
"A Africa possue elephantes, mas não têm até hoje sido utilisados como animaes domesticos e de grande beneficio para quem os educasse, como acontece na Asia. No continente negro ignora-se mesmo um modo qualquer de os apanhar vivos, o que é de certo uma grande falta que se fosse remediada poderia ser um bom elemento de riqueza e de progresso. Oxalá que o meu trabalho, no que diz respeito á sua utilisação na Asia, possa contribuir para que de futuro se olhe para este pachiderme em Africa, como mais necessario como simples animal de caça: O seu marfim cujo valor augmenta com a edade, é nada comparado com os valiosos serviços que elle póde prestar á humanidade.
O elephante póde viver de 160 a 200 annos. Porém está sujeito a muitos contratempos que lhe abreviam a existencia: O homem mata-o quando póde; os animaes ferozes fazem-lhe uma guerra constante; entre si acontece em certas circumstancias que entram em lucta e sempre um dos contendores morre e ás vezes o outro pouco lhe sobrevive; a natureza apresenta grandes obstaculos á sua enorme massa, produzindo accidentes que acabam por matal-os, além de impedirem a sua reproducção. D'ahi resulta que a sua existencia está calculada na media de 70 annos. [...]
Os elephantes no estado selvagem andam sempre em rebanhos e obedecem ao mais velho ou ao mais forte, áquelle que melhor os póde guiar. Estes rebanhos compõem-se geralmente de 100 a 150. Obedecem ao seu chefe e é raro haver desintelligencia entre elles. A boa harmonia cessa quando um, menos soffredor, ou por ciumes, ou mais exigente que os outros, ou porque foi perturbado nos seus amores ou nas suas affeições, se mostra descontente e começa a maltratar os camaradas. O agressor vê então todos ligarem-se contra elle e depois de terriveis combates, humilha-se, mas altamente irritado; a companhia torna-se-lhe odiosa e para occultar a sua vergonha, sepára-se e refugia-se nas florestas. Este isolamento reage sobre o seu humor e azeda-lhe o caracter a tal ponto que se torna altamente perigoso para os seus semelhantes, para os outros animaes e para o homem; então mata tudo o que encontra. D'ahi provêm os nomes que lhes dão na Asia, de solitarios - matadores -; por isso é que o governo da India Ingleza dá um premio a todo aquelle que matar um de estes terriveis desertores."
(Excerto de O elephante selvagem)
Índice
:
- O elephante historico e de guerra. - O elephante selvagem. - Como se apanham elephantes. - Um captivo por amor. - A educação dos ellephantes. - O elephante em diversos serviços. - O elephante galante. - O elephante na familia. - O elephante combatente. - O elephante branco. - O elephante branco na Birmania. - O elephante branco em Siam.
Frederico António Pereira. Foi um diplomata, administrador colonial e escritor português do final do século XIX, cuja carreira ficou marcada pela sua prolongada missão no Sudeste Asiático. Exerceu as funções de cônsul de Portugal no Reino do Sião (atual Tailândia) entre 1886 e 1898. Geriu as complexas relações jurídicas e comerciais decorrentes dos tratados luso-siameses, lidando diretamente com o estatuto de proteção consular concedido a súbditos portugueses e a milhares de imigrantes chineses protegidos pelo consulado. O seu mandato foi caracterizado por posições firmes e controversas; chegou a entrar em conflito direto com o governo siamês devido à jurisdição sobre trabalhadores locais, o que gerou pedidos de sindicância e acesos debates epistolares com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Manteve uma articulação constante com o Governador de Macau, pedindo com frequência apoio naval (como o envio de canhoneiras) para reforçar a influência diplomática portuguesa na região do rio Chao Phraya.
Como a maioria dos diplomatas nessa época, Frederico António Pereira acumulava as funções de representação com o estudo científico, geográfico e etnográfico das regiões onde estava colocado. A sua estadia permitiu-lhe recolher material para tratados pioneiros em língua portuguesa sobre a fauna, as tácticas militares locais e as tradições asiáticas. Publicou Georgina : poema sentimental (1885), seguido pelo seu tratado etnográfico Os Elephantes (1890), e mais tarde, uma obra de fôlego sobre as relações entre o Sião e a Birmânia - The political intercourse between Siam and Burmah (1895). (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem as capas originais. Pelo interesse e raridade justifica encadernar.
Raro.
50€

02 setembro, 2026

SOEIRO, Felix Anastacio & FERRÃO, Carlos Ribeiro Nogueira -
CARTA E MEMORIA SOBRE UM PROJECTO PARA O ESTABELECIMENTO DE UMA COLONIA MILITAR AGRICOLA E DISCIPLINAR SOB A PROTECÇÃO DE SUA MAGESTADE EL-REI, O SR. D. CARLOS I.
[Por]... Capitão de infanteria & Alferes de infanteria. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897. In-8.º (22,5x14,5 cm) de [2], 27, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Proposta inovadora, conceptual, para desenvolvimento de uma prisão militar na Serra de Serpa (Alentejo), que contemplasse a incorporação do trabalho agrícola como parte do processo correctivo e do cumprimento de penas das praças sob detenção, transformando o baldio improdutivo em campos de cultivo. Esta prisão-colónia militar acabou por nunca ser construída. O projeto enfrentou forte oposição local e pressões políticas, nunca tendo saído do papel.
Obra invulgar e muito curiosa. A BNP refere o livro com a indicação: "Sem informação exemplar".
Ilustrada no texto e em página inteira com quadros e tabelas estatísticas.
"Senhor
É precisamente no momento em que no paiz se debatem as mais encontradas opiniões ácerca do aproveitamento das enormas charnecas alemtejanas, como tentativa para se debellar a falta de trigos nacionaes, e com estas as innumeras difficuldades que d'ahi resultam, que os signattarios d'esta veem mui respeitosamente apresentar a Vossa Magestade um modesto alvitre tendente a melhorar, até certo ponto e o mais economicamente possivel, um tão angustioso estado de cousas. [...]
Senhor. Dois modestos officiaes do exercito de Vossa Magestade, sentindo-se com forças para uma actividade superior em beneficio da sua patria, sujeitam-se de bom grado ás enormes difficuldades da vida isolada, doentia e cara, nas charnecas do Alemtejo, sem outras ambições que não sejam a de se tornarem uteis ao seu paiz e ao governo de Vossa Magestade."
(Excerto do Introdução)
"Senhor. - Os dois officiaes abaixo assignados, bastante conhecedores da serra de Serpa e praticos em edificações economicas e nos trabalhos de culturas e pecuaria, propõem-se a fertilisar e colonisar com a mais restricta economia e as maiores vantagens para o estado, as extensas massas de terreno, sem a minima vegetação arborea, constituidas por faixas contínuas de esteval de grandes dimensões e de campos immensos de charneca improductiva da alludida serra.
Trocando espontaneamente as commodidades e gosos que offerece a vida das cidades pelas agruras da vida rural, sem comtudo deixarem de prestar valiosos serviços ao exercito, como se verá da indole d'este emprehendimento, procuram esta occupação honrosa e salutar para estabelecer uma colonia militar agricola e disciplinar no centro da mesma serra, que tem por fim empregar em todos os seus trabalhos de edificações, aproveitamento de aguas, culturas, creação de gados e apuramento das especies e exploração e aperfeiçoamento de varias industrias proprias da região, o pessoal da colonia, destacado do exercito com as aptidões requeridas para cada mister e ainda as praças destinadas ao deposito militar do forte da Graça, cuja regeneração será mais efficaz e offerecerá maiores garantias, alliando o trabalho agricola obrigatorio á educação e correcção militar; porque assim se evita a ociosidade e a perversão d'esta multidão de incorrigiveis, attestada pelas antigas casas de correcção e ainda não desmentida pelo actual deposito militar."
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
[Introdução] | [Preâmbulo] | Idéas geraes sobre os fins da colonia | Organisação e administração da colonia | Quadro do pessoal da colonia | Vencimentos, recompensas e penalidades | Disposições diversas | Descripção summaria dos predios de que constam as edificações fundamentaes da colonia, que suppre a planta junta á primeira memoria | Mappas [Quadros/Tabelas].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga no pé, visível nas últimas folhas do livro.
Raro.
45€

30 agosto, 2026

SANTOS, Victor -
CANCIONEIRO ALENTEJANO.
Recolha, prefácio e notas de... Poesia Popular. Lisboa, Livraria Popular, 1959. In-8.º (22,5x16 cm) de 155, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Cancioneiro devotado ao Cante Alentejano. Importante trabalho de  preservação da tradição oral e etnográfica do Alentejo.
Trata-se de uma coletânea de cantos e quadras populares recolhidos diretamente da tradição oral alentejana. Os textos estão organizados por motivos temáticos e geográficos. Contém estâncias dedicadas a aldeias, vilas e cidades da província, incluindo Olivença: Alagoa; Alandroal; Aldeia Nova; Alvito; Arraiolos; Beja; Borba; Brinches; Cabeça Gorda; Cabeção; Canal; Elvas; Évora; Estremoz; Mértola; Serpa; Vila Boim; Vila Verde de Ficalho.
Livro ilustrado no texto e em página inteira com bonitos desenhos e fotografias a cores e a p.b. 
"Um Cancioneiro Regional é um coração que se abre em jeito metrificado, mostrando as alegrias e as tristezas, as virtudes e os pecadilhos, os atrevimentos e as ironias, e fé e as irreverências, do viver simples e rural da gente da planície fria e escaldante a um tempo extensíssima, que ama a graça  do dizer e o diz com emoção, em galanteio ou castigante ironia, com a transparente espontaneidade da sua alma franca mas por vezes nostálgica.
Tudo isto o meu bairrismo amorosamente orgulhoso traz aos prelos, para que se possa aquilatar da alma alentejana através dos devaneios e conceitos poéticos, adoràvelmente simples, visto que, não raro com aspecto puritano, os homens e as mulheres do sul dizem com ternura o que sentem, e sentem com ternura o que dizem.
A natureza do rural, contemplativo, grave e galanteador, aflora nos versos deste Cancioneiro, onde por vezes mostra o coração, que bate pelo amor da mulher suas companheira das fainas ancestrais e rudes e no enternecimento pela terra amada e abençoada que lhe absorve a vida, do nascer ao morrer, numa devoção que é um cântico esplendente de amizade pura e de um carinho que tem muito de filial"
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio | Hieráticas | A terras do Alentejo | Faina, natureza e exaltação da terra | Amor - Sátira - Diversas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
Indisponível

28 agosto, 2026

GOMES, Joaquim da Conceição - O MONUMENTO DE MAFRA : descripção minuciosa d'este edificio.
Idéa geral de sua origem e construcção e dos objectos mais importantes que constituem esse grande todo. Por... Empregado no mesmo edificio. Mafra, [Editor - Augusto Taveira Pinto] - Typographia Mafrense, 1866. In-8.º (20,5x12,5 cm) de 108, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original desta obra singular sobre o Convento de Mafra, multiplamente replicada ao longo dos anos, sobretudo no século XIX, mas também no século XX, por Joaquim da Conceição Gomes, antigo conservador da Real Basílica de Mafra.
"A 35 kilometros ao norte de Lisboa e 20 ao nordeste de Cintra está situada Mafra, povoação antiquissima tomada por D. Affonso Henriques aos mouros em 1146. D. Diniz lhe deu o foral de villa em 1304, e foram d'ella senhores os condes de Penella. [...]
É ahi que existe o mais gigantesco edificio de Portugal, e talvez um dos mais bellos e gigantescos a Europa. Comquanto seja fria e melancholica, a primeira impressão que o viajante recebe ao vêr aquella massa descommunal, não póde todavia eximir-se de prestar-lhe homenagem, quando passa a examinar os seus pormenores. Parece impossivel como apesar da força de vontade inexcedivel do monarcha, e dos muitos milhões de crusados ali empregados, se póde no curto espaço de 13 annos concluir uma construcção  tão grandiosa e soberba."
(Excerto de I - Mafra)
Indice:
I - Mafra. II - O edificio de Mafra - começo as obras - inauguração - continuação das obras - sagração - conclusão dos trabalhos. III - Frontispicio - torres - relogios e carrilhões - torreões - faces lateraes - parallela da linha de frente - exterior do templo - zimborio. IV - Atrio e vestibulo do templo - templo e cupula do zimborio - acessorios do templo - jogo de luz. V - Sachristia - casa do lavatorio - casa da fazenda - corredor das aulas - sala d'actos - casa do capitulo - campo santo - refeitorio - cosinha - enfermaria - portaria-mór - escada do convento - jardim. VI - Vestibulos do palacio - escada principal - mezzaninos - palacio - aposentos reaes - bibliotheca - cerca - jardim. VII - Reflexões - pára-raios - canalisação - considerações - notas. VIII - Inauguração e sagração - (festejos).
Bonita encadernação contemporânea meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta pequeno restauro no pé das primeiras seis folhas.
Raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
40€

22 agosto, 2026

FORNELLOS, Alvaro Maria e -
MEMORIA HISTORICO-ECONOMICA DO CONCELHO DE MESÃO FRIO.
Dissertação para a cadeira de Economia Politica. Do alumno n.º 76... Coimbra, Imprensa da Universidade, 1886. In-4.º (24x15 cm) de 135, [1] p. ; [3] estampas ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho académico sobre o Mesão Frio, vila e concelho localizado no Distrito de Vila Real.
Rara monografia, com interesse histórico e regional. A BNP não menciona.
Ilustrada com quadros e tabelas no texto, e três estampas em separado: Sete sepulturas; Custodia da egreja de S. Nicolau; Fachada da egreja de S.ta Christina e casa da Ordem Terceira.
"Este concelho é sito na provincia de Traz-os-Montes, pertence á comarca do Peso da Regoa e ao bispado de Lamego, formando circulo eleitoral com o concelho da Regoa. A sua area é - 5:110 hectares. Tem por séde ou capital a villa de Mesão-Frio, que dista - 13 k. da villa do Peso da Regoa, 25 de Amarante, 80 do Porto e 355 de Lisboa; está situada no planalto da serra do Marão, que fica imminente ao rio Douro, na margem direita.
O terreno do concelho de Mesão-Frio é bastante fertil, produz especialmente vinho, azeite, laranja, castanha e cereaes; tem esplendidas aguas nativas e outras que lhe descem da referida serra do Marão, o seu clima é notavelmente saudavel."
(Excerto de I - Origem historica do concelho)
Thema proposto para a dissertação - cadeira de Economia Politica:
I - Origem historica do concelho. II - Distribuição da propriedade antes e depois do regimen liberal. III -Distribuição da população antes e depois do regimen liberal; imigração e emigração - se as houve e ha, suas causas e effeitos. IV - Industria antes e depois do regimen liberal - seu progresso, decadencia e causas. V - Misericordias - sua historia e disposições principaes do seu compromisso, capitaes que possuem e modo por que os empregam. VI - Confrarias - sua fundação, estatutos, capitaes que possuem e modo por que os empregam. VII -Sociedades de instrucção e beneficiencia. VIII - Bancos e sociedades cooperativas.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

20 agosto, 2026

CORREIA, José António de Oliveira -
MOURA, O CARMO, A FÉ
. Moura, Câmara Municipal de Moura, [20--]. Oblongo (21x26 cm) de 176, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia sobre Moura e as festas do concelho.
Muito ilustrada com desenhos, mapas e fotografias a cores e ap.b.
Obra interessante e muito invulgar, sem referências bibliográficas, incluindo a BNP.
"É naturalmente com muita honra e muito prazer que escrevo estas linhas, como Nota de Abertura do livro "Moura, o Carmo, a Fé" da autoria de José António Correia.
Ele retrata uma visão do que tem sido a história da devoção a Nossa Senhora do Carmo, com expressão especial nas Festas que anualmente juntam milhares de pessoas, quer naturais, quer visitantes, que ano após ano renovam através da Fé, a sua dedicação religiosa e seu amor a Moura.
A história de Moura é por isso indissociável deste facto e deste elemento estruturante de afirmação da nossa cultura. Pelos dias da Festa. Por tudo o que a envolve nos períodos precedentes. E pelas marcas indeléveis que ficam para o futuro. E que toca a todos. Independentemente dos credos religiosos ou políticos."
(Excerto da Nota de Abertura)
José António de Oliveira Correia (n. 1956). É um historiador, investigador e autor português profundamente ligado ao concelho de Moura, no Alentejo, sendo responsável por diversas obras de referência sobre a história local, património e cultura da região. Nascido em 1956, em Portalegre, vai para Moura com três anos e por aí ficou. O seu trabalho foca-se principalmente no estudo etnográfico, religioso e social do município. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

16 agosto, 2026

GOODOLPHIM, Costa -
COMPANHIA LISBONENSE DE ILLUMINAÇÃO A GAZ.
(Traços geraes para a sua historia). Por... Lisboa, Typographia Universal (Imprensa da Casa Real). 1892. In-4.º (24x15,5 cm) de 55, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás, empresa responsável pela introdução e expansão da rede de gás e iluminação pública a gás em Lisboa, substituindo o azeite. O livro documenta a evolução técnica, os marcos da empresa e a história da produção de gás na capital.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor "Ao Ex.mo Sr. Antonio Centeno"...
"[...] Em 1846 um francez, José Detry, veio recommendado ao conde de Farrobo, apresentando um processo para a illuminação a gaz.
O conde, que era o homem verdadeiramente amante do progresso, espirito lucido, que deizou um rasto brilhante da sua passagem, que soube conquistar uma celebridade pela magnifiencia dos seus saraus, acolheu o recem-vindo e apresentou-o a Claudio Adriano da Costa, que era tambem um trabalhador intteligente. Este, com José Detry combinaram umas bases, que em 17 de março do  mesmo anno foram, em requerimento, apresentadas ao governo.
Essas bases, eram:
1.ª Accender até 3:000 bicos de luz, segundo as ordens da camara municipal ou de Sua Magestade;
2.ª Fornecer o gaz por cinco horas por dia para cada um d'estes bicos, ou 1:825 horas no anno;
3.ª Construir laboratorio, gazometros, apparelhos, etc., collocar pilares, tubos e lampiões para o publico, tudo á custa da empreza;
4.ª Extrahir o gaz de carvão de pedra, ou outro qualquer mineral, comtanto que tambem fôsse portuguez;
5.ª Construcção de todas as obras dentro de cinco annos;
6.ª O pagamento da nova illuminação pelo custo, termo médio, dos ultimos cinco annos da mesma illuminação a azeite;
7.ª Receber gratuitamente todos os utensilios, candieiros, apparelhos, etc., da velha illuminação;
8.ª Local gratuito para o seu estabelecimento, e isenção de todos os tributos collectivos, tanto munipaes como geraes, sobre a empreza;
9.ª Introducção, sem paga de direitos, de todas as machinas e materias primas para fundarem o seu estabelecimento;
10.ª O exclusivo por 30 annos para a illuminação publica e tambem particular, quando esta houvesse de principiar.
E ainda, havendo qualquer outro concorrente, serem os requerentes ouvidos sobre as condições offerecidas."
(Excerto de Fundação da Companhia lisbonense de iluminação a gaz)
José Cipriano da Costa Goodolphim (1842–1910), foi um destacado sociólogo, jornalista, poeta, conferencista e a figura fundadora do mutualismo em Portugal. Teve um papel crucial no desenvolvimento e estudo da economia social no país durante a segunda metade do século XIX.  Investigou de forma pioneira o associativismo e as dinâmicas de entreajuda e previdência social em território português. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Por aparar. Envelhecido. Capas escurecidas, com defeitos.
Raro.
Com interesse histórico e olisiponense.
25€

30 julho, 2026

AUGUSTO, Jerónimo - O CÃO DA SERRA DA ESTRELA. [Ilustrações executadas para esta obra: Pintor Isolino Vaz]. Porto, [Publicação do Autor], 1987. In-4.º (25x15 cm) de 128 p. ; mto il. ; C.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre o Serra da Estrela, cão pastor de raça portuguesa originário da serra que lhe dá o nome.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado com mapas, desenhos e e fotografias a p.b. e a cores de belíssimos exemplares da raça ao longo do texto.
"Parece estranho que um livro sobre o cão da Serra da Estrela consagre as primeiras páginas ao elogio do cão, valendo-se de testemunhos já velhos de milénios e de depoimentos de homens de letras cujo humanismo celebrou a figura benfazeja deste fiel e dedicado animal doméstico. A estranheza, porém, desaparece se pensarmos que um livro sobre o cão deve ser, simultaneamente, um livro sobre o comportamento do homem e o seu modo de sentir e apreciar o valor e a excelência deste animal. À educação do homem contemporâneo não deve ser alheia a preocupação pela ecologia e pelo desenvolvimento do modo de ser afectivo, que define o tratamento humano dos animais. Para além deste apontamento formativo, estas linhas despretensiosas brotaram de uma profunda estima e particular apreço pelas características e qualidades invulgares do nosso cão da Serra da Estrela, que o impõem no país e no estrangeiro. Assim, no segundo capítulo, traçámos um breve resumo da história desta raça, realçando o seu lugar na sensibilidade portuguesa e distinguindo as suas características condizentes com as agruras, a dureza e o frio inclemente do seu habitat - a Serra da Estrela. Visando um amplo público interessado, reunimos no capítulo terceiro um feixe de considerações sobre a criação, o tratamento, a disciplina e o adestramento do cão da Serra da Estrela, que podem ser úteis para eventuais donos ou criadores. Por outro lado, não se pode omitir o papel ímpar da canicultura na defesa e na propagação desta raça em Portugal e no estrangeiro e, por isso, lhe dedicámos o capítulo quarto. Finalmente, propomos que o tipo ideal do Serra da Estrela se deve procurar a partir das suas características naturais, fora de abastardamentos e cruzamentos inter-rácicos.
No regresso às raízes da pureza sadia da Serra e à sua melhor expressão viva, que é o cão, ameaçado de desnaturalização, está o sentido fundamental deste livro modesto mas penetrado de sinceridade e dedicação de quem, há longos anos, dedica ao Serra da Estrela as horas disponíveis do seu lazer."
(Prefácio)
Índice: Prefácio. | 1 - Elogio do cão. 2 - História de uma raça: - Incerteza das origens. - O «Serra» na sensibilidade portuguesa. - O Cão da Serra da Estrela: Características; Estalão do Cão da Serra da Estrela: I. Aspecto geral e aptidões; II. Cabeça; III. Tronco; IV. Membros anteriores e posteriores; V. Pelagem; VI. Altura; VII. Andamentos; VIII. Defeitos; IX. Tabela de pontos. - A serra como habitat. 3 - Criação e treino: - Criação; - Tratamento; - Disciplina; - Adestramento. 4 - A canicultura e o «Serra»: - Em Portugal: Manteigas e Covilhã; - No estrangeiro. 5 - À procura do tipo ideal.
Encadernação do editor cartonada, policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
35€

16 julho, 2026

VACCHI, Dante -
PENTEADOS DE ANGOLA
. [S.l.], Dante Vacchi, 1965. In-4.º (23x20,5 cm) de [76] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico sobre os ornamentos e arranjos capilares femininos em Angola.
Trata-se de um photobook etnográfico e antropológico da autoria de Cesare Dante Vacchi, jornalista e aventureiro, famoso pela paternidade (atribuída) da formação e preparação dos Comandos, tropa de elite portuguesa, pouco tempo após o início da Guerra Colonial. A obra regista os elaborados penteados tradicionais de várias tribos angolanas.
Obra trilingue (português/francês/inglês), executada com grande sentido estético e apuro gráfico, ilustrada a cores com fotografias de dezenas de modelos femininos pertencentes a diversas etnias da ex-colónia portuguesa, captadas em diversos estágios da sua vida.
"Nem uma voz humana, guincho, gritos, sussurros, rugidos cavos, melopeias e tam-tans. A alma da noite africana envolve-nos como longos braços frenéticos e um medo primordial surge nos nossos corações. O homem forte é ali redimencionado pela barreira impenetrável do arvoredo que o cerca e a escuridão da noite que repentinamente cai.
Treme, o homem, e teme.
Rasga a escuridão no meio de um Kimbo, uma fogueira, ou o rebrilhar aceso dos olhos de um felino.
No Kimbo a música e a dança, que aqui são verdadeiramente qualquer coisa de outro mundo, seguem leis imutáveis, atávicas; o mais pequeno gesto tem um significado bem definido, cuja origem se perde na noite dos tempos.
Um simbolismo verdadeiramente impenetrável acompanha todas as manifestações de vida negra. Exteriorizadas através de pulseiras, argolas, tatuagens, penteados, pela música e pela dança, pelas fogueiras, por melopeias e feitiços, estas manifestações compõem um quadro completo da vida quotidiana do povoado. [...]
E é a cerimónia da puberdade que dá início aos fantasmagóricos penteados, cerimónia que se reveste, quase sempre, de um carácter ritual pròpriamente dito.
Neste período, mal começam as festas, liberta-se a imaginação em complicados desenhos, arranjo de contas coloridas enfiadas nos cabelos, mantidos compactos e tintos com uma mistura de barro, resina e gordura vegetal ou animal. Então, os penteados mostram se a rapariga celebrou o rito da puberdade antes, durante ou depois da cerimónia ritual. Noutras mulheres, é indicativo apenas da tribo a que pertencem.
Hoje em dia é difícil distinguir, pelo penteado, a tribo à qual a negra pertence, pois as diferenças são tão pequenas que deixam perplexos mesmo os mais conhecedores. Outras vezes indica se é casada ou tem filhos, enquanto que o luto é representado por um penteado simples ao qual faltam os ornamentos vistosos do tempo das festas.
Os cabelos das mulheres são mantidos brilhantes e duros pelo contínuo uso da manteiga e óleos vegetais finíssimos, misturados com substâncias corantes: pó vermelho tirado da casca de certa árvore ou de uma pedra do rochoso planalto, ou de folhas pulverizadas que conservam a cor natural dos cabelos."
(Excerto do Preâmbulo)
Cesare Dante Vacchi (1925-?). Foi um jornalista e aventureiro italiano, considerado o "pai fantasma" e impulsionador da criação dos Comandos, a notável tropa de elite do Exército Português. Nascido em Itália, pouco se sabe da sua infância. Apresentou-se como voluntário no Exército italiano aos 15 anos de idade. No entanto, a sua verdadeira experiência como combatente e líder militar desenvolveu-se mais tarde, na década de 1940, quando comandou milícias em cenário de guerrilha na Itália ocupada. Foi toda essa bagagem adquirida em solo europeu, que o capacitou para preparar os soldados portugueses para esse tipo de confronto no palco africano mais de vinte anos depois.
Na década de 60, viajou como repórter fotográfico para Angola com a foto-jornalista Anne Gauzes, documentando a realidade da Guerra Colonial. Devido ao seu passado militar e tácticas de contra-guerrilha, foi convidado em 1962 a instruir as primeiras unidades de combate do CI 21 em Zemba, Angola, que viriam a dar origem aos Comandos. A sua personalidade e o seu desaparecimento repentino após o treino inicial conferiram-lhe um estatuto lendário e misterioso na história militar portuguesa. Deixou publicada obra multifacetada como autor e fotógrafo, destacando-se livros como Angola 1961-1963 (1964), Penteados de Angola (1965) e Porto (1965), sobre o Douro vinhateiro. Publicou ainda uma reportagem interessantíssima sobre a pesca longínqua portuguesa nos bancos da Terra Nova, redigida a partir do Gil Eannes, na revista Eva do Natal. (1967) (IA)
Encadernação editorial em tela branca com letras a seco e a negro na pasta anterior e na lombada. Vem revestida com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) no interior. Sobrecapa apresenta desgaste marginal, manchas e restauro.
Raro.
45€

