19 julho, 2020

DEFEURS, Dr. Luiz Gomes -  A DESFLORAÇÃO E VIOLAÇÃO DAS DONZELLAS. Artigos scientificos e elucidativos, sobre os mais extraordinarios phenomenos da raça humana, taes como: Virgindade, Castidade, Violencias, Estupros, Atentados contra o pudor. Pelo... E penalidades correspondentes, insertas no Codigo Penal ainda em vigor no Governo da republica Portugueza. Livro Sexual-Scientifico. Lisboa : Rio de Janeiro, Empreza Litteraria Universal, [191-]. In-8.º (19,5 cm) de 96 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre a violação e desfloração, ilustrado com histórias e exemplos - os mais absurdos - compilados pelo autor, que de certo modo reflete o pensamento da época.
"Uma das opiniões divulgadas em todos os tempos da humanidade é que, a castidade, é uma das virtudes mais apreciadas e - para o homem - representa o cumulo da perfeição.
O acto da geração, está ligado, na maior parte dos homens, a uma funcção bruta e puramente animal que tende a degradar a nossa especie, e a collocar-nos a par dos irracionaes sem instinctos que os levem a gráo superior á maternidade.
Em quasi todas as regiões consagradas á pureza do corpo, exigem o sacrificio das voluptuosidades corporaes."
(Excerto do Cap. II)
"O clitoris é a séde exclusiva do sentido e do spasmo genesico da mulher.
Analogo ao penis do homem entra em erecção como este orgão, e como elle tambem, murcha após o espasmo realisado. [...]
Quando o aparelho negativo não está desperto, quer pela necessidade natural, quer por um estimulo artificial, ou quando acaba de passar pelo spasmo genesico, todos os orgãos que o constituem estão molles e flacidos, constituindo apenas um todo de mucosas confrangidas e inconscientes.
Todo o contacto directo, ainda mesmo o do clitoris, toda a tentaiva de coito, produz n'elle uma sensação desagradavel, uma repulsão instintiva, um sentimento de desgosto e aversão.
Todo o homem e ainda principalmente todo o marido que, conhecendo-as, ousa contrarial-as, comette um attentado contra o pudor.
Toda a mulher que, sem amor, sem desejo, sem necessidade, provoca os instintos do homem, é uma prostituta.
Toda a esposa - não comprehendida - que serve passivamente de instrumento funccional a seu marido, é ao mesmo tempo santa e martyr; mas o marido não passa d'um egoista ou de um tôlo.
Todas estas explicações que a principio poderiam parecer descabidas e até fóra do assumpto de que tratamos, servem para demonstrar que a desvirgação nem sempre se déve a instancias do homem e á completa ignorancia da mulher.
Esta por sua parte, tem na sua constituição e organismo algumas partes sexuaes que a impelem para a desfloração, sem que de forma alguma seja possivel resistir-lhe
Nem sempre o homem é o culpado; a natureza quando ordena, exige ser obedecida."
(Excerto do Cap. III, Os instrumentos do amor experimental)
Matérias:
I - Breves explicações para a perfeita comprehensão do que se lhe ségue. II - A Virgindade e a Castidade. III - Os instrumentos do amor experimental. IV - Desfloração e Violação. V - Modo de co-habitar e ter geração. VI - O Codigo penal perante os crimes de Desfloramento e Violação. VII - Regras que devem observar-se na arte de amar. VIII - Observações sobre a violação - Parecer do Dr. Casper. IX - Observações do Dr. Fardieu. X - Attentados contra o pudor. XI - A violação no casamento. XIII - Hygiene phisica e moral do amor. XIII - A Fecundação da esposa. XIV - Deveres phisiologicos do marido. XV - A mulher não comprehendida e o marido enganado. XVI - A infibulação guarda da virgindade. XVII - Fisiologia e Higiene. Perigos e doenças, no homem, na mulher, provenientes da desfloração e violação, como do abuso dos prazeres do amor. Régras higienicas. XVIII - Alguns casos clinicos de violações e estupro e suas consequencias funestas. XIX - Penas impostas sobre os crimes de adulterio.
Exemplar em razoável estado de conservação, encontrando-se a capa em mau estado, com defeitos e falha de papel no canto inferior direito.
Raro.
Indisponível

18 julho, 2020

GOMES, J. Reis - HISTORIAS SIMPLES. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, [Composto e impresso nas oficinas do jornal Heraldo da Madeira, Funchal], 1907. In-8.º (20,5 cm) de 214, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de contos interessantíssimos, sendo os principais Dois Irmãos e O retrato. A história de Charlatães é baseado na experiência e observações do autor, desde os tempos de estudante, que afirma: "d'entre as psychologias que formam typo, que se deixam marcar e definir, a do charlatão é, a nosso vêr, uma das mais pittorescas e interessantes".
"O velho Joaquim Figueira, proprietario d'um talho á Travessa dos Açougues, era considerado pelos seus freguezes e pela visinhança como um excentrico e um grande avarento.
Contava-se anecdotas ácerca da sua vida moldada em fórmas originaes, e citava-se ainda o typo da sua jaleca domingueira de briche côr de pinhão, com botões amarellos, gola alta e "banda", preta enrolando-se duas vezes sob o "punho do pescoço", molle, de ida e volta.
A cara toda escanhoada só permittia debaixo do queixo uma barbicha branca que não chegava á altura das orelhas. Nunca deixára o seu chapeu de seda de aba larga e nunca pozera de parte as suas calças d'alçapão, com uma liga preta a todo o comprimento.
Ao tempo, esta toilette constratava com os trajos de todos os outros da sua profissão, já modernisados, e até a propria cara conservava uma mascara antiga, rosada nas maçãs do rosto, constituindo o todo, um typo destacado, inconfundivel. De caracter sombrio o Joaquim Figueira, passava por honrado, mas não possuia um terno coração. Homem de boas contas, o ouro e fio da sua balança ficou na tradicção; mas conservára-se sempre frio e impassivel diante da miseria alheia. Só se lhe conhecera um amor na vida: a paixão pela mulher, uma verdadeira conquista que, dizia-se, tinha custado a vida a um rival, victima d'uma emboscada e morrendo tres dias depois a lançar sangue, ás golfadas, pela bocca."
(Excerto de Dois irmãos)
Indice:
I. Um cadaver. II. Dois irmãos. III. Côr de rosa. IV. Pela cheia do Natal. V. Charlatães. VI. No reino de Melchior. VII. O retrato.
João dos Reis Gomes (Funchal, 1869-1950). "Foi um oficial do exército, formado em engenharia, escritor, professor, ator, encenador, crítico e filósofo de arte tendo dedicado alguns dos seus escritos à música. Escreveu e publicou: O Teatro e o Actor, 1905; Histórias Simples, 1907; A Filha de Tristão das Damas, 1909; Monografias Industriais Peculiares à Madeira, na revista Serões de Lisboa, 1909-1910; Guiomar Teixeira, peça de teatro com estreia em 1912; Acústica Fisiológica, 1922; Forças Psíquicas, 1925; O Belo Natural e Artísticos, 1928; Através da França, Suiça e Itália, 1929; Três Capitais de Espanha, Burgos, Toledo e Sevilha, 1931; O Anel do Imperador (Napoleão e a Madeira), 1934; Natais, contos e narrativas, publicado em 1935; O Vinho da Madeira, como se Prepara um Néctar, 1937; Casas Madeirenses, um livro criado com o apoio do arquiteto Edmundo Tavares, 1937; De Bom Humor, 1942; Casos de Tecnologia, 1943; O Cavaleiro de Santa Catarina, 1947; A Lenda de Lorely, 1948; Através da Alemanha, 1949.
João dos Reis Gomes também colaborou com diversos periódicos de Lisboa como jornalista, entre os quais O Século, O Dia e Serões. Na imprensa Madeirense foi diretor no Heraldo da Madeira e “Diário da Madeira”."

(Fonte: https://recursosartisticos.madeira.gov.pt/index.php/projetos/d-musicos/biografia/189-gomes-joao-dos-reis)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais. Lombada reforçada com fita branca. Sem f. anterrosto. Deve ser encadernado.
Raro.
Indisponível

17 julho, 2020

PINTO, Antonio José de Sousa - TRACTADO SOBRE A CREOSOTA E SUAS APPPLICAÇÕES EM MEDICINA E CIRURGIA. Acompanhado de algumas considerações ácerca da embalsamação dos Egypcios, por... , Fidalgo da Casa Real, Cavalleiro das Ordens de Christo, e Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçoza... etc. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1838. In-8.º (21 cm) de [8], 46, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre a Creosota, "líquido límpido de cor amarelada preparado a partir da madeira de faia ou de pinheiro e que integra diversas misturas desinfetantes, de acordo com a definição on-line da infopedia, e que o autor, na primeira parte do trabalho, socorrendo-se do parecer de diversos médicos, recomenda para o tratamento da dor de dentes, feridas, úlceras, 'cancros venereos', histeria, bronquite crónica, etc. A segunda parte do livro é dedicada à arte da mumificação e embalsamento, e os seus procedimentos, com utilização da creosota, igualmente interessante e curioso.
Inocêncio (T. VIII, pp. 215) desvaloriza o Tractado e acusa Sousa Pinto de plágio: "com quanto seu auctor pareça dal-o por original, nada mais é... que uma traducção mutilada ou rapsodia extrahida do livro de J. Rose Cormack”. [CORMACK, John Rose, Sir (1815-1882), A Treatise of the chimical, medicinal and physiological properties of Creosote... with some considerations on the embalment of the egyptians, Edinburgh, 1836.].
"Depois da descoberta da Creosota a sua historia tem feito grandes progressos pelos factos importantes, que a tem enriquecido, ainda que carece de ulteriores investigações, para se determinarem com mais exactidão os casos em que convém a sua applicação. O seguinte ensaio tem por objecto colligir todos os conhecimentos sobre este assumpto, que se achão dispersos nos Jornaes scientificos da Europa. [...]
Os outros objectos tractados neste Ensaio dizem respeito á Medicina, e Cirurgia."
(Excerto do Prefacio)
"Tendo tractado na primeira parte de tudo o que ha relativo á Creosota, julgamos de bastante interesse fallar da applicação dos Egypcios, porque é nossa opinião, que a arte admiravel com que preparavão as suas mumias aquelles primitivos povos, consistia em grande parte no emprego da Creosota, conservando por este modo por mais de 40 seculos os despojos mortaes dos seus Reis, e personagens mais consideraveis."
(Excerto de Da embalsamação dos Egypcios...)
Index:
Parte Primeira: I - Propriedades physicas, e chymicas da Creosota. II - Da Paraffina, Eupioneo, Picamaro, Capnomoro, e Pittacalo. III - Preparação da Creosota e suas adulterações. IV - Observações sobre a applicação da Creosota como agente therapeutico. V - A Creosota como principio anti-septico do Carvão da turfa. VI - Das substancias, cujas propriedades medicinaes parecem depender da Creosota.
Parte Segunda: I - Da embalsamação dos Egypcios e das virtudes medicinaes das mumias. II - Mumia humana, e mineral, mumia dos Arabes, Cedria..
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com alguns orifícios de traça.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
35€

16 julho, 2020

MONTEIRO, Arlindo Camillo - AMOR SÁFICO E SOCRÁTICO. Estudo Médico-Forense. [Para uso de letrados e bibliotecas]. [Lisboa], [Instituto de Medicina Legal de Lisboa]. Separata dos Arquivos do Instituto de Medicina Legal de Lisboa : Propriedade e Edição do Autor, 1922. In-4.º (26 cm) de [4], 552 p. ; [1] f. desdob. ; [3] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Colaboração artística de Anjos Teixeira.
Importante trabalho sobre a homossexualidade, dos primeiros com cariz científico que se publicou entre nós.
Ilustrado no texto com desenhos esquemáticos, e com 3 estampas separadas do texto impressas sobre papel couché: A lascívia socrática na antiga Roma; Em França - páginas de L'Assiette au Beurre (1909); Em Portugal - páginas de O Antonio Maria (1881) e Pontos nos ii (1885), ambos com caricaturas de Bordalo Pinheiro.
Inclui ainda um desdobrável estatístico: Índice das pessoas delatas (desde 1553 a 1587?) pelo crime de sodomia, do mês de Janeiro em diante, as quais estão em um livro intitulado O Antigo Nefando, e no Index dos processos despachados antes do perdão geral e em vários livros.
Tiragem limitada a 500 exemplares. O presente leva o n.º 264.
"Apesar de tão antigos como a própria humanidade, os desvios aberrativos da vida sexual, expandindo-se sob o influxo variável das civilizações entre os diferentes povos, desde remotos tempos consagrados ou condenados pelas leis e costumes, só a partir dos meados do século XIX começaram a ser encarados através do prisma límpido e frio do rigoroso critério scientífico.
Erigindo-se sôbre pertinaz e acurada pesquisa e observação de factos, dia a dia acumulados, interpretações e teorias, pouco a pouco se organizou a sciência sexual que, recentemente, grangeando foros de tal magnitude, se expande com desenvoltura dividida nos seus privativos ramos de especialização. [...]
Fazer a história desta anomalia sexual através dos séculos, indo surpreender ab ovo o pendor da humanidade para tal desvio, ou perscrutar na senda do passado a causa determinante de tal aberração, tão arrojada emprêsa não cabe dentro dos estreitos moldes desta tentativa.
No entanto, contentar-me-hei em citar alguns exemplos comprovativos de quanto ela é freqùente e como se perpetua arreigada nas tradições  e evolução da espécie humana.
Parece aceite pelo consenso unânime dos tratadistas que transpondo as múltiplas balizas reais ou de convenção, foi e continua a ser de todos os tempos e lugares."
(Excerto de A Sciência sexual)
Índice:
Palavras  prévias. | Primeira Parte: Capítulo I - A Sciência sexual. O homo-sexualismo. Seus principais investigadores na Alemanha e Áustria, França, Rússia, Inglaterra e Itália. Freqùência da homo-sexualidade. Conceito de Platão sôbre o amor anómalo. Na Grécia. Capítulo II - O amor órfico e sáfico entre os romanos. Capítulo III - Homo-sexualidade entre os egípcios, celtas e persas. Do paganismo ao cristianismo. Na Itália. Capítulo IV - A França. Capítulo V - Na Inglaterra, Alemanha, Áustria-Hungria, Rússia e noutros países. No Oriente. Capítulo VI - Na América, Austrália e África. Capítulo VII - Na península ibérica - Espanha. Capítulo VIII - Portugal. Capítulo IX - Portugal no século XVI. Capítulo X - Portugal nos séculos XVII e XVIII até à actualidade. Segunda Parte: Capítulo I - A nomenclatura das sciências sexuais. Estudo crítico. Terminologia proposta pelo autor. Capítulo II - A homo-sexualidade masculina. Capítulo III - A homo-sexualidade feminina. Capítulo IV - Uranismo complexo, bi-sexualidade e pseudo-homo-sexualidade. Capítulo V - A homo-sexualidade e a Psiquiatria. Capítulo VI - Teorias sôbre a homo-sexualidade. Capítulo VII - A homo-sexualidade e a terapêutica. Capítulo VIII - Profilaxia e diagnóstico médico-legal. Capítulo IX - Legislação. | Apêndice. | Advertência e Erratas. | Índice.
Encadernação coeva em meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
125€

15 julho, 2020

AVILLEZ, D. Jorge Frederico d' - CAÇA DE ARRIBAÇÃO (sua vida). CÃES DE PARAR (suas origens). [Por]... (Visconde de Reguengo). [Prefácio de Carlos Alberto Pinto]. [S.l.], [s.n. - Composto e imp. nas Oficinas Gráficas Manuel A. Pacheco, Lda], 1961. In-8.º (18,5 cm) de 143, [5] p. ; [12] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre espécies de arribação e as raças de cães adequadas a este tipo de caça.
Ilustrada com 12 bonitas estampas, impressas sobre papel couché, reproduzindo cada um dos representantes da raça canina tratada no livro.
"É pobre, mesmo muito pobre, a bibliografia nacional sobre motivos cinegéticos. O ramo, como fonte de receita, não apresenta quaisquer perspectivas de fartas rendas para os livreiros, nem compensa o autor das canseiras e dos gastos com a edição paga do seu bolso. [...]
Quase tudo quanto existe, em Portugal, sobre caça, vem-nos do estrangeiro. Falta-lhe aquele cunho das nossas coisas, sentidas e vistas à luz da nossa sensibilidade específica, falta-lhe aquela atmosfera das nossas terras e das nossas gentes.
Ao mesmo tempo, outra grave falta se nota na literatura venatória portuguesa - a quase completa ausência de escritos de carácter científico sobre as espécies cinegéticas existentes no nosso país. [...]
Essa tarefa a que o Visconde do Reguengo meteu ombros, oferecendo aos caçadores portugueses uma descrição curiosa e sugestiva de algumas das melhores raças de cães de caça e da vida e hábitos de três das mais emotivas espécies com que contam os devotos de Santo Huberto no nosso País: a narceja, a galinhola e a codorniz."
(Excerto do prefácio)
Índice: [Prefácio]. Caça de arribação: Narcejas; Codornizes; Galinholas. Cães de parar: Pointer; Setter Inglês; Setter Negro e Fogo; Setter Escocês; Braque Francês; BraqueSaint-Germain; Braque Bourboun; Braque Italiano; Braque Alemão; Braque de Wurtemberg; Épagneul Breton; Épagneul Alemão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

14 julho, 2020

REFLEXÕES SOBRE O PARTIDO APOSTOLICO EM PORTUGAL. Escriptas em Lisboa no anno de 1828, por * * * [S.l.], [s.n.], [1828?]. In-8.º (21,5 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Obra anónima, espécie de cartilha liberal, publicada num período conturbado e de grande efervescência nacional.
O autor acusa o partido miguelista e algumas das suas figuras mais conhecidas de invectivarem e ameaçarem D. Pedro, desconsiderando-o por ser "estrangeiro". Trata-se de um conjunto de reflexões sobre a problemática da sucessão ao trono português, por morte de D. João VI, sendo o autor claramente contra a causa de D. Miguel e a favor da legitimação de seu irmão ao trono, enumerando as razões pelas quais assim deverá ser.
"A natural ignorancia do genero humano e a adquirida perversidade de grande parte delle, envenena de tal sorte os bens do estado social, que o homem justo, o homem illustrado vacilla, e muitas vezes preferiria o estado natural; ali, sem ideas de virtude ou crime, serião os homens, moralmente falando, ou todos bons ou todos máos, e só a força fizica graduaria o seu melhor ou peor modo de passar a vida: não acontece assim no estado social, aonde o homem se acha ligado pela complicadissima cadea do moral; criarão-se ideas de virtude e crime, estabelecerão-se direitos e obrigações; e posto que a applicação destas ideas tenha diversificado em tempo ou em lugares, todavia do espirito de todas as instituições sociaes se formou um sistema de moral universal, pelo qual temos, que a virtude é aquella acção da qual resulta bem á especie humana, e que o homem, não fazendo ao seu semelhante o mal que não quer para si, é homem virtuoso; e necessariamente criminoso, o que obbra em sentido contrario: Destes principios nasce a Justiça, cuja manutenção é a primeira obrigação de um governo; só o governo que tiver por baze a justiça será virtuoso, e dará com a protecção dos direitos do homem, o nome de patria á terra onde nascemos; só este governo terá direito para fazer observar os deveres convencionados dos cidadãos, e estes serão tanto mais virtuosos, quanto mais prestarem á republica, com o exemplo de seus costumes, com a pena, a charrua, o leme, o tear ou a espada. [...]
Os patriotas e os cidadãos pacificos exultaram á vista da Carta Constitucional da Monarquia Portugueza, poisque, decretada e dada legitimamente, e concebida de modo que favorecia todos os partidos, parecia deverião fraternalmente unir-se em roda do throno, e mutuamente concorrer para salvar a Patria, aproveitando esta rara dadiva real; porem que politica, que prudencia, que leis, que mocarcha póde conter as demagogicas pertenções do partido apostolico?
O Sñr. D. Pedro IV., jurado e obedecido unanimemente, como natural e legitimo Rei de Portugal, apenas decreta uma Carta Constitucional para regimen dos Portuguezes, logo é tratado pelo partido apostolico como estrangeiro e