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05 dezembro, 2025

ABREU, G. de Vasconcellos - A LITERATURA E A RELIJIÃO DOS ÁRIAS NA ÍNDIA. Por... Lente de Língua e Literatura sâmscrítica no Curso Superior de Letras, Officier d'Académie, Bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, do Instituto de Coimbra, da Société Asiatique. Membro honorário e correspondente de outras Sociedades científicas e Academias. Paris : Guillard, Aillaud e Cia., 1885. In-8.º (15,5x10 cm) de [4], XXXII, 171 p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo oitocentista sobre a presença ariana na Índia, a sua dispersão e influência sobre os outros povos do Oriente.
"O conceito de raça ariana teve seu auge do século XIX até à primeira metade do século XX, uma noção inspirada pela descoberta da família de línguas indo-europeias. Alguns etnólogos do século XIX propuseram que todos os povos europeus de etnia branca-caucasiana eram descendentes do antigo povo ariano. Correntes europeias, de caráter nacionalista da época, abraçaram essa tese. Esta, foi, talvez, tratada com maior ênfase pelo Partido Nacional Socialista da Alemanha. Estes, associaram o conceito de identidade nacional à raça ariana do povo germânico, através do princípio da unidade étnica, com a finalidade de elevar o moral e orgulho nacionais do povo alemão, destroçados pela derrota na Primeira Guerra Mundial e das condições consideradas humilhantes da rendição, impostas pelo Tratado de Versalhes. A palavra ário (do sânscrito arya, "nobre"), está associada à discussão sobre a existência de um povo ariano diferenciado, modernamente denominado de proto-indo-europeu, e que deu origem às primitivas línguas indo-europeias."
(Fonte: wikipédia)
"A velha questão sobre a origem da raça ariana, que tantas fogueiras acendeu no meio académico de oitocentos e no início do séc. XX, como ateou copiosos fachos entre as forças políticas da Europa nacionalista, foi matéria que inspirou a imaginação de muitos especialistas. […]
A controvérsia da superioridade de uma “raça ariana” indo-europeia e da “invasão ariana” na Índia, baseou-se essencialmente num pressuposto estabelecido por vários académicos anglo-saxónicos e missionários dos séculos XIX-XX, em que os arianos originários da Europa central tinham sido responsáveis pelas culturas de civilização celta, helénica, persa e indiana, pois só assim se explicaria como as suas línguas (o saxónico, o grego, o zenda e o védico) tinham surgido; a teoria da invasão ariana na Índia era a explicação mais lógica que se podia oferecer para justificar a expansão dos Europeus arianos no oriente e no mundo e uma civilização altamente evoluída na Índia. […] Muitos defensores da superioridade rácica ariana pretendiam basear as suas teses no Antigo Testamento, e partindo deste livro sagrado para todos os cristãos, justificaram a eliminação dos povos indianos como um bem prestado à humanidade - leia-se, aos europeus. […]
Entre os investigadores ocidentais como Max Müller (que se opôs frontalmente à teoria do evolucionismo), que defenderam a teoria ariana, esteve o português Vasconcellos Abreu, eminente matemático da Academia das Ciências, que desde novo se interessou pela língua e cultura clássica indiana, tendo aprendido integralmente de forma autodidacta o protocolo da língua sânscrita assim com a a história da sua literatura clássica, e de tal forma o fez que os seus mestres Abel Bergaigne e Martin Haug, a quem se dirigiu em Paris para continuar os estudos, viram ser impossível aprender mais, pois o seu conhecimento era já completo. Vasconcellos Abreu, em 1885, escrevia sobre os árias o que uma grande parte dos orientalistas defendida no seu tempo:
É muito provável que alguns ramos de gente árica, vivessem entre a Europa e a Ásia, desde o começo da constituição glotológica do proto-árico, percorrendo, ainda depois da determinação dos centros, como hoje os Quirguizes em hordas na Europa e na Ásia, e os Tajiques, por tráfico e indústria, na Ásia Central, as terras que se estendem pelo norte do Cáspio desde o Mar Negro, e mesmo norte do Danúbio até o Pamir. Seriam eles os mais inquietos dos Árias, e os que no século XV antes da n.e. faziam o tráfico marítimo do Mediterrâneo e comerciavam com povos estranhos nas bandas orientais do Arquipélago. (…)
Os Árias que imigraram na Índia desenvolveram ali a sua linguagem e a civilização que levavam já em grau notável. A estes Árias damos o nome de Árias Hindus. Modificados, física e intelectualmente, por cruzamentos e influências geográficas, constituíram as sociedades antigas mais civilizadas do vale do Ganges. A estes povos assim modificados (e ainda aos seus descendentes) damos o nome de Hindus."
(Fonte: http://www.academia.edu/2043728/A_Origem_dos_%C3%81rias._Hist%C3%B3ria_de_uma_Controv%C3%A9rsia_Salom%C3%A3o_Reinach_intr._e_notas_de_JC._Calazans)
Guilherme de Vasconcelos Abreu (1842-1907). "Orientalista e escritor. Formou-se em Matemática na Universidade de Coimbra e, mais tarde, concluiu o curso de Engenharia Naval. O seu interesse pelas línguas e culturas orientais levou-o a fundar em 1873, juntamente com o Marquês de Ávila e Possidónio da Silva, a Associação Promotora dos Estudos Orientais e Glóticos. Em 1875, a convite de Andrade Corvo, então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Fontes Pereira de Melo, visitou alguns países europeus tendo como objetivo aprofundar os seus conhecimentos de sânscrito. Foi nomeado professor da cadeira de sânscrito do Curso Superior de Letras. Fez parte de várias instituições científicas de renome nacional e internacional, como a Academia das Ciências de Lisboa e a Société d’Anthropologie, de Paris. Dos inúmeros trabalhos que publicou, destacam-se Princípios elementares da gramática da língua Sãoskrita, Manual para o estudo do Sãoskrito clássico e Bases da Ortografia Portuguesa, este último em colaboração com Gonçalves Viana."
(Fonte: http://albertosampaio.no-ip.org/details?id=28717)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a negro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas manchadas.
Raro.
Com interesse histórico. 
25€

