MASON, James - CATALOGO DOS OBJECTOS PERTENCENTES Á MINA DE S. DOMINGOS. Exhibidos na Exposição Internacional do Porto em 1865. Por..., Engenheiro e Director Gerente. Lisboa, Typ. da Sociedade Typographica Franco-Portugueza, 1865. In-8.º (22,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Notável subsídio para a história da Mina de São Domingos, importante pólo mineiro alentejano localizado no concelho de Mértola, redigido por um dos seus proprietários - James Mason.
"A tradição mineira na zona de São Domingos remonta aos Fenícios e Cartagineses e, depois destes aos Romanos, cujo labor mineiro se estendeu desde o inicio do séc. I até aos finais do séc. lV, sendo o seu principal objetivo a extração de cobre, ouro e prata.
A exploração mineral no local de São Domingos é anterior à invasão romana da península Ibérica, período em que os trabalhos se intensificaram com a exploração do "chapéu de ferro" que cobria a massa piritosa, para a exploração de cobre, ouro e prata.
Em 1858 tem início a moderna exploração da mina, por iniciativa da companhia de mineração "Mason & Barry". Os trabalhos prolongaram-se até 1965, ano de esgotamento do minério e de encerramento da mina. Neste período, a lavra foi feita a céu aberto até aos 120 metros de profundidade, tendo os trabalhos continuado por meio de poços e galerias até aos 400 metros.
Com o fim da lavra, a aldeia mineira entrou em decadência. Esta foi a primeira aldeia do país a ter luz elétrica.
O conjunto encontra-se atualmente em Vias de Classificação."
(Fonte: Wikipédia)
"Tres legoas ao nascente da antiga Myrtilis Julia, hoje Mertola, edificada sobre o rio Guadianna, via-se ha poucos annos a serra de S. Domingos tão erma como nua de vegetação.
A meia encosta do lado poente via-se apenas um humilde hermiterio com a invocação do Santo que deu nome á serra: a cruz hasteáda na empêna convidava o viandante ou o pastor a descançar á sombra de duas annosas oliveiras, emquanto os pequennos rebanhos iam, de passagem, pelando o magro pasto que a aridez do solo deixava com custo vegetar. [...]
A mina de S. Domingos tem hoje um logar impotante entre os primeiros estabelecimentos mineiros da Europa, posição conquistada á custa de um capital avultado sob a egide de uma administração prudente e de uma acertada direcção techinca. É com estes elementos que se tem sabido aproveitar todas as condições naturaes que a riqueza e posição do jazigo offerecem. É por este modo de James Mason e F. T, Barry, director commercial em Londres, têm conseguido collocar a mina de S. Domingos na vanguarda de todas as suas congeneres da provincia de Huelva em Hespanha, dominando completamente o mercado inglez, o verdadeiro mercado do mundo, d'onde afastam todos os concorrentes que não podem medir-se em forças productivas com a mina de S. Domingos. [...]
Em dezembro de 1858 via-se apenas na encosta da serra a pequena ermidinha de S. Domingos, hoje é tal a transformação que custa distinguil-a entre as numerosas edificações que constituem a povoação mineira, com,posta de mais de 300 fogos, com uma bella igreja, casa para escola, hospital, palacio da empreza, laboratorio, sala de desenho, theatro, casa de philarmonica, casa de recreio com bilhar e gabinete de leitura, hoetl, cavallariças, e officinas apropriadas para todos o serviços.
Todos estes edificios, constuidos em seis annos, estão assentes em torno das excavações antigas que seguem alinhadas a crista da serra. [...]
A extracção tem logar por galerias inclinadas que communicam os dois andares com a superficie; e o transporte é feitos em waggons puxados por meio de um malacate de cavalgaduras no tunel do andar inferior, e em zorras puxadas por muares no tunel do andar superior.
A mesma machina a vapor, que hoje é empregada no esgoto, deverá em pouco tempo substituir na extracção o emprego do motor de sangue.
