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15 abril, 2026

COELHO, Trindade -
TRINDADE COELHO : cartas, com um prefacio e notas de Paulo Osorio
. Porto, Editadas por Paulo Osorio, 1908. In-8.º (19x12 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição. 
Publicação da correspondência de Trindade Coelho para Paulo Osório, forma de este, prefaciador e editor, homenagear o autor de Os Meus Amores e In Illo Tempore, recém-falecido. Importante subsídio - "precioso documento psycologico" - para melhor compreensão do homem e da sua obra, editado  pouco tempo após o regicídio.
"Em 1897, esse pobre Trindade Coelho, cuja face pallida eu vi ha pouco na serenidade muda do seu esquife de suicida, pontificava num pequeno grupo de praticantes em letras, ao qual eu, então em começo, pertencia. Seduzira a essa meia duzia de estreiantes, de aptidões mais ou menos definidas , a arte tão nova, tão difficil quanto apparentemente singela, enternecida, dôce, luminosa, que enche as paginas translucidas dos seus contos. Os Meus Amôres eram os amôres de nós todos, eram a nossa biblia; e, porque o Trindade, que sempre foi doido por creanças, nos aturava magnanimo, pelas paginas risonhas das nossa revistas, pelas dedicatorias dos nossos contos ou dos nossos livros, o seu nome andava sempre, illuminado e florido, como o de um padroeiro. [...]
Pobre Trindade! A dictadura, que tanto parecia opprimir o teu espirito e revoltar o teu raciocinio, foi derribada, espesinhada, apunhalada, vencida. E quando a causa que fôra a tua se erguia thriumphante, e a voz do paiz esturgia nas abobadas de S. Bento como tu perceituavas, e o imperio da lei augusta e poderosa se promettia, como era de tua ambição instante e apaixonada, e quando as cadeias da opressão se quebravam a tiros de carabina e o sol da felicidade parecia subir, embora laivado de sangue, a illuminar de novo a terra portuguêsa, tu, o combatente, o martyr, o propheta, o apostolo, só encontráste no teu destino uma solução - morrer! E d'essa dictadura e do homem que a representava tu tinhas, pouco antes do suicidio, esta impressão amarga e dolorosa que te trouxera ao espirito atormentado toda a contemplação amargurada da tua vida desfeita:
- Tenho na minha alma uma grande gratidão pelo João Franco. E gostava que elle o soubesse. Porque, quando alguem um dia lhe propôs que me demittisse, dizem-me que elle respondeu: não demitto esse homem porque tem uma mulher e um filho. E esses, agora, não se lembram sequer de que essa  mulher e esse filho existem!"
(Excerto do Prefacio)
Paulo Mendes Osório (1882-1965). "Activo partidário de João Franco, dedicou-se sobretudo ao jornalismo. Em 1911, na sequência da queda da Monarquia, fixou-se em Paris, onde se tornou colaborador de O Século e correspondente do Diário de Notícias, tendo dirigido a secção parisiense deste último. Da sua obra, podem salientar-se dois volumes de crónicas, Lisboa (1908) e No Fado (1911), para além do conto História dum Morto (1914), e Le Portugal et la Guerre (1918), livro editado em França com tradução de Philéas Lebesque. Dedica também vários estudos a Camilo Castelo Branco, de que se destaca uma biografia do escritor, Camilo. A Sua Vida, o Seu Génio, de 1908."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/p/706-paulo-mendes-osorio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
20€
Reservado

28 agosto, 2025

LEITÃO, Arthur -
UM CASO DE LOUCURA EPILEPTICA.
[Por]... Medico pela Universidade. Lisboa, Proprietario e editor Arthur Leitão, 1907. In-8.º (21,5x15 cm) de 30, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra caluniadora, algo insólita. Trata-se de um ataque pessoal, rasteiro, do autor a João Franco, Presidente do Conselho na época, que reputa de desequilibrado, "culpa" da genética familiar.
Opúsculo raro, a BNP não menciona.
"Houve quem extranhasse que este «Relatorio» fosse pela primeira vez publicado num jornal politico - O Mundo.
Esse facto em nada altera, porém o rigoroso caracter scientifico do documento, e muito menos empalidece o valor das suas conclusões, até hoje incontestadas. [...]
Tinha o direito e o dever de o fazer.
Além de que que não é vedado a qualquer periodico, seja qual fôr o seu caracter ou indole politica tractar assumptos scientificos, e particularmente quando, como no caso presente, se ligam com o interesse publico geral. [...]
A publicação d'este «Relatorio», obedeceu, por conseguinte, sómente a um criterio ponderado de profilaxia social, que não admite hesitações, nem reservas, e está largamente justificada n'estas palavras bem singelas."
(Excerto de Duas palavras prévias)
"O Pae é um degenerado inferior com tendencias criminosas. É avarento. Desce resolutamente á prática do crime para obter dinheiro.
Na sua terra natal, e na sua provincia, é reputado como um bandido, e temido como um salteador.
As suas ladroeiras são conhecidas, e a maior parte dos seus crimes têem sido practicados como o auxilio e protecção do filho, garantindo-lhe pela sua elevada situação politica a impunidade. [...]
A Mãe era uma histerica e desequilibrada, acabando louca, em Lisboa, onde foi cuidada por varios medicos.
Os irmãos da mãe, tios do observado, foram trez, - todos anormaes.
Um d'elles, tipo fanfarrão, foi acusado de pretender envenenar a esposa, afim de se consorciar com outra mulher, com quem publicamente mantinha relações."
(Excerto de Antecedentes hereditarios)
"Antes do seu curso universitario, sabemos apenas que foi sempre um irritado, brusco e medroso, bisonho e beato.
Em Coimbra, onde concluiu o seu curso na faculdade de Direito, só foi conhecido pelas suas rusgas aos gatos, que denotavam manifestas tendencias criminosas, e em refregas nocturnas com os mais infesos habitantes da cidade, sempre cuidadosamente protegido pela valentia dos companheiros."
(Excerto de Antecedentes pessoaes)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

29 junho, 2025

G
ALLIS, Alfredo - A BURLA DO CONSTITUCIONALISMO. Autopsia á politica portugueza no actual momento historico. A pantomima, os pantomineiros e as pantominices do nosso mundo politico. 2.ª edição. Lisboa, Livraria Antonio Maria Pereira : Livraria editora e Officinas Typographica e de Encadernação Movidas a electricidade, 1907. In-8.º (19x12 cm) de 237, [3] p. ; E.
Análise corrosiva do ambiente político da época. O autor, jornalista e escritor de fino recorte humorístico, mais conhecido nas lides literárias pelos romances de matriz erótica que publicou no final do século XIX, princípios do século XX, crítica e põe a nu o jornalismo perverso, o clientelismo e os bastidores da política na capital.
Invulgar e muito interessante.
 "A obra do jornalista é ephemera embora civilisadora, e quem tiver assumptos de certa magnitude a tratar, e queira que elles perdurem na memoria dos povos, deve escolher de preferencia o livro ao jornal.
Eis o motivo porque em livro concretisei aquillo que muito facilmente poderis dizer em artigos jornalisticos... [....]
Desde que o jornal envaredou pelo campo da bisbilhotice do soalheiro, quer esse soalheiro seja um gabinete de ministro quer a humilde casa de um operario, a sua missão educativa e civilisadora ficou muito áquem do pensamento fundamental da creação da imprensa. [...]
Escreve-se sem sciencia nem consciencia, n'uma nojenta disciplina brutal que causa asco.
O jornalista politico em vez de orientar o seu partido e corrigir-lhe as demasias, applaude tudo e todos n'uma alacridade de palerma escravisado que indigna e revolta. [...]
Presentemente mesmo, ha pouquissimos jornalistas.
Em compensação abundam os industriaes da imprensa e os carpinteiros da mesma, que morrem sem ninguem os conhecer nem deixarem cousa que se veja, como succedeu a tantos que conheci nos começos da minha vida de jornalista.
A experiencia, unica e exclusivamente, me percaveu contra o destino fatal de todos os jornaes, aconselhando-me a que preferisse antes o livro que fica e se guarda, ao jornal que se lê e se atira para o lado ás vezes com um modo quasi despresivo.
N'este livro pois, deixo bem inpressas todas as considerações e criticas acerbas e desapiedadas, libertas de pressões partidarias, que me inspira o estado canceroso e putrido da politica portugueza n'este momento historico da nossa vida mundial como nação autonoma.."
(Excerto da introdução, Aos leitores)
Índice
:
Aos leitores. Duas palavras ácerca da vida. I - A Carta Constitucional. II - Os influentes politicos. III - Dynastias reinantes em Portugal no actual momento historico. IV - O juizo de instrucção criminal - a lei de 13 de Fevereiro, e o juiz Veiga. V - O jornalismo politico, o jornalismo industrial, o jornalismo amalandrado. VI - Politica de partidos e politica de portuguezes. VII - O que faz a Hespanha. VIII - Camaras municipaes e administradores do concelho. IX - A vida dos governos. X - O espetro do absolutismo. XI - Os processos da politica e a Ex.ma Sr.ª D. Maria Emilia Seabra de Castro. XII - O parasitismo. XIII - Alguns alvitres simples.
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais Anthony, Rabelais, Condessa do Til e Katisako Aragwisa. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo Rabelais. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal."
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. F. ante-rosto apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Muito invulgar.
25€

07 maio, 2025

SÁ, João Jorge Moreira de -
ACLARANDO A VERDADE (1910-1940).
Narrativa sucinta de quanto se passou a bordo do "Amélia" na ida para Gibraltar, no dia 5 de Outubro de 1910. [Por]... Vice-Almirante reformado. Lisboa, [s.n.], 1940. In-8.º (22,5x15,5 cm) de 77, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Depoimento de João Moreira de Sá, na época imediato do Yacht Real Amélia, que transportou D. Manuel II rumo ao exílio após a eclosão do movimento republicano de 5 de Outubro de 1910.
"Aclarando a Verdade constitui a principal fonte, cremos que a única conhecida, do que ocorreu no iate Amélia no dia 5 de Outubro de 1910, quando da grave opção posta à Família Real sobre o destino da viagem; seguir ou não para o exílio. Mesmo tratando-se de um depoimento pessoal, são textos desta amplitude que permitem aos historiadores compreender o horizonte de esperanças e inquietações com que o rei D. Manuel II se defrontou na hora em que viu o Trono derrubado. A narrativa do vice-almirante Moreira de Sá completa a que José Jacob Bensabat deixou no opúsculo A Verdade dos Factos [1929]."
(Excerto prefácio da edição mais recente do Prof. J. Veríssimo Serrão)
"Alguns amigos, conhecedores dos factos ocorridos a bordo do Yacht «Amélia», a 5 de Outubro de 1910, aconselharam-me e instaram comigo para que, no intuito de aclarar a verdade, relatasse na mais singela e absoluta pureza, quanto ali se passou.
É isso o que vou fazer.
Após vinte e quatro anos de pelourinho, fustigado mesmo por aquêles que sabiam como os acontecimentos se tinham dado e que, por escrúpulo de consciência, deviam sêr os primeiros a autenticá-los, aceitei os conselhos dêsses amigos e, com pesar, resolvi escrever esta resumida narrativa."
(Preâmbulo - Palavras curtas)
"Nos últimos dias do regime monárquico a propaganda republicana fazia-se com desplante e com audácia por todo o país, sem que a necessária repressão a entravasse.
Dir-se-ía que os poderes constituídos, se não a auxiliavam, também nenhuma espécie de importância lhe concediam.
Na imprensa, nos comícios, nos centros de conversação, nos clubes, nos cafés, semelhante propaganda fazia-se às claras, com pertinácia e audácia inacreditáveis, e com tanto maior incremento quanto era certo as autoridades consentirem-na em nome de uma liberdade que tocava as raias da licença e que, estabelecido o novo regime, nunca mais houve.
Sentia-se, palpava-se, pairava em densa atmosfera por tôda a parte e muito especialmente, nos quartéis, entre as guarnições dos navios, actuando no espírito da soldadesca, da marinhagem.
Fora dêste meio, onde quer que se formasse um grupo, aí estava ou surgia inesperadamente um missionário da república.
No Paço, os altos dirigentes afirmavam, todavia, que todo êsse torvelinho, propulsor a agitação do país, era absolutamente inofensivo, não passava de ridícula atoarda.
A família real acreditava nestas calmantes informações, talvez sinceras, mas que, impõe-se dizê-lo, eram demasiado ingénuas e condenadamente irreflectidas."
(Excerto da Narrativa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente manchadas.
Muito invulgar.
30€

02 janeiro, 2025

GANDRA, João Nogueira - RESENHA DIPLOMATICA DO PORTO,
contendo os Nomes de todos os Grandes do Reino, Titulares, Conselheiros, Fidalgos, Commendadores e Cavalleiros; Corporações Ecclesiaticas, e Scientificas; Tribunal da Relação; corpos Municipaes, e Cidadãos do Municipio; Consules; Empregados Publicos; Commissões Commerciaes, Honorificas, & & &. Residentes nesta Cidade ao tempo da vizita de S. M. F. a Rainha Senhora D. Maria II, que Deus guarde. Recopilada por..., que a dedica Á Exm.ª Camara Municipal. Porto: Typ. de J. N. Gandra & Filhos. 1852. In-8.º (15,5x10,5 cm) de V, [1], 50 p. ; B.
1.ª edição.
A pretexto da visita de D. Maria II ao Porto, o autor listou os nomes das personalidades das mais variadas áreas que "contavam" para a Cidade.
Obra rara e muito curiosa.
Inclui Copia do extracto do Ceremonial, segundo o Regimento do Senhor Rei D. Manoel, de 30 Agosto de 1502.
Com interesse para o conhecimento das formalidades - adereços e disposições - que sempre precediam e acompanhavam as visitas régias.
"Sendo as Ceremonias da Entrada dos Senhores Reis deste Reino sugeitas ao que se dispõe no Regimento do Snr. D. Manoel, de 30 d'Agosto de 1502, que é fonte d'onde dimanou o que teve lugar na entrada do Snr. D. João VI em Lisboa no anno de 1821, assim como da Senhora D. Maria II em 1833; e supposto que na Visita da mesma Augusta Senhora a esta Cidade do Porto em companhia de seu sempre chorado Pai, se aproximasse o ceremonial do que aquelle Regimento prescreve; - não ficando trabalho regular a seguir no futuro, - resolvemos publicar um extracto do Ceremonial que apontamos.
Como nelle se mencionão expressamente classes distinctas, - Fidalgos, Cavalleiros, Escudeiros, Mercadores, Povo &e, aproveitamos alguns trabalhos, que de tempos a esta parte confeccionamos com a tenção de dar um Almanak Diplomatico desta segunda Capital do Reino, no principio do anno seguinte.
A occasião não se póde deparar mais propria para tal publicação, como no tempo presente, em que Sua Magestade a Rainha, na companhia de seu Augusto Esposo, do Principe Herdeiro, e do Segundo Genito o Duque do Porto, vem honrar esta antiga, mui nobre, sempre leal, e invicta Cidade, com uma Visita.
Damos pois esta Resenha, que comprehende do Grande do Reino, aqui residentes, Titulares, Fidalgos, Corporações, e Pessoas conspicuas da Cidade; devendo declarar, que pela designação de Povo entendemos os Cidadãos, que ficão conservando tal nome, em rasão de haverem servido Cargos Municipaes."
(Excerto da nota de abertura)
"No lugar do desembarque ha de construir-se uma ponte de largura conveniente, com degráus e varandas ornadas.
No cabo da dita ponte será S. Mag. recebido debaixo do Pallio.
O Pallio, que será de seda preciosa tecida com flores de ouro e prata, será conduzido pelos tres Vereadores actuaes, tres do anno passado, um do precedente, e pelo Corregedor do Crime da Corte e Casa.
A Cidade sahirá a receber S. Magestade. Adiante hirá o Senado da Camara, precedendo-lhe o Procurador abrindo caminho, e o Vereador das Obras com as Chaves de ceremonia alçadas na mão direita, de modo que todos as vejão."
(Excerto do Ceremonial, segundo o Regimento do Senhor Rei D. Manoel...)
João Nogueira Gandra (Porto, 1788-1858). "Commendador da Ordem de Christo. Cavalleiro da de N. S. da Conceição, condecorado com a medalha n.° 2 da Campanha peninsular; ultimamente segundo Bibliothecario da Bibliotheca Publica do Porto. - N. na mesma cidade a 17 de Julho de 1788, e in. a 5 de Dezembro de 1858. - Consta que na sua mocidade pretendera seguir profissão da Medicina, porém contrariedades sobrevindas o impediram de concluir os estudos respectivos diz a seu respeito o jornal Braz Tizana n.° 284 de 13 de Dezembro de 1858.
De muitas poesias, discursos e outras obras, que compoz (segundo consta), e que seu filho determina publicar em collecção, apenas vi impressas em sua vida as seguintes, ignorando se mais algumas existem: O Segredo; canção improvisada no Porto em 5 de Dezembro de 1827, anniversario natalício do ex. mo sr. Marquez de Villa-flor. - Sem logar nem anno. 4.° de 6 pag.; Improviso recitado perante Suas Magestades Fidelíssimas e Imperiaes no theatro do Porto, quando esta cidade recebeu a honra de sua visita. - Sem logar nem anno. Meia folha de impressão; Ode heróica a Lord Wellington, por occasião da victoria de 30 de Julho de 1813. Lisboa, Imp. Regia 1813. 4.° de 10 pag.; Oração na inauguração do retrato de Sua Majestade Imperial sr. D. Pedro, duque de Bragança, na Real Bibliotheca Publica da cidade do Porto. Porto, Typ. de Gandra & Filhos 1841. 4.° de 28 pag., com uma estampa.
Foi em 1821 e 1822 redactor principal do periódico Borboleta Constitucional, publicado no Porto; e depois de 1833 collaborador da Chronica Constitucional, do Artilheiro, e de alguns outros jomaes."
(Inocêncio, T. III, 426 pp.)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa de protecção, lisa, simples, manchada, com título abreviado manuscrito, seguido da inscrição também manuscrita: "Lêtra de António Mascarenhas de Mancelos Valdez". Sem contracapa. Cantos vincados. Pelo interesse e raridade deve ser encadernado.
Muito raro.
100€