20 outubro, 2025

NOGUEIRA, Rodrigo de Sá -
ELEMENTOS PARA UM TRATADO DE FONÉTICA PORTUGUESA.
Por... Centro de Estudos Filológicos. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1938. In-4.º (25x16,5 cm) de XXXI, [1], 380 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego. Trata-se de um importante contributo filológico para a fonética portuguesa.
Ilustrado no texto com desenhos esquemáticos.
"Há muito tempo formulei o propósito de escrever um tratado de fonética portuguesa, tam profunda, tam metódica e tam documentada quanto possível. [...]
Ao organizar a Bibliografia infra, tive na mente aqueles que se propuseram estudar a fonética portuguesa em todos os seus aspectos: no culto e no dialectal, no hodierno e no arcaico, no histórico e no comparativo, no especial e no geral, no teórico e no experimental.
Tive ainda na mente aqueles que, propondo-se estudar a fonética de outras línguas, indirectamente ministram subsídios para o melhor conhecimento da nossa."
(Excerto do Prólogo)
Rodrigo de Sá Nogueira (1892-1979). "Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi 1.º oficial da Academia das Ciências de Lisboa. Doutor de Capelo e Borla pela Universidade de Coimbra, foi autor de várias publicações sobre filologia: Contribuição para o estudo das onomatopeias (1948), Elementos para um tratado de fonética portuguesa (1989), Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (1995), Guia Alfabética de Pontuação: acompanhada com os termos gramaticais conexos com a pontuação (1989), Estudos sobre as onomatopeias (1950), Dicionário Ronga-Português (1960), entre outras obras."
(Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/autores/rodrigo-de-sa-nogueira/169/pagina/1)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo envelhecidas e oxidadas. Interior correcto.
Muito invulgar.
20€

20 julho, 2025

SILVA, Padre Fernando Augusto da -
VOCABULÁRIO POPULAR DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA.
Alguns subsídios para o seu estudo. Funchal, Edição da Junta Geral do Funchal, 1950. In-8.º (20,5x15,5 cm) de 145, [7] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio lexical para a história e conhecimento da língua madeirense.
Ilustrado com um retrato do autor em página inteira.
"Indicaram-me para prefaciar este livro. É honra que agradeço sem deixar de confessar a minha incompetência, atribuindo o facto tão sòmente à amizade de quem se lembrou de mim ou às velhas e amistosas relações que me ligavam ao Autor. [...]
Já as flores desabrochavam nesta primavera sobre o seu humilde coval, e ainda a imprensa está a dar à luz esta obra póstuma, como fulgurância do seu espírito.
Julgo-o de utilidade, por vir sobretudo ajudar os forasteiros a entender o dialecto do nosso povo, por vezes curioso e pitoresco.
Muitas palavras serão corruptelas do bom português. Algumas, português bárbaro do século quinze e outras, formadas pelo mesmo povo pela necessidade que tem de se exprimir, visto desconhecer os termos técnicos, terminologia correcta, etc."
(Excerto de À maneira de Prefácio, do Cónego F. C. de Meneses Vaz)
Fernando Augusto da Silva (Santa Maria Maior, Funchal, 1863 - Funchal, 1949). "Foi um sacerdote, investigador da História da Madeira, professor e escritor português. Nasceu em 1863 em Santa Maria Maior, filho de Fernando Augusto da Silva e de Joana Augusta de Freitas. Cursou o liceu e o seminário, tendo-se ordenado presbítero em 1888, exercendo depois funções eclesiásticas em diversas freguesias da Madeira, sendo por fim colocado como pároco na freguesia de Santo António do Funchal. Foi também professor efectivo, aposentado, na Escola Industrial e Comercial António Augusto de Aguiar, no Funchal. Faleceu na cidade do Funchal em 1949, estando sepultado no Cemitério de Santo António."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

17 julho, 2025

CORTESÃO, A. A. -
ONOMÁSTICO MEDIEVAL PORTUGUÊS.
(Separata do «ArcheoIogo Português», vol. VIII e seguintes). Coligido por... Bacharel formado em Medicina pela Universidade de Coimbra e professor de Ensino Normal. Lisboa, Imprensa Nacional, 1912. In-4.º (25x17 cm) de [4], 422, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante repositório onomástico de termos e palavras medievais portuguesas.
Obra de de fôlego, com interesse histórico e filológico.
"Não escrevo para profanos em materia philologica, porque esses só me dispensariam desdem e apodos; escrevo apenas para os entendidos. [...]
A utilidade que d'esse estudo auferi, e a importancia que para a historia da nossa lingua reconheci que adviria da organização de um Onomástico português: taes foram as razoes d'este não pequeno, mas singello trabalho."
(Excerto de Razão d'este trabalho)
António Augusto Cortesão (São João do Campo, Coimbra, 1854 - Coimbra?, 1927). "Médico e filólogo. Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, faz parte, ao lado de Francisco Adolfo Coelho, Gonçalves Viana, Augusto Epifânio da Silva Dias, Leite de Vasconcelos e José Joaquim Nunes, entre outros, de um grupo de filólogos que entre nós iniciaram de algum modo os estudos linguísticos enquanto entendidos na acepção científica da disciplina."
(in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. Capas frágeis com falhas de papel, sobretudo na capa frontal; interior correcto; lombada "partida". Pelo interesse e raridade a justificar trabalho de encadernador.
Raro.
45€

13 junho, 2025

GONÇALVES, Doutor Luís da Cunha -
A VIDA RURAL DO ALENTEJO : breve estudo léxico-etonográfico.
Conferência feita na Academia das Sciências de Lisboa. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922. In-4.º (23x15 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a ruralidade alentejana nos seus mais variados aspectos, publicado em separata do «Boletim da Classe de Letras», volume XV.
"Se a língua é um dos elementos mais salientes em que se afirmam a autonomia nacional, a unidade político-económica, a solidariedade psíquica e moral dum povo, ela é também a revelação claríssima das suas faculdades criadoras, da riqueza da sua imaginação, que lhe faz encontrar, para cada idéa, cada acção ou facto, cada coisa ou entidade, cada emoção ou sentimento, modalidades e cambiantes, uma distinta palavra, que a exprime ou abrange. Sob êste ponto de vista, pode considerar-se a língua portuguesa uma das mais perfeitas e ricas, como o têm já afirmado, em prosa e verso, muitos dos mais notáveis cultores dela e o têm reconhecido todos os filólogos e lexicógrafos."
(Excerto de I - Generalidades - Linguagem - População - Território - Excelências da agricultura)
Luís da Cunha Gonçalves (1875-1956). "Nasceu em Nova Goa a 24 de agosto de 1875 e faleceu em Lisboa a 24 de março de 1956. Licenciou-se e doutorou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, seguindo a carreira como docente, tornando-se catedrático de Direito Civil, Político e Administrativo do Instituto de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa. Jurista conceituado, publicou diversos trabalhos no domínio do Direito, com destaque para p “Tratado de Direito Civil em Comentário ao Código Civil Português”.
Foi membro da Associação dos Arqueólogos de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia de Jurisprudência e Legislação de Madrid e da International Law Association.
Recebeu o doutoramento "Honoris Causa" pela Universidade de São Paulo e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 24 de fevereiro de 1911, passando à categoria de efetivo a 11 de abril de 1929, na 2.ª secção (Ciências Jurídicas e Políticas)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21027)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais. Interior correcto.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€

25 agosto, 2023

CORREIA, João da Silva - A LINGUAGEM DA MULHER.
Lições proferidas em 20, 21 e 23 de Fevereiro de 1933. Por... Biblioteca de Altos Estudos. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1935. In-8.º (19x12 cm) de 149, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio filológico subordinado ao tema da "linguagem feminina". Anteriormente, em 1927, o autor havia publicado um outro trabalho sobre a mesma temática: A linguagem da mulher em relação à do homem.
"O problema das diferenças de linguagem dos dois sexos oferece curiosidades - que de algum modo nos empolgaram, tentando-nos ao esfôrço de as focar, e tanto quanto possível através dos meios expressionais da mulher em Portugal.
Antes porém de entramos nessa tarefa um aviso convém: êste trabalho, pretendendo furtar-se ao pedantismo e ridículo das coisas solenes, não quis, no entanto, dispensar-se - se bem que o não conseguisse na medida desejável - de possuir a necessária solidez científica: nêle se procuram aproveitar - tanto quanto isso foi permitido a pareceu congruente - as aliás bem poucas conclusões a que no campo da linguagem dos sexo a filologia já chegou. [...]
Enfim, seja-nos lícito lembrar ainda, como alegação em defesa das nossas insuficiências e falhas, que, da insegurança ou dessolidez do terreno que vamos pisar, reza inclusivamente a sabedoria multisecular do povo:

O melão e a mulher
maus são de conhecer."

(Excerto de II - O problema das diferenças lingüísticas dos sexos)

Índice:
I - Palavras preliminares. II - O problema das diferenças lingüísticas dos sexos. III - Auxiliares da linguagem. IV - Alguns caracteres lexicais. V - Alguns caracteres gramaticais. VI - Alguns caracteres estilísticos. VII - Algumas notas etimológicas. VIII - Algumas notas literárias. IX - Reflexões de encerro. X - Adições.
João da Silva Correia (1891-1937). Filólogo. "Foi professor catedrático da Faculdade de Letras e vice-reitor da Universidade de Lisboa. Desempenhou também, entre outros cargos de vogal do Conselho Superior de Instrução Pública e de chefe gabinete do Ministro da Instrução, Dr. Alfredo Magalhães. Foi Bibliotecário da Biblioteca Nacional e sócio correspondente da Academia das Ciências."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=85333)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

02 novembro, 2022

KRÖLL, Heinz - DESIGNAÇÕES PORTUGUESAS PARA 'EMBRIAGUEZ'. Separata da Revista Portuguesa e Filologia : Vols. V, VI e VII. Coimbra, Casa do Castelo, Editora, 1955. In-4.º (24,5 cm) de [4], 224, 2 p. ; [1] mapa desdobrável ; B.
KRÖLL, Heinz - ADITAMENTOS ÀS "DESIGNAÇÕES PORTUGUESAS PARA 'EMBRIAGUEZ'". Separata de Revista Portuguesa de Filologia : Vol. XIII, 1964, tomos I e II. Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra : Instituto de Estudos Românicos, 1964. In-4.º (24,5 cm) de 36, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho académico de fôlego, insólito mas muito curioso, com indubitável interesse filológico, etnográfico e sociológico.
Ensaio completo em 2 volumes (1955-1964).
Ilustrado no 1.º volume com um mapa desdobrável de Portugal continental (39x27 cm): Portugal : inquérito lingüístico por correspondência organizado por M. Paiva Boléo (1942).
"No presente trabalho procuramos estudar em conjunto e sistemàticamente as designações para «embriaguez» existentes em território de língua portuguesa. Incluímos nas nossas considerações os termos para «embriagado», «o embriagado», «embriagar-se», as comparações respeitantes ao excesso de bebida e, por fim, as designações para algumas conseqüências da embriaguez, pois que isso nos pareceu conveniente por razões de concatenação de conceitos. As designações para estas estas noções são extraordinàriamente abundantes e diversas. Parece-nos, no entanto, que até hoje - pelo que saibamos - ainda não foram tratadas em conjunto nem para o latim, nem para qualquer das línguas românicas."
(Excerto do Prefácio - Vol. I)
"Oito anos depois da publicação do meu trabalho - [a versão completa saiu em 1955] -, julgo o momento oportuno para respigar o campo, reunir o material ulteriormente colhido, sistematizá-lo e apresentá-lo aqui. Apesar da grande volubilidade do léxico da embriaguez, parece-me ainda hoje não haver lacunas de maior no meu estudo. Não é para admirar que se inventem constantemente novas metáforas para caracterizar um estado físico que tanto se presta ao ridículo, ao desprezo, à ironia, à compaixão e até simpatia do nosso próximo. Um estudo sobre as designações para embriaguez, portanto, nunca poderá estar completo. Contudo, estes aditamentos sempre servirão para juntar mais algumas às designações já estudadas por mim nesta revista, para rectificar aqui e além uma ou outra hipótese explicativa que aventei, e para juntar no fim uma lista completa, uma espécie de inventário, das numerosíssimas formas sufixadas sem, no entanto - isso excederia o âmbito do meu trabalho -, querer entrar em problemas de ordem morfológica."
(Excerto do preâmbulo - Vol. II)
Índice:
Prefácio. | Bibliografia. | Abreviaturas e sinais convencionais. | I. Designações gerais. a) Bebedeira, embriaguez, ebriedade, grossura; b) Grosso e cheio. II. Recipientes: Designação para vasilhas e medidas, etc. III. Cabeleira, peleira, etc. IV. Coberturas de cabeça e semelhantes. V. Nomes de doenças e semelhantes. a) «Cego», «(en)gripado», toldado, «lirú», etc.; b) Azul. VI. Nomes de animais. a) Matar o bicho; b) Nomes de aves e asa, bico; c) Insectos; d) Répteis; e) Mamíferos; f) Animais de rapina. VII. Nomes de plantas (Veneno e plantas venenosas). Resina. VIII. Frutos. IX. Designação de bebidas, etc. X. Comidas. XI. Chuva, água, encharcar-se, etc. Borrasca, trovoada, orvalho. XII. Andar vacilante - Carga, peso. «Anjinho» e «santinho». XIII. Nana, nena. XIV. Designação para barulho, canto, música, etc. XV. Designações para imundícies. XVI. Nomes próprios. a) Nomes de pessoas; b) Nomes de povos; c) Designações de lugar. XVII. Expressões veladas que substituem «embriaguez». «Uma, ela, senhora, etc. XVIII. Palavras de importação. a) Palavras provenientes do inglês; b) Cig. piar, piela. XIX. Outras expressões para «embriagado», «tocado». a) Alegre, palrador, bonito, etc.; b) Quente, cachondo, incandieirado, etc. c) Furioso, picado, irritado, etc. ; d) Numerais; e) A meio pau. XX. Outras expressões para uma grande bebedeira. XXI. Outras designações para bebedor. XXII. Algumas consequências da embriaguez. O «mau hálito» e o «mau gosto palatal». XXIII. Palavras e expressões não esclarecidas. | Notas adicionais e emendas. | Índice dos vocábulos e das frases.
Exemplares em brochura, bem conservados.
Obra rara quando completa.
Com interesse histórico.
45€

31 dezembro, 2020

CONVENÇÃO ORTOGRÁFICA DA LÍNGUA MIRANDESA
. Miranda do Douro / Lisboa, Câmara Municipal de Miranda do Douro /Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, 1999. In-4.º (23,5 cm) de 62, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Documento precioso, de grande utilidade para a história e compreensão da língua mirandesa.
Ilustrado com tabelas ao longo das páginas de texto e com um mapa de pormenor, em página inteira, das "Áreas leonesas em Portugal".
"No extremo nordeste de Portugal, ao longo da fronteira a sul de Alcanices, entre a ribeira de Angueira, a poente e sul, e o rio Douro, a nascente, existe um conjunto de aldeias onde as pessoas utilizam entre si duas línguas: o português e o mirandês. Os dois idiomas convivem actualmente numa situação de diglossia, isto é, de desigualdade de utilização: o primeiro é utilizado em qualquer circunstância, o segundo tem um uso mais restrito, geralmente confinado à família e às relações entre vizinhos ou aldeias. [...]
A origem do mirandês remonta ao período em que, numa zona muito mais vasta, incluindo as Astúrias e Leão, se começou a constituir um grupo de variedades romances com muitos traços comuns entre si e que as distinguem de outros romances também em formação - por um lado, o galego-português e, por outro, o castelhano."
(Excerto da Apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa ligeiramente manchada por acção da claridade.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e etimológico.
15€