Um caminho de ferro communica a mina com o Pomarão, porto de embarque situado na margem esquerda do Guadiana, junto á foz da ribeira de Chança que separa o Alemtejo da provincia de Huelva. A distancia a percorrer é proximadamente de 18 kilometros, e o transporte, feito primeiramente por meio de muares, depois por um systema mixto de muares e locomotivas, é agora completamente executado por locomotivas de construcção especial.
O porto do Pomarão não existia, fez-se. As margens foram aprumadas do Guadiana foram rasgada e formou-se o espaço necessario para as differentes vias de resguardo do caminho de ferro, para deposito de mineral, para casas de habitação, escriptorios e armazens.
Um excellente caes reveste em grande extensão a margem e a elle encostam numerosos navios de vela e a vapor que ali vêm receber carga. O serviço está de tal modo montado que os waggons vêm directamente descarregar o mineral nos porões dos navios.
Um vapor da empreza anda constantemente em viagens entre o Pomarão e a barra de Villa Real de Santo Antonio, dando reboque aos navios de vela quando não tem vento de feição. São oito legoas de rio on de até 1859 se ouvia apenas o som compassado e monotono dos remos de algum batel; hoje as aguas do Guadiana agitam-se aos impulsos dados pelo movimento de centanares de navios de vela e pelos propulsores dos barco de vapor, que dão ao rio uma animação e uma vida acima de toda a descripção, e tornam admiravel o panolrama que o Pomarão hoje nos offerece."
(Excerto de A mina de S. Domingos)
Para além da descrição da mina e dos elementos naturais circundantes, o autor discrimina lista de objectos a apresentar na Exposição do Porto:
- Pinturas, photografias, modelos, e desenhos.
- Specimens de mineraes e alguns objectos encontrados nos trabalhos antigos.
- Collecção especial de moedas e de diversos objectos de pequenas dimensões, encontrados nos trabalhos antigos.
James Mason (1824-1903). "Nasceu no condado de Norfolk em Inglaterra a 24 de Julho de 1824, filho de James Mason e Elizabeth Peowans.
Licenciado em Engenharia de Minas pela Escola de Minas de Paris, foi membro das sociedades: Sociedade de Química de Londres; Sociedade Geológica de Londres e Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses.
A 9 de Outubro de 1858 James Mason celebra em Paris com a La Sabina um contrato de arrendamento e cessão de direitos de exploração da Mina de S. Domingos por 50 anos, para o efeito funda com o seu cunhado Francis Tress Barry a sociedade Mason And Barry Ltd.
Em Julho de 1860 James Mason foi vitima de um atentado, não consumado, perpetrado por uma Quadrilha de Banditti da Aldeia de Corte do Pinto. O atentado foi preparado por João Félix e José Félix Mourinho, o "Chato", ambos envolvidos no movimento da Patuleia (movimentos de revoltas populares como o liderado pela jovem Maria da Fonte) e fugitivos do Limoeiro e do Forte do Bugio. Os dois tornaram-se célebres pelos atos criminosos, apoiados pelas populações autóctones e por amigos em várias povoações das duas margens do Guadiana, personificando um tipo de banditismo descrito por, (E. J. Hobsbawn e Gorge Rudé, Revolucion Industrial y Revuelta Agraria. El Capitán Swing. Madrid, 1978. Também descrito pelo primeiro autor em, "Rebeldes Primitivos", estudo sobre as formas arcaicas dos movimentos socias nos séculos XIX e XX).
Em 1866, recebe o título de 1º Barão de Pomarão. A 7 de Dezembro de 1868 recebe o título de Visconde de S. Domingos. A 25 de Novembro de 1897 recebe o título de Conde do Pomarão. James foi ainda agraciado em vida com a Comenda da Ordem de Cristo.
James Mason faleceu no dia 2 de Abril de 1903, aos 79 anos, no condado de Oxford em Inglaterra."