08 novembro, 2024

OSORIO, Antonio de Sousa Horta Sarmento -
A INSUBORDINAÇÃO DO VASCO DA GAMA
. Lisboa, [s.n.], 1906. In-8.º (22x16 cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Aclaração do advogado Sarmento Osório a propósito da sentença condenatória proferida contra parte da tripulação do cruzador Vasco da Gama, pelo levantamento ocorrido em Abril de 1906.
"A 13 de Abril de 1906 verificou-se uma amotinação de marinheiros dos cruzadores D. Carlos e Vasco da Gama, em protesto contra as condições de vida a bordo. O governo enviou o almirante Ferreira do Amaral que tentou a todo o custo pôr termo à insurreição, fazendo diversas promessas. A repressão foi dura ... 41 reclusões de 15 a 20 anos e deportações para as colónias, além de penalidades menores."
(Fonte: https://www.portosdeportugal.pt/detail.php?nID=8291)
"As sentenças do tribunal de S. Julião da Barra, que o Supremo Conselho vem de confirmar, deixaram em todo o paiz uma funda impressão de dó.
Esperava-se, é certo que os marinheiros accusados fossem condemnados; toda a gente pensava que as auctoridades superiores da armada, porventura principaes culpadas da indisciplina dos marinheiros, haviam de fazer cahir sobre elles todo o pezo d'uma justiça, a que bom é não chamar vingança. E no entanto ninguem esperava tanto. Quando a primeira sentença foi conhecida deixou em todos uma impressão de pasmo. Era demais!
E a simples expectativa ansiosa com que a opinião seguia o caso dos marinheiros, transformou-se de golpe n'um intenso movimento de protesto e de revolta.
Uma esperança ficava ainda: o Supremo Conselho, esse tribunal venerando de velhas reliquias do nosso passado militar, de cujas almas parecia que o bater dos annos devia ter varrido de todo os feros pruridos d'uma disciplina de chicote.
Essa esperança cahiu tambem.
Resta agora levar ao conhecimento da opinião aquillo que ella ainda ignora."
(Excerto do preâmbulo)
"O processo do «Vasco da Gama» foi, como não podia deixar de ser, deploravelmente organisado.
Na noite em que rebentou a insubordinação havia a bordo uns oitenta marinheiros. Vieram ao tribunal vinte e cinco. Crê alguem que, se os cincoenta e cinco restantes não tivessem tido a mais pequena participação no movimento, e se tivessem posto ao lado dos officiaes, a insubordinação podesse ter continuado?"
(Excerto de Organisação viciosa do corpo de delito)
Índice:
[Preâmbulo] | Organisação viciosa do corpo de delito | Como se apreciou a prova | A graduação das penas applicadas | A defeza nem quesitada foi! | Conclusões.
António de Sousa Horta Sarmento Osório (Lousã, 1882 - Lisboa, 1960). "Foi um advogado, professor universitário, ferroviário, jornalista, desportista, atleta olímpico, escritor e político português. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra a 27 de Junho de 1903. Na política, pertenceu ao Partido Progressista, e chegou ao Parlamento eleito Deputado pelo Círculo Eleitoral Plurinominal de Vila Real em 1905, de que prestou juramento a 10 de Abril de 1905. Em 1910, voltou a ser sufragado neste Círculo Eleitoral e, também, no Círculo Eleitoral Plurinominal da Horta, mas nunca chegou a tomar posse, em virtude da Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910. Abriu banca de Advogado e fez carreira na Advocacia, estando ligado a alguns processos relacionados com a banca, foi também Professor Universitário de Economia Política na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Publicou três obras, vários trabalhos sobre Matemática Aplicada, sobre questões jurídicas, etc, e diversos opúsculos sobre temas jurídicos, sendo uma delas respeitante à insubordinação no navio Vasco da Gama, ocorrida a 13 de Abril de 1906, em que defendeu os marinheiros insurretos, e cuja receita de venda se destinou às famílias dos condenados."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado; contracapa ligeiramente enrugada.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

18 setembro, 2024

F. J. Q. -
CARTA CONSTITUCIONAL, OU AVISO AOS ENCAUTOS, E REMEDIO PARA OS CORCUNDAS. Por...
Lisboa, Na Tipog. de R. J. de Carvalho, Livreiro aos Paulistas N.º 54 55, [1826?]. Com licença. In-8.º (16x11 cm) de [2], 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Elogio à Constituição de 1826, que o autor reputa de 'Religiosa, Cómoda e Precisa', explicando de seguida os três "pilares" que suportam o Documento. O final do livro é preenchido com um Soneto e uma Fábula relacionados com o assunto.
"A Constituição de 1822 foi aprovada em 23 de setembro de 1822 e esteve em vigor apenas até maio de 1823, quando se deu o golpe da Vilafrancada. No entanto, é uma marca do liberalismo português e será sempre uma referência para os liberais mais progressistas, conhecidos como vintistas. [...]
Após a morte de D. João VI sucedeu-lhe D. Pedro IV, imperador do Brasil. D. Pedro estava disposto a conciliar a sociedade portuguesa dentro do quadro liberal e avançou com um novo texto constitucional: a Carta Constitucional de 1826. Este texto era bastante mais moderado. Desde logo ele nasce da vontade real e não da legitimidade da Nação. A separação dos poderes é mantida, mas ao executivo, legislativo, judicial foi acrescentado um quatro poder, privativo do rei: o poder moderador."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/explicador/as-constituicoes-liberais-de-1822-e-1826-h64/)
Raro e muito interessante. Nada foi possível apurar acerca desta obra, nem do seu autor (José Agostinho de Macedo?), por ausência de referências. A Biblioteca Nacional não menciona.
"São, meus caros Compatriatas, tres as essenciaes caracteristicas, que parece deverem adornar a Constituição Politica de 1826; e vereficadas essas, nada nos resta a duvidar do pleno acolhimento, em que ella deverá ter em nossos Corações.
Religiosa, Commoda, e Precisa, eis o caracter, que eu vos passo a demonstrar existe em tal Constituição; e se possivel me fôr satisfazer com evidencia, perguntarei então, que outra desejarieis?
Nasceo o primeiro Ente, e pouco depois desgraçadamente experimentou as necessidades, e exigencias, a que, como vivente, se achava sujeito: conheceo tambem a fragil Constituição de que era formado, e por isso a pequenez de suas idéas, das quaes não devião absolutamente depender as suas acções; mas antes exigião, que huma mais sábia mão amparasse o contínuo desvario, a que a sua fraqueza o conduzia. Desde então pois vio este primeiro mortal a debilidade de suas forças, e a sua propagação observou os differentes sistemas de que se compunha, e vio por conseguinte engenhos de diversa presteza, e que naturalmente serião por isso de differentes capacidades, e varias propensões.
Desde este momento se conheceo que nos vindouros estas differentes Constituições devião ser redigidas por huma superior, que modificasse as exaltadas, e ampliasse as mais parcas, desde então, digo, se estabelecêrão homens prudentes, e dignos do Sagrado Cargo, que se lhe confiava, sem que até hoje Potencia alguma negasse a necessidade de semilhante Instituição; de sorte que, ou chamando-lhes Reis, ou Representantes da Nação os mesmos Filosofos antigos assim o julgárão, comparando-os com o Sol, Rei dos Planetas, e luz de todos elles..."
(Excerto de Carta Constitucional...)
Índice:
Censura, que a este opusculo fez o Reverendo Padre José Agostinho de Macedo, em virtude da qual teve a competente licença. | Prologo ao Leitor | Carta Constitucional ou aviso aos incautos, e remedio dos corcundas | Soneto | Fabula - O moxo enfermo.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Com humidade transversal a todo o livro e falhas marginais, com maior incidência na última folha. Deve ser aparado.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
25€

17 janeiro, 2024

VILHENA, Julio de – ANTES DA REPUBLICA. (Notas autobiográficas). Volume I (1874--1907). [Volume II (1908--1910)]. Coimbra, França & Armenio-Editores, 1916. 2 vols in-8.º (22 cm) de 423 p. e 526, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo histórico para os acontecimentos que antecederam a instauração da República em Portugal. Obra em 2 volumes (completa).
Dedicatória autógrafa do impressor a Ricardo Malheiros na f. ante-rosto do Vol. I, e rubrica do impressor na f. ante-rosto do Vol. II.
Júlio Marques de Vilhena (1845-1928). "Nasceu a 28 de Julho de 1845 em Ferreira do Alentejo. Aos 19 anos entrou na Universidade de Coimbra para cursar Teologia. Dois anos passados abandonou os estudos teológicos, matriculando-se na Faculdade de Direito, curso que concluiu em 1871. Filiou-se no Partido Regenerador. Foi eleito pela primeira vez para a Câmara Baixa em Julho de 1874. Em 1876, fixou residência em Lisboa, onde abriu banca de advogado, tendo sido sucessivamente eleito deputado em 1883 e em 1884. No ano seguinte, entrava para a Câmara Alta, pelo círculo da Guarda, passando a par do reino vitalício em 1890. Foi ministro cinco vezes no decénio de 1881-1891 (da Marinha e do Ultramar e da Justiça e Negócios Eclesiásticos), aplicando reformas renovadoras e progressivas no sentido da descentralização, sem enfraquecimento do poder real. Em 1907 foi eleito para chefe do Partido Regenerador. Com a queda do regime monárquico retirou-se da vida política activa. Foi presidente do Supremo Tribunal Administrativo. Morreu em Lisboa a 27 de Dezembro de 1928."
(Fonte: fmsoares.pt)
Exemplares brochados, por abrir, em bom estado geral de conservação; o Vol. II apresenta falha de papel de relevo na lombada e ausência da capa posterior.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

20 outubro, 2023

COSTA, Dr. Affonso -
O MONOPOLIO DOS TABACOS EM PORTUGAL.
O Julgamento no Tribunal do Commercio do processo requerido pela «Banque de Paris et des Pays Bas» para suspensão das deliberações tomadas na assembleia geral da Companhia Portugueza de Phosphoros de 27 de junho de 1904. Allegações e documentos offerecidos por parte da Companhia pelo seu advogado... Lisboa, [s.n. - Officinas Typographica e de Encadernação, movidas a vapor, da Parceria A. M. Pereira - Lisboa], 1904. In-4.º (26,5 cm) de 67, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Peça jurídica de Afonso Costa - insigne figura da República - relativa à denominada Questão dos Tabacos.
"No terceiro quartel do século XIX, era esta a principal indústria do país, relativamente ao valor total da produção. Aliás, como reflexo deste facto, as políticas protecionistas sobre a indústria do tabaco continuaram a ser discutidas até 1927. A questão da renovação do monopólio, colocada em 1904, arrastou a queda de dois governos, até que em 1906 foi celebrado um contrato com a Companhia dos Tabacos de Portugal.
Este monopólio foi de novo discutido em 1926, na viragem política do 28 de maio, sendo decidida a reorganização do monopólio, através da fundação de duas empresas que passavam a partilhar a produção e a venda deste produto com a Companhia dos Tabacos de Portugal: eram elas a Companhia Portuguesa de Tabacos e a Tabaqueira."
(Fonte: infopédia)
"A Companhia de Tabacos de Portugal (na qual entravam 70% de capitais estrangeiros, sobretudo franceses) foi constituída em 1891, conseguindo do Estado o monopólio da indústria e do comércio dentro do país. Em 1904, estava o Partido Regenerador no poder, o seu dirigente, Hintze Ribeiro, decide mexer no contrato dos tabacos, cujo monopólio é, então, detido pelo conde Henry de Burnay. O ministro da Fazenda, Teixeira de Sousa, demite-se. Os progressistas fazem guerra ao Governo, que é forçado a demitir-se, em Outubro desse ano. A rotação partidária leva Luciano de Castro a primeiro-ministro em 1905. Este novo Executivo acabará por renovar o contrato de concessão a Burnay, em 1906, por mais vinte anos. Desgastado por esta e por outras questões, este novo Governo cai, ainda nesse ano. Os protestos contra o contrato dos tabacos serão acompanhados por "vivas" à República."
(Fonte: https://expresso.pt/dossies/dossiest_actualidade/dos_regicidio/glossario=f232164)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
25€

18 setembro, 2023

SILVA, Cesar da -
A DERROCADA DE UM TRONO
. Cronica dos dois ultimos reinados em Portugal (1889-1910). Lisboa, João Romano Torres, 1922. In-8.º (19x12,5 cm) de 384 p. ; E.
1.ª edição.
História do último período da monarquia constitucional portuguesa, respeitante aos reinados de D. Carlos I e seu filho,  D. Manuel II, que precederam a instauração da República.
"Pouco depois das onze horas do dia 19 d'outubro de 1889, as fortalezas de Lisboa e os navios de guerra, surtos no vasto estuario do Tejo, puzeram as bandeiras a meia haste e o troar da artilharia começou a marcar lugubremente os quartos de hora.
O rei D. Luiz falecera, após dolorosos sofrimentos, no palacio da cidadela de Cascaes. [...]
Não produziu extranheza em ninguem a morte do monarca, porque era caso já esperado. Tão pouco causou magua, pois o tempo das veementes dedicações pela monarquia tinha já passado. Alem dos seus mais achegados, ninguem decerto lhe chorou a perda.
A realeza, entre nós, começava já a estar bastante decaída. Havia, sim, por essa época, na maioria do publico, ainda um certo espirito de conservantismo, que adoptava, como coisa necessaria, a continuação da monarquia, mas já sem fanatismo... nem demasiado interesse.
Uma consequencia da inercia aplicada ás idéas, e nada mais. [...]
O sucessor do rei morto foi seu filho D. Carlos, que já a esse tempo contava vinte e seis anos. Do casamento de D. Luiz com D. Maria Pia houvera apenas dois fructos, o herdeiro do trono e outro um pouco mais novo, chamado Afonso Henriques."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação em percalina com rótulo e letras a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

05 junho, 2023

SÁ, Mário de Vasconcelos e - 31 DE JANEIRO : 1891. Porto, Editado pela Comissão das Comemorações, [1956]. In-4.º (23x17 cm) de 16 p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Folheto comemorativo da revolta de 31 de Janeiro de 1891, primeiro movimento revolucionário que eclodiu no Porto, tendo por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal.
Opúsculo muito ilustrado com desenhos e fotogravuras alusivas aos acontecimentos, sendo uma delas em página inteira: Emigrados politicos em Hespanha.
"A causa próxima e directa da eclosão do movimento de 31 de Janeiro de 1891 foi a consciência do contraste entre uma Pátria, forte e digna, que abrira à Europa e, em particular à Inglaterra, as estradas dos Oceanos e as portas do Oriente, e a Pátria de então, que cedeu, com humilhação e opróbrio, à brutalidade do "Ultimatum" inglês.
Mais uma vez o Porto assumiu, heróica mas isoladamente, as responsabilidades que lhe cabiam como capital cívica do país. O Porto salvou a honra da nação. Viu-se que nem tudo estava perdido. E o malôgro dos precursores acendeu uma chama de esperança, que não voltou a apagar-se."
(Excerto de Causas da eclosão e do malôgro)
índice:
Causas da eclosão e do malôgro, por Jaime Cortesão | A Revolução de Trinta e Um de Janeiro : o panorama político português à data da aclamação de D. Carlos | As aspirações de Cecil Rodes e o "Ultimatum" | A Nação reage | A «Liga Liberal» e o Governo | Na véspera da revolução | Madrugada do dia 31 de Janeiro: a revolução e a concentração das forças republicanas | A proclamação da República e do Governo Provisório | A Guarda Municipal ataca | O rescaldo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil, algo oxidado.
Muito invulgar.
Indisponível

04 junho, 2023

AO PARLAMENTO PORTUGUEZ.
Representação dos Filhos de S. Thomé. Lisboa, Typ. da Pap. Estevão Nunes & Filhos, 1908. In-8.º (22,5 cm) de XXIII, [1], 142, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Protesto veemente dos colonos de S. Tomé, devidamente fundamentado, dirigido ao Parlamento da Nação.
"Na exposição que vamos fazer sobre o que tem sido a administração na Provincia de S. Thomé, propositadamente nos abstemos d'apreciar a forma porque as differentes auctoridades têm cumprido os seus deveres.
Não curamos das pessoas, mas apenas do que ellas custam.
Como contribuintes vimos protestar contra os impostos iniquos que tendem a esmagar a população nativa da provincia, matando-a á fóme.
Como eleitores vimos perante o parlamento expôr o mal e pedir o remedio que é seu dever dar-lhe."
(Excerto de preâmbulo)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Ténue mancha de humidade atinge marginalmente primeiras 4 folhas do livro.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

15 dezembro, 2022

MACHADO, Bernardino - A CONCENTRAÇÃO MONARCHICA
. Lisboa, Typographia do Commercio, 1908. In-8.º (19 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Alocução de Bernardino Machado, futuro presidente da República, referindo-se de forma crítica, mas apaziguadora, ao regicídio ocorrido no Terreiro do Paço a 1 de Fevereiro desse ano, onde sucumbiram el-rei D. Carlos e o seu filho primogénito (e herdeiro ao trono), D. Luís Filipe; o autor lamenta as mortes, inclusive dos perpetradores do atentado.
"Não tendo podido, por doença, falar em publico desde a tragedia de 1 de fevereiro que, sobreviu ao mez terrivel de janeiro, as minhas primeiras palavras serão de piedade por todos os que nesse dia memoravel perderam a vida. Dois, o principe Luis Filippe e o caixeiro João Sabino eram ainda quasi umas creanças, e nada ha mais tocante para o coração dum pae do que o espectaculo da morte dos novos, que são a esperança de futuro das suas famillias. Dos outros tres nenhum era uma creatura vulgar. Inimigos, lutando em campos opostos, numa coisa se pareciam; expunham-se com o maior denodo pela sua causa. O rei, simples no seu trato como um guerreiro, dum sangue frio imperturbavel, levava bravamente a sua audacia até ás extremas temeridades; Buiça e Costa, dois lutadores heroicos. De nenhum dos tres a morte me podia ser indifferente. Buiça e Costa, por mais longe que estivessem de mim, que tenho sido sempre um moderado - fui-o como monarchico, sou-o como republicano - e embora não estivessem filiados no partido republicano, eram soldados do grande exercito português a que todos os liberaes ultimamente pertenciamos. [...]
Ha dois pontos de vista moraes para julgar a tragedia do Terreiro do Paço. Numa sociedade em paz, Buiça e Costa teriam sido uns assassinos e o seu acto cruento mereceria o nome dum atentado. Mas numa sociedade em luta, com o povo ofegante sob a opressão do poder, à la guerre comme à la guerre! Ora quem póde contestar que a nação estava ultimamente em guerra com o seu chefe?"
(Excerto do discurso)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

13 julho, 2022

PASSOS, Annibal - A TRAGEDIA DE LISBOA E A POLITICA PORTUGUÊSA
. Editores: Porto, Emprêsa Litteraria e Typogr. - Rio de Janeiro, Francisco Alves & C.ª, 1908. In-8.º (19 cm) de 322, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Análise da situação política nacional após, e na sequência do regicídio.
"A tragedia de Lisboa, que em 1 de fevereiro de 1908 victimou S. M. El-rei D. Carlos I, e seu filho, o principe real D. Luiz Filippe, pelas circumstancias em que se produziu, é uma monstruosidade sem precedentes na Historia de todos os povos civilizados.
A proximidade a que nos encontramos d'ella, á hora de traçar estas linhas, se nos permitte sentir todo o justificado horror que inspira a quem tem senso e tem coração, não nos consente apreciar com exactidão e medir rigorosamente as suas consequencias.
Todavia, e oxalá que o futura desminta previsões que consideramos bem fundadas, essas consequencias, ao nosso amor patrio alarmado, afiguram-se funestissimas.
Difficuldades de ordem interna e externa, prejuizos materiaes e moraes inevitavelmente irremediaveis, com certeza o nome português considerado ignominia no mundo, e possivelmente a perda da nossa independencia - eis a obra fatal das balas disparadas por alguns desvairados fanaticos, - os menos responsaveis, - acirrados e transviados por uma propaganda de bandidos - os verdadeiros criminosos. [...]
A morte crúa d'El-rei D, Carlos e de seu filho o principe D. Luiz Filippe foi para nós uma barbaridade, uma imbecilidade e uma injustiça."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Primeira Parte - A Tragedia de Lisboa: Introducção. | I - A Barbaridade; II - A Imbecilidade; III - A Injustiça; IV - As virtudes do Rei; V - Os erros do Rei; VI - João Franco; VII - Governo liberal de João Franco; VIII - Senhor.
Segunda Parte - A politica portuguêsa: I - O sentimentos do partido republicano; II - A ideia do partido republicano; III - Os homens do partido republicano; IV - Desvantagens da Republica; V - Inconvenientes da existencia do partido republicano; VI - O Rotativismo; VII - A Solução; VIII - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas marginais.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

04 dezembro, 2021

OLIVEIRA, J. Fernandes d' - O GRANDE PROBLEMA NA CONFERENCIA SOCIALISTA DE COIMBRA. A attitude do partido socialista perante a acção e propaganda dos partidos monarchicos e republicanos. Concentrações politicas. Cooperativas. 2.ª Sessão Publica da Conferencia em 16 de Junho de 1901. Gaya, Typ. de Francisco Martins Barboza, 1901. In-8.º (20,5 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante peça histórica relacionada com o Partido Socialista, organização partidária criada em 1875 por Azedo Gneco, Antero de Quental, Nobre França e José Fontana, entre outros, com a designação "Partido Socialista Português". Trata-se do relatório da conferência organizada para debater a estratégia a seguir face ao delicado contexto político da época, e ao cooperativismo - tema caro ao partido.
"O partido socialista encara a sua acção e o seu programma em face do programma e acção moral, politica e economica dos partidos monarchicos, não póde manter em face d'elles outra attitude que não seja a da mais completa e absoluta intransigencia. Não pretende, porventura, o partido socialista a abolição de todos os privilegios com o estabelecimento d'uma sociedade nova onde todos os seres humanos tenham o seu logar? Pois moral, politica e economicamente, os partidos monarchicos, seja qual fôr o rotulo liberal ou conservador que elles adoptem para uso das clientellas respectivas, são absolutamente incompativeis com o Ideal socialista. [...]
Radicaes ou moderados, os programmas republicanos não resolvem a questão social. A fórmula republicana burgueza, que se sustenta ser o unico remedio para os males que ora affligem esta nacionalidade, não resolve entre nós o problema da miseria; isto é: - com a implantação da republica burgueza não terá sido concluida a missão do partido socialista."
(Excerto de Fixação da attitude do partido socialista perante a acção e propagando dos partidos monarchicos e republicanos)
Matérias:
Duas palavras. | I - Fixação da attitude do partido socialista perante a acção e propagando dos partidos monarchicos e republicanos. | II - O que valem em principio as concentrações politicas? III - Qual a melhor fórma do partido levantar as sua cooperativas e de as guiar no Ideal Socialista? | Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
A BNP tem registado 1 exemplar na sua base de dados.
Com interesse histórico e político.
20€

28 maio, 2020

COSTA, Affonso - DISCURSOS PROFERIDOS NAS SESSÕES DE 13 E 19 DE MAIO DE 1908 NA CAMARA DOS DEPUTADOS. Attittude do partido republicano perante o novo reinado e Necessidade da extincção do juízo de instrucção criminal. (Publicação inteiramente conforme com a do Diario Official). Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira & C.ta, 1908. In-8.º (22,5 cm) de 88 p. ; B.
1.ª edição.
"O partido republicano, que tenho a honra de representar nesta Camara, não esquece que estamos ainda em monarchia, e por isso não commette a ingenuidade de pedir aos monarchicos que façam a republica. [...] Á monarchia, ao novo reinado e ao governo que o representa, nós só exigimos e reclamamos, como é nosso impreterivel direito e dever, que governem patriotica, economica e liberalmente. E se o fizerem, não abateremos bandeiras, visto ser a republica preferivel, theorica e praticamente: theoricamente, porque se harmoniza com a razão e com a sciencia; praticamente, porque, em todo o caso, só sob ella se realizará o verdadeiro regimen patriotico, economico e liberal, que convem á nação portugueza."
(Excerto de Attittude do partido republicano perante o novo reinado)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Texto sublinhado a lápis.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 maio, 2020

MOURA, Carneiro de – A MULHER E A CIVILISAÇÃO. Estudo historico, economico e juridico da evolução parallela dos sexos. Por... Lisboa, Secção Editorial da Companhia Nacional Editora, 1900. In-8.º (19,5 cm) de 216 p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo histórico e sociológico sobre o feminismo, seguramente dos primeiros que sobre este assunto se publicaram entre nós.
No derradeiro capítulo, o autor apresenta soluções para outros tantos problemas: do divórcio, das condições morais do casamento, o mundanismo precoce na mulher, reformas feministas, os salários das operárias, a intriga política, os partidos em Portugal, "os nossos homens de Estado", etc.
"Uma das questões do nosso seculo, acusada exuberantemente na literatura contemporânea, é a da emancipação da mulher. […]
A emancipação da mulher?
Mas emancipar a mulher de que ou de quem?
Emancipal-a do trabalho?
Não, que a mulher do nosso seculo, a que pretende emancipar-se, queixa-se de que o homem lhe prohibe o trabalho e por isso a honestidade.
Emancipação da familia? Façamos justiça a este movimento do nosso tempo que se chama o feminismo. A mulher não pretende emancipar-se da família, antes reivindica para si a integração na sociedade familiar.
Não cuida em emancipar-se da intelligencia do homem, antes pretende approximar-se d’ella e comprehender o seu genio.
Não pensa a mulher em abdicar dos sentimentos maternaes, mas pretende que não lhe arranquem do seu seio os filhos para a transformar n’um torpe objecto de luxo imoral.
De que se quer então emancipar a mulher?
Da ignorancia."
(Excerto do Capítulo I, O Feminismo)
João Lopes Carneiro de Moura (1868-1944). Nasceu em Montalegre. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. "Foi advogado e professor do ensino secundário. Foi deputado por Montalegre. Fundou e dirigiu o Jornal Liberal, em 1901. Chefe de Repartição na Direcção Geral da Segurança Pública e da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, cargo de que se aposentou em 1927. Colaborou em vários jornais e revistas."
Exemplar brochado (capas simples, lisas) em bom estado geral de conservação. sem f. anterrosto.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

02 maio, 2020

GNECCO, Azedo - DEFINIÇÕES E ESCLARECIMENTOS. Por... Lisboa, Instituto Geral das Artes Graphicas, Sociedade Cooperativa Limitada, [190-]. In-8.º (15 cm) de 14, [2] p. ; B. Bibliotheca Socialista, N.º 5
1.ª edição.
Raríssimo opúsculo da autoria de Azedo Gneco, membro fundador do Partido Socialista Português, cuja acção política e pedagógica não teve divulgação impressa. Tanto quanto foi possível apurar, não existe bibliografia conhecida do destacado dirigente socialista.
"Convencionou-se chamar movimento operario ao conjuncto de esforços pela remodelação egualitaria das sociedades, hoje baseadas na preponderancia do Capital. Este movimento, empirico e apaixonado nos seus primeiros dias, como o fôra durante o largo periodo da sua gestação, tornou-se ultimamente scientifico, positivo e tranquillo, tendo adquirido todos os elementos componentes do seu triumpho e da estabilidade da sua victoria."
(Excerto de Individualismo e Socialismo)
Matérias:
Individualismo e Socialismo. | A acção politica. | A Republica Social : palestra.
Eudóxio César Azedo Gneco (1849-1911). "Nasceu em Samora Correia (Benavente) em 1849 e faleceu em Lisboa a 29 de Junho de 1911. Foi gravador de profissão, medalhista e aprendiz de escultor e a partir de 1865 trabalhou como operário gravador na Casa da Moeda de Lisboa. Em 1871, na sequência da visita a Lisboa de três dirigentes socialistas espanhóis, vindos como emissários da Associação Internacional dos Trabalhadores (I Internacional), aderiu às ideias revolucionárias defendidas por aquela associação. Participou no esforço conjunto com a Fraternidade Operaria (FO), liderada por José Fontana, tentando levar a cabo em Portugal um trabalho de organização e teorização revolucionária do proletariado. Com esse objectivo, colaborou intensamente no Pensamento Social, o jornal da Fraternidade Operária. Estabeleceu contactos próximos com a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), sendo, em 18 de Março de 1873, eleito secretário-geral da Associação Socialista, a secção lisboeta da AIT. Dando seguimento às orientações do Congresso de Haia, a 10 de Janeiro de 1875, foi um dos fundadores do Partido Socialista Português, aderente à Primeira Internacional, de orientação marxista, mas com forte presença federalista e proudhoniana. Durante a década de 1870, Azedo Gneco manteve relações epistolares com Karl Marx e com Friederich Engels. Manteve-se na liderança do partido até 1878. Em 1896 participou como delegado português no Congresso Socialista realizado em Londres. Regressou à estrutura dirigente do socialismo português em 1895, já numa facção dissidente, passando em 1905 a fazer parte da Federação Regional do Sul do Partido Socialista Português, da qual foi dirigente em 1907, 1909 e 1910. Azedo Gneco foi por diversas vezes candidato a deputado, mas nunca conseguiu os votos necessários para ser eleito."
(Fonte: centeneariodarepublica.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP, ou em qualquer outra fonte bibliográfica.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 março, 2020

COMPILAÇÃO DE PRECEITOS, USOS E COSTUMES INDIGENAS. Lourenço Marques, Imprensa Nacional, 1908. In-4.º (25,5 cm) de 17, [3] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Legislação referente à Colónia de Moçambique, produzida pela Secretaria dos Negócios Indígenas, em Lourenço Marques - Novembro de 1908.
"A successão ao regulado pertence ao filho da Nkosikase, que nalguns regulados não é a primeira mulher do regulo, mas sim a casada com o dinheiro do povo."
(Cap. I, 1.º, Dos regulos)
"É permittida a homens e mulheres a pratica de medicina indigena, mediante remuneração.
Nenhum curandeiro de qualquer sexo pode praticar a sua arte sem licença do administrador.
Esta licença só pode ser concedida depois da consulta favoravel do regulo a que o curandeiro pertence.
O curandeiro que exercer a sua arte sem se ter munido da respectiva licença, será punido.
O curandeiro que for encontrado incurso neste numero, perde o direito a pedir o pagamento de tratamento que tiver feito a indigenas doentes.
Qualquer indigena, curandeiro ou não, que, de alguma forma, tentar vender ou venda filtros amorosos ou bebidas toxicas, e quando isso se prove, será mandado prender pelo administrador, que lhe cassará a licença, se a tiver, e lhe confiscará e destruirá os filtros e outras drogas similhantes que estejam em seu poder ou de outro indigena, impondo-lhe a responsabilidade criminal em que tiver incorrido."
(Cap. XI, Dos curandeiros, 83.º; 84.º; 85.º; 86.º)
Matérias:
I - Dos regulos. II - Dos chefes de povoação. III - Do domicilio. IV - Regras e disposições sobre a constituição da familia. V -  Da herança e successão. VI - Do casamento. VII - Do dote de casamento («Lobolo»). VIII - Dos deveres dos conjuges. IX - Separação ou annullação do casamento (divorcio). X - Da tutela. XI - Dos curandeiros. XII - Das perdas e damnos. XIII - Dos contractos de deposito. XIV - Da prova testemunhal. XV - Da compra e venda em geral. XVI - Considerações geraes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP (Biblioteca Nacional).
20€

09 setembro, 2019

LISBOA 1821. A Cidade e os Políticos. Projecto: Seminário Livre de História das Ideias (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa). Direcção: Zília Osório de Castro. [Lisboa], Livros Horizonte, 1996. Oblongo (24x22 cm) de 257 p. a 2 cols, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo académico histórico-sociológico.
Muito ilustrado no texto com retratos, desenhos e fotografias a p.b.
"As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, também frequentemente designadas por Soberano Congresso e conhecidas na historiografia portuguesa como Cortes Constituintes de 1820 ou Cortes Constituintes Vintistas, foram o primeiro parlamento português no sentido moderno do conceito. A sua base estava, em grande parte, idealizada nas antigas Cortes Gerais, só que o sistema de votação para designar os seus delegados agora e era diferente, e não estariam mais separados os três tradicionais estamentos feudais (Clero, Nobreza e Povo).
Criado na sequência da Revolução Liberal do Porto para elaborar e aprovar uma constituição para Portugal, os trabalhos parlamentares deste órgão decorreram entre 24 de Janeiro de 1821 e 4 de Novembro de 1822 no Palácio das Necessidades, em Lisboa. Das suas sessões saíram profundas alterações ao regime político português e foram iniciadas reformas que teriam no século seguinte um enorme impacto sociopolítico. Os trabalhos das Cortes Constituintes culminaram com a aprovação da Constituição Portuguesa de 1822."
(Fonte: wikipédia)
"Em Janeiro de 1821 chegaram a Lisboa cerca de cem deputados eleitos no mês anterior para formarem a primeira assembleia constituinte portuguesa. Escolhidos pelos eleitores do Minho, Trás-os Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarve tinham por função primordial elaborar uma Constituição que, daí em diante, regesse a vida política do país. Os trabalhos iniciaram-se no dia nos finais do primeiro mês do ano e prolongaram-se, sem interrupção por cerca de dois anos. Durante este lapso de tempo juntaram-se àquele núcleo inicial os eleitos pelas Ilhas Adjacentes e pelo Ultramar que chegaram a tempo de tomar assento nas Cortes. A Constituição foi jurada em Setembro de 1822. Feitas as eleições para a assembleia legislativa ordinária iniciaram-se os trabalhos de 1 de Dezembro e terminaram na data constitucionalmente prevista - Março de 1823. A gravidade da situação decorrente da pressão de forças antivintistas levou à reunião extraordinária das Cortes em 15 de Maio e teve o seu epílogo na Vilafrancada. Pôs-se, assim, termo à experiência vintista, ou seja, à primeira organização constitucional do estado sob os auspícios do liberalismo.
A reunião das Cortes marcou o dia a dia da vida de Lisboa como o sinal do ineditismo e ainda com a presença durante considerável lapso de tempo de um número apreciável de personalidades oriundas das diversas partes do país. Estas tinham, sem dúvida, os seus locais privilegiados de sociabilidade, cafés, livraria, etc... Mas foram igualmente notícia onde quer que tivessem fixado residência. O pólo aglutinador do interesse dos "actores" e dos "espectadores" era o Convento das Necessidades cuja biblioteca fora adaptada para a sala de sessões. Para lá se dirigiam dia após dia os deputados eleitos, imprimindo um movimento desusado naquela direcção e despertando a atenção ao longo do percurso. Conhecer quem eram esses homens, a localização das casas que lhes serviam de habitação e os trajectos eventualmente utilizados permite caracterizar um aspecto de Lisboa no ano de 1821, e ao mesmo tempo, estabelecer o elo de ligação entre a Cidade e os Políticos. Por outro lado, a casa é elucidativa quanto ao género de opção do inquilino, o tipo de oferta, e, por vezes, ao apoio encontrado na capital. Permite, além disso, uma visão particularizada da arquitectura urbana na época. Pena é que a falta de dados não permita situar os deputados das Ilhas Adjacentes e de Além-Mar neste contexto, e obrigue a circunscrever a análise aos representantes da metrópole."
(Excerto da Nota prévia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito curioso.
Com interesse olisiponense.
25€