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24 maio, 2025

CASA DE REPOUSO - ABRUNHOSA - BEIRA ALTA-PORTUGAL
. [S.l.], Composição e impressão das Oficinas da Soc. Industrial de Tipografia, Lda. - Lisboa], [194-]. In-8.º (18,5x14 cm) de [16] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Livrinho de propaganda à Casa de Repouso de Abrunhosa-a-Velha. Foi seu autor Sebastião da Costa Sacadura (1872-1966), conhecido médico e professor universitário, proprietário da instituição.
"Abrunhosa a Velha localiza-se na margem do Rio Mondego com deslumbrantes vistas para a Serra da Estrela. É servida pelo comboio da Beira Alta cuja inauguração do apeadeiro ocorreu em 1935 para facilitar o acesso à então original Casa de Repouso edificada em 1927. A Casa de Repouso, fundada em 1927 pelo Professor Dr. Sebastião Cabral da Costa Sacadura, foi mandada edificar com o objectivo de curar fraquezas e constituir repouso para convalescentes. O local fora escolhido pelas características terapêuticas naturais que possui. O microclima e as águas com beneficio para a saúde, que pela sua composição hipossalina, conforme atestam os relatórios médicos da época, permitiam grande poder sedativo com propriedade eliminatório."
(Fonte: https://www.idealista.pt/imovel/31756426/)
Livro ilustrado em todas páginas, partilhando o espaço com texto alusivo à Casa de Repouso e à zona circundante, incluindo monumentos e paisagens.
"... Em pleno coração das Beiras, num dos mais lindos recantos da Terra Portuguesa. Junto do povo da Abrunhosa, nos termos de Mangualde, a poucas léguas de Vizeu. Construi-se esta casa - propositadamente - para curas de repouso e curas de ar livre. Escolheu-se o local a 500 metros de altitude, em faldas da Serra da Pousada, abrigado por completo dos ventos frios do Norte e volvido, portanto, para o Sol. Procurou-se também que no edifício nenhum confôrto moderno faltasse: electricidade, balneário, aquecimento central, ascensor; água corrente, quente e fria, por tôda a parte e com abundância; tudo, enfim, o que é preciso para cercar de comodidades os seus hóspedes. Em resumo: quiz-se fazer, e fez-se, um estabelecimento, único nêste género em Portugal, instalado numa casa recentemente construída."
(Excerto do texto)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

24 setembro, 2024

DIAS, Dr. Jaime Lopes -
CORTIÇAS DA BEIRA BAIXA : apontamentos para o seu estudo histórico, económico e etnográfico
. Lisboa, Torres & C.ta - Livraria Ferin : Depositários, 1946 [Capa, 1947]. In-8.º (22x14,5 cm) de 64, [2] p. ; [11] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da indústria corticeira.
Invulgar e muito curioso, com interesse histórico e etnográfico.
Ilustrado no texto com desenho encimando o prefácio e uma tabela: Exportação da cortiça e seus derivados (1911-1942), e em separado, com 21 fotografias distribuídas por 11 folhas impressas sobre papel couché.
"Sem pretensões, e com a quase certeza de não dar novidades, mais no propósito de fazer história local, de registar práticas, costumes e termos, numa palavra, e revelar, como se me pediu, o que ainda se usa, neste capítulo, na Beira Baixa, o que se segue - quero crê-lo - talvez possa ter o préstimo de servir de elemento subsidiário para a organização da monografia - que falta escrever - das Cortiças de Portugal."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
[Prefácio] | I - Breve explanação do problema corticeiro português. II - A cultura do sobreiro na Beira Baixa: a) Uma lenda curiosa. b) Origem dos sobreirais e medidas de protecção necessárias. III - Extracção da cortiça. IV - Corticeiros, seu recrutamento, vida e costumes. V - Evolução da indústria corticeira na Beira Baixa. VI - Operações do fabrico da cortiça. VII - Comércio, arrendamento e exportação. VIII - Valor e utilidade do sobreiro e da cortiça. IX - A cortiça na arte popular e no folclore. X - Vocabulário corticeiro.
Jaime dos Santos Lopes Dias (Vale do Lobo, hoje Vale da Senhoa da Póvoa, Penamacor 1890 - Santa Catarina, Lisboa, 1977). "Foi um importante etnógrafo, olisipógrafo, escritor e historiador português, com formação em Direito e vários cargos na Justiça, Política e Função Pública. Uma das suas mais importantes obras é a Etnografia da Beira (1926)[1]. Esta obra de fôlego, com 11 volumes, resultou de um intenso e prolongado esforço de recolha de tradições orais sobre a vida, as tradições, os costumes, o folclore e as diversidades culturais da Beira-Baixa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

20 agosto, 2024

ABREU, Martins e -
A REPUBLICA NA BEIRA ALTA.
Por... Revoltoso do 31 de Janeiro e cavador em Mortagua. Porto, Depositaria : Livraria Chardron, 1913. In-8.º (18,5x12 cm) de VII, [1], 152 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso subsídio para a história da implantação da República na província. Trata-se de um conjunto de reflexões do autor a propósito das expectativas criadas pela mudança de regime em termos políticos, administrativos e económico-sociais não confirmadas na prática.
Raro e muito interessante.
"Na evolução das sociedades modernas, a voz dos produtores ergue-se mais alta que todas, mostrando que passou o tempo do privilegio em politica; que a força e a energia estão com os que trabalham e que a vida dos velhos regimes está gasta e só poderá ainda arrastar-se contemporisando com as ideias revolucionarias. [...]
Como, porém, os governos representativos atribuem voto de egual quilate ao sabio e ao ignorante, ao sério e ao troca-tintas, fez-se em cem anos uma politica suja, mandando as maiorias arrebanhadas a vinho e bacalhau frito pela corja audaz dos politicos, ficando, ás vezes, fóra do governo os homens que mais poderiam contribuir para a boa marcha dos negocios. [...]
Foi nesta situação que veio a Republica; para o seu triunfo contribuiu a fraqueza da dinastia que não pôde enfrentar essas centenas de patriotas da propaganda; os quais, ajudadas por uma pequena porção de operarios e soldados emancipados, quasi não tiveram com quem combater.
Mas os homens previdentes interrogam-se:
- A Republica melhorará realmente a administração?
- Teremos os empregados reduzidos ao essencial?
- Dentro das repartições haverá eguais garantias para o forte e para o fraco?
- Desenvolver-se-ha a instrução em ordem a reduzir o analfabetismo? [...]
- A magistratura judicial deixará de estar a serviço da corja eleiçoeira para servir a justiça? [...]
- Emfim: com os mesmos materiais e quasi os mesmos artistas, poderemos fazer a revolução de portas a dentro, como a fizemos na rua?
E a resposta a estas interrogações é clara e ilinudivel - Não!"
(Excerto de I - Ao leitor)
Resumo:
I - Ao leitor. II - A mentira tributaria. III - Um alvoroto popular. IV - Entulho de empregados. V - Palestras civicas. VI - Corrução dos tribunais. VII - O principio da autoridade. VIII - Um drama na Republica.
Manuel Ferreira Martins e Abreu (1861-1944). "Professor, Administrador do Concelho, Escritor e Político. Nasceu na localidade de Pinheiro, freguesia da Marmeleira, a 15 de Dezembro de 1861. Fez a instrução primária na Marmeleira com o professor Francisco Nunes Cordeiro. Com 11 anos vai para o Porto como aprendiz de uma drogaria. Passou por várias casas do Porto até aos 15 anos e aí adquiriu o vício da leitura. Em 1881 tirou em Coimbra o curso de Magistério Primário. Apesar de ter sido o 1º classificado, não foi nomeado professor oficial por causa das suas convicções republicanas. Emigrou para o Brasil em 1884. Neste país foi guarda-livros, administrador de fazendas de café, proprietário de um armazém de materiais de construção e feroz opositor da escravatura dos negros. Além disso, exerceu, recorrendo a um livro manuscrito por si, o professorado em 1885, na localidade de São Carlos do Pinhal, Estado de São Paulo. Em 1888 regressou a Portugal. O seu regresso deveu- se à sua actuação na campanha abolicionista, pois só no Estado de São Paulo havia um milhão de escravos registados como propriedade, que se vendiam, trocavam e até se matavam. A sua estadia em Portugal fê-lo envolver na política local chegando a ser Vereador Municipal, mesmo sem estar inscrito em qualquer partido monárquico. Como homem revoltado contra as injustiças e a favor dos pobres e desprotegidos, era um revolucionário e panfletário inconformado com a mentira, hipocrisia e prepotência do meio social e político em que vivia, combatendo por uma sociedade mais justa e mais perfeita. As suas ideias e intervenções na vida pública local faziam dele uma figura polémica e incómoda ao status quo, ao ponto de ter feito anular uma eleição local e obrigar a uma nova votação. Participou na revolta do 31 de Janeiro de 1891 na cidade do Porto, na primeira tentativa de implantação da República, tendo sido ferido e preso. Não havendo provas da sua culpabilidade, foi libertado quando ia a caminho do Conselho de Guerra, a bordo da corveta “ Sagres” estacionada no Douro. Regressou mais tarde ao Brasil, onde se envolveu na política da governação da vila onde vivia, porque segundo dizia, “o seu ideal não permitia tolerar roubos, vigarices e injustiças“. E o resultado dessa luta foi regressar a Portugal no início do séc. XX, depois de ter sido alvejado a tiro. [Publicou 9 livros de diversa temática, sobretudo relacionados com política e a Beira Alta/Mortágua]. Além destas obras literárias, Martins e Abreu deixou ainda um grande volume de manuscritos que nos contam acontecimentos inéditos e as peripécias da sua vida como Lavrador, Professor, Administrador de Fazendas, Escritor, Jornalista, Autarca e Político. Faleceu em 7 de fevereiro de 1944, aos 82 anos."
(Fonte: https://www.cm-mortagua.pt/autarquia/figuras-ilustres/manuel-ferreira-martins-e-abreu)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, muito finas, com defeitos, orifício ao centro e pequenas falhas de papel marginais. Com assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
25€

13 agosto, 2024

THOMAZ, Pedro Fernandes - CANÇÕES POPULARES DA BEIRA. Acompanhadas de 52 melodias recolhidas directamente da tradição oral, e arranjadas para piano. Com uma introducção por J. Leite de Vasconcellos. Figueira, Imprensa Lusitana, 1896. In-8.º (20,5x13,5 cm) de XXXIII, [3], 221, [7] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original deste importante repositório de canções da "pitoresca" província da Beira.
Obra de referência, publicada na Figueira da Foz, com interesse regional, histórico e etnográfico.
Ilustrada com inúmeras partituras no texto.
"Iniciamos com a publicação do presente volume o archivo da poesia e da musica do nosso povo, que de ha muito vimos recolhendo em differentes pontos do paiz. [...]
Começamos, na vasta colheita regional que temos feito, pela publicação das canções populares da pittoresca provincia da Beira, uma das mais originaes e caracteristicas do paiz, e onde se conservam ainda vivas e persistentes na memoria do povo innumeras lendas, canções e outros contos tradiccionaes, offerecendo ao explorador dedicado largo campo de investigação na litteratura e arte popular.
A facilidade de communicações que actualmente põe em contacto directo a população das aldeias com as cidades, a emigração crescente para os centros populosos, tem influido d'uma maneira desastrosa nas canções do nosso povo, que vae abandonando as formosas e singelas cantigas tradiccionaes, e as suas caracteristicas danças tão variadas e originaes, trocando-as pelas pretenciosas danças de sala, ou pelos «motivos» mais ou menos deturpados da «operetta» em voga, pelo «fado», transportado pelas vielas escuras das cidades para os campos e para as aldeias, com a substituição da antiga «viola d'arame» pela moderna guitarra...
Urge pois archivar o que ainda resta de verdadeiramente original nas ingenuas canções do nosso povo, e são esses os intuitos d'este livro."
(Excerto do preâmbulo)
Pedro Fernandes Tomás (1853-1927). "Era sobrinho-neto do jurisconsulto e político liberal Fernandes Tomás, tendo-se notabilizado por mérito próprio. Filho de João Pedro Fernandes Tomás e de Maria José Baptista Fernandes Tomás, nasceu no município português da Figueira da Foz a 30 de abril de 1852. Viria a falecer na sua terra natal, vítima de doença, a 4 de agosto de 1927. Passou pelo liceu e pelo seminário de Coimbra, não tendo seguido estudos superiores. Além de Coimbra, residiu alguns anos na Lousã. A partir de 1875 habitou e trabalhou regularmente na Figueira da Foz.
Foi professor do ensino particular, professor e diretor da Escola Industrial Bernardino Machado, da Figueira da Foz, jornalista, recoletor musical, estudioso e temas de arqueologia, epigrafia, história e etnografia. Foi sócio do Instituto de Coimbra e um dos fundadores da Sociedade Arqueológica da Figueira da Foz, a que também pertenceu o Dr. António dos Santos Rocha.
Como autor deixou vasta obra dispersa em páginas de jornais e escreveu monografias e memórias, algumas das quais ainda hoje trabalhos de referência que podem ser consultados através do catálogo da Biblioteca Pública Municipal da Figueira da Foz (BPMPFT). Teve ligações ao ideário republicano e maçon. Foi ainda conservador da Biblioteca Pública Municipal da Figueira da Foz, de que é patrono.
Interessado pela música popular, iniciou na década de 1890 a publicação de recolhas realizadas em diversas localidades de Portugal e de repertório que lhe foi sendo enviado por amigos e colaboradores. PFT procurou notar as melodias como eram interpretadas pelas comunidades de prática, sem recorrer à moda burguesa das harmonizações para piano. Deixou vasta obra no âmbito da música popular e foi um dos poucos musicólogos que não hesitou em incluir a Beira Litoral e Coimbra no mapa musical de Portugal. Pena é que nas suas viagens de campo não se tenha feito acompanhar de fonógrafos e gramofones de suporte ao registo sonoro."
(Fonte: https://guitarradecoimbra4.blogspot.com/2016/03/pedro-fernandes-tomas.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam desgaste, sobretudo nos cantos. Escrito coevo em verso na f. guarda. Com assinatura de posse - Pe. Antonio Vaz Barreiros - na f. rosto, e decalques a cores espalhados pelo livro, incluindo na folha antes referida.
Raro.
50€

10 abril, 2024

LIMA, Thomaz -
RECORDAÇÕES DE UM EMIGRANTE
. Viseu, [s.n. - Eden Gráfico, L.da - Viseu], 1966. In-8.º (21x15 cm) de 65, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de crónicas que o autor, natural de Vil-de-Soito, Viseu, emigrante há largos anos no Brasil recolheu em livro a propósito da suas deslocações a Portugal. Obra rara, por certo com  tiragem reduzida.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Durante a minha permanência em Vil-de-Soito procurei visitar as Aldeias da Beira, não só para confirmar o pouco que tenho escrito a tal respeito, mas também para aprofundar conversações com essa gente simples e humilde, que vive neste «Cantinho» a cultivar as leiras para poder sobreviver. [...]
Quando fui ali entregar as encomendas  de que tinha sido portador, fiquei algum tempo a conversar, não só com as pessoas que eu procurava, mas também com outras que se juntaram. [...]
Entre as pessoas componentes do grupo, que ia aumentando de momento a momento, fazia parte uma velhota de oitenta e poucos anos, chamada Sr.ª Carolina do Rosário, que me perguntou se eu por lá conhecia o seu homem, o «António do Outeiro», de quem não tinha notícias há bastante tempo, mas que sabia, por intermédio de uns vizinhos e conhecidos, que ele ainda era vivo. «Não lhe escrevia, porque se «amigara» lá com «uma qualquer», também cá da terra, e que já tinha por lá dois ou mais filhos, não só dela mas também doutras «desenvergonhadas» que não guardam respeito a ninguém...»
E continuando no seu indignado e realista «desabafo»:
- «Ele há tempos mandou-me pedir uma procuração com todos os poderes, mas eu mandei-lhe dizer que a viesse cá buscar, se quisesse; como eu lha não mandei, nunca mais me escreveu!»
(Excerto de A Mulher Portuguesa que vive na aldeia)
Índice:
A nossa viagem em 1966 | De Lisboa a Viseu | Festa Rotária | O mês de Maio em Portugal | De Vil-de-Soito a Fátima | A nossa Casa do Casal | A roseira das rosas brancas |A vida nas Aldeias da Beira | A Mulher Portuguesa que vive na aldeia | A posse do Sr. Presidente da República | A inauguração da Ponte sobre o Tejo em Lisboa | O Campeonato Mundial de Futebol | Lisboa e o Folclore Português | Palavras na Federação Portuguesa do Brasil.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
20€

14 junho, 2022

SANTOS, João César - CICATRIZES DA MEMÓRIA : 30 anos de Medicina Rural
. [S.l.], [Edição do Autor], [2010?]. In-4.º (24 cm) de 68 p. ; C.
1.ª edição.
Conjunto de episódios picarescos narrados pelo autor - "Clínico Geral" em Santa Comba Dão -, fruto do seu labor e vivências enquanto médico de província.
Edição do autor, por certo com tiragem reduzida. BNP não menciona.
"Confesso que não fiquei muito surpreendido, quando o meu amigo Dr. João Santos me revelou ter escrito um livro centrado em episódios retirados da sua actividade de médico rural, correspondendo, desta maneira, a um repto que alguém do meio lhe havia feito. E não fiquei surpreso pelo conhecimento que tenho  do apego do autor pela sua profissão, do espírito de iniciativa que o anima em fazer mais e melhor, a sua especial vocação para animar conversas com as suas "estórias", e da forte ligação que o une aos seus doentes, que ultrapassa, em muito, a do simples acto médico.
Sei isso porque percorri com o Dr. João um pedaço do meu percurso profissional, partilhando com ele muitas preocupações, algumas horas difíceis, mas também algumas satisfações."
(Excerto do Prefácio)
"Só faltava a Beira Alta. Nascido na Beira Litoral, criado na Beira Baixa, após uns anos nos HUC, ia continuar vida profissional na Beira Alta, no extinto e quase pré-histórico Serviço Médico à Periferia. No século passado, claro, Janeiro de 1980 e motivado por uma Câmara Municipal que, nessa época, disponibilizava casa aos médicos que se quisessem radicar, com rendas simbólicas, num bairro de de casas de madeira pré-fabricadas, quase palácios para quem estava a começar vida. Que saudades desses tempos, mesmo do trabalho de andar a limpar silvas que bordejavam o caminho de acesso ao bairro para não riscar os carritos, em segunda ou terceira mão e pagos a prestações! Bons tempos! É o que todos dizemos quando, em conversa, recordamos essa época. E eis como por uma opção política, eu e mais alguns já levamos um percurso profissional de 30 anos em terras de Santa Columba."
(Excerto da Introdução)
Índice:
[Preâmbulo].  Prefácio. | Introdução. | - O Roque e o Amigo. - O Baltasar. - O Apêndice. - A desprezada. - O José M. - O Africano. - A Senhora. - O Mito. - O Pinto. - O Manhas. - A Lembrança. - O Guga. - O Café. -  Ternura. - A Marcação. - Relatividade. - O Matalouco. - O Estragado. - A Missa.
Exemplar cartonado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse clínico e regional.
25€

30 dezembro, 2021

VOUZELA : estudos históricos.
Pelos Académicos Joaquim Veríssimo Serrão; Justino Mendes de Almeida; Henrique Pinto Rema, O.F.M.; José Calvão Borges; Armando Lúcio Vidal; João Luís Cardoso; Nestor Fatia Vital; Euríco Malafaia. Lisboa, Academia Portuguesa de História, 1999. In-4.º (25 cm) de 230 p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Estudo inteiramente dedicado a Vouzela e ao seu Concelho, com a colaboração de alguns dos mais eminentes historiadores nacionais.
Livro ilustrado ao longo do texto com gravuras, desenhos, mapas e fac-símiles de documentos, portadas e excertos de livros antigos.
"Sem referir as origens pré-históricas de Vouzela, provadas pelo conjunto de vestígios da zona de Lafões, sabe-se que Vouzela foi conhecida no tempo dos romanos. Da sua passagem datou o étimo Vaucella para juntar os topónimos de Vauca e Zella, o primeiro designava então o rio Vouga e o segundo o pequeno afluente que banha a povoação. Não se perdeu essa memória no tempo dos Árabes, como parte de um território das margens do Vouga já conhecido por "alahoneinis". O historiador David Lopes provou que o dual árabe Alahavãn deu origem ao singular Alafón ou Alafão para designar cada um dos cabeços que envolvem a região. Ambos em conjunto passaram a ser conhecidos por Alahones, ou seja, a forma medieva de Alafões, nome usado em sentido geográfico para o território envolvente.
Assim se formou a tradição de nomear como "dois irmãos" os montes Lafão e da Senhora do Castelo, servindo este de assento a Vouzela. Tudo permite crer que a povoação se ia desenvolvendo nos fins do século XI, por ser um ponto obrigatório de passagem na direcção de Viseu e de Aveiro. A pouca distância ficavam as Caldas de Lafões, que Duarte Nunes de Leão considera as mais antigas do Reino e que atraíam grande número de enfermos, não apenas da região, como da província da Beira. Uma légua e meia na direcção do norte, ficava o lugar de S. Pedro de Lafões, que no século XII passou a ser nomeado do Sul, pela confluência da ribeira do mesmo nome em relação ao Vouga. [...]
As caldas de Lafões guardam ainda a lembrança de haverem servido do local de restabelecimento do primeiro Rei de Portugal. Após o desastre de Badajoz, no ano de 1169, em cuja porta fracturou uma perna, o soberano foi aos banhos de Alafões buscar alívio para os seus males. O cronista António Brandão escreveu a propósito: "E como o aleijão da perna o tivesse ainda mui debilitado, tratou de lhe aplicar os reedios mais convenientes. São os banhos de Lafões junto a Vouzela e corrente do rio Vouga, mui celebrados pela eficácia de suas águas e facilidade com que curam. Em Setembro do dito ano instalou-se "in balneis de Alafoen", acompanhado dos filhos e dos principais nobres, não sem antes tomar providências quanto à defesa do Alentejo e à prossecução da Reconquista. E durante os meses que permanece em "Alafoen", o monarca assina várias cartas de doação, como a de Oliveira dos Frades em favor do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra."
(Excerto de Um passeio pela história de Vouzela)
Tábua das matérias:
- Introdução. - Um Passeio pela História de Vouzela. - A Egideia. Um poema, pouco conhecido, a S. Frei Gil. - Alguns Franciscanos em Vouzela. - Os Símbolos Heráldicos de Vouzela. - Joaquim Baptista, Médico em Vouzela. - As Cédulas Camarárias de Vouzela e o seu Brasão de Armas. - Monumentos Megalíticos do concelho de Vouzela. - O Pelourinho de Vouzela. Monumento de afirmação municipalista, Algumas reflexões.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

02 junho, 2021

SARAIVA (Fernando de Sintra), Pe. José da Costa - MONOGRAFIA DE MIDÕES.
I - João Brandão - Um Facínora ou Um Herói? II - Resenha Histórica e Artística do Concelho de Tábua
. [S.l.], [Edição do Autor], 1986. In-8.º (21 cm) de 111, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre Midões (concelho de Tábua), e sobre a figura de um filho da terra, o conhecido bandoleiro João Brandão.
Livro ilustrado no texto, sendo algumas das imagens em página inteira, com fotogravuras de paisagens, locais, monumentos e imóveis relevantes do concelho, bem como diversos retratos de João Brandão.
"Nos princípios do século, Midões fazia parte da província do Douro.
Contudo a sua verdadeira e natural inserção é na Província da Beira Alta, como sucede actualmente, apesar de pertencer ao distrito de Coimbra, dado que aquela é constituída fundamentalmente pela maior parte dos distritos de Viseu e da Guarda.
De facto, o seu relevo é planáltico como toda a Beira Alta e enquadra-se entre a Estrela, a Lousã, o Buçaco e o Caramulo.
A sua altitude máxima é a do maravilhoso Outeiro de S. Miguel - cerca de 360m."
(Excerto do Cap. I, Situação Geográfica)
"A psicologia das multidões é complexa e contraditória.
O herói de hoje é o bandido de amanhã; o salvador é, na hora de desventura, o sacrificado. [...]
João Brandão foi um homem desejado e um condenado; santo e salteador; querido e odiado.
Só poderemos compreendê-lo bem, centrando a história complexa da sua vida no momento nacional em que ela se equaciona.
Pelo que é importante fixar a nossa atenção num dos períodos mais agitados da vida portuguesa, o das lutas liberais e miguelistas, que ensanguentaram o país e, de modo singular, as beiras, onde se desenrolam os factos positivos e negativos de João Brandão e de outras figuras de menor vulto que tanta influência exerceram no pacato viver das gentes da sua região e do seu tempo."
(Excerto de João Brandão. Um facínora ou um herói? - Introdução)
Índice: Introdução. | I - Situação Geográfica. II - Habitantes, Agricultura, Comércio, Indústria, Serviços. III - Vida Religiosa. IV - Folclore e Cultura. V - História de Midões. VI - Párocos de Midões e Póvoa de Midões - Confrarias. VII - Monumentos Artísticos. VIII - Famílias Tradicionais. | Notas: Apêndice I. João Brandão - Um Facínora - ou um Herói? Apêndice II. Breve Resenha Histórica e Artística do Concelho de Tábua. Apêndice III. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse datada no pé da f. anterrosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
35€

04 abril, 2020

CARVALHO, Joaquim Martins de - OS ASSASSINOS DA BEIRA. Novos apontamentos para a historia contemporanea. Por... Redactor do Conimbricense. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1890. In-4.º (23,5 cm) de VII, [1], 359, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do período pós-guerra civil, época em que a banditagem protegida por interesse locais e políticos assolou, sobretudo, o centro do país, pondo as Beiras a ferro e fogo, roubando e matando, impondo o medo e colocando em alvoroço as populações desprotegidas.
"A historia das atrocidades praticadas na Beira em seguida ás guerras civis é uma lição que deve aproveitar a todos. São ellas consequencia funesta de causas ainda mais funestas. A desordem arrasta consigo um cortejo de desgraças que se multiplicam e estendem por largo espaço de tempo. Abrem-se e rasgam-se feridas; e ainda que se curem, conservam demorados vestigios, vestigios que muitas vezes gretam e gottejam sangue. Ensarilharam-se as armas em 1834; mas á sombra da paz a violencia desenvolveu-se em assassinatos e roubos, resultado da fraqueza das leis. Estas, como se sabe, só podem dominar com a tranquilidade publica, unida estreitamente com o completo restabelecimento da ordem.
Uma lusta sangrenta de odios politicos degenerou na vindicta particular e no desenfreamento do crime. Eis o que mostra este livro.
Sustentámos sempre como liberaes o pendão da causa democratica, symbolizada então em D. Pedro IV; mas se estygmatisámos e condemnámos os desacertos e malfeitorias do partido miguelista, desenrolamos com a mesma imparcialidade a pagina negra que enlutou as duas Beiras nos primeiros annos do regimen liberal. D. Miguel entendeu que poderia sustentar-se com a repressão por meio dos supplicios; o liberalismo julgou util viciar o systema eleitoral com a corrupção e cumplicidade dos bandidos. Ambos erraram e ambos amargaram os seus erros."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
Preambulo. I - Immoralidade governativa. II - O governador civil de Coimbra, Maldonado. III - Morte do Ferreiro de Varzea de Candosa. IV - Politica corruptora nas eleições. V - Attitude do Conimbricence perante os assassinos. VI - O administrador de Taboa, Costa Amaral. VII - Ameaças de João Brandão e resolução do governador civil. VIII - Eleição de um deputado pelo circulo da Louzã. - Fulminante resposta do Conimbricence ao sicario João Brandão. IX - Os dois cavalheiros de industria, Lima Valentão e Sebastião de Brito. X - Os assassinos e a relação do Porto. XI - O grande sicario Antonio Rodrigues, o Boa Tarde. XII - Ainda os assassinos e a relação do Porto. - Evasão de um facinora. XIII - Tolerancia para com os sicarios. - Terror nos jurados, inspirado pelos assassinos. XIV - O juiz de direito de Arganil, Joaquim José da Mota. - Apresentação de João Brandão na cadeia de Arganil. XV - Transferencia de João Brandão para Coimbra e regresso para Arganil. - Audiencia de julgamento e adiamento d'ella. - Absolvição escandalosissima dos scelerados. XVI - Continuam os assassinatos na Beira. - Morte de Manuel Antonio Marçal e João Maximino Dias. XVII - Ligações politicas da auctoridade progressista com os assassinos. - Eguaes ligações da opposição regeneradora. XVIII - João Brandão em Coimbra. XIX - O Marçal de Fozcoa. XX - O assassinato de Estanislau, de Varzea de Meruge. XXI - Antonio da Costa, o Caca. XXII - Horrorosas mortes do vigario do Ervedal, das suas criadas e da mãe d'elle. XXIII - Morte do abbade de Guardão. XXIV - Morte do juiz de direito de Midões. - Uma fera no povoado. XXV - O major Christiano, grande envenenador. XXVI - A sociedade secreta dos Invisiveis. XXVII - A quadrilha de ladrões de Montemór-o-Velho. XXVIII - Assassinatos em Montemór-oVelho. XXIX - A quadrilha de ladrões de Verride. XXX - Horrorosas carnificinas em Coimbra. XXXI - Grandes roubos. XXXII - A morte do Pirão. XXXIII - A republica do Carmo em Coimbra,. XXXIV - A ultima execução em Coimbra. XXXV - A horrorosa morte do Campeão. XXXVI - O roubo no Chão do Bispo. - Francisco Marques, o Coimbra. XXXVII - A odiosissima morte do Lazaro. XXXVIII - Os sicarios de Lavos. XXXIX - O Obeservador e o Conimbricence. XL - Os moedeiros falsos em Coimbra. XLI - Outra execução de pena ultima. XLII - Horrorosa morte e roubo do padre Januario Mendes, prior de Sameice, concelho de Ceia. - Outras mortes e roubos. XLIII - O Soares do Carregal. XLIV - Ainda o Soares do Carregal. XLV - Morte e roubo do padre Portugal. XLVI - João Nunes Ferreiro, de Varzea de Candosa. XLVII - Additamentos.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
65€

20 agosto, 2019

PINTO, Fortunato Correia - O MILAGRE. (Scenas da Beira). Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1909. In-8.º (18,5 cm) de [8], 158, [2] p. ; C.
1.ª edição.
Romance rural realista de cunho profundamente anticlerical. Obra dedicada pelo autor a Miguel Bombarda, conhecido médico alienista, professor e político republicano, que em 6 páginas faz o elogio das suas qualidades morais e humanas, vituperando a classe política e a influência jesuítica.
"- Não, lá que um homem poupe aquillo que tem, não andando para ahi, a estraga-lo em coisas inuteis, é justo; mas que leve a sua sovinice a não dar uma de X para uma solemnidade religiosa, isso é que não tem justificação possivel! - dizia o José da Loja, dando palmadas rijas sobre o balcão, contrariando os argumentos apresentados por um dos frequentadores do estabelecimento para justificar o «brazileiro», como é de uso chamar aos nossos compatriotas que vão ao Brazil, o unico dos habitantes da aldeia que não quisera concorrer para a festa do Coração de Jesus, que d'ali a dias devia realizar-se.
 O sr. José por certo não ligou sentido ás palavras que empregou - volveu o seu oppositor, que era um rapaz novo e d'aspecto delicado, mas agradavel - porque chamar sovina a quem, como o brazileiro, ahi gasta dinheiro a rodo, ha de concordar que é um contrasenso.
- Sim, eu quando disse sovina queria dizer... queria dizer... gaguejava o José da Loja, sem que lhe accudisse o termo salvador.
- Póde dizer que é sovina para coisas de religião - disse outro dos presentes, vindo em seu auxilio.
- É claro, é claro - confirmou o respeitavel commerciante empertigando-se e apresentando em toda a sua magestade o seu notabilissimo abdomen, ao mesmo tempo que ia sacudindo as moscas que n'um enxame numeroso teimavam em lhe não largar as grandes e polpudas orelhas e o tumido e oleoso pescoço, que a suja camisa, desabotoada, deixava completamente á vontade."
(Excerto do Cap. I)
Fortunato Correia Pinto (18??-19??). "Professor primário, republicano, conhece-se apenas uma obra de ficção, hoje ignorada quer enquanto texto literário quer enquanto documento: O Agitador."
(Fonte: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8814.pdf)
Encadernação cartonada do editor. O desenho da capa é de P. Guedes, sendo Dumas o gravador.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas apresentam manchas e pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

17 fevereiro, 2019

SOUSA, Joaquim Ferreira de - CASTELO BRANCO, COVILHÃ E FUNDÃO. Suas riquezas e aspirações em melhoramentos. Tese apresentada por... Da Comissão Executiva Distrital do VII Congresso Beirão. Castelo Branco, [s.n. - Tipografia Semedo, Castelo Branco], 1940. In-8.º (21cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Não será demasiado insistir e por o julgar oportuno apresentar a este Congresso, no que há de interesse e possível de realizar, no tocante a melhoramentos destinados a desenvolver as riquezas agrícolas e industriais da província da Beira Alta, movimentadas através das suas principais fontes, que são: Castelo Branco, Covilhã e Fundão, esta vila, situada no meio daquelas duas cidades. [...]
Covilhã:
Cidade com 15 mil habitantes, que na indústria de lanifícios marca uma posição de grande relêvo, rivalizando em parte com a indústria estrangeira dêste género, regista uma produção calculada por ano em 5.000.000 de metros no valor de Esc. 175.000.000$00. [...]
Cidade cheia de vida e animação, pela sua situação comercial e industrial, procura ampliar em melhoramentos a sua posição actual, para conseguir que a indústria de turismo possa marcar na sua finança o lugar que todos os covilhanenses ambicionam."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

13 setembro, 2018

LOUREIRO, Fernando Manuel Gomes de - LENDA DE D. BRANCA DE VILHENA. Reconstituição em verso de uma lenda beirã. [S.l.], [s.n. - Composição e impressão Tipografia Guerra, Viseu], 1959. In-8.º (22 cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Livro ilustrado com um bonito desenho no texto representando a figura de D. Branca e Satanás.
"Escrever, em verso ou em prosa sobre as coisas do passado é tarefa grata, porém espinhosa, quando essas coisas têm raízes históricas; a lenda de D. Branca está no caso das que são espinhosas, porque se opõe ao trabalho do poeta, a conduta do historiador."
(Excerto do preâmbulo)
"A vida de D. Branca é toda ela um enigma, e sobre quem foi, há opiniões mais dispares, que imaginar se possa. Dizem biógrafos que seu apelido era Silveira, outros Vilhena, mas no que todos eles concordam é que era filha dos Condes de Sortelha."
(Excerto das Notas)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

19 julho, 2017

MOREIRA, David Bruno Soares - TERRAS DE TRANCOSO (Edição do Autor). Pôrto, Tipografia da Emprêsa Aquila, 1932. In-8.º (19cm) de 57, [7] p. ; [16] f. il. ; B.
1.ª edição.
Bonita monografia de Trancoso. Ilustrada em separado com 16 clichés de Marques Abreu referentes a edifícios e monumentos de relevo.
Livro valorizado pelas duas dedicatórias autógrafas do autor em folhas diferentes.
"O nosso sono prolongado pela fadiga da viagem, pela suavíssima temperatura do mês de Maio, pelo ar oxigenado próprio da elevada altitude a que nos encontramos, 898m, termina quando o sol bem alto, no seu glorioso meio dia, derrama sôbre a Terra a sua luz heróica e santa.
Saímos e percorrendo a Vila procuramos o ponto mais alto para fazermos uma idéa da sua situação.
Subindo pequenas vielas, onde a cal branquejava, passamos a porta do Castelo, limpo e aceado, e subimos vagarosamente à alta Tôrre de Menagem, semelhante a um pilone egípcio, com a sua porta característicamente árabe ao centro e que se chamava noutros tempos tôrre Albarrã, onde se guardava o tesouro real, e que hoje é única no país pela sua forma pouco vulgar.
Do alto da tôrre hoje ameiada, contemplamos surprêsos a vastidão da Terra.
Sob os nossos olhos deslumbrados, e, sôbre um lindo planalto do último contraforte da serra da Lapa, desenrola-se um horizonte vastíssimo que, chio de grandeza e magnificiência, abrange centenas e centenas de quilómetros."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

12 maio, 2017

AMARAL, Abílio Mendes do - OS PASTORES DA SERRA DA ESTRELA : Etnografia - Foro - Privilégios - Transumância. Viseu, Separata da Revista «Beira Alta», 1970. In-8.º (22,5cm) de 44, [4] p. ; [5] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante monografia sobre o pastoreio e os pastores da Serra da Estrela. Ilustrada em extratexto com bonitas estampas a p.b. impressas sobre papel couché.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Amorim Ferreira.
"Os nossos pastores tinham o privilégio de usar armas. Evidentemente, o cajado seria a sua primeira arma... e até talvez a única de qua agora se sirvam. Toda a gente conhece a significação desta frase corrente, a propósito de qualquer barulho ou alvoroço: «ele andava armado».
E assim, os pastores foram andando com os tempos, fazendo uso, dentro dos seus privilégios, das armas que os fabricantes iam aperfeiçoando e chegavam ao mercado. O arcabuz era arma de fogo e devia ser terrível no seu tempo. Os pastores foram autorizados a servir-se dele.
Naturalmente, sem preconceito ou esforço, em muitos aspectos da vida, toda a gente se mantém a la page. Por necessidade ou para não ser estorvilho dos outros. Nessa ordem de ideias, aí temos a espingarda de pederneira, mais rápida e mais cómoda (façam ideia!), por dispensar a corda ou o morrião.
Ao restabelecer-se a nossa independência, logo D. João IV manda passar o Alvará de 20 de Fevereiro de 1641, autorizando que os nossos pastores possam munir-se, além dos arcabuzes, das ditas espingardas de pederneira. E, para sua segurança, que os Oficiais de Justiça, Alcaides mores, Capitães mores lhes dêem todo o favor de que para isso tiverem necessidade." [Segue-se a reprodução do Alvará].
(excerto do Cap. IV, Armas para defesa e segurança)
Matérias: I - Estruturação e Etnografia. II - Vida difícil da transumância mas amparada por magistratura privativa. III - As cortes e os reis concedem privilégios. IV - Armas para defesa e segurança. V - Pela Conservatória e Desembargo do Paço. VI - E tinham o seu alcaide. VII - Havia um Recebedor dos dinheiros pagos pelos sorianos vindos de Castela. VIII - Já D. Afonso V tomou sérias e duras providências. IX - As cartas régias eram publicadas nos povos sitos no caminho.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico, etnográfico e social.
indisponível

18 janeiro, 2017

NEVES, Dr. Vítor M. L. Pereira - AS ALDEIAS HISTÓRICAS DE MARIALVA, LINHARES E CASTELO-MENDO : conjuntos históricos a valorizar. Obra trimonográfica comparativa histórico - etnográfico - turística de promoção e desenvolvimento regional. Lisboa, [s.n. - imp. Eden Gráfico, S.A., Viseu], 1996. In-8.º (22cm) de259, [3] p. ; mto il. ; B.
Curiosa monografia sobre três aldeias históricas do distrito da Guarda. Muito ilustrada no texto com fac-símiles, desenhos e fotografias a p.b. e a cores.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"Há anos visitei as antigas Vilas de Marialva, Linhares e Castelo Mendo. Em Marialva, tive o encontro mais emocionante com a História...
Fuquei tão sensibilizado e chocado com o que vi que comecei logo a caminho de bibliotecas e arquivos a estudá-las com o intuito de as divulgar.
Com os conhecimentos que adquiri era-me possível elaborar três monografias, mas resolvi integrá-las num triângulo turístico potencializante, centrado na Guarda, beneficiando assim a minha cidade, onde estudei 7 anos.
Meti-me em ciclópicos trabalhos, sacrificando fins de semana e serões, quase todos os tempos livres. Mas o querer é tudo e quem corre por gosto, não cansa.
E eis finalmente que aqui está um livro que por certo vai valorizar muito Terras recônditas, tornando-as, mais conhecidas em Portugal e no Estrangeiro."
(excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Folhas enrugadas à cabeça por acção da humidade.
Invulgar.
10€

27 dezembro, 2015

MONTEIRO, José - TERRAS DA BEIRA. Coimbra, F. França Amado, Editor, 1912. In-8.º (19,5cm) de 110, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso livro de poemas alusivos às Beiras, impresso em papel de superior qualidade.
A obra divide-se em três partes:
I. Terras da Beira
- Terras da Beira. - A canção do pastor. - A azenha. - Romarías. - Vindimas. - Na curva do sól. - A monda. - A apanha da azeitona. - As regadias. - Idílio da serra. - As nascentes.
II. Lendas e Tradições
- Lendas e Tradições... Poentes de ouro. - Sino de ouro. - As sete fontes. - A meia-noute. - A lenda do Gargana: I. O Convento; II. Evocação do Passado; III. A Lenda. - A lavandeira.
III. Tributo de Sangue
- No album de Lencastre da Veiga. - Contraste. - Serenata de Coimbra. - Sentindo a vida a ressurgir num ramo. - Hei-de escrever dois versos bem sentidos. - A horas mortas sáio da Cidade. - Praeterita. - Despedida. - O soneto d'Éla. - O naufrágio da Galéra.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

09 fevereiro, 2015

GUIMARÃES, Luís de Oliveira - PRESIDENTES DO CONSELHO BEIRÕES. Lisboa, [s.n. - Comp. e imp. na Tipografia Ideal, Lisboa], 1966. In-8º (19cm) de 53, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência do autor. Resenha dos Presidentes do Conselho - dezasseis - que nasceram nas três Beiras; onde e em que data nasceram; quando e em que circunstâncias exerceram o Poder; onde e em que data faleceram. Destacam-se, entre outros: Joaquim António de Aguiar; João Franco; Afonso Costa; António José de Almeida; Francisco Pinto da Cunha Leal; António de Oliveira Salazar.
Luís de Abreu Alarcão de Oliveira Guimarães (1900-1998). Escritor e dramaturgo. Natural do Espinhal, Penela. Vem para Lisboa, e de 1910 a 1917 acaba os seus estudos liceais e em 1922 termina o seu curso de direito. De 1918 a 1984 trabalha como jornalista no jornal A Capital. Intelectual, com um sentido de humor corrosivo e crítico, esteve sempre ligado a grandes causas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente oxidadas. 
Invulgar.
Indisponível