19 novembro, 2020

FELGUEIRAS, Guilherme - OS SALOIOS : gupo étnico de Lisboa suburbana. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso por Ramos, Afonso & moita, Lda., Lisboa], [1980]. In-4.º (26 cm) de 20 p. ; il. ; B. Separata do Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa : III Série - N.º 87 - 2.º Tomo - 1980
1.ª edição independente.
Estudo etnográfico e etimológico sobre os saloios e a sua origem. Curioso trabalho sobre os habitantes naturais das zonas rurais dos arredores de Lisboa, ilustrado com 11 bonitas estampas e fotogravuras a p.b. distribuídas por sete páginas.
"Certo núcleo de campónios naturais dos arrebaldes de Sintra, Loures e Mafra tem merecido o reparo de críticos, desde tempos distantes. Notados pelos traços diferençáveis, forte personalidade, exteriorizações de sentimento, temperamento laborioso, maneira peculiar de viver e de se expressarem. Quase sempre, porém, essa análise é feita dum modo inexacto e deformador, explorando em sorridente recorte escarninho aquele feitio simplório e astucioso, aquele modo embaraçado mas ganhuceiro como sabem levar a água ao moinho, explorando o negócio sempre com lucros materiais assegurados."
Guilherme Felgueiras (1890-1990). "Formado pela Escola Nacional de Agricultura em Coimbra, dirigiu as zonas florestais da Mata de Leiria e Serra do Gerês e desempenhou cargos de diretor das Escolas Gonçalves Zarco e Profissional de Agricultura de Paiã.
No domínio etnográfico Guilherme Felgueiras destacou-se pela sua produção bibliográfica em torno das tradições populares no âmbito da vida agrária e da arte popular.
Sobre o domínio da Filologia e Etnografia publicou, em 1930, o estudo sobre a Terminologia agrícola - Linguagem dos Campos, dando continuidade, em 1935, aos trabalhos de Anfiguris populares e Lexicologia pecuária, e em 1941 sobre As Aliterações e os Trocadilhos na Lírica Popular. Em 1940 colaborou em «Vida e Arte do Povo Português» com o artigo A faina do campo, alusivo à vida rural, destacando o estudo sobre os sistemas de elevação e distribuição de águas de rega, processos e técnicas agrárias, hagiografia popular, feiras e romarias, entre outros temas.

A sua produção etnográfica privilegiou, com igual interesse, outros domínios de investigação, nomeadamente, as temáticas do traje popular e os processos e técnicas tradicionais e seus contextos de produção, como o ferro e a olaria."
(Fonte: www.matrizpci.dgpc.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

26 outubro, 2020

PAÇO, Tenente Afonso do - GÍRIAS MILITARES PORTUGUESAS.
I - Gíria da «Malta». II - Gíria da «Caserna». III - Gíria do «Colégio Militar». [Pelo]... (Da Associação dos Arqueólogos Portugueses). Carta-prefácio de J. L. de Vasconcellos
. Porto, Edição de Maranus, 1926. In-8.º (19 cm) de 54, [2] pp. ; B.
1.ª edição.
Importante repositório da gíria militar, com especial incidência para o calão usado pelos soldados portugueses do C. E. P. destacados em França, durante a Grande Guerra.
"Pede-me a minha modesta opinião acêrca do seu livrinho. Dir-lhe hei que deve considerar bem empregado o tempo que dispendeu na colheita e coordenamento dos materiais.
A 1.ª parte, sobretudo, é cheia de novidade.
Ali se vê como o soldado português, nem diante da própria morte perde jamais a veia zombeteira, tão nacional: à valentia, que também tanto o caracteriza, agrega inexgotàvelmente riso e folgança. De que mais se necessita para que a um homem se chame herói? Todo êsse vocabulário é uma pilha de graça, mau grado algumas amargas expressões de natural carácter fúnebre.
Vê-se àlem disso com que facilidade o povo analisa todos os pormenores de uma cousa ou de um facto que o impressiona, e como põe em jôgo a imaginação, para as interpretar. Que lembrança a de dar o nome de caixeiro viajante a uma granada, por ir longe, a de carro do Chora a um obus, por oposto motivo, a de Avenidas novas às trincheuras de comunicação, a de Rídiculos à «ordem» do Quartel General, por causa do perriódico humorístico dêste nome?
Alguns dos exemplos que especifiquei mostram que, longe da pátria, o soldado não se esquece do lar. Outros exemplos são: bacoreira, nome imposto pelas tropas do Alentejo à metralhadora; ceifeira, no mesmo sentido, dado certamente também por elas."
(Excerto do Prefácio)
A trincha, como a Mouraria, a Alfama e os salões aristocráticos, tinha a sua gíria.
A malta falava calão como os fadistas e o mundo elegante de hoje.
A gíria do C. E. P. (Corpo Expedicionário Português) nunca atingiu o desenvolvimento da que falavam o exército francês, inglês, belga, italiano, alemão, etc., já porque éramos em número diminuto - um punhado de homens naquele mar de gente - já porque a nossa comparticipação na guerra foi menos duradoira e não houve tempo de difundir e arraigar aquela linguagem no espírito das nossas tropas nem fixá-la com raízes por tôda a nossa frente. Depois, o calão era quási exclusivo da malta - o menor número - que com êle fustigava os cónegos, cachapins, básicos, etc. Estas três espécies, em permanente contacto com as mademonzelas falavam mais a língua do pas compris.
Todos os povos cultos que entraram na Grande Guerra e mesmo alguns neutros, estudaram o seu calão de trincheira ou de caserna. Entre nós, ou porque a guerra não calasse fundo na alma popular, ou porque entre as classes cultas não despertasse o interêsse a que tinha jus, não mereceu o calão da trincheira algum carinho da parte dos nossos eruditos. [...]
Com o auxílio de camaradas amigos e lendo tôda a literatura da guerra consegui reünir cêrca de 300 termos de gíria, evitando assim que se percam na voragem do olvido"
(Excerto da I Parte - Gíria da «Malta»)
Manuel Afonso do Paço (Outeiro, Viana do Castelo, 1895-1968). "Foi tenente-coronel do Exército Português e um dos mais prestigiados arqueólogos portugueses. Nasceu em 30 de Novembro de 1895 na freguesia de Outeiro, Viana do Castelo. Tirou o curso do Liceu em Viana do Castelo e Braga de 1908 a 1915 matriculando-se de seguida no curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Porém, em 15 de Maio de 1917 foi incorporado no exército como Aspirante a Oficial Miliciano. Tomou parte na Batalha do Lys, em 9 de Abril de 1918, pertencendo já ao 4.º Grupo de Metralhadoras Pesadas. Foi aprisionado pelo Alemães e libertado em 28 de Dezembro de 1918. Regressou a Portugal em 16 de Janeiro de 1919. De 1919 a 1921 serviu como oficial na Guarda Nacional Republicana tendo sido ajudante de campo do Coronel Francisco António Baptista e do General Ernesto Maria Vieira da Rocha. Foi, em 1925, professor provisório no Colégio Militar (Portugal) passando de seguida por desempenhar funções como Tesoureiro da Inspecção do Serviço Telegráfico Militar. Foi ainda Chefe da Contabilidade do Batalhão de Telegrafistas (Braga). Reformou-se da vida militar como o posto de tenente-coronel."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado conservação.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
Indisponível

05 agosto, 2020

BESSA, Alberto - A GIRIA PORTUGUEZA : esboço de um diccionario de «calão». Contendo uma larga copia de termos e phrases empregadas na linguagem popular de Portugal e Brazil, com as respectivas significações, colhidas na tradição oral e em documentos, livros e jornaes antigos e modernos, incluindo muitas palavras ainda não citadas como de "giria" em diccionario algum. Por... Da Academia de Sciencias de Portugal [...]. Com um prefacio do illustre Professor Dr. Theophilo Braga. 3.º milhar. LINGUAGEM POPULAR. Lisboa, Livraria Central Editora, 1919. In-8.º (18 cm) de [2], XXXI, [1], 334, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Importante dicionário de gíria portuguesa, cujos termos e informações o autor recolheu da tradição oral e(ou) escrita.
Muito valorizado pelo extenso prefácio de Teófilo Braga.
"A creação dos vocabulos da giria, do calão e modismos vulgares é um phenomeno da linguagem muito diverso da formação primitiva das palavras desenvolvidas organicamente pela articulação de uma raiz no seu thema, e d'este nos seus prefixos, suffixos e desinencias nominaes e verbaes, constituindo um complexissimo apparelho de expressão de ideias. Embora separados pela circumstancia do tempo, os dois processos resultam da mesma actividade, suscitado um pela acção inconsciente da tradição e do automatismo que impera na linguagem de um povo, e o outro pelas exigencias do meio social, que pelas suas transformações rapidas influe para dar-se expressão a novas relações. Exemplificaremos em duas palavras a differença dos dois processos formativos: Aspecto e Alfarrabista. A primeira palavra provém de uma raiz trilitera primitiva, spc, que encerra a ideia de vêr, de representar , de considerar subjectivamente. [...]
Quando porém adoptou a palavra Alfarrabista para designar o vendedor de livros velhos, differenciando-o do livreiro, obedeceu á necessidade de caracterisar um ramos restricto do commercio de livros, que o grande desenvolvimento d'esse negocio levou a dividir ou especialisar; formou-se a palavra do thema Alfarrabio, nome dado na linguagem das escholas a qualquer livro velho ou mesmo atrazado na doutrina; penetrando na origem particularista, vê-se que nas escholas da Edade Media Al-Farabi era o nome de um dos mais celebres philosophos arabes da Eschola de Bagdad, do fim do seculo IX, um dos sustentaculos do aristotelismo; mas não pára aqui o porquê do nome, pois que chamando-se este philosopho arabe Abu-Naçr-Mohammed-ben-Mohammed-ben-Tarckhan, foi chamado Al-Farabi por ser natural da provincia de Farab na Transoxiana. O que é mais notavel ainda, é que as obras philosophicas de Al-Farabi não foram traduzidas em latim, e não entrando nas escholas de Paris, como é que este nome se universalisou tomando um sentido generico no calão das escholas e até no plebeismo vulgar?"
(Excerto do Prefácio, Sobre a linguagem da giria em Portugal)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. As primeiras páginas apresentam manchas de acidez.
Muito invulgar.
Indisponível

12 abril, 2020

BABO, Maria Augusta - EM SEGREDO: A CONFISSÃO COMO RELAÇÃO INTERDISCURSIVA. Lição de Agregação. Braga, 12 de Abril de 2011. [S.l.], Universidade do Minho (Ciências da Comunicação - Teoria da Cultura), 2011. In-fólio (30 cm) de [29] f. inum. ; B.
1.ª edição.
Tese académica sobre a "confissão".
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
Sinopse: "Abrir a temática do segredo e da confissão é abrir o campo da palavra dita, da oralidade e da voz. Passar do segredo à confidência, olhar a confidência como segredo, é entender como o sujeito se articula com a sua interioridade. A confissão, propiciadora do segredo, vem mostrar como a prática religiosa deu consistência a um “dentro” subjectivo e culpabilizante. A assunção da culpa é individuante. Por outro lado, a confissão revela-se, na escrita auto-bio-gráfica, uma escrita de si. De Agostinho a Derrida, passando por Rousseau, opera-se uma transposição, para o domínio da escrita, de procedimentos presenciais e dialógicos."
(Fonte: https://revistacomsoc.pt/article/view/1578)
"A confissão, na sua acepção mais abrangente que engloba a religiosa, a judicial, a política ou a clínica é um procedimento de subjectivação, dado que, através do seu funcionamento, é constitutivo de uma configuração do ego - o lugar e a representação do sujeito. Sabemos que um dispositivo é ao mesmo tempo, uma prática e um discurso. A prática da confissão ritualiza-se nos vários campos acima enunciados. Primeiramente no que diz respeito à confissão religiosa, o ritual permite enquadrar um acto difícil e, por vezes, vexatório que é o acto discursivo de confessar algo, de se confessar. A discursivização é estruturante nesta prática e permite a constituição de uma instância de dela decorre: o sujeito pecador. O facto de a confissão se ter tornado um acto de fala marca o que Foucault denomina por "explosão discursiva" (Foucault, 1976: 26). Na verdade, toda a arte de constituição do sujeito ocidental, tal como ele se nos apresenta no romper da modernidade, é resultado de procedimentos complexos que articulam, numa economia a desenhar, processos de regulação discursiva, obrigando ou impedindo de dizer. Trata-se da apropriação do sujeito pela linguagem, da sua constituição linguística e da discursivização da experiência. Daí a aporia formulada por Lyotard: "confessar sendo manifestar em linguagem, à linguagem o que a esta lhe escapa... o silêncio."
Em que consiste mais exactamente esta discursivização? Consiste em revelar algo que é da ordem do segredo - objecto censurado - mas, também, do interdito - porque transgressor - e, portanto, da ordem de uma interioridade que o regime da confissão ajuda a implantar, como uma espécie de fenómeno perverso que se baseia no seguinte: quanto mais perscruto o meu interior para o tornar transparente (exterior) mais esse interior se opacifica e, portanto, se torna interior, criando zonas de sombra que são zonas de não-dito.
A confissão religiosa assenta numa topologia do sujeito que se enuncia através da oposição dentro/fora. Ora, confessar, significando arrancar - retirar com esforço - algo, o outro, do interior para o exterior, coloca, desde logo, essa topologia donde normalmente se elide o segundo termo, o fora. Confessar diz assim, antes de mais, o trazer ao exterior algo que estava alojado no interior, invisível, indizível porque não-dito. A discursividade é o regime por excelência desse transporte de dentro para forma e que, pelo facto de se tornar imposto, institui, nesse mesmo movimento, um dentro como secreto. O segredo surge marcado pelo interior como condição do exterior.
Poder-se-ia definir o segredo como Deleuze define o duplo, não como "projecção do interior" mas, antes, "como dobra do fora". Ora, esta perspectiva de análise inverte o entendimento que a filosofia do sujeito tradicional desenvolveu: a de uma interioridade invisível, que se desvela ou revela para fora. Pensar o segredo como dobra é considerar que todo o interior é feito do Outro, de constelações de outros que se duplicam no dentro. Esse outro, intruso, pode ser o mal ou o demónio, diabole, o que divide, o separado, neste caso maldito, que se constitui na prega do silêncio interior mas vem de fora, vem do mundo: o pecado, entendido como invasão do Outro. Por seu turno, a alma, o interior, constitui esse último reduto que a modernidade hipostasiou no sujeito e enquistou como substancialidade individual e individuante."
Excerto de Do segredo na confissão)
Matérias:
Do segredo na confissão. | Confissão como relação dialógica. | Confissão como relação triádica. | Discursivização da sexualidade. | A confissão como instauração de culpa. | Conclusão.
Exemplar policopiado, brochado, em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
30€

06 dezembro, 2019

VIANA, Abel - LINGUAGEM POPULAR DO ALTO-MINHO (apontamentos). Viana-do-Castelo, Emp. Gráf. do «Notícias de Viana», 1932. In-8.º (18,5 cm) de 49, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa monografia, com interesse etnográfico, sobre o vocabulário popular minhoto.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do Prof. Abel Viana a Serafim Leite.
"Em 1929 publiquei no jornal «Notícias de Viana» algumas notas relativas ao vocabulário popular do Minho, tendo aí frisado que muitos dos vocábulos então tratados estariam porventura incorporados em dicionários ou estudados em trabalhos especiais.
Alguns trago de novo à discussão, a par de outros que do mesmo modo serão já conhecidos. Dêstes últimos, conquanto não sejam inéditos, aproveitar-se-á pelo menos a indicação de que são usados no Alto-Minho, do mesmo modo que o são em outras regiões, ou empregados em acepção diferente.
Não é isto resultado de estudo sistemático, porque pata tal cercam-me circunstâncias impeditivas. São ligeiras notas, apenas, remetidas para a competência dos filólogos, com passagem pela curiosidade geral."
(Preâmbulo)
Matérias:
I - Do vocabulário. Modos de dizer. III - Particularidades da pronúncia. IV - Gírias de classes e de famílias.  V - Apelidos de casas. VI - Alcunhas.
Abel Gonçalves Martins Viana OIP (Viana do Castelo, 1896 - Beja, 1964). "Foi um arqueólogo, etnógrafo e professor português. Entre 1910 e 1913 viveu na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, tendo ali começado o seu interesse pelas ciências históricas e naturais. Começou a estudar arqueologia e etnografia enquanto exercia como professor do ensino primário na região do Minho, tendo sido nos periódicos estrangeiros e do Alto Minho que começou a publicar os seus primeiros artigos. Dedicou-se inteiramente à arqueologia e entografia, tendo-se destacado como um dos mais importantes arqueólgos em Portugal. Em Beja, trabalhou nos campos da arqueologia, etnografia e folclore, tendo feito vários estudos para a imprensa, e publicado diversos livros. Colaborou na Revista de Arqueologia. Era sócio correspondente de vários instituições no exterior, e foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura e do Instituto Nacional de Educação."

(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico. Capas oxidadas.
Indisponível

13 setembro, 2019

TEIXEIRA, José da Silva - METHODO PRATICO DE VOLAPÜK. Por... Porto, Livraria Gutenberg de Antonio José da Silva Teixeira, 1886. In-4.º (23 cm) de V, [1], 57, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"Língua artificial que o seu autor, o alemão J. Martin Schleyer (1839-1913), pretendia universalizar, e que se compunha de dezoito consoantes e oito vogais, com correspondência exata entre a pronúncia e a escrita."
(Fonte: infopédia)
Publicação pioneira entre nós. Manual de divulgação do volapük, língua universal precursora do «esperanto».
"Volapük, de vol, mundo, e pük, lingua, é uma lingua commercial universal, inventada pelo snr. Johann Martin de Schleyer, de Constança, Alemanha.
O snr. Schleyer estudou theologia catholica, philosophia, historia, alguma coisa de medicina e cincoenta e cinco linguas... [...]
Além de poeta e litterato é o snr. Schleyer um distinctissimo philologo. [...]
Para a propagação do volapük tèm-se organisado desde 1882 até hoje setenta e tantas associações. O volapük tem resistido aos ataques de todos os seus adversários, e ainda até hoje se não apresentou contra esta maravilhosa descoberta um unico argumento que não fosse immediatamente destruhido pelos homens que comprehendem o merecimento d'este meio de communicação e que comprehendem o seu immenso alcance. Em todo o mundo ha numerosissimos cursos gratuitos de volapük, e o numero de pessoas que sabem esta lingua augmenta todos os mezes alguns milhares nas cinco partes do mundo.
Ha já muitas casas commerciaes em todas as nações que fazem a sua correspondencia estrangeira em volapük e em breve tempo todas as casas commerciaes terão pessoal habilitado para fazer a correspondencia n'esta lingua universal. [...]
Todos os beneficios que o volapük proporciona á humanidade são já conhecidos em Portugal; pareceu-nos, pois, que não seria fóra de proposito a publicação d'um methodo pratico de volapük ao alcance de todos os que quizerem aproveitar-se d'este meio de communicação. Todas as nações da Europa e algumas da America possuem já, cada uma em seu idioma, grammaticas, methodos e diccionarios para o estudo do volapük: sigamos o seu exemplo."
(Excerto de Prefacio)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas com defeitos e falhas de papel nas margens. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico e filológico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

14 março, 2019

DORES, Raphael das - DICCIONARIO TETO-PORTUGUÊS. Pelo S. S. G. L. ... [Prefácio de A. R. Gonçalves Vianna]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1907. In-8.º (22cm) de IX, [3], 247, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho pioneiro sobre o tétum, principal "língua nacional" de Timor-Leste, com origem malaio-polinésia e considerável influência da língua portuguesa, com a qual partilha actualmente o estatuto de "língua oficial".
"E evidente a conveniencia, direi mais, a absoluta necessidade que se manifesta de habilitar os funccionarios publicos e outras pessoas que teem de conviver com os indigenas das nossas colonias, a estarem nas circumstancias de, pelo menos praticamente, conhecer algum ou alguns dos idiomas vernaculos dêsses povos. [...]
Um dêsses idiomas que tem sido, e sempre foi, descurado pelos nossos, é a grande familia de linguas malaio-polynesias, a respeito da qual a principal literatura didactica é de origem hollandesa, actualmente.
Em possessão nossa, Timor,  falam-se varios dialectos pertencentes a essa familia, e entre elles é, ao que parece, o mais geral o teto, ou tétum como lhe chama o padre Sebastião Apparicio da Silva no seu Diccionario português-tétum.
Publica o Sr. Raphael das Dores agora o Diccionario teto-português, complemento daquelle, acompanhado de algumas notas gramaticaes, se bem que succintas, sufficientes para a comprehensão da estructura phonetica e morphologia do tétum, simplicissima como as de todas as linguas desta familia.
Emprega o autor transcrição portuguesa para a escrita dêste dialecto analphabetico, e faz bem; assim houvessem sempre feito os que expõem em português doutrinas relativas a possessões nossas."
(Excerto do Prefácio)
"A ilha de Timor, a ultima da sequencia de ilhas que limita o estreito de Malaca, pertence ao archipelago da Sonda, e nella existe uma colonia portuguesa que resta do imperio que os nossos heroes do fim do seculo XV e principio do XVI descobriram.. Ahi se falam varias linguagens, a que os portugueses que por lá teem passaram deram o nome de dialectos, e das quaes a maior parte tem um campo de expansão muito restricto.
A mais geral, falada ou entendida em quasi toda a ilha, e que me parece talhada para vir a ser a lingua unica do país, alem da portuguesa, se os dirigentes a isso de propuserem, é a denominada teto, não só por ser mais conhecida, mas principalmente por conter muitissimas palavras das que entram em cada uma das outras.
É, pois, d'essa linguagem ou dialecto que vou tratar, começando por chamar-lhe lingua, resolução que submetto á conspicua apreciação dos mestres em philologia.
Reduzir á escrita uma lingua ou dialecto que tem apenas existencia oral, é trabalho de grande folego, para que não me julgo completamente habilitado. Não obstante esse convencimento, proponho-me a coordenar todos os apontamentos que tomei em Timor, a respeito da lingua que ali se fala, denominada teto."
(Excerto de Diccionario de teto, Preliminares)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Folha de rosto apresenta defeitos: rasgão sem perda de papel; mancha de humidade à cabeça; selo e carimbos oleográficos de biblioteca (2). Selo na lombada.
Invulgar.
Indisponível