09 julho, 2026

FIGUEIREDO, Candido de -
O GOVERNO CIVIL DE VILLA REAL : Apontamentos de uma Administração.
Por... exgovernadôr civil. Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora, 1893. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 31, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
"Relatório" completíssimo, muito bem redigido, sobre a administração efémera do Governo Civil de Vila Real pelo autor, período marcado por inúmeros incidentes políticos, dos quais este se queixa em carta impressa no início do livro ao Conde de Cabral, que antes interviera junto do poder político para a sua nomeação para o cargo.
Obra não mencionada nas principais biografias do autor, ilustrada em página inteira com quadro-mapa elaborado pelo seu punho para facilitar a recolha de dados sobre a instrução no distrito.
Documento precioso, raro e muito interessante, com indubitável interesse para o conhecimento da região nos seus mais variados aspectos em finais do século XIX.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Visconde de Baena.
"Desde que assumi a governação do districto, foram-me apresentadas repetidas queixas contra contra as irregularidades de várias câmaras municipais, no cumprimento dos seus encargos. Um dia, era o administradôr e outros empregados, que não recebia há mêses os seus vencimentos; outro dia, e mais frequentemente, eram as pobres mulheres, encarregadas da criação de expostos, e ás quais as câmaras não pagavam o respectivo subsidio, há quatro, cinco e sete annos; outro dia ainda, era um munícipe, apontando-me tal ou tal câmara, que se esquivava a impreteriveis melhoramentos locais, ao passo que contraia empréstimos de dezenas de contos, fazendo-os desapparecêr, sem que se soubesse como."
(Excerto de I - Fazenda municipal)
Índice:
Carta ao senhôr Conde de Cabral | I - Fazenda municipal. II - Beneficiência e saúde pública. III - Expostos. IV - Instrucção pública V - Processo eleitoral. VI - Segurança pública. VII - Emigração. - Jôgo. - Pêsos e medidas. - Contrabando. VIII - Conclusões.
António Cândido de Figueiredo (Tondela, 1846 - Lisboa, 1925). "Distinguiu-se como poeta, intelectual, lexicógrafo e interessado em sanscritologia.
Após cursar Teologia em 1863 no seminário de Viseu, matriculou-se em 1869 no curso de Direito na respetiva Faculdade da Universidade de Coimbra, formando-se a 8 de junho de 1874.
Em 1875, ajudou a fundar a Sociedade de Geografia de Lisboa, sendo seu sócio fundador com o número de registo 13.
À semelhança dos seus pares, teve uma atividade periódica intensa. Casado com uma feminista, Cândido de Figueiredo seria simpatizante da causa feminista, colaborando em revistas a que a esposa Mariana Angélica de Andrade (1840-1882) estava ligada, como Voz Feminina. Além de advogado, poeta, prosador, estudioso da língua portuguesa, Cândido de Figueiredo foi também tradutor, sobretudo das línguas francesa e italiana, contando-se, entre o seu repertório, desde obras de filologia à ficção do belga Maeterlinck (1862-1949)."
(Fonte: https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/np4/figueiredo.html)
Bonita encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aquando do trabalho de encadernação foi acrescentado ao livro folhas em branco com o fim de "engrossar" o volume.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
A BNP dá notícia do livro com a indicação "Sem informação exemplar" e "Mau estado de conservação".
Indisponível

04 julho, 2026

PIMENTEL, Alberto - MEMORIA SOBRE A HISTORIA E ADMINISTRAÇÃO DO MUNICIPIO DE SETUBAL. Por... Da Academia Real das Sciencias de Lisboa e do Instituto de Coimbra. (Publicada a expensas de Municipalidade de Setubal). Lisboa, Typ. de G. A. Gutierres da Silva, 1877. In-4.º (21x15,5 cm) de 400 p. ; [1] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante monografia do concelho de Setúbal pela pena de mestre Alberto Pimentel, obra organizada sob os auspícios da edilidade. "O livro serve como um guia histórico e geográfico fundamental para compreender o desenvolvimento da região de Setúbal. Aborda detalhadamente a Administração - evolução civil, eclesiástica e militar do concelho; Património - detalhes sobre a arquitectura local, arte e legislação antiga; Sociedade - biografias de figuras ilustres nascidas na cidade; Ambiente - registos sobre as comunicações da época, bem como a flora e a fauna regionais." (IA)
Ilustrado com quadros e tabelas no texto, e um desdobrável (21x28 cm) em separado: "Relação nominal dos professores publicos e particulares que leccionaram no concelho de Setubal no anno lectivo de 1876 a 1877, com designação do numero d'alumnos d'um e outro sexo, e edade maxima e minima".
"A camara municipal de Setubal adquiriu, a fim de tornar tão copiosa quanto possivel esta Memoria, varios documentos e noticias desde longos annos recolhidos, com louvavel patriotismo, por um escriptor tão modesto como conscencioso, o sr. Manuel Maria Portella. Os subsidios amontoados pelo sr. Portella vão espalhados por toda a obra, e por mim coordenados nos logares e disposição que me pareceram mais proprios. Aproveito esta occasião para agradecer a todos os empregados das repartições do concelho, especialmente aos da camara municipal, a boa vontade com que me prestaram todas as informações que precisei; agradeço outrosim a muitos dos cavalheiros de Setubal quanto fizeram em proveito d'este livro, obtendo noticias ou acompanhando-me em passeios de estudo durante os quarenta dias em que trabalhei n'esta Memoria, para a qual, porém, já desde 1875 me prevenia.
Setubal, agosto de 1877.
Alberto Pimentel."
(Preâmbulo)
Alberto Pimentel (Porto, 1849 - Queluz, 1925). "Nasceu no Porto a 14 de abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros. Camilo Castelo Branco - que conheceu pessoalmente, prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras - é o seu ídolo e o seu Mestre. Morreu em Queluz no dia 19 de julho de 1925."
(Fonte: Wook)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam uma ou outra falha no revestimento. Capas envelhecidas, restauradas, com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
75€

30 junho, 2026

GALVÃO, António Miguel -
UM SÉCULO DE HISTÓRIA DA COMPANHIA DE PESCARIAS DO ALGARVE.
Elementos para o estudo da Pesca do Atum no Algarve e da sua evolução histórico-jurídica. [Por]... Advogado. Faro, Edição da Companhia de Pescarias do Algarve, 1948. In-4.º (24x17,5 cm) de 157, [3] p. ; [1] desdob. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Edição original - limitada - desta monografia sobre a história da Companhia de Pescarias do Algarve, reportando aos últimos 100 anos de existência desta importante casa pesqueira algarvia, a mais antiga da região, e a evolução da pesca do atum na zona.
Obra de referência, muito ilustrada no texto e em página inteira com desenhos e fotografia a p.b. Inclui desdobrável em separado (24x33,5 cm): "Vista aérea do «Arraial Ferreira Neto» no sapal do Rato".
Junta-se folhinha volante com o timbre da Companhia de Pescas do Algarve, subscrita pelo Conselho de Administração, Francisco António Honorato de Sousa Vaz e João da Silva Neto, em que se dá conhecimento aos accionistas da oferta da presente obra ao arquivo da Companhia, deliberando fazer-se "uma edição muito limitada, para se oferecer um exemplar a cada Sr. Accionista, e ainda a entidades oficiais, com as quais esta Companhia por vezes está em ligação."
"Formada a nacionalidade portuguesa (1140) e depois da conquista do Algarve em 1249, que efectivou a unidade territorial da Nação, a pesca do atum começou a ser um direito senhorial da Coroa ou das entidades em que ela delegava por doação ou arrendamento, e assim o atum e a corvina eras designados por pescarias reaes.
Há notícia de que era exercida na costa do Algarve no tempo de D. Afonso III (1248-1279) e noutras, pois D. Dinis, por carta régia de 22 de Dezembro de 1305, autorizou o lançamento de armações para a sua pesca em Sines e em Setúbal.
Foram porém sicilianos, então estabelecidos em Lagos, que em 1368, reinando el-rei D. Fernando, iniciaram experiências para a pesca do atum no Algarve por meio de artes de pesca mais aperfeiçoadas, que foram as precursoras das actuais armadilhas ou armações fixas. Em 1440, reinando D. Duarte, eram já armadas em boas condições de pesca, tendo sido dada a sua concessão a uma sociedade de sicilianos."
(Excerto de Primeira Parte - A Pesca do Atum - Cap. 3.º - A pesca do atum nos séculos XIII a XVII)
Índice:
Primeira Parte - A Pesca do Atum. Segunda Parte - Antecedentes directos da fundação da Companhia. Terceira Parte - A fundação da Companhia em 1835. Quarta Parte - O que interessa ao futuro da indústria da Pesca do Atum. quinta Parte - Anexos.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, com um outro corte (sem perda de suporte).
Raro.
Indisponível

27 junho, 2026

SOUSA, António Gomes de & COELHO, Manuel Ferreira -
TEMAS PENAFIDELENSES.
(Subsídios para a Monografia de Penafiel). Volume IV. Penafiel, [s.n. - Gráfica de Paredes, Lda. - Paredes], 1991. In-8.º (21,5x15 cm) de 161, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Volume 4 (de 6?) deste precioso manancial de informações sobre o concelho de Penafiel. "Temas Penafidelenses : (subsídios para a Monografia do Concelho de Penafiel) é uma coletânea de estudos históricos e patrimoniais da autoria de António Gomes de Sousa e Manuel Ferreira Coelho, investigadores dedicados à história local de Penafiel e regiões limítrofes. Esta obra serve como base documental para o conhecimento profundo do concelho.
Ilustrado no texto e em página inteira com inúmeras fotografias a p.b. do património material do concelho, sobretudo religioso.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível