19 novembro, 2020

FELGUEIRAS, Guilherme - OS SALOIOS : gupo étnico de Lisboa suburbana. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso por Ramos, Afonso & moita, Lda., Lisboa], [1980]. In-4.º (26 cm) de 20 p. ; il. ; B. Separata do Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa : III Série - N.º 87 - 2.º Tomo - 1980
1.ª edição independente.
Estudo etnográfico e etimológico sobre os saloios e a sua origem. Curioso trabalho sobre os habitantes naturais das zonas rurais dos arredores de Lisboa, ilustrado com 11 bonitas estampas e fotogravuras a p.b. distribuídas por sete páginas.
"Certo núcleo de campónios naturais dos arrebaldes de Sintra, Loures e Mafra tem merecido o reparo de críticos, desde tempos distantes. Notados pelos traços diferençáveis, forte personalidade, exteriorizações de sentimento, temperamento laborioso, maneira peculiar de viver e de se expressarem. Quase sempre, porém, essa análise é feita dum modo inexacto e deformador, explorando em sorridente recorte escarninho aquele feitio simplório e astucioso, aquele modo embaraçado mas ganhuceiro como sabem levar a água ao moinho, explorando o negócio sempre com lucros materiais assegurados."
Guilherme Felgueiras (1890-1990). "Formado pela Escola Nacional de Agricultura em Coimbra, dirigiu as zonas florestais da Mata de Leiria e Serra do Gerês e desempenhou cargos de diretor das Escolas Gonçalves Zarco e Profissional de Agricultura de Paiã.
No domínio etnográfico Guilherme Felgueiras destacou-se pela sua produção bibliográfica em torno das tradições populares no âmbito da vida agrária e da arte popular.
Sobre o domínio da Filologia e Etnografia publicou, em 1930, o estudo sobre a Terminologia agrícola - Linguagem dos Campos, dando continuidade, em 1935, aos trabalhos de Anfiguris populares e Lexicologia pecuária, e em 1941 sobre As Aliterações e os Trocadilhos na Lírica Popular. Em 1940 colaborou em «Vida e Arte do Povo Português» com o artigo A faina do campo, alusivo à vida rural, destacando o estudo sobre os sistemas de elevação e distribuição de águas de rega, processos e técnicas agrárias, hagiografia popular, feiras e romarias, entre outros temas.

A sua produção etnográfica privilegiou, com igual interesse, outros domínios de investigação, nomeadamente, as temáticas do traje popular e os processos e técnicas tradicionais e seus contextos de produção, como o ferro e a olaria."
(Fonte: www.matrizpci.dgpc.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

17 novembro, 2020

PEREIRA, Cumbreño - INCÊNDIO DO BANCO EMISSOR : amor e dinheiro.
Romance policial. [1.º milhar]
. Lisboa, [Edição do Autor]. Composição e Impressão Expansão Gráfica Livreira, Lda., 1948. In-8.º (20,5 cm) de 182, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Romance policial - publicado sob pseudónimo - primeira incursão do autor (e talvez única) neste género literário.
"Há diversíssimos crimes.
Cada crime tem diversos aspectos, ligados aos fundamentos da orgânica do criminoso ou da sua psicologia.
Há o crime de oportunidade, o crime de premeditação, ambos impostos pela índole do indivíduo, e o crime de simpatia, para satisfação duma exigência psicológica
A história da criminologia, é a história do homem.
Com o homem nasceu o crime
O crime nasceu com o homem.
São dois estados - substância e psicologia - que se confundem, porque, se há homem, - no sentido colectivo - sem crime, nem crime, sem homem.
O crime, dizem os psicólogos, dá prazer, e às vezes é uma necessidade o seu cometimento ou perpetração.
Se se tratar de roubo, o criminoso, atende a um estado de alma nascido da ambição para aumento de haveres, ou a necessidade impostas pelo prazer de viver e de subsistir.
O personagem máximo deste romance, o mesmo é que dizer o protagonista, é destro e possuidor de força muscular. Actua, fazendo uso destas propriedades congénitas."
(Preâmbulo)
"O outono começara frio e chuvoso. O verão que levou às praias e aos campos, grande parte das populações urbanas, foi cálido, caldeando-se a temperatura elevada e excepcional, com a evaporação densa, entrando o vapor dágua na composição atmosférica, por elevada percentagem.
O assunto versado nas conversas, era em regra, o calor, e a humidade demasiada no ar.
As ventoinhas dos casinos e hóteis, rotativavam à velocidade máxima, para ser obtida refrigeração, que suavisasse um pouco o ambiente.
Nas cidades e outros centros populosos, o calor sufocava.
Acabada a guerra, a Grande Guerra, 914-918, que havia criado na indústria e nas seduções várias, gosos embriagantes, prazeres maravilhosos, que entonteciam quem é dado a excessos, que é uma boa parte das populações."
(Excerto do Cap. I)
Joaquim António Pereira, militar português destacado em Angola de 1907 a 1919, capitão do exército, participou na Grande Guerra "africana" contra os alemães. Relativamente ao tema da 1.ª Guerra Mundial, publicou duas obras memorialistas: Tropelias dos alemães contra os portugueses (1947) e Angola, terra portuguesa. Acções de guerra : vida no Sertão (1947). A presente obra - Incêndio do banco emissor, de 1948, - não se encontra cadastrada na Biblioteca Nacional. Publicou ainda diversos romances, narrativas históricas e poesia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

16 novembro, 2020

VASCONCELLOS, Amadeu de - OS COMETAS. Porto, Liv. Chardron de Lello & Irmão, 1910. In-8.º (19 cm) de 149, [3] p. ; il. ; E. Col. Sciencia Para Todos, I
1.ª edição.
Curioso tratado de ciência astronómica, vanguardista para a época.
Livro ilustrado com esquemas e desenhos explicativos, gravuras e dois retratos em página inteira de Edmond Halley e Isaac Newton.
Amadeu Cerqueira de Vasconcellos (1878-1952). "Numa época em que ainda persistia a ideia da incompatibilidade entre a religião e a ciência, o padre portuense Amadeu Cerqueira de Vasconcelos (1878-1952) foi capaz de conciliar as actividades de divulgador científico com as de apologista do catolicismo, lutando assim contra “a apregoada antinomia entre a sciencia e a fé”.
Amadeu de Vasconcelos viveu longos períodos da sua vida em Paris e aí escreveu e publicou vários dos seus livros e artigos ─ em Português e Francês ─ em prol da ciência, contra a maçonaria e a favor do catolicismo e de um nacionalismo original.
Para além de um escritor prolífico, O padre Amadeu de Vasconcelos foi crítico severo da sociedade civil e eclesiástica do seu tempo. No Porto, teve acesas polémicas com as autoridades episcopais, os professores do seminário, o secretário do bispo e o próprio bispo. As agressões verbais e escritas chegaram a tal ponto que o secretário episcopal o padre Manuel Pereira Lopes ─ um jovem arrogante e pedante, acabado de regressar de Roma com um doutoramento em Teologia ─ prometeu ajustar contas com o incómodo padre ameaçando “partir-lhe a cara em plena rua”. A ameaça, prometida e muito anunciada, concretizou-se no dia 2 de Julho de 1907. O próprio bispo D. António Barroso rematou a agressão física com uma agressão moral: “uma pena de suspensão de 30 dias”, que foi muito criticada nos jornais da época e que reforçou o sentimento anti-clerical que então existia no Porto e em quase todo o país. O padre Amadeu de Vasconcelos não se resignou com tais humilhações, como o demonstram os vários artigos, que publicou na imprensa, e os manuscritos, que tencionava publicar em 1908 e nos quais revela dramaticamente a sua revolta contra o “cynismo” do bispo e o “pedantismo” do seu secretário “bruta-montes”.
Muitos foram os assuntos que abordou na sua extensa obra escrita. Publicou livros de crítica social, política, filosófica e religiosa. No que respeita à divulgação científica, a sua actividade foi igualmente notável. Publicou vários livros, panfletos e artigos que contribuíram certamente para elevar o nível da cultura científica portuguesa. Podem ler-se alguns dos seus artigos em jornais como o Campeão Escolar, O Bem Publico e A Voz Publica. Entre os seus livros contam-se três volumes do Anno Scientifico e Industrial referentes aos anos de 1903, 1904 e 1905, publicados respectivamente em 1904, 1905 e 1906, O Radium (1907), A Telegrafia sem Fio (1907), A Aerostação (1908), A Aviação (1909), A Conquista dos Pólos (1910), Os Cometas (1910), Qual é a Forma da Terra (1915), O Ar Liquido e Os Submarinos (1916). Foi director e redactor único de revistas de divulgação científica como Universo (quinzenal, 1909) e Sciencia para Todos (1910, 1925). Escreveu ainda livros didácticos que foram adoptados no ensino oficial: Lições Praticas de Sciencias Naturaes, Noções de Physica (em colaboração com Eduardo Ferreira dos Santos Silva, 1906) e Lições Practicas de Physica (1919). Todas estas obras tiveram várias edições.
O padre Amadeu de Vasconcelos, que também usou os pseudónimos Mariotte e Remy Lusol, era um homem recto, conservador, nacionalista, defensor da verdade e, nas sua próprias palavras, “desconhecia a cobardia”."
(Fonte (com a devida vénia): http://oholoscopio.blogspot.com/2007/08/o-padre-amadeu-de-vasconcelos-mariotte.html)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. 
Muito invulgar.
25€

14 novembro, 2020

A. P. S. - ALEM-TUMULO.
Por...
Porto, Casa Editora de Antonio Figueirinhas, [191-]. In-8.º (18,5 cm) de 91, [1] p. ; B. Col. Sciencia, Arte, Religião e Pedagogia, IV
1.ª edição.
Ensaio sobre o Inferno - dogma proclamado pela Igreja Católica - numa obra interessante e muito curiosa. O autor assina com as iniciais "APS", não tendo sido possível apurar a sua identidade; julgamos no entanto tratar-se de um cidadão nacional. Os três primeiros volumes desta colecção - de índole filosófico-religiosa - são da autoria de José Agostinho [de Oliveira]. Não sabemos se terá sido publicado mais algum volume nesta colecção.
"Nas raras horas d'ocio que nos deixa o nosso humilde curato d'aldeia, muitas vezes nos tem ferido o scepticismo álgido das cidades, como uma féra crua e má que vem cravarnos a garra no relicario de crenças que albergamos no peito; como um punhado de neve desoladora sobre um modesto, mas balsamico jardim; como uma blasphemia, torva e audaz, que chega aos pés da luz de Deus em redemoinhos de infamissima espuma.
É, posto o contraste entre a vida remansosa e pura da nossa aldeia, onde a Fé é tão radiosa como o Sol, e a febre satanica dos grandes povoados, onde o proprio Firmamento parece mais escuro e turvo, não sei de impressão mias pungente do que a que resulta da approximação ideal de espiritos tão antimonicos, como os que dum lado, nos representam o povo de Deus, e do outro, o povo dos homens, na phrase biblica. [...]
Escolhemos o dogma do Inferno por ser elle dos mais desrespeitados e contestados, embora daquelles que mais deveriam de estar, sem duvidas, na consciencia de todos, e ainda porque já no nosso curato se nos vae deparando quem delle, sob as deleterias influencias das cidades, descreia e quase zombe."
(Excerto do Antiloquio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

13 novembro, 2020

LAPA, João Ignacio Ferreira - MEMORIA SOBRE O ESTUDO INDUSTRIAL E CHIMICO DOS TRIGOS PORTUGUEZES REDUZIDOS A VINTE E NOVE TYPOS VULGARES : trabalho executado no Instituto Agricola, sob os auspicios da Repartição de Agricultura do Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industra. Por... Lente proprietario do mesmo Instituto, Socio Effectivo da Academia Real das Sciencias de Lisboa, Membro Correspondente da Sociedade Chimica de Paris, da Sociedade Imperial Veterinaria de Departamento do Sena, da Sociedade Agricola do Porto, etc.
 Lisboa, Typographia da Academia, 1865. In-4.º (26 cm) de [4], 161, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante tratado sobre os trigos portugueses. Obra inovadora, salvo melhor opinião,
com estas características, a mais antiga que sobre este tema se publicou entre nós.
Estudo ilustrado em página inteira com cada uma das 29 espigas analisadas, bem como quadros e tabelas nas páginas do texto.
"Por muitas vezes tem a Academia Real das Sciencias proposto a concurso para Memoria, a questão da influencia que podem ter os glutens dos trigos na panificação, sem que até ao presente tenha apparecido quem tratasse este assumpto.
O vivo interesse qua a Academia parece mostrar em obter um trabalho nacional sobre tão importante ponto da industria agricola, decidiu-nos a communicar-lhe os resultados de estudos que fizemos nos typos dos diversos trigos do reino, estudos que, apesar de incompletos, nos parece terem resolvido não sómente a questão proposta pela Academia, mas outras mais que são connexas com aquella, e que interessam não menos á agricultura e á industria da panificação."
(Excerto da introdução)

Matérias: Parte I - Plano e ordenação das operações praticadas com cada um dos trigos e terras que se estudaram
- Estudo physico ou industrial dos trigos. - Estudo chimico dos trigos.
Plano e ordem das operações no estudo das terras: - estudo physico das terras. estudo chimico das terras. - Determinação dos elementos das terras mais importantes á cultura cereal.
Parte II - Resultados da analyse chimica
[Análise completa e ilustrada dos 29 tipos de trigos estudados].
Parte III - Primeiras considerações deduzidas dos estudos feitos sobre os trigos e terras do reino
Capitulo I - Estudo physico e industrial dos trigos. I. Grupos commerciaes dos trigos portuguezes. - Proporção dos trigos molares e dos rijos. Sua distribuição no reino e sua productividade. II. Peso do ggrão por hectolitro, sua densidade, aspecto physico, vantagens da compra a peso á compra por medida. III. Desdobramento dos trigos nas farinhas commerciaes, panificavel e espoada, suas qualidades e quantidades.IV. Exame especial dos glutens.V. Estudo comparativo da panificação dos trigos rijos e molares.
Capitulo II - Estudo chimico dos trigos. I. Humidade dos trigos. II. Materias gordas. III. Materias proteicas. IV. Materias amylaceas e cellulosicas dos trigos. V. Estudo das terras em que foram produzidos os trigos.
João Inácio Ferreira Lapa (1823-1892). “Foi diplomado pela Escola Médico-Veterinária do Salitre (1844/45) e, logo nesse mesmo ano, ingressou no professorado como lente da cadeira de Anatomia e Fisiologia daquela Escola. Quando, em 1855, ocorreu a fusão da Escola Médico-Veterinária com o Instituto Agrícola de Lisboa, criado em 1852 e instalado no palácio da Cruz do Taboado, foi encarregado da regência da disciplina «Noções de Física, Química e Meteorologia Aplicadas à Agricultura e Fisiologia Veterinária». Terá sido, assim, o primeiro professor a ensinar Química numa Instituição que, globalmente, podemos considerar destinada ao Ensino Agrícola Superior. A importância atribuída por Ferreira Lapa às matérias situadas no domínio da Química Agrícola viria a fazer com que, quando da passagem do Instituto Agrícola de Lisboa a Instituto Geral de Agricultura (1864), fosse criada a disciplina de Química Agrícola, Tecnologia Rural e Florestal, a qual viria a reger até à sua aposentação em 1886, ano em que a Escola passa a designar-se Instituto de Agronomia e Veterinária; e iria permitir que as matérias incluídas naquela disciplina, até então reduzidas a noções elementares, passassem a constituir, com o complemento das artes agrícolas, uma parte integrante do curso.”
(SANTOS, Dr Joaquim Quelhas dos (Professor Catedrático Jubilado do Instituto Superior de Agronomia), João Inácio Ferreira Lapa (1823-1892), in https://www.isa.ulisboa.pt/files/site/pub/Ferreira_Lapa-Prof_Quelhas_dos_Santos.pdf)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado. Pastas e lombada cansadas, com defeitos. Falha de pele na extremidade inferior da lombada.
Raro.
Com interesse para o estudo da agricultura e indústria cerealífera nacional.
35€

12 novembro, 2020

BOTTO, Antonio - 9 DE ABRIL : teatro em três actos. Lisboa, Edição da Livraria Popular de Francisco Franco, [1938?]. In-8.º (18,5 cm) de 138, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Peça de teatro cujo tema é o 9 de Abril - dia da Batalha de La Lys -, considerado um dos maiores desastres militares da história pátria. Todos os exemplares são rubricados pelo autor [chancela].
No final do livro, em Marginália, contém dois textos: um, assinado por Pessoa, - António Botto, o poeta das canções eternas, e um outro, por José Régio redigido em francês, - António Botto et son livre «Jalousie». Inclui ainda uma compilação de crítica: O Editor transcreve da imprensa estrangeira e da imprensa portuguesa, alguns comentários de crítica a alguns livros de António Botto.
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

11 novembro, 2020

MACEDO, José Tavares de - RELATORIO FEITO EM NOME DA COMMISSÃO NOMEADA POR PORTARIA DE 30 DE DEZEMBRO DE 1854 PARA BUSCAR OS OSSOS DE CAMÕES.
Escripto por... na qualidade de Secretario da mesma Commissão
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1880. In-4.º (23 cm) de 31, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório oficial que resume os esforços da Comissão encarregada de identificar e recolher as ossadas de Luís de Camões na igreja do convento de Santana, em Lisboa, onde se encontrava sepultado desde 1580.
"No tempo de Rodrigo da Fonseca, uma comissão de sábios e políticos foi nomeada pelo governo português com a incumbência de localizar os ossos de Camões e de promover a sua transferência para o mosteiro dos Jerónimos." (Ivo Castro (FLUL/CLUL) - Ossos de Camões, 1997)
"Ill.mo e ex.mo sr. - Havia tempo que algumas pessoas desejavam fazer uma serie investigação para se acharem os ossos de Camões, quando Sua Magestade El-Rei o senhor D. Fernando, então regente do reino, se dignou pela portaria de 30 de dezembro de 1854, encarregar os abaixo assignados, de tão honrosa incumbencia: e ao mesmo tempo pela repartição das obras publicas que lhes foram dados os operarios e instrumentos que fossem necessarios: e a junta administrativa do patriarcado na ausencia do ex.mo prelado deu as indispensaveis licenças, tanto para a entrada no convento de Sant'Anna, onde é bem sabido que o poeta fôra enterrado, como se fazerem as escavações sepulchraes.
Vimos dar conta dos nossos trabalhos, e dar as rasões por que nos convencemos que nos ossos guardados no caixão, que está no côro das religiosas do dito convento, estão os ossos de Luiz de Camões."
(Excerto do Relatorio)
Matérias:
Portaria - Rodrigo da Fonseca Magalhães. | Officio e Auto. | Relatorio - Rodrigo da Fonseca Magalhães; Visconde de Monsão; Visconde de Juromenha; Dr. José Manuel Fernandes Cicouro; Carlos da Silva Maia; João Maria Feijó; José Tavares de Macedo. | Notas. | P. S. - Ao ex.mo sr. Theophilo Braga.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e camoniano.
30€

10 novembro, 2020

LOPES, David & PEREIRA, F. M. Esteves - A PEÇA DE DIU. Memoria destinada á X Sessão do Congresso Internacional dos Orientalistas. Por... Sociedade de Geographia de Lisboa. Lisboa, Imprensa Nacional, 1892. In-4.º (25 cm) de [4], 18 p. ; [2] desd. il. ; B.
1.ª edição.
A Peça de Diu, também conhecida por «Tiro de Diu», é um impressionante canhão em bronze do século XVI com cerca de 6m de comprimento e um peso aproximado de 20 toneladas. Fundido em 1533, pertenceu a Bahâdur, sultão de Cambaia, tendo sido encontrado pelos portugueses, nos armazéns da cidade de Diu, durante a sua ocupação.
Opúsculo ilustrado com duas litografias desdobráveis extratexto:
- A Peça de Diu (Alçado e Planta). Escala 1:20.
- Inscrições em caracteres arábicos reproduzidos da parte superior da bolada da Peça.
"Tem de comprimento 27 palmos e 3 pollegadas: a sua circumferencia na culatra é de 9 palmos e 9 pollegadas, e na parte mais grossa da moldura da bôca 7 palmos e 7 pollegadas. Póde levar balas de ferro de 110 arrateis, tendo de diametro na bôca 8 pollegadas e 8 linhas. A sua materia é uma liga de cobre e estanho: vê-se que não foi torneada depois de fundida, porque apresenta vestigios da fôrma; porém a fundição está excellentemente feita. Esta peça foi achada pelos portuguezes em Diu, quando tomaram posse da cidade, tendo morto o sultão Badur. Eis o que a este respeito diz o historiador João de Barros no livro 8.º da sua 4.ª Decada.
"Os artilharia assi dos navios, como dos almazens, era de grande numero de peças de metal mui grandes, em que havia tres basiliscos de admiravel grandesa, dos quaes um que fôra do Sultão de Babylonia, que Rumechan trouxe quando veio a Dio, por ser peça notavel, Nuno da Cunha mandou a el-rei a Portugal, e as peças de ferro eram sem numero, e dellas mui fermosas e grandes."
Segundo uma nota de João Baptista Lavanha, editor da 4.ª Decada de Barros, este basilisco estava no castello de Lisboa, em tempo dos Philippes. Murphy, na viagem a Portugal, refere que estando para se fundir a estatua equeste d'elrey D. José, fôra esta peça trazida com outras, para ser derretida: mas que um embaixador de Tunes, então residente em Lisboa, vendo-a, fizera notar ao interprete, Fr. João de Sousa, a inscripção arabe que está sobre a peça, e que assim foi salva e depositada no arsenal do exercito, onde hoje está."
(Fonte: O Panorama, Vol. I - 24 Junho, 1837)

"A bocca de fogo, conhecida pelo nome de Peça de Diu, que actualmente está depositada no pateo do Museu do Commando Geral de Artilharia com o n.º 18, é um basilisco segundo a antiga denominação, e segundo a moderna nomenclatura é classificada como peça de sitio e de praça. [...]
A peça é de carregamento pela bocca, e pode arremessar balas de ferro de 110 libras (50 kilogrammas).
Esta peça, formada de uma liga de cobre e estanho, está bem fundida; mas não foi depois torneada, conservando ainda as escabrosidades da fôrma. Proximo da extremidade anterior do refôrço a peça tem dois munhões, que entram em uma caixa de forma especial, e permittem dar inclinação ao eixo da peça no plano vertical."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

09 novembro, 2020

GESTEIRA, José Joaquim Martins - MEMORIAS HISTORICAS DA VILLA DA POVOA DE VARZIM
, Pelo Presbytero...
Porto, Typographia de J. J. Gonçalves Basto, 1851 [Na capa, 1852]. In-8.º (20 cm) de 83, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Póvoa de Varzim, castiça cidade de raiz piscatória.
Contém no final do livro a lista dos juízes que serviram na Póvoa - Relação dos Juizes de Fóra que tem havido nesta villa, e um quadro estatístico - Mappa da população da freguezia de N. Senhora da Conceição da villa da Povoa de Varzim em differentes annos, a principiar do anno de 1720, extrahido dos roes do Parocho da mesma freguezia, de cujo mappa são excluidos os menores de um até sete annos; porque tambem o foram dos do Parocho. O mapa da população, para além dos anos - de 1720 até 1851 -, contempla o n.º de fogos, n.º de almas, presente e ausentes, incluindo os totais.
Encontra-se igualmente transcrito no final O Foral dado á Villa da Povoa de Varzim, por D. Manuel I.
"Ninguem ignora quanta utilidade resulta ao publico da compilação dos documentos historicos, em os quaes se acham, não só os acontecimentos das epochas, que nos precederam; mas tambem a origem dos diversos feitos de nossos antecessôres. A historia é o grande farol das nações, e nessa cadêa de factos successivos conhecem ellas as diversas phases da sua existencia politica.
É pois necessaria a historia, para nos esclarecer ácerca dos factos preteritos; pois que, sem ella não póde haver a luz e verdade percisas para mostrar á sociedade as vantagens, que o nosso seculo leva sobre aquelles em que viveram nossos paes. O espirito da analyse refundiu todo esse material historico dos passados seculos, e sobre bases mais sólidas edificou um novo edificio mais vasto, e mais brilhante. [...]
Não foi a vaidade, nem o interesse que em mim influiram, para que esta obra visse a luz, por quanto julgo que não ha premio para a perda de saude que sinto, com as longas e aturadas vigilias que empreguei - na averiguação e combinação de alguns factos tão controvertidos nesta historia.
Com sinceridade relato os factos, e acontecimentos que tiveram logar, ou estão em relação com esta villa,, sem nada omittir, que os possa tornar claros e obvios."
(Excerto do Proemio)
Index dos capitulos que contém esta obra:
I - Origem da villa da Povoa de Varzim, na qual se vê ser este nome o que tomou desde a sua fundação. II - Da doação que fez o Conde D. Henrique de Borgonha a D. Goterre, na qual se vê incluida a Povoa de Varzim. III - Dos motivos que houveram para El-Rei D. Diniz doar as terras da villa da Povoa de Varzim a seu filho Affonso Sanches, e sua mulher D. Thareja. IV - Da grande questão que tiveram o Principe Affonso Sanches, o Conde D. Martin Gil ácerca do senhorio desta villa. V - Da doação do Principe Affonso Sanches, e sua mulher D. Thareja Martins ao Mosteiro de Villa do Conde na qual se vê incluida esta villa. VI - Das causas que houveram para o novo foral de E-Rei D. Manoel, no qual confirma o antigo dado por D. Diniz. VII - Da observancia do Foral de El-Rei D. Manoel, em virtude de uma execução movida pela corôa contra o Mosteiro de Villa do Conde. VII - Da separação da freguezia da Povoa de Varzim, e das causas que para isso houveram. IX - Das causas que moveram o Senado da Povoa de Varzim á necessidade de mais empregados, alem dos que mencionava o seu Foral. X - Do Brasão d'Armas que possue a villa da Povoa de Varzim, e das diversas regalias que lhe foram concedidas. XI - De varias rasões que se suscitaram entre a 6amara e o cabido ácerca da freguezia da Povoa de Varzim. XII - Descripção da Villa da Povoa de Varzim, em que se mostra a sua população e industria. XIII - Da origem da Igreja da Misericordia, em que se vê a sua antiguidade. XIV - Da origem da nova Matriz da villa da Povoa de Varzim, em que se mostra a data da sua fundação, benção e architectura. XV - Da origem da Capella de N. Senhora da Lapa, em que se mostram as causas da sua fundação, e sua utilidade. XVI - Origem da Capella das Dôres - Sua fundação - Progresso desta Irmandade, e actual administração. XVII - Origem da Capella de S. Roque, e outras que esta villa contêm, e seu estado actual. XVIII - Da origem da Fortaleza desta villa - Seu augmento e actualidade. XIX - Paço do Concelho - sua origem e grandesa, e sua utilidade. XX - Da origem do Hospital da Villa da Povoa de Varzim, motivos que para isso houveram. XXI - Dos diversos feitos dos varões insignes que foram naturaes da villa da Povoa de Varzim. XXII - De varias necessidades que actualmente soffre a villa da Povoa de Varzim - Seu remedio, e meios para prevenir o mal que lhe é iminente. XXIII - Dos grande recursos que o Estado tiraria da pesca desta Villa, e das diversas applicações do seu avultado rendimento. XXIV - Dos Juizes de Fóra desta Villa - Causas que houveram para a sua instituição. XXV - Do estado actual deste concelho, e plano para o seu melhoramento. | Foral de E-Rei D. Manoel.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, oxidadas, com defeitos e pequenas falhas de papel. Rasgão na contracapa (sem perda de papel). Pequeno orifício de xilófago transversal a todo o livro, à cabeça, sem afectar a mancha tipográfica.
Muito raro.
Com interesse histórico e sociológico.
Indisponível

08 novembro, 2020

CONCEIÇÃO, Alfredo Pereira da - MANUAL DE TIRO DE METRALHADORAS CONTRA AVIÕES E PARAQUEDISTAS (tiro anti-aéreo).
[Por]... Tenente de Infantaria
. Lisboa, Revista de Infantaria, 1942. In-8.º (17 cm) de 160 p. ; [2] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante manual de tiro anti-aéreo publicado em plena 2.ª Guerra Mundial.
Ilustrado ao longo do texto com tabelas e desenhos esquemáticos, e em separado, com duas folhas desdobráveis relativas à Táboa de Tiro Anti-Aérea  da M. P. Breda 7mm,9 m/938.
"O vastíssimo emprêgo da aviação na guerra actual, fêz-nos ver quanto de realidade viva tinha a necessidade da Instrução pela qual nos batíamos há 5 anos.
Notável foi, então, o apoio incondicional que recebemos do Director da Instrução daquela Escola [E. P. I], Ex.mo Sr. Major Luiz António Aparício, hoje coronel. Ao seu elevado patrocínio se ficou a dever o início desta Instrução que então dei a oficiais tirocinantes e que um núcleo de oficiais da Escola deu à recruta dêsse ano.
Perderam-se, porém, os passos sem deixar vestígios, como pègadas no deserto.
Alguma coisa ficou no entanto: a Idéia. Eis-me, por isso, combatente da primeira linha, pronto a disparar a minha arma, quer derrube ou não o alvo.
O meu fim é acertar. A minha vontade é servir."
(Excerto do Preâmbulo)

Matérias: Preâmbulo. | Cap. I - Instrução. A) Considerações gerais; B) O Homem; C) A Instrução; D) O Instrutor. | Cap. II - O Adversário. A) O ataque e a táctica do inimigo. A nossa defesa. | Cap. III - Táctica. A) Reconhecimento; B) Escolha de posições; C) Organização da posição; D) Missões: 1. Protecção; 2. Combate; 3. Colaboração na D. C. A. | Cap. IV - Observação e reconhecimento do inimigo. A) Noções gerais sôbre o material aéreo: 1. Célula; 2. Grupo moto-propulsor. B) Vigilância do ar; C) Treino de reconhecimento; D) Avaliação de distâncias: 1. Processos e métodos; 2. Estádia; 3. Avaliação da distância à vista. | Cap. V - O tiro. A) Noções gerais; B) Teoria do tiro; C) Aparelho de pontaria: 1. Tipos de aparelho; 2. Grade; 3. Estudo da Táboa de Tiro Anti-aéreo de M. P. Breda 7mm 9 m/938; 4. Aplicação; D) Execução do tiro: 1. Material; 2. Segurança; 3. Tiro; 4. Emprêgo de projécteis tracejantes; E) O Tiro Anti-Aéreo da Metralhadora Ligeira Dreyse 7mm,9 m/938.  | Cap. VI - Tiro contra Paraquedistas. | Cap. VII - Pormenor da Instrução. A) Instrução Preparatória: 1. Noções gerais; 2. Deslocamento do alvo; 3. Treino de escuta; 4. Aparelho de tiro anti-aéreo; 5. Influência do vento; 6. Ensino do tiro; 7. Ensino da avaliação de distâncias; B) Tiro de instrução; C) Tiro de combate.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Discreta rubrica de posse na f. anterrosto. Lombada apresenta pequena falha de papel na extremidade superior.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
45€

07 novembro, 2020

OFFICIO // DA // SEMANA SANTA. // CONFORME O MISSAL, E // Breviario Romano ultimamente cor- // recto por ordem, e mandado // DO PAPA // URBANO VIII. // COM AS CEREMONIAS, QUE // usa a Igreja neste tanto tempo: distribui- // das pelos lugares, em que se devem pra- // ticar, conforme os sagrados ritos: e a // explicaçaõ dos Mysterios em idioma Por- // tuguez, para excitar a devoçaõ dos Fieis. // A que se accrescenta o Officio da // Pascoa até o Sabbado seguinte. // LISBOA: // Na Officina de Antonio Vicente da Silva. // Anno de MDCCLVIII. // Com licenç. e Privilegio Real. In-16.º (13 cm) de 546 [de 571] p. ; E.
"Sendo fim, com que a Igreja Mãy representa na Semana Santa os Mysterios da Paixão de Christo, excitar nas almas pios, e devotos affectos; para que a vontade se mova com os Mysterios, he necessario que o entendimento a excite com as noticias. Sem que esta potencia dê primeiro luz, naõ póde entrar naquella o calor. Sim he necessario, que o entendimento se cative para crer; mas he preciso que conheça para ponderar."
(Excerto do prólogo, Aos devotos, e curiosos Leitores)
Encadernação artística inteira de pele com dourados gravados nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. O livro encontra-se amputado das últimas 13 folhas.
Raro.
10€

06 novembro, 2020

BRUN, André - A BAIXA ÁS 4 DA TARDE.
Conferencia realisada no Salão da Trindade em 8-Dezembro-1910. Por...
[Lisboa], Impresso na Typographia «A Liberal» de Cesar Corrêa, [1910]. In-8.º (18 cm) de 32 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso livrinho onde o autor - conhecido humorista - discorre sobre a Baixa de Lisboa fazendo uso da sua veia satírica. Peça com indubitável interesse bibliográfico e olisiponense, foi uma das suas primeiras publicações, raramente citada nas suas biografias. Reimpresso em 1999, pela Grifo, esgotou rapidamente.
Opúsculo ilustrado em todas as páginas, no pé, com propaganda alusiva ao Salão da Trindade, local onde se realizou a conferência.
"Como V. Ex.as sabem, desde que fizeram exame de instrucção primaria, ha, a um canto da Europa, um paiz chamado Portugal, á beira-mar plantado, o qual se divide em duas partes: a Baixa e a provincia. A provincia, que começa no largo das Duas Egrejas, na rua das Pretas e na rua da Prata, estende-se, para um lado, para um Minho longinquo, cheio, ao que se diz, de lindas raparigas e alegres romarias; para o outro, para um Algarve beijado pelo sol e onde, a par de encantadoras tradicções de mouras encantadas, o figo, e a alfarroba estão como o villão em sua casa. A Baixa e seus arredores, muito tristes e solitarios, constituem Lisboa, terra de alface, do Conselheiro Accacio e das meninas Soisas. [...]
Emfim sejam quaes forem as rasões, topographicas ou de rotina irresistivel, o certo é que só a Baixa vive. O resto de Lisboa é constituido por arruamentos de aldeia sem transito, sem commercio e sem vida. A Baixa é tudo. Uma senhora quer comprar um carrinho de linha? Vae á Baixa. Uma menina quer arranjar um namoro aceiado e de botas de polimento? Vae á Baixa. Um sujeito quer pedir dez tostões emprestados? Vae á Baixa.
A Baixa ainda tem outro condão: o fazer com que toda a gente se conheça. Todos os dias, á mesma hora, se veem alli as mesmas caras. Á força de encontrar sempre as mesmas pessoas começamos primeiro por olhá-las com sympathia, um bello dia vem um sorriso, mais tarde um cumprimento e acabamos por lhes apertar a mão e por cavaquear com ellas, como se tivessemos andado na mesma ama. [...]
O Chiado é a arteria aristocratica, o nosso «boulevard dos italianos». Até a lama é elegante.
Ó lama do Chiado! Ó lama do bom tom..."
(Excerto da conferência)
André Brun (1881-1926). "Humorista português de renome, de ascendência francesa e de nome completo André Francisco Brun, nascido em 1881, em Lisboa, e falecido em 1926, na mesma cidade. Combateu na Primeira Guerra Mundial, atingindo o posto de major. Dedicou-se à literatura, cultivando o drama, a crónica e o conto. A vivência da guerra forneceu-lhe parte da sua temática, por exemplo em A Malta das Trincheiras. De entre as suas peças, cuja comicidade lhe valeu certo acolhimento por parte do público, destacam-se A Vizinha do Lado e A Maluquinha de Arroios."
(Fonte: infopedia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
25€

05 novembro, 2020

BARREIROS, Tenente Fernando - A GUARDA FISCAL E A INCURSÃO DE CHAVES. Lisboa, Typographia "A Editora Limitada", 1913. In-8.º (19 cm) de 14, [2] p. ; [1] f. il. ; [1] mapa ; B.
1.ª edição.
Narrativa pormenorizada da defeza de Chaves aquando das "incursões monárquicas" chefiadas por Paiva Couceiro a partir da Galiza.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao tenente Eduardo Picaluga.
Ilustrado em extratexto com o retrato d'A primeira vitima da contra-revolução monaquica - o soldado da guarda fiscal José de Carvalho - por um grupo de monarquicos, comandado por D. João d'Almeida, na madrugada de 2 de outubro de 1911, proximo a Soutelinho da Raia.
Contém um mapa de dimensões generosas (35,5x28,5 cm): "Esboço do terreno onde operou a 
coluna de Vila Verde no dia 8 de julho de 1912 : Escala aproximada: 1/50.000".
Inclui no final do livro dois quadros:
- Relação das praças da 4.ª companhia da guarda fiscal que tomaram parte no combate de Vila Verde da Raia em 7 de julho de 1912 e no de Chaves em 8, sendo as que só tomaram parte no primeiro ou no segundo respetivamente designadas pelas letras V e C.
- Relação das praças da 4.ª companhia da guarda fiscal que tomaram parte sob o comando do sr. tenente Pires de Moraes no combate de Chaves em 8 de julho de 1912.
"Desde maio de 1911 até ao total aniquilamento dos realistas na veiga de Chaves foi a 4.ª companhia da circumscrição do norte da guarda fiscal sobrecarregada com serviço de defeza da Republica muito para apreciar, por quanto foi sempre prestado da melhor vontade e desinteressadamente, não tendo as praças recebido qualquer gratificação durante a espinhosa vigilancia da fronteira.
Na primeira fase da defeza de Chaves dirigida pelo sr. coronel André Bastos foi por requisição d'aquelle oficial reforçada a companhia com 50 praças da circumscrição do sul, o que permitiu tornar mais ativa a vigilancia em torno da villa, que de noite era exercida por vedetas da guarda fiscal estabelecidas desde o Tamega, pelos fortes, até Santo Amaro, no Tabolado, Rivelas e Entrocamento.
Quando da primeira incursão foi a guarda fiscal a unidade que teve a primeira victima, o pobre soldado José de Carvalho, traiçoeiramente assassinado na serra da Panadeira, e na segunda invadiram os realistas não só os quarteis dos postos mas ainda os domicilios das praças roubando ou inutilisando tudo o que encontraram."
(Excerto de Antecedentes)
Matérias:
Antecedentes. | Combate de Vila Verde da Raia em 7 de julho. | Combate de Chaves em 8 de julho.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico e militar.
Indisponível

04 novembro, 2020

TELLES, Bazilio - NA FLANDRES (o episodio militar de 9 de Abril). Porto, Livraria Nacional e Extrangeira de Eduardo Tavares Martins, Suc.ᴼᴿ - Editor, 1918. In-8.º (18,5 cm) de 86, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo sobre a Batalha de La Lys, sangrento episódio militar ocorrido na Grande Guerra, em 9 de Abril de 1918, cujo preço em vidas humanas para Portugal foi elevadíssimo.
"A batalha de 9 de abril na Flandres é, como se diz no subtitulo d'este opúsculo, mero episodio na poderosa offensiva allemã iniciada a 21 de março anterior. [...]
Dividimo-la em tres partes, para methodisar a nossa critica: 1.ª A 55.ª divisão ingleza; 2.ª A divisão portugueza; 3.ª Conclusões."
(Excerto de Breve explicação)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Lombada com fita gomada.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
35€

03 novembro, 2020

AVELLAR, Fornarina de - UM CONTO EM FAMILIA : romance original.
De... Editor: José Tavares Junior
. Porto, Typographia do Commercio do Porto, 1873. In-8.º (20,5 cm) de VIII, 146 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance que a autora reputa de real, baseado em "reminiscências" da sua juventude. Trata-se de uma obra agradável, bem redigida, rica em vocabulário, cujo acção decorre na cidade do Porto, e o tema central é o "amor".
"É de uma senhora a interessante e singela historia que este pequeno livro encerra em si. A estreia não podia ser mais auspiciosa, nem menos feliz a ideia que fórma toda a acção de Um conto de familia." É desta forma que o editor abre a introdução, continuando mais adiante: "Editorando-o, sentimos que a modestia da authora a levasse ao extremo de esconder o seu nome, firmando tão valioso trabalho com o pseudonymo de Fornarina de Avellar."
Relativamente à "maternidade" da obra, nada foi possível apurar acerca da identidade da autora, a não ser, ainda de acordo com o editor, estarmos em presença de uma "illustrada senhora da nossa primeira sociedade."
"Era n'uma linda tarde do mez de agosto, e a cidade invicta via banhados de luz os seus muros, que ainda ao presente a cingem como braço de esqueleto gigante pela orla marginal do rio e parecem protegel-a contra innovações de mais aceio e elegancia. E de facto, carrancudos e sombrios são elles, tudo o que resta d'essas muralhas que fechavam em recinto estreito o antigo burgo, a cidade do bispo, cujos habitantes, ciosos do poder arbitrario de um prelado, tentaram por vezes, e conseguiram por fim livrar-se da ferropéa episcopal.
O sol a esta hora parecia mergulhar-se n'um lago prateado com mesclas de nacar; uma faxa côr de fogo tingia vivamente os flancos das nuvens orlando-as de ouro, as quaes se recortavam em fórmas vaporosas e phantasticas. [...]
Dir-se-ia que a maioria dos habitantes da cidade passeavam pelas ruas e praças, desencalmando as suas respeitaveis e burguezas entidades do calor tropical soffrido durante o dia entre o balcão e as paredes forradas a papel de chita da loja em que o morador do Porto passa os dias não santificados, passeando no cazeiro, pitoresco e até economico traje semanal, de chinelos de ourelo e pitada entre o indicador e polegar da mão esquerda.
Era na Praça Nova onde se davam as mãos maior numero de homens e senhoras, assentados e reunidos em vistosos grupos, rindo e conversando, em quanto os mais idosos, arvorado o impertinente chapéu no castão de unicornio da sua favorita bengala, iam e vinham de um a outro extremo da praça, entregando ás caricias refrigerantes da brisa os sensatos e despovoados toutiços com que a natureza os havia mimoseado, proximos a resvalarem na sepultura."
(Excerto do Cap. II)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas com defeitos.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

02 novembro, 2020

RAPOSO, A. F. - É A ALMA IMORTAL?
A imortalidade à luz do Texto Sagrado Original
. Lisboa, Publicadora Atlântico, Lda, [1963]. In-8.º (17,5 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Estudo histórico-religioso sobre a imortalidade da alma.
"Lemos nas Escrituras Sagradas, que Deus é «Aquele que tem, Ele só, a imortalidade» (1 Tim. 6:16). Portanto só unidas ao Criador, as Suas criaturas poderão ter a existência eterna, ou possuir a imortalidade.
Quanto ao homem, sua natureza, condição actual e destino, podemos dividir o assunto em três partes:
1. O homem na criação
2. O homem na morte
3. O homem na ressurreição"
(Excerto da 1.ª parte do estudo)
Matérias:
Nota do Autor. | A Imortalidade. O homem na criação. O homem na morte. O homem na ressurreição. | A sorte dos Ímpios. | O exame das principais objecções. | As objecções. | Testemunhos dos teólogos. Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente manchadas.
Invulgar.
10€

01 novembro, 2020

VASCONCELLOS, Luiz Mendes de - DO SITIO DE LISBOA : sua grandeza, povoação, e commercio, etc.
Dialogos de... Reimpressos conforme a edição de 1608. Novamente correctos, e emendados
. Lisboa, Na Impressão Regia, M. DCCC. III. [1803]. Por Ordem Superior. In-8.º (15 cm) de VII, [1], 297, [3] p. ; E.
Interessante obra de exaltação da cidade de Lisboa em forma de diálogos.
"A obra Do sítio de Lisboa (1.ª edição em 1608) exalta as excelentes qualidades do sítio da cidade de Lisboa. Para que escreveu ele os seus diálogos? Em primeiro lugar, para convencer Filipe II a mudar de Madrid para Lisboa a capital do seu império; depois para combater o estonteamento da nossa política ultramarina, que consistiu em se perverter o objectivo comercial (para que se fizera a descoberta) com as ideias de conquista; e ainda para dar emenda ao erro básico da economia portuguesa, que consistiu em não assentar o comércio marítimo numa base de fixação, isto é, um alicerce bem seguro de produção metropolitana, integralmente organizada. De passagem, o nosso Autor trata com mestria diversos temas, tais como a fortificação de Lisboa por meio dum canal de Sacavém a Alcântara, a organização de represas e regadio das lezírias, e outros. Além de documento histórico, não deixa de fornecer reflexões úteis para o presente."
(Fonte: wook)
"He tão natural a todos os homens o amor da patria, que quando não tivera outras razões, esta só me podia obrigar a escrever os presentes Dialogos, e muito mais quando as eleições que fizerão alguns Principes antigos, e outros de nossos tempos, de alguns sitios, para sustentar nelles o pezo de seus Imperios, e a approvação que para o mesmo faz Claudio Ptolomeo do monte Argentario, como duro estimulo, fazem força a todo o entendimento, que conhece as excellentes qualidades do sitio de Lisboa, para que não consinta que fiquem em silencio sendo por ellas mais digno que todos de huma alta consideração. Mas ainda para isto se me oferecêrão outras razões muito mais forçosas; porque entendendo quanto convem a esta Monarchia voltar Sua Magestade todo o seu entendimento ás causas do mar, e que todas se farão melhor com a sua presença, e que esta Cidade com ella receberá grandissima utilidade, pois quando não tiver outra, basta a de servir o seu Principe aonde elle veja o seu fidelissimo animo; pareceo-me que seria cousa utilissima mostrar, como a Cidade de Lisboa he mais apta para as cousas do mar, a respeito desta Monarchia, que outra alguma, e que nella terá abundantemente a Corte  de Sua Magestade não só todo o que para sustento commum he necessario, mas as mais preciosas cousas do Mundo, e ElRei as melhores recreações, que se podem desejar, para que por todas estas razões se conheça, que esta Cidade he mais digna que todas, da sua assistencia. E para que este meu intento pudesse conseguir o fim que pretendo, entendi, que o melhor modo, era fazer commum a todos por meio da Impressão estes Dialogos, porque andando de mão em mão, póde ser que cheguem á de algum nobre, e generoso de Espirito, que estime manifestar a Sua Magestade o que de utilidade, e justo deleite lhe offerece o sitio de Lisboa."
(Excerto do preâmbulo, Aos leitores)
Luís Mendes de Vasconcelos (c. 1542-1623). "Commendador da Ordem de Christo, Capitão mór nas armadas do Oriente, onde militou muitos annos, e Governador de Angola pelos de 1617 a 1620. Foi natural de Lisboa, e não de Evora, como pareceu ao P. Francisco da Fonseca na sua Evora gloriosa, pag. 413. Ignoram se precisamente as datas em que nascêra e morrêra, porém sabe se que foi pae de Joanne Mendes de Vasconcellos, que tanto se distinguiu por seus feitos militares nas guerras da acclamação.
São interlocutores n'esta obra um Politico, que segundo a interpretação do auctor da Bibliotheca Historica de Portugal (pag. 108 da segunda edição) se crê ser o Conde da Castanheira, ministro d'el rei D. João III e avô materno, dizem, de Luis Mendes: um Soldado, em quem pretendem ver Martim Affonso de Sousa, ex governador da India: e um Philosopho, que é tido, com razão ou sem ella, pelo bispo D. Jeronymo Osorio, a cuja instancia se accrescenta que fôra composto o Sitio de Lisboa. Quanto a esta ultima parte, parece me supposição mais que gratuita, para não dizer abertamente falsa.
Osorio morreu, como é sabido, em 1580, e Mendes de Vasconcellos dando á luz a sua obra em 1608, explica se no prologo em termos que, se não me engano, indicam ser a composição d'ella de mui recente data. O nosso illustre economista, o sr. A. de O. Marreca, em um artigo inserto no Archiro Universal, tomo III, sob o titulo João de Barros, Luis Mendes de Vasconcellos e o commercio da India (reproducção, me parece, de outro que publicára no Panorama (1842) pag. 378 e 379) fala de Vasconcellos e da sua obra com subido louvor, referindo se ao modo por que n'esta discursou ácerca das conquistas da India, e contestou a sua utilidade.
«O seu bom siso, e alguns capitulos da Politica de Aristoteles, revelaram lhe verdades que só muitos annos depois foram apregoadas e desenvolvidas pela eschola italiana, e pelos economistas inglezes e francezes (Arch. Univ. tomo III, pag. 82).”
(Inocêncio T. V, pp. 306)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado. Pastas algo desgastadas. Lombada com falha de pele nas extremidades.
Invulgar.
Com indubitável interesse histórico e olisiponense.
55€