19 abril, 2022

GUIMARÃES, Rodolfo - VIDA E DESCENDÊNCIA DE PEDRO NUNES.
Por... Academia das Sciências de Lisboa. Separata do «Boletim da Segunda Classe», Vol. IX
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1915. In-4.º (23 cm) de 22, [2] p. ; E.
1.ª edição independente.
Importante subsídio histórico - biográfico e genealógico - sobre o famoso matemático português, Pedro Nunes (Alcácer do Sal, 1502 - Coimbra, 1578).
"Dada a atenção que me merecem todos os documentos que directa ou indirectamente se referem a Nunes, entendi dever expôr, em artigo, as impressões que me deixaram a leitura do importante trabalho do ilustre director da Torre do Tombo, [António Baião].
Um dos pontos mais controversos, tem sido o ser Nunes de família judáica. Pelo estudo do sr. António Baião prova-se efectivamente que êle descendia de israelitas.
A primeira vez que ouvi que P. Nunes era cristão-novo foi em 1908, em carta que a 26 de outubro dêsse ano o sr. Joaquim Bensaude me escreveu, e da qual transcrevo o trecho seguinte: «Sei que numa obra rara sôbre problemas de matemática publicada na Holanda em 1629 por Joseph del Medigo há uma nota com relação a Pedro Nunes o grande matemático «von Samen der juden». A obra de Medigo é em hebraico; ainda me não foi possível obter cópia desta passagem do livro que diz ser Pedro Nunes «christão-novo».
Confesso ter sido tal afirmação para mim uma surpreza, pois nunca havia lido, nas centenas de autores que se teem ocupado do do Cosmógrafo-mór, que êste fôsse oriundo de israelitas."
(Excerto do texto)
Bonita encadernação moderna em meia de pele com rótulo na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

18 abril, 2022

NUNES, Sousa - O AMOR NO DEGRÊDO : romance.
Por...
Deposito - Livraria Popular de Francisco Franco, 1929. In-8.º (19 cm) de 112 p. ; B.
1.ª edição.
Romance algo exótico, levemente erótico, cuja acção decorre maioritariamente em Angola, durante o período da Ditadura Militar, principia com o embarque de Paulo - o "herói" da trama - em Cascais rumo ao degredo. A história acaba mal.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa de José de Sousa Nunes, datada de 31-12-929, "ao seu ilustre amigo o Cap. Carlos Cordeiro".
"O navio parou nas alturas de Cascais, para meter deportados, na calada a noite, com destino às colónias. Era um acontecimento banal, naquele período de efervescência revolucionária, a que já se não dava importância, mas desta vez, por excepção, uma curiosidade invencível estimulava todos os espírito e não deixava ninguém arredar pé, sem ver chegar certo prêso.
Tratava-se dum chefe algarvio, e quem os jornais se ocupavam vivamente, publicando-lhe fotografias espaventosas e criando-lhe um prestígio romanesco, que era qualquer coisa de considerável para as almas apaixonadas das nossas mulheres portuguesas.
Oficial dos mais distintos nos últimos tempos do democratismo, tanta gente se lembrava dêle em Lisboa, de o verem estadear a sua bela figura de militar cheio de garbo, quer à frente do seu pelotão de cavalaria da Guarda, nos dias solenes de parada, quer numa reünião oficial, o peito constelado de medalhas e cordões, lado a lado do seu Ministro, de quem muitas vezes foi ajudante, ou numa estação de desembarque, à espera dalgum adido militar estrangeiro, no impedimento do mestre de cerimónias legítimo!
Obrigado a residir em Faro, após o advento da ditadura, era detido, tempos depois, em Moncarapacho, sob o pêso duma acusação gravíssima, de que lhe resultou ser julgado sumàriamente, demitido do seu pôsto, privado de todos os seus direitos cívicos e deportado para Luanda, até lhe ser dado melhor destino.
Pouco haverá quem tenha esquecido aquela aterradora conspiração no Algarve, em que se viram envolvidos os mais ilustres e graúdo nomes do Sul, de todos os graus da sociedade, onde entravam generais e superabundavam os doutores e as classes produtoras.
Pois o jovem tenente de cavalaria, Paulo Faisão de Tôrre de Ares, êsse simpático oficial moreno, tão elegante como um  mosqueteiro, que fez durante anos o encanto e delícia das raparigas de Lisboa, foi o chefe dêsse conluio - dizia-se."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente manchadas; pequena falha de papel na lombada.
Raro.
Indisponível

17 abril, 2022

DIAS, Joaquim Augusto Prata - PREPARAÇÃO DO SOLDADO DE INFANTARIA PARA O COMBATE.
Conferência realizada no regimento de infantaria n.º 16, pelo capitão....Secretaria da Guerra : Repartição do Gabinete
. Lisboa - Imprensa Nacional - 1916. In-8.º (22 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Importante alocução dirigida à arma de infantaria, promovida em 1916, numa época em que o conflito bélico alastrava na Europa, no ano em que a Alemanha oficialmente declarou guerra a Portugal, e quando já combatíamos esse oponente em África.
Opúsculo com interesse histórico, estratégico e militar, muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
 "Tu. F. ..., hoje soldado do regimento de infantaria n.º... contraíste o dever solene de defender a Pátria e a República contra os seus inimigos externos e internos. Perante a tua consciência e sôbre a bandeira gloriosa juraste fidelidade e obediência; tens de respeitar por toda a vida êsse juramento. O teu sangue, até a última gota, pertence à Pátria."
(Excerto de 1.º - Dever)
"No decorrer das batalhas, quando, mortos os chefes, a direcção do fogo sofra perturbações ou falhas, cabe aos homens mais decididos e corajosos assumi-la quanto possível, e, arrogando-se o papel de chefes, impulsionar os mais pelo exemplo, encaminhando-os até ao objectivo final, a Vitória.
Considera como um dever fazer por pertencer ao número dêsses bravos. Será honroso para ti, e também para o teu regimento, desempenhares entre os camaradas as funções de chefe."
(Excerto de 12.º - Fogo não comandado)
Matérias:
1.º - Dever. 2.º - Batalha. 3.º - Cuidados a ter com a espingarda, em campanha. 4.º - Munições. 5.º - Posição de tiro. 6.º - Avaliação de distâncias. 7.º - Maneira por que devemos instalar-nos na posição. 8.º - Descobrir, reconhecer e descrever objectivos. 9.º - Ponto a visar, repartição do fogo e correcção da pontaria. 10.º - Espécie de fogo. 11.º - Disciplina de fogo. 12.º - Fogo não comandado. 13.º - Condições do terreno. 14.º - Utilização do terreno em combate: I. Utilização do terreno para posição de fogo: 1.º Alturas; 2.º. Parapeitos e trincheiras; 3.º Matas, bosques, etc.; 4.º. Muros. II. Utilização do terreno para alcançarmos nova posição mais avançada. 15.º - Combate. 16.º - Ataque. 17.º - Ataque a uma posição fortificada. 18.º - Perseguição. 19.º - Defesa. 20.º - Final.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga de humidade transversal a todo o livro.
Raro.
Peça de colecção WW1.
Indisponível

16 abril, 2022

SARMENTO, José - A CONFISSÃO DE CAROLINA
(romance)
. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1899. In-8.º (16 cm) de 187, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Belíssima capa de Condeixa. [Ernesto Condeixa, pintor naturalista (Lisboa, 1858-1933)].
Obra curiosa, composta por um romance e quatro pequenas novelas, cuja acção ocorre em França. A história principal, que dá o título ao livro, versa sobre os encontros e desencontros do amor, em que o ciúme, a traição e o despeito conduzem a um final trágico - bem ao gosto de certa franja literária da época, cultores do romantismo tardio.
Nada foi possível apurar acerca de José Sarmento; a BNP menciona a obra, mas pouco mais: não atribui autoria, limitando-se a um lacónico "em processamento".
"Pelas dez horas da manhã, a sr.ª d'Armaillac que acabava de acordar, chamou a sua creada de quarto.
Esta, segundo o su costume, trouxe n'uma bandeja os jornaes da manhã e uma chavena de chocolate.
- Diga-me, Maria, viu Joanna esta manhã?
- Não, minha senhora.
- Vá dizer-lhe que sahiremos antes do almoço.
- Não sei se a menina sahiu; parece-me que foi á missa das oito.
E a menina Maria murmurou entre dentes:
- Primeiro a salvação da alma!
- Vá já vêr se a minha filha está no quarto.
Ha pessoas que teem o presentimento das catastrophes. A sr.ª d'Armaillac não possuia o dom da dupla vista, vivia descuidosa, sem pensar no dia seguinte. A condessa não mandava chamar a filha senão para lhe fallar no seu vestido de noiva.
A menina Maria voltou dizendo que a menina d'Armaillac não estava no quarto. Não se tinha dado ao trabalho de lá ir, porque sabia bem que Joanna não tinha ainda recolhido.
A sr.ª d'Armaillac, fallando consigo mesma, disse que afinal de contas era tempo de casar aquella grande madrugadora."
(Excerto de A confissão de Carolina - Primeira Parte: As duas amantes - I. O acordar de uma mãe)
Novelas:
A confissão de Carolina. | A inundação. | A morte de Olivier Bécaille. |  Madame Neigeon. | Jacques Damour.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a (bonita) capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

14 abril, 2022

HOMENAGEM A ALMEIDA GARRETT. Pelos escritores da Tertúlia "Rio de Prata".
[Coordenador: Ulisses Duarte]. Lisboa, Universitária Editora, 1999. In-8.º (21 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos (27) de vários autores - em prosa e verso - de homenagem ao vate português.
"João Baptista da Silva Leitão nasceu no Porto em 1799 no seio de uma família burguesa. Sua mãe pertencia à "burguesia brasileira". A família materna, de fracos recursos económicos, fora para o Brasil e aí tinha feito fortuna; pelo lado do pai, funcionário superior da Alfândega, com propriedades na Ilha Terceira e três irmãos eclesiásticos duma boa cultura, saía duma burguesia letrada.
O apelido Garrett foi adoptado por ele e vinha duma ascendente paterna, de origem irlandesa, que dizia-se, tinha vindo para Portugal no séquito duma princesa.
A família embarcou para as propriedades açorianas aquando das Invasões Francesas, e foi o tio, Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Angra, que com a sua erudição iniciou João Baptista nos estudos A família destinava-o à carreira eclesiástica mas ele preferiu cursar Direito e matriculou-se em Coimbra."
Com o saber arcádico aprendido com o tio, e as ideias liberais político-religiosas bebidas em Coimbra, começou a escrever tragédias, odes, soneto e outras composições. Já adoptara o apelido Garrett e começou a ser notado pelo seu entusiasmo pelas ideias liberais, pelos discursos e poemas."
(Excerto de Almeida Garrett, Político e Homem de Letras - Armanda Veríssimo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico e biográfico.
10€

13 abril, 2022

TORRES, Eng. Carlos Manitto - O TRANSPORTE TRANSITÁRIO ATRAVÉS DO TEMPO. Lisboa, Edição da Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1942. In-8.º (20 cm) de 22, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Separata do n.º 1297 da Gazeta dos Caminhos de Ferro, de 1 de Janeiro de 1942.
Curioso trabalho histórico sobre os Caminhos de Ferro, transporte ao serviço de pessoas e bens, meio de ligação entre os povos.
Livro valorizado pela extensa dedicatória autógrafa do autor datada de 1942.
"Nenhum teatro mais qualificado do que o Egipto para observar a evolução típica do transporte através das idades. [...]
As resumidas ideias que seguem dar-nos-ão apenas uma mancha esquemática de tão pitoresca evolução, no meio ubérrimo de tradição e mistério em que a nobre indústria de transportar assumiu - para o mundo inteiro - significação mais alta e definitiva!
A função do transporte é coéva das primeiras idades e tão antiga como o homem."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. | Período faraónico. | Período greco-romano. | Período arábico. | Período europeu. | Período ferroviário.
Encadernação em percalina, com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas cansadas, com pequena falha do revestimento na lombada.
Raro. 
Com interesse histórico e bibliográfico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

12 abril, 2022

PALMA-FERREIRA, João - ACADEMIAS LITERÁRIAS DOS SÉCULOS XVII E XVIII.
Ministério da Cultura e Coordenação Científica : Secretaria de Estado da Cultura
. Lisboa, Biblioteca Nacional, 1982. In-4.º (23,5 cm) de 60, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio histórico sobre o academismo.
"A notícia acerca das primitivas Academias, intimamente ligas ao passado remoto e mítico, estão amplamente divulgadas.
A palavra «academia» é muito velha. Deriva de Ekademos ou Akademos, o homem que revelou aos perseguidores de Helena e de Teseu o local onde a heroína se escondia, um jardim das cercanias de Atenas que Akademos legou ao povo. [...]
"Mais modernamente passou a entender-se por Academia uma instituição que não se destina ao ensino sistematizado de todas as ciências, mas apenas de uma ou de várias ou que - o que é mais comum - se aplica a estudos artísticos. Na essência, porém, as Academias como tal tradicionalizadas continuam a ser autênticas sociedades de erudição, regidas por estatutos próprios, tendo como modelo mais recente a Academia Francesa. A sua intervenção cultural, notável em finais do século XVIII e no século XIX, tem sofrido as consequências naturais do envelhecimento das instituições e do desgaste da reacção antiacadémica que começa fazer sentir-se a partir das últimas décadas do século XIX.
Não convém esquecer que o próprio associativismo (que em Portugal floresceu depois de 1860) timbrou de um cariz social específico as Academias fundadas a partir dos últimos decénios de Oitocentos, muito distintas já das suas congéneres dos séculos XVII e XVIII e com as quais, aliás, têm poucas afinidades; algumas dessas últimas Academias, instituições de compromisso das novas tendências associativas e das velhas motivações académicas, receberam, em muitos casos, o nomes significativos de associações e sociedades, num caso e noutro respondendo as graus diferentes de exclusividade e vocação e interesses, de objectivos científicos ou meramente sociais, repetindo, na prática, conceitos em voga noutros sectores, muito distintos, de convívio e de preocupações."
(Excerto do preâmbulo - Nota prévia)
Índice:
Nota prévia. | O academismo no século XVII. Aspectos gerais. II - No século XVII: Academia dos Singulares de Lisboa; Academia dos Generosos; Academia Instantânea; Academia dos Únicos; Academia dos Estudiosos. III - No século XVIII: Academia dos Ocultos; Academia dos Anónimos; Academia dos Ilustrados; Academia Problemática; Academia dos Aplicados; Academia dos Unidos de Torre de Moncorvo; Academia Vimaranense; Academia dos Escolhidos; Outras Academia; Arcádia Lusitana ou Olissiponense;A Nova Arcádia. IV - Academias eclesiásticas: Academia Eborense; Academia Conimbricense; Academia Bracarense ou dos Engenhosos Bracarenses; Academia do Núncio; Outras Academias eclesiásticas. V - Paródias académicas: Academias dos Sovelantes e dos Fleumáticos. VI - As Academias no Brasil: Academia Brasílica dos Esquecidos; Academia Brasílica dos Renascidos; Outras Academias brasileiras. | Alguns textos exemplificativos: António Serrão de Castro; Bartolomeu de Faria; Francisco Lopes Sueiro; Sebastião da Fonseca e Paiva; André Leitão de Faria; António de Brito e Oliveira; Vicente da Silva; Pedro José da Silva Botelho; Joaquim Bernardes de Santa Ana; Pedro António Correia Garção; Lourenço Botelho Soto Maior; José do Couto Pestana. | Bibliografia seleccionada.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e literário.
25€

11 abril, 2022

RIBEIRO, Joaquim Pedro Victorino - SOCCORROS DE URGENCIA (breves notas)
. Porto, Imprensa Nacional, 1910. In-8.º (22,5 cm) de 74 p. ; B.
1.ª edição.
Dissertação inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Importante contributo para a história dos cuidados de saúde relacionados com a estabilização e prestação de primeiros socorros levados a cabo em situações de emergência no exterior dos hospitais, cujos procedimentos se mantêm actuais ainda hoje.
"No Porto, em 1910, Pedro Vitorino Ribeiro, com uma brilhante tese intitulada Socorros de Urgência (Breves Notas) apresentada à Faculdade de Medicina do Porto opina esclarecidamente acerca da Urgência extra-hospitalar. [...]
Como outros hospitais em Portugal o Hospital Geral de Santo António sempre se viu envolvido em acções de Urgência Extra-hospitalar. Como Hospital Universitário foi escola de muitos clínicos e proeminentes figuras, de entre eles o Dr. Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro, que apresentou a sua dissertação em 1910 denominada «Socorros de Urgência (Breves Notas)» onde relatou a necessidade e as vantagens da organização dos serviços de cuidados de emergência. (Bandeira 1995): «Apresentada como dissertação inaugural à Faculdade de Medicina do Porto em 1910, a doutrina nela expendida é duma actualidade marcante. Constituída por 58 páginas de texto, logo nas palavras prévias o autor escreveu: «O desastre sucedido num diário desta cidade, onde em um aluimento foram arrastadas dezenas de pessoas da altura de um andar. Contaram-se numerosos feridos e dez mortos. Acorreram prestes os bombeiros, libertando os desventurados do pavoroso amontoado em que jaziam. Sucessivamente iam sendo transportados em macas para o hospital os que não podiam caminhar por seu pé. Ferimentos, asphixias, fracturas, tudo foi, se bem que mal, a caminho da misericórdia, numa extensa caravana desoladora. Eis a questão. Se houvesse um serviço de socorro organizado, com pessoal idóneo, médicos e auxiliares, uma selecção teria sido feita no momento, e não haveria por certo a registar um número tão elevado de mortos. Aventarei mesmo que todos escapariam... algumas das vitimas, as sufocadas por asphixia, deveriam ser socorridas imediatamente nas casas próximas.
Matou-as a longa caminhada para o hospital. As conclusões das autópsias o confirmam: das dez vitimas, nove morreram devido a asphixia por sufocação e uma pela hemorragia proveniente dos ferimentos.»
E mais adiante «Proclamar, pois, as sumas vantagens da organização dos socorros médicos nos sinistros, do estabelecimento de postos nas margens, fluviaes e marítimas, e da vulgarização dos socorros de urgência, taes são os intentos déste desprendido tentamen que a lei determinou, mas que a razão dos factos concebeu, embora precipitadamente, atabalhoadamente...»
O I Capítulo intitula-se «Necessidade e vantagens do serviço de pronto socorro. Sua organização em diversos países» do qual se extracta:
«Contudo, no sentido de socorros de urgência, nenhuma tentativa séria foi ainda feita. Os estabelecimentos hospitalares que tentam suprir esta falta são, sob tal ponto de vista, o que todos sabem – insuficientes. A ineficácia da sua acção resulta simplesmente de ser - demasiado tardia. Tal sucede aqui, no Hospital de Santo António. Único oásis no meio de um enorme deserto, muitas vezes a sua Iympha nem chega a humedecer os lábios d’aqueles que o demandam. O último sopro de vida extinguiu-se no caminho. Concretizemos. Afoga-se uma criatura no Douro, e por qualquer meio é agarrada e conduzida a terra. Que é uso fazer-se em tal conjectura? Apitar, para acudir a polícia que manda buscar uma maca à esquadra mais próxima e faz transportar, com uma duvidosa ligeireza, o desventurado para o Hospital da Misericórdia."
(Fonte: file:///C:/Users/aassm/AppData/Local/Temp/Miguel%20Bombarda%20e%20Singularidades%20de%20Uma%20%C3%89poca%20(2006)%20Bandeira,%20Teiga,%20Gandra,%20Pereira-Pinto.pdf)
"Dada a importancia que hoje vêm merecendo, nos diversos paizes, os serviços de primeiro soccorro, já com organisação propria, já mesmo individuaes, affigura-se-me de vantagem, visto taes serviços serem entre nós em extremo precararios, tomal-os para assumpto da obrigada prova final. [...]
Entre nós taes soccorros seriam de proveitosos effeitos, quer na margem ribeirinha e maritima, quer no seio da população. Em uma e outra parte ha, por fortuna, sempre a contar com individuos prestimosos que encaram o risco para valer a uma vida. Mas bem bastas vezes o esforço resulta inutil, por não ser racionalmente completado. E como deverá ser cruel e doloroso para o dedicado salvador vêr perdido o seu denodo e baldado o seu sacrificio! O ente desfallecido e inane que tanto lhe custou a arrancar ao perigo, umas vezes em fragil casca de noz ou em pleno elemento defrontando o arremetter das vagas, outras vezes em debil escada mordido pelas labaredas, não mais accordou do somno profundo em que cahira. É que o acto de generosidade fôra incompleto."
(Excerto de Palavras prévias)
"Na epocha presente, de vida activa e laboriosa, onde os serviços de assistencia social são por demais necessarios, assignalam-se como dos não menos importantes aquelles que visam soccorro rapido e efficaz. Augmentadas as causas do perigo, pelo uso assombroso do vapor e da electricidade, nas industrias e nos transportes, devia consequentemente crescer o numero dos accidentes. D'ahi a necessidade de um socorro prompto, em harmonia com as exigencias imperiosas do viver moderno."
(Excerto do Cap. I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro)
Matérias:
Escola Medico-Cirurgica do Porto : Corpo Docente. | [Dedicatórias]. | Palavras prévias. | I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro. Sua organisação em diversos paizes. II - A asphyxia: considerações geraes. - Asphyxia toxica pelo oxydo de carbono. - Asphyxia por suffocação. - Asphyxia por submersão. III - Tratamento das asphyxias; processos antigos e modernos. | Breves instrucções para soccorro em caso de morte aparente. | Proposições.
Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro (1882-1944). "Era o mais velho dos três filhos do pintor e coleccionador Joaquim Vitorino Ribeiro. Frequentou a Academia Politécnica do Porto (1902-1905). Deste estabelecimento de ensino transitou para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde, em 1919, concluiu o curso de Medicina com a defesa da tese "Socorros de urgência - Breves Notas". De seguida, partiu para Paris, onde se especializou em Radiologia. Regressou ao Porto em 1911. Em 1919, foi nomeado clínico auxiliar da Santa Casa da Misericórdia e chefe do Laboratório de Radiologia e Fotografia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, desde 1913, exercia as funções de chefe do Gabinete de Fotografia e Electroterapia. Em paralelo com a formação académica e a carreira médica, desenvolveu muitas outras actividades humanitárias e culturais. Foi militar (voluntário de Infantaria em 1901, alferes em 1911, tenente-médico em 1915 e capitão em 1918), tendo chegado a participar na I Guerra Mundial, pois integrou como capitão-médico miliciano o Corpo Expedicionário Português que partiu para Paris em Abril de 1918. Participou em jornadas arqueológicas e artísticas pelo país, desenhando, pintando e tirando fotografias."
(Fonte: https://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/documents/300191/?)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interessehistórico.
Peça de colecção.
65€

10 abril, 2022

BOMBARDA, Dr. Miguel - LICÇÕES DE PSYCHIATRIA : livro postumo, ornado de interessantes fotografias
. Lisboa, Editor e Proprietario : Empreza de Publicações Populares, 1916. In-8.º (22,5 cm) de 114, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apontamentos coligidos pelo autor sobre epilepsia, loucura e demência em geral, valorizados pelo pormenor da descrição de inúmeros casos por si diagnosticados - pacientes internados, com rosto, identificados pelo nome de baptismo.
Livro profusamente ilustrado no texto com fotografias de casos estudados pelo eminente Professor.
"É notavel ver como dos erros da sciencia mais tarde surgem ilucidações que nos põem a caminho da verdade a mais positiva. N'este seculo a concepção das doenças, segundo Raspail, a concepção perfeitamente imaginaria de todos os estados patologicos serem devidos á invasão do organismo pelos vermes, foi predecessora da moderna patologia despida, porem, dos erros Raspailianos. A doutrina microbiana não teve outra origem; os trabalhos de Pasteur, tão exactos que se poderiam em boa rasão chamar mathematicos, não tiveram outra aurora. E de esteio tão falso, de theoria tão phantastica surge a moderna pathologia, tão brilhante pela analyse dos seus factos, como prodiga em conclusões de alto valôr.
Alguma cousa de semelhante se passou na doença que hoje passamos a estudar.
Durante seculos a epilepsia consistiu apenas no ictus, a fulguração, o ataque convulsivo. Um individuo começa por sentir uma dôr, dá um grito, immediatamente cahe pesadamente como um boi depois de picado pela choupa, fica hirto, inteiriçado, em seguida largos gestos, relaxamento dos sphinters, e por ultimo levanta-se, readquirindo mais ou menos lentamente a consciencia."
(Excerto de I - Epilepsia - O ictus não caracterisa a epilepsia)
"A doença que vamos estudar é uma transição entre as doenças da clinica commum e as da clinica psychiatrica.
Na primeira os quadros  morbidos são da mais completa fixdez na etiologia, na marcha e no tratamento: parecem formar uma sobreposição ao normal e a doença constitue como que um accidente da vida do individuo. As causas são bem determinadas, trata-se por exemplo d'uma doença infecciosa: pelo seu lado a terminação é perfeita.
Em pathologia mental ha uma fusão entre o quadro morbido e o individuo; não ha aquella nitidez, aquelle rigor.
Não ha causas determinadas, occasionaes, mas a etiologia da forma morbida acha-se confundida com a vida do doente mesmo ab-ovo: outras vezes até na ascendencia, o pae é um alcoolico, um epileptico, o que importa para o filho terreno e doença, arvore e fructo. Se o individuo nasce são e sem táras, uma doença infecciosa deixa o organismo epauperado, e produz phenomenos, cujo resultado é uma alienação. Verdade é que a doença não vae implantar-se, mas já está no individuo. Não ha, pois, uma cousa de sobreposto, como na clinica commum. Um acesso eplileptico não é accidente no epileptico.
A confusão mental primitiva estabelece a ligação das duas clinicas, porque sendo uma doença mental, tem etiologia nitida, - um traumatismo, um choque psychico, uma doença infecciosa, - e uma terminação definida, deixando o doente são.
É uma doença accidental, estranha á individialidade. É por todas estas razões que escolhi esta psychonevrose para com ella encetar o estudo da psychiatria especial."
(Excerto de II - Confusão mental primitiva)
"Iniciámos o curso de psychiatria com o estudo de confusão mental, affecção de marcha aguda com que estabelecemos o laço entre as doenças de clinica commum e as phrenopathias.
Effectivamente á demencia primitiva apenas falta a anatomia pathologica para ser perfeitamente analoga a qualquer doença aguda da da clinica ordinaria.
Hoje vamos começar o estudo da paralysia geral, ou demencia paralytica com symptomas constantes, e analoga ás doenças chronicas da clinica commum. [...]
É, pois, doença de recente descripção, sendo outr'ora rara, hoje vae-se tornando mais frequente, sendo até considerada por muitos psychiatras como doença da civilisação."
(Excerto de III - Paralysia geral)
Matérias:
I - Epilepsia. II - Confusão mental primitiva. III - Paralysia geral.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
45€

08 abril, 2022

BRASIL, Jaime - O JAPÃO ACTUAL
. Lisboa, Editorial Cosmos, 1936. In-8.º (18 cm) de 47, [1] p. ; [4] p. il. ; B. Col. Cadernos de Cultura, N.º 1
1.ª edição.
Retrato do Japão pouco antes do início do conflito sino-japonês e da Segunda Guerra Mundial - estudo premonitório do que se seguiria, tanto relativamente ao sonho imperialista nipónico, como o "remédio" para pôr fim a essa ambição.
Livro ilustrado com 4 estampas: O Imperador Hirohito; Treino de armas da mocidade; Toyama, chefe da seita nacionalista "Dragão Negro"; O General Sadao Araki, incarnação do espírito militarista do Japão.
"Para fazer uma ideia, ainda que, apenas, aproximada, do Japão actual, é preciso lnçar uma vista de olhos pelo passado. As condições de vida, nesse país, determinam a psicologia dos seus habitantes, os quais passaram, em menos de cem anos, do estado a que o Ocidente chama bárbaro, para o duma completa civilização industrial, superior, sob muitos aspectos, á dos povos europeus e americanos. No entanto, grande parte do povo e, sobretudo, as classes dirigentes do Japão conservam uma mentalidade peculiar, difícil de ser compreendida pelos ocidentais. Essa mentalidade, que faz do patriotismo uma religião, tornou possível o rápido progresso dêsse país, o qual é, hoje, uma permanente ameaça para todo o mundo, dada a sua necessidade de expansão e o ardor e firmeza postos em levar a cabo esta."
(Excerto do Cap. 1 - Vista de olhos pelo passado)
Matérias: 1 - Vista de olhos pelo passado. 2 - A revolução operada na era "Meiji". 3 - O período do feudalismo económico. 4 - O plano da expansão nipónica não é só panasiático. 5 - O sistema da colonização com "intermediário". 6 - O choque das forças políticas em presença.
Artur Jaime Brasil Luquet Neto (Angra do Heroísmo, 1896 - Lisboa, 1966). "Jaime Brasil nasceu nos Açores; veio estudar para Coimbra em 1909 com Adriano Botelho e outros, seguindo depois para a Escola de Guerra e entrando na carreira de oficial do Exército. Afastando-se dela com a patente de tenente, enveredou cedo pela profissão de jornalista, que desempenhou por toda a vida, vindo a ser chefe da delegação em Lisboa do diário “O Primeiro de Janeiro”, sucedendo a Pinto Quartim, nos anos 50. Em 1932-33 publicou vários livros sobre a questão sexual, liberdade afectiva e controlo dos nascimentos, que lhe valeram polémicas com os católicos e o exílio em França e Espanha. Durante a guerra civil neste país, advogou uma frente única antifascista. Foi preso em 1940, no seu regresso a Portugal. No final desta década foi à Palestina e publicou o livro Shalom, Shalom."
(Fonte: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=427)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Com interesse histórico.
Muito invulgar.
25€

07 abril, 2022

PÉGAS, Belmiro - OS INCONVENIENTES DO ESPARTILHO.
Dissertação apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto
. Porto, Officinas de Impressão, Estereotypia e Photogravura da Typographia Central, 1903. In-8.º (22,5 cm) de 95, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre o uso do espartilho e os seus inconvenientes para a saúde feminina.
Livro ilustrado com desenhos esquemáticos no texto.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Á Micas (dos Tintureiros) com um grande chi do coração e um bom chôcho.".
"Sim é na sociedade hodierna onde a moda avassala tudo, fugindo aos preceitos de uma boa hygiene, que vamos buscar o assumpto de que carecemos para escrever algumas paginas a titulo de bons conselhos para as mulheres que se sujeitam por sua propria vontade aos inconvenientes de um mau espartilho, tal como o que usa hoje a grande maioria d'ellas.
Já ha muito que vendo essas cinturas de vespa das elegantes do nosso tempo, de semblante anemiado, perguntamos á custa de que sacrificios conseguem aquelle excesso de contricção? [...]
É triste vêr o aspecto que nos apresentam essas jovens que por agi passeiam mettidas no seu espartilho muito apertado: o tronco muito direito, movendo-se no seu conjuncto sobre as articulações coxo-femuraes, em lugar de ter aquella flexibilidade propria da columna vertebral principalmente ao nivel da região lombar.
Quando sóbem um passeio póde-se bem notar a maneira como o fazem... e se teem a infelicidade de deixarem cahir ao chão um objecto qualquer? Então deixam-nos bem patente o verdadeiro supplicio em que andam mettidas.
Imaginaes que para o levantar se curvam deante do objecto cahido, como faz outra qualquer mulher, que não traga espartilho, pela flexão do tronco sobre os membros inferiores? Não; abaixam-se pela flexão das coixas sobre as pernas, estendendo o braço para apanhar o objecto, de maneira que o tronco não se desvie da posição vertical a que está sujeito por este terrivel compressor. [...]
Ainda não vão passados muitos dias que ouvimos da bocca de uma senhora que se dirigia a amigas: Ah! já não posso respirar!
E realmente vimos que assim devia ser, pois que ella estava altamente comprimida no seu espartilho.
Mas além d'esse prejuizo que á respiração acarreta o espartilho, teremos occasião de vêr o grande numero de doenças de que elle é causa quando usado muito apertado ou quando elle já de si é mau. [...]
É de esperar, porém, que a mulher que deseja a sua emancipação e que participa já dos exercicios physicos dos homens, nos differentes generos de sports, se vá a pouco e pouco libertando do terrivel obstaculo que impede a realisação do seu ideal e que dentro em breve ella lance para longe de si, d'uma vez para sempre esse engenho de supplicio. [...] Libertada, pois, a mulher, pelos sabios conselhos da hygiene, d'esse elemento d'atrophya, poderá então aspirar a uma vida melhor, o livre desenvolvimento desde a sua tenra idade tornal-a-ha forte para a procreação, porque, como diz Fonsagrives: «Educar uma menina é formar uma mãe.»
Faremos, pois, a respeito do espartilho um pequeno resumo historico, encarando-o depois sob o ponto de vista physiologico e hygienico, terminando, por umas conclusões resumidas do nosso trabalho."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias: Historia e opiniões ácerca do espartilho. |  Deformações produzidas pelo espartilho no esqueleto do tronco e nos musculos. | Apparelho respiratorio. | Apparelho circulatorio. | Apparelho digestivo. Estomago. | Intestinos, constipação, enteroptose. | Figado. | Apparelho genito-urinario. Rim. | Utero e seus annexos. | Hernias umbilicaes e eventrações. | Conclusões. | Proposições.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil com defeitos. Sem capas. Deve ser encadernado.
Por erro de composição tipográfica, o texto tem início na página 21, quando na realidade, começa na página 12.ª.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
30€

06 abril, 2022

MARKL, Dagoberto L. - XEQUE-MATE NO ESTORIL. A morte de Alexandre Alekhine. Porto, Campo das Letras, 2001. In-8.º (21cm) de 238, [2] p. ; [8] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante relato dos últimos dias de vida de Alexandre Alekhine.
Grande figura do xadrez mundial, personagem algo polémica, este russo naturalizado francês viria a falecer em circunstâncias misteriosas num hotel do Estoril, em Portugal, enquanto se preparava para o match de defesa do título mundial contra Botvinnik.
Livro ilustrado com fotografias a p.b., onde se destaca 'Alekhine morto, no quarto do Hotel do Parque, no Estoril', e com diversos fac-símiles, incluindo o registo de óbito do Mestre.
"Abordar a figura de Alexandre Alekhine é uma tarefa complexa, se tivermos em conta a sua personalidade contraditória e a aura de mito e lenda que a envolveu. Qualquer dos seus principais biógrafos - Kotov, Pawelczac, Pablo Morán e Dimitrje Bjelica - comete erros e omissões, em virtude de se debruçar sobre o campeão sempre no intento de fazer o seu panegírico. Esta atitude faz com que se perca a necessária objectividade ao traçar a biografia do grande mestre russo-francês. [...]
Se passarmos à investigação dos testemunhos documentais que, eventualmente, possam existir entre nós relacionados com a estadia e a morte de Alekhine em Portugal, cria-se uma verdadeira cortina de fumo que dificulta o trabalho do investigador.
A dificuldade na abordagem das instituições onde deve existir documentação essencial para um estudo sério é, talvez, o maior dos obstáculos. Referimo-nos, em especial, aos arquivos da PIDE-DGS, Instituto de Medicina Legal e à biblioteca, já muito desfalcada, do primeiro campeão nacional Dr. António Maria Pires, que se encontra, por catalogar, no Ateneu Comercial de Lisboa. [...]
Todos estes factos conduziram a que o nosso trabalho, primeiro livro no qual nos limitamos a abrir - ou reabrir - o Processo Alekhine, mais não seja que um levantar de dúvidas, procurando, em alguns casos, apresentar uma ou mais soluções possíveis para a melhor compreensão da personalidade de Alekhine e dos acontecimentos dramáticos ocorridos no final da sua vida, em especial no seu trágico fim, num quarto do Hotel do Parque, na noite de 23 para 24 de Março de 1946.
Foi, precisamente, a sua misteriosa morte que nos levou a esta pesquisa.
Para o entendimento deste trágico desenlace há, porém, que ter em conta uma série de acontecimentos que marcaram a vida de Alekhine a partir do começo da II Guerra Mundial, em Setembro de 1939.
Entendemos que, de algum modo, valorizaríamos este trabalho incluindo, em apêndice, os célebres artigos anti-semitas que Alekhine alegadamente publicou, em 1941, no Pariser Zeitung, jornal alemão editado em Paris durante os anos negros da ocupação da capital francesa. Nenhum deles, foi ainda, publicado em português."
(Excerto da introdução)
Dagoberto Markl (1939-2010). "Historiador, museólogo, escritor, jornalista e dirigente associativo. Membro do Partido Comunista Português, estava organizado na célula do Património do Sector Intelectual de Lisboa. Nascido a 27 de Junho de 1939, Dagoberto Markl era Historiador de Arte e membro da Academia Nacional de Belas Artes. Autor de muitos trabalhos de investigação, colaborou nas mais recentes publicações de História e História de Arte, sendo um dos colaboradores do Dictiomary of Art, publicado em Londres. Em 1984 foi distinguido com o Prémio José de Figueiredo da Academia Nacional de Belas Artes, e em 1989 faz no Centro de Trabalho Vitória uma comunicação sobre as fontes iconográficas da obra de Gil Vicente, destaca a DORL. Colaborou assiduamente com o jornal O Diário, e com as revistas Vértice O Militante. Apaixonado pelo Xadrez, Daboberto Markl foi, para além de praticante daquela modalidade e dirigente do Grupo de Xadrez Alekhine, responsável pela publicação de várias obras sobre a matéria, impulsionador em Portugal do Dia Mundial do Xadrez e o dinamizador da Comissão de História da Federação Portuguesa de Xadrez."
(Fonte: www.avante.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
Indisponível

05 abril, 2022

REGIMENTO // DO // TERREIRO // DA // CIDADE DE LISBOA // No Anno de 1779. // LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAPHICA. // ANNO DE MDCCLXXIX. In-4.º (27 cm) de 50, [2] p.
Alvará de Regimento. Estabelece novas regras para a "boa Administração, e Arrecadação do Terreiro, em beneficio do Público, do Commercio, e da Agricultura, fazendo cessar quaesquer outras".
1.ª edição.
"EU
A RAINHA. Faço saber aos que este Alvará de Regimento virem: Que tendo consideração ao muito que será util ao Público o estabelecimento de huma Administração fixa, e permanente para o bom governo, e economia do Terreiro da Cidade de Lisboa, que suposto tivesse o seu principio ha mais de tres seculos, se acha com tudo hoje inteiramente mudado, tanto na forma do seu edificio, como no methodo, com que he governado: E constando-me pelo Inspector Geral, que ultimamente para elle nomeei, que a experiencia tem mostrado o ser muito conveniente executarem-se as providencias, de que particularmente o encarreguei; e sendo por elle informada da grande utilidade, que póde resultar da observância dellas: Sou servida ordenar se cumprão, observem, e guardem todas as Disposições, que se compreendem neste Regimento, assim a respeito de cada hum dos Lugares, Officios, de que constão os Titulo e Capitulos, que lhe dizem respeito, como de todos os generos, que pelo mesmo Regimento devem entrar, e sahir do dito Terreiro: Pelo que annullo, como se nunca tivessem existido, quaesquer Regimentos, Alvarás, Decretos, e Provisões, que se tenhão expedido desde a erecção do referido Terreiro, em tudo o que se oppuzerem ao que por este novo Regimento Dettermino pela maneira abaixo declarada.
TITULO I.
Das pessoas empregadas da Administração do Terreiro; e qual seja a sua jurisdicção, e obrigações em geral. (§. - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X e XI)
TITULO II.
Das entradas, que devem dar na Meza do Terreiro todos os generos a elle pertencentes; sua formalidade, seus emolumentos, e penas, em que incorrem os que faltarem a ellas. (§. - I, II, III e IV)
TITULO III.
Das medições dos generos do Terreiro; Companhias, a quem pertence o trabalho dellas; preço que dever receber por este trabalho; e penas, em que incorrem os que as não fizerem pelo modo devido. (§. - I, II, III e IV)
TITULO IV.
Das providencias para se evitarem as desordens das medições, e pessimo alojamento dos géneros, que vindo para o Terreiro, são depositados nos armazens situados nas margens das Ribeiras do Sado, do Téjo, e do Guadiana. (§. - I, II, III, IV e V)
TITULO V.
Das descargas dos géneros do Terreiro; Companhias a que pertence o carreto dos mesmos generos; preço dos ditos carretos; e penas com que se devem cohibir as desordens das referidas Companhias, ou de outras, que com as ditas descargas se intromettão. (§. - I, II, III e IV)
TITULO VI.
Dos generos obrigados a irem ao Terreiro: dos exceptuados desta obrgação: dos que podem isentar-se della com licença: da formalidade dessas licenças: das Relações, que no fim do mez devem apresentar aos donos dos mesmos generos: e das penas, em que incorrem os que contravierem o que neste Titulo se dispõe. (§. - I, II, III, IV, V e VI)
TITULO VII.
Da introducção dos generos no Terreiro: Companhia, a quem pertence o carreto dos mesmos generos; preço dos ditos carretos; e penas com que se devem cohibir as desordens da dita Companhia, ou de outras, que com a sobredita introducção se intromettão. (§. - I, II, III e IV)
TITULO VIII.
Dos exames a que se deve proceder nas farinhas, que vem de fóra do Reino, antes que se introduzão no Celleiro para a sua venda destinado: diversas providencias a respeito dellas: e penas dos que faltarem a observar as ditas providencias. (§. - I, II, III e IV)
TITULO IX.
Da venda dos géneros no Terreiro, e sua formalidade: das medidas, de que se deve usar: das liberdades, que competem aos donos dos generos expostos á venda: e ordens que podem passar: dos Celleiros estabelecidos nos suburbios da Cidade: e lojas de farinhas da terra. (§. - I, II, III, IV, V e VI)
TITULO X.
Da sahida dos generos do Terreiro, e Companhia a que pertence: do modo, por que os Vendedores devem dar conta dessa sahida na Contadoria, e receber o Conhecimento para a entrega do produto dos generos na Thesouraria: da formalidade, que se deve observar na Contadoria com os donos dos generos; e Conhecimento, que se lhes ha de passar para receberem os seus pagamentos na Thesouraria: e do que se deve observar na mesma Thesouraria com os referidos pagamento." (§. - I, II, III, IV e V)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Orifícios de insecto, marginais.
Raro.
Peça de colecção.
50€

04 abril, 2022

TORRES, Domingos Neves Monteiro - HISTORIA ROMANA EM VERSO LIVRE. Por... Offerecida. Ao Serenissimo Senhor Infante D. Miguel, Regente de Portugal. Época Primeira. Lisboa. 1828. Na Impressão de A. L. de Oliveira. Rua Portas de Santo Antão N.º 9. Com licença. In-8.º (15,5 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante obra poética sobre a história de Roma deste micaelense por adopção, projecto que se ficou por este volume - "Época Primeira".

"Todos querem gozar essa nobreza
Qu já seus Pais tiverão, desta sorte
Os Romanos julgavão serem Deoses.
Mal que Eneas chegou á grande Italia
Latino o recebeo, e o fez consorte
De Lavinia, por muitos desejada."

(Excerto de Origem de Roma)

Indice:
Ao mesmo Senhor a quem tenho a gloria de offerecer meus trabalhos - Soneto. | Invocação. | Historia Romana. Origem de Roma. | Romulo. 1.º Rei de Roma. | Numa Pompilio. 2.º Rei de Roma. | Tulo Hostilio. 3.º Rei de Roma. | Anco Marcio. 4.º Rei de Roma. |Tarquinio o Antigo. 5.º Rei de Roma. |Servio Tulio. 6.º Rei de Roma. | Tarquinio o Soberbo. 7.º e ultimo Rei de Roma. | [Consulado]. Da expulsão dos Tarquinios, até á morte do 1.º Dictador.
Domingos Monteiro Torres, "Cavalleiro da Ordem de Christo, e de Nossa Senhora da Conceição, Capitão graduado de cavallaria, etc. - N. em Lisboa, segundo se crê, na primeira decada do presente seculo; porém vive ha muitos annos na ilha de S. Miguel, onde casou e adquiriu algumas propriedades. As producções d'este illustre açoriano são até agora pouco vulgarisadas no continente do reino, ao menos em Lisboa. Eu proprio, apezar de alguma diligencia que empreguei, ainda não pude ver todas [as obras que publicou]. Ha quem pretenda descobrir nas idéas do auctor, e na phrase com que as exprime, certa tendencia para a originalidade, notando-se nos seus escriptos alguns rasgos caracteristicos, e de difficil imitação, talvez comparaveis no seu genero aos que tanto sobresaem nos modernos poemas da Pedreida, e Ruinas de Santarem, nas obras philosophicas e politicas do dr. Patroni, e em quasi todas as composições do falecido Antonio Pereira Aragão. Nos seus dramas, sobretudo, ha que muito que admirar n'este genero!"
(Inocêncio, Vol. II, pp. 194/195)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Carimbo na f. rosto. Capas separadas dos cadernos (de origem).
Raro.
25€

03 abril, 2022

HAIG, General Sir Douglas - DESPACHO.
Do... Commandante em Chefe das Forças Britannicas em França
. London: Darling & Son, Limited, 1917. In-8.º (21 cm) de 35, [1] p. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Importante peça histórica WW1. Trata-se do despacho-relatório do general Haig sobre o ponto de situação da guerra à época. Ilustrado com um mapa da zona de conflito, na Flandres - França.
"My Lord - Tenho a honra de submetter a V.ª Ex.ª o seguinte relatorio das operações das forças sob o meu commando desde o dia 19 da Maio, data do meu ultimo despacho.
O principio de uma campanha offensiva durante o verão de 1916 já havia sido decidido por todos os alliados. As differentes alternativas possiveis na frente oeste tinham sido estudadas e discutidas pelo general Joffre e por mim, e estavamos em completo accordo relativamente á frente que deveria ser atacada pelos exercitos combinados Francezes e Britannicos. Os preparativos para a nossa offensiva eram já consideraveis; mas como a data do começo do ataque dependia de muitos factores duvidosos, addiou-e, a decisão difinitiva de sua realisação, até que a situação geral se esclarecesse.
Atendendo á necessidade de comçar as operações antes que o verão estivesse muito adeantado, e tomando na devida consideração a situação geral, eu desejava addiar o meu ataque tanto quanto possivel. O exercito Britannico crescia em força dia a dia e o seu aprovisionamento de munições ia augmentando com regularidade. Alem d'isso uma grande parte dos officiaes e soldados sob o meu commando estavam ainda longe de completamente instruidos, e quanto mais o ataque pudesse ser addiado, mais habilitados estariam."
(Excerto do Relatório)
Douglas Haig, 1.º Conde Haig KT GCB OM GCVO KCIE (Edimburgo, 1861 - Londres, 1928). "Foi um oficial britânico, Comandante em Chefe dos Exércitos de Sua Magestade durante a Primeira Guerra Mundial. Exerceu o comando da Força Expedicionária Britânica de 1915 até ao final da guerra. Notabilizou-se por chefiar pessoalmente os exércitos nas batalhas do Somme e de Ypres, e na Ofensiva dos Cem Dias, alguns dos confrontos mais sangrentos da história militar do Reino Unido."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

02 abril, 2022

VALE, Leocádio do - PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS DE SUPERSTIÇÕES E CRENÇAS
. [S.l.], Garrido artes gráficas, 1998. In-8.º (20,5 cm) de 56, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: Amando Ferreira.
Pequeno ensaio filosófico, simples, redigido sem grandes preocupações de estilo. Invulgar e curioso.
"Sendo o mito a primeira tentativa para explicar as forças da Natureza, representa já um esforço de encontrar uma causa para o efeito tocado. Mas não deixa de pôr o ser humano à mercê de poderes especiais, mas por serem para si desconhecidos ainda se encontravam para lá das suas medidas como o Sol, o rio, o raio, etc., já que o seu conhecimento só serve de medida para os seus actos, e ainda duma forma muito arcaica.
Assim ao construir tradições, vê o esforço do seu trabalho à mercê directa do vento, da enxurrada, do raio, etc. Desta forma, com a falta de dados que ainda não adquiriu nem sequer para se defender quanto mais para enfrentar, só se pode avaliar em relação à catástrofe e daí o lógico raciocínio: "Se não posso dominar estas forças naturais como eu, é porque estas forças podem mais".
Pôs o conhecimento humano sozinho de um lado e todo o meio que tenta transformar dou outro, por não ter conseguido ainda a consciência do seu querer. Em vez disso, limita-se a recorrer para além do mito do ritual a condizer especificamente com o mesmo esperançado objectivo, é que agora, por artes mágicas, que casualmente se opera a acalentadora magia."
(Excerto do texto)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

01 abril, 2022

[FULLER, Josef] - ELEMENTOS DE MODELAÇÃO DE ORNATO E FIGURA.
2.ª edição
.
Biblioteca de Instrução Profissional dirigida por Thomaz Bordallo Pinheiro. Paris : Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand - Rio de Janeiro : S. Paulo : Belo Horizonte, Livraria Francisco Alves, [192?]. In-8.º (18,5 cm) de [2], VI, 148 p. ; mto il. ; E.
"A presente obra define e descreve a modelação, detalhando a modelação em cerâmica e em cera, e a escultura, em pedra e madeira, abordando algumas noções anatómicas humanas (relevantes para a modelação estatuária), e termina com a exemplificação de motivos decorativos aplicados à ornamentação escultural."
(Fonte: https://sites.ipleiria.pt/projetocp2s/2019/01/09/elementos-de-modelacao-de-ornato-e-figura/)
Livro muito ilustrado ao longo do texto com belíssimos desenhos, alguns deles em página inteira.
"Ao escrevermos êste livrinho, não pretendemos dar uma descrição completa do que seja a modelação; nem isso cabia nos limites dos volumes desta biblioteca.
Numerosas são as aplicações da escultura, pois que sendo esta arte de copiar o relêvo dos objectos em pedra, metal, madeira, barro, gêsso ou qualquer outra substância que lhe conserve inalteravelmente as formas, o seu conhecimento é essencial e indispensável ao estatuário, ao escultor, ao canteiro, ao entalhador, ao cinzelador, ao ourives, ao ceramista, ao estucador, etc. [...]
A modelação e a escultura estão de tal maneira ligadas, que esta última não pode existir em toda a sua perfeição sem aquela. Por isso julgamos indispensável que, além da modelação, completemos êste livro com umas noções gerais sôbre a forma e execução da escultura em pedra e madeira.
Trataremos, portanto, na primeira parte da modelação, propriamente dita, em barro e em cêra; na segunda, daremos umas noções sôbre o corpo humano, que julgâmos indispensáveis na modelação de estatuária, e, na terceira, ocupar-nos-emos da escultura em pedra e madeira.
Para finalizar o nosso pequeno livro e para auxiliar todos quanto se interessam por êstes assuntos, juntâmos uma série de estampas com desenhos de diversos motivos ornamentais, que muito poderão concorrer para os estudos de composição e decoração."
(Excerto do Prefácio)
Josef Füller (1861-1927?). "Foi um escultor e professor austríaco. Em Viena, estudou na Escola de Arte Industrial do Império Real Museu Austríaco de Arte e Indústria entre 1879-83, seguido do Curso Geral de Escultura na Imperial Real Academia das Belas-Artes entre 1883-86, e terminou os seus estudos com o Curso Especial na Escola Superior de Escultura entre 1886-89. Antes de terminar este curso, foi contratado como professor na Escola de Desenho Industrial Jácome Ratton em Tomar, com vista a colmatar a falta de professores de desenho em território nacional durante este período, lecionando até 1894. No ano letivo seguinte, foi para a Escola de Desenho Industrial Rainha D. Leonor nas Caldas da Rainha. Cumulativamente, desde 1892, Füller foi diretor artístico da fábrica de faianças caldense Atelier Cerâmico. O escultor mudou-se para a capital quando essa fábrica foi transferida para Campolide em 1896, local onde funcionou até 1899. Foi professor contratado de Desenho Ornamental e Modelação até 1916 e professor provisório de Desenho Geral, Desenho Ornamental e Modelação, cargos exercidos na Escola Industrial Afonso Domingues em Xabregas. Como escultor, participou na 3ª Exposição de Belas-Artes do Grémio Artístico em 1893 e na 4.ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes em 1904. Publicou duas obras, inseridas na coleção Biblioteca de Instrução Profissional, intituladas Manual do Formador e Estucador e Elementos de Modelação de Ornato e de Figura."
(Fonte: https://sites.ipleiria.pt/projetocp2s/2019/01/09/elementos-de-modelacao-de-ornato-e-figura/)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€