16 outubro, 2023

REGO, José Carlos Valle -
DOIS ANNOS DE APICULTURA. Porto, Typ. de A. F. Vasconcellos, Suc., 1905. In-8.º (22 cm) de 214, [2] p. ; [8] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da apicultura, obra pioneira na época. Trata-se do estimado trabalho de campo desenvolvido pelo autor, padre e apicultor, natural de Geraz do Minho - Póvoa de Lanhoso, desenvolvido ao longo de dois anos.
Livro ilustrado com cerca de duas dezenas de desenhos esquemáticos no texto, e oito estampas em separado.
"Apesar de haver prometido a mim mesmo e aos leitores a Maria da Fonte - semanario da Povoa de Lanhoso - a publicação do meu trabalho humilde, mas trabalho chio e fé, de sinceridade  e de amor, a que chamei - Dois annos de Apicultura - durante muito tempo hesitei se devia ou não cumprir a minha promessa. [...]
Não porque eu duvidasse da exactidão das minhas observações, fielmente postas em escripto, e que quasi sempre comprovaram as de homens estrangeiros illustres e desinteressados; mas porque o destinava a uma classe que tem vivido de prejuizos, e que d'êlles viverá emquanto a illustração lhe não fôr bater á porta e lhe não mostrar os formosos panoramas que se disfructam do carro do progresso.
Eu destinava-o aos lavradores, e os lavradores affeitos a velharias e preconceito, e curvados sob o peso de um trabalho rude, barbaro e mal recompensado, nem tempo teriam de levantar os olhos para elle. Se o podessem fazer, na maior parte dos labios despontaria um sorriso, que é o signal mais caracteristico da incredulidade, da ignorancia e da presumpção.
O nosso lavrador não gosta de innovações, por isso mesmo que é o mais fiel observador das tradições velhas. O que elle faz é o que faziam seu pae e seus avós. [...]
A Apicultura é uma industria nascente entre nós. Muitos se têm votada a ella de alma e coração; mas muito falta ainda para estudar. O nosso clima, a nossa flóra tão differentes dos de outros paizes onde aquella industria se exerce em grande escala e com justificados proveitos, hade exigir por força processos de cultura differentes."
(Excerto do preâmbulo - Ao leitor)
Talvez não haja industria mais recreativa, mais remuneradora e que menos dispendio de tempo exija do que a Apicula.
Servindo para a installação das colmeias qualquer terreno inculto, qualquer cantinho de terra abandonado ou que não se preste á cultura, como que não occupam espaço e nada prejudicam ás differentes producções dos campos.
As abelhas são antes uns grandes auxiliares na fecundação das plantas. Andando de flôr em flôr em busca de mel e póllen, corrigem, por assim dizer, a natureza, levando de uma para outra o pó fecundante e concorrem para que não degenerem as especies."
(Excerto de Primeiro Anno: A Apicultura - Sua utilidade)
"Para comprehender o manejo de uma colmeia e saber dirigir um enxame, ou mais, de fórma a tirar d'elle o maior lucro possivel, o apicultor deve conhecer primeiramente e bem a vida das abelhas.
Este é que o ha de guiar a principio sósinho, até que a experiencia lhe indique um caminho mais amplo e mais recto.
É por isso que, como em todas as artes ou industrias, tão cheia de insuccessos é a aprendizagem em Apicultura.
O homem nunca se contenta com aquillo que lhe ensinam os mestres, ou lhe suggere a natureza; quer sempre fazer alguma cousa por conta propria, quer ser original. D'aqui nasce o progresso.
Mas em Apicultura, como em todo o mais, só o estudo e a experiencia são bons conselheiros; tudo o que fôr feito sem o auxilio d'elles é antes uma imprudencia, quando não um desastre.
Ora, sendo essa industria ainda nascente em Portugal, poucos são aquelles que da vida das abelhas têm perfeito conhecimento. Que ellas pertencem á ordem dos hymenopteros ainda o sabem aquelles que estudaram sciencias naturaes; o povo, porém, não só ignora isto mesmo, como da vida d'ellas só conhece erros e prejuizos."
(Excerto da Introducção)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e algo manchadas por acção da luz.
Raro.
Com indubitável interesse histórico e apícola.
45€

15 outubro, 2023

COUTINHO, Gago -
COMO NASCEU O AEROPLANO
(Oferecido à apreciação dos Aéro-Clubes). Lisboa, [s.n. - Composto e Impresso na Sociedade Astória, Lda. - Lisboa], 1948 [Imp. 1949]. In-4.º (24x17 cm) de 18, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo do Almirante Gago Coutinho dedicado ao tema da aviação, abordando a controvérsia de quem primeiro «voou» - os irmãos Wright ou Santos Dumont.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Comandante Ernesto de Vilhena.
"Nota-se logo que, assim como a subida natural do fumo inspirou a criação do aerostato, que da facto Bartolomeu de Gusmão fez elevar em Lisboa, em 1709, também o avião nasceu da observação do planar dos pássaros, que vemos manterem-se no ar, mesmo sem bater as asas, aproveitando o equilíbrio entre o seu peso e o ar ascendente, às vezes até provocado pelo embate do vento sobre os navios.
As tentativas de voar começaram pelo alemão Otto Lilienthal, que conseguiu centenas de vezes realizar «voos planados», partindo de uma altura e deslizando algumas dezenas de metros até tocar no chão. As suas experiências públicas, com um «planador», iniciadas em 1891, já eram prometedoras. Mas, apesar da sua longa prática, em Agosto de 1896 uma refrega do vento desiquilibrou-o. Precipitado de «quinze metros de altura», caíu, morrendo no dia seguinte."
(Excerto do estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
25€

14 outubro, 2023

COSTA JÚNIOR -
AO SERVIÇO DA PÁTRIA. A Marinha Mercante Portuguesa na Primeira Grande Guerra
. Lisboa, Editora Marítimo Colonial, 1944. In-8.º (19 cm) de 159, [5] p. ; [10] p. il. ; B.
Capa de Pinto de Magalhães.
1.ª edição.
Importante monografia sobre a participação da Marinha Mercante portuguesa durante a Primeira Guerra Mundial.
Ilustrada com desenhos e fotogravuras em 10 páginas separadas do texto.
Contém a relação de barcos da marinha mercante nacional afundados durante o conflito.
"Ao apresentar êste livro, a Editora Marítimo Colonial não tem outro objectivo que o de prestar homenagem aos bravos tripulantes da nossa Marinha Mercante aos quais o país tanto deve, em dedicação e em sacrifício, na guerra ou na paz.
Na primeira conflagração mundial, a Marinha Mercante portuguesa pagou um pesado tributo de sangue. Foram muitas as suas perdas e muito extenso o seu rol de vítimas.
Êste livro, escrito pelo distinto jornalista Costa Júnior - que para êle coligiu apontamentos e ouviu testemunhas oculares - é um documento que fica, o primeiro no género que se publica no nosso país, a atestar o sacrifício da nossa Marinha de comércio, num dos transes mais difíceis da vida nacional."
(Excerto da nota dos editores).
Índice: - O leme foi amarrado e salvo o cão de bordo. - Marinheiros portugueses ao serviço do governo estrangeiro. - Quando a morte embarcou a bordo do «Moçambique». - O inimigo não conseguiu o objectivo. - O caso extraordinário do vapor «Alentejo». - Um tiro de aviso... com bala. - À vista de terra. - A mais insignificante vítima do submarino. - Abandonado entre o céu e o mar. - Um submarino navegando à vela. - Fazia um frio medonho, horrível. - Mar chão, horizonte claros, nada à vista. - Mais de 470 milhas em dories, sem mantimentos nem água. - «Momento daqueles não esquecem mais...». - Relação de barcos mercantes portugueses afundados durante a Grande Guerra.
José Maria Marques Costa Júnior (1906-1988). "Foi um jornalista português. Desenvolveu actividade profissional em A Luta, no Diário da Manhã, onde foi chefe de redacção, e no Diário Popular. Foi um dos primeiros repórteres correspondentes portugueses na Guerra Civil de Espanha." Publicou: A Espanha sob o Terror Vermelho (1937); Ao Serviço da Pátria : a Marinha Mercante Portuguesa na Primeira Grande Guerra (1944); Andorra, País do Pitoresco (1955); História Breve do Movimento Operário Português (1964); Dez Histórias para os Meus Netos (1967).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. 
Raro.
Com interesse histórico.
45€

13 outubro, 2023

TÓRGO, Alves -
CARTEIRA DE UM VETERINARIO : apontamentos ao alcance de todos.
Sobre as principaes doenças internas do Cavallo, Boi e Cão. Por... Lente do Instituto de Agronomia e Veterinaria. Lisboa, Typographia Mattos Moreira e Pinheiro, 1897. In-8.º (16x11 cm) de VI, [1], 324 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual veterinário para utilização dos amadores/interessados no bem estar nos animais, para resolução de emergências quando na impossibilidade de recorrer a profissional habilitado.
"Não para substituir o medico-veterinario em todas as circumstancias, mas como recurso de occasião onde e quando a assistencia clinica d'aquelle seja de todo impossivel - e não são poucas as vezes que isso succede - vai ver mundo este ligeiro trabalho com o modesto e suggestivo titulo de Carteira de um veterinario. Vale este titulo o mesmo que dizer que não se trata de um desenvolvido trabalho, mas de umas simples notas ou apontamentos - ineditos uns, outros colligidos - sobre as principaes doenças internas das tres especies de animaes domesticos que mais interessam ao homem. [...]
De resto, esta Carteira vai preencher a falta, desde longe sentida, de um tratado de veterinaria pratica, escripto em portuguez e á altura dos modernos conhecimentos scientificos.
Por isso muito póde e deve ella utilizar, no que respeita ás principaes doenças internas do cavallo, boi e cão, a todas as pessoas que tenham de vêr-se a braços com um animal doente, longe de todo o auxilio veterinario."
(Excerto do preâmbulo - Duas palavras)
Alves Tórgo (1850-?). Nasceu em Vila Real a 25 de Outubro de 1850. Ardente, sincero e forte na propaganda da Republica, a sua fé jamais esmoreceu, o que importa o maior elogio do seu carácter e das suas convicções democráticas. Exerceu desde longa data o magistério como lente do Instituto de Agronomia e Veterinária, e o seu saber, foi por outros, lisonjeado e distinguido pela sua classe, que sempre procurou honrar, não só na cátedra, como também em congressos e revistas da especialidade. Dedicou-se durante anos, em quase todas as suas horas de ócio à educação das classes populares, de que é testemunho a obra simpática e benemérita do Centro Escolar Affonso Costa."
(Fonte: http://clubedohistoriador.blogspot.com/2011/04/alves-torgo.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenas falhas marginais.
Muito invulgar.
Indisponível

12 outubro, 2023

MAR DE SANGRE -
Opera revolucionaria.
De la immortal y clásica obra maestra "Mar de Sangre". Pyongyang, Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1975. Oblongo (18x24 cm) de 40 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Libreto da peça "Mar de Sangre", conhecida ópera patriótico-revolucionária oriunda da Coreia do Norte, traduzida para castelhano.
Representada em Espanha nos anos 70 do século passado, trata-se de um exemplo paradigmático da (episódica) abertura do regime ao exterior através deste tipo de eventos. A apresentação da peça é um verdadeiro monumento ao culto da personalidade do "Grande Líder" - Kim Il-Sung -, mas também da propaganda ao serviço do Estado, com a divulgação dos ideais políticos, históricos e culturais do regime.
Livro impresso em papel de superior qualidade, profusamente ilustrado a cores com as principais cenas da peça.
"Esta ópera revolucionaria está basada en la cinta cinematográfica "Mar de Sangre", que a su vez es una transcripción fiel de la immortal y famosa obra clásica del mismo nombre, creada durante el período de la gloriosa Lucha Armada Antijaponesa.
La inmortal y famosa obra clásica "Mar de Sangre", uno de los tesoros vlerosos que consiste las gloriosas tradiciones revolucionarias de nuestra literatura, demuestra la grandeza y justeza de la línea de la Lucha Armada Antijaponesa trazada por el camarada Kim Il Sung, gran Líder de la revolución. y los nobles rasgos espirituales y morales que han exhibido los auténticos comunistas coreanos, infinitamente fieles al Líder, en el proceso de la gloriosa lucha por realización de dicha línea, asi como revela agudamente la crueldad y barbarie de los agresores imperialistas japoneses.
La obr revolucionaria "Mar de Sangre" refleja de modo concentrado los problemas principales y vitales que se presentaban en la vida y la lucha no sólo de nuestro pueblo de aquel entonces sino también de centenares de milliones de personas que viven la época de la tempestad revolucionaria en que se lleva a cabo una fiera lucha entre las fuerzas revolucionarias y las contrarrevolucionarias, y demuestra con una profunda maestría artística la verdad de la lucha revolucionaria, que se levanta la lucha revolucionaria donde existen la explotación y opresión, y la única via para aplastar la violencia contrarrevolucionaria es la violencia revolucionaria.
La ópera revolucionaria "Mar de Sangre" ofrece una imagen satisfactoria de la gran idea que encierra la obra original, a través de su excellente composición dramática y la representación musical del carácter nacional, encantadora, noble, bella y revolucionaria y por medio de la gran fuerza de la popularización realista."
(Excerto da apresentação)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
25€

11 outubro, 2023

PASSOS, Alvaro Teles Ferreira de -
SÔBRE A TEORIA DA «BLITZKRIEG».
[Por]... Coronel do C. E. M. Separata dos Boletins n.os 6 e 7 do Instituto de Altos Estudos Militares. Lisboa, [s.n. - Comp. e imp. na Editorial Império, Lda - Lisboa], 1942 In-4.º (26x16 cm) de 44 p. ; [6] desdob. ; B.
1.ª edição independente.
Importante estudo sobre a "Guerra Relâmpago", táctica militar empregue pelo comando alemão na Segunda Guerra Mundial, que consistia em rápidos movimentos para ataques em profundidade.
Ensaio interessante, raro, publicado por um oficial português durante o conflito, quando este procedimento bélico se encontrava em uso.
"O Blitzkrieg ou guerra-relâmpago é uma tática militar em nível operacional que consiste em utilizar forças móveis em ataques rápidos e de surpresa, com o intuito de evitar que as forças inimigas tenham tempo de organizar a defesa. Os seus três elementos essenciais são o efeito-surpresa, a rapidez da manobra e a brutalidade do ataque, e os seus objetivos principais são a desmoralização do inimigo e a desorganização de suas forças (paralisando os centros de controle). O arquitecto desta tática militar teria sido o general alemão Heinz Wilhelm Guderian."
(Fonte: Wikipédia)
Livro ilustrado com seis desdobráveis reproduzindo croquis de movimentos de ataque, sendo um deles uma comparação com as movimentações efectuados na 1.ª e 2.ª Guerra Mundial (Foto - Fig. 1/2).
"A guerra-relâmpago («Blitzkrieg») dardeja os seus relâmpagos de pontos ou núcleos de ataque introduzidos, brutalmente, no interior do dispositivo defensivo do adversário afim de, com êsses dardos, ferir pela retaguarda e isolar uns dos outros pontos de apoio e centros de resistência.
A idéia directriz do processo reside na realização de ataques brutais de pequena frente, espécie de empurrões atirados ao dispositivo inimigo em pontos mais vulneráveis («schwerpunkt» alemão, «thrust point» inglês), seguidos, imediatamente, de rápida incursão no interior dêsse dispositivo para dar novo empurrão, enquanto do ponto atingido pelo primeiro irradiam ataques dispersos, insinuando-se por entre os centros de resistência, ao lado do «thrust point» estabelecido, envolvendo-o por detrás e atacando-os por todos os lados, repetindo-se tais ataques no segundo «thrust point».
Dá-se, por êste processo, uma espécie de enrolamento das defesas inimigas («aufrollen» alemão, «rolling out» inglês) que são calandradas pela retaguarda e flancos.
Uma pequena frente atacada produz, na exploração do sucesso, uma larga frente conquistada e, com esta exploração e com a perseguição, enorme profundidade adquirida, desde que se suprima ao adversário a possibilidade de coordenar as suas defesas estáticas e se lhe não dê tempo para empregar as móveis."
(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidadas; cantos vincados.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
A BNP dispõe de apenas um exemplar.
35€

10 outubro, 2023

CARTAS INÉDITAS DA SEGUNDA MULHER DE CAMILLO CASTELLO BRANCO. Com algumas notas e commentarios de A. d'A. N. B. Lisboa, Depositária: Livraria de J. Rodrigues & C.ª, 1916. In-8.º (22 cm) de [1], 27, [3] p. ; [4] f. il. ; E.
1.ª edição.
Obra da responsabilidade de Afonso de Azevedo Nunes Branco, publicado por ocasião das comemorações do 91.º aniversário do nascimento de Camilo Castelo Branco.
Livro com tiragem reduzida, ilustrado com 4 estampas extra-texto.
«O produto liquido da venda d'este folheto reverte a favôr da subscripção, aberta em Villa Nova de Famalicão, para reconstruir a casa de S. Miguel de Seide.»
"Tão ligado anda ao nome de Camillo Castello Branco o de Anna Augusta Placido, que escrevendo sobre um preciso se torna escrever sobre o outro: mórmente quando se relatam ou historiam episodios do Inferno de Seide, como se deve classificar a vida de ambos e de seus filhos."
(Excerto dos comentários do autor)
"Meu amigo
Faço-o participante das mªs alegrias!...
Depois d'horas infernaes ha 20 dias por causa do tal ferimento nos olhos de Camillo, e quando já quase me faltava o animo, (porq elle acuzava todos os symptomas da catarata, e está quase n'um estado de vista q não pode aturar a luz) partiu hoje pª o Porto resolvido a um desengano.
Recebi o 2.º telegramma!
3 medicos dão o encommodo curavel, sendo o ultimo o primeiro especialista do Porto.
Imagine a mª alegria!
Estou sem dormir e sem comer mas sinto-me forte, rija, e quase com as forças dos 20 annos.
Tenho andado sempre com o Camillo p.ª o Porto, 2 dias cá, 2 dias lá!
Emquanto houvia o Ricardo Jorge, bem estavamos. Assim q chegava a caza «estou cego, suicido-me». Cansada d'esta lucta, disse-lhe q fosse desenganar-se. Se era cegueira, que pozessemos em ordem as nossas vidas e soubessemos morrer juntos com a coragem com que temos affrontado a desgraça: Hoje esperava a sentença de morte.
Chegou a de vida, e por isso lh'o participo como se fosse um filho estremecido.
Adeus abraça-vos a vossa am.ª
A. Placido."
(Carta de Ana Plácido para Manuel de Ascensão Espinho, em 1886)
Bonita encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse camiliano.
Indisponível

09 outubro, 2023

CARNAXIDE, Visconde de - QUESTÕES JURIDICAS DA GUERRA E DA PAZ.
Direito Actual e Sua transformação necessaria e esperada
. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1915. In-4.º (24 cm) de 245, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho jurídico acerca das consequências da guerra no plano das indemnizações aos particulares.
Obra pioneira sobre o assunto, rara e muito interessante.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Cunha e Costa (1868-1928), conhecido advogado, escritor e jornalista.
"Por mais que se alongue ainda a duração da guerra, que no plano allemão deveria ter sido rapida, ou até, quanto as distancias o permittissem, quasi instantanea, pela incomensuravel grandesa e superioridade das suas forças n'um ataque precipitado e decisico, os projectos tão fóra de proposito do governo portuguez não viriam, certamente, a ter realisação antes de terminadas as hostilidades, e assim antes da questão dos armamentos ser posta perante um Congresso das nações, e d'esta vez para ser resolvida no sentido da pacificação geral.
Poucos mezes volvidos depois da guerra começada, já em artigos do «Monde Economique», da secção redigida pelo escriptor militar Meillet, se fazia quanto á victoria a previsão, de que ella virá a pertencer aos belligerantes, que forem os ultimos, a quem não venham a faltar nem mantimentos nem munições.
E se no principio em cada dia os aliados só fabricavam 82.000 granadas, fabricando os allemães 182.000, ao aproximar-se o fim do primeiro anno da guerra já os aliados teem a laboração das suas oficinas preparada para a producção quotidiana de 300.000. [...]
Quanto á conjunctura presente, ou no decurso ainda da guerra actual, a situação diplomatica de Portugal é de tal singularidade, que, não devendo deixar de ser referida por ter bom cabimento entra as questões de Direito Publico Internacional n'este livro versadas, mas não havendo nas declarações e publicações do governo a elucidação precisa a seu respeito pelas reservas proprias do assumpto, para o fazer, fundado em informações verosimeis em tão delicada materia, aproveito as que parecem ter sido obtidas com bastante segurança e publicadas com discreção por Jeam Anbry n'um artigo de maio do corrente anno, no n.º 3 de «La Grande Revue», o qual, tradusido, foi em alguns interessantes pontos transcripto pelo jornal «A Luta» de 5 de julho.
Transcrevendo por minha parte o que contenha elementos para a apreciação juridica d'uma situação tão amorpha e inominada em Direito Internacional Publico, aqui deixo utilmente consignadas as seguintes passagens:
«Pode estranhar-se que, dez mezes após a declaração de guerra entre a Inglaterra e a Alemanha, Portugal mantenha ainda uma neutralidade em desacordo com os seus tratados.
Se, porém, a neutralidade portugueza não foi quebrada desde o primeiro dia da guerra, se depois foi mantida, pode-se ter a certeza de que foi de pleno acordo com o Foreign Office e como consequencia d'um perfeito entendimento entre os dois governos. [...]
A atitude de Portugal na guerra actual é das mais nitidas e das mais louvaveis; concilia maravilhosamente as exigencias nacionaes com os desejos dos aliados; assegura a sua defesa nos limites, que lhe impõe o respeito da neutralidade.
Pelas razões politicas e sentimentaes, que deixamos enumeradas, os aliados não podem pôr em duvida a benevolencia d'esta neutralidade, pelo que lhes toca.
Se, daqui ao fim da guerra, a neutralidade portugueza tivér de ser quebrada, sel-o-á por meio e por causa da questão colonial. De todo o modo, Portugal achará por força na derrota alemã a garantia nova do seu imperio colonial pela ruptura do accordo anglo-alemão, ruptura que porá as suas colonias, como o seu territorio metropolitano, sob a salvaguarda unica da Grã-Bretanha amiga e aliada.
Quanto a nós, francezes, teremos achado nesta guerra a pedra de toque das simpatias portuguezas, ardentes e desinteressadas, e que não enfraqueceram mesmo nas horas incertas dos fins de agosto, em que outras nações visinhas farejavam os ventos, esperavam, confinadas n'um silencio prudente, ou já não escondiam a sua falta de confiança nos nossos destinos. A atitude de todo Portugal para comnosco, desde o inicio da guerra, merece devéras que a recordemos: pela sua repercussão nos paizes da mesma lingua, como o Brazil, e d'ahi em toda a America latina, a simpatia portugueza desempenhou na lucta, contra a influencia alemã, um papel muito mais consideravel do que se poderia acreditar no primeiro momento, e vale a homenagem, que lhe prestamos.»"
(Excerto do Prefacio)
António Baptista de Sousa, 1.º Visconde de Carnaxide (1847-1935). "Advogado, jurista, funcionário judicial, administrador de empresas, jornalista, político e poeta. Foi deputado às Cortes pelo Partido Progressista (1884-1893) e eleito par do reino (1894). O título de visconde foi-lhe concedido por D. Carlos em 1898. Publicou diversas obras jurídicas e cinco livros de poesia. Foi director da revista O Direito e sócio da Academia das Ciências de Lisboa."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=81346)
Encadernação em meis de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Miolo irrepreensível.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

08 outubro, 2023

MEXIA, João Garcia Nunes -
SUBSÍDIOS PARA O ORDENAMENTO DE SOBREIRAIS.
[Por].... Engenheiro Silvicultor. Separata da Revista Agronómica - Vol. XXII. N.º 1. Lisboa, [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], [1934]. In-4.º (26x19,5 cm) de 82, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante contributo para a história da cultura e plantação do sobreiro, e para a indústria nacional de cortiça, pioneiro no que ao ordenamento da árvore diz respeito.
Ilustrado no texto com desenhos esquemáticos, quadros, tabelas e gráficos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Victor Santos.
Junta-se desdobrável de dimensões generosas (79,5x21 cm): Mapa comparativo de 21 explorações agrícolas - Mapa integrado na Tese "Problemas Agrícolas vistos por um Lavrador" - 1.º Congresso de Ciências Agrárias : Dezembro-1943.
"Escolhemos para tema do presente trabalho assuntos que se prendem com a cultura e exploração do sobreiro (Quercus suber, L.), já porque este, pela sua expansão, ocupa entre as especies arboreas do nosso Paiz um lugar de destaque, já porque sendo um dos mais importantes factores de valorização dos terrenos pobres, convem que dele possamos tirar todo o proveito possível. [...]
Importa, à semelhança do que se tem feito com outras culturas, não só determinar os limites maximos de produção, relacionados com as condições individuais e do meio, como tambem estudar os mais vantajosos processos de os atingirmos. [...]
Constituem, entre nós, zona por excelência do sobreiro, os terrenos terciários das Bacias do Tejo e do Sado. Esta zona é caracterisada por temperaturas médias com oscilações entre Inverno e Verão de 9 a 23ºC... [...]
Ainda que o sobreiro prospére em diversas altitudes, atingindo por vezes em regulares condições de vegetação, mais de 600m, tem a zona referida condições optimas de altitude para esta essencia e uma temperatura média muito proxima dos seu optimo térmico de + 14º.
Esta especie fórma povoamentos puros e mixtos, que não rara atingem enormes extensões, totalisando a area ocupada entre nós pelo sobreiro mais de 550.000 hectares. É uma especie ainda insuficientemente estudada  e considerada como polimorfa."
(Excerto da Introdução)
Estudamos o indivíduo considerando-o não isoladamente, mas como parte integrante que é do povoamento ou  montado. Ora sucede com freqüência que estes povoamentos apresentam, em consequência da excessiva intervenção do homem, uma grande variação na constituição dos indivíduos, quer no que respeita à proporção do volume do tronco, ou de qualquer outro orgão, para o volume total do indivíduo, quer ainda no tocante à forma de cada um dos orgãos; torna-se, por isso, necessário encontrar a justa proporção de cada uma das partes componentes do indivíduo, e conferir a todas uma forma tal que o conjunto nos venha, senão melhorado, pelo menos corrigido dos anteriores êrros culturais."
(Excerto de I - Estudo do Individuo)
Índice:
[Introdução] | I - Estudo do Individuo. II - Estudo sobre a constituição dos povoamentos. III - Tabelas de produção de cortiça. | Obras consultadas.
João Garcia Nunes Mexia (Mora, 1899-?). Grande proprietário agrícola, filho de Joaquim Nunes Mexia, e continuador da sua obra política e agrícola. "Licenciado em agronomia pelo Instituto Superior Agrícola, foi Diretor da Associação Central da Agricultura Portuguesa nas décadas de 1930 e 1940, Presidente da Sociedade de Ciências Agronómicas em 1942, e Presidente da Junta Nacional dos Produtos Pecuários entre 1939 e 1945. Foi um dos primeiros silvicultores a fazer uma tese de licenciatura sobre o tema do montado em 1934, e foi Delegado de Portugal à Conferência Internacional da Cortiça."
(Fonte: https://agromexiacastelobranco.pt/historia/)
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado de conservação. Capas com pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

07 outubro, 2023

VIEIRA, João -
OS AMORES DE D. JUAN.
Extracto do immortal poema de Lord Byron. Por... Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron : Braga, Livraria Internacional de Eugenio Chardron, 1875. In-8.º (18,5x12 cm) de 135, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Versão livre da vida aventurosa de D. Juan, em prosa, a partir do conhecido poema de Byron. É muito curiosa esta variante de João Vieira, de certo modo irónica e levemente sensual para os padrões da época. O episódio do "fantasma" inglês, propicia a incursão do fantástico (e erótico) na trama.
"Don Juan é um poema satírico de Lord Byron, baseado no mito de Don Juan, que o autor subverte, tratando de descrever Juan não como um conquistador cruel e insaciável (como foi considerado nas interpretações anteriores do mito, por exemplo, em Molina, Molière ou Mozart), mas como um homem facilmente seduzido pelas mulheres, que é lançado nos braços delas pela força das circunstâncias e vicissitudes do destino."
(Fonte: Wikipédia)
"Apenas sahido do berço, viu-se D. Juan orphão de pai, senhor d'uma boa fortuna e confiado aos cuidados e tutela de D. Ignez, sua mãi.
Como a mais sabia das mulheres e das viuvas, quiz esta fazer de Juan um verdadeiro prodigio, digno em tudo de seu alto nascimento; quiz que este possuisse todos os dotes d'um cavalleiro, na hypothese do rei nosso senhor querer de novo fazer guerra.
Aprendeu pois a montar a cavallo, a jogar as armas, a escalar uma fortaleza ou um convento de freiras."
(Excerto de - Primicias d'amor)
Índice:
Primicias d'amor | O naufragio infeliz | O escravo-senhor | O valido da imperatriz Catharina | O phantasma amoroso.
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
A BNP menciona o livro com a indicação "sem informação exemplar".
Indisponível

06 outubro, 2023

MATTA, José Avelino da Silva e -
LAVOIRA MECHANICA.
Dissertação inaugural. Por... Instituto de Agronomia. Lisboa, Typographia de J. F. Pinheiro, 1906. In-4.º (23x16 cm) de 124, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo académico sobre a mecanização da agricultura em Portugal, numa época em que apenas alguns - poucos - agricultores davam os primeiros passos nessa direcção.
Ilustrado ao longo do livro com tabelas e quadros estatísticos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a um seu amigo.
"Chamamos - Lavoira Mechanica - aquella que se executa por meio de tractores mechanicos. [...]
O assumpto é dos mais importantes.
A industria, apoderando-se d'elle com verdadeiro affinso, offerece aos agricultores as mais variadas machinas de remexer a terra, grande numero d'ellas da mais elevada perfeição.
A lavra complica-se, necessita de estudo e sciencia; a Agricultura dispõe, hoje, dos mais variados systemas de revolver os solos, e a Agronomia tem mais um vasto capitulo que engrandece a todos os momentos.
A nossa obra consiste simplesmente n'um estudo critico d'esses systemas de mechanismos, fazendo uma descipção summaria dos typos que os caracterisam, dos trabalhos que executam, dos resultados praticos que se obteem e dos beneficios que nos trazem."
(Excerto do Prefacio)
"D'entre os mais graves problemas que se levantam em face da Agricultura, o barateamento e a rapidez das differentes operações é um dos principaes, um dos que mais preoccupam o agonomo, o lavrador, o economista e o homem de estado das nações mais cultas e intelligentes.
D'entre essas differentes operações, a primordial, a mais agricola - permitta-se-nos a expressão - é a lavra.
O problema torna-se tanto mais grave quanto é certo que os salarios dos operarios ruraes vão encarecendo constantemente, em consequencia não só das condições de vida, mas porque a industria e o commercio tendem a arrancar o trabalhador rural do torrão que elle revolve.
A falta do trabalhador chega a ser verdadeiramente penosa, não só nos grandes dominios, nos vastos latifundios, como no mais insignificante casal. Exemplos não nos faltam no paiz.
A Industria cooperando com a Agronomia, procura resolver o problema e vae á mechanica, ao vapor, á electricidade, ás misturas explosivas e ás grandes forças naturaes, estuda, inventa e lança por todo o mundo os mais variados systemas de machinas de lavrar."
(Excerto da Introducção)
Índice:
Prefacio | Historia | Introducção | Vantagens da lavoira mechanica | Guinchos | Noções sobre o trabalho das machinas de lavrar | Lavoira a vapor | Charruas a vapor por meio de tracção directa | Electricidade | Motores a explosões | Motores eolianos | Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, vincadas, com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

05 outubro, 2023

GOMES, Virgílio Nogueiro -
TRANSMONTANICES. Causas de Comer.
Prefácio de Inês Pedrosa. Desenhos de Graça Morais. Lisboa, Edições do Gosto, 2010. In-8.º (21x15 cm) de 169, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso conjunto de crónicas amenas sobre Trás-os-Montes e a sua gastronomia.
"Com prefácio de Inês Pedrosa e desenhos de Graça Morais, o livro é constituído por textos que descrevem a gastronomia transmontana e por um conjunto de crónicas que Virgílio Gomes escreveu sobre as memórias da vivência e educação do gosto que adquiriu pelo facto de ter nascido e vivido em Trás-os-Montes." (Fonte: Wook)
Ilustrado com 6 bonitos desenhos de Graça Morais em página inteira.
"Do ponto de vista gastronómico não é fácil estabelecer fronteiras rígidas para localização da chamada cozinha regional. Por tradição, um ou outro prato ou produto, encontram-se muitas vezes nas regiões vizinhas, pelo menos na orla fronteiriça. Ao tentar caracterizar uma região não se pode, por isso, ser categórico na delimitação geográfica dessa região e devemos, portanto, aceitar de forma benevolente a região assemelhada à divisão administrativa da província de Trás-os-Montes, que compreende os distritos de Bragança e Vila Real.
Aceite este princípio de localização, surge-nos com frequência outra questão que é a dificuldade de unificação da designação à transmontana enquanto identificadora de um prato e da região. À transmontana é expressão que não aparece em nenhum repertório de cozinha, enciclopédia ou manual. [...]
Acreditamos mesmo que a terminologia à transmontana, no geral, seja uma invenção recente - século XX - pela necessidade de os restaurantes evidenciarem a origem dos pratos apresentados nos seus cardápios. [...]
Naturalmente, mais importante que a terminologia é a caracterização esta região, rica em produtos, confecções simples e mesa farta."
(Excerto de Trás-os-Montes)
Virgílio Nogueiro Gomes. "Nascido em Bragança, manifesta sempre a sua origem transmontana. Percorrendo a inventariação das tradições portuguesas, ou «à portuguesa», continua a escrever de forma descontraída e prática. Das aulas de História da Alimentação às várias palestras que profere, reserva sempre tempo para as suas crónicas sobre curiosidades em viagem ou aspetos interessantes relativos a hábitos alimentares. É investigador do Projeto DIAITA - Património Alimentar da Lusofonia." (Wook)
Virgílio Gomes mantém com a sua terra natal, Bragança, uma especial relação. Uma vivência atenta que patrocina com investigação, escritos e visitas frequentes.
Este transmontano que conhece os caminhos profissionais da restauração, da sua operação à frequência da mesa, é um reputado gastrónomo.
Participa de diversas instituições. Fomenta variados actos, aos quais empresta um elevado reconhecimento das matérias da sua especialidade, a alimentação e gastronomia. Escreve como vive, descontraída e apaixonadamente." (Texto retirado da badana)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
25€

04 outubro, 2023

GOA E O GRÃO-MOGOL. Editores Jorge Flores e Nuno Vassallo e Silva. [Lisboa], Fundação Calouste Gulbenkian em colaboração com Scala Publishers, London, 2004. In-4.º (28x23 cm) de 240 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo publicado por ocasião da exposição Goa e o Grão-Mogol, realizada no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, Galeria de Exposições da Sede, entre  9 Junho e 5 de Setembro de 2004.
Belíssima peça da bibliografia oriental portuguesa, elaborada com grande apuro gráfico e sentido estético, impressa em papel de superior qualidade e profusamente ilustrada a cores.
"Goa e o Grão-Mogol pretende pôr em evidência as diversas facetas da relação que se estabeleceu nos séculos XVI e XVII entre a Índia portuguesa e o império mogol. Para os mogóis, os portugueses são mais um vizinho, seguramente menos perigoso que os safávidas, os uzbeques ou os otomanos. Menos perigoso mas algo “exótico”, tanto mais que os portugueses foram os primeiros firangis com que o imperador Akbar privou. A escrita dos cronistas mogóis não reflecte o fenómeno, mas, em contrapartida, o trabalho dos artistas da corte não se alhearia tão cedo da presença desses estrangeiros no império. Já para os portugueses, com capital em Goa desde 1510 e mantendo um rosário de estabelecimentos marítimos que se prolongava até ao Gujarat, do sucesso da relação com oMogor dependia a sua própria sobrevivência na Ásia do Sul. Tal é o pano de fundo de uma relação que durou mais de dois séculos e se corporizou em diversos domínios. Relação comercial, construída nos portos do Gujarat e do Bengala. Relação política e diplomática, de que dá testemunho um vasto corpo documental relativo a embaixadas, tratados, mediadores e espiões. Relação religiosa, indelevelmente marcada pela influência dos jesuítas na corte de Akbar e Jahangir. Relação cultural e artística, assente nas múltiplas contaminações de objectos, ideias, gostos e estilos.
Os dez ensaios escritos, por um conjunto de especialistas internacionais, expressamente para esta obra, exploram as diferentes facetas de uma relação que durou mais de dois séculos e se corporizou em diversos domínios (comercial, político e diplomático, religioso, cultural e artístico). Todos os ensaios são profusamente ilustrados com magníficas miniaturas mogóis, livros, pinturas europeias e diversos objectos seus contemporâneos que, entre outros, integram a exposição com o mesmo título. O livro contém ainda uma relação exaustiva das peças presentes na exposição, acompanhada pela respectiva bibliografia específica."
(Fonte: https://gulbenkian.pt/museu/agenda/goa-e-o-grao-mogol/)
"O presente ensaio foi concebido como um modesto contributo para a história da complexa relação multilateral que existiu em finais do século XVI e inícios do século XVII entre quatro potências um tanto desiguais: a primeira, o império mongol em crescimento na Índia Setentrional, que conheceria uma expansão avassaladora nas décadas que se sucederam a 1560; a segunda, os sultanatos do Decão, mais a sul, e especialmente os reinos de Bijapur e Ahmadnagar; a terceira, o Estado Português da Índia, com o seu centro político em Goa, e posições subsidiárias em Damão, Diu e na Província do Norte; e, por fim, o estada safávida no Irão, o qual, desde o seu início por volta de 1500, mantivera relações privilegiadas com os soberanos muçulmanos do Decão."
(Excerto do ensaio A expansão mongol no Decão, 1570-1605: perspectivas contemporâneas)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

03 outubro, 2023

CÁMEIRA, José Martins - ORDENS E RELATORIOS. Operações Militares sobre Fornos d'Algôdres e Lamego em 1919.
Por... Major d'Infantaria
. Castello Branco, Typographia da «Casa Progresso», [1919]. In-8.º (21 cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio histórico, com interesse táctico-estratégico, relativo ao período revolucionário apelidado "Monarquia do Norte".
Trata-se de um interessantíssimo manancial de ordens e relatórios redigidos pelo Major José Cámeira, comandante do 2.º grupo de metralhadoras, envolvido nas operações de combate aos insurrectos monárquicos sobre Fornos de Algodres e Lamego, no período compreendido entre 23 de Janeiro e 12 de Fevereiro de 1919.
Relatório muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Alferes... da bataria de Art.ª do Destacamento misto n.º 1".
"No desejo de satisfazer o pedido dos meus camaradas que fizeram parte dos destacamentos successivos do meu comando por ocasião da conspiração monarquica do norte, tomei o encargo, por este facto sómente, de compilar todas as ordens de operações e relatorios que elaborei, no decorrer do movimento insurrecional, quasi sem alterar a redação e muito menos a fórma e disposição, para não perder a sua principal caracteristica de originalidade - a mais aceitavel como lembrança - mas aonde certamente muito havia a rectificar, mórmente por não ter tido á minha disposição arquivo algum e em especial os regulamentos de campanha, de saude e de subsistencias e que a memoria nem sempre conseguia capazmente dispensar."
(Preâmbulo)
"No dia 23 de Janeiro, sendo comandante do 2.º grupo de metralhadoras, sou chamado ao quartel general da 2.ª divisão, provisoriamente instalado na cidade de Guarda, para assumir o comando das tropas de cobertura, algumas d'estas jà fixadas na margem esquerda do rio Mondego, n'uma linha de vigilancia e de segurança de cerca de 24 quilometros, assim distribuidas: 30 homens em Celorico da Beira, 50 em Juncaes, 60 em Cabra e 30 em Nespereira.
Uns 200 homens seguiam a caminho para reforço d'aquelas, tambem pertencentes ao regimento d'infantaria n.º 12.
Em virtude das instruções recebidas embarquei, por 12 horas, na estação de caminho de ferro da Guarda com as forças d'infantaria de reforço e mais uma secção de artilharia de montanha, acrescida de uns 100 homens apeados d'esta arma.
Desembarcada a secção de A. M. na estação de Celorico da Beira, segui com as restantes forças ate ás proximidades de Jejua, ponto escolhido para desembarque, d'onde se passou para a margem esquerda do rio Mondego e d'ali se marchou para Mosquitela, tendo o cuidado de tornear o alto do Pendão 2.º (537.∙.), de Penedia (525.∙.) e outros contiguos para a coluna não ser vista das tropas rebeldes.
Chegado a Mosquitela já depois do sol posto mandei ainda avançar cerca de 100 homens para Juncaes, ficando os restantes de reserva n'aquela povoação."
(Excerto da introdução)
A Revista Militar N.º 22 - Dezembro de 1922 - inclui um artigo do General Adriano Beça com o título As metralhadoras, onde elogia Cámeira: "Os oficiais deveriam possuir todo o curso da sua arma, ter menos de 30 anos de idade, os subalternos, não sendo admitidos nos grupos sem a respectiva especialização na Escola de metralhadoras pesadas. É êste o espirito dominante no corpo de oficiais que hoje constitue a élite dos grupos de metralhadoras, onde se encontram oficiais da envergadura do major José Martins Cámeira, que faz honra ao exército português e seria um elemento de inestimavel valor em qualquer outro exército europeu. Possue êle, alêm do saber profissional, a experiência da grande guerra e qualidades de comando, que o tornam um oficial prestigioso e lhe dão sobeja autoridade para, em assuntos técnicos emitir a sua opinião que deveria ser religiosamente acatada."
José Martins Cámeira (1878-?). "Militar, natural da Freguesia de Caria (Belmonte), residente em Castelo Branco. Nasceu a 06-10-1878. Era filho do Comendador Vicente Martins Ribeiro e de D. Piedade Pires Cameira Ribeiro. A sua carreira Militar, desde que em 1902 foi nomeado Alferes até que em 1935, já Coronel, foi nomeado Comandante Geral da PSP, foi sempre brilhantíssima. Exerceu professorado em escolas regimentais, tomou parte nas operações de Angola em 1935, no destacamento do Cuanhama como Comandante de Bateria, combatendo na Môngoa, Chana da Môngoa, Cacimbas, etc., bem como no combate de Nigiva, onde entrou com o seu destacamento. [Combateu na Primeira Guerra Mundial integrado nas forças do C.E.P. com o posto de capitão, sendo mais tarde promovido a major. Foi dos primeiros a embarcar para França, em 23.10.1916. Seguiu para o Q. G. do E. M. P. por ter sido colocado no E. M. Depois foi colocado como 2.º comandante de Infantaria 35. Foi comandante do 5.º Grupo de Metralhadoras, assumindo mais tarde o comando do Batalhão de Infantaria 14]. Fez parte do C.E.P. em França, e ali obteve promoções rápidas e comandos de responsabilidade, e combateu os revoltosos monárquicos do Norte em 1919 como comandante das tropas de cobertura junto do Mondego e coluna de operações de Lamego e Régua. Em 1920 foi Comandante da Escola de Metrelhadoras Pesadas e depois Instrutor de 1.º e 2.º grau na ECO. Fez o Curso de Metrelhadoras pesadas em França na “Machine Gun School” inglesa. Sendo Tenente-Coronel fez parte das forças que combateram, em 1931, os revoltosos das Ilhas Adjacentes, tomando parte no combate do Machico. Desempenhou muitas comissões técnicas importantes e constam na sua folha de serviços os mais altos louvores em serviço técnico e em campanha, tendo sido condecorado com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra de França, a Medalha da Vitória e Medalhas Militares de Comportamento Exemplar (Cobre, Prata e Ouro), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército de 1914 e 1915, Medalha Militar de Prata de Valor Militar (com letra C e Palma dourada); Medalha Militar de Bons Serviços (duas de Prata e uma de Ouro com letra C), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército (França 1917 e 1918), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército (Cuanhama, 1915), Cruz de Guerra e “fourvagères”, Cavaleiro da Torre e Espada com palma dourada, Comendador de Cristo, Comendador e depois Grande Oficial da Ordem Militar de Avis, etc."
(Fonte: https://www.facebook.com/1540060162973575/posts/1994210184225235/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Muito raro.
Com significado histórico e militar.
Sem registo na BNP.
Indisponível

02 outubro, 2023

LEITÃO, Amélia -  MANTEIGAS : Roteiro Turístico - SERRA DA ESTRELA : Portugal.
Compilação e recolha:...  [S.l.], Edição da Câmara Municipal de Manteigas e Região de Turismo da Serra da Estrela, [1990?]. In-8.º (21x12 cm) de 26, [2] p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Bonito roteiro de Manteigas, castiça vila portuguesa situada em plena cadeia montanhosa da Serra da Estrela, a mais elevada em Portugal Continental, sendo por isso conhecida como o "Coração da Serra da Estrela". Os textos que compõem o guia são da autoria de Amélia Leitão, Joaquim Martins, José Carvalho, Bruno Tavares e Albino Leitão.
Muito ilustrado ao longo do livro com fotografias a cores de monumentos, edifícios relevantes e aspectos paisagísticos. As páginas centrais compreendem um mapa - também a cores - da região de Manteigas.
"Em pleno coração da Serra da Estrela, a 700 m de altitude, situa-se a Vila de Manteigas.
Conta actualmente com cerca de 5 mil habitantes, distribuídos por 3 freguesias: Santa Maria e São Pedro na sede do Concelho e Sameiro, à distância de 5 km.
Com uma área aproximada de 112 km2, é delimitada pelos Concelhos da Guarda, Covilhã, Gouveia e Seia dos quais dista cerca de 40 km.
Escondida entre as partes mais altas da Serra da Estrela, Manteigas, encontra-se num profundo vale glaciar, por onde corre o rio Zêzere."
(Excerto de Situação geográfica)
"A história de Manteigas perde-se no tempo.
Embora haja boas evidências da sua existência em épocas anteriores à era cristã, o que se sabe de definitivo é que o primeiro foral lhe terá sido concedido por D. Sancho I no ano de 1188.
Datado de 4 de Março de 1514 existe um foral atribuído à Vila de Manteigas por D. Manuel I em que são reconfirmadas as concessões atribuídas por D. Sancho I e doadas outras regalias à população local."
(Excerto de Perspectiva histórica)
Índice:
Situação geográfica | Perspectiva histórica | Acção educativa | Acção social | Animação desportiva | Associações | Actividades económicas | Paisagem | Mapa da região | Passeios de automóvel | Passeios a pé | Locais turísticos | Imóveis de interesse | Centro cívico | Apoios ao campismo | Termalismo | Turismo e gastronomia | Artesanato | Festas e romarias | Informações úteis.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€

01 outubro, 2023

MELO, Ernesto de -
CURIOSIDADES DE PENAFIEL.
O Crime do Champina. Paredes, "Gráfica Paredense", [1926]. In-8.º (19x13 cm) de 40, [10] p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa histórica, baseada em documentos coevos, do horrível assassinato de Albina Caturra, "galante taberneira" de Penafiel, às mãos do seu amante, natural da mesma cidade.
Inclui no final reprodução de: Ofício emanado da Repartição de Justiça, subscrito por Costa Cabral, que em resposta ao ofício do Procurador Régio da Relação do Porto, informa que a rainha D. Maria II nega comutação da pena capital; Ofício subscrito pelo Conselheiro P. da Relação Joaquim José Queiroz, confirmando a Sentença Condenatória e dando pormenores do transporte do preso do Porto para Penafiel e respectiva execução; Certidão de Execução da Sentença.
"É este [livro] a narração sucinta do crime do Champina que ha velhos anos tanto impressionou a população penafidelense pela crueza com que foi praticado, e mais depois pelo seu autor ser condenado a morrer na fôrca, que para isso, e não sei se pela primeira vez, se ergueu no largo das Chans, hoje Praça Municipal.
A ele muito pela rama se referem o dr. Antonio de Sousa Henriques Sêco nas suas Memórias do tempo passado e presente, e o dr. Coriolano de Freitas Beça no seu já citado Penafiel, hontem e hoje, mas, a meu ver, só por informes pessoais.
O crime do Champina é contado ainda agora com um certo sabor de lenda por velhos a novos, que o arquivam na memória como exemplo de infrene malvadez da parte do assassino a correr parelhas com a dos executores da lei, que depois como castigo e com repugnante cinismo lhe arrancaram a vida na fôrca de execrável reminiscencia.
O meu relato, despido de louçanias de linguagem que não sei, é baseado simplesmente no respectivo processo crime, que após varias pesquisas pelos cartorios da comarca consegui encontrar e examinar, nunca deixando no seu decorrer de me cingir á verdade nele comprovada."
(Excerto de Preâmbulando...)
"Albina era uma mocetona de espáduas opulentas, seios túrgidos, os quadris reboludos e bem arqueados, que despertava apetites libidinosos a quantos ela envolvia nos seus olhares bréjeios, que lhe davam ao rôsto moreno e redondo graças embriagadoras. Oriunda do pecado e criminosamente abandonada por uma madrugada álgida de inverno á porta do Bernardo Caturra, morador á rua Direita, este por comiseração a tomou para si de generoso acôrdo com sua mulher, santa criatura que lhe cuidou da amamentação e a agasalhou até á adolescencia, deixando-a depois ir-se ao mister de criada de servir, pois para pouco davam os proventos do casal. [...]
Um dia prêsa de amores por um guapo oficial de sapateiro que melhor lhe soube falar ao coração, deixou-se ela por ele induzir com falazes promessas de casamento, entregando-se-lhe numa hora de alucinação para cêdo amargamente chorar a perda da sua honra ao vêr-se com miseravel ingratidão abandonada. Desde então não voltou a pensar a desgraçada em servir mais nenhum amo, recolhendo de novo e com promessas de emenda a casa de seus pais adoptivos. Mas porque o genio lhe não suportava a inacção e dominada pelo desejo ardente de por esforço proprio viver com certa independencia, resolveu em maré oportuna abrir uma casa de pasto na propria rua onde residia, empregando nela as soldadas que com economia amealhára durante alguns anos de trabalho persistente. Não lhe foi a sorte adversa. A vida começou a correr-lhe menos mal, não lhe escasseando freguêses que de preferencia lhe procuravam a casa. Um dos que com maior assiduidade ali se encontrava, era Manoel Braga, mais conhecido pela antonomásia de Champina, rapaz de 28 anos, rosto comprido, cabelos e olhos castanhos, barba ruiva, ousado e de mau caracter, que então se empregava no oficio de tamanqueiro, á rua do Chafariz."
(Excerto do Cap. I)
Ernesto de Melo (1872-?). "Natural de Penafiel, onde nasceu em 1870, publicou várias obras, sobretudo de contexto histórico, ainda hoje importantes para a História Local. Exemplo disso são publicações
como, “Châmorros e Carcundas: episódios das lutas liberais”, importante documento para quem queira melhor conhecer as contendas entre D. Pedro e D. Miguel e seus respectivos partidários, passando pela destruição de importante património penafidelense, como foi, entre outros, os Conventos de St.º António dos Capuchos que na altura albergava as forças absolutistas (os "Carcundas”), bem como o de S. Bento de Bustelo. Contemporâneo do poeta José Júlio, editou em parceria com este, não só a obra "Caras e Caretas, mas foram igualmente responsáveis pelo jornal “O Tempo”, do qual foi seu director, existindo entre
ambos uma longa amizade."
(Fonte: Galhardo, Adelaide, O papel da literatura para a cultura penafidelense dos séculos XIX a XXI - Comunicação I Seminário Penafiel e Penafidelenses na História, Penafiel, 2016)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas. Capa frontal apresenta carimbos com a palavra "Pago".
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível