21 maio, 2020

BARATA, F. A. Corrêa - ORIGENS ANTHROPOLOGICAS DA EUROPA. Por... Doutor em Philosophia. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1873. In-4.º (23,5 cm) de 84, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio académico sobre as origens antropológicas do continente europeu.Trata-se da Dissertação de Concurso apresentada à Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra.
"O presente opusculo é apenas um ensaio sobre as origens das raças actuaes da Europa consideradas como uma grande unidade. É este problema o primeiro dos que se ventilam em anthropologia. Os incessantes progressos que a a paleontologia humana tem feito, chamaram para elle a attenção geral, a ponto de se tornarem uma verdadeira paixão os estudos anthropologicos. Tal é a importancia que actualmente merecem, tanto mais que as ambições politicas de algumas potencias europeas têm querido pôr ao serviço das suas idéas a differença de raças. [...]
A anthropologia é uma sciencia que nasceu n'este seculo. Na infancia ainda, se uma generalisação tal como a tentâmos é possivel, deve-se isto á rapidez do progresso scientifico n'este seculo, que tantas sciencias, artes e industrias novas tem produzido. O tempo de que um homem estudioso pode dispor é apenas bastante para abranger o sem numero de memorias, jornaes, livros, relatorios, noticias dos congressos scientificos, trabalhos e sessões das sociedades sabias, emfim de publicações de toda a ordem que quotidianamente apparecem sobre a imponente e sympathica sciencia da anthropologia. É por isso que a especialidade nos estudos de cada homem, que se dedica á sciencia, se torna uma impreterivel necessidade; sendo certo, de resto, que o facto indicado se repete para as outras sciencias, e que, por outro lado, a indagação dos problemas scientificos exclue a simultaneidade dos objectos."
(Excerto do preâmbulo)
Indice:
[Preâmbulo]. | I - O problema das origens. II - As raças actuaes da Europa. III - Mythos e tradições. IV - Factos e methodos scientificos. V - Opiniões de Bory de Saint-Vincent e de d'Omalius d'Halloy. VI - Raças paleontologicas. VII - Conclusão.
Francisco Augusto Correia Barata (Loulé, 1847 - Lisboa, 1950). Professor na Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra. Foi Secretário da Faculdade de Filosofia (1873-1877) e Director do Gabinete de Química (1890-1898). Vogal suplente do Tribunal de Contas. Director-Geral da Secretaria da Câmara dos Deputados em 1899. Grande defensor das teorias de Augusto Comte. Publicou artigos e livros, entre os quais: Da atomicidade. Estudo crítico das teorias químicas modernas (Coimbra, 1871); As raças históricas da Península Ibérica (Coimbra, 1873); Origens antropológicas da Europa (Coimbra, 1873).
(Fonte: https://www.uc.pt/iii/historia_ciencia_na_UC/autores/BARATA_Franciscoaugustocorreia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Páginas ligeiramente oxidadas.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar.
25€

20 maio, 2020

BRAGA, Theophilo - HISTORIA DO THEATRO PORTUGUEZ. Por... Garrett e os Dramas Romanticos : seculo XIX. Porto, Imprensa Portugueza - Editora, 1871. In-8.º (18 cm) de VIII, 296 p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Teatro em Portugal. Edição original publicada na apreciada colecção Historia da Litteratura Portugueza, parte de um plano antigo do autor para a história do teatro português em quatro volumes, contemplando vários períodos - do século XVI ao século XIX -, sendo este o último, dedicado ao século XIX. Esse plano seria revisto, com a publicação de outras obras sobre o teatro pátrio no final da centúria.
"Eis o escriptor a quem o theatro portuguez mais deve, que o erigiu com a sua preponderancia politica, que o formou com os bellos dramas sobre as ricas tradições nacionaes, que educou uma mocidade inerte, e que teve o magico poder de apaixonar o publico cansado das sanguinolentas luctas civis, a ponto de considerar a fundação do theatro portuguez como um symbolo da sua independencia e da nova vida social. Garrett era dotado em alto grau da intuição das causas bellas, de tal fórma que o gosto artistico suppria n'elle a falta de sciencia. Teve defeitos de caracter, mas era uma boa alma; fiquem na sombra esses traços menos correctos do homem, e para não vêl-o sómente através do ideal da sua obra, esboçaremos a sua vida tal como foi influenciada pelo tempiveu. Garrett era exageradamente sentimentalista; não separava a concepção da sua personalidade, deliciava-se com as palavras de louvor, chegando a escrever anonymamente a sua biographia [no Universo Pittoresco]."
(Excerto Os Dramas romanticos: II - Vida de Almeida Garrett)
Index:
Advertencia. | Influencia da Nova Arcadia: I - Enthusiasmo politico nos Theatros (1801-1829). II - João Baptista Gomes. III - As tragedias politico-philosophicas. IV - Antonio Xavier Ferreira de Azevedo. Os Dramas romanticos: I - A Eschola do Romantismo no Theatro. II - Vida de Almeida Garrett. III - Garrett na emigração. IV - Nova feição dramatica de Garrett. V - Garrett e o Frei Luiz de Sousa. Fundação do Theatro moderno: I - O Theatro nacional (1836-1854). II - Inspecção geral dos Theatros. III - O Conservatorio da Arte dramatica. IV - Edificação do Theatro. V - O Ultra-Romantismo. | Conclusão. Repertorio geral do Theatro portuguez no seculo XIX.
Belíssima encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€

19 maio, 2020

MOURA, Carneiro de – A MULHER E A CIVILISAÇÃO. Estudo historico, economico e juridico da evolução parallela dos sexos. Por... Lisboa, Secção Editorial da Companhia Nacional Editora, 1900. In-8.º (19,5 cm) de 216 p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo histórico e sociológico sobre o feminismo, seguramente dos primeiros que sobre este assunto se publicaram entre nós.
No derradeiro capítulo, o autor apresenta soluções para outros tantos problemas: do divórcio, das condições morais do casamento, o mundanismo precoce na mulher, reformas feministas, os salários das operárias, a intriga política, os partidos em Portugal, "os nossos homens de Estado", etc.
"Uma das questões do nosso seculo, acusada exuberantemente na literatura contemporânea, é a da emancipação da mulher. […]
A emancipação da mulher?
Mas emancipar a mulher de que ou de quem?
Emancipal-a do trabalho?
Não, que a mulher do nosso seculo, a que pretende emancipar-se, queixa-se de que o homem lhe prohibe o trabalho e por isso a honestidade.
Emancipação da familia? Façamos justiça a este movimento do nosso tempo que se chama o feminismo. A mulher não pretende emancipar-se da família, antes reivindica para si a integração na sociedade familiar.
Não cuida em emancipar-se da intelligencia do homem, antes pretende approximar-se d’ella e comprehender o seu genio.
Não pensa a mulher em abdicar dos sentimentos maternaes, mas pretende que não lhe arranquem do seu seio os filhos para a transformar n’um torpe objecto de luxo imoral.
De que se quer então emancipar a mulher?
Da ignorancia."
(Excerto do Capítulo I, O Feminismo)
João Lopes Carneiro de Moura (1868-1944). Nasceu em Montalegre. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. "Foi advogado e professor do ensino secundário. Foi deputado por Montalegre. Fundou e dirigiu o Jornal Liberal, em 1901. Chefe de Repartição na Direcção Geral da Segurança Pública e da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, cargo de que se aposentou em 1927. Colaborou em vários jornais e revistas."
Exemplar brochado (capas simples, lisas) em bom estado geral de conservação. sem f. anterrosto.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

18 maio, 2020

LEÃO. Poema organizado por um grupo de admiradores. Rio de Janeiro, Typ.-Lyth. Steele, Mattos & Cia., 1924. In-4.º (24 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Homenagem poética a um cão - o Leão - organizada por um grupo de admiradores cariocas do animal.
Livro insólito, raro e muito curioso, por certo de curtíssima tiragem.

"Era bello e sagaz: chamava-se Leão.
Um homem se não foi, foi mais do que isso - um cão.
Tinha o pello amarello, espesso e luzidio,
Sem muito crêspo ser, nem muito corredio.
Por cauda, um mero côto em forma de pincel,
Servindo, oh paradoxo, ás vezes de painel.
As orelhas pendendo ao longo do focinho,
Juntavam-se com este em gracioso alinho.
A fronte soberana, augusta, magestosa,
Ridicula tornava a humana portentosa.
E tudo que possue de bello a natureza
Ali se resumia em rara singeleza,
Pendendo d'ella, austero, aos olhos entreposto,
Não um focinho, não!... mas um formoso rosto
Que, certo estou, faria arder de grande inveja,
A muitos ou, até, quem sabe... Salvo seja!..."

(Excerto do poema)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta pequena mancha de humidade junto ao corte lateral, visível apenas nas primeiras folhas.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional de Lisboa e na BN do Rio de Janeiro.
Peça de colecção.
Indisponível

17 maio, 2020

SOUSA, Clementino M. de - REGULAMENTO DAS SALAS DE ESTUDO. Elaborado pelo vice-reitor e director das salas de estudo,..., de harmonia com o disposto no Artigo 447.º do Estatuto do Ensino Liceal e aprovado por Despacho de 6 de Maio de 1949 de S. Ex.ª o Ministro da Educação Nacional. Liceu Nacional do Funchal. Funchal, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia de «O Jornal», Funchal], 1949. In-8.º (16 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso regulamento do Liceu do Nacional do Funchal, mais tarde Liceu de Jaime Moniz e actualmente Escola Secundária com o mesmo nome.
"As salas de Estudo têm como finalidade a orientação no estudo diário, na realização consciente dos trabalhos passados nas aulas e nas revisões da matéria leccionada.
Pretende-se, portanto, que o aluno inscrito das Salas de Estudo, crie hábitos de trabalho ordenado, que estude por si, que compreenda por intermédio do seu raciocínio, que obtenha a alegria de ter vencido os obstáculos que lhe surgiram, que saiba aperceber-se dos resultados lógicos."
(Excerto do preâmbulo de Regulamento das Salas de Estudo)
Matérias:
Regulamento das Salas de Estudo. | 1.º Quanto ao Pessoal: Deveres do Director; Deveres dos Professores; Deveres dos Alunos; Deveres dos Empregados. | Da Administração. | Da Inscrição. | Outras Disposições.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

16 maio, 2020

PIMENTEL, Alberto - A ULTIMA CORTE O ABSOLUTISMO EM PORTUGAL. Lisboa, Livraria Ferin, Editor, 1893. In-8.º (21,5 cm) de XII, 346, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo sobre o último período da monarquia absoluta portuguesa, e a sua decadência.
Summario:
Restos, no reinado de D. Maria I, da antiga elegancia de costumes palacianos. - A familia e a côrte de D. João VI. - A rainha Carlota na politica, e na vida particular. - Um bouquet de infantas hystericas. - Infancia e mocidade de D. Miguel. - Acção combinada da mãe e do filho. - D. Miguel no extrangeiro. - Rei chegou. - A côrte de D. Miguel. - Personagens, costumes, divertimentos. - A sorte das armas. - Dissolução da côrte, decadente e ambulante, pela desgraça do rei."
"O reinado de D. Maria I é o occaso da vida palaciana em Portugal, considerada na sua expressão mais tradicionalmente distincta.
Esmorecem então as festas elegantes e pomposas, desmaiam as tintas calidas e brilhantes d'essas recepções famosas que outr'ora animaram os paços dos reis, e de que Watteau, pelo que respeita á côrte de Luiz XIV, deixou miniaturas deliciosas nos leques das grandes damas.
Dir-se-ia que o vendaval revolucionario de 1789 derrubára em toda a Europa essas gentis figurinhas de açafatas e cortezãos, que misuravam minuetes nos aureos salões realengos ou encadeavam choreas pagãs á sombras das arvores seculares nas florestas e parques da Corôa.
O poder absoluto estava abalado para todo o sempre, ia entrar n'um periodo de vacillações tempestuosas, que era como que a sua longa e derradeira agonia. Com elle em breve se extinguiriam, n'um crepusculo lento, em que já havia sombras pairando sinistramente sobre um occidente luminoso, as tradições galantes, amaneiradas, cavalheirescas da vida palaciana.
O periodo revolucionario, iniciado em França, veio encontrar no throno de Portugal uma rainha beata, que perdêra primeiro a alegria e depois a razão. Desgostos e sobresaltos pozeram em vibração dolorosa o seu debil organismo, enfermiço desde os primeiros annos. O marquez de Pombal planeára, parece que de accôrdo com o rei D. José, evitar que nas frageis mãos da herdeira do throno se quebrasse todo o predominio que a Corôa havia ganho sobre o clero e a nobreza, - sobre o clero pela expulsão dos jesuitas, sobre a nobreza pela tragedia de Belem."
(Excerto do Cap. I, Uma côrte que foge)
Indice:
Advertencia. | I - Uma côrte que foge. II - El-rei-o-nada. III - A abelha mestra. IV - A familia de D. João VI. V - O infante D. Miguel. VI - Rei chegou. VII - Vida amorosa de D. Miguel. VIII - Ao desfazer da feira. | Addendum. - A lenda de D. Miguel.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequena falha de pele na lombada, à cabeça.
Invulgar.
Com interesse histórico.
35€

15 maio, 2020

VIDEIRA, A. - "TALVEZ..." Quatro dias à sêde no deserto do Kalahari. [Luanda], Aero Club de Angola, 1938. In-8.º (19 cm) de 189, [3] p. ; [6] f. il. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição. 
Capa: A. Casinhas
Narrativa de uma aventura atribulada, em condições extremas de sobrevivência, após dois acidentes aéreos: um sofrido pelo autor e o seu companheiro de viagem, que seguiam a bordo do monomotor «Talvez...» no regresso a Luanda (vindos de Moçâmedes), e o outro, pelo avião que procedia ao resgate dos acidentados. Os três homens vaguearam durante 4 dias pelo Kalahari, um dos mais severos e áridos desertos do mundo. Apesar da situação precária, o autor relata a sua experiência com algum humor e ironia.
Livro ilustrado com fotogravuras em folhas separadas do texto. Contém mapa desdobrável do percurso do avião do autor - Lisboa-Moçâmedes-"acidente" (escala 1: 3.000.000).
"«Talvez...» lhe chamei eu. E parece que esta incerteza, esta desconfiança o magoa. O meu pobre avião (nosso, que meu e do meu amigo Amaral é) fala e entende. Conversa com êle o mecânico que o trata e alimenta. E, se lhe não faz uma festa, antes de o pôr em marcha, se lhe não segreda não sei que graça ou brèjeiriçe, amua e só pega depois de o ralar. De resto, é obediente e de tal passividade que doi fazê-lo aborrecer. [...]
Aos 48 anos, fatigado de trabalho e de desilusões, má vista, torrado pelo sol inclemente dos trópicos de duas longas e deprimentes décadas, rico, apenas, de encargos e dissabores, porquê esta serôdia, diria ridícula e gágá mania da aviação?
Sei lá!
Uns entram nisto por espírito de elegante aventura; outros, por natural tendência e habilidade; outros por conveniência ou profissão; outros pela volúpia do risco; outros, muitos, por simples desporto ou presunção de endinheirados.
Eu? - Sei, lá! Por desgosto, talvez; por enfado; por aborrecimento."
(Excerto do Cap. I, Ida)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
45€

14 maio, 2020

FERREIRA, Izidoro Sabino - 1862 : Revista em 3 actos e 6 quadros. Por... Dedicada ao Ill.ᵐᵒ e Ex.ᵐᵒ Senhor Conde do Farrobo. Para o theatro Gymnasio Dramatico. Lisboa, Imprensa de Sousa Neves, 1862. In-8.º (16,5 cm) de 57, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Primeira incursão de Isidoro como autor na produção deste tipo de peças, ele que até aí apenas representava, tendo traduzido uma ou outra peça. A publicação da Revista é dedicada ao Conde do Farrobo “o decidido protector de todas as artes em geral, e da arte e letras dramaticas em particular” de quem o autor se confessa devedor, pois afirmando que os conhecimentos ultimamente adquiriu “foram tomados dos livros que V. Ex.ª em tanta abundância possui”.
"A [Revista] do ano de 1862, no Ginásio, foi uma aventura literária do actor Isidoro, que, apesar da experiência sobre os palcos, revelou fragilidades na composição dos diálogos. A opinião de Machado é que faltou a Isidoro a arte de transpor em palavras as suas ideias, e mesmo a de ajustar o texto às exigências do género revista. Notou-se ainda que Isidoro confiou demasiado nos conhecimentos do público: “enganou-se o autor em cuidar que cada espectador estivesse tanto ao facto das mais leves particularidades ocorridas durante o ano, como ele próprio, que pensou em tomar apontamento de todas elas. O resultado é que ou o público não percebe as alusões, ou demora-se a cismar na frase que se disse sem fazer reparo na frase que se está dizendo” (RS 13.1.1863)."
(Ferreira, Licínia Rodrigues - Júlio César Machado Cronista de Teatro: Os Folhetins d’A Revolução de Setembro e do Diário de Notícias, 2011)
Exemplar em brochura (capas simples), bem conservado.
Raro.
25€

13 maio, 2020

VIEIRA, Affonso Lopes - A CAMPANHA VICENTINA. Conferencias & outros escritos por... [S.l.], [s.n. - A Editora Limitada, Lisboa], [Ed. Autor], 1914. In-4.º (21 cm) de [2], 257, [13] p. ; [10] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do teatro vicentino.
Livro impresso em papel encorpado, ilustrado ao longo do texto com bonitas vinhetas tipográficas e uma reprodução da portada do Auto da Mofina Mendes com adaptações à moderna apresentação da peça. Contém ainda 10 estampas impressas em separado: a custódia de Gil Vicente; clichés de representações em palco; 2 partituras - A cantiga da Mofina e Conto do Natal.
"Campanha se chamou a este livro, título posto em som de guerra para sugerir o que de esforço combativo se empregou com boa fé, longe e acima de guerrilhas e de seitas. Não me pertence a mim avaliar os meritos e dos resultados desta campanha, se todavia meritos teve e resultados lograr. [...] O autor trabalho como artista, não como sabio letrado. O Vaqueiro e o Diabo achavam-se proficientemente estudados pelos nossos ilustres vicentistas, mas faltava-lhes isto - viverem. [...] O autor aspirou a fazer representar Gil Vicente, a impôr em algumas recitas o seu teatro a um publico alheado ou rebelde, através do scepticismo ou da indiferença de tantos. O seu Gil Vicente - poeta e lavrante do Auto do Ouro Primeiro - sacudiu o pó venerando dos tombos onde os eruditos silenciosos o contemplavam mudo, e veio para a agitação do palco amostrar o seu genio aos portugueses. Trinta e uma figuras resurgiram recitando versos do poeta; trinta e uma almas contidas em tres Autos e dois Monologos."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa manchada. Título de posse na 1.ª folha (em branco).
Muito invulgar.
Indisponível

12 maio, 2020

AGUIAR, Armando d' - A DITADURA E OS POLÍTICOS. Lisboa, Editorial Hércules, 1932. In-8.º (18,5 cm) de 173, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante documento sobre a Ditadura Militar. Conjunto de entrevistas ao autor por algumas das personagens mais relevantes da cena políticas e militar da época.
"O Consulado Militar que derrubou a Constituição em Maio de 1926, não nasceu como muitos querem no período de agitação social que teve a sua origem no quadriénio dantesco, que, de 1914 a 1918 enlutou tôda a Europa. [...]
Não quiz ao escrever o meu primeiro livro, apresentar-me em público, perante o Pretorio que há-de condenar-me ou absolver-me, guiado pela mão dum «consagrado», dum príncipe da Literatura, dum rei da Política. Venho só. Minto. acompanham-me algumas das mais representativas figuras do xadrês político português, que se deixaram interrogar pela minha insatisfeita curiosidade de jornalista.
A Ditadura, fórmula política com aqual tenho muitas vezes estado em desacôrdo, interessou-me.
E em sua volta realizei um inquérito, no qual depôem indivíduos desde os mais avançados aos mais conservadores... Inimigos e amigos...
A «Ditadura e os Políticos» é um cartaz luminoso, uma «féerie» de nomes ilustres, que falam sôbre o Consulado Militar, que o atacam e o defendem, que exaltam as suas obras e condenam os seus êrros."
(Excerto da introdução)
Personalidades entrevistadas:
Gomes da Costa. | Domingos Pereira. | Tamagnini Barbosa. | Afonso Costa. | Ramada Curto. | Cunha Leal. | Manuel Maria Coelho. | António Maria de Silva. | D. João d'Almeida. | Vicente de Freitas. | Magalhães Lima.
Nota do autor:
- A entrevista de D. João d'Almeida foi-me concedida pelo ilustre fidalgo português dois mêses antes do falecimento do Sr. D. Manuel de Bragança.
- O Sr. Dr. Magalhães Lima, deu-me esta entrevista, quatro mêses antes de falecer. São as últimas afirmações políticas do famoso republicano tornadas públicas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
30€

11 maio, 2020

ALMEIDA, Antonio José d’ – UMA PENDENCIA CELEBRE. 2.º milheiro. Lisboa, Livraria Ventura Abrantes, 1914. In-8.º (22 cm) de 31, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Processo da exigência de retratação ou reparação pelas armas de Afonso Costa a António José de Almeida, director de O Século, após publicação de um artigo de Alfredo Pimenta nesse jornal. O duelo não chegou a realizar-se.
Contém:
O artigo de Alfredo Pimenta que despoletou a pendência intitulado «O Partido dos Encandalos».
Documentos das actas do desafio de Afonso Costa a António José de Almeida.
Explicação de António José de Almeida relativa a este caso com o título «Por minha honra!».
A justificação do artigo que deu origem à polémica pelo seu autor - Alfredo Pimenta – intitulado «Eu e o Snr. Affonso Costa».
Documentos relativos ao desafio, para reparação pelas armas, de Afonso Costa aos membros do Grupo Parlamentar Evolucionista.
Acusação final de António José de Almeida a Afonso Costa onde, entre outros epítetos, o qualifica de mau, rancoroso, manhoso e vingativo.
"…Quem aparece envolvido na questão de Ambaca? O partido democrático, gente do partido democrático. Quem aparece envolvido na questão do opio? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão das prescrições de S. Tomé? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão de o Poder Executivo tomar resoluções propositadamente para favorecer certos e determinados indivíduos. O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão da sonegação de documentos da polícia de Lisboa? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão de sofismação da venda do prédio Grandela? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na escandalosa questão das Portas de Rodam? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido em todas as tramoias eleitorais? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece solidarizado, cúmplice de assassinatos, atentados contra a propriedade, insultos públicos, agressões, violências e desordens? O partido democrático, gente do partido democrático…
Onde houver um escândalo, onde houver uma negociata, onde houver um ponto escuro, onde houver um tumulto, uma arruaça, uma violência – é certo e sabido: há democráticos."
(Excerto do artigo de A. Pimenta)
"Meus queridos amigos e colegas Alvaro de Castro e Alvaro Pope: - Tendo chegado agora ao meu conhecimento o artigo de fundo de hoje do Jornal A República, em que sou gravemente ofendido, peço-lhes a fineza de exigirem do ex.mo sr. Antonio José d’Almeida, director desse jornal, uma completa retratação ou uma reparação pelas armas, para o que lhe confiro os mais plenos poderes, - Saude e fraternidade. – Lisboa, 12 de Junho de 1914, ás 23 horas. – Afonso Costa."
(Carta de Afonso Costa às suas testemunhas)
"Ex.mo sr. dr. Afonso Costa, querido amigo: - Lisboa, 14 de Junho de 1914. – No desempenho da honrosa missão que v. ex.ª nos conferiu… [após recusar bater-se em duelo] afirma o snr. Almeida que assume as responsabilidades do artigo ofensivo em todos os campos, menos no do duelo, por este ser contra os seus compromissos de honra! Mas não é contra os seus princípios, nem contra os seus compromissos de honra, ofender ou consentir que outrem ofenda no jornal de que é director! Ofênde, mas esquiva-se depois á reparação devida e usada entre homens de honra! Ás creaturas que procedem desta forma chamam Croabbon e Chateauvillard: invalides de l’honneur; e não seremos nós quem lhes mude o epiteto. […]  Escusamos de dizer que v. ex.ª deve considerar definitivamente encerrada esta pendencia, visto que á única reparação a que v. ex.ª tinha direito se esquiva o snr. Antonio José de Almeida. Depois do que se passou, fica, a v. ex.ª, e a todos os homens de honra, tomar em qualquer campo responsabilidades áquele senhor. – Saude e fraternidade. – Alvaro de Castro, Alvaro Pope."
(Excerto da carta das testemunhas de Afonso Costa, Álvaro de Castro e Álvaro Pope, ao próprio)
"… Chamam-me medroso, valetudinário da honra? Como eu, portador da verdade viva das minhas convicções, me rio disso, na cara dos que se encontram na virilidade da desvergonha.
Se há alguém que sabe que eu não tenho medo, é o snr. Afonso Costa. É êle, que bem o viu na noite de 4 para 5 de outubro, ó se viu! É êle, quem bem o tem observado, sabendo-me assaltado com cacetes e pistolas, em comícios e manifestações e até em locais onde simplesmente ia tratar de minha vida, por um bando de sicários, que se dizem seus correligionários e que êle tem amparado com o seu silencio benevolo, senão com o seu aplauso recôndito. […] É tempo de terminar. Aí ficam as peças do processo A opinião publica que pronuncie o seu julgamento..."
(Excerto da explicação de A. José de Almeida, «Por minha honra!»)
Encadernação simples em meia de percalina. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. As duas primeiras f. de texto apresentam rasgão à cabeça, sem perda de papel, e sem afectar o texto.
Raro.
20€

10 maio, 2020

LIMA, Magalhães - A CREMAÇÃO DE CADAVERES. Conferencia realisada na Associação do Registo Civil no dia 21 de Maio de 1912. Lisboa, Composto e impresso na Imprensa Lucas, 1912. In-8.º (20,5 cm) de 36 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Sessão de propaganda em favor da cremação. O presente opúsculo constitui uma das mais invulgares e curiosas obras da extensa bibliografia de Magalhães Lima, maçon e figura ímpar da República.
"Esta conferência pretendia claramente despertar a população para os benefícios da cremação, para o problema do espaço nos cemitérios, para os benefícios que esta poderia trazer para a saúde pública, tentando fazer com que estes argumentos se sobrepusessem aos ditos irracionais da religião católica, que negava a cremação por pressupostos religiosos."
(Fonte: https://docplayer.com.br/4067466-Igreja-e-primeira-republica-a-implementacao-do-registo-civil-obrigatorio.html)
Livro ilustrado no texto com tabelas estatísticas, e desenhos reproduzindo fornos crematórios, incluindo um 'aparelho ambulante' para o mesmo uso.
"Do que temos dito conclue-se logicamente que se impõe, ao nosso paiz, uma campanha a favor da cremação.
Durante muitos annos, mantivemos viva a propaganda, em prol do registo civil obrigatorio, das leis do divorcio e da separação das Egrejas do Estado.. Eram estes os primeiros artigos do nosso programma de livre pensamento. E hoje que lográmos attingir o nosso fim, nem por um momento descançaremos sobre as conquistas já realisadas. Outras se nos antolham, não menos importantes que as primeiras. E, entre ellas, ocupa a cremação logar primacial.
Que ninguem imagine que a lucta está terminada. Bem sabemos que vamos encontrar uma resistencia tenaz, por parte dos clericaes, para a immediata aceitação da cremação. Mas isso pouca importa. O que convém é, desde já, e á maneira do que fez a Italia, proseguir na nossa tarefa, sem descanço nem temor de qualquer natureza. A obra da Republica Portugueza ficaria incompleta, se a cremação se não estabelecesse nos nossos cemiterios, não de uma maneira obrigatoria, mas facultativa."
excerto de Uma campanha que se impõe)
Matérias:
Na antiguidade. | A cremação nos tempos modernos. | O sentimento e a religião. | A cremação e a religião. | A cremação sob o ponto de vista judiciario. | A cremação em nossos dias. | Os aparelhos crematorios. | O lado economico da questão. | Fornos crematorios. | Crematorio fixo. | Uma campanha que se impõe.
Sebastião de Magalhães Lima (1850-1928). "Nasceu no Rio de Janeiro no dia 30 de Maio de 1850, tendo ido morar para Aveiro aos cinco anos. Em 1870, inscreveu-se no curso de Direito da Faculdade de Coimbra, que terminou com distinção em 1875. Exerceu advocacia, mas sempre a par com uma actividade política intensa, pois tinha aderido ao Partido Republicano Português e à Maçonaria, organização de que viria a tornar-se Grão-Mestre. No período final da Monarquia foi um jornalista infatigável, colaborou em dezenas de jornais e revistas, tendo sido fundador do jornal O Século. Na qualidade de dirigente do Partido Republicano Português efectuou várias viagens a países estrangeiros – Espanha, Itália, Bélgica e França – a fim de obter apoios para a causa republicana. As suas qualidades pessoais e o facto de pertencer à Maçonaria Portuguesa abriram-lhe facilmente portas, contribuindo para o êxito das muitas funções que desempenhou. Durante o governo de João Franco (1906 - 1908) exilou-se em França para escapar às perseguições de que foi alvo. Regressou depois do regicídio e, em 1910, o Congresso do Partido Republicano Português, então reunido no Porto, encarregou-o de voltar ao estrangeiro, acompanhado por José Relvas para efectuar conversações destinadas a conseguir que os governos francês e inglês aceitassem a revolução que entretanto se preparava em Portugal e que veio a rebentar a 5 de Outubro. Nessa data Magalhães Lima ainda se encontrava em Paris, donde regressou para participar nos festejos da vitória. No novo regime foi deputado às Constituintes, tendo sido o relator da comissão encarregada de redigir a Constituição de República Portuguesa. Depois disso continuou sempre a efectuar contactos no estrangeiro para obter a simpatia e a aceitação dos países europeus. Em 1915 integrou o governo como Ministro da Instrução Pública. Durante o Sidonismo foi preso e mais tarde os seus opositores chegaram a acusá-lo de cumplicidade no atentado que vitimou Sidónio Pais. Magalhães Lima foi também um escritor de mérito, tendo publicado grande número de ensaios de carácter político e social, mas também alguns romances. Morreu em Lisboa a 7 de Dezembro 1928.”
(Fonte: centenariodarepublica.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Discreta rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
35€

09 maio, 2020

CORVO, João de Andrade - ECONOMIA POLITICA PARA TODOS. Por... Lisboa, Editora - Empreza Commercial e Industrial de  Agricola, 1881. In-8.º (16 cm) de 162, [14] p. ; il. ; B. Col. Bibliotheca de Agricultura e Sciencias, III
1.ª edição.
Estudo sobre Economia publicado Bibliotheca de Agricultura e Sciencias, apreciada colecção da responsabilidade do autor e que versa as mais variadas áreas de conteúdos económicos, técnico-industriais e agrícolas.
As últimas folhas do livro estão preenchidas com propaganda de empresas fornecedoras de maquinaria industrial, acompanhadas com gravuras do material.
"É grande o interesse que todos temos em conhecer o que na sociedade, de que fazemos parte, se passa, com relação aos factos economicos que promovem e desenvolvem a prosperidade, o bem estar dos individuos, quer isolados quer em familia, e a riqueza das nações. São frequentes os erros que vogam ácerca das leis que presidem á producção, ao consumo, á distribuição das riquezas; esses erros são difficeis de destruir; e não menos difficil é de attingir a verdade em assumptos tão complexos, e que tão de perto interessam o homem, a quem facilmente segam as paixões e guiam os impulsos do egoismo, ou os preconceitos arreigados no espirito por uma observação incompleta dos factos. [...]
São muito variadas e de diversas naturezas as acções do homem. A sua organisação é complexa, e complexas são tambem as sciencias que tem por fim estudal-o. Dividem-se essas sciencias em dois grupos distinctos, que correspondem: um, á parte physica da sua natureza; outro, á parte mental d'essa mesma natureza. A Anatomia, a Physiologia, a Chimica Organica pertencem ao primeiro grupo; ao segundo, a Psychologia, a Ethica, a Politica, e a sciencia que se chama a Economia Politica.
É esta sciencia que estuda os variados actos da producção, do consumo, da distribuição, etc., que fornecem as relações economicas da sociedade, e de que resulta a creação da riqueza. Mas um tal estudo não póde - para se tornar pratico e util - deixar de ter em conta as necessidades physicas e as necessidades moraes do homem, as suas faculdades, as suas aptidões, as suas boas e más qualidades, os seus sentimentos; embora busque reconhecer as leis a que obedecem os factos economicos nas sociedades, quando se consideram de um modo abstracto."
(Excerto do Cap. I, Considerações preliminares)
Matérias:
I - Considerações preliminares. II - Definições. III - Producção. IV - Agentes naturaes. V - Trabalho. VI - Divisão do trabalho. VII - Machinas. VIII - Consumo. IX - Troca e valor. X - Moeda. XI - Procura e oferta. XII - Capital. XIII - Credito. XIV - Destribuição.
Exemplar em razoável estado de conservação, com excepção das capas que se apresentam mal tratadas, com defeitos e falhas de papel.
Invulgar.
10€

08 maio, 2020

EULLER, Conde Kewen -  MAXIMAS DA GUERRA RELATIVAS AOS CAMPOS, E SITIOS. Pelo..., Traduzidas do Alemão, Pelo Barão de Sinclaire, em Francez; e deste para o Portuguez por hum Official de Infanteria. Lisboa, Na Impressam Regia, 1810. Por Ordem Superior. In-32.º (9,5 cm) de [16, 124 [8] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso tratado coevo de doutrina bélica, publicado em pleno período de campanhas napoleónicas.
Exemplar muito valorizado pela inscrição manuscrita, autografada, no verso da pasta anterior, por Bartolomeu Sesinando Ribeiro Arthur (1851-1910), coronel de infantaria, escritor, historiador e artista plástico, afirmando a pertença do livro a seu pai, o General Sesinando Ribeiro Arthur (1807-1873), um dos bravos do Mindelo que tomou parte no cerco do Porto.
"A Traducção que vos offereço, tem sido desejada de alguns Officiaes que a tem lido; e eu me lisongearei se o for de todos, e do Publico: pois na occasião presente poderá ser de utilidade, visto que he hume verdadeira memoria do que se deve praticar na Arte da Guerra."
(Excerto do preâmbulo, Ao leitor)
"Maximas Geraes. Invocar o Deos dos Exercitos será o primeiro dever de hum Militar. Os homens d'experiencia, de espirito, e confiança serão consultados. Não se deve perder, nem desprezar occasião favoravel. Não se deve conferir commando algum, senão a homens de boa vontade, e de capacidade reconhecida.
[...]
Deve-se tirar hum perfeito conhecimento do paiz, e que se estenda sobre a fertilidade do terreno, sobre os costumes, caracter, e inclinações dos habitantes; sobre as forças do Inimigo, em que frente póde marchar, e desenvolver-se em batalha: sobre as proprias forças, recursos, e socorros, que se podem esperar, seja de tropas, ou de dinheiro.
[...]
As tropas se devem conservar em sevéra disciplina, e continuo exercicio, recompensando as boas acções, e castigando os que obrarem mal."
(Excerto de Guerra de Campanha, Maximas Geraes)
Index:
Ao leitor [preâmbulo]. | Dedicatoria a S. A. o P. Pallatino Maximilliano. | Parte I - Guerra de Campanha: Maximas geraes. Arranjamentos, Precauções e Preparativos: Quanto ao exercito; Quanto ás provisões; Quanto ás operações. Operações e Acções de Guerra: Marchas, Acampamentos, Alojamentos, Batalhas, Combates, e Manobras. Marchas: Quanto ao lugar; Quanto á ordem; Quanto ao tempo; Quanto ao modo. Acampamentos, ou Acantonamentos: Modo de acampar, ou acantonar as tropas; Campos estaveis; Quarteis d'inverno. Batalhas: Maximas geraes; Razões para dar batalha; Razões para evitar batalha; Meios de obrigar o inimigo a  dar batalha; Disposição; Acção. Combates: Surpresas; Emboscadas; Retiradas; Encontros; Escaramuças; Depois dos combates. Manobras: Offensivas; Defensivas. | Parte II - Guerra dos Sitios: Fortalezas: I - Praças; II - Cidadellas. Abastecimento das Praças: I - Tropas; II - Munições; III - Viveres; IV - Ferramentas. Precauções para a Segurança das Praças: I- Corpos de guarda; II - O abrir, e fechar das portas; III - Ordens, rondas, e patrulhas; IV - Casos de rebate. Ataque das Praças: I - Viva força; II - Bloqueio; III - Surprezas; IV - Sitio em fórma. Defeza das Praças: I - Contra o ataque de viva força; II - Contra o bloqueio; III - Contra as surprezas; IV - Contra o sitio em forma; V - Socorros. | Index. | Erratas.
Encadernação antiga simples, cartonada.
Exemplar em bom estado de conservação, tendo em falta(?) uma folha do índice.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
35€

07 maio, 2020

VASCONCELLOS, Breno de - PAZ CINZENTA... Os Açores através de algumas figuras e episódios de uma época. Lisboa, [s.n. - Oficinas Gráf. da Livraria Cruz, Braga], 1979. In-4.º (24,5 cm) de 117, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de interessantes narrativas sobre aspectos e personagens açorianas, envolvendo episódios relacionados com a Ilha de S. Miguel (a maioria), e com a Ilha Terceira.
Livro valorizado pelo autógrafo do autor.
"No decorrer de uma vida passam-se factos ou dão-se acontecimentos aos quais, no momento em que ocorrem, não atribuímos qualquer importância ou significado. Mas, volvidos tempos, por ventura muitos anos, a memória, que por um fenómenos transcendente de mistério os registára, devolve-nos essas imagens coloridas e esses sons maravilhosos. E, então, revivendo o passado vamos encontrar nele um sabor que a experiência da vida nos revela e a idade esclarece.
Será que a isto se poderá chamar envelhecer? [...]
A quietude desse encadeado de pensamentos levou-me à ideia de escrever estas crónicas, cujo intuito é apenas o de evocar algumas figuras que conheci e o de registar certos acontecimentos, sobretudo aqueles que me pareceram mais pitorescos, ou os que mais se vincaram na minha sensibilidade. [...]
Escrevi estas crónicas pensando nisso tudo e especialmente nas verdejantes Ilhas dos Açores, na sua quietação, nas suas paisagens, nas suas culturas, no prodigioso labor dos seus habitantes e naquele imenso mar que as envolve."
(Excerto de Ilha - Quietação)
Índice:
Política e Jornalismo. | Os meus Vasconcelos. | A Bretanha Micaelense. | A minha Avó Paterna. |  O Prior Jacinto da Ponte. | O Senhor Cosme. | Alice Moreno. | O Comendador de Água Retorta. | Arroz Doce. | O Telefone do Cambita. | Palavras no Púlpito. | O Poeta António Moreno. | O Reverendo Manuel Vicente. | Um Bom Amigo. | Os Charutos. | Ratanso no Atanásio. | Os Serões na Farmácia. | O Cassapa. | O Freitas Cu de Prata. | Um Senhor de Lisboa. | João dos Ovos. | A Preparação do Estômago. | Trilogia Albanica. | Dr. Laró. | Mestre Faquenim. | Clubes e Sociedades. | Pintora Russa. | As Calças da Casaca. | Fins de Raça. | América For Ever. | Ilha- Quietação.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto (em bco).
Invulgar.
20€

05 maio, 2020

CRUZ, J. Marques da - LIZ E LÊNA. Coimbra, F. França Amado - Editor, 1911. In-8.º (19,5 cm) de 86, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética constituída por pequenos trechos de "sabor" regional, impressa em papel de superior qualidade, onde se destacam, para além da poesia que dá nome ao livro, duas outras composições relacionadas com a vida estudantil coimbrã: Máguas do estudante e Olhos azúes d'uma tricana.
"Os poucos versos que ahi vão representam, em parte, uns traços imperfeitos de regionalismo que eu gostava de ver ampliados em formas exuberantes de emoção pelos poetas d'esta poetica terra de Portugal. [...]
O portuguez é essencialmente emotivo e, núm anceio de erguer a sua alma nas horas amargas do desespero até ás regiões purificadas de religiosismo e de uncção elle deixa vincado em tudo o que então sente e depois diz, um traço bem frizante e iinconfundivel da mais sentida espiritualidade.
Vivendo e sentindo a alma da natureza, elle entra, de commovido, dentro da sua propria alma e tem palavras luxuriantes de relevo e côr, que a ungem e humanisam."

(Excerto do preâmbulo)

"Nasceu o rio Liz junto a uma serra
No mesmo dia em que nasceu o Lêna;
Mas com muita paixão, com muita pena
Do seu berço não sêr na mesma terra.

Andando, andando alegres, murmurantes
Na mesma direcção ambos corriam;
N'elles bebendo as aves chilreantes
Contavam êsse amôr que ambos sentiam."

(Excerto de Lenda do Liz e Lêna)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Chancela de posse na capa e f. anterrosto.
Raro.
25€

04 maio, 2020

JORGE, Ricardo - SANIDADE EM CAMPANHA. Conferências proferidas no acampamento de Tancos e na Faculdade de Medicina de Lisboa em julho e agosto de 1916. 1.ª Conferência. Lisboa, [s.n. - Imprensa da Universidade, Coimbra], 1917. In-4.º (26 cm) de 33, [1] p. ; [3] f. il. ; B. Separata dos Archivos do Instituto Central de Higiene, Vol. II
1.ª edição independente.
Ilustrada extratexto com um retrato do Dr. Ribeiro Sanches (1699-171783), e dois gráficos a cores produzidos pelo autor: I - Por uma morte pelas armas, quantas pelas doenças? II - Por mil soldados, quantos morrem pelo fogo? - quantos pela doença?
"Fui envolvido no redemoinho que varre a Europa, como digressionista de estudo aos campos de batalha da grande guerra. Assim o quiseram os ministros da guerra e das finanças, ao encontro, sem o saberem, dos meus vivos desejos de contemplar, atónito e entusiasta, esse vasto taboleiro de decisivas experiências sanitárias, realizado da vanguarda à rectaguarda dos exércitos, tal como jamais o sonhara sequer a higiene social moderna.
Á volta mandou o chefe supremo do exército ao comissionado que levasse ao acampamento de Tancos as novas da sanidade que, em benefício das nossas tropas, conviesse transmitir e divulgar."
(Excerto da Conferência)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com pequenas falhas marginais.
Muito raro.
Indisponível

03 maio, 2020

CÂMARA, Manuel da - VINTE CONTOS INSULANOS : narrativas açóricas. Horta, Tipografia de O Telégrafo. [Editor José Jacinto Nunes], 1917. In-8.º (21 cm) de 167, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Colecção de vinte contos históricos relacionados com o passado açoriano.
Livro muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao "ilustre e meretíssimo Magistrado, o Rev.mo Dr. Pedro Tavares Lopes da Silva".
"O Mestre de Avis, herói de Aljubarrota, ainda lhe ficavam, dos cuidados de reinar e governar, lazer e gôsto para promover diversões tauromáquicas.
Um dia mandou lidar touros em Évora - luzido torneio sob a sua régia presidência - onde concorreram os mais destros e denodados lidadores. [...]
Apenas faltava no seu palanque, assinalado pelo escudo de campo vermelho faiscante dos cinco vieiros de ouro em aspa, o famoso comendador de Almourol, habitualmente dos primeiros em qualquer aprazamento e retardatário naquele dia.
- Não tem hoje prontidão o nosso comendador - dizia el-rei aos da sua comitiva.
- Não tardará, Senhor. E, se mo permitirem, lembraria surpresa das de ficarem na história - insinuava Álvaro Coutinho, o Magriço.
- Perfeita deve ela ser, que sempre fostes de boas traças. Enunciai.
- Então lá vai. O comendador atravessará o corro, como de seu costume e, nêsse momento, larga-se-lhe o touro, a ver como se haverá com êle.
- Bem urdida!
- Não nos vá da festa sair fatalidade,  - observou D. Filipa.
- Não sairá Senhora - retorquiu D. João I. Frei Gonçalo é um dos ânimos mais valorosos e a mão mais pesada do reino.
E logo ordenou el-rei:
Quando o comendador de Almourol passar no corro larguem-lhe o touro
Instantes após ingressava na praça o épico descobridor dos Açores. Sôbre-vestia um tabardo verde-escuro, de pano ruanês, e cingia um terçado, de forte punho de aço. Acompanhavam no duas sobrinhas gentis e dois pagens louçãos. Mas ainda não alcançara meia arena surge um touro feroz, todo negro, de olhos coruscantes, em hastes limpas e afiadas."
(Excerto de Brincadeiras doutros tempos)
Nota: João Roiz da Câmara, 4.º capitão donatário da ilha de S. Miguel, contava miùdamente esta história por a ter ouvido na côrte.
Indice:
[Advertência]. Brincadeiras doutros tempos. | Estrêla funesta. | A filha do Arnequim. | O João do Outeiro. | O Malhado. | Um bispo. | A Linda de Santa Iria. | A formosa Brianda. | O Manuel Marraxo. | Um senhor em princípios do século XIX. | O Brilhante. O senhor do Castelo da Rocha Negra. | Um neto degenerado. | Na minha panóplia. | Viva Portugal! | Uma heroína. | O Relâmpago. | Mistificação dum morto. |  Sol de pouca dura. | Ilhéu depois de morto. | Nota final.
Encadernação simples em meis de percalina com cantos. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequenas manchas de tinta. Rubrica de posse datada na f. anterrosto.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

02 maio, 2020

GNECCO, Azedo - DEFINIÇÕES E ESCLARECIMENTOS. Por... Lisboa, Instituto Geral das Artes Graphicas, Sociedade Cooperativa Limitada, [190-]. In-8.º (15 cm) de 14, [2] p. ; B. Bibliotheca Socialista, N.º 5
1.ª edição.
Raríssimo opúsculo da autoria de Azedo Gneco, membro fundador do Partido Socialista Português, cuja acção política e pedagógica não teve divulgação impressa. Tanto quanto foi possível apurar, não existe bibliografia conhecida do destacado dirigente socialista.
"Convencionou-se chamar movimento operario ao conjuncto de esforços pela remodelação egualitaria das sociedades, hoje baseadas na preponderancia do Capital. Este movimento, empirico e apaixonado nos seus primeiros dias, como o fôra durante o largo periodo da sua gestação, tornou-se ultimamente scientifico, positivo e tranquillo, tendo adquirido todos os elementos componentes do seu triumpho e da estabilidade da sua victoria."
(Excerto de Individualismo e Socialismo)
Matérias:
Individualismo e Socialismo. | A acção politica. | A Republica Social : palestra.
Eudóxio César Azedo Gneco (1849-1911). "Nasceu em Samora Correia (Benavente) em 1849 e faleceu em Lisboa a 29 de Junho de 1911. Foi gravador de profissão, medalhista e aprendiz de escultor e a partir de 1865 trabalhou como operário gravador na Casa da Moeda de Lisboa. Em 1871, na sequência da visita a Lisboa de três dirigentes socialistas espanhóis, vindos como emissários da Associação Internacional dos Trabalhadores (I Internacional), aderiu às ideias revolucionárias defendidas por aquela associação. Participou no esforço conjunto com a Fraternidade Operaria (FO), liderada por José Fontana, tentando levar a cabo em Portugal um trabalho de organização e teorização revolucionária do proletariado. Com esse objectivo, colaborou intensamente no Pensamento Social, o jornal da Fraternidade Operária. Estabeleceu contactos próximos com a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), sendo, em 18 de Março de 1873, eleito secretário-geral da Associação Socialista, a secção lisboeta da AIT. Dando seguimento às orientações do Congresso de Haia, a 10 de Janeiro de 1875, foi um dos fundadores do Partido Socialista Português, aderente à Primeira Internacional, de orientação marxista, mas com forte presença federalista e proudhoniana. Durante a década de 1870, Azedo Gneco manteve relações epistolares com Karl Marx e com Friederich Engels. Manteve-se na liderança do partido até 1878. Em 1896 participou como delegado português no Congresso Socialista realizado em Londres. Regressou à estrutura dirigente do socialismo português em 1895, já numa facção dissidente, passando em 1905 a fazer parte da Federação Regional do Sul do Partido Socialista Português, da qual foi dirigente em 1907, 1909 e 1910. Azedo Gneco foi por diversas vezes candidato a deputado, mas nunca conseguiu os votos necessários para ser eleito."
(Fonte: centeneariodarepublica.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP, ou em qualquer outra fonte bibliográfica.
Com interesse histórico.
Indisponível

01 maio, 2020

SANTOS, Sebastião Costa - UMA ESTATISTICA OPHTALMOLOGICA. Baseada no registo de 60.000 doentes da Consulta d'Ophtalmologia do Hospital de S. José. Lisboa, Livraria Ferreira, L.ᴰᴬ - Editora, 1913. In-4.º (25,5 cm) de 82, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da oftalmologia em Portugal. Impresso em papel encorpado, ilustrado no texto e em página inteira com quadros, tabelas e gráficos estatísticos.
"Fôram os numeros, que seguem, tirados dos livros de registo da Consulta d'Ophtalmologia do Hospital de S. José. Não hesitámos consagrar a estes numeros muita atenção e tempo, que alguns achariam melhor empregados n'outros estudos: primeiro, porque, com a sua publicação, julgamos prestar uma homenagem devida ao fundador da Consulta, o chorado Professor Hygino de Sousa, á memoria do qual consagramos este modesto trabalho; em segundo logar, contribuir um pouco para o estudo da geographia das doenças oculares no nosso paiz.
Com a sua logica irrefutavel, demonstram estes numeros o exito progressivo que tem tido a obra do Mestre, que a um profundo espirito d'observação alliava uma solida illustração geral, tão necessaria para bem praticar qualquer especialidade, mas muito principalmente a ophtalmologica; possuindo orientação propria, coisa rara n'um latino, criou elle a consulta de doenças dos olhos ou, para melhor dizer, a especialidade nos Hospitaes, e a breve trecho, a sua consulta, só ella á sua parte, era mais frequentada do que todas as outras juntas; dizendo isto, está, parece-nos, tudo dito."
(Excerto do proémio)
Indice:
Prefacio. | I - Frequencia e população. | II - Estatistica geral. III - Afecções contagiosas e syphilis ocular. IV - Os traumatismos oculares.
Sebastião Costa Santos (1882-1939). Médico português. Formado pela Escola Médico Cirúrgica de Lisboa. Poeta e historiador de Medicina. Chefiou o arquivo do Hospital de S. José entre 1916 e 1918. Publicou diversos trabalhos, sobretudo de índole histórica.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, manchadas, com vincos e pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€