19 abril, 2021

TERRA, José - CANTO DA AVE PRISIONEIRA.
Poemas
. [S.l.], Edição do Autor, 1949. In-4.º (25 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Edição original da primeira obra do autor, rara e muito apreciada, publicada quando o poeta tinha apenas 21 anos. Proibida de circular pela censura do Estado Novo.

"Eu sou o benjamim
Dos poetas portugueses.
Pobre benjamim
Nos vaivéns da miséria e dos revezes!

Eu sou o benjamim
Dos que ouviram a voz da liberdade
E preferem ficar eternamente mudos
A cantar loas à impiedade!

Eu sou o benjamim
Dos poetas do meu povo.
Povo!
Eu te dou meu corpo e minha alma,
Meu coração, meu sangue novo!

Eu sou o benjamim
Dos cantores da nova primavera
Em nossas mãos florida, em nossas mãos,
No coração que espera!...
[...]
Eu sou o benjamim
Dos poetas portugueses.

E não sei cantar de outra maneira..."

(Excerto de Pórtico)

José Terra (pseudónimo literário de José Fernandes da Silva) (Prozelo, Arcos de Valdevez, 1928 - Paris, 2014). "Poeta, foi, ao longo da vida, professor universitário (regente das Cátedras de Português das Universidades de Paris 8 / Saint-Denis e da Sorbonne Paris IV), filólogo, historiador, ensaísta, crítico e tradutor. Co-fundador e co-editor das revistas Árvore (1951-53) e Cassiopeia (1955), que tiveram um papel fundamental na renovação da poesia portuguesa dos anos 50, distinguiu-se, nesse campo, com a publicação de quatro livros há muito esgotados, balizados entre 1949 e 1959. Colaborou em várias revistas, e os seus poemas foram incluídos em diversas antologias do género.
A obra em livro começou em 1949, quando o poeta tinha só 21 anos, com a edição de autor do Canto da Ave Prisioneira, que inclui poemas escritos entre 1945 e 1949 (o livro, objecto de apenas duas recensões críticas, de Mário Dionísio na Vértice e de Alfredo Guisado na República, foi logo apreendido pela censura). Além do apelo de liberdade que percorre todos os poemas, o título e a sugestiva capa com um desenho de José Viana Dionísio (o futuro actor José Viana), na qual se vê uma ave batendo as asas para escapar das malhas de arame farpado, não podiam iludir os censores."
(Fonte: Esteves, José Manuel da Costa - A poesia de José Terra: o acto criador como acto libertador, 2013)
Exemplar em brochura bem conservado. Rasgão na capa, sem perda de papel.
Raro.
Indisponível

18 abril, 2021

ANTA, Dom Abbade d' - ORAÇÕES SAGRADAS. Collecção de sermões escolhidos.
Pelo... Manoel Ribeiro de Figueiredo ex-professor de Latim e Latinidade, Prégador Régio e Capellão da Casa Real, etc.
Porto, Imprensa Civilisação - Santos & Lemos, 1882. In-8.º (21 cm) de XXV, [1], 343, [8] p. ; C.
1.ª edição.
Obra dedicada pelo autor - Manuel Ribeiro de Figueiredo, o Abade de Anta (Espinho) - ao Conselheiro José Dias Ferreira, conhecido professor universitário de direito, advogado e político português. A extensa dedicatória, terminada na Praia d'Espinho, com data de 30 de Novembro de 1881, é o pretexto para o autor tecer considerações sobre a Oratória Sagrada em Portugal, apontando as causas para a sua decadência, numa espécie de dedicatória-prólogo que antecede a colectânea de sermões.
Indice:
Carta do Ill.mo e Ex.mo Snr. Conselheiro, José Dias Ferreira, ao aucthor. | Carta-Prologo do aucthor ao mesmo. | Sermão da Eucharistia. | Sermão de Jesus Christo, Senhor dos Afflictos. | Sermão do Coração de Jesus. | Sermão de Nossa Senhôra 'na sua Natividade. | Sermão das Dôres de Nossa Senhôra. | Sermão da Soledade de Nossa Senhôra. | Sermão do Lava-pés. | Sermão da Paixão de Jesus Christo. | Sermão da Ressurreição. | Sermão de Sancto Antonio. | Sermão de Sancta Mafalda. | Sermão de Santa Cicilia. | Sermão da Bulla da Sancta Cruzada. | Sermão em acção de Graças pelo triumpho das armas portuguezas sobre os Francezes. | Sermão em acção de Graças pela restauração de Portugal. | Discurso funebre 'no 33.º anniversario da morte do Senhôr D. Pedro 4.º. | Discurso funebre nas exequias por alma do mesmo. | Oração funebre 'nas exequias do Snr. Duque de Loulé. | Oração funebre 'nas exequias do Snr. Fructuoso José da Silva Ayres.
Exemplar cartonado em bom estado de conservação. Sem revestimento da lombada(?).
Raro.
Indisponível

17 abril, 2021

MACHADO, A. Victor - GUIA PRÁTICO DE CARACTERIZAÇÃO.
Colectânea de ensinamentos úteis para uso dos Amadores Dramáticos. Por... Lisboa, Editores Ferreira & Franco, L.da, [193-]. In-8.º (16,5 cm) de 47, [1] p. ; [15] f. il. ; C.
1.ª edição.
Curioso manual de caracterização - inovador na época - com interesse para a história da reprentação entre nós.
Livro ilustrado com 15 estampas intercaladas no texto.
"Ao reünir neste livrinho alguns ensinamentos, que julgo de utilidade, sôbre caracterização, tive apenas o propósito de prestar-vos um serviço, por não existir no nosso mercado livresco qualquer obra em português e actualizada, sôbre a pintura e transformação do rosto.
Entre nós bem pouco se tem escrito sôbre caracterização, o que em parte justifica o seu desconhecimento, sobretudo dos principiantes em teatro, e o que também não é para causar grande assombro, se atendermos a que, ainda hoje - triste é dizê-lo - há actores que se utilizam da rôlha de cortiça queimada e do arame fumado para «fazer as rugas»...
Entre os nossos actores há, no entanto, alguns a quem devemos prestar justiça, reconhecendo-os verdadeiros mestres em caracterização. Todavia, não escrevem, não divulgam os seus conhecimentos, a sua técnica e o seu saber, que êles monopolizam para a criação dos seus admiráveis «tipos», compostos com arte e ciência, reveladores dum alto poder de observação e aturado estudo. [...] Em Itália, e especialmente em Inglaterra, algo se tem publicado sôbre a Arte de Caracterização, e que a maioria dos nossos profissionais de teatro desconhece.
O Guia Prático de Caracterização não é, como o seu nome o indica, um tratado completo; é, sim, um Guia Prático, um resumido mas prestante conselheiro dos Amadores Dramáticos, sobretudo recomendável aos que começam."
(Excerto da Nota preambular)
Índice: [Dedicatória]. | [Nota preambular]. | I - Dos tempos idos à época actual. II - Confidências de Signoret - Ensinamentos aos novos. III - A caracterização no cinema. IV - Traços fisionómicos - Método de Lavater.
Encadernação editorial cartonada com letras a negro sobre fundo laranja.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

16 abril, 2021

PINTO, Mário G. L. Barros - O CANTO DAS CRUZES NO SOAJO
. [S.l.], Grupo de Estudos do Património Arcuense (G. E. P. A.), [1985?]. In-4.º (23 cm) de 23, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso trabalho sobre os cantares religiosos do Soajo, Arcos de Valdevez. Com interesse antropolológico e etnográfico.
Livro ilustrado com fotogravuras no texto (1) e em página inteira (3). Inclui ainda a letra dos cantos, bem como as respectivas partituras.
"Soajo estende-se por larga área a nascente das Terras de Val e Vez, à ilharga do rio Lima, separado da Galiza, a quem dá os bons dias, pelo rio Laboreiro, integrado numa zona de grande interesse antropológico e natural, - o Parque Nacional Peneda-Gerês.
Cabeça de montaria e senhora de privilégios reais antiquíssimos («não só são isentos seus moradores de todos os tributos, salvo Siza & Usual mas nunca pagárão palha, nem derão alojamento, nem Soldados no tempo da guerra, a que não são obrigados ir senão com ElRey, quando elle pelo mesmo Concelho a faça»), os seus habitantes apresentam traços característicos muito marcados que lhes conferem um lugar especial na geografia humana da região.
Dali era o homem rude mas cheio de sabedoria e orgulho, influência certamente dos grandes espaços e das imensas moles de granito que o dominam, - o Juiz de Soajo, cuja sentença foi lição para os «juízes de senhoria»: - «cadeira em que se sentou jamais a levantou». [...]
Foi nesta freguesia dos sete cemitérios, cheia de lenda e tradições, que fomos colher o
«Canto das Cruzes».
De facto, uma das tradições mais antigas de Soajo é a comemoração da Paixão de Cristo vulgarmente conhecida pelo Canto das Cruzes.
Celebrava-se em cada ano, com início na 4.ª feira de Cinzas e durava até às endoenças da 5.ª feira Santa.
Os homens reuniam-se, ao toque do sino, depois da ceia, no adro da Igreja, e dividiam-se em dois grupos separados aí coisa de uns quarenta passos, mas que podiam variar conforme as distâncias entre os cruzeiros de pedra. [...]
O Canto das Cruzes principiava e acabava na Igreja, e tudo de realizava às escuras, com um grupo a cantar os primeiros versos junto de uma cruz, e o outro, colocado na cruz anterior, a responder."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

15 abril, 2021

O BACALHAU E SEU FORMULARIO. (Mais de 300 preparações culinarias diversas). Lisboa, Editorial Excelsior, [na capa Livraria Editora Guimarães & C.ª], 1927. In-4.º (24 cm) de 98 p. ; E. Biblioteca Excelsior : «Coléção Culina»
1.ª edição.
Título da capa: 270 receitas para cozinhar Bacalhau. Este número corresponde à realidade; efectivamente, conta com 270 receitas e não 300, como vem indicado na f. rosto.
Interessante livro de receitas exclusivamente devotado à preparação e confecção do "fiel amigo"; julgamos ser o primeiro que com estas características se publicou entre nós.
"Poucas pessoas conhecem este peixe na sua fórma natural, porque o bacalhau só aparece nos nossos mercados depois de preparado, isto é aberto e salgado.
O bacalhau fresco prepara-se, em geral, de todos os modos por que se preparam os outros peixes frescos, semelhantes.
Chama-se frescal o bacalhau cuja salga é recente e que depois de cosinhado apresenta uma fêbra muito mais macia do que a do bacalhau de antiga salga.
Qualquer que seja a preparação que se pretenda fazer com bacalhau, este deve ser de primeira qualidade; esta reconhece-se pela pele negra no dorso e branca pratéada do lado do ventre, e tambem pela espessura dos filetes cuja fêbra deve ser branca e como que constituida por folhas; se os filetes são chatos e amarelados, isso é sinal de dureza e de ranço.
Para cosinhar o bacalhau salgado, deve este ser previamente demolhado em agua corrente; para esse fim deve ter-se uma celha ou alguidar com um orificio na parte superior por onde se escoa a agua em excesso; assim o bacalhau, de môlho durante vinte e quatro horas, pelo menos, completamente mergulhado fica em condições de ser cosinhado."
(Excerto do preâmbulo)
Encadernação simples, cartonada, com a lombada revestida de tecido. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Folhas ocasionalmente oxidadas.
Raro.
A BNP dá notícia de apenas 1 exempla.
100€

14 abril, 2021

SCOTT, Walter - A CAMINHO DE JERUSALÉM.
[Tradução de Leyguarda Ferreira]
. Lisboa, Romano Torres, [1968]. In-8.º (19 cm) de 460, [4] p. ; B.
1.ª edição portuguesa.
Apreciado romance histórico do mestre escocês deste género de literatura. Título do original: Count Robert of Paris.
"Era de tarde e a brisa doce e refrescante do mar predispunha aqueles que não tinham afazeres a entregarem-se a devaneios ou a observarem com curiosidade os objectos interessantes que a Natureza e a arte apresentam à admiração daqueles que visitam Constantinopla.
Entre os que a curiosidade ou a ociosidade reunira em volta da Porta de Oiro, notava-se um homem, cuja fisionomia exprimia mais surpresa e interesse do que seria de esperar de um habitante da cidade. O olhas vivo, os movimentos, a expressão do rosto, tudo deixava adivinhar uma imaginação solicitada por objectos novos, desconhecidos até então. O trajo era o de um guerreiro e o aspecto, tanto como o tom da pele, podiam indicar que nascera longe da capital da Grécia moderna.
Teria os seus vinte e dois anos, a estatura era notável, as formas atléticas, qualidades muito apreciadas pelos cidadãos de Constantinopla que, pelo hábito de frequentarem os jogos públicos onde encontravam o escol dos seus compatriotas e os mais belos modelos da raça humana, haviam adquirido profundo conhecimento do homem físico.
Esses atletas, no entanto, não eram em geral tão altos como o desconhecido parado diante da Porta de Oiro. Olhos azuis de olhar penetrante, cabelos loiros que saíam do elmo ricamente ornamentado de prata, cuja cimeira representava um dragão entreabrindo as formidáveis maxilas, tudo indicava a origem nórdica, confirmada pela extrema beleza da cútis. [...]
O traje do rapaz apresentava um misto de riqueza e frivolidade, conquanto bastasse para indicar a um espectador experimentado a nação a que pertencia e o posto por ele ocupado no exército. [...]
Sobre os ombros do guerreiro flutuava uma espécie de capa, parecida com uma pele de urso, mas que, vista de perto, se reconhecia ter sido tecida de seda, imitando pele. Ao lado pendia-lhe um sabre curto ou cimitarra, cuja bainha era de oiro e marfim e o punho trabalhado parecia pequeno para a forte mão daquele hércules tão elegantemente trajado. [...]
Porém, usava também uma arma mais adaptável, em aparência, à sua mão vigorosa e que um homem mais fraco não poderia manejar: uma acha de armas, com cabo de olmo, excessivamente duro, guarnecido de placas de aço e de cobre; as mesmas placas e anéis de ferro uniam entre si as peças de metal e de madeira. A arma apresentava dois gumes e entre eles via-se uma ponta muito aguda. Toda de aço, brilhava como um espelho... [...]
O uso de armas provava ser o rapaz militar ou estrangeiro. Entre os Gregos, como entre os outros povos civilizados, só os militares usavam armas em tempo de paz, tornando-se, portanto, fácil distingui-los dos simples cidadãos; foi com um ar marcado de receio e até de aversão que muitos afirmaram em voz baixa ser ele um Varangue, nome pelo qual designavam os bárbaros que compunham a guarda imperial."
(Excerto do Cap. II, O Varangue)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

13 abril, 2021

O JULGAMENTO DE JOÃO BRANDÃO (DE MIDÕES) NOS DIAS 31 DE MAIO, 1, 2 E 3 DE JUNHO DE 1869 NA COMARCA DE TABOA.
Preço 100 Réis
. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1869. In-8.º (22,5 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Transcrição das audiências do julgamento de João Brandão, o conhecido facínora de Midões (Tábua), que espalhou o terror nas Beiras no período que se seguiu à guerra civil portuguesa, aqui pronunciado por "roubo com arrombamento e assassinato".
"P. que por uma hora pouco mais ou menos da noite de 30 para 31 de março de 1866 (sexta feira santa para sabbado de alleluia) e na casa de habitação que o visconde de Almeidinha possue em Varzea de Candosa, onde se achava o padre José d'Annunciação Portugal, foi este roubado por tres salteadores armados e mascarados, que penetrando alli por meio de arrombamento constante do corpo de delicto, e dirigindo-se ao quarto onde o mesmo dormia, alumiados pela luz d'uma lanterna, lhe subtrahiram da gaveta d'uma mesa que alli estava, uma bolsa de linho com um conto de réis, pouco mais ou menos em libras e meias libras.
P. que na mesma casa e logar, quando um dos tres salteadores, não contente com o dinheiro que havia roubado, pedia mais dinheiro ao padre, que acordára, apenas abriram a porta do quarto, e quando o mesmo ia a erguer-se para esse fim, foi-lhe disparado um tiro de arma de fogo, que o feriu e o atravessou com duas balas, de cujos ferimentos lhe resultou necessariamente a morte poucas horas depois, como consta do auto de autopsia.
P. que os auctores d'estes crimes foram o reo João Victor da Silva Brandão, Antonio Brandão, Mattos da Covilhã e Brito Penalva, por quanto
P. que o reo foi sempre havido por chefe d'uma quadrilha de malfeitores e assassinos, de que faziam parte os coreos, os quaes pelos laços e relações criminosas que existem entre si lhe obedeciam e obedecem cegamente."
(Excerto do Libello accusatorio)
Matérias:
[Apresentação dos intervenientes no julgamento]. | Libello acusatorio. | I - Audiencia em 31 de maio. II - Audiencia em 1 de junho. III - Audiencia em 2 de junho de 1869. IV - Audiencia em 3 de junho. V - Interrogatorio do reo. | Quesitos. | Sentença.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, falhas de papel e pequenos orifícios, trabalho de xilófago.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
85€

12 abril, 2021

RELATORIOS SÔBRE PESCA MARITIMA NAS CAPITANIAS DE CAMINHA, VIANNA DO CASTELLO, FIGUEIRA DA FOZ E POVOA DE VARZIM -
Ministerio da Marinha e Ultramar : Direcção Geral da Marinha - 1.ª Repartição. Pescarias
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1890. In-4.º (23 cm) de 58 p. ; B.
1.ª edição.
Relatórios pioneiros, redigidos no final do século XIX, sobre o estado das pescas em quatro pontos do litoral nortenho servidos por portos. Informação relevante, conseguida a custo pelos responsáveis das capitanias, dada a fraca colaboração dos pescadores, sendo evidente, também, a impreparação de alguns dos capitães dos portos. Raro e muitíssimo interessante.
Livro ilustrado ao longo do texto com quadros estatísticos.
"De difficil tarefa fui encarregado, pois, em virtude dos poucos conhecimentos que eu tinha sobre o assumpto de que vou tratar, e sem a nenhuma ajuda dos pescadores, vi-me obrigado a procurar em tratados especiaes, principalmente inglezes, esses conhecimentos que me faltavam, e visitando este rio, estudando-o e comparando-o com os seus congeneres de Inglaterra, habilitar-me por este meio a responder o melhor que me for possivel aos quesitos apresentados por v. ex.ª.
A impressão dolorosa que senti ao ver as conclusões que era obrigado a tirar, quer pela simples inspecção dos documentos que das differentes alfandegas recebi, quer das informações, embora muito deficientes, que dos velhos pescadores me deram, póde v. ex.ª avalial-a ao findar a leitura d'este modestissio relatorio, para o qual peço toda a benevolencia de v. ex.ª.
Este rio, outr'ora tão povoado pelas tres especies ichthyologicas, salmão, savel e lampreia, seguramente das mais ricas que frequentam os nossos rios acha-se hoje quasi abandonado por ellas, e tudo leva a crer completamente falto d'ellas n'um praso bastante curto."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto de Caminha, José da Cunha Lima)
"A industria da pesca na area da capitania do porto de Vianna do Castello, que tem por limites; ao norte, o extremo norte do litoral do concelho de Vianna do Castello; ao sul, o extremo sul do litoral do concelho de Espozende, exerce-se no mar até á distancia de 12 milhas de terra, e nos rios Lima, Cavado e Neiva; a pesca, porém, n'este ultimo rio é de muito pequena importancia."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto de Viana, Eduardo Augusto de Andrade e Sousa)
"Com referencia ao assumpto de que tratam os officios circulares n.º 561 de 20 de agosto e n.º 569 de 24 do mesmo mez, acompanhando esta copia do officio-circular n.º 204 de 29 de março, passo a relatar tudo quanto pôde colligir relativamente á vida do peixe no districto maritimo da Figueira da Foz, e tudo quanto tenha relação immediata com relação ao assumpto em questão."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto da Figueira, Jayme Pereira de Sampaio Forjaz de Serpa Pimentel)
"Em cumprimento de ordens superiores, sou obrigado a fazer um relatorio sobre a arte da pesca na area d'esta delegação maritima da Povoa de Varzim; os escassos meios scientificos de que disponho, a variedade de artes de pesca que aqui existem, e as difficuldades que ha em obter esclarecimentos dos pescadores, que estão sempre de opinião antecipada para responderem a qualquer pergunta que se lhe faça para ajuizarem que, respondendo, estão a lavrar a sua sentença condemnatoria para lhes serem lançados novos tributos faz com que eu não possa fazer um serviço que preencha as formulas a que deve estar sujeito um relatorio, no emtanto direi o que tenho estudado sobre tal assumpto."
(Excerto do Relatório do Delegado Marítimo do porto da Póvoa, Accacio Soares Loureiro)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Miolo correcto.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
50€

11 abril, 2021

MARQUES, Armando - SANGUE E DINHEIRO.
Prefacio de D. Emilia de Sousa Costa. O drama da "Poça das Feitiçeiras"
. [S.l.], Pelo Editor: «Grupo de Portuenses - José Ferreira Pacheco; Constantino Eugenio de Oliveira; Antonio Domingos Oliveira, 1931. In-8.º (20,5 cm) de VIII, 327, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
"O produto liquido da venda dêste livro reverte em favor das despesas a fazer com a revisão  do processo-crime da «Poça das Feiticeiras»". (Inscrito no verso da f. anterrosto)
Trabalho de reportagem sobre o crime de parricídio, que em 1925 causou consternação e perplexidade em Viseu, e que, pelos seus contornos, alcançou projecção nacional, dando azo a algumas publicações, a última das quais, da autoria de Agustina Bessa-Luís, em 1989, com o romance «Eugénia e Silvina».
Livro ilustrado com fotogravuras ao longo das páginas de texto.
"Pedem-me duas palavras de prefacio, para este grito de justiça. Nunca, até hoje, me neguei a secundar todos os apelos que se me afiguram justos, trate-se de amigos ou inimigos, de conhecidos ou desconhecidos. [...]
Conquanto a minha convicção, sobre a inocencia dos acusados do Crime da Poça das Feiticeiras, há muito existisse, quiz visitar D. Silvina na cadeia, falar-lhe, auscultá-la, antes de afirmar em publico essa convicção. As suas afirmações perentorias, desassombradas, os seus pobres olhos, já aridos de lagrimas que, durante cinco anos, lhos queimaram e neles esteriotiparam o estigma da sua dor e da sua revolta, nada acrescentaram ao que a minha intuição me segredou.
Quando li nos jornais o relato circunstanciado do Crime da Poça das Feiticeiras, á natural e instantanea impressão de horror que no meu espirito causou a hipotese aventada dum parricidio, praticado por uma senhora religiosa e educada por um homem de certa ilustração, foi sucedendo outra impressão de estranheza. As provas acumulavam-se. Certos vestigios do crime que, nas primeiras horas, escaparam aos olhos investigadores, brotavam como por milagre, uns após outros. Acusadores surgiam de todos os lados, numa sanha nada humana e absolutamente ilogica, contra os apontados é execração publica, perdida, antes de completas as averiguações, aquela serenidade cauta e respeitavel que se impõe ás consciencias ansiosas de ver brilhar a verdade e só depois proferir a sentença. A gravidade do crime aconselhava a suprema cautela, a suprema prudencia.
Não se atira sôbre uma filha a imputação do assassínio do seu pai, sem a certeza plena, convincente, dessa monstruosidade."
(Excerto do Prefacio)
"Um prolóquio arabe sentencia que o homem para ser completo tem de «escrever um livro, fazer um filho e plantar uma arvore». O anexim não se aplica a este trabalho. É verdade que completo agora essa missão que os arabes atribuem ao homem. Mas este livro não foi escrito para cumprir um proverbio. Outro sentimento o determina. Um dever mais elevado o impõe: Chamar a atenção de todos os portugueses que o lerem para um drama de sangue e dinheiro que há seis anos se arrasta irritantemente pelos tribunais. Fazer vibrar os corações humanos em redor de um misterio que fez sepultar nas necropoles penitenciarias um homem e uma mulher, sobre cujas responsabilidades criminais a duvida abre nos espiritos bem formados clareiras de inocencia. Demonstrar com provas que o conluio e a cabala, formados em «cotterie», embora não tivesse participação directa na morte de João Alves Trindade, se aproveitaram dela para lançar á execração publica uma infeliz, submersa no infamante anatema de parricidio, e assim desviarem a torrente de oiro da fortuna do assassinado em favor de terceiros."
(Excerto de Portico do drama)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
25€

10 abril, 2021

DINIZ, Julio - SERÕES DA PROVINCIA.
Por... Terceira edição acrescentada com o novo romance inedito JUSTIÇA DE SUA MAGESTADE
. Porto, Em Casa de A. R. da Cruz Coutinho, Editor, 1879. In-8.º (19 cm) de 311, [1] p. ; E.
Rara edição - a terceira - dos Serões da Província, que pela primeira vez integra Justiça de Sua Magestade, novela escrita pelo autor - a sua primeira - quando contava apenas 19 anos de idade, podendo por isso, ainda que parcialmente, ser considerada uma primeira edição. Não figura na base de dados da Biblioteca Nacional.
"Publicado pela primeira vez em 1870, a obra “Serões da Província” é uma compilação de contos e curtas novelas que Júlio Dinis publicou em folhetim no Jornal do Porto, entre 1862 e 1864.
A novela “Justiça de Sua Majestade” tem uma particularidade: foi a primeira novela escrita por Júlio Dinis, em 1858, quando tinha 19 anos. O seu editor da altura, no entanto, não gostou da história e negou-se a publica-lo. Tal facto desencorajou Júlio Dinis de tal maneira que só apresentaria um novo romance (As Pupilas do Senhor Reitor) dez anos depois. A história seria depois acrescentada a “Serões da Província” a partir da terceira edição, já depois da morte prematura de Júlio Dinis e a pedido do pai dele. A ação da história gira em torno de encontros amorosos e fugazes, mas intensos, que ocorrem entre dois casais na corte da rainha D. Maria II."
(Fonte: http://www.agr-tc.pt/bibliotecadigital/aetc/index.php?page=13&id=126&db=)
"Era por uma manhã de abril de 1852.
O campo vestia-se de seus mais opulentos e matizados trajos.
O Minho estava fascinador.
Por toda a parte eram já espessuras frondosas e impenetraveis; sombras discretas; valles mysteriosos e encantadores, graças ao claro-escuro com que a vegetação renascente os coloria; collinas adornadas e festivas, como um throno de altar em capella rustica; enfloradissimos silvados, veigas a exuberarem de vida; e, por entre tudo isto, casas de brancura offuscante, e acima de tudo um céo sem nuvens, um céo azul, d'aquelle azul dos céos napolitanos, a meu ver, tão culpados na existencia dos lazzaroni. [...]
A physionomia das cidades perde tambem então um pouco da sua habitual gravidade. O vento que lhe vem dos arrebaldes inocula-lhes este fermento do folgazão regosijo. A primavera desinquieta-os, sedul-os, attrae-os, a esses soturnos cidadãos, e a população urbana trasborda nas aldeias circumvizinhas."
(Excerto do Justiça de Sua Magestade, I - Fervet Opus!)
Indice:
Advertencia [da 3.ª edição]. | Justiça de Sua Magestade. | As Apprehensões de uma mãe. | O Espolio do Snr. Cypriano. | Os Novellos da tia Philomena. | Uma Flor d'entre o gêlo.
Júlio Dinis (1839-1871). "Escritor português. Júlio Dinis é o pseudónimo literário mais conhecido de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, entre os vários que o autor adotou ao longo da sua carreira literária. Nasceu a 14 de novembro de 1839, no Porto, e morreu a 12 de setembro de 1871, na mesma cidade. Licenciou-se em Medicina, mas dedicou-se sobretudo à literatura, podendo ser considerado como um escritor de transição, situado entre o fim do Romantismo e o início do Realismo. É autor de poesias, peças de teatro, textos de teorização literária, mas destaca-se sobretudo como romancista, deixando em pouco mais de trinta e dois anos de vida uma produção original e inovadora, que contribuiu grandemente para a criação do romance moderno em Portugal."
(Fonte infopedia)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas desgastadas, sobretudo nas margens e nos cantos. Falha de pele na extremidade superior da lombada. Interior correcto.
Raro.
Sem registo na BNP.
35€

09 abril, 2021

LARCHER, Jorge das Neves - CARTILHA PATRIÓTICA
. Mandada publicar pelo Núcleo n.º 44 da Fraternidade Militar do 1.º G. A. M. [Por]... Tenente do 1.º G. A. M. Lisboa, Polycommercial, [1920]. In-8.º (21,5 cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo publicado por ocasião do segundo aniversário do 9 de Abril, data da batalha de La Lys. Inclui uma poesia - Saúdades do Lar - redigida em França, 1918.
"O 9 de Abril é uma data gloriosa, e não só gloriosa como também grandiosa para o nome português, cujo valor resplandeceu com imortal fulgor.
O 9 de Abril, soldados, é a data memorável em que algumas centenas dos vossos camaradas foram lá fora aos campos da Flandres levantar bem alto o prestígio no nome português e dizer ao mundo, que a raça portuguesa sabe respeitar os seus compromissos e honrar a memória dos seus antepassados, que por toda a parte do mundo verteram o seu sangue generoso para nos legarem um nome honrado e uma nobre Pátria, grande pelo seu povo e ainda maior pela sua história.
O 9 de Abril, soldados, é a data verdadeiramente histórica em que uma pequena parte do já reduzido corpo expedicionário português, num arranco sublime, afrontou e quiz deter com o mais rasgado heroismo, o avanço do mais poderoso e do mais bárbaro exército do mundo."
(Excerto de 9 de Abril)
Índice:
Duas palavras. | 9 de Abril. Alocução às praças do 1.º G. A. M. no 2.º aniversário desta memorável data. | A instrução. | Máximas e pensamentos. | Pátria e bandeira. | Monumentos. | Saúdades do lar [Poesia - Música do ilustre chefe de banda de Inf. 7, Ex.mo capitão Barbosa]. | Portugueses de raça.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar.
Indisponível

08 abril, 2021

MORA, Amadeu da Cunha - DEIXE VER A LÍNGUA
. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da «Coimbra Editora, Limitada» - Coimbra], 1950. In-8.º (18,5 cm) de 248, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Memórias do autor, médico de província, que incluem episódios hilariantes e caricatos.
Livro ilustrado com 20 desenhos em página inteira.
"O Padre Aniceto perdera, com o último ataque de fígado, além de uma dúzia de missas, uma boa parte do valor político; a cor macilenta, de um amarelo palha, e a claudicante verticalidade, a voz apagada que soltara, nos repisados sermões da Semana Santa, em nada faziam lembrar o temido e dinâmico pimpão eleiçoeiro de outros tempos, quando o Dr. Juveniano, todo lépido, entrava em sua casa, levando os cumprimentos do Senhor Ministro do Interior.
A política esquece os mais dilectos filhos, com um cinismo de madrasta, e, assim, os que ainda há pouco de desbarretavam submissos, porque imploravam favores ou temiam perseguições, olhavam agora, quase indiferentes, o velho lutador que passava, amarrado ao prognóstico fatal do Dr. Pinheiro. Dizia-se à boca calada que o vigário sofria de cancro, e o próprio barbeiro dos Ramalhais já à socapa lhe aplicara o unguento de basalicão e doze bichas nas cruzes."
(Excerto de À Renovação)
Amadeu da Cunha Mora (1901-1984). "Médico e Escritor, nasceu em Pombal, a 10-11-1901, e faleceu em São Paulo (Brasil), a 19-04-1984. Fez o curso secundário no Colégio Moderno de Coimbra e Liceu José Falcão, tendo cursado a Faculdade de Medicina de Coimbra, onde se formou em 31-11-1923, com a defesa de uma tese intitulada “Alguns Casos de Lepra no Concelho de Pombal”. Foi classificado com 16 valores. Desempenhou as funções de Médico Municipal e ainda as de Médico da CP.
Deixou publicados vários artigos, em revistas médicas sobre Pelagra, Lepra e Carbúnculo. Fundou e dirigiu, durante alguns anos, o jornal de feição regionalista e social “Terra Mãe”, na mesma Vila de Pombal, e colaborou assiduamente em vários jornais do País, quer com o próprio nome quer com o pseudónimo de Fernando Pacheco. Escreveu o livro Memórias de Um Médico Esquecido, (1947) e a peça em 3 actos, Filhos Sádios."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2019/10/11/quem-foi-quem-na-toponimia-do-municipio-de-pombal-2/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

07 abril, 2021

VILELA, H. - AS OSTRAS NO CONSUMO E NA ECONOMIA NACIONAL. Por... Publicação n.º 18 : Separata do «Boletim da Pesca» N.º 43
. Lisboa, Gabinete de Estudos das Pescas, 1954. In-4.º (24,5 cm) de 29, [3] p. ; [1] mapa desdob. ; mto il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história da indústria ostreira localizada na margem sul do Tejo. Trabalho alicerçado sobretudo na promoção e descrição técnica do Posto de Depuração de Ostras do Tejo - unidade recém inaugurada, situada junto à praia fluvial do Rosário (Moita) -, realçando a sua importância para o desenvolvimento desta actividade. Este projecto, inovador na época, sobreviveria apenas duas décadas (1954-1972).
Contém a planta do Posto em página inteira. Inclui ainda uma "secção gourmet" com várias receitas para degustação do bivalve.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com gráficos, quadros estatísticos e fotogravuras, bem como uma Planta, e um mapa desdobrável da zona de implementação dos viveiros (24,5x34,5 cm): Localização das Ostreiras e do Posto de Depuração das Ostras do Tejo. Esboço extraído do Plano n.º 73 (M. H. C. P.) : Escala 1/56.300.
"As ostras são inegàvelmente, entre os diversos moluscos bivalves, comestíveis, os mais valiosos e afamados em todo o mundo.
Nos países banhados pelo mar, onde é importante a sua ocorrência, participam largamente na alimentação humana e, em muitos deles, constituem até uma notável e bem organizada fonte de riqueza.
Em Portugal, não obstante a sua abundância, a insalubridade de grande parte dos bancos naturais, e a suspeição que se levantou relativamente a alguns, do mesmo passo que determinou a interdição do aproveitamento das oriundas do Tejo e do Sado, gerou uma atmosfera de desconfiança quanto à totalidade. Assim se deixou de explorar regularmente, e com continuidade, um produto com muitas probabilidades de se converter em importante recurso da economia nacional.
Com a criação do «Posto de Depuração de Ostras do Tejo», que ora começa a funcionar, resolve-se o problema da sua insalubridade, e as ostras poderão ser consumidas com toda a segurança, sem prejuízo das suas propriedades nutritivas e do seu delicado e apreciado sabor. [...]
No presente folheto salientam-se resumidamente as qualidades que as recomendam como alimento humano; faz-se sumária descrição do Posto de Depuração de Ostras, e do seu funcionamento; e, indicam-se algumas maneiras de apreciarmos a excelência do seu paladar."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias: [Preâmbulo]. | As ostras como alimento humano. | Posto de Depuração de Ostras do Tejo: Instalações do Posto; Fundamentos da Depuração; Fases do tratamento; Disposições e normas administrativas. | Como preparar e comer as ostras: Ostras vivas, ao natural; Salmoura de ostras; Sopa-creme de ostras; Sopa de ostras; Ostras-cocktail; Ostras estufadas na concha; Ostras no espêto; Ostras grelhadas; Ostras fritas; Saladas de ostras; Ostras de cebolada; Ostras recheadas. | Summary and Explanation. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeno rasgão lateral (sem perda de papel) que apanha as primeiras folhas.
Raro.
Com interesse histórico.
A BNP dá notícia do obra, sem no entanto indicar referência de recensão.
45€

06 abril, 2021

SANCHES, José Dias - NOSSA SENHORA DE PORTUGAL.
No Cinquentenário das Aparições
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tip. da União Gráfica - Lisboa], 1967. In-8.º (19,5 cm) de 241, [3] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com quatro estampas separadas do texto: imagem de Nossa Senhora de Vandoma (Sé do Porto) - foto e gravura de Marques de Abreu; fotogravura de uma procissão em Dacar (Senegal); Paulo VI ora em Fátima; os peregrinos saúdam o Papa Paulo VI em Fátima.
"Palpitavam os nossos verdes anos, quando constaram as primeiras aparições de Nossa Senhora em Fátima, acontecimentos que se fixaram no nosso espírito, com especial relevo, despertando a curiosidade e o interesse próprios de uma juventude sedenta de abarcar esses mistérios, que mais tarde verificámos serem indiscerníveis à humanidade.
Tais aparições exerceram grande influência na formação do nosso espírito, proporcionando-nos o esclarecimento de diversas ideias que então fervilhavam no cérebro, ao darmos os primeiros passos na vida."
(Excerto do Prefácio)
"Nossa Senhora de Portugal, assim A denominamos porque Ela palpita, como Luz redentora, no coração dos portugueses desde as horas longínquas da nossa História.
Seu vasto manto de protecção tem-nos abrigado das tempestades que por vezes avassalam o Mundo e defendido, com especial carinho, dos vendavais que por vezes costumam arrastar as almas para o abismo."
(Excerto de A primeira vitória do cristianismo na Península Ibérica)
Matérias:
Prefácio. | A primeira vitória do cristianismo na Península Ibérica. | São Frutuoso propagou a Palavra de Cristo na Península Ibérica. | Na conquista de Portugal estava também a reconquista do cristianismo na Península. | Fátima, Luz das Almas. | A primeira aparição. | Segunda aparição. | Terceira aparição. | Quarta aparição. | Quinta aparição. | Sexta aparição. | Aparições posteriores. | Jesus autorizou Lúcia à revelação das duas partes do Segredo. | A coroação de Nossa Senhora em Fátima. | O encerramento do Ano Santo. | O culto a Nossa Senhora de Fátima na antiga África Ocidental Francesa. | A vinda para Portugal, da primeira imagem da Mãe de Deus que foi para Inglaterra. | O Cinquentenário das Aparições : Sua Santidade Paulo VI, mensageiro da paz, veio orar a Fátima.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

05 abril, 2021

CARVALHO, Silva - MEDICOS E CURANDEIROS.
Trabalho publicado n'A Medicina Contemporanea. Revisto e aumentado
. Lisboa, Tipografia Adolpho de Mendonça, 1917. In-8.º (22 cm) de 234 p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio bio-bibliográfico sobre os médicos, curandeiros e equivalentes de antanho. Por certo, com tiragem restrita.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor para o Dr. José Justino de Carvalho.
"O titulo peca por defeito, diz-se aqui tambem de pessoas que não eram medicos nem curandeiros, uns sendo alheios á profissão e tendo escripto sobre assuntos medicos ou para medicos, outros viajantes que se referiram a questões de saude publica em Portugal; que ninguem extranhe portanto ver aqui medicos, charlatães, clerigos, judeus, boticarios, frades e viajantes, todos misturados como na vida.
No que referiremos da sua vida ou das suas obras, excluimos o que póde ser facilmente conhecido pela consulta das principaes publicações sobre a materia, que de todos são conhecidas..."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom esdtado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

04 abril, 2021

FEIO, Maria - ROMAGENS DE FÁTIMA E MILAGRES ANTIGOS
. Lisboa, Oficinas Fernandes, 1929. In-8.º (20 cm) de 94, [2] p. ; il. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante publicação mariana relacionada com a temática de Fátima.
Belíssimo livro, ilustrado em pagina inteira com um retrato da Irmã Lúcia - Maria Lúcia de Jesus - A vidente de Fátima, e em separado, com 3 belas estampas: A Aparição de Nossa Senhora de Fátima [aos pastorinhos]; Mãe Castíssima [Nossa Senhora com o Menino]; Virgem de Murilo [Reprodução de óleo do Mestre espanhol (séc. XVII)].
"Transpus os porticos sagrados da Cova da Iria, já perto da meia noite. Vários contratempos da viagem impediram que eu e as senhoras que me acompanhavam, lograssemos chegar mais cêdo.
Já se havia realisado a procissão das vélas. E aquélas milhares de luzes dispersas pelo vasto recinto da Cova da Iria , tremeluzindo ao arfár da aragem fresca da noite, davam a impressão de que caíra de ceu uma copiosa chuva de estrêlas para iluminar feéricamente o alpendre da Virgem Mãe, soberana de Fátima.
Todos êsses milhares de luzes lucilando por entre os veladores de papel marcado pela Cruz de Cristo, eram como que outras tantas chamas de Fé abrazando os corações e iluminando as almas. Eram centelhas de pensamentos luminosos, inspirando o sentimento de fraternidade, aproximando o pobre do rico, o fidalgo e o plebeu, nos mesmos impulsos e crenças religiosas."
(Excerto de Pórtico Sagrado - A Romagem das Vélas)
Maria Figueiredo Feio Rebelo Castelo Branco (1870-1939). “Poetisa portuguesa, conhecida por Maria Feio. Natural de Guiães (Vila Real); filha de Sebastião Pereira Rebelo Feio e de Catarina Figueiredo de Abreu Castelo Branco. Publicou, no Almanaque de Lembranças, aos 11 anos, os seus primeiros versos.
Autora das seguintes obras: Alma de Mulher (1915); Calvário de Mulher (1915); Artes e Artistas, A Beleza da Mulher; Contos Verdadeiros; Vozes do Coração; Lázaros e Madalenas; Verdades (sobre problemas sociais); Corações Infantis; Argumentos (cartas) e Sonho de Amor (versos). Colaborou nos jornais: A Capital, Luta, Vanguarda, Novidades (Lisboa), O Primeiro de Janeiro e O Comércio do Porto. Proferiu diversas conferências.”
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado de conservação. Páginas apresentam manchas de oxidação, sobretudo na primeira parte do livro.
Muito invulgar.
Indisponível

03 abril, 2021

CASTELLO BRANCO, Camillo - A FILHA DO DOUTOR NEGRO
. Lisboa, Livraria de Campos Junior - Editor, [186?]. In-8.º (18 cm) de [6], XIV, 304, [2] p. ; 8 p. catg. ; E.
1.ª edição.
Raríssima primeira edição - variante "Campos Júnior" - da edição publicada na Typographia do Commercio (1864), sem registo na Biblioteca Nacional, não mencionada no catálogo camiliano de Miguel Carvalho. Sem data. Apenas o prefácio está datado - Porto - 1863. A segunda edição desta casa editora, também ela valiosa e invulgar, terá sido publicada em 1870. Obra oferecida por Camilo à memória de António Joaquim Xavier Pacheco com os dizeres: "Offerece o pobre monumento, que póde offerecer". Inclui o Extracto das Memorias do Carcere : pag. 144 da 1.ª edic.,  que apenas integrou a primeira edição desta obra, não mais voltando a ser impresso nas edições que se seguiram. O verso da f. anterrosto, bem como as últimas 8 páginas do livro são preenchidas com o catálogo das obras à venda na Livraria de Campos Junior.
"Eu era estudante na academia do Porto em 1845.
Em uma das férias pequenas do anno, indo eu despedir-me de um cavalheiro, meu patricio, de volta para o Porto, disse-me elle:
- Vou encarregal-o de uma commissão. Tome o senhor estas quatro peças. Vá ao topo da calçada do Mirante. Se lá encontrar ainda uma mendiga, pergunte-lhe se conheceu um homem chamado Antonio da Silveira. Respondendo ella que me conheceu, e provando-o com alguns signaes, que o senhor facilmente colherá, entregue-lhe este dinheiro. E se o senhor, uma ou outra vez, sentir o desejo de abster-se de algum passageiro passa-tempo, a empregar, em favor de pessoa desvalida, o dinheiro, que tal recreio lhe havia de custar, vá depor, no regaço da pobre da calçada do Mirante, a sua esmola. Verá que sensação doce e consolativa Deus lhe dá em retorno da sua beneficiencia; verá, meu amigo... Quando o senhor voltar a férias-grandes, eu lhe contarei pelo miudo quem foi a mulher."
(Excerto do Prefacio)
"Em 1810, Antonio da Silveira, cadête de cavalleria de Bragança, chegou ao Porto com o seu regimento. Confluia para aqui a força armada no norte, agitada pelo refervente patriotismo da junta governativa, espertada serodiamente da sua pavida, senão estupida, inercia. [...]
Antonio da Silveira era então mancebo de vinte annos. Sympathisava com Napoleão, que elle de si para si denominava o «apostolo involuntario da emancipação dos povos», em quanto o seu coronel, arengador de oitiva, atassalhava sempre Bonaparte, nas suas allocuções, com os flagelladores epithetos de «barbaro! tigre da Corsega! demonio da meia noute! e besta do Apocalypse!»
Silveira ainda era parente do general d'aquelle apellido, personagem admiravelmente boçal e in trepido, capaz de imitar os Codros e os Curcios, se os conhecesse; portuguez á antiga, e estou quasi em dizer - o ultimo dos portuguezes que se crearam nas agras de Traz-os-Montes. Fôra o general, inflammado em amor da patria, que tirára pelas orelhas o sobrinho da mollidão ociosa das suas meditações, e o levára a jurar bandeiras."
(Excerto do Capitulo primeiro)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam desgaste acentuado nos cantos, e falhas no revestimento, sobretudo na pasta posterior. Mancha de humidade nas guardas, e vestígios ténues no interior.
Assinatura de posse no frontispício de D. José Gil de Borja de Macedo e Menezes.
Muito raro.
Sem referências bibliográficas, incluindo a BNP.
Peça de colecção.
Indisponível