(Fonte: https://www.cemsd.pt/node/5770)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, com pequenos defeitos. Mancha de humidade antiga atinge últimas páginas.
Raro.
A BNP dispõe de um exemplar "sem acesso", e um outro, disponível em microfilme.
Indisponível
21 abril, 2022
10 setembro, 2019
DOCUMENTOS APRESENTADOS ÁS CORTES NA SESSÃO LEGISLATIVA DE 1879 PELO MINISTRO E SECRETARIO D'ESTADO DOS NEGOCIOS ESTRANGEIROS. - Questão das Pescarias. - NEGOCIOS EXTERNOS. Lisboa, Imprensa Nacional, 1879. In-fólio (30x21 cm) de [4], 270, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório de 1879, inscrito no Livro Branco das Pescas, que retrata o estado da actividade piscatória em Portugal na época. Trata-se de um documento importantíssimo cuja origem se deve a um incidente entre pescadores portugueses e espanhóis, por estes últimos se encontrarem a pescar sem autorização ao largo de Vila Real de Santo António. A 'questão local', evoluiu rapidamente para um conflito diplomático entre os dois países que ficaria conhecido para a história por "Questão das Pescarias", e que obrigou a intensas negociações, com troca de correspondência entre as autoridades dos dois países (Outubro de 1877-Setembro de 1878), inclusas no presente Livro Branco.
"Parece certo que a institucionalização do sector das pescas, em Portugal (e em
Espanha) foi acelerada pela necessidade de negociações com interlocutores que se
impunham, suscitando um amplo debate de aferição do impacto do Convénio de 1878,
relatado em sucessivos Livros Brancos (1879, 1882, 1886), reveladores das questões à volta da apropriação do espaço económico e territorial, e que culminará no Convénio de
1885.
As questões decorrentes do acordo focam, fundamentalmente, dois pontos da
costa: no Rio Minho, fronteira entre a Galiza e o Norte de Portugal, e o Guadiana, entre
Vila Real de S. António e Ayamonte. No primeiro caso as informações compiladas
reflectem uma convivência pacífica, com raras excepções. No segundo, no limite do
Algarve, os conflitos ganharam grande amplitude.
A Questão das Pescarias ou Livro Branco, de 1879, subsequente ao tratado de
1878, constitui um conjunto considerável de documentos (124) que, no âmbito da sessão
legislativa de 1879 foram apresentados às Cortes Portuguesas. Focam, acima de tudo, as
relações de pesca entre Portugal e Espanha, mas cingindo-se muito particularmente às
relações entre a costa do Algarve e a costa Andaluza. Os livros subsequentes (1882 e
1886) denunciam as mesmas questões.
O episódio, que fez despoletar a discussão pública, sucedeu a 2 de Outubro de
1877, relatado pelo administrador do concelho de Vila Real de Santo António.
Informava acerca de alguns galeões espanhóis que haviam sido apanhados a pescar ao
largo do mesmo concelho, mesmo sem as autorizações devidas, exorbitando o limite das
águas espanholas, por “boa ou má interpretação dada ao limite da linha onde termina a
autoridade marítima de Portugal e começa a liberdade dos mares …”, a chamada “linha
de respeito”.
A presença de um vapor de guerra espanhol que se encontrava ao largo de Vila
Real a proteger os pescadores espanhóis, teria feito exaltar os ânimos de pescadores
portugueses que se lançaram sobre os espanhóis. As trocas de palavras azedas e agressões exigiram um inquérito."
(Fonte: http://www.usc.es/estaticos/congresos/histec05/b6_amorim.pdf)
"Estação telegraphica de Faro, em 2 de outubro de 1877, ás duas horas e dez minutos da tarde. - Ao em.mo ministro do reino. - Lisboa. - Por telegramma de hoje o administrador do concelho de Villa Real de Santo Antonio participou que alguns galeões hespanhoes tinham apparecido em a nossa costa, pretendendo pescar, como effectivamente pescaram, dentro da linha de respeito, e que por isso receiava se levantassem conflictos com os barcos de pesca portuguezes.
Por outro telegramma o mesmo administrador participou que os previstos conflictos começaram arrombando um galeão hespanhol um barco de pesca portuguez, e atacando a tripulação d'este com cutelos e navalhas, não havendo porém desgraças a lamentar.
Por este governo civil ordenou-se ao administrador do concelho que, de accordo com a auctoridade maritima d'aquelle porto, empregasse todos os meios ao seu alcance para evitar novos conflictos emquanto se pediam ao governo, como peço, as necessarias providencias. Pelo ministerio da marinha baixou a este governo civil, para ser informada, uma correspondencia trocada entre o chefe do departamento maritimo do sul e o capitão do porto de Villa Real sobre o mesmo assumpto, informação que pelo correio de hoje tenho a honra de remetter."
(Questão das Pescarias, N.º 1 - O Governador Civil Interino de Faro ao sr. Marquez d'Avilla e de Bolama, Ministro do Reino | Telegramma.)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, oxidadas, com um rasgão na capa (sem perda de papel) e pequenas falhas e defeitos marginais. Miolo limpo.
Raro.
Com interesse histórico.
125€
28 novembro, 2014
1.ª edição.
Apreciado romance da autora, o único que publicou.
"Mariana enviúvara havia três anos, tendo-lhe ficado aquele filho, o pequeno Pedro. O marido, um empregado do comércio, morreu muito novo, minado pela tuberculose, deixando a pobre viúva sem recursos que lhe permitissem viver desafogadamente. Ficara-lhe a ela o pai, um oficial reformado, bastante doente, sofrendo de antigos ferimentos recebidos em campanhas de África, e que se finara um ano depois.
A pequena herança que êste lhe deixou, com o que lhe rendia o seu trabalho de florista, trabalho a que dedicara logo após a morte do marido, dava-lhe para viver com a mais restrita economia, mas sem miséria."
(excerto do Cap. II)
Lutegarda Guimarães de Caires (1873-1935). Escritora e socióloga. “Nasceu em Vila Real de Santo António em 15 de Novembro de 1873. Após a implantação da República é convidada pelo ministro da Justiça, a propor melhorias de carácter social. Da sua pena saem vários trabalhos sobre a situação jurídica da mulher. Os problemas prisionais merecem-lhe especial atenção. Neste sentido consegue a abolição da máscara penitenciária e do regime do silêncio. É igualmente pela sua acção que as condições sanitárias das prisões das mulheres sofrem algumas melhorias. Foi a percursora do “Natal nos Hospitais”. No campo poético, onde igualmente se notabilizou, obtém em 1913 o 1º Prémio de Poesia nos jogos florais hispano-portugueses de Ceuta, com o soneto Florinha das ruas. São da sua autoria, em verso, os seguintes trabalhos: Glicínias (1910); Bandeira Portuguesa (1910); Papoulas (1912); Sombras e Cinzas (1916) e Violetas (1923). Por publicar ficou Anoitecendo. Em prosa deixou: Dança do Destino (contos), 1913; Pombas Feridas (misto de prosa e verso) (1914); O Doutor Vampiro (romance) (1923); Palácio das três Estrelas (literatura infantil) (1930). Nesta área, deixou inédito: Águas Passadas (novela); Árvores benditas e Nossa Senhora de Lurdes. Lutegarda de Caíres abordou outras áreas da literatura. Assim escreveu, Vagabundo, libreto de ópera que subiu à cena em 1914 e mais tarde em 1931. Em teatro, deixou inédito Lenda de Guimer. Faleceu em Lisboa no dia 30 de Março de 1935. Tem desde 1937 o seu nome na toponímia vila-realense. Junto ao Guadiana foi levantada uma estátua em pedra que a representa, homenageando-a.”
(Fonte: http://alcoutimlivre.blogspot.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas com defeitos nas margens.
Raro.
Indisponível



