MATOS, Gastão de Melo - A LENDA DO ABADE JOÃO. [Por]... Da Associação dos Arquólogos Portugueses. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, 1951. In-4.º (24,5x18,5 cm) de 24, [4] p. (texto pp. 13-36) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a lenda do Abade João, ocorrida em tempos da Reconquista Cristã. Trata-se de uma história cuja origem é "disputada" por portugueses e espanhóis, publicada em separata de Arqueologia e História - 8.ª Série das Publicações, volume VII, não mencionado na BNP.
A Lenda do Abade João é uma narrativa trágica e milagrosa da Reconquista portuguesa associada ao Castelo de Montemor-o-Velho. Para evitar que mulheres e crianças fossem escravizadas pelos mouros durante um cerco, o abade e os seus cavaleiros degolaram os seus próprios familiares antes de um ataque suicida. Após a vitória, um milagre divino fez com que todos os mortos ressuscitassem.
O Castelo de Montemor-o-Velho fica a cerca de 25 km de Coimbra, no centro de Portugal, e na mitologia portuguesa a lenda simboliza o dramatismo das Terras de Fronteira durante a Reconquista. (IA)
"[...] Era D. João abade de um mosteiro muito antigo, já existente no tempo dos godos, que tinha sido consentido, por preitesia, durante o domínio moiro, e onde se professava a regra de Cister; mais tarde, a região onde ele se situava havia sido reconquistada pelos cristãos. Senhor de grandes rendas, e de todos os abades que, naquele tempo, existiam em Portugal, viveu durante o reinado de Ramiro III de Leão, em Montemor-o-Velho. Outra versão fala, mais vagamente, de um castelo chamado Montemor e de um rei Ramiro indeterminado; outra ainda faz o herói abade de Lorvão, embora senhor de Montemor.
Indo rezar matinas, numa noite de Natal, encontrou o abade à porta da igreja exposto um menino, que fora concebido em tremendo pecado, como filho que era de dois irmãos; este elemento novelesco falta nalgumas versões.
Baptizou-o com o nome de Garcia, e fê-lo criar e educar com especial carinho. Mais tarde, julgando reconhecer nele grandes virtudes cavalheirescas, enviou-o à Corte, onde o Rei o armou cavaleiro, em honra do abade, de quem, segundo uma das formas da lenda, o monarca era sobrinho.
Uma versão perdida, que serviu a Fr. Bernardo de Brito, dizia talvez que o abade, para dar a entender que tinha ao exposto amor como se fora seu pai, lhe deu o nome de Garcia Eanes.
Chamando-se já D. Garcia, voltou ele para Montemor; levava consigo trezentos cavaleiros que o Rei lhe deu, ou foi nomeado pelo abade D. João chefe da sua hoste, ao tempo inactiva por haver tréguas com os moiros.
Resolvido a atraiçoar a fé cristã, confessou o seu intuito, um dia em que andava à caça, a dois escudeiros (ou a alguns servidores) de quem fazia particular confiança, e convenceu-os a acompanhá-lo, depois do que regressou a Montemor, e disse ao abade que desejava ir fazer a guerra aos moiros."
(Excerto de I - Sobre a Lenda do Abade João)
Gastão de Melo de Matos (Aveiro, 1890 - Lisboa, 1971). "Militar e historiador. Nasceu em Aveiro, no dia 11 de dezembro de 1890, e faleceu em Lisboa, no dia 29 de dezembro de 1971. Oficial de Artilharia, com o curso da Escola do Exército, participou na Primeira Guerra Mundial. No ano de 1917 foi promovido a capitão, tendo sido demitido, por motivos políticos, no ano de 1919. Foi vogal da Comissão de Censura dos Espetáculos e membro da União Nacional, partido que governou o país durante o Estado Novo. Quando das divisões ocorridas dentro da União Nacional, na segunda metade da década de 1940, protagonizadas por Salazar e Marcello Caetano, Gastão de Melo de Matos foi apoiante deste último, também ele membro da Academia Portuguesa da História, da qual viria a ser presidente em 1948. Por isso, em 22 de janeiro desse ano de 1948, quando se formou o Centro de Ação Popular, um grupo dentro da União Nacional, ligado a Marcello Caetano, Gastão de Melo de Matos foi um dos seus aderentes.
Gastão de Melo de Matos distinguiu-se como historiador, sobretudo nas áreas de história militar e de heráldica."
Gastão de Melo de Matos distinguiu-se como historiador, sobretudo nas áreas de história militar e de heráldica."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/153560)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€

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