02 abril, 2021

SOUSA, João Tiago - O CÓNEGO JOSÉ FERREIRA DE LACERDA. A Assistência Religiosa na Flandres. [Prefácio de Ambrósio Nunes Ferreira]. [Leiria], Folheto : Edições & Design, 2006. In-8.º (20,5 cm) de 80 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro ilustrado com fac-símile de uma carta do padre Ferreira Lacerda dirigida ao comandante do C. E. P.
Tiragem: 300 exemplares.
Esta obra é uma edição de autor que "estuda em pormenor as duas vertentes desta grande causa em que o Padre Lacerda se envolveu apaixonadamente: primeiro, a luta travada nas colunas de O Mensageiro para conseguir do Governo Republicano a restauração das capelanias militares e a devida assistência religiosa aos soldados em campanha; depois, a sua presença efectiva como capelão militar voluntário na guerra da Flandres", conforme refere Ambrósio Ferreira no prefácio da obra.
"O governo republicano português da "União Sagrada", ao organizar o Corpo Expedicionário, não teve em conta a assistência religiosa em campanha. Além de ser agravo e desprezo à consciência católica da nação, era uma lacuna grave, pois todos os exércitos aliados tinham devidamente organizada a sua assistência religiosa. Estas reticências por parte do Governo Republicano tinham antecedentes que o justificavam. Estava-se demasiado perto de 1910 e da Lei de Separação entre o Estado e a Igreja em Portugal. O espírito anti-religioso dos republicanos era tal que o Povo "[...] via partir para a guerra os seus filhos, sem um padre que os acompanhasse para os confortar e ajudar a salvar a alma, se houvessem de por lá ficar".
(Excerto de A Cruzada dos Capelães Militares Portugueses)
Índice:
Prefácio. | Introdução. [Portugal na Primeira Guerra Mundial]. | I - A Igreja Católica e a Assistência Religiosa na Flandres: 1. A Cruzada dos Capelães Militares Portugueses; 2. A Comissão Central de Assistência Religiosa em Campanha; 3. A Acção dos Capelães Militares em Campanha. II - O Cónego José Ferreira de Lacerda e a Assistência Religiosa na Flandres: 1. Breve apontamento biográfico; 2. A Cruz e a Guerra: o capelão José Ferreira de Lacerda. Conclusão. | Fontes e Bibliografia. | Agradecimentos. | Anexos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

01 abril, 2021

CRUZ, Bento da - O LOBO GUERRILHEIRO : romance.
Prémio Literário Diário de Notícias 1991 atribuído pelo júri constituído por Agustina Bessa-Luís; Diogo Pires Aurélio; Lídia Jorge; Vergílio Ferreira; Viale Moutinho
. Lisboa, Editorial Notícias, 1992. In-8.º (21 cm) de 338, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra maior do autor, que além desta, conheceu outras duas edições (1980 e 2014).
"Entre amores desenfreados, intrigas familiares, contrabandistas e guerrilheiros, paisagens quase virgens e um minucioso enquadramento político-social, decorre a vida de André Lobo, nascido no Barroso e filho e lavradores. [...] Ao mesmo tempo que somos confrontados com a realidade barrosã, com os problemas da Guerra Civil de Espanha e seus reflexos, somos levados a mergulhar numa intensa paixão, que dá ao amor a característica de um estado de leveza."
(Excerto da sinopse, retirado da contracapa)
Sobre o autor, e o Lobo guerrilheiro em particular, com a devida vénia, transcrevemos o excerto de um texto da autoria de Francisco Duarte Mangas publicado no Correio do Porto, cujo link infra reproduzimos.
"Bento da Cruz é um escritor do seu tempo. Do nosso tempo. Parte substancial do tempo mais negro do século vinte português entra bruscamente na sua obra singular e perdurará nos tempos que hão-de vir. Porque, melhor do que ninguém, Bento da Cruz trata a memória como matéria perecível. E na memória há palavras privadas de afecto. Isto é: precisam de respirar na página, porque o nosso célere quotidiano padronizado as esquece - e palavra esquecida nem lugar lhe é destinado em língua morta.
"A obra literária do autor de O Lobo Guerrilheiro é, sem dúvida, um abrigo de alguns dos nossos mais genuínos vocábulos – que em lenta aluvião se dirigiam ao silêncio final – renascidos, devolvidos à comunidade falante, através de espantosas personagens que são outras das memórias levantadas do chão. O paciente ofício de limpar e enxugar a palavra – perdida nos matagais por pastores enamorados, contrabandistas esquivos ou outros transumantes em fuga que a roda do tempo amarfanhou – é uma das dádivas deste escritor ao nosso tempo, às gerações vindouras. À Língua Portuguesa.
O diálogo vivo, musical, depurado (dir-se-ia de guião cinematográfico) surge como outro dos contributos de Bento da Cruz para a Literatura portuguesa. É a fala mais genuína do povo, um povo concreto – marcado pela miséria, acossado por senhores terrenos e temente a Deus – que ao longo de séculos talhou a paisagem agreste. Um povo, no entanto, capaz de grandes gestos de humanidade mesmo em situações adversas. A solidariedade dos humildes é a mais sincera de todas."
(Fonte: https://www.correiodoporto.pt/obituario/bento-da-cruz-1925-2015)
"Lobo subia a rua devagar, curvado sob um peso invísivel. Porque de visível, apenas as botas cambadas com tombas novas, debaixo do braço esquerdo. Estava um dia bonito. Geara muito de noite, mas agora o sol incidia directamente sobre as pessoas e as casas, e a água fumegava nas represas.
Um dia bonito, sem dúvida. No entanto, Lobo não se sentia bem naquela manhã. Acordara cedo e mal dormido. Dir-se-ia que chamado pela voz dum anjo ou por qualquer outro misterioso aviso premonitório de desgraça iminente. Doença súbita? Atropelamento? Agressão?
Lobo subia a rua e meditava no caso. Saúde nunca lhe faltara, louvar ao Criador. Inimigos não tinha. A prova disso é que todos, passando, o cumprimentavam com simpatia. Atingira uma velhice tranquila e considerada. Não era pesado a ninguém, nenhum presumível herdeiro lhe desejava a morte.
À palavra «morte», estremeceu. Quantos anos lhe restariam de vida?"
(Excerto do Cap. I)
Bento Gonçalves da Cruz (1925-2015). "Nasceu na aldeia de Peireses, do concelho de Montalegre, em 22 de fevereiro de 1925. Num contacto direto com a vida do campo, viveu ali até aos 15 anos, altura em que ingressou na Escola Claustral de Singeverga, onde permaneceu durante 6 anos e se familiarizou com os grandes escritores da antiguidade, principalmente com os latinos.
Abandonou a vida claustral, mas prosseguiu os estudos, licenciando-se em Medicina pela Universidade de Coimbra. Regressou então ao município de Montalegre, onde montou consultório de clínica geral e estomatologia.
Em 1963 publicou o romance Planalto em Chamas, o primeiro de perto de duas dezenas de obras literárias enaltecidas pela crítica, algumas delas distinguidas com prémios literários nacionais de referência. Fundou em 1974 o jornal Correio do Planalto. Foi deputado à Assembleia da República. É patrono da Escola Secundária Bento da Cruz, em Montalegre.
Está representado em várias antologias e é hoje reconhecido como um dos mais destacados escritores portugueses contemporâneos."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar na edição original.
20€