18 setembro, 2023

SILVA, Cesar da -
A DERROCADA DE UM TRONO
. Cronica dos dois ultimos reinados em Portugal (1889-1910). Lisboa, João Romano Torres, 1922. In-8.º (19x12,5 cm) de 384 p. ; E.
1.ª edição.
História do último período da monarquia constitucional portuguesa, respeitante aos reinados de D. Carlos I e seu filho,  D. Manuel II, que precederam a instauração da República.
"Pouco depois das onze horas do dia 19 d'outubro de 1889, as fortalezas de Lisboa e os navios de guerra, surtos no vasto estuario do Tejo, puzeram as bandeiras a meia haste e o troar da artilharia começou a marcar lugubremente os quartos de hora.
O rei D. Luiz falecera, após dolorosos sofrimentos, no palacio da cidadela de Cascaes. [...]
Não produziu extranheza em ninguem a morte do monarca, porque era caso já esperado. Tão pouco causou magua, pois o tempo das veementes dedicações pela monarquia tinha já passado. Alem dos seus mais achegados, ninguem decerto lhe chorou a perda.
A realeza, entre nós, começava já a estar bastante decaída. Havia, sim, por essa época, na maioria do publico, ainda um certo espirito de conservantismo, que adoptava, como coisa necessaria, a continuação da monarquia, mas já sem fanatismo... nem demasiado interesse.
Uma consequencia da inercia aplicada ás idéas, e nada mais. [...]
O sucessor do rei morto foi seu filho D. Carlos, que já a esse tempo contava vinte e seis anos. Do casamento de D. Luiz com D. Maria Pia houvera apenas dois fructos, o herdeiro do trono e outro um pouco mais novo, chamado Afonso Henriques."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação em percalina com rótulo e letras a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

17 setembro, 2023

SILVA, Ismael da -
O DR. AFONSO COSTA E A SUA OBRA. (1897-1915). Lisboa, Deposito - M. Pinto Vieira, 1915. In-8.º (18,5x13 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Apanhado do percurso de Afonso Costa como estadista, espécie de biografia política respeitante ao período compreendido entre 1897 e 1915, ano da publicação deste trabalho.
Trata-se de um elogio-homenagem publicado pouco tempo após - e na sequência - do acidente que vitimou o governante ao lançar-se de um carro eléctrico em andamento para a via pública, resultando o episódio numa forte comoção cerebral que lhe valeria 20 dias de internamento no Hospital de S. José, em Lisboa.
Inclui a descrição do acidente em rodapé, bem como do período de internamento hospitalar e dos médicos que o assistiram.
"O grave desastre sucedido ao dr. Afonso Costa em principios de Julho poz bem em evidência o quanto êle, como político, homem de govêrno e de acção, é estimado e admirado por milhares de concidadãos, correligionários e até adversários politicos.
Reconheceram mesmo êstes que seria uma perda enormissima; reconheceram que a Pátria e a República alguma coisa perderiam a dar-se um fatal desenlace.
É que Afonso Costa, afóra alguns seus actos menos concordes com o que êle apregoou em idos tempos - e que é que não erra? - incarna a verdadeira democracia, o mais alto patriotismo e o mais intenso antagonismo a tudo que respeite á reacção clerical e ao ultramontismo.
Os seus trabalhos em prol da idéa republicana são muitos, são importantes, alguns de um gigantêsco valor.
São-no ainda após a implantação da República, quer para a sua consolidação, quer para a sua gloriosa marcha através de mil obstáculos."
(Excerto da homenagem)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos. Capa com algarismo a tinta. Contracapa apresenta falha de papel de algum relevo no canto inferior esquerdo.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

16 setembro, 2023

AZEVEDO, Correia de - LAFÕES. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. nas Oficinas  Gráficas «A Modelar», Amares], Julho de 1958. In-8.º (22,5 cm) de 261, [1] p. ; [91] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia sobre a região de Lafões, contendo inúmeras informações históricas, culturais, geográficas e administrativas. Trata-se de uma verdadeira "bíblia" lafonense, talvez a mais completa e interessante obra que sobre esta zona do país se publicou.
Edição cuidada, impressa em papel de superior qualidade, contendo 91 folhas separadas do texto que reproduzem inúmeros desenhos e fotogravuras com retratos de personalidades, paisagens, monumentos e lugares históricos. Inclui no final de cada capítulo, diversas páginas preenchidas com publicidade promovendo produtos e serviços de casas comerciais e industriais da região, que, por certo, terão ajudado a subsidiar a sua produção.
"A Região de Lafões
Situada na parte mais ocidental da Beira Central, a Região de Lafões é uma sub-região natural, constituída pelas terras tributárias do curso médio do Vouga e dos seus afluentes Sul e Ribamá, que, vindos de margens opostas, confluem junto de S. Pedro do Sul.
De Lafões fazem geograficamente parte os concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul, as freguesias de Cedrim e Couto de Esteves (do concelho de Sever do Vouga), Alva e Gafanhão (do concelho de Castro Daire) e parte das freguesias de Bodiosa e Ribafeita (do concelho de Viseu).
Remontam a recuadas épocas pré-históricas os primeiros sinais de povoamento. Por toda a Região de Lafões, restam vestígios de populações neolíticas, que, sobretudo em pontos elevados de terras graníticas, construíam as suas habitações, inumavam os seus mortos em dólmens e mamoas e, nas pedras das encostas dos montes, gravavam sinais, provavelmente relacionados com os monumentos funerários.
Com a queda do Império Romano do Ocidente (476), a Região de Lafões passou a fazer parte do efémero reino suevo e, a seguir, do mais estável reino visigótico. Da fusão dos elementos germânico e românico, aglutinados pelo elemento religioso cristão, resultará uma população que, no século VIII, vai sofrer o embate da invasão muçulmana.
Com o avanço da Reconquista cristã, sobretudo depois das conquistas de Fernando Magno a sul do Douro, incluindo Viseu, a Região de Lafões vai-se desenvolvendo populacionalmente. As populações rurais dispersam-se por "villas", propriedades rústicas, granjas ou herdades, mais ou menos isoladas. Foram estas propriedades rústicas que, desenvolvendo-se e aglutinando-se, vieram a dar origem às primeiras povoações."
(Fonte: Oliveira. A. Nazaré, Património Histórico-Cultural da Região de Lafões, Millemium 22, 2001)
"Tal como actualmente se encontra, o território de Lafões, reparte-se grosso modo por três concelhos:
O concelho de Oliveira de Frades, e os concelhos de S. Pedro do Sul e Vouzela. [...]
Relativamente à etimologia de Lafões, temos:
«Em 1609, disse Fr. Bernardo de Brito, que D. Fernando Magno de Leão, quando tomou Viseu aos mouros no ano de 1038, ou 1057 como diz Alexandre Herculano, era governador da dita cidade o alcaide mouro Alafum, que se fez cristão, pelo que D. Fernando Magno lhe poupou a vida e lhe deu terras para viver e povoar, terras que do dito mouro Alafum tomaram o nome de Lafões. [...]
Um autor desconhecido, referindo-se a esta parte em questão da etimologia de Lafões, dá o seu parecer do seguinte modo:
«O nome de Lafões, ou Alafões, como se dizia antigamente, deriva de uma palavras árabe que significa «dois irmãos», designação aplicada a dois cabeços parceiros - os montes Lafão (601m.) e Castelo (538m.) que constituem a terminação setentrional da serra do Caramulo.
Esta última versão é a mais aceitável e a que não oferece, segundo cremos, nenhuma contestação."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse da f. rosto. Contém alguns (poucos) sublinhados e anotações a lápis ao longo da obra.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
60€

15 setembro, 2023

MOLTALVERDE, Chitónio - OS PRIMÓRDIOS DO CINEMA PORTUGUÊS. [S.l.], [s.n. - Mirandela & C.ª, Lisboa], Novembro. 1970. In-8.º (18,5x12,5 cm) de 16 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio histórico. Trata-se do resumo cronológico dos primórdios do cinema português (1896-1916).
Livrinho ilustrado com o retrato d'Os pioneiros portugueses - Aurélio da Paz Reis; Manuel Maria da Costa Veiga; João Freire Correia; Ernesto de Albuquerque.
"Portugal foi um dos primeiros países a receber a visita do cinema. Começámos cedo a produzir filmes. Ainda o fascinante invento dos Lumière só tinha um ano de vida já alguns portugueses tentavam desvendar os segredos da sua magia.
Dos primórdios, que consideramos o período que vai da sua fundação até 1916, o seu estudo, análise e dados estatísticos tornam-se um tanto problemáticos, em virtude da falta de registos que possam atestar essa actividade. A partir de 1917 o panorama passa a ser outro, com a saída em 15 de Março do primeiro número da «Cine Revista», o primeiro jornal cinematográfico português. Tudo se modifica. As dúvidas podem ser esclarecidas através da consulta dos orgãos que, desde então a esta data, se têm publicado.
O presente trabalho não é mais que um ensaio cronológico do cinema português, do tempo que vai de 1896 a 1916. Depois, sobre o que se seguiu, já muitos estudiosos se têm ocupado."
(Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse bibliográfico.
15€

14 setembro, 2023

MENDES, Manuel -
SOBRE A OFICINA DO ESCRITOR.
Palestra realizada no Clube dos Rotários de Viseu, aos 23 de Junho de 1966. Viseu, [s.n. - Tip. Guerra - Viseu], 1967. In-4.º (23,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência sobre o ofício de escritor - o seu ambiente e método de trabalho, e as suas motivações -, que o autor ilustra com o exemplo de algumas insignes figuras das letras portuguesas com quem privou, como Aquilino Ribeiro e Fernando Pessoa , discorrendo também sobre o "ofício" de Camilo Castelo Branco, Raul Brandão, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.
"Há um par de bons anos, quando vim a primeira vez de visita ao vosso vizinho Aquilino, trazido pela curiosidade de o ver na casa da Soutosa, longe do Chiado janota que ele animava com a sua forte presença de serrano e onde com ele convivi, reparei então, sobre a mesa de trabalho, anichada junto ao vão da janela que dá para o recolhido pátio das tílias, naquele retrato de Balzac - gordo e e colarinho aberto, a mão enfiada na carcela da camisa, cabelo revolto, face robicunda, parece que ao mesmo tempo radiante e lívida da insónia - mostrando-se, como após uma dessas suas frequentes alucinações criadoras, em que dia e noite, o possesso, não largava mão da pena. [...] Nessa ocasião, debrucei-me sobre a fotografia e quando em silêncio volvi os olhos para Aquilino, o velho amigo sorriu-me, com certa sombra de irreprimível melancolia no rosto aberto e franco, para dizer, encolhendo resignadamente os ombros:
- La bête de somme.
Deste modo designam os franceses o animal de carga. Tinha ali, diante dos olhos, a boa imagem tutelar, e não foi o génio do romancista que naquela hora para mim evocou, mas o sacrifício exemplar da acérrima e obsidiante vida de trabalho, a desentranhar-se no tumulo torrencial de ficção com que criou a obra ao mesmo tempo prodigiosa e avassaladora. Sentado à banca, esquecido de tudo, sem contar as horas que corriam, não lograva sossego enquanto o caudal abundantíssimo lhe acudia à imaginação, nos conflitos e enredos humanos que o tentavam. [...]
Também Aquilino nos deixou a lição varonil e admirável de uma vida longa de trabalho, no apelo instante da tarefa a realizar. - Ai, as horas perdidas! - Mas o escritor das Terras do Demo impunha-se como outra espécie de homem, hercúleo, sadiamente fecundo e pertinaz, radiante de poder e energia, cuspindo cada manhã com afoiteza nas mãos, bom cavador que pega na enxada - era este o símile de trabalho que mais lhe agradava - e de sol a sol, ano após ano, revolve o chão áspero da sua leira. De tal modo assim era, valente e rijo, que naquela hora, confesso, não foi o seu ensinamento e castigo de vida que me acudiram à lembrança, mas antes as tormentadas e negras noites do desafortunado homem de São Miguel de Seide - lugar aonde eu, da Soutosa, tencionava ir em peregrinação. A inexplicável pena desse condenado, desde logo, em evidente paralelo, me assaltou ao espírito. De outro assim não reza a nossa história literária.
Com efeito, se quereis exemplo, entre nós, da vida verdadeiramente dramática de um galeote das letras, a cavar com génio e lágrimas o escasso pão do seu sustento e a glória de um grande escritor, lembrai a servidão de Camilo, mormente nesses anos amargurados de Seide, acossado de dores e desesperações, até ao martírio de cegueira. [...]
... Vejamos, noutro exemplo, como foi a existência e a devoção de um grande poeta. Para tanto, consenti que vos evoque a figura de Fernando Pessoa, com quem alguns anos convivi, trazendo-vos o meu comovido testemunho. Esse, podemos dizer que nem banca nem oficina - o vaguear a esmo pelas ruas, o cogitar sem descanso nos seus sonhos, rendido à obra extraordinária, que depois da morte lhe foram encontrar arrecadada num baú, e é um dos belos luzeiros do nosso tempo. Para mais nada vivia, absorto na cisma, na indiferença completa do mundo, soltando-se do cárcere em que nos prendem, como imponderável sombra que se evade.
Encontrávamo-nos à tardinha, quando ele acabava as ocupações do seu ganha-pão, correndo escritórios de exportadores, a quem traduzia a correspondência comercial. Naquelas tarefas angariava um salário magro - quanto lhe bastava. Aparecia e sentávamo-nos, então, à mesa de um café barulhento, e, se para aí estavam virados os ventos, partíamos para algum gostoso jantar de taberna. [...] Caminhava com o seu passo tíbio, as calças um pouco arregaçadas a deixar ver o tornozelo, e aquele riso fungado que se misturava às palavras tímidas, discretas, pronunciadas talvez a medo, ou  no intento de que na  noite se diluíssem sem fazer eco. O rosto alongado, o olhar turvo de míope a entreluzir através dos óculos - assim era e foi o mais benigno dos companheiros, na comovedora singeleza da alma quase inocente.
Confessara certa vez que os poemas lhe aconteciam..."
(Excerto da Palestra)
Manuel Joaquim Mendes (1906-1969). "Escritor, artista plástico e resistente antifascista, nasceu em Lisboa a 18 de Janeiro de 1906, cidade onde também faleceu, em 4 de Maio de 1969. Manuel Mendes fez largas incursões nas artes plásticas, mas destacou-se sobretudo pela sua atividade literária, colaborando em numerosos jornais e revistas, como a Seara Nova, a Revista de Portugal, a Vértice, e os jornais O Século, Primeiro de Janeiro, A Capital e República. Como escultor, Manuel Mendes participou no Salão dos Independentes e nos dois salões de 1946 e 1947 da Exposição Geral das Artes Plásticas, organizada pela Sociedade Nacional de Belas Artes. A sua casa foi sempre ponto de encontro de muitos dos seus amigos e companheiros, sendo instituída em 1977 a Casa-Museu Manuel Mendes."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com significado histórico e literário.
20€

13 setembro, 2023

FRIAS, Sanches de - ERSÍLIA OU OS AMÔRES DE UM POETA. Romance. Por... Lisbôa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora e Officinas Typographica e de Encadernação, 1908 [Imp. 1907]. In-8.º (18,5x12 cm) de 516 p. ; E.
1.ª edição.
Romance baseado em factos verídicos ou do conhecimento do autor. A título de curiosidade, transcrevemos uma nota manuscrita da f. ante-rosto que poderá estar relacionada com o título da obra, e portanto, com os acontecimentos aí narrados: "Oferta da Querida e nunca esquecida D. Hercilia Nobre".
"Aos poucos, que se entretêm a devassar intuitos de escritôres, dedicamos, nos ligeiros períodos, que se seguem, mais uma vêz, a nossa profissão de fé, em matéria romântica, embora nos preocupem medianamente discordâncias de opinião.
Um livro é, bastas vêzes, o reflexo da probidade e temperamento do autôr, que frequentemente vive, em certos lances, ou tem vivido a vida das personagens, que descreve."
(Excerto do preâmbulo - A quem lêr)
"Entre a classe média do comércio lisboêta, haverá pouco mais de três quartos de século, figurava modesta mâs acreditadamente Manuel da Mota, negociante de poucas lêtras e muito juizo, como de ordinário convem aos que se dedicam de alma e côrpo, por vocação ou necessidade, a traficar com a arráia miuda em lojas de fazendas a retalho do género da sua, que fazia honra ao extenso arruamento dos Fanqueiros, ainda hôje muito movimentado e característico.
Manuel da Mota, já de anos maduros, possuia tôdas as manhas do ofício, mâs no seu largo tirocínio, honra lhe seja feita, servira-se sempre de uma certa probidade, que lhe grangeara foros de bom homem; e não chegou nunca, como ás vêzes se requere, em fina manigância comercial, a sêr capaz de se vendêr a si próprio.
Fiel observadôr das bôas praxes e brocardos antigos, que, de origem popular, aprendêra na sua aldeia, porque Manuel da Mota era ribatejano, não se esquecêra nunca de que - quem casa quere casa - e ainda menos de que - antes que cases olha o que fazes - ; e por isso não ligou o seu destino á senhôra Joaquina dos Prazêres, sua esbelta vizinha e antiga conversada, sem que as verduras da mocidade o abandonassem completamente, e os havêres retirados do seu comércio lhe permitissem estado de maior dispêndio, creação de filhos e manutenção de criados.
Como facilmente se ajuiza, o negociante Mota, acima de tôdos os predicados, possuia a rara virtude de só confiar nos recursos e méritos próprios, baseando se num senso prático muito de apetecêr pâra os altos governantes portuguêses, que só vivem de votos alheios e dos méritos, que não possuem, como tôdos os governados havemos mister.
D. Joaquina dos Prazêres, uma espelhada donzela, oriunda de uma laboriosa e honrada família, fôra uma excelente acquisição."
(Excerto do Cap. I - Regosijo familiar - Apresentações)
David Correia Sanches de Frias (1845-1922). "Nasceu a 2 de outubro de 1845 em Pombeiro da Beira, onde viria a falecer a 19 de março de 1922. Viveu largos anos no Brasil, tendo-se destacado pelos seus préstimos em associações de índole social e cultural, bem como no campo das letras, enquanto escritor e jornalista. Dotado de invulgares faculdades de trabalho e de inteligência e de uma tenacidade singular, Sanches de Frias deixou para a posteridade diversas obras, quer no domínio da poesia e do drama como das viagens, merecendo especial destaque a obra Pombeiro da Beira : memória histórica, descritiva e crítica."
(Fonte: https://www.cm-arganil.pt/noticias/relembrar-visconde-sanches-de-frias-na-biblioteca-municipal-de-arganil/)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ligeiramente aparado à cabeça.
Raro.
Indisponível

12 setembro, 2023

PIMENTEL, Alberto - OS NETOS DE CAMILLO. Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, MDCCCCI. (1901). In-4.º (24x16 cm) de 79, [1] p. ; [11] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio camiliano pela pena de Alberto Pimentel, um dos indefectíveis do Mestre.
Livro ilustrado com 11 folhas separadas do texto reproduzindo os retratos do grande prosador e seus familiares, bem como as estampas de Theophile Gautier e Alphonse Karr que pertenceram a Camilo, e uma gravura: "A acacia do Jorge".
"Fui hontem, 20 de agosto, a S. Miguel de Seide fazer uma romagem de saudade.
Quando Camillo era vivo, sempre que eu vim a Santo Thyrso não deixei nunca de visitar o grande romancista na sua melancolica Thebaida.
Agora que elle é morto e repousa longe, no cemiterio da Lapa, fui em peregrinação devota contemplar o tumulo em que viveu e agonisou: a casa solitaria de Seide, onde cada pedra parece ser um epitaphio que chora resignadamente por elle no silencio e na mudez de uma aldeia minhôta.
Esta casa, a que o proprio Camillo chamou «o albergue arruinado de S. Miguel de Seide», é uma reliquia historica, um monumento nacional, como a casa de Shakespeare em Strafford-sur-Avon ou como a casa de Goethe em Francfort.
É ou deve ser."
(Excerto do estudo)
Encadernação em meia de percalina com pastas forradas a tecido multicolorido. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação, com corte das folhas carminado à cabeça. Assinatura de posse na f. rosto. Mancha de humidade visível no segundo e terceiro retrato D. Anna Rosa Correia/Flora).
Raro.
Com interesse histórico e biográfico.
45€

11 setembro, 2023

SERRÃO, Joaquim Veríssimo -
UMA ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO EM 1640
. Lisboa, Academia das Ciências, 1975. In-4.º (24,5x18,5 cm) de [4], 91 (213-303 pp.), [5] p. ; B.
1.ª edição independente.
Separata de «Memórias da Academia das Ciências» - Volume XVI. pp. 213-303.
Interessante estudo demográfico do tempo da restauração nacional baseada em documentos coevos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Joaquim Veríssimo Serrão ao jornalista Torquato da Luz.
"Conhecem-se as dificuldades para assentar, com o necessário rigor, o cômputo da população de Portugal no período anterior ao século XVIII.
Os dados obtidos no cadastro de 1527 a 1531, os capítulos de Cotes, as obras de intenção geográfica de Duarte Nunes de Leão e de Manuel Severim de Faria, as monografias de história local e os relatos de viajantes nacionais e estrangeiros conduzem apenas a numeramentos dispersos à escala regional, não fornecendo dados fixos para a contagem dos habitantes do Reino. [...]
O documento que serve de base ao nosso estudo encontra-se na Biblioteca Nacional de Paris, manuscrits espagnols, códice 324, fols. 4-40, formando uma miscelânea de grande interesse para a história geográfica, política, militar, religiosa e social da Península Ibérica no século XVII.
Trata-se de uma descrição abreviada das cidades e vilas de Espanha por ordem de províncias: Castela, Extremadura, Andaluzia, Reino de Granada, Aragão e Portugal. [...] Nesse conjunto, o reino de Portugal surge com 19 cidades, 158 vilas e 17 lugares de maior importância, com um total de 338 paróquias; 175 Conventos de frades e 93 de freiras; 3 Arcebispados e 10 Bispados com o rendimento de 312.000 ducados; 19 Corregedorias; e uma população de 187.130 «vizinhos» nas cidades, vilas e principais lugares.
Descrição abreviada, repetimos, embora se conheça a fonte directa desse valioso testemunho. A análise do texto permite concluir que se trata de uma versão colhida na Población General de España, de Rodrigo Mendez Silva, que saiu em Madrid no ano de 1645. Este autor levou vários anos a coligir as notícias que compõem a obra, sendo evidente que a descrição das terras de Portugal foi ainda composta ou os seus elementos obtidos no período dos Filipes.
Que razões assistem para tal juízo? - Não apenas a narração do Reino surge incluída no quadro ibérico, sem qualquer referência à Restauração de 1640, como também os últimos dados cronológicos do manuscrito respeitam ao governo de Filipe IV de Espanha."
(Excerto do Estudo)
Joaquim Veríssimo Serrão (1925-2020). Foi Professor Catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e um dos maiores vultos da historiografia portuguesa contemporânea. Autor de uma vasta bibliografia, nela se destacam os trabalhos dedicados à História de Portugal dos séculos XV a XVIII e à História do Brasil dos séculos XVI e XVII. Foi presidente da Academia Portuguesa da História. Foi galardoado em 1995 com o Prémio Príncipe das Astúrias em Ciências Sociais. Membro da Academia das Ciências de Lisboa foi, entre outras instituições científicas estrangeiras, Membro Efetivo da Academia de Yuste."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta sombreado à cabeça por acção da luz.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

10 setembro, 2023

JESUS, Maria de -
O ENFORCADO
(trági-comédia, semi-verdadeira). Figueira da Foz, Tipografia Popular, 1931. In-8.º (19x13 cm) de 70, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa novela, moralista e algo naïf, onde se entrevê acontecimentos reais que terão servido de base a esta história, aliás confirmado pelo subtítulo da obra. Marcel é um jovem estúrdio - parte-corações - cujo comportamento lhe trará alguns dissabores permanentes.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"A aldeia de X... era poética, risonha e aristocrática. Situada ao pé duma importante cidade, tinha por isso uma população, talvez demasiada para a densidade duma aldeia apenas.
Essa população era quási tôda, ou pelo menos metade, formada por fidalgos antigos, cujos brazões ainda se conservavam intactos, apesar-das modificações constantes da sociedade. Era isto que dava à referida aldeia todo o cunho aristocrático. [...]
Entre os vários solares que ali havia, distinguia-se um, o mais pomposo, o mais rico, o maior, emfim, de todos. Ficava numa extremidade, e tinha como habitantes (não falando no pessoal da casa, é claro): um fidalgo, simpático e de aspecto marcial, a respectiva consorte, linda a-pesar-da-idade, meiga e afectuosa, cuidando sempre do seu lar, e um filho, já dos seus vinte e tal anos, mas folião e estouvado, como se tivesse apenas quinze. Moreno, de cabelos negros e anelados, olhos também negros e profundos, feições irregulares, mas extremamente simpáticas, alto e com maneiras insinuantes - onde se liam todos os caracteres dos Lencastres, seus antepassados, - eis o nosso herói. É em seu redor que se desenrola o entrecho dêste pequeno trabalho."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas, com falhas marginais.
Raro.
Indisponível

09 setembro, 2023

SOUSA, Avelino de - O FADO E OS SEUS CENSORES. (Artigos colligidos d'A Voz do Operario). Critica aos detractores da canção nacional. Com uma Carta do illustre poeta e dramaturgo Dr. Julio Dantas. Lisboa, Editor, O Auctor, 1912. In-8.º (19,5x12,5 cm) de [8], 56 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Rara edição original de uma das mais apreciadas obras sobre o Fado - a "canção nacional".
Ilustrada extra-texto com o retrato do autor.
Com a seguinte inscrição manuscrita na f. rosto: "Pertença e recordação de: Salvador Gomes (guitarrista)".
Inclui ainda uma carta de António Frazão - conhecido fadista - para Salvador Gomes, dobrada e colada entre a f. rosto e o retrato, a agradecer o empréstimo do livro a quem tece os mais rasgados elogios, bem como ao seu autor - Avelino de Sousa, entre outras considerações.
"O Fado e os seus censores é uma compilação de onze artigos publicados originalmente por Avelino de Sousa em A Voz do Operário. Trata-se de uma acérrima defesa do Fado contra os seus caluniadores, sendo sobretudo uma obra de resposta em que o seu autor assume a luta contra opiniões, sobretudo de Samuel Maia e Albino Forjaz de Sampaio, publicadas em jornais como A Luta e O Século e até do próprio público d'A Voz do Operário.
O estilo de prosa panfletária reflecte o insulto elegante a que tão avidamente se recorria no Parlamento, com constante recurso aos grandes autores e à inegável sagacidade do autor, que terminaria a sua carreira como bibliotecário da Torre do Tombo."
(Fonte: https://www.fnac.pt/O-Fado-e-os-Seus-Censores-Avelino-de-Sousa/a9461645)
"O fado, simples annotação melodica do sentimento popular, não merece, talvez, que se preocupem tanto com elle, - e muito menos que o discutam sob o ponto de vista da hygiene social. Uma canção não faz degenerados; os degenerados é que podem ter perdileções por determinada canção, - e, em geral, por determinada fórma d'arte. É a velha historia da dypsomania: não se é degenerado porque se bebe; bebe-se porque se é degenerado.
Que culpa teem os numeros da obsessão dos arithmomanos? Que culpa teem as praças do delirio dos agoraphobos? Que culpa tem o fado de que os degenerados o cantem? - Mas isto levar-nos-hia longe, e eu não tenho um minuto meu."
(Excerto da Carta-proemio)
Avelino de Sousa (1880-1946). "Fadista, compositor, poeta popular e dra­maturgo. Nasceu em Lisboa e residia nos Bairro de Campolide. Começou a trabalhar numa livraria, foi posteriormente tipógrafo e bi­bliotecário da Torre do Tombo. Aos 15 anos já cantava as suas obras. Era pre­sença obrigatória em qualquer festa de trabalha­dores. Cantando apenas obras suas, nor­malmente acompanhado pelo guitarrista Domin­gos Pavão, seu amigo de infância, o mote das suas letras, versava o amor, saudade e também usava o Fado, para através dele veicular as suas ideias politicas e sociais.  Cantou em tabernas, retiros, colectividades de recreio, em salas de gente elegante.  Travou grandes “despiques” com João Patusquinho, Manuel Serrano, João Black, Júlio Janota, Carlos Harrington e o Calci­nhas Narigudo.  Publicou, entre outros, os livros Canções do Fado, O Fado das Mulheres, A Canção Nacional (com prefácio de Angelina Vidal), Cinquenta So­netos e Cantem Todos... Colaborador regular da imprensa operária e da imprensa do Fado, coligiu em 1912 os artigos escritos em A Voz do Operário sob o título O Fado e os Seus Censores, com prefácio de Júlio Dantas, obra de referência na bibliografia fadista."
(Fonte: https://www.portaldofado.net/content/view/2461/379/lang,pt/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com pequenos defeitos. Lombada reforçada com fita adesiva nas extremidades que se prolonga para as capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
75€

08 setembro, 2023

PORTO, Frederico -
REFORMA ADMINISTRATIVA DO DISTRICTO DE PORTALEGRE. Serie d'artigos publicados no Campeão de Portalegre. Portalegre, Pereira, Marques & Fabião : Directores da Typographia Paulo Monteiro, 1895. In-8.º (21,5x15,5 cm) de [2], 17, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio com interesse para o Distrito de Portalegre. Trata-se de um lamento, mas também uma crítica mordaz do autor à Reforma Administrativa de 1895 e seus proponentes, cujas decisões políticas, no seu modo de ver, em muito prejudicaram o distrito.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa de Frederico Porto ao Dr. Adolfo de Figueiredo.
"O Código Administrativo de 1896 foi aprovado pela Lei de 4 de Maio, sendo Presidente do Ministério Hintze Ribeiro e Ministro do Reino João Franco.
Este Código classificava os concelhos em três ordens, segundo critérios baseados na população e nas possibilidades financeiras: concelhos urbanos; concelhos rurais perfeitos e concelhos rurais imperfeitos. [...]
A esta reforma administrativa seguiu-se a extinção de vários concelhos.
(Fonte: Silva, Henrique Dias da, Reformas Administrativas em Portugal desde o Século XIX, O Código Administrativo de 1895 e de 1896 - Jurismat, Portimão, n.º 1, 2012, pp. 65-97.)
"O lemma da nossa bandeira, escripto sob o titulo do nosso jornal, affirma a todas as pessoas que nos lerem a sinceridade das nossas palavras e a absoluta exclusão de qualquer ideia politica no nosso modo de receber a reforma administrativa.
É fundo o golpe dado no nose districto. A eforma leva-nos quatro das mais preciosas pedras da nossa corôa districtal, e esta perda é tanto mais sensivel quanto é certo não ser esperada por ninguem, ainda os mais intimos do partido que está no poder. Cano, Souzel, Casa Branca e Veiros passam para o districto de Evora. É o primeiro córte da nossa autonomia, e por isso talvez mais fundamente impressionavel, mais dolorosamente triste. [...]
Argumentar-se-ha que a reforma enriqueceu outros concelhos, onde rejubilla a alegria e onde se entoam canticos de louvor em honra do sr. ministro do reino.
Tristes alegrias d'uns que brotam das lagrimas dos outros!
Não nos seduzem estas festas que se bazeam n'uma presumida justiça d'equidade, nascidas da injustiça d'um despotismo.
Desgraçada administração publica que, para se elevar no nivel social e chamar a si as benemerencias d'uma parte do paiz, tem que amesquinhar, espesinhar, aniquilar povoações tão diganas de respeito como as outras, porque somos todos portuguezes, porque somos todos irmãos!
Folgam os de Arronches, illuminam as fachadas dos seus edificios, atroam os ares com os estridolos dos seus foguetes, com a harmonia das suas musicas; o mesmo tempo fecha-se o commercio em Monforte, ausentam-se luctuosamente impressionados os seus habitantes e no silencio magestoso d'uma dôr sem egual, deixam partir com o unico protesto das suas lagrimas o sangue da sua terra, a alma da sua povoação - o seu concelho!"
(Excerto de I - A reforma administrativa do districto de Portalegre)
Índice:
I - A reforma administrativa do districto de Portalegre. II - Marvão. III - Monforte. IV - Gavião. V - Souzel. VI - Portalegre.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
20€

07 setembro, 2023

AFONSO, Belarmino -
O COZER DO PÃO. Aspectos de uma actividade artesanal transmontana. Semana Cultural. Bragança, [s.n. - Composto e impresso da Escola Tipográfica - Bragança], 1982. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 88 p. ; [1] f. desd. (bco) ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico e antropológico para a história da confecção artesanal do pão na província de Trás-os-Montes.
Ilustrado com quadros, tabelas e inúmeros desenhos e fotografias ao longo do livro, na sua maioria impressos em página inteira. Com uma folha desdobrável - em branco(?) - separada do texto.
Inclui rezas, benzeduras, mandamentos e canções que acompanhavam todas as fazes do processo de feitura do pão.
"O pão cozido adquire um certo valor mágico. Se cai ao chão, apanha-se, beija-se e come-se. Também é pecado espetar o garfo ou faca no pão. É como espetar o corpo de Cristo.
Se caísse uma criança ao lume ou à água, e o pão estivesse virado ao contrário, primeiro devia pôr-se o pão direito, e só depois é que se devia salvar a criança.
O pão é sagrado e deve ser a primeira coisa a colocar sobre a mesa, numa refeição. O pão dentro do forno não deve ser visto. Se for muito olhado, não cresce. Dizem que «lhe entrou a velha»."
(Excerto de Superstições e provérbios)
Sumário:
1 - O cereal: - Poesias e provérbios; - Apólogos. 2 - O moinho e o moleiro: - Localização do moinho; - Poesia satírica. 3 - O cozer do pão: 3.1 - O peneirar; ritmos musical e poético: - O fermento e o amassar; - Religião popular e orações; - Aquecer o forno e fingir; - Meter o pão ao forno e orações mágicas; - Superstições e provérbios. 3.2 - O forno e construção: - Fornos a cidade de Bragança. 3.3 - A farinha e a culinária. Derivados do pão: - Algumas receitas; - A farinha e o pão na medicina caseira. 3.4 - Jogos e adivinhas. 4 - Apêndice: 4.1 - Invocações de Santos. 4.2 - Orações ditas ao peneirar, amassar, depois de amassar, fingir, meter o pão ao forno, depois de meter o pão ao forno. 4.3 - Lírica e canções: - Algumas canções em dialecto mirandês. 4.4 - Glossário.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com uma rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
50€

06 setembro, 2023

BATALHA, Ladislau -
O SOCIALISMO NO PARLAMENTO.
Excerptos, fragmentos e discursos. De... Professor. Gremio Socialista de Lisboa. Lisboa, Edição do G. S. L., 1920. In-8.º (19,5X13,5 cm) de 128 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de intervenções do autor no Parlamento pelo Partido Socialista, o primitivo, antecessor do PS.
"Quiz a Comissão de Educação e Propaganda do Gremio Socialista de Lisboa que a sua biblioteca se iniciasse com a publicação da primeira serie dos meus discursos parlamentares, num protesto contra o silencio que, voluntaria ou involuntariamente, a imprensa lhe tem feito em volta. [...]
Tudo quanto em defeza e apoio do socialismo revolucionario tenho dito e escripto durante bons quarenta anos de militante, estou habilitado a readizer e ressubscrever, sem desdouro para mim nem para os principios que tenho apostolisado e defendido e continuarei a defender como mesmo calor de convicções até ao instante de exalar o meu ultimo suspiro sobre a terra.
Revolucionario era e revolucionario continuo a ser com a mesma fé e o mesmo ardor de sempre. Nem o pezo dos anos ainda me debilitou o cérebro nem me quebrantou a energia e as convicções.
O socialismo, na sua qualidade de doutrina economico-politica, traz em si mesmo uma implicita a ideia de intervencionismo. Tudo mais é questão de  apenas de método e tactica.
Pode intervir-se de varios modos. Nem todos convéem sempre, mas todos eles acham o momento mais oportuno para se aplicar.
A propria revolução armada, violenta, de caracter social, tambem é uma intervenção, em certos momentos até necessaria, porque sem intervir a valer, torna-se completamente impossivel exercer uma acção benefica, tenha ela por tese a demolição ou a reconstrução."
(Excerto do preâmbulo)
Ladislau Batalha (Lisboa, 1856 - Arruda dos Vinhos, 1931). "Era originário de família de comerciantes modestos. Desde sempre ávido de conhecimentos, Ladislau Batalha decidiu esquadrinhar o mundo. Iniciou a vida de trabalho como moço de bordo, passou a marinheiro, viajando também pelo interior da África (incluindo a portuguesa). Quis fazer o périplo do mundo. Como baleeiro percorreu os oceanos boreais, conheceu depois as principais cidades norte-americanas. Na Califórnia embarcou para as ilhas Sandwich, errou pela Ásia (Japão, China, Ceilão, etc), regressando pelo Suez. Chegou a trabalhar na Inglaterra. Após 11 anos de vida itinerante por boa parte do planeta regressou a Lisboa com a idade 31 anos, repleto de experiências e saberes. Republicano, começou a escrever em jornais lisboetas, espraiou-se com assiduidade pela pequena imprensa da província. A sua paixão pelas ideias socialistas fê-lo amigo de Azedo Gneco (1849-1911). Foram dois dos fundadores do (primitivo) Partido Socialista. L. Batalha sempre se bateu com a maior rectidão e moralidade pelos ideais do seu partido, tornando-se sócio honorário de bastantes associações operárias. As suas actividades iam-lhe proporcionando agora razoáveis capitais. No regime republicano veio a ser deputado pelo PS na legislatura de 1919–1923, pelo círculo do Porto, assumindo então o posto de chefe de gabinete do ilustre advogado Ramada Curto. A vida do nosso evocado foi um exemplo de quanto podem resultar positivos o trabalho e a força de vontade postos com inteligência ao serviço dos seus semelhantes. Ladislau Batalha faleceu em Arruda dos Vinhos em 26-11-1939, onde residira nos últimos cinco anos de vida."
(Fonte: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=920)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidadas e páginas amareladas, tudo pela fraca qualidade do papel utilizado.
Muito invulgar.
25€

05 setembro, 2023

SANTOS, Guilherme G. de Oliveira - O PROCESSO DOS TÁVORAS (importância do processo revisório). Lisboa, Livraria Portugal, [1979]. In-4.º (24x17,5 cm) de 100, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Caso dos Távoras, processo pelo qual foram acusadas de conspirar contra a vida do rei algumas das famílias mais influentes da época pombalina.
"A 13 de Janeiro de 1759 foram executados os acusados de estarem implicados no atentado ao rei D. José I, ocorrido uns meses antes, a 3 de Setembro de 1758.
Após um processo sumário, a sentença final, proferida a 12 de Janeiro de 1759 no Palácio da Ajuda, considerou o veredicto que todos os réus eram, de facto, culpados."
(Fonte: https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/o_suplicio_tavoras/)
Fez-se desta obra uma tiragem de trezentos exemplares, vinte e cinco dos quais numerados e rubricados pelo autor e fora do mercado.
O presente exemplar pertence à tiragem de 25, e leva o n.º 11.
Exemplar duplamente valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Vinte anos após ter dado a lume O Caso dos Távoras, livro com que noviciei na arte de escrever, volto ao assunto. [...]
Pretendi desenvolver dois ou três tópicos apenas aflorados até aqui, marginalizados, de interesse indiscutível não obstante; tentei, em suma, resolver parte da problemática suscitada pelo atrabiliário acórdão e fiquem embora em suspenso interrogações que historiógrafo que se cativar do tema elucidará um dia."
(Excerto do prefácio - A quem ler)
"Conservam todos na ideia os tiros com que, na infausta noite de 3 de Setembro de 1758, crivaram de chumbo a sege em que D. José, acompanhado de Pedro Teixeira, recolhia de uma entrevista galante com a Marquesa de Távora nova; e, bem assim, a sentença que arrastou ao patíbulo o duque de Aveiro, com alguns apaniguados, os Távoras e o conde de Atouguia e que determinou a expulsão dos Jesuítas e o encerro por quase vinte anos de muitas pessoas que povoaram as masmorras e que só viram a luz da liberdade após o falecimento do monarca.
Ora sempre me admirou uma espécie de respeito supersticioso que tem cercado a injusta sentença."
(Excerto do texto)
Guilherme G. de Oliveira Santos (1919-?). "Nasceu em Lisboa, em 1919, e formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1944. Exerceu os cargos de assistente social da Direção Geral dos Serviços Prisionais e delegado do Procurador da República. Uma vida dedicada à escrita onde se destaca: O Caso dos Távoras, Lisboa, 1959; Trovas de Crisfal, Lisboa, 1965; Camilo Castelo Branco e José Agostinho de Macedo, Lisboa, 1985; Testamento de um escritor, Lisboa, 1988 e Digressões Cervantinas, Lisboa, 2004, etc. É sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da Asociación de Cervantistas (Espanha) e foi condecorado pela Câmara Municipal de Ovar com a medalha de mérito."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

04 setembro, 2023

NEVES, Joaquim Pacheco -
COMO NASCE O ÓDIO (novelas). Vila do Conde, Adriano & Irmão : Editores, 1942. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 209, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de 4 contos/novelas, sendo esta uma das primeiras e mais apreciadas obra do autor.
"Ezequiel Cansado era de estatura meã, sôbre o magro, direito como um fuso e bem aparelhado de elegância. Orçava pelos 65 anos, sem que ninguém o dissesse, tão conservada estava a sua pessoa. Só as peles sêcas de pergaminho e os vários sulcos que lhe vincavam, em diferentes direcções, a epiderme rija da cara, denunciavam a idade, que êle, de resto, não pretendia esconder. [...] Ao dobrar os 36 anos de serviço, sadio que nem um pêro, fôra empurrado pela porta da repartição, para dar lugar a outro funcionário mais madraço e menos competente no ofício, mas com larga fôlha de serviços políticos a recomendar o seu pouco valimento."
(Excerto de Como nasce o ódio)
Índice:
I - Como nasce o ódio. II - O cocainómano. III - Em cada vida... IV - A tragédia do sr. Morais.
Joaquim Pacheco Neves (Vila do Conde, 1910-1998). Médico, cronista, romancista, dramaturgo, memorialista e editor português, investigador da história vilacondense e autor de vasta obra galardoada com prémios nacionais. Conta com extensa bibliografia devotada à história da sua terra, mas sobretudo à ficção, em especial na área contística.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

03 setembro, 2023

RIO, Alberto -
ALBERTO RIO, ANTIGO VOGAL DA COMISSÃO REGULADORA DO COMÉRCIO DE METAIS PERANTE O TRIBUNAL MILITAR ESPECIAL
. [S.l.], Edição do Autor, 1947. In-4.º (23,5 cm) de 112 p. ; B.
1.ª edição.
Peças do "complot" jurídico instaurado contra o autor e dadas por este à publicidade, com as respectivas explicações, para que não ficasse a mais leve dúvida no "tribunal" da opinião pública acerca do seu desempenho enquanto funcionário superior da Comissão Reguladora do Comércio de Metais, importante organismo estatal, que determinava a compra e venda de volfrâmio e estanho, bem como a importação de aço e ferro, durante a Segunda Guerra Mundial.
Raro. A BNP não menciona.
"O gabinete do Sr. Ministro da Economia forneceu, ontem, aos jornais, a seguinte nota:
A Direcção presentemente em exercício na Comissão Reguladora do Comércio de Metais, no desempenho das funções de inspecção que lhe foram cometidas por despacho de 17 de Outubro último, apresentou o seu relatório quanto à actuação desenvolvida anteriormente por aquele organismo.
No que respeita à administração exercida pela anterior Direcção, o relatório da inspecção revela que a vida do organismo foi profundamente abalada pelo excesso de tarefas que lhe foram cometidas, entre as quais avultam a aquisição e distribuição de materiais de ferro e aço importados e o exclusivo da compra e venda de volfrâmio e estanho.
Daí resultou elevar-se desmedidamente o quadro do pessoal ao serviço da Comissão, e êste nem sempre dispor da preparação necessária ao desempenho da sua missão.
A pedido da actual direcção está em curso uma investigação na Polícia de Vigilância e Defesa do Estado acerca de certos funcionários acusados da prática de actos de corrupção, e a mesma direcção já determinou o despedimento do pessoal que carecia de suficientes qualidades para o exercício do cargo, e de parte do que não era necessário ao funcionamento dos serviços."
(Excerto de Resultado duma inspecção aos serviços da CRCM)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e jurídico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€

02 setembro, 2023

FARIA, Carlos -
O PIANO.
Desenhos de A. C. Sobral. Lisboa, Deposito na Livraria de Antonio Maria Pereira, 1893. In-4.º (23 cm) de 188, [4] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance passado em Lisboa, remete para a vida de Olímpio, um pianista - professor e compositor - que se apaixona por Ema, filha do capitalista Gomes, que desagradado com esse amor correspondido, faz a vida negra ao músico.
Livro ilustrado com belíssimos desenhos de Sobral, que também assina a capa.
Obra interessante, muito bem redigida, sendo o vocabulário cuidado. Inclui expressões de certos tipos de Lisboa, muito engraçadas, - do burguês ao guarda-portão -, que por norma traduzem desprezo. A BNP refere a obra com a indicação "sem informação exemplar".
"Estamos a 30 de Novembro. São 7 horas e meia da manhã. O ceu como um caldeirão velho cujo fundo começa a descoser-se, vae largando cada vez maiores e mais frequentes os pingos de um negro aguaceiro.
O pobre pianista fecha o seu

«Quarto independente para homem só com porta para a escada e sem comida, na rua dos Corrieiros n.º...»

como textualmente annunciara o Diario de Noticias.
Desceu vagarosamente levando na mão uma pequena mala de coiro. Vae começar a sua tarefa quotidiana.
A corda d'agua como fina vergasta metalica chicoteava as pedras da rua. A chuva produzia o ruido estrelante da agua caindo sobre lume. Era o caldeirão que se arrombava.
No portão da escada, em defeza da tremenda batega, entrara uma roliça creada e logo após um policia.
- Jesus do ceu! Que carga d'agua! - dizia ella sacudindo o chale depois de largar o cabaz das compras.
- Quem dera que durasse para ter a Luisinha ao pé de mim, retorquiu galante o defensor da propriedade, vida e honra das familias de Lisboa. E ajudava a creada a enxugar-se com tanta dedicação que o pianista iria jurar que vira os ardentes beiços milicianos chuparem uns pingos de chuva que Luisinha tinha na cara."
(Excerto do Cap. I)
Carlos de Faria e Melo (1849-1917). "Escritor, jornalista, político e diplomata. Natural de Lisboa, Carlos de Faria e Melo fixou residência em Aveiro, cidade onde se notabilizou como jornalista e escritor, tendo sido agraciado pelo Rei D. Carlos com o título de 1.º Barão de Cadoro. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Carlos de Faria iniciou, ainda muito novo, a sua carreira jornalística, tendo fundado e dirigido diversos jornais, alguns de cariz literário. Como escritor, publicou vários livros. Para além disso, desempenhou cargos políticos, designadamente o de Administrador do Concelho de Aveiro e o de Governador Civil do Distrito de Aveiro, tendo sido também Cônsul de Espanha em Aveiro. Carlos Faria foi redator efetivo do jornal O Povo de Aveiro. Fundou e dirigiu o jornal A Locomotiva (que se auto-intitulava Periódico dos Caminhos de Ferro). Com Gervásio Lobato, fundou o periódico Comédia Portuguesa, tendo ainda integrado a redação do Jornal do Norte, de António Augusto Teixeira de Vasconcelos. Como escritor, Carlos de Faria publicou várias obras de ficção, nomeadamente os livros intitulados 1:000$000 reis, [189-], O Piano (1893), Portugueses Cosmopolitas (?) e Diniz (1898). Em colaboração com Joaquim de Melo Freitas, publicou a obra Homenagem ao distinto explorador de África Serpa Pinto. Para além disso, cooperou em diversas iniciativas de relevo na vida social e cultural aveirense."
(Fonte: http://sites.ecclesia.pt/cv/carlos-de-faria-jornalista-e-escritor/)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Páginas apresentam acidez.
Raro.
Indisponível

01 setembro, 2023

BRAGA, Victoriano -
OCTÁVIO : peça em três actos. Representada pela primeira vez, em 1916, no Teatro Nacional Almeida Garrett. Lisboa, J. Rodrigues & C.ª, 1927. In-8.º (19,5x13 cm) de 111, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original desta peça, talvez a obra mais discutida do autor pelo escândalo que alcançou na época, dada a sua forte componente sensual e erótica.
"Uma sala não muito grande, luxuosíssima. Porta de arco ao fundo, comunicando com o jardim de inervo; à direita, uma porta larga, coberta de um reposteiro de armas, que dá para o salão de baile. Mobília rica e de muito bom gôsto; pelas paredes, retratos a óleo de antepassados ilustres. - A scena não deve estar muito iluminada. Ouve-se o sexteto  antes do pano subir.
Há baile no palácio. É ao comêço da festa, que decorre ainda com intimidade, vendo-se já alguns convidados no jardim.
Gil, de pé, conversa com Octávio, que se tem estirado com elegância num sofá, entre almofadas, à direita da scena. - Octávio, sendo o mais corecto possível, deve no entanto deixar perceber, excepto para com Gil, a grande diferença que está persuadido existir entre si e todos."
(Excerto do Acto Primeiro)
Vitoriano Braga (1888-1940). "Dramaturgo, tradutor e crítico de teatro. Ginasta de mérito, introduz o futebol amador entre nós. Faz moda. Como fotógrafo amador, retratou Guerra Junqueiro e Fernando Pessoa, para além dos nus de Almada. A sua escassa produção de teatro assenta numa construção convencional, mas eficaz, do enredo e insere-se na linha naturalista de análise psicológica e crítica social. As primeiras peças, escritas entre 1908 e 1918, foram representadas pela Sociedade Artística, companhia residente do Teatro Nacional: A Bi (escrita em colaboração com J. Vasconcelos e Sá) em 1911, Octávio, em 1916, e O Salon de Madame Xavier, em 1918. Na década de 1920 estreia, no Teatro Politeama, A Casaca Encarnada (1922), produção da Companhia de Lucília Simões, com cartaz de Almada Negreiros; no mesmo teatro representa-se, em 1926, a comédia dramática Inimigos, escrita no ano anterior, protagonizada por Ilda Stichini e Raul de Carvalho. Entre outras peças, menos destacadas pela crítica, contam-se Lua-de-Mel (Teatro do Ginásio, 1928) e O Conselho da Noite (Chiado Terrasse, 1932).
Com Octávio inicia-se um dos motivos caros ao teatro de Vitoriano Braga, o casamento de conveniência. Não foi, porém, este motivo que dividiu opiniões e provocou uma reacção desfavorável da crítica e a breve carreira do espectáculo. O tema da peça resulta da sua forte componente erótica, desenhada em Octávio e Graça, e nele especialmente: dandy, músico e doente - o actor deve «deixar perceber […] a grande diferença que está persuadido existir entre si e todos» (rubrica do I acto) -, que lembra motivos anteriores do esteta, até na blague, e antecipa traços do singular decadentismo dos anos de 1920 na homossexualidade discreta mas evidente e na exaltação do artista. Octávio não é, porém, um tipo, como acontece a muitas figuras do teatro de Vitoriano Braga; a complexidade desta personagem insinua-se no ambiente, nas palavras como nos silêncios, na música de cena, onde o sexteto para o baile do I acto contrasta com a pequena peça para órgão «com uma melodia de sabor gregoriano» expressamente escrita por Luís de Freitas Branco (Alexandre Delgado, Ana Teles e Nuno Bettencourt Mendes, Luís de Freitas Branco, Lisboa: Editorial Caminho, 2007) talvez para o final do II acto.
A obra foi apreciada por Fernando Pessoa, que se propunha editá-la na Olisipo (c. 1922), com A Casaca Encarnada e O Milagre. Para além disso, Octávio foi motor do ensaio «Sobre o Drama». Na reflexão sobre o ideal dramático da modernidade, afirma: «é no campo da intuição psicológica, no conceito do psiquismo individual, que a cultura científica produziu, na mente do dramaturgo, porque na de toda a gente culta, resultados novos e notáveis. […] Para mim, o valor capital do drama Octávio, o que o torna, a meu ver, notável entre a multidão nula das peças modernas, seja de que nação forem, é que, por acção [de] um seguro instinto, ele é orientado exactamente no sentido que a cultura moderna impõe como o caminho do dever artístico.» (Páginas de Estética, p. 87)."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/v/794-vitoriano-braga)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
25€