21 agosto, 2020

SANTOS, João Marinho dos - PARA A HISTÓRIA DA AUTONOMIA DOS AÇORES - A INTRODUÇÃO FORÇADA DA FISIOCRACIA NO ARQUIPÉLAGO. [S.l.], Revista Portuguesa de História, 1996. In-8.º (23 cm) de 20 p. (576-593 pp.) ; B. Separata da Revista Portuguesa de História : t. XXXI, Vol. I (1996)
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre o relacionamento da Coroa com o arquipélago dos Açores durante o período pombalino, tendo como pano de fundo a questão cerealífera.
"A 26 de Fevereiro de 1771, um alvará assinado pelo Marquês de Pombal decretava que, de futuro,  seria «livre a extracção dos referidos trigos das Ilhas dos Açores para esta Cidade de Lisboa em beneficio commum da Capital do Reino [...]», exceptuando somente a situação «em que se verifique falta de trigos para o sustento dos moradores das respectivas Ilhas, no qual caso as Cameras farão praticar provisoriamente a reserva da terça parte [...]». [...]
Entre as considerações circunstanciais ou enquadradoras do referido diploma (já que o Poder Central não duvidaria da forte contestação que ele suscitaria no arquipélago), referiam-se os «intoleraveis monopolios de trigos que se faziam nas ilhas dos Açores a beneficio dos officiais das respectivas Cameras e de outras Pessoas poderosas» e o reconhecimento que as ilhas eram «adjacentes» do Reino, ou seja, províncias suas, e nestas, o «pão» era comercializado para «onde» [as pessoas} querem, e mais interesse lhe faz». [...]
Nos Açores, como aliás em outros «senhorios/donatarias», estava estabelecido que um dos direitos reais a observar deveria ser a obrigatoriedade  da moeda corrente ser a cunhada no Reino, ainda que este princípio nem sempre fosse cumprido. Com efeito, o fluxo monetário a partir de Portugal manteve-se, por norma, extremamente débil e os «atravessadores» locais, fiéis a alguns princípios do mercantilismo, retinham a pouca moeda reinol e, para os seus negócios com o estrangeiro, recorriam, o mais possível, aos «reales» e às letras de câmbio. Assim, quando, concretamente, a guerra estalou entre o Prior do Crato e Filipe II e o primeiro decidiu bater moeda em Angra, algumas relações informam que havia, então, na Terceira «muy poco dinero y pastel» ou havia pouco dinheiro mas «muitas peças de oiro e prata»."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

20 agosto, 2020

O EMBARQUE : um dia na História de Portugal. Prefácio: D. Duarte, Duque de Bragança. Apresentação: João Marques de Almeida (Tibúrcio). Introdução: Jorge de Morais. Selecção e Notas: Manuel J. Gandra. [Ericeira], Acontecimento : Estudos e Edições, Ldª., [1992]. In-8.º (21 cm) de [4], 299, [1] p. ; il. ; B.
"Este livro é o mais completo trabalho documental, escrito e iconográfico, publicado até ao momento sobre este tema: o embarque da família real para o exílio." (wook).
Conjunto de testemunhos e depoimentos de personalidades que, directa ou indirectamente, estiveram envolvidos na fuga da Família Real para o exílio, a partir da Ericeira, rumo a Gibraltar.
Livro ilustrado ao longo das páginas do texto com desenhos e fotogravuras, bem como fac-símiles de missivas e correspondência relacionada com o assunto, na sua maioria em página inteira.
"O primeiro drama político da República foi, sem dúvida, o golpe por definição antidemocrático que lhe deu vida.
Recordemos que até à véspera do 5 de Outubro de 1910 o partido republicano não conseguira conquistar mais do que 7% do Eleitorado nacional.
Decidiu-se, então, pelo golpe... numa das mais liberais e democráticas monarquias da época. O embarque da Família Real, na Ericeira, foi, por outro lado, o primeiro drama humano (agravado alguns dias depois pelo decreto do Governo Provisório da República de proscrição para sempre da Família de Bragança) da implantada República.
Este livro é assim um testemunho de dois dramas."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio. | Apresentação. | Introdução. | I - Aires de Sá. II - Francisco Maria Pino da Rocha. III - D. Tomás de Mello Breyner. IV - José de Azevedo Coutinho. V - José Tomás. VI - Júlio Ivo: Inquérito feito em Mafra: Inquérito feito na Ericeira. VII - Tomás Joaquim de Almeida. VIII - Patrocínio Ribeiro. IX - José Jacob Bensabat: A verdade dos factos. X - José Camarate Carrilho. XI - Hilário dos Santos Pereira. XII - D. Manuel II. XIII - António Serrão Franco. XIV - João Jorge Moreira de Sá: Aclarando a verdade. XV - D. Amélia: Entrevista de Leitão de Barros à Rainha D. Amélia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
25€

19 agosto, 2020

PAXECO, Fran - ANGOLA E OS ALEMÃIS. Maranhão, Tipogravura Teixeira, 1915. In-8.º (21 cm) de 339, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre os antecedentes que conduziram à política africanista da Alemanha, as suas pretensões coloniais e a sua particular apetência por Angola, possessão portuguesa, tendo sido a sua cobiça e política ultramarina determinantes para o eclodir da Grande Guerra (1914-1918).
"Esqueciam-se até de que Portugal existia, tantos fôram os vilipéndios que o fizeram curtir as instituiçõis espulsas e os seus asséclas. Mas o cinco de outubro, emancipando-nos de tiranêtes inclassificaveis, retemperou-nos, robusteceu-nos a alma. Agora mesmo, com o ciclópico impulso adquiridos, nesta hora de universal angústia, ao entrechoque da matéria bruta e do espírito vivificador, sairam do magnificiente anfiteatro do Tejo, rizonhas, entuziásticas, a defender as restantes jemas dos tempos áureos, sobranceiras e destemidas massas de patriotas. Vão honrar os inapagaveis brazõis dos nossos homens de armas, lá nessa feracíssima Angola, onde outrora portuguêzes e brazileiros, unidos num só corpo, esgrimiram contra o bátavo audaciozo, - como amanhã hão de seguir pors plainos da Europa, varonis e altivos, a ferir batalha com os que propugnam a imorredoira cauza da humanidade.
Os revolucionàrios de 1910 clamaram-nos, tal o Cristo da fábula ao lázaro: - Levanta-te, e caminha! E o luzíada, partidas as gragalheiras, desmaniatado, reencetou a marcha interrompida, forte e sereno, na certêza absoluta de que o dia do seu crepúsculo só soará quando o radiante sol da civilização dezaparecer da Terra."
(Último parágrafo do livro)
Sumário:
Proémio. | I - Os Sintomas. II - A Partilha. III - A Provincia. IV - A Gula Teutonica.
Fran Paxeco (nascido Manuel Francisco Pacheco) (Setúbal, 1874 - Lisboa, 1952). "Foi um jornalista, escritor, diplomata e professor português. Pai de Elza Fernandes Paxeco, primeira senhora doutorada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi cônsul de Portugal no Maranhão, no Pará, em Cardiff e em Liverpool. Em 1915 publica Angola e os Alemães e segue para Lisboa onde chega a 27 de Maio. Ocupa, entre outros cargos, o de secretário particular do Presidente da República, Bernardino Machado, mas continuando como cônsul de Portugal no Maranhão (tinha sido promovido a cônsul de 2.ª classe, em 4 de Julho de 1914). Escreve Portugal não é Ibérico. É perseguido pelo Estado Novo, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros nunca mais lhe atribuiu nenhuma missão diplomática."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas. Alvo de restauro na f. rosto e na última folha (em branco). Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

18 agosto, 2020

OS CÃES. Amigos e defensores dos homens - A VIDA DOS ANIMAES. Lisboa, Alfredo David : Encadernador, [1911?]. In-8.º (17,5 cm) de 196, [4] p. ; il. ; E. Bibliotheca da Infancia, VIII
1.ª edição.
Monografia sobre o cão dirigida ao público infanto-juvenil.
Inclui interessantes histórias de cães passadas sobretudo em Lisboa.
Ilustrada com 21 magníficas estampas, sendo a maioria impressas sobre em página inteira sobre papel couché, reproduzindo desenhos e e fotogravuras dos animais.
"Defensores e guardadores dos ricos, amigos dos pobres e das creanças, e unicos seres que se dedicam até á morte - os cães são, mas ainda que os gatos, os animaes domesticos por excellencia, e teem desempenhado sempre na vida do homem e na historia social da Humanidade um papel importantissimo."
(Excerto do Cap. O cão e o homem)
"O Pardal que pertence áquella raça de cães allemães que tão bons resultados teem dado na organização das brigadas extrangeiras dos cães da policia, foi levado para a esquadra [dos Caminhos de ferro] e alli se acclimou de tal maneira que ficou fazendo parte d'aquella secção da policia de Lisboa, onde era sinceramente estimado.
Poucos dias depois de alli ter dado entrada, praticou o Pardal a sua primeira façanha.
Estava de serviço o cabo guerra, e em frente da porta da esquadra girava no passeio a sentinella. Eram cerca de 11 horas da noite.
Entrou um preso, um vadio, que, aproveitando um momento de distracção do guarda, saiu correndo, do gabinete do cabo e transpondo de um pulo a porta da rua, foi direito a um electrico que passava, saltando para a plataforma com o carro em andamento.
O Pardal vendo-o fugir, segui-o furioso, e saltando tambem para o carro, tal barafunda e gritaria alli fez que o electrico teve de parar na Fundição, onde o preso foi recapturado pelo mesmo policia, que seguira no encalço do cão.
Ensinado a intervir nas desordens e a separar os desordeiros, o Pardal não pode vêr duas pessoas agarradas uma á outra.
Aconteceu uma noite ir com o chefe rondar uns guardas que estavam de serviço no Lusitano Club; o cão tanto se incommodou ao vêr os pares dansantes, que irrompendo pelas sala de baile, poz todos em debandada, sem que os mordesse, tornando-se necessaria a rapida e energica intervenção do chefe, para que o baile, tão extraordinariamente interrompido, pudesse continuar.
Por causa d'esta mania o Pardal tem de ficar preso nas vesperas de Santo Antonio e de São João."
(Excerto do Cap. VII, O cão da policia)
Indice:
I - O cão e o homem. II - O defensor do homem. III - O cão salvador do homem. IV - O amigo das creanças. V - O cão de trabalho. VI - O cão de caça.VII - O cão da policia- VIII - Os cães na guerra. IX - Os cães actores. X - O cão de Lisboa. XI - O culto do cão.

Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a negro e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

17 agosto, 2020

MAIA, José Joaquim Rebello - ROMA E O ESPIRITISMO. Opusculo dedicado ao Rmo. Sr. Prior da Parochial Igreja de Santa Justa da Cidade de Lisboa. Com uma carta preambular  ao Exm. Sr. Conselheiro Saldanha Marinho. Por... Questão Religiosa. Rio de Janeiro, Typ. do - Globo - Rua dos Ourives n. 51, 1877. In-8.º (18,5 cm) de 84 p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio sobre as questões doutrinárias que separam o Catolicismo do Espiritismo. O autor dedica a obra ao Prior de Santa Justa (Lisboa), que terá "tratado rudemente" a memória de seu irmão, o médico Ayres Maia, no seu enterramento civil.
"Entre duas idéas oppostas que se debatem para uma dellas ser verdadeira deve a outra necessariamente ser falsa; assim a affirmativa da existencia do inferno que a igreja catholica sustenta está em opposição a essa mesma existencia que o Espiritismo refuta.
Préga a igreja a necessidade do eterno castigo da culpa como co-relação do premio da virtude tambem eterno. Nega o Espiritismo a eternidade desse castigo como monstruosa desilgualdade entre a punição e o crime, porque desigualdade não seria justiça, e sustenta a eternidade do premio como principio do sublime attributo do amor e da bondade infinita do Creador.
Examinemos, pois, estas doutrinas diametralmente oppostas, esta questão que é nossa, que mais do que nenhuma outra interessa ao nosso futuro, e vejamos se a luz da razão illuminando o quadro poderá mostrar-nos de qual dos dous lados se eostenta o brilho da verdade."
(Excerto do Cap. I, A queda dos anjos e o inferno)
Matérias:
Carta preambular  ao Exm. Sr. Conselheiro Saldanha Marinho. | Dedicatória ao Rmo. Sr. Prior da Parochial Igreja de Santa Justa da Cidade de Lisboa. | A meu irmão o Sr. Diogo Maia. | I - A queda dos anjos e o inferno. II - Creação do Mundo. | III - A reincarnação e o premio eterno.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Indisponível

16 agosto, 2020

GUERRA, António Joaquim Ribeiro - OS DIPLOMAS PRIVADOS EM PORTUGAL DOS SÉCULOS IX A XII. Gestos e atitudes de rotina dos seus autores materiais. Lisboa, Centro de História da Universidade de Lisboa, 2003. In-4.º (24 cm) de 447, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Dissertação de Doutoramento em Letras na área de Paleografia e Diplomática apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Livro profusamente ilustrado ao longo do texto, a p.b. e a cores, com gravuras, fac-símiles de documentos medievos, quadros, gráficos e tabelas estatísticas.
"Os testemunhos escritos analisados neste trabalho dizem respeito à área territorial compreendida a Norte do rio Tejo, região já reconquistada desde o ano de 1147, apesar dos avanços e recuos conhecidos das forças presentes nos conflitos. Na verdade, o eco dos reencontros bélicos foi ouvido bem longe, atraiu à região novos braços para a refrega, para o repovoamento.
Os diplomas, cujo estudos nos propomos estudas, sob a perspectiva já acima anunciada, não tinham por objectivo testemunhar a trama política e social vivida na região de proveniência. Mas de forma indirecta, num ou noutro caso, fazem eco de um quotidiano em que o pão nosso de cada dia não era igual para todos. Ao encetarmos o seu estudo não podíamos ignorar a vivência quotidiana daqueles que no-los legaram. Nas palavras, muitas vezes repetidas nos quirógrafos do século XII, vemos o anseio que seria bastante generalizado; "Fiat pax et veritas in diebus nostris".
Os séculos XI e XII decorrem em clima de violência. São as intrigas, as tiranias senhoriais, as relações feudo-vassálicas tempestivas, as várias invasões que, Norte a Sul, despontam por todo o lado, carreando consigo a angústia, o medo, a fome, a vilania torpe, as violações, o saque. No século XII a Igreja beneficiou de movimento reformador, a vida monástica foi reformada."
(Excerto do Cap. I, O espólio documental)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

14 agosto, 2020

CASTELLO BRANCO, Camillo - LUIZ DE CAMÕES : notas biographicas. Prefacio da setima edição do Camões de Garrett. Porto e Braga, Livraria Internacional de Ernesto Chardron - Editor, 1880. In-8.º (19 cm) de 78, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Obra publicada originalmente na 7.ª edição do poema Camões, de Almeida Garrett, e nesta edição em separado, associando-se desta forma, Camilo, às comemorações centenárias do grande vate português.
"O protagonista do sempre formoso poema de Almeida-Garrett é um Luiz de Camões romantico, remodelado na phantasia melancolica d'um grande poeta exilado, amoroso, nostalgico. A ideal tradição romanesca impediu, com as suas nevoas irisadas de fulgores poeticos, passante de duzentos e cincoenta annos, que o amador de Natercia, o trovador guerreiro, fosse aferido no escalão commum dos bardos que immortalisaram, a frio e com um grande socego de metrificação, o seu amor, a fatalidade do seu destino em centurias de sonetos. Garrett fez uma apotheose ao genio, e a si se ungiu ao mesmo tempo principe reinante na dynastia dos poetas portuguezes, creando aquella incomparavel maravilha litteraria. Ensinou a sua geração sentimental a vêr a corporatura agigantada do poeta que a critica facciosa de Verney e do padre José Agostinho apoucára a uma estatura pouco mais que regular.

Camões ressurgiu em pleno meio-dia do romantismo do seculo XIX, não porque escrevêra os Lusiadas, mas porque padecera d'uns amores funestissimos. O seculo XVIII citava-o apenas nos livros didacticos e nas academias eruditas, como exemplar classico em epithetos e figuras da mais esmerada rhetorica. Tinha cahido em mãos estirilizadoras dos grammaticos que desbotam sapientissimamente todas as flôres que tocam, apanham as borboletas, prégam-as para as classificarem mortas, e abrem lista de hyperboles e metaphoras para tudo o que transcende a legislatura codificada de Horacio e Aristoteles."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Páginas apresentam leves manchas de oxidação.

Invulgar e muito apreciado.
Indisponível

13 agosto, 2020

FALCÃO, Garibaldi - MULHERES, AMOR E CIUMES. Nos Salões da Alta Roda. [Lisboa], Casa Editora Nunes de Carvalho, [192-]. In-8.º (21,5 cm) de 464 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance de costumes cuja acção decorre em França.
"Por entre a multidão de mascarados e não mascarados, que numa noite de sabado gordo enchiam os corredores da Opera, atravessou um dominó, evidentemente masculino, trazendo no capuz um laço de fitas azues e amarelas.
Aquele dominó subiu a escada que levava aos camarotes de segunda ordem, começando a passear no corredor. Volvidos minutos, um outro dominó, que trazia egualmente um laço de fitas azues e amarelas, aproximou-se, e, em voz baixa, feminina:
- Childe-Harold. - Disse ele.
- Fausto, - respondeu o dominó masculino.
A mulher enfiou o braço no do homem, que a conduziu ao pequeno salão dum dos camarotes de boca.
Logo que ali entraram, o homem tirou a mascara. O rosto duma pureza de linhas ideal, tinha uma encantadora expressão de melancolia, expressão absolutamente estranha á beleza pagã. Cabelos pretos e anelados emolduravam aquela nobre e graciosa fisionomia. Tirára a mascara, dizemos, esperando que aquela que o acompanhava fizesse o mesmo. Era sem duvida uma mulher, mas que estava mascarada de modo a não ser reconhecida. O capuz do dominó, puxado para o rosto, não deixava vêr os cabelos. O dominó muito amplo, disfarçava-lhe a estatura; as luvas e os sapatos, impediam que se vissem as mãos e os pés, indicios reveladores. Parecia estar comovida. Quiz falar, mas as palavras expiraram-lhe nos labios."
(Excerto do Cap. III)
Garibaldi Falcão (1863-1944). Jornalista, escritor e tradutor português, sobre o qual existem poucas referências biográficas. Publicou duas obras sobre a Grande Guerra - A Batalha do Marne (1916) e Historia Illustrada da Guerra (18 vols em 5 tomos) (1915-17). Editou ainda alguns romances, onde sobressai o presente Amor, Mulheres e Ciume - que não consta da base de dados da Biblioteca Nacional -, e um outro, também dedicado ao tema da Grande Guerra, - A heroina de Portugal (1917). Traduziu autores conhecidos, como, ente outros, Victor Hugo, Alexandre Dumas, Tolstoi, Pitigrill e Emílio Salgari.
Exemplar brochado em bom estado de  conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€
Reservado

12 agosto, 2020

MONIZ, Egas - OS PINTORES DA LOUCURA. Conferência realizada na Sociedade Nacional das Belas Artes na inauguração da exposição do Grupo Silva Pôrto, em 7 de Fevereiro de 1930. Por... Separata dos números 1 e 2 do III vol. (Março e Junho de 1930) do Archivo de Medicina Legal, publicado sob a direcção do prof. dr. Azevedo Neves. Lisboa, Imprensa Nacional, 1930. In-4.º (26 cm) de 12 p. ; [6] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo psiquiátrico associado à pintura, vertido sob a forma de conferência.
Ilustrado em separado com a reprodução de 8 telas de conhecidos mestres distribuídas por 6 folhas de papel couché.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Egas Moniz ao conhecido médico cirurgião terceirense Prof. Augusto Monjardino, fundador da Maternidade Alfredo da Costa.
"Falar de loucura, que anda tam longe destas paragens, seria, em meu entender, fugir ao compromisso, manifestando boa-vontade. Não colheu o ardil. Aceitaram o tema. E aqui estou para tratar do assunto que vai, decerto, desagradar, mas cuja responsabilidade não cabe a mim sòmente.
Os neurologistas e psiquiatras interessam-se pela pintura, fora dos domínios da emoção, pelos assuntos mórbidos que alguns artistas tratam nos seus quadros e ainda num propósito de interpretação de certas obras de arte como elemento de análise psiquiatra dos seus autores. [...]
Sob dois aspectos pode encarar-se o tema desta palestra: pintores da loucura alheia e pintores surpreendidos pela alienação mental transladando para a tela fases da sua psicose."
(Excerto da Conferência)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos, e pequena falha de papel no canto superior esquerdo da capa frontal. Com sinais de humidade à cabeça, incluindo a capa e as estampas. Assinatura de posse na capa, primeira e última folha de texto.
Raro.
Indisponível

11 agosto, 2020

FRAGOSO, Fernando - HOLLYWOOD EM LISBOA. Encontros e desencontros com as vedetas de cinema, que a guerra trouxe a Portugal. Lisboa, Vida Mundial Editora, 1942. In-8.º (19 cm) de 184, [8] p. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada em plena 2.ª Guerra Mundial. Conjunto de depoimentos e reportagens jornalísticas a propósito do fluxo de personalidades ligadas ao cinema internacional que se refugiou em Portugal após a eclosão do conflito.
"A guerra trouxe a Portugal algumas das mais célebres vedetas mundiais. Lisboa, Cais da Europa, assistiu, dêste modo, à luzida parada das figuras que se habituara a admirar, imaterializadas em sombra e luz. Quando menos se esperava, desfeito o equilíbrio do sistema «astral» euro-americano, presenciámos, surpreendidos e interessados, o espectáculo duma chuva de estrêlas, sôbre as ruas e hoteis da cidade - estrêlas de todos os tamanhos e feitios, com a luz própria do seu talento ou com a chama duma publicidade engenhosa e bem estudada. [...]
Tôdas, grande e pequenas, cintilantes ou apagadas, viviam uma hora difícil, pela inquietação de Marte, que desorganizara as constelações existentes...
A guerra, com efeito, eclodira em França. E, quinze dias depois das primeiras notícias da invasão, aquele país capitulava, quási sem ter tempo de combater. O êxodo, iniciado semanas antes, atingiu, em poucos dias, proporções fabulosas. Portugal acolheu, então, com a hospitalidade proverbial do seu povo, essas vedetas, que traziam ainda no olhar o pavor do pesadelo vivido.
O que vão ler não é um romance nem uma obra literária, na acepção pretenciosa do termo. É, sim, e apenas, a reportagem, o depoimento dum jornalista que, por dever de ofício, surpreendeu algumas das figuras mais gradas da tela, nas horas de incerteza, nas horas dramáticas que viviam - e as traz, agora, ao convívio dos leitores, tais como elas são na vida real. [...]
Nas páginas que se seguem, há capítulos para ler e meditar - confissões e desabafos de produtores e realizadores, actos de contrição e actos de fé dos que têm responsabilidades nos destinos do Cinema."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com pequeno "rendilhado" de traça visível nas últimas folhas do livro, à cabeça, sem atingir a mancha tipográfica.
Invulgar e muito interessante.
Indisponível

10 agosto, 2020

DAUPIÁS (Alcochete), Nuno - A EXPORTAÇÃO DE SAL PELO PORTO DE LISBOA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XVIII. (Subsídios para a história do comércio do sal e do movimento do porto de Lisboa). Lisboa, [s.n. - Imprensa Formosa, Porto], 1957. In-4.º (23,5 cm) de [4], 175 p. [179-353 pp.] ; [7] p. il. ; [3] mapas estat. ; B. Separata do Boletim Clínico - Vol. 21 - N.º 1 - 1957
1.ª edição independente.
Importante contributo para a história do comércio e exportação de sal, bem como a sua ligação ao Porto de Lisboa, porta de saída do produto para os mercados exteriores.
Livro ilustrado em separado com 7 estampas distribuídas por 4 folhas papel couché. Inclui ainda 3 mapas estatísticos, dois deles desdobráveis.
Foram tirados 50 exemplares, numerados de 1 a 50 e rubricados pelo autor. O presente leva o n.º 44.
"Sobre o movimento e comércio de exportação do sal através do porto de Lisboa, pouca coisa há de escrito. Diga-se também que, à parte meia dúzia de autores modernos, a questão salineira não preocupou demasiadamente os nossos historiadores. [...]
Apresentar toda uma documentação relativa à exportação do sal, através do porto de Lisboa, nos primeiros anos do século XVIII, é o fim da presente publicação. Com a introdução pretendo, não fazer a história do sal, mas sim salientar determinados factores da economia portuguesa dos séculos que passaram, de modo a que o valor documental destes monótonos três livros de assentos de entradas de navios e saídas de cloreto de sódio para terras estrangeiras, províncias portuguesas e Brasil, fique bem claro e presente ao leitor menos familiarizado com problemas desta natureza."
(Excerto do Prólogo)
"São dos séculos abrangidos pelos chamados ciclos do Comércio da Costa da Mina, do açúcar e do oouro do Brasil os testemunhos mais numerosos acerca do valor económico do nosso sal.
Os estrangeiros precisavam dele para as suas indústrias de peixe e de carne. Para isso, as grandes casas comerciais neerlandesas, hanseáticas e, possivelmente, inglesas, mantinham os seus agentes em Portugal, os quais se ocupavam em fornecer e carregar os navios que iam chegando ao Tejo e ao Sado."
(Excerto do Cap. I, Considerações gerais sobre a importância do sal na economia portuguesa)
Matérias:
Prólogo. | I - Considerações gerais sobre a importância do sal na economia portuguesa. | II - Três livros do Arquivo Histórico do Hospital São José. | Livros de assentos de entradas de navios e saídas de sal [pormenor]. | Alfabeto dos fiadores. | Alfabeto dos capitães e mestres. | Alfabeto dos navios que ao Porto de Lisboa vieram carregar sal. | Resumé. | Summary.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

09 agosto, 2020

TAMAGNINI, Fernando - SERVIÇO DA CAVALLARIA EM CAMPANHA. Compilação por... Tenente-coronel de cavallaria. Lisboa, Typographia - Casa Portugueza - Papelaria, 1904. In-8. (14,5 cm) de [4], VII, [1], [8], 324 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual militar de Fernando Tamagnini, insigne oficial do exército português que, anos mais tarde, viria a chefiar o C. E. P. em França, durante a Grande Guerra.
Ilustrado com quadros, tabelas, gráficos e desenhos exemplificativos. Contém ainda 2 folhas coloridas com as bandeiras indicativas do local onde estão installados os quarteis generaes, differentes commandos e serviços.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor, datada de 3-XII-904, ao seu "Camarada e Amigo" João de Azevedo Coutinho, conhecido político, administrador colonial, e militar da Armada Portuguesa.
Matérias:
1.º Organização geral do exercito. 2.º Ordens, instrucções, relatorios e participações. 3.º Serviço de noticias. 4.º Serviço de segurança. 5.º Marchas. 6.º Estacionamento. 7.º Operações secundarias. 8.º Serviço de policia. 9.º Serviço de saude e alimentação das tropas em campanha. Serviço de etapes. 10.º Formações das differentes armas. Seu emprego. 11.º Armas de fogo. Munições. Fogos. Tiro. Municiamento e reabastecimento. 12.º Combate.
Appendice
I. Orientação. II. Nomenclatura do terreno. III. Indicios. IV. Avaliação de distancias. V. Algumas defezas accessorias. Meios de as destruir. VI. Organização de obstaculos. VII. Passagem dos cursos de agua. VIII. Destruições. IX. Reparações. X. Telegraphia optica. XI. Despachos em cifra. XII. Convenções internacionaes. XIII. Signaes topographicos.
Fernando Tamagnini de Abreu e Silva (1856-1924). "Nasceu em 13 de Maio de 1856, em Tomar. Assentou praça como voluntário do Regimento de Cavalaria em 2 de Junho de 1873. Director da Escola Regimental em 1891. Em 1893 passou à Guarda Municipal de Lisboa. Em 1913, participou na Escola de Repetição. No ano seguinte foi colocado no Estado-Maior das Armas e Inspector da Cavalaria Divisionária. Em 1915 foi nomeado comandante interino da Brigada de cavalaria. Após ser promovido a General foi nomeado comandante da divisão de instrução mobilizada em Tancos e posteriormente comandante do Corpo Expedicionário Português (CEP) que combateu na Flandres na Primeira Guerra Mundial. Foi ainda comandante da 5.ª Divisão do Exército e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Militar. Agraciado com diversas condecorações. Faleceu de 24 de Novembro de 1924, em Lisboa."
(Fonte: EME - Arquivo Histórico Militar in www.exercito.pt) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capas apresentam defeitos marginais.
Raro.
65€

08 agosto, 2020

BORRECHO, Henrique - A DAMA DE LUTO. 1.ª edição. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [1935]. In-8.º (19 cm) de 272 p. ; B.
1.ª edição.
Romance policial português publicado nos anos 30 do século passado. Invulgar e curioso. Sobre o autor, apenas foi possível apurar ter publicado uma obra, a presente (BNP), não existindo outras notícias bio-bibliográficas sobre si.
"Os escritórios e armazens da Companhia de Carregadores e Fretadores do Atlantico-Limitada, estavam instalados num antigo predio da Avenida 24 de Julho e, como tantas outras casas de forte importancia comercial, parecei esta ter por supérfluas as modernas decorações nas fachadas e interiores, não cuidando de dar as aspecto vetusto do edificio e antiquadas armações um geito ou arranjo em harmonia com a evolução geral.
Ora no dia 29 de Setembro de 1932, tres homens conversavam animadamente no patamar do escritório, insistindo um por que o outro o acompanhasse a certa festa, insistencia a que o convidado se esquivava o melhor que podia, fazendo-o de tal modo que as suas palavras provocavam no interlocutor decidida má disposição e, no que ouvia, repetidas risadas.
Eram os conversadores dois empregados da Companhia e, o espectador risonho, um antigo cliente.
Desistindo Fonseca, o festeiro, de convencer o colega a acompanhal-o, resolveu afastar-se, mal humorado, principiando a descer a escada.
Entretanto, o outro, empurrava deliberadamente o guarda vento da tesouraria, dizendo em ar de despedida:
- E alegra-te amigo, por não te escangalhar a combinação arranjando-te uma nomeaçãosinha de serviço a bordo.
- Ah! Se tu me fizesses isso...
Fonseca não acabou a frase.
Foi interrompido por um grito rouco soltado pelo velho cliente que, vacilante, apontava o interior da tesouraria.
Carlos Bréda, o que não aceitara o convite para a festa, lançou um olhar rápido para o compartimento, largando simultaneamente a porta para suster o velho que caía, e com êste seguro, abriu-a novamente com o pé. [...]
Sentado à secretária, o tesoureiro, mostrava-lhes o rosto e o peito ensanguentados, escancarando um ferimento enorme, que ia da fronte ao alto do cranio, de lábios abertos, tremendo de miséria e ascororosidades."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
20€

07 agosto, 2020

MACHADO, General Ernesto - O C. E. P. NÃO FOI SÓ O 9 DE ABRIL. (Excerto do Livro Recordações, em preparação, do mesmo autor). [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G. - Lisboa], 1956. In-4.º (23,5 cm) de 56, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias da Grande Guerra do General Ernesto de França Machado, oficial do C. E. P. que integrou a 1.ª Divisão Portuguesa na Flandres.
Inclui reproduzida correspondência entre as chefias portuguesas e inglesas, bem como louvores por acções e feitos militares em combate.
"Em 19 de Junho de 1917 segui de Lisboa para França, via Madrid, mobilizado para o C. E. P.
Desci na estação de Air-sur La Lys, em Junho ainda, e logo me dirigi para o Q. G. da 2.ª Divisão portuguesa em formação, o qual estava instalado no chalet de St. André, próximo de aquela pequena cidade da Flandres francesa. Quando ali me apeei encontrei-me com D. José da Serpa Pimentel, então major e chefe do estado maior de aquela Divisão. A vida ia colocar-me a seu lado até ao momento em que, esbatidos os ecos da Batalha de França e terminada a Grande Guerra, a minha Divisão (a I.ª) deixou a planície monotona da Flandres. [...]
A guerra parada, a enervante guerra de trincheiras, com os seus constantes e inúmeros problemas a resolver, não demanda do General [Gomes da Costa] e do seu Quartel General menos esforço do que a guerra de movimento. É uma ilusão supor que a guerra estabilizada exige, da parte do comando, menos tensão de espírito do que a batalha ofensiva; de facto, mercê de factores vários, a defensiva tem maior acção sobre os nervos.
E para as tropas pesado é o fardo. Permanecer imóvel sob o fogo rolante do inimigo, na lama, na humidade e no frio, por vezes na fome e na sede; ou ficar oculto,dobrado sobre si mesmo, nos abrigos ou crateras esperando um inimigo superior em forças e surgir fora dum ninho seguro para lançar-se sobre quem se esforça para trazer consigo a nossa perda, eis o quadro. [...]
A 1.ª Divisão portuguesa foi na linha um elemento de força e de valor, disciplinado e eficaz, correcto e altivo, perfeitamente à altura das suas congéneres inglesas, ao lado das quais cooperava, além da 2.ª Divisão.
A ela me refiro, em especial, não por menos consideração pela 2.ª Divisão que, vítima de culpas que não eram suas, cumpriu como pôde o seu dever no dia 9 de Abril de 1918 - acção conhecida nos seus detalhes, nas suas causas e efeitos, através de relatórios e de várias publicações -, mas por ser aquela a que pertencia e em que trabalhei, em que vivi a sua vida; aquela que dia e noite acompanhei no pulsar dos seus bons e maus momentos, da alegria e da calma ansiedade. Diante dos meus olhos passam, com grande nitidez, os homens e os factos, as madrugadas de raid, a satisfação dos nossos êxitos e a arrelia dos do inimigo."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

06 agosto, 2020

CORREIA, Cónego Manuel Nazário - DOS BARROS DO ALENTEJO : Cristo chamou por mim e... eu fui. [S.l.], [s.n. - Montagem e Imp. Pentagráfica, Beja], [1992]. In-8.º (19,5 cm) de 346, [12] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro de memórias do autor, escrito após uma carreira de 50 anos dedicada ao sacerdócio. Com interesse histórico, etnográfico e religioso, sobretudo para a província do Alentejo.
Ilustrado ao longo do livro com inúmeras fotografias a p.b. em página inteira.
"Uma das aspirações que sempre acalentei, no meu coração de Padre, pelos vários campos em que exerci a minha Acção Sacerdotal, era legar à Igreja um novo padre, que viesse substituir-me, quando eu morresse.
Neste ano de 1991, em que celebrei o 50º Aniversário da minha Ordenação Sacerdotal, um pensamento ensombrava um pouco a minha alegria:
"Nada ou quase nada eu tinha feito, para conseguir realizar este meu desejo."
Se é verdade que, sobretudo durante os 15 anos que vivi no Seminário, como Professor e Prefeito, me parece ter contribuído com alguma coisa para encaminhar para o Sacerdócio alguns dos Padres, que hoje labutam, no trabalho apostólico da nossa Diocese, e certo e para mim penoso, é que das várias aldeias e vilas por onde passei e onde exerci o Ministério Sacerdotal, nunca encaminhei nenhum jovem ou adolescente para o Seminário, a não ser indirectamente.
Esta foi a primeira razão que me levou a escrever este livrinho. Como eu ficaria contente se, ao lê-lo, algum jovem sentisse, como eu senti, o Chamamento de Deus para o Sacerdócio!... Que o Senhor me dê essa dita!"
(Excerto da Nota de abertura)
"Quem um dia quiser conhecer a verdadeira índole do Povo Alentejano, terá forçosamente de escutar e ouvir os seus maravilhosos"cantes", altamente expressivos do seu modo de sentir e maneira de viver.
O verdadeiro Alentejano, o homem da gleba e da planície, levanta-se cantando, trabalha cantando, vive cantando e, no seu cantar, ele extravasa toda a sua alma rica de sentimentos, de admiração e de amor, por tudo quanto o rodeia.
São notáveis e sensíveis, os três grandes amores a que ele se dedica e que ele canta:
Amor à natureza, que o envolve e com a qual dialoga feliz;
Amor entranhado ao seu Lar e à sua Família;
Amor e Dedicação ao próprio Criador da Terra, que ele trabalha, e aos Amigos com quem convive.
O estranho fenómeno da Industrialização do Trabalho, com o barulho ensurdecedor das máquinas, veio atordoar a alma alentejana, que vivia serena e tranquila, embebida como andava, no labor da Terra-Mãe, que lhe dava o pão e a alegria, ou Lhe encantava os olhos e o coração, quando se revestia de muitas e variadas cores, ao sabor das estações do ano."
(Excerto de O sentir e cantar do Povo Alentejano)
Manuel Nazário Correia (1917-2001). Natural de Cabeça Gorda, distrito de Beja. "No dia 19 de Março de 1941 foi ordenado sacerdote da Igreja Católica, pelo Bispo D. José do Patrocínio Dias. De Outubro de 1941 até Setembro de 1956, exerceu no Seminário as funções de prefeito e professor. De 1956 a 1975 paroquiou as freguesias de Almodôvar e anexas, indo depois para Vila Nova de Milfontes afim de ali ser pároco dessa mesma freguesia e sub-director do Instituto de N. Senhora de Fátima e como tal orientador do Lar de Rapazes estudantes aí fundado. Em 1978 foi mandado pelo Senhor D. Manuel dos Santos Rocha para a vila de Odemira como pároco das duas freguesias onde ainda se enconta[va]." (Dados biográficos retirados da contracapa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

05 agosto, 2020

BESSA, Alberto - A GIRIA PORTUGUEZA : esboço de um diccionario de «calão». Contendo uma larga copia de termos e phrases empregadas na linguagem popular de Portugal e Brazil, com as respectivas significações, colhidas na tradição oral e em documentos, livros e jornaes antigos e modernos, incluindo muitas palavras ainda não citadas como de "giria" em diccionario algum. Por... Da Academia de Sciencias de Portugal [...]. Com um prefacio do illustre Professor Dr. Theophilo Braga. 3.º milhar. LINGUAGEM POPULAR. Lisboa, Livraria Central Editora, 1919. In-8.º (18 cm) de [2], XXXI, [1], 334, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Importante dicionário de gíria portuguesa, cujos termos e informações o autor recolheu da tradição oral e(ou) escrita.
Muito valorizado pelo extenso prefácio de Teófilo Braga.
"A creação dos vocabulos da giria, do calão e modismos vulgares é um phenomeno da linguagem muito diverso da formação primitiva das palavras desenvolvidas organicamente pela articulação de uma raiz no seu thema, e d'este nos seus prefixos, suffixos e desinencias nominaes e verbaes, constituindo um complexissimo apparelho de expressão de ideias. Embora separados pela circumstancia do tempo, os dois processos resultam da mesma actividade, suscitado um pela acção inconsciente da tradição e do automatismo que impera na linguagem de um povo, e o outro pelas exigencias do meio social, que pelas suas transformações rapidas influe para dar-se expressão a novas relações. Exemplificaremos em duas palavras a differença dos dois processos formativos: Aspecto e Alfarrabista. A primeira palavra provém de uma raiz trilitera primitiva, spc, que encerra a ideia de vêr, de representar , de considerar subjectivamente. [...]
Quando porém adoptou a palavra Alfarrabista para designar o vendedor de livros velhos, differenciando-o do livreiro, obedeceu á necessidade de caracterisar um ramos restricto do commercio de livros, que o grande desenvolvimento d'esse negocio levou a dividir ou especialisar; formou-se a palavra do thema Alfarrabio, nome dado na linguagem das escholas a qualquer livro velho ou mesmo atrazado na doutrina; penetrando na origem particularista, vê-se que nas escholas da Edade Media Al-Farabi era o nome de um dos mais celebres philosophos arabes da Eschola de Bagdad, do fim do seculo IX, um dos sustentaculos do aristotelismo; mas não pára aqui o porquê do nome, pois que chamando-se este philosopho arabe Abu-Naçr-Mohammed-ben-Mohammed-ben-Tarckhan, foi chamado Al-Farabi por ser natural da provincia de Farab na Transoxiana. O que é mais notavel ainda, é que as obras philosophicas de Al-Farabi não foram traduzidas em latim, e não entrando nas escholas de Paris, como é que este nome se universalisou tomando um sentido generico no calão das escholas e até no plebeismo vulgar?"
(Excerto do Prefácio, Sobre a linguagem da giria em Portugal)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. As primeiras páginas apresentam manchas de acidez.
Muito invulgar.
Indisponível

04 agosto, 2020

SANTOS, Carlos M. - TOCARES E CANTARES DA ILHA : estudo do folclore da Madeira. [S.l.], [s.n. - Compôsto e impresso na Tipografia da «Empreza Madeirense Editora, Lda.», Funchal], 1937. In-4.º (23,5 cm) de [2], 130, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história e conhecimento do folclore madeirense.
Ilustrado ao longo do texto com reprodução de instrumentos musicais e partituras de variados géneros populares do folclore da Ilha.
"É voz corrente serem os instrumentos usados pelos nossos camponêses - o rajão, o braguinha e a viola de arame - oriundos da Madeira.
Embora a tradição sirva, de certo modo, de pilar ao edifício da História, não satisfaz absolutamente ao investigador honesto, sempre ávido de bases seguras para assentar afirmações.
No caso da Madeira, tal desideratum quasi é legítimo, atenta a pobreza de elementos históricos e, principalmente, de relatos de verdade insofismavel. [...]
Ora, quando no capítulo da história geral da Madeira as certezas oscilam ainda no fim de cinco séculos e quatro lustros, que esperar dum ramo descuidado pelos historiadores e pouco aprofundado pelos que outrora o investigaram?
Quem o quiser estudar é automaticamente impelido para os campos da história universal da música, da tradição, da hipótese.
É, portanto, dentro dêste âmbito, que tentaremos também chegar a conclusões suficientemente claras para determinarem o fundamento em que assenta essa mesma tradição, já que ela se tornou elemento primordial no assunto que nos ocupa."
(Excerto de Instrumentos, [Prólogo])
"Há que separar em duas espécies distintas as canções madeirenses: fundamentais e derivadas. Á primeira pertencem o charamba, a mourisca e o bailinho das camacheiras; à segunda, a maior parte das melodias usadas pelo povo, incluindo as canções do trigo, da erva, da carga, etc.
O povo madeirense não soube criar as suas canções, mas adoptou as melodias que apareceram ou caíram em moda, innovando outras sobre os respectivos temas a que deu o interessante e inconfundível sabôr regional.
Muitas delas são simples deturpações."
(Excerto de, Canções [Prólogo])
Matérias:
Intrumentos & Canções. Primeira Parte - Instrumentos: A viola de arame; O Rajão; O Braguinha. | Segunda Parte - Canções: O Charamba; A Mourisca; O Bailinho das Camacheiras; Canção da eira; Canção da ceifa; Canção da carga; Canção dos borracheiros; Canção da sementeira; Canções domésticas. | Conclusão.
Carlos Maria Platão dos Santos (1893-1955). "Nasceu a 22 de Julho de 1893, na freguesia da Sé, Travessa do Forno 5, Funchal e faleceu no dia 6 de Outubro de 1955. Frequentou a Escola Industrial do Funchal. Trabalhou na indústria dos bordados, onde demonstrou os seus dotes no desenho. Foi autodidata na música, aprendendo a tocar braguinha e bandolim. Com vinte anos de idade criou um grupo de bandolins com o seu irmão e amigos. Anos depois foi convidado a dirigir o grupo “6 de Janeiro de 1915”, cujo nome foi depois mudado para “Círculo Bandolinista da Madeira”. Desde muito novo interessou-se por estudar o folclore da Madeira, tornando-se pioneiro na sua defesa e divulgação. Desde 12 de Junho de 1927 trabalhou no periódico “O jornal”, periódico este que, a partir de 1954 passou a designar-se “Jornal da Madeira”. Em 1932 foi nomeado Chefe de Redacção do referido periódico. Foi director do Grupo “Os Folcloristas”, criou um grupo com o seu nome, em 1949 assumiu a direcção do Grupo de Folclore da Casa Do Povo da Camacha, e ensaiou grupos na Boaventura, Ponta do Pargo, Livramento e Ponta do Sol. Carlos dos Santos escreveu artigos e realizou conferências sobre a cultura madeirense. Publicou três livros fundamentais ao estudo do Folclore da Madeira: Tocares e cantares da ilha: estudo do folclore da Madeira. Funchal: 1937; Trovas e bailados da Ilha: estudo do folclore musical da Madeira. Funchal: 1942; O traje regional da Madeira: Estudo. Funchal: 1952."
(Fonte: https://madeirafolclore.wordpress.com/recursos/personalidades/c/)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas oxidadas com falhas marginais. Capa frontal e as duas primeiras folhas apresentam falha de papel à cabeça de algum relevo e vestígios de humidade. Perda de papel nas extremidades da lombada.
Invulgar e muito apreciado.
35€

03 agosto, 2020

LEITE JUNIOR, Manuel Mendes - A ABOLIÇÃO DA GORGETA. Tese apresentada por... I Congresso Nacional de Turismo : IV Secção. Lisboa, [s.n. - Sociedade Nacional de Tipografia, Lisboa], 1936. In-4.º (24 cm) de 9, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Trabalho que pretende lançar o debate da questão da "gorgeta" no nosso país, e a sua extinção como parte importante do salário dos funcionário de hotelaria e restauração.
"Desde há muitos anos que as associações de classe e actualmente de Sindicatos Nacionais de Indústria Hoteleira como representantes da classe dos profissionais de todo o país se têm empenhado na luta ordeira contra a «gorgeta». Igualmente a imprensa se tem ocupado do assunto com maior ou menor amplidão. [...]
Procure-se deste ou daquele modo mascarar o carácter da «gorgeta», ela continuará a aparecer á vista da maioria da classe, daquela que mercê do progresso da indústria e aperfeiçoamento profissional possue mais vivo o sentimento próprio da sua dignidade e dos seus direitos de cidadão, como sendo uma forma de remuneração antiquada e humilhante. [...]
Não se verificam razões plausíveis que justifiquem a continuação dum sistema que coloca o salário do trabalhador submetido á contingência da generosidade eventual do cliente, portanto sem uma remuneração sôbre a qual possa contar de antemão."
(Excerto da Tese)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta selo de biblioteca no canto superior esquerdo. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
15€

02 agosto, 2020

CEBOLA, Luís - PATOGRAFIA DE ANTERO DE QUENTAL. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Ideal, Lisboa], 1955. In-8.º (19 cm) de 113, [15] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio histórico, hereditário e psiquiátrico, pretende trazer alguma luz sobre as causas que concorreram para o suicídio do conhecido vate português.
"Muito se tem escrito sobre a vida e morte de Antero de Quental. De tantas realidades e hipóteses salienta-se o mistério que envolve o suicídio. Nem mesmo o eminente professor da antiga Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, Doutor José Tomás de Sousa Martins, arguto e erudito, resolveu o problema, porque no seu tempo a classificação psiquiátrica ainda não se firmava em trabalhos magistrais [...]
Tornando a ler os Sonetos Completos, de Antero de Quental, analisei toda a sua obra e as circunstâncias do suicídio, à luz da Psiquiatria moderna e Psiquiatria positiva. Com elas, aprendera a procurar segredos da natureza humana, ocultos no cérebro, quando, durante trinta e três anos, desempenhei as funções de médico-director do Hospital de doenças mentais do Telhal, e nos estudos em manicomios estrangeiros."
(Excerto de Nota preliminar)
"A Patografia tem por objecto investigar e descrever a influência que exerceu na vida duma personagem histórica a sua psicose ou psicopatia congénita. [...]
Aplicada ao caso de Antero de Quental, vou rebuscar os materiais, indispensáveis a um juízo seguro, nos antepassados e ambiente familiar, pedagógico, telúrico e académico; na marcha ondulatória do intelecto e do temperamento; no impulso revolucionário; no exame da obra máxima do Poeta; na correspondência epistolar; e na moléstia acidental e apreciação do conjunto psico-somático."
(Excerto de Objectivo da Patografia)
Índice:
Nota preliminar. | Objectivo da Patografia. | I - Factores intrínsecos e extrínsecos. II - Evolução cíclica da personalidade. III - Actividade político-social. IV - Análise dos «Sonetos Completos». V - Cartas e Comentários. VI - Doença intercorrente e conclusões.
José Luís Rodrigues Cebola Jr. (1876-1967). Natural de Alcochete. "Médico psiquiatra, formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde foi discípulo Miguel Bombarda. Foi director clínico da Casa de Saúde do Telhal, da Ordem Hospitaleira de São João de Deus (1911-1948), onde desenvolveu um trabalho médico inovador, pautado por uma elevada sensibilidade humana e social. Além das obras científicas, Luís Cebola também redigiu obras de natureza ficcional, mas inspiradas nas suas observações, experiências e reflexões como médico."
(Fonte: https://www.m-almada.pt/arquivohistorico/details?id=99908)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capas manchadas de humidade.
Muito invulgar.

Indisponível

01 agosto, 2020

BRAGA, Theophilo - OS CENTENARIOS COMO SYNTHESE AFFECTIVA NAS SOCIEDADES MODERNAS. Por... Porto, Typ. de A. J. da Silva Teixeira, 1884. In-8.º (14 cm) de X, 234 p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de ensaios sobre personalidades universais e a época em que viveram, merecedores de homenagem, de acordo com o critério do autor
"No nosso trabalho intitulado Systema de Sociologia apresentamos a seguinte passagem:
«Não acompanhamos a concepção theologica de Comte em quanto ás suas fórmas religiosas, mas reconhecemos que nas sociedades modernas alguma cousa se passa, que tendendo a satisfazer necessidades de sentimento, vae ao mesmo tempo substituindo as religiões. A synthese activa está sendo realisada espontaneamente nas Exposições, formadas pelos productos dos esforços pacificos; a synthese affectiva, correspondendo ás novas noções moraes da solidariedade humana, manifesta-se pelos Centenarios dos Grandes Homens, ou dos grandes successos; a synthese especulativa como reconhecimento geral do poder espiritual da Sciencia, effectua-se por meio dos Congressos, em que a patria se alarga na humanidade.»
Como desenvolvimento e comprovação d'este pensamento, reunimos as nossas considerações sobre alguns sucessos europeus de alta significação moral, como os Centenarios de Camões, de Calderon, de Voltaire, do Marquez de Pombal, que nos accordam a consciencia da solidariedade da Civilisação occidental, na sua crise mais activa de transformação entre o seculo XVI e o seculo XVII. [...]
A Civilisação vencendo a estabilidade dos seus elementos tradicionaes, confere e veneração do merecimento. É n'este momento da historia que os Centenarios dos Grandes Homens se tornam a syntheses affectiva d'esta nova concordia moral. Cairam os velhos mythos religiosos diante da concepção scientifica do universo; decaíram do seu esteril perstigio as classes privilegiadas; perderam o respeito as instituições anachronicas da politica empirica. Effectivamente sob esta poderosa acção critica do seculo, falta-nos um objecto para a nossa veneração condigno da nossa altura moral."
(Excerto do Proloquio)
Indice:
Proloquio. |  § I. O Centenario de Camões: I - Ideia subjectiva do Centenario; II - Biographia de Camões; III - Effeito moral do Centenario. | § II. O Centenario de Calderon: I - Plano e sentido moral; II - A significação politica. | § III. O Centenario de Voltaire: Ideia geral sobre o seculo XVIII. | § IV. O Centenario de Diderot. | § V. O Centenario do Marquez de Pombal: I - Valor historico do Centenario; II - As duas gerações; III - O espirito do seculo XVIII nas sciencias e na politica; IV - A Democracia portugueza e o Centenario; | V - Depois das festas: conclusões moraes.
Belíssima encadernação inteira de pele. Lombada trabalhada, com nervuras e motivos ornamentais a ouro, título e autor dourados sobre rótulo carmim e a figura de Teófilo Braga com o seu inconfundível guarda chuva gravado a seco e a ouro na pasta anterior. Preserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Marca de biblioteca na capa frontal. Miolo escurecido com picos de acidez, sobretudo nas primeira folhas do livro.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível