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14 março, 2026

MOSER, Isabel Pestana -
ECUMENISMO E IRENISMO NO PENSAMENTO DE DAMIÃO DE GÓIS
. Lisboa, Ediual, 2006. In-4.º (23,5x17 cm) de 402, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego. Importante subsídio biográfico sobre Damião de Góis - o homem, o humanista, o seu pensamento.
Ilustrada em página inteira com retratos do biografado, a cores e p.b. (3), e outros filósofos coevos: Erasmo; Lutero; Melanchthon.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Damião de Goes, sem dúvida o português mais erasmista e em especial irenista, pelo seus diálogos com os humanistas católicos e protestantes já em plena Reforma mas abertos à paz, pela sua defesa dos Lapões serem ensinados e não forçados a converterem-se, e pela valorização do cristianismo etíope dos Prestes João e de uma religião de coração e não de ritos, preceitos, intermediários e superstições."
(Fonte: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2020/01/humanismo-e-irenismo-no-renascimento-e.html?m=1)
"O trabalho que hoje apresento vem na sequência das investigações que, desde há muito, tenho efectuado sobre a vida e a obra de Damião de Góis, o mais europeu dos humanistas portugueses, particularmente no que respeita à prática e conceito do Irenismo e Ecumenismo de que deu exemplo constante ao longo da sua vida, e da larga repercussão que a figura ainda representa nos dias de hoje..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Apresentação | Agradecimentos | Introdução | I - A Vida de Damião de Góis e a Crítica Moderna. II - Humanismo, Movimento de Diáspora. III - Damião de Góis e a História: Atitudes e Critérios. IV - Damião de Góis e o Irenismo. V - Damião de Góis e o Ecumenismo. O Processo na Inquisição. Estudo Crítico. | Conclusão | Bibliografia | Índice Remissivo.
Damião de Góis (Alenquer, 1502-1574). "Historiador e humanista, epistológrafo, viajante, diplomata e alto funcionário régio, foi figura ímpar e uma das personalidades mais relevantes do Renascimento em Portugal. De cultura enciclopédica e dotado de um dos espíritos mais abertos e críticos da sua época, pode ser considerado como um verdadeiro traço de união entre Portugal e a Europa culta do século XVI. Foi hóspede de Erasmo de Roterdão e privou com humanistas como Glareanus, Veit Amerbach, Albrecht Dürer, Sebastian Münster, os cardeais Pietro Bembo e Jacopo Sadoleto e o historiador e geógrafo Giovàn Battista Ramùsio. Conheceu Inácio de Loyola. Frequentou a Universidade de Pádua, entre 1534 e 1539, e completou a sua formação no Colégio Trilingue da Universidade de Lovaina.
Em 1545 a convite do rei D. João III, mudou-se para Portugal com a família, ao tempo a mulher e três filhos, para ser mestre do príncipe D. João. Contudo, apesar de ter regressado aureolado de prestígio pelas amizades que contraíra na Europa e da evidente protecção régia, ainda assim foram-lhe movidos dois processos no Tribunal do Santo Ofício, o primeiro dos quais, logo em 1545, ao ser acusado de heterodoxia e denunciado à Inquisição pelo seu antigo companheiro de estudos, o padre Simão Rodrigues, ao tempo o preceptor do príncipe herdeiro D. João e pouco depois nomeado por Inácio de Loyola como primeiro provincial da Província Portuguesa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

22 janeiro, 2026

AZEVEDO, J. Lucio de -
OS JESUÍTAS E A INQUISIÇÃO EM CONFLITO NO SÉCULO XVII. Por...
Lisboa, Academia das Sciências de Lisboa, 1916. In-4.º (23x14,5 cm) de 29, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história das relações entre a Companhia de Jesus e a Inquisição, e o poder político no Portugal de seiscentos, consubstanciada em documentos, muito deles inéditos, - cartas, projectos, pareceres, etc.
"[...] Desde o tempo de D. João III se repartyia entre o Santo Ofício e a Companhia de Jesus, o predomínio da política e na pública administração. Na primeira entrada manifestou-se o Tribunal da fé infenso àqueles que se propunham participar na tarefa de zelas a pureza da crença e a autoridade da Igreja. Era o rosnar do mastim, cioso de outro adventício que se lhe aproxima do pôsto. [...]
No período dos Filipes a fusão de interêsses foi completa. O govêrno espanhol cometera a leveza de agravar o clero em geral, e particularmente o Santo Ofício, lesando um e outro nos bens materiais, de que sempre foram as corporações eclesiásticas assás ciosas; a êste exigindo-lhe tornas dos confiscos na fortuna dos hereges, àquele em lhe impôr tributos de que se cria privilegiado, e esbulhá-lo de propriedades, provenientes de legados e doações, insubsistentes perante a lei. É certo que o Santo Ofício se não manifestou de modo ostensivo; mas lá estavam por êle os domínicos, que de mão dada aos jesuítas prepararam em esfôrço comum o movimento de Évora em 1637, e em seguida a revolução restauradora."
(Excerto do Ensaio)
João Lúcio de Azevedo (1855-1933). "É considerado um dos maiores historiadores portugueses do início do século XX, cuja obra continua a ser regularmente publicada. Viveu em Belém do Pará, no Brasil, e em Paris, França. Mas foi quando regressou a Portugal que dedicou mais tempo à escrita. Entre as suas obras contam-se os livros O Marquês de Pombal e a Sua Época, História de António Vieira, A Evolução do Sebastianismo, Histórias dos Cristãos-Novos Portugueses e Épocas de Portugal Económico."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

22 outubro, 2025

FRANCO, A. Bento -
UM LIVRO DE "VISITAS E PASTORAIS" DA FREGUESIA DA ERICEIRA (1609-1752)
. Lisboa, [s.l. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos Afonso & Moita, Lda - Lisboa], 1960. In-4.º (26x19 cm) de 26, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo para a história da Inquisição na vila da Ericeira, e os usos e costumes dos seus habitantes, publicado em separata do Boletim Cultural - Junta Distrital de Lisboa : N.ºs 53-54 - Janeiro/Dezembro 1960 - II Série.
Ilustrado no texto com fac-símiles de documentos, e tabelas com a Relação dos Curas e Párocos e a Relação dos Visitadores.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor. (O nome do destinatário foi suprimido).
"Não se trata de uma raridade, que a muitos desperte interesse, porque livros de «Visita» todas as freguesias os possuem e bastantes estarão arquivados, ficando, é certo, os que hoje existem, pelos muitos que se terão perdido. A análise, ainda que rápida, de um livro deste género é de interesse principalmente para a história das localidades e para o conhecimento dos usos e costumes passados e por isso nos metemos a desbravá-lo. [...]
Ajuízadas, de uma maneira geral e rápida, as características deste livro de «Visitas e Pastorais» e o esquema a que obedecia a sua ordenação, vamos procurar dar nota de mais alguns capítulos e passagens, que de qualquer modo possam excitar a curiosidade. Algumas dessas passagens poderão ter interesse pela forma de dizer, outras porque denotam hábitos e costumes, muitos dos quais hoje nos chocam, outros ainda, porque nos podem permitir completar algum juízo das transformações por que passou, a pouco e pouco, a Igreja de S. Pedro, até ao estado actual e também uma ou outra característica referente à vila."
(Excerto do Estudo)
António Bento Franco (1890-1960). "Nasceu na Ericeira, concelho de Mafra, numa terça-feira, dia 11  de Fevereiro de 1890. Em 1916 termina o curso de Medicina e nesse mesmo ano foi chamado a prestar  provas em nome do país como militar. Em 1918, e a convite de Sidónio Pais, dirigiu os  serviços de saúde na Azambuja como comandante militar e administrador, exerceu medicina  numa clínica particular em Lisboa (em Belém). Só em 1921 sua atividade foi exercida no  Hospital da Misericórdia da vila que o viu nascer, a Ericeira. Acumulava também o cargo de  Diretor das Termas de Santa Marta. Socialmente, fundou o Museu da Misericórdia e fez parte da Junta de Turismo de que  foi presidente até 1953. Pertenceu à Comissão de Restauração do Pelourinho e ainda à  Fundação do Cruzeiro. António Bento Franco era um médico de província, um género de  “João Semana” e aos mais carenciados não cobrava a consulta e ainda lhes facultava os  medicamentos gratuitamente. Bento Franco exerceu a sua profissão nas seguintes  freguesias: Ericeira, Carvoeira, Santo Isidoro e Encarnação. Estudou a etnografia da região  da Ericeira, nesta área deixou diversos trabalhos redigidos. Nas horas de lazer dedicava-se à  pintura a óleo, pintava igualmente aguarelas e desenhava a tinta–da–china; por exemplo,  pintou temas tão diferentes como “A Última Ceia” e o retrato do seu amigo Jaime Lobo e  Silva. Musicalmente, tocou, ao piano, algumas obras clássicas de diversos compositores, na  escrita notabilizou-se como poeta. António Bento Franco tem uma rua com o seu topónimo, a dita rua situa-se na  Encosta da Franca. Bento franco destacou-se pela sua dedicação à comunidade. Além da rua  possui o seu nome numa Escola Básica no concelho de Mafra, o estabelecimento de ensino  foi inaugurado a 1 de Outubro de 1984, mas só em 1997 a escola obteve o nome do ericeirense António Bento Franco. O humanista faleceu no dia 30 de dezembro de 1960."
(Fonte: https://www.aeericeira.net/antonio-bento-franco-biografia/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
15€

03 maio, 2025

PEREIRA, Isaías da Rosa -
CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA CARTA DE LEI DE D. JOSÉ I, DE 1773, RELATIVA À ABOLIÇÃO DAS DESIGNAÇÕES DE "CRISTÃO-VELHO" E "CRISTÃO-NOVO"
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Rádio Renascença, Lda. - Lisboa], 1988. In-4.º (24x17 cm) de 75, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico sobre a Inquisição e a proibição real das designações "cristão-velho" e "cristão-novo".
"Analisa a Carta de Lei que aboliu a distinção social entre "cristãos-novos" (descendentes de judeus e muçulmanos convertidos) e "cristãos-velhos". Esta Carta de Lei, assinada em 1773, tinha como objetivo eliminar a discriminação e estigma que pesavam sobre os descendentes de judeus e muçulmanos convertidos, reconhecendo-os como cidadãos de igualdade." (in Dicionário dos Antis: A Cultura Portuguesa em Negativo, Direcção de José Eduardo Franco, Imprensa Nacional, 2018)
"No dia 28 de Maio de 1773, D. José I promulgou uma Carta de Lei, Constituição Geral ou Édito Perpétuo, pela qual suprimia a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos.
Nos considerandos que pretendem justificar a dita Lei apoia-se o rei absoluto, pela boca do seu ministro omnipotente, nas «consultas e pareceres da Mesa do Desembargo do Paço, do Conselho-Geral do Santo Ofício e da Mesa da Consciência e Ordens», bem como nos pareceres do Conselho de Estado e Gabinete.
Manda outrossim, anexar a esta Carta de Lei duas outras leis, uma de D. Manuel I, expedida no dia 1 de Março de 1507, e outra de D. João III, datada de 16 de Dezembro de 1524, nas quais, segundo diz textualmente o diploma real, se «proibiram a sediciosa e ímpia distinção de cristãos-novos e cristãos-velhos». Estas duas leis quinhentistas eram «de novo publicadas e impressas com esta (de 1773), para fazerem parte dela, como se nela fossem inteiramente incorporadas».
João Lúcio de Azevedo, o historiador que melhor penetrou nos segredos da Inquisição e a estudou sem paixão, refere-se a estes documentos e enquadra-os no processo legislativo da época de Pombal.
Pareceu-nos, apesar de tudo, que o assunto poderia ser retomado, que valia a pena juntar todos estes documentos que não são facilmente acessíveis e acrescentar outros, fazendo algumas considerações críticas, de ordem histórica e jurídica.
A supressão da distinção: cristão velho/cristão-novo, foi uma medida acertada. Ninguém o contestará. Mas os fundamentos invocados pelo Marquês de Pombal - porque foi ele quem preparou tudo e ditou pelo menos o essencial dos documentos - são totalmente fantasiosos, histórica e juridicamente errados. Pairava no ânimo de Pombal um ódio verdadeiramente mórbido contra os jesuítas. Todas as calamidades, todos os regimentos da Inquisição até aí publicados, a própria distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, os Autos-da-Fé, os «horrores da Inquisição», eram maquinações inventadas pelos jesuítas. Estes até entregaram a Coroa portuguesa ao domínio estrangeiro no ano de 1580 («calamitosos tempos», lhe chama Pombal)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Considerandos da Carta de Lei | Decisões Régias | Crítica do documento | Facto que deu origem à Carta de Lei | Conclusão |  Documentos: - Carta de Lei de 1773; - Cópia da carta de D. Manuel I de 1507; - Cópia da carta de D. João III de 1524; - Conclusão da Mesa do Desembargo do Paço; - Assento do Conselho de Estado; - Consulta da Mesa da Consciência e Ordens; - Nota de Salvador S. Cotrim sobre o número de penitenciados desde 1536 a 1732; - Alvará de 1601 que proíbe chamar-se a alguém cristão-novo; - Filipe III, em 1633, manda cumprir as leis que proibiam aos «homens de nação» receber honras e exercer cargos públicos.
Isaías da Rosa Pereira (1919-1998). "Nasceu a 1 de Dezembro de 1919 na freguesia de Salão, concelho da Horta, ilha do Faial, nos Açores. Concluído o ensino primário na escola da sua freguesia, frequentou os estudos secundários sucessivamente no liceu da Horta e no de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Em Setembro de 1940 rumou ao Continente para dar entrada na escola de Sargentos Milicianos de Penafiel. A seguir continuou o serviço militar na Terceira nesse período de movimentação acrescida de tropas nos Açores devido às operações da II Guerra Mundial. Foi desmobilizado a 14 de Janeiro de 1946 depois de quase cinco anos e meio de quartel. Entretanto já tinha decidido consagrar-se ao ministério sacerdotal. Logo a 30 de Janeiro seguinte, contando 26 anos, matriculou-se no Seminário Maior dos Olivais, em Lisboa, onde as “vocações tardias” começavam a aparecer. Terminou o curso de Teologia em1950, com 16 valores, e a 29 de Junho desse ano foi ordenado presbítero na sé de Lisboa pelo Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira.
Paralelamente à sua actividade no Patriarcado, o cónego Isaías da Rosa Pereira exer ceu a docência na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1973 a 1993.
O Prof. Isaías da Rosa Pereira deixou uma produção bibliográfica muito avultada: mais de 150 estudos de investigação, dos quais uma dezena de livros, e uma centena de artigos e opúsculos de divulgação. Frequentador assíduo e criterioso de arquivos e bibliotecas, pôs a descoberto vasta documentação inédita, indispensável para o melhor conhecimento do nosso passado medieval e moderno. O seu trabalho científico de pesquisa documental e análise histórica privilegiou três áreas: manuscritos canónicos tanto de carácter geral como próprios de autores e dioceses portuguesas na Idade Média; visitações dos arcebispos de Lisboa ou seus delegados às paróquias da diocese nos séculos XV-XVIII; e legislação e actividade do tribunal da Inquisição."
(Fonte: Lusitania Sacra, 2.ª série, 12 (2000) - Crónica: Prof. Isaías da Rosa Pereira (1919-1998), In Memoriam)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

05 janeiro, 2025

BRANDÃO, Mário -
O PROCESSO NA INQUISIÇÃO DE MESTRE JOÃO DA COSTA.
Publicado por... Vol. I. Coimbra, Publicações do Arquivo e Museu de Arte da Universidade de Coimbra, 1944. In-4.º (26x18 cm) de [8], 374, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a História da Inquisição Portuguesa. Este volume I é tudo quanto foi publicado a este respeito.
João da Costa (1511?-?). Natural de  Vila Nova de Portimão, Algarve. Mestre, proprietário de uma livraria. Estatuto social: cristão-velho. Acusado e preso a mando da Inquisição por heresia. Data da prisão: 13/08/1550. Sentença: auto-da-fé de 29/07/1551. Abjuração de veemente, ir para um mosteiro onde terá cárcere a arbítrio dos inquisidores, instrução na fé católica, pagamento de custas. O réu foi morador em Paris onde estudou Artes, Grego e Teologia, de onde se ausentou para Hubernia, "com licença de mestre Diogo de Gouveia", e Bordéus, onde esteve em Leis, graduou-se mestre em Artes e bacharel em Leis, foi doutor regente na universidade de Bordéus em Filosofia e presidente do Colégio de Bordéus e doutor e regente perpétuo da Universidade, onde era reitor três meses por ano. O rei escreve-lhe em 1546, para que viesse para Coimbra com mestre André. Regressou em 1547 e trouxe consigo alguns franceses. Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, processo n.º 9510.
(Fonte: https://digitarq.arquivos.pt/details?id=2309656)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

25 outubro, 2024

BRAGA, Theophilo -
O MARTYR DA INQUISIÇÃO PORTUGUEZA ANTONIO JOSÉ DA SILVA (O Judeu). Por...
Lisboa, Publicação da Junta Liberal, 1910. In-8.º (22,5x13,5 cm) de 27, [5] p. ; [1] f. il. ; B.
Apontamento biográfico de António José da Silva, o Judeu, condenado à morte pela Inquisição. Variação da edição de 1904: capa tem impresso um título diferente do mencionado na f. rosto: "O Poeta Judeu e a Inquisição".
Ilustrado com uma estampa extra-texto: Estátua do poeta Judeu no Salão do Theatro de S. Pedro d'Alcantara, no Rio de Janeiro.
António José da Silva (1705-1739). "Poeta, comediógrafo e advogado, dito o Judeu, nasceu em 1705, no Rio de Janeiro, e veio a ser executado em 1739, em Lisboa. É considerado o dramaturgo português mais importante entre Gil Vicente e Almeida Garrett." (Infopédia)
Antonio José da Silva Coutinho (1709-1739), mais conhecido na tradição popular pelo nome de Judeu, representa na historia do Theatro portuguez o primeiro esforço para levantar a comedia da estreiteza acanhada dos divertimentos dos bonifrates, e fazel-a competir com a magnificencia da Opera italiana, que explorava o genio perdulario de Dom João V. Era uma empreza audaciosa no reinado aterrador do Santo Officio; Antonio José sabia fazer rir a multidão, e por esse facto tornou-se criminoso: a gargalhada acordava o povo do medonho pezadello dos inquizidores, e estes entenderam que merecia a morte aquelle que ousava distrahir as imaginações do assombro funereo dos Autos de Fé. Era preciso procurar-lhe um crime, inventar um pretexto para descarregar sobre o poeta a espada flammejante do fanatismo, vingar sobre elle a divida em aberto deixaa por Gil Vicente."
(Excerto da Introdução)
Índice:
[Introdução.] | Vida intima de Antonio José da Silva, tirada do processo do Santo Officio. | Influencia das Operas italianas na forma das suas comedias. | Operas no reinado de D. João V, de 1712 a 1735. | Elemento lyrico nacional das «Modinhas», aproveitado por Antonio José. | Origem popular da Opera «Vida de D. Quixote». | Como Antonio José descreve a falta da noção de Justiça no seu seculo. | Combate o ergotismo e as Theses monasticas na Opera «Esopaida». | A sensualidade de Dom João V, symbolisada no Jupiter da Opera Amphitryão. | Grito da natureza e protesto contra a prepotencia fanatica. | A sociedade elegante de Lisboa e as «Guerras do Alecrim e Mangerona». | O fidalgo pobre e os medicos. | Descripção dos martyrios e torturas moraes que Antonio José soffreu na Inquisição. | O Cavalheiro de Oliveira. | O espirito religioso condemnou a eschola de Antonio José.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Vincado ao centro.
Muito invulgar.
10€

23 abril, 2024

VIEIRA, Padre António - NOTICIAS RECONDITAS DO MODO DE PROCEDER A INQUISIÇÃO DE PORTUGAL COM OS SEUS PREZOS. Informação, Que ao Pontifice Clemente X, deo o P. Antonio Vieira: A qual o dito Papa lhe mandou fazer, estando elle em Roma, na occasião da causa dos Christãos novos com o Santo Officio para a mudança dos seus estilos de processar; em que por esse motivo esteve suspensa a Inquisição por sete annos, desde 1674 até 1681. Ao que se segue huma Carta impugnatoria dirigida ao Padre Vieira, sobre o mesmo objecto; e a eloquente resposta deste. Documentos curiosissimos, e nunca publicados até agora. Lisboa: Na Imprensa Nacional. Anno 1821. Com licença da Commissão de Censura. Vende-se na Loja de Jorge Rei, mercador de Livros, aos Martyres N.º 19. In-8.º (15x10 cm) de 272 p. ; E.
1.ª edição publicada em Portugal.
Importante contributo do Padre António Vieira para a história da Inquisição Portuguesa. Trata-se de um apanhado dos procedimentos abusivos e arbitrariedades cometidas contra os presos do Santo Ofício, na sua maioria cristãos-novos sem culpa formada, onde são relatados casos e episódios de negligência, maus tratos e atrocidades testemunhados por Vieira aquando da sua passagem pelos calabouços da instituição, também ele prisioneiro, que atestam a cruel desumanidade da Inquisição. Documento escrito a pedido do Papa Clemente X (1590-1676), sumo pontífice desde 1670 até à sua  morte.
O texto das “Notícias Recônditas” foi escrito em 1673 supostamente para mostrar ao Papa as injustiças da Inquisição de Portugal. Ficou em manuscrito e teve relativamente pouca divulgação na altura. Em 1708 foi impressa em Londres uma tradução inglesa, com o título “An account of the cruelties exercised by the Inquisition in Portugal, written by one of the secretaries to the Inquisition”. Daqui nasceu o boato de que teria sido escrito pelo Padre Pedro Lupina Freire. Diz-se que a publicação foi da iniciativa do Rabi David Nieto (1654-1728), mas não há a certeza disso.
Em 1722, foi impressa em Londres uma tradução para Português e Castelhano, com o título “Noticias Reconditas y Posthumas del Procedimiento de las Inquisiciones de España y Portugal con sus Presos. Divididas en dos Partes; la Primera en Idioma Portuguez. La Segunda en Castellano; deduzidas de Autores Catholicos, Apostolicos, y Romanos; Eminentes por Dignidad, o por Letras. Obras tan Curiosas como instructivas, compiladas, y anadidas por un Anonimo. En Villa Franca 1722.” Vieram para Portugal alguns exemplares.
Em 1821, já extinta a Inquisição, foi o texto publicado em Portugal com algumas adaptações."
(Fonte: https://www.arlindo-correia.com/140113.html)
Exemplar que pertenceu a Gaspar da Rocha Paes de Werneck (1842-1906), oficial do exército português, cuja assinatura de posse (datada) é visível na f. rosto.
"Na sessão de 31 de março de 1821, as Cortes Constituintes decretavam a extinção do Tribunal do Santo Ofício, instituição criada em Portugal em 1536, com o objetivo de julgar e punir os crimes contra a religião católica. A Inquisição, como ficaria conhecida, caracterizou-se pela sua desumanidade, levando a cabo práticas de terror e tortura durante 285 anos."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/A-abolicao-da-Inquisicao-1821.aspx)
"[1]. Manda-me pessoa aquem devo obedecer, lhe refira a fórma da prizão do Santo Officio de Portugal, e o tratamento dos Prezos naquelles carceres; e supposto que a materia, com todas as circumstancias, seja inexplicavel, em razão do segredo que se observa tão inviolavel, como fundamento total da duração; pelo que, se não deixão penetrar ainda dos mesmos que as padecem, mais do que na parte que não póde occultar-se á experiencia de cada hum: direi com tudo, o que tenho colhido de noticias de muitos; advertindo, que nenhum sabe tudo, mas só o que por elle passou; e assim, prudencialmente deve considerar-se, que o que se não vê, e o que mais se occulta, he o que mais offende, e impossibilita o remedio dos Prezos; que sendo os mais interessados nas causas de seus livramentos, são os que dellas sabem menos, ou nada; porque o primeiro dictame que se observa, he confundillos para que em tudo vão ás cégas; como veremos, com o favor Divino, pelas Noticias que se seguem.
2. Pronunciado  hum homem no Santo Officio, o mandão prender, tratando-o como se já estivera convicto; porque na mesma hora que o prendem, lhe põem na rua sua mulher, e filhos; atravessão-lhe as portas; fazem inventario de todos os bens; e como se a mulher não tivera parte nelles, fica despojada de tudo sem nenhum remedio: e quando são marido, e mulher ambos prezos, ficão os filhos em tal desamparo, que em muitas occasiões meninos, e meninas de tres, e quatro annos, se recolhem nos alpendres das Igrejas, e n os fórnos, se nelles áchão recolhimentos; pedindo pelas portas, por não perecerem; e sendo tão lamentavel esta oppressão da innocencia mais para sentir são outras consequencias; porque, com esta occasião de desamparo, e necessidade, muitas donzellas honestissimas, que em casa de seus pais vivião honrada, e virtuosamente, forão forçadas a perder-se; ou pela sua miseria; ou pela ousadia que tem todos contra esta affligida gente; e o mesmo succedeo a muitas mulheres casadas, cujos particulares casos não referimos; assim porque são notorios em todos os povos deste Reino; como por não offender o nome, e a fama das mesmas desgraçadas, e de seus pais, e maridos: mas sendo necessario, se apontará hum grande aranzel: além de que, não faltão Religiosos, que assistirão nas terras onde houve muitos deste successos, que poderão certificar muitos, e muitos."
(Pontos 1/2)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequeno orifício na f. rosto, à cabeça. Trabalho de traça marginal (com pouca expressão visual) nas últimas duas folhas do livro. Pastas cansadas, com defeitos.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

01 fevereiro, 2024

ROL // dos Liuros defesos nestes Rei- // nos & Senhorios de Portugal // q ho Senhor Cardeal Iffante Inqui- // sidor geral mandou fazer // no Anno de 1561. Impresso em Lixboa em casa de Joannes Blauio de Colonia, [1561]. In-8.º (15x10 cm) de [90] p. ; E.
1.ª edição (fac-símile).
Importante subsídio - fotocopiado do original - para a história do livro e da censura literária em Portugal. Trata-se do Rol dos livros defesos de 1561, o terceiro de quatro (em cinco edições),
mandados publicar por ordem de D. Henrique (mais tarde, Cardeal D. Henrique) entre 1547 e 1564, sendo o presente da autoria do dominicano Frei Francisco Foreiro, mais "moderado" que a lista de 1559, apesar de alargar o número das obras censuradas. Este Regimento ficou para a história por estabelecer a publicação trimestral dum rol de livros proibidos, regra cumprida apenas a partir de 1577, e também por procurar controlar a entrada de livros por via marítima: "O cordão defensor da ortodoxia abrangeu também a vigilância relativa à entrada e permanência de barcos e pessoas estrangeiras no país. Assim, o Regimento de 1561, como forma de prevenção, estipulava que se visitassem sistematicamente as embarcações vindas de fora; estalajadeiros e donos de hospedarias eram obrigados a apresentar listas dessas pessoas e permanecer atentos a qualquer indício, «ouvindo-Ihes dizer ou fazer alguma coisa que lhes pareça ser contra a fé, que, pela mesma maneira, o vão denunciar aos inquisidores»." (in Elvira de Azevedo Mea (Faculdade de Letras do Porto), O Santo Ofício no contexto da Contra-Reforma, em Portugal - III Congresso Histórico de Guimarães, «D. Manuel e a sua época»)
A primeira parte do Rol é dedicada à justificação da edição, seguindo-se a lista das "proibições" e "recomendações", todas elas sob ameaça explícita de excomunhão em caso de incumprimento; por fim segue-se a lista das obras censuradas.
"Os estudos efectuados até ao momento presente têm vindo a revelar que, com efeito, não é possível refletir sobre a história «literária» de Portugal no século XVI sem antes compreender e descrever o papel desempenhado pela censura nesse período. A censura exercia-se quer contra as pessoas quer contra determinados produtos da actividade intelectual, nomeadamente a impressão de livros e a sua livre circulação. [...]
No final da década de 1540, a censura preventiva obteve uma organização estável. A 2  de Novembro de 1540, o Inquisidor-Geral, o Infante D. Henrique confiou por inteiro a censura disciplinar de livros a três dominicanos: ao prior do convento de S. Domingos de Lisboa; ao sub-prior Frei Aleixo e a Frei Cristóvão de Valbuena. Para além das tarefas que lhes foram atribuídas a questão censura preventiva é especificada: «poderão mandar noteficar a todos [os] empressores que  não imprimam novamente ninhuns livros sem primeiro serem vistos [e] examinados per  elles». Com a criação desta comissão estavam legalizadas a inspecção aos livros existentes nas livrarias, a apreensão de obras suspeitas, a ordem para não se imprimirem livros sem primeiro serem vistos e examinados, e, finalmente, o poder de a comissão aplicar censuras eclesiásticas e mais penas. […]
Neste sentido, o Infante Inquisidor-Geral, em 28 de Outubro de 1547, assinou uma carta dizendo que para pôr cobro à entrada em Portugal de livros de autores hereges, suspeitos e «danados», mandava publicar a lista dos livros defesos que indica quais os que não podiam ser lidos nem impressos novamente sem serem examinados e autorizados pela Inquisição. Assim surgiu o primeiro rol de livros proibidos, manuscrito, que posteriormente designaram por Prohibicam dos liuros defesos. [...]
O terceiro Índice português conhecido data de 1561. Sendo o quarto Rol dos Liuros defesos publicado em Quinhentos é assinado por Fr. Francisco Foreiro, dominicano português. Vem precedido duma carta do Cardeal Infante de "prohibições e d’avisos para os que este Rol lerem" que constitui uma verdadeira codificação da censura repressiva. Também este trabalho dos censores portugueses veio a ter repercussão internacional, pois foi a partir de experiências como esta que os portugueses se tornaram «os  peritos» em censura na Europa. Frei Francisco Foreiro é chamado a secretariar a comissão do Concílio de Trento encarregada da revisão do Índice de Paulo IV e da promulgação das regras de censura dos livros, por gozar duma experiência única no mundo católico. Assim, as regras que precedem o índice tridentino, o Index librorum prohibitorum, promulgado pela bula do papa Pio IV de 24 de Março de 1564, redigidas por Fr. Francisco Foreiro, passaram a constituir legislação permanente da Igreja. Portugal foi um dos raros países católicos a aceitar imediatamente os decretos do Concílio de Trento, atribuindo-lhes «força» de lei."
(Fonte: https://silo.tips/download/indices-de-livros-proibidos-no-seculo-xvi-em-portugal-a-procura-da-literatura)
"Dom Anrrique per merce d Deos & da sancta igreja de Roma Cardeal do titolo dos sanctos quatro Coroados, Iffante de Portugal, Arçebispo Deuora, Inquisidor geral dos Reynos & senhorios de Portugal. &c. Fazemos saber a todas as pessoas de qualquer estado & qualidade que sejão q aos ditos reinos & senhorios pertencem, que tendo nos entendido quãto dano na repubrica christãa os herejes em nossos dias ajam feito: e quantas prouincias q nõ ha muito q nellas a religião Christã & culto Diuino estaua enteiro, cõ astucia do demonio estão estragadas. Sabédo també de certeza q cõma & falsa doctrina se fez todo este estrago aqual se comunicou no menos per liuros que per palaura de maos & peruersos doutores: arreceando poder este mal laurar & chegar aos ditos Reinos & senhorios quisemos pelos meios possiueis cõ toda a diligécia obuiar a isto q arreceamos. [...] Assi ordenamos como ne per escrito aja modo per que se possa seguir algú dano a sãa e verdadeira docttrina em q fomos criados. E inda q tee gora se fizesse sempre deligécia & se prouesse como nõ corressem nem tratados de herejes, né outros que podesem empecer a verdade d nossa sancta fee, & pa isso ouuerse Rol impresso de liuros defesos, & prohibições & sensuras cõtra qué taes liuros tiuesse ou cõmunicasse: toda via indo crecédo a malicia dos tépos, forãse multiplicãdo muitos mais liuros maos, q nos catalogos nõ erã nomeados: polo qual nos pareceo ser necessario fazerse outro mais copiso em q se cõprehédessem todos q a nossa noticia poderão, vir q era justo seré defesos, cõ algúas prohibições a este mesmo fim pertecétes ho qual rol & prohibições cõ esta nossa prouisão a qui vão impressos em hú caderno p Joã Blauio nesta cidade d Lixboa no mes d Março do ãno d. 1561. & qremos q aos ditos cadernos asinados pello deputado F. Frãcisco Foreiro q pera isso té nossa comissã se de plenariaméte credito como se p nos ho fossem."
(Excerto da justificação)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Indisponível

08 julho, 2023

PAIVA, José Pedro de Matos - FEITIÇARIAS, BRUXARIAS E CURAS SUPERSTICIOSAS.
As visitas pastorais como fonte para o estudo das práticas da magia. Os agentes da magia na Diocese de Coimbra na segunda metade do século XVII. Por... Coimbra, Publicações do Arquivo da Universidade de Coimbra, 1985. In-4.º (23,5 cm) de [2], 36, [2] p. ; (359-394 pp.) ; il. ; B. Separata do Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra - vol. VII
1.ª edição independente.
Interessante estudo histórico sobre a superstição popular no Distrito de Coimbra, e a repressão exercida pela Igreja sobre as práticas "esotéricas".
Livro ilustrado no texto com três gráficos: 1 - Frequência de acusados 1630-1700 : Mulheres/Homens; 2 - Tipo de acusações /Homens; 3 - Tipo de acusações / Mulheres.
Exemplar duplamente valorizado pela dedicatória e cartão - ambos autografados pelo autor - dirigido ao conhecido historiador Prof. Francisco Bethencourt.
"Como em todos os domínios da história, a busca afanosa de novas fontes que permitam conhecer melhor um certo fenómeno também tingiu o estudo da magia. Até há alguns anos, este problema era estudado na maioria das vezes tendo como base os processos da Inquisição, a poesia e prosa que se escreviam sobre o assunto, os processos judiciais. Foi também frequentemente utilizada, obviamente, legislação régia e eclesiástica. [...]
As visitas pastorais são uma fonte de inestimável valor e que se prestam a fornecer informações variadíssimas sobre vários aspectos da vida quotidiana das populações, do clero, da prática religiosa, etc.
Um dos motivos que explica o sucesso das visitas com o forma de inquirição dos pecados públicos (entre eles a feitiçaria, bruxaria e curas), radica no facto de que ao nível das pequenas comunidades pré-industriais o direito à privacidade é totalmente inexistente. Mais do que isso, os vizinhos, a comunidade, têm, o dever e o direito de conhecer as actividades de cada um. É deste conhecimento que a Igreja se vai apropriar ao realizar periodicamente a visita. E não se pense que só em casos devidamente provados a Igreja actuava. Em face da legislação eclesiástica, a má reputação é suficiente para que se proceda contra alguém. [...]
A informação que as «visitas» encerram para estudar o interessante fenómeno da magia encontra-se nos depoimentos das populações visitadas e nas «pronúncias», ou seja, as penas que eram aplicadas aos acusados de magia durante o processo visitacional. Além disto, existem os «exames», que eram interrogatórios feitos  alguns dos acusados. Toda esta informação está disponível num dos livros que eram produzidos durante uma visita: o «livro de devassas». Vejamos pois qual a aplicabilidade de tudo isto no estudo da magia.
O principal valor das visitas pastorais para o estudo da «magia negra» liga-se profundamente ao facto de que aquilo que era registado pelo visitador durante a «devassa» que efectuava, ser o depoimento as testemunhas. Os livros de devassas de visitas estão pois repletos de acusações de vários crimes entre eles os de feitiçaria e bruxaria. Através das «visitas» podem-se portanto estudar as acusações e, em grande parte dos casos, as relações entre o acusador e o acusado."
(Excerto de 1 - As visitas pastorais como fonte para o estudo das práticas de magia)
Índice:
Introdução. | 1 -  As visitas pastorais como fonte para o estudo das práticas da magia. 2 - «Os agentes da magia na Diocese de Coimbra na segunda metade do século XVII».
José Pedro de Matos Paiva (n. 1960). "É professor na Universidade de Coimbra, investigador no Centro de História da Sociedade e da Cultura e no Centro de Estudos de História Religiosa. A sua área de pesquisa central é a história religiosa e cultural em Portugal, séculos XVI-XVIII. Entre outros livros é autor de Bruxaria e superstição num país sem "caça às bruxas" (Lisboa, 1997), Os bispos de Portugal e do império (1495-1777) (Coimbra, 2006), Baluartes da fé e da disciplina (Coimbra, 2011)."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com sublinhados e notas marginais, tudo a lápis.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico.
25€

27 março, 2023

BETHENCOURT, Francisco - O IMAGINÁRIO DA MAGIA.
Feiticeiras, saludores e nigromantes no século XVI
. Lisboa, Centro de Estudo de História e Cultura Portuguesa : Projecto Universidade Aberta, 1987. In-8.º (21 cm) de 310, [8] p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B. Colecção Temas de Cultura Portuguesa - N.º 11
1.ª edição.
Capa: Rocha de Sousa. Fotografia da capa tirada por José Pedro Aboim Borges sob autorização do Museu Nacional de Arte Antiga (Detalhe do quadro O Inferno de um anónimo português da primeira metade do século XVI).
Importante estudo sobre magia, bruxaria e feitiçaria no Portugal de quinhentos. Raro e muitíssimo interessante, por certo, com tiragem reduzida.
Livro ilustrado com quadros, tabelas e gráficos, sendo um destes impresso em folha desdobrável.
"A invocação do demónio era uma prática corrente no século XVI: não foram os inquisidores que a inventaram, embora procurem enquadrar os diversos casos de magia neste padrão de comportamento herético. Aliás, o recurso ao demónio pelo homo magnus é algo que se encontra com frequência independentemente do tempo e do espaço. [...]
Estes aspectos encontram-se nas crenças populares portuguesas. Em primeiro lugar, os demónio intrevêm no mundo humano mas vivem separados, num mundo à parte: segundo uma testemunha de acusação que vira fazer um fervedouro a uma feiticeira, «não lhe emtemdeo outra cousa do que asy fallava mamso senão Barzabu e Calldeyrão e quantos diabos na Diabroyra estão». Para além disso, os demónios têm um número finito, uma existência material (ou materializável) e não se podem desdobrar: Margarida Pimenta «muitas vezes os chamava e dezia que lhe não vinham plos terem outras feyticeiras ocupados». [...]
A especialização do mundo infernal, com diabos superiores e inferiores, maiores e menores, tem sido referida por diversos autores, que salientam a analogia entre a organização a corte régia e a organização da corte demoníaca, sendo esta última carcterizada por Marcelin Defourneaux da seguinte maneira: «no cume, Satanás, asistido por Lucifer, Belzebu e Barrabás; depois, Asmodeu, príncipe da luxúria, Leviathan, demónio do orgulho, Belial, patrono dos ciganos, adivinhos e feiticeiros, Auristel, que protege os jogadores e blasfemos. Entre os demónios inferiores, o «diabo manco», Renfa, é o introdutor amável de todos os vícios em que o homem procura o seu prazer».
(Excerto de Invocação e comunicação com o demónio)
Índice:
Introdução - I. Os indícios; 2. Os problemas; 3. O território.
Primeira Parte - As práticas: Capítulo I - O conhecimento das coisas ocultas: 1. O destino individual; 2. O destino colectivo; 3. O paradeiro de pessoas e bens. Capítulo II - O domínio sobre o corpo: 1. A vulnerabilidade dos corpos; 2. Os procedimentos de cura; 3. O controle da natalidade. Capítulo III - O domínio sobre os sentimento e as vontades: 1. A graça; 2. O amor; 3. O aborrecimento; 4. O ligamento; 5. O ódio.
Segunda Parte - As crenças: Capítulo IX - A mentalidade mágica: 1. O simbolismo dos ritos; 2. A relação do homem com a totalidade das coisas; 3. A relação do homem com o homem; 4. O papel do homo magnus. Capítulo V - A demonologia: 1. Magia natural e magia diabólica; 2. Invocação e comunicação com o demónio; 3. O pacto com o demónio; 4. Assembleia nocturna.
Terceira Parte - O espaço dos podres: Capítulo VI - O mágico e o espaço social: 1. Identificação dos mágicos; 2. Um poder ao rés-do-sol; 3. A ambiguidade das atitudes; 4. Conflitos de instituição. Capítulo VII - O mágico e o campo religioso: 1. O mercado dos bens de salvação; 2. A posição do mágico entre os agentes religiosos; 3. O reforço da presença e da acção do clero; 4. A assimilação das periferias. Capítulo VIII - Vigiar e punir: 1. A definição da norma; 2. A repressão em actos; 3. Geografia e cronologia da repressão inquisitorial.
Conclusões a aberturas: 1. A visão mágica do mundo; 2. O modelo de cristianização.
Fonte e Bibliografia. | Anexo. Quadro sinóptico dos mágicos presos pela Inquisição. | Glossário. | Índice dos quadros, mapas e gráficos. | Agradecimentos.
Francisco Bethencourt (n. 1955). "Nasceu em Lisboa, em 1955. Licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestre pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em História e Civilização (1992) pelo Instituto Universitário Europeu em Florença, com a tese Les Inquisitions modernes. Foi Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e visiting scholar em diversas universidades, como a Brown University (EUA), e a Universidade de São Paulo (Brasil). Actualmente é Charles Boxer Professor no King's College da Universidade de Londres. Foi ainda Director da Biblioteca Nacional (1996-1998) e Director do Centro Cultural Gulbenkian em Paris (1999-2004).
Dos seus interesses de investigação destacamos história do racismo no mundo atlântico; identidade portuguesa; história do mundo de língua portuguesa; história comparada da expansão europeia; história da Inquisição.
É autor de várias obras, entre outras, O imaginário da magia: feiticeiras, saludadores e nigromantes no século XVI (1987), História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália (Círculo de Leitores, 1994) e Racismos: das Cruzadas ao século XX (Temas & Debates, 2016). Coordenou ainda a colecção História da Expansão Portuguesa (com Kirti Chaudhuri, 5 vols., Círculo de Leitores, 1998-1999) e as obras A Memória da Nação (Sá da Costa, 1991), Racism and Ethnic Relations in the Portuguese-Speaking World (2012), Correspondence and cultural exchange in Europe, 1400-1700 (2013), Portuguese Oceanic Expansion, 1400-1800 (2014), Inequality in the Portuguese-Speaking World Global and Historical Perspectives (2018) e Cosmopolitanism in the Portuguese-speaking world (2018)."
(Fonte: https://www.goodreads.com/book/show/7230762-hist-ria-das-inquisi-es---portugal-espanha-e-it-lia)
Exemplar em brochura, bem conservado. Assinatura de posse na f. ante-rosto.
Muito invulgar.
45€

24 outubro, 2022

PEREIRA, Isaías da Rosa - DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL. (Século XVI).
Volume I
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nos Serviços da Cáritas Portuguesas], 1987. In-4.º (23,5 cm) de 150, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Inquisição no nosso país. Contém reproduzidos 141 documentos + 2 documentos extra (A e B) de um Códice: Provisões de Sua Alteza (1542-1590).
Este volume I é tudo quanto foi publicado.
"Este volume é o primeiro de uma colectânea de documentos relativos à Inquisição e que reputamos de fundamental importância para se poder fazer a história desta Instituição. [...]
Não é fácil resumir em poucas linhas o conteúdo de centena e meia de documentos. Seria repetir os sumários de todos eles. Referem-se fundamentalmente a negócios internos do Santo Ofício, a questões do fisco, à censura dos livros, à fuga de cristãos-novos, nomeação de deputados.
Enumeramos, contudo, algumas das questões mais relevantes, a que se refere esta documentação:
- o problema da venda de armas e mantimento aos mouros no norte de África;
- a Inquisição no Brasil;
- abastecimento de carne e outros géneros às prisões;
- julgamento das causas crimes e cíveis dos oficiais do Santo Ofício;
- forma de reconciliar, com caridade, os cristão que praticaram o islamismo e se converteram;
- livros e livreiros, venda e importação de livros;
- visita das naus para impedir a entrada de livros defesos e de luteranos;
- ordenados dos inquisidores e outros oficiais do Santo Ofício;
- caso insólito de heresias e feitiçarias na Ponta do Sol, Ilha da Madeira;
- presos pobres e seu sustento;
- róis de culpas e de penitenciados nos Autos-da-fé transmitidos de uma Inquisição a outras;
- troca de presos com Castela;
- visitações à Inquisição de Lisboa.
No fim dos documentos contidos neste códice, publicamos duas cartas avulsas do Cardeal Infante D. Henrique, Inquisidor-Geral, dirigidas a D. Sebastião, na segunda das quais renuncia ao cargo de Inquisidor-Geral. O documento, que saibamos, é totalmente desconhecido.
Como se vê, esta documentação é da mais alta importância para o estudo do Santo Ofício, funcionamento dos tribunais, censura de livros, visita das naus, jurisdição dos inquisidores, sustentação dos presos, etc."
(Excerto da Introdução)
Índice Geral:
Introdução. | Nótula bibliográfica. | Documentos: Documentos n.º 1 a n.º 141; Documento extra - A; Documento extra - B. | Notas a alguns documentos. | Índices: Índice ideográfico; Índice antroponímico.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

07 junho, 2022

BETHENCOURT, Francisco - HISTÓRIA DAS INQUISIÇÕES : Portugal, Espanha e Itália
. Autor... Lisboa, Círculo de Leitores, 1994. In-4.º (27 cm) de 400 p. ; mto. il. ; E. Col. Grandes Temas da Nossa História
1.ª edição.
"O historiador português Francisco Bethencourt analisa com argúcia os ritos, as etiquetas, as formas de organização, os modos de ação e a iconografia que as Inquisições produziram em Portugal, na Espanha e na Itália, acabando por desvendar uma rede quase desconhecida de estruturas mentais na Europa latina, além de revelar muitos efeitos da repressão às heresias nas sociedades que elas tentaram subverter."
Edição de grande esmero e apuro gráfico - impressa em papel de superior qualidade - profusamente ilustrada a p.b. e a cores.
"Este programa de pesquisa apoiou-se, em larga medida, na exploração de séries manuscritas conservadas nos arquivos espanhóis, portugueses e italianos. [...] Estudo comparado mas também estudo de longa duração, a nossa pesquisa tem na base da sua orientação a noção de processo. É justamente esta opção que explica a construção do texto em três partes não explicitadas: uma primeira sobre a fundação e organização, uma segunda sobre o enraizamento e a consagração, uma terceira sobre o declínio e extinção."
(Excerto da Introdução)
Índice:
– A Fundação. – A Organização. – A Apresentação. – A Investidura. – Os Éditos. – As Visitas. – O Auto-Da-Fé. – O Estatuto. – As Representações. – A Abolição. – Conclusões. – Fontes e Bibliografia. – Índices.
Encadernação editorial cartonada com ferros gravados a ouro e a preto na pasta anterior e  na lombada, revestida por sobrecapa policromada apresentando uma cena de tortura.
Exemplar em bom estado e conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

22 outubro, 2021

BUTIÑÁ, P. Francisco - VIDA DEL P. GABRIEL MALAGRIDA DE LA COMPAÑÍA DE JESÚS, QUEMADO COMO HEREJE POR EL MARQUÉS DE POMBAL.
Escrita por el... de la misma compañia. Con las licencias necesarias
. Barcelona, Imprenta de Francisco Rosal, Hospital, 115, 1886. In-8.º (18,5 cm) de XV, [1], 520 P. ; E.
1.ª edição.
Edição original - em castelhano - da biografia do controverso padre Gabriel Malagrida (1689-1761) concebida por um membro da Companhia de Jesus. Sobre Malagrida, existe uma outra versão biográfica da autoria do Padre Paulo Mury, da mesma Companhia, vertida para português e prefaciada por Camilo Castelo Branco, com duas edições publicadas no segundo quartel do século XIX.
"Para tu solaz y enseñanza doy á la estampa la vida del P. Gabriel Malagrida. Habíala en su principio bautizado con el nombre e La primera Víctima y el primer Verdugo en la conspiración anti-jesuíta de fines del siglo XVIII, creido que tal epígrafe formaba la sintesis de cuanto aqui expongo sobre este Mártir ilustre, y su asesino el Marqués de Pombal."
(Excerto do Prólogo)
"No dia 20 de setembro de 1761 teve lugar um auto-de-fé nos claustros do Convento de S. Domingos, em Lisboa. A principal figura era Gabriel Malagrida, um padre jesuíta italiano acusado e condenado por heresia pela Inquisição e “relaxado à justiça secular”, ou seja, condenado à morte.
Foi conduzido pelas ruas de Lisboa “com mordaça e carocha”, isto é, amarrado e com barrete de condenado, até ao Rossio, onde foi garroteado e o seu corpo queimado na fogueira, já no dia seguinte. As suas cinzas foram posteriormente atiradas ao rio.
Assim terminou o processo do padre Malagrida, o “padre das barbas brancas”, como era popularmente conhecido, um caso muito controverso e que ainda hoje é motivo de discussão entre os historiadores.
Malagrida estava preso há vários anos por alegado envolvimento no atentado ao rei D. José e que foi denunciado e preso pela Inquisição em janeiro de 1760. Foi o último réu da Inquisição a sofrer a pena de morte, em Portugal.
Gabriel Malagrida nasceu em Milão e entrou para a Companhia de Jesus, ainda em Itália, mas fez a sua carreira como missionário em diversas regiões do Brasil, onde viveu até 1754.
Estava em Lisboa aquando do grande terramoto que ocorreu no ano seguinte. Imbuído de um intenso fervor religioso, Malagrida rejeitou a explicação oficial do terramoto, que apontava para causas naturais, e afirmava que se tinha tratado de um castigo divino, exortando a população à penitência.
A crescente hostilidade de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, aos jesuítas, e a ligação de Malagrida aos círculos da oposição levaram ao seu desterro, primeiro, e à sua prisão, pouco depois, sob acusação de ser o instigador moral do atentado ao rei D. José.
Por esta altura, Gabriel Malagrida era acometido de visões e aparições, afirmando falar diretamente com Deus e a Virgem Maria. Tornou-se, portanto, um alvo fácil para a Inquisição, que era já controlada pelo marquês de Pombal, e foi acusado de ser um impostor, um falso profeta e um hereje."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/execucao-do-padre-gabriel-malagrida-em-lisboa/)
Encadernação editorial inteira de percalina com pastas trabalhadas.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

17 julho, 2018

AS FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO. [Lisboa], Grémio Montanha, 1926. In-8.º (17,5cm) de 23, [1] p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de propaganda anticlerical publicada pouco antes da instauração do regime da Ditadura Militar. Opúsculo distribuído gratuitamente pela loja maçónica «Grémio Montanha».
Trata-se de um resumo histórico da actuação da Inquisição ao longo da história, com particular ênfase para o caso português, que vem pincelado com episódios particularmente sangrentos nalgumas cidades e vilas, de norte a sul do país.
Livrinho ilustrado com bonitas gravuras ao longo do texto.
"Foi no século XIII que a Inquisição, com todos os seus horrôres, começou a exercer a sua tenebrosa acção no sul de França aparecendo, mais tarde, como nome de Santo Oficio, na Espanha e em Portugal.
Logo que nestes ultimos países se repetiu, com todos os requintes de malvadez, o canibalêsco espectáculo de assar pessoas vivas, a Peninsula revestiu-se de côres rubras apresentando o aspecto deum pavorôso incendio que iluminou a Europa inteira.
Milhares de creaturas, inocentes vítimas do ódio nêgro dos clericaes, fôram impiedosamente arrastádas para as chamas.
Por toda a parte labarédas, fumo, sangue...
Até ao primeiro quarto do século XIX jamais deixou de ser ateiado o terrivel brazeiro no qual crepitáva ininterruptamente a carne humana que a Igreja, em nome de Cristo, atiráva para as fogueiras purificadôras das almas."
(Excerto da introdução)
Matérias: [Introdução]. No sul de França. Na Flandres. Em Espanha. Em Portugal: A Santa Inquisição em Portugal; Em Miranda do Douro; Em Lamêgo; Em Coimbra; Em Aveiro; Em Trancôso; Na Covilhã; As torturas do Santo Tribunal; No Porto; Em Évora; Em Lisboa; Carta a el-Rei.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, sujas, com defeitos.
Raro.
Peça de colecção.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

14 maio, 2017

DANTAS, Julio - SANTA INQUISIÇÃO : peça em 4 actos e 1 quadro. Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira & C.ta, 1910. In-8.º (19cm) de 205, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original desta peça de índole histórica cuja acção se desenrola no século XVII. Estreada em Lisboa, no Teatro Dona Amélia (actual São Luiz), em 18 de Março de 1910.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Júlio Dantas (1876-1962). "Nasceu em Lagos, a 19 de Maio de 1876. Ingressou, em 1886, no Colégio Militar, onde se manteve até 1892.Foi admitido na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa onde, em 1900, se licenciou em Medicina. Médico militar, entre 1902-1903, desenvolveu posteriormente larga actividade como escritor e professor de arte dramática no Conservatório (1909-1930). Foi comissário do Governo junto do teatro D.Maria II entre 1906 e 1912, director da secção de arte dramática do Conservatório (1909-1912), inspector das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, de 1912 a 1916, presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais (1925-1926), professor e inspector do Conservatório Nacional (1930-1935). Autor multifacetado – teatro, poesia, conto, romance, tradução e ensaio – viu, na época, alguns dos seus textos alcançarem grande êxito, mais tarde adaptados a óperas, operetas e cinema. O drama e o romance histórico, tendo como findo o século XVIII, grangearam alguma projecção, mas também a crítica acerada de autores modernos de que é paradigma Almada Negreiros através do conhecido Manifesto Anti-Dantas. Passou pelos partidos Reconstituinte, Progressista e Nacionalista. Convidado por Bernardino Machado, em 1914, para ministro dos Negócios Estrangeiros, só entraria para o executivo quando ocupou a pasta da Instrução entre 21 de Outubro e 20 de Novembro de 1920, experiência logo repetida entre 20 e 30 de Novembro do mesmo ano. Regressou ao Governo por mais duas vezes, agora à frente dos Negócios Estrangeiros: de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922 e de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Efectuou diferentes missões ao Brasil e foi membro da Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Sociedade das Nações entre 1933 e 1943. Sob o Estado Novo foi procurador à Câmara Corporativa (1935-1959). Faleceu em Lisboa a 25 de Maio de 1962."
(
fonte: http://193.137.22.223/pt/patrimonio-educativo/museu-virtual/galeria-de-ministros/ministerio-da-instrucao-publica/1913-1920/)
Encadernação em sintético com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

22 fevereiro, 2017

PEREIRA, Isaías da Rosa - LIVRO DE RECEITAS E DESPESA DOS PRESOS RICOS DA INQUISIÇÃO DE LISBOA (1594-1596). Lisboa, Livraria Olisipo, 1994. In-4.º (23,5cm) de 175, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"O Livro n.º 397 do cartório da Inquisição de Lisboa tem o título de Livro dos Presos Ricos. Nele estão escrituradas as verbas de receita e despesa dos presos entre os anos de 1594 e 1596.
A análise desses números leva-nos a concluir que não se trata de presos ricos no sentido de possuírem muitos bens ou de pertencerem a uma classe social abastada. São pessoas que tinham possibilidade de se sustentar à sua custa. Só nos aparecem dois ou três casos em que os presos seriam oriundos de famílias de maiores recursos. [...]
A escassez de informações sobre Autos-da-Fé no século XVI dificulta as conclusões. Em Lisboa celebrou-se Auto-da-Fé em 1594, com 95 penitentes; entre 1594 e 1597 leram-se 35 sentenças na sala do Tribunal, e em 1597 realizou-se Auto-da-Fé com 90 penitentes. É muito possível que a maior parte dos presos inscritos neste livro tenha terminado a prisão em 1597.
A despesa com a alimentação dos presos é sempre diferentes para homens e mulheres; estas recebem 35 ou 40 réis por dia e aqueles 40 ou 50 réis. Não sabemos a razão desta diferença.
O registo das despesas fornece-nos ainda informações muito curiosas, Para os presos, compraram calçado, lençóis, camisas, toalhas, gibões, ceroulas, toalhas de cabeça (para as mulheres), alguns alimentos especificados, nomeadamente dois queijos do Alentejo, um quarteirão de figos, dez arráteis de passas, panelas de açúcar rosado (este era usado como medicina).
Além disso, alguns presos estiveram doentes e gastaram diversas quantias na botica. Duas presas foram sangradas e compraram-lhes galinhas para alimentação mais forte. Outra faleceu no cárcere e uma delas deu à luz uma criança.
Também se anotam as quantias pagas aos advogados que passavam muitas horas ou até dias inteiros com os presos para lhes preparar a defesa ou contradita. Por cada período recebiam 200 ou 300 réis.
As contraditas consistiam em procurar provar que as testemunhas de acusação não falavam verdade (os factos referidos não se tinham passado) ou que eram seus inimigos, ou ainda que os réus tinham sido sempre bons cristãos e não tinham realizado práticas judaicas, ou luteranas, ou de feitiçaria. Em geral, apresentam testemunhas para provar o seu direito.
A menção de algumas compras dá uma ideia de quanto custavam certas peças de roupa nos fins do século XVI: uma camisa, uma toalha, umas calças, uns calções, uns sapatos, uma panelas de açúcar rosado, um gibão de linho, umas chinelas, um enxergão.
Alguns registos dão notícia do envio de dinheiro para os presos por parte de sua família."
(excerto da introdução)
Índice geral:
Introdução. Lista das pessoas mencionadas no registo da recita. Lista das pessoas mencionadas no registo da despesa. Livro dos presos ricos - Receita (texto do códice). Livro dos presos ricos - Despesa (texto do códice). Índice alfabético das pessoas registadas no códice. Índice toponímico.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com manchas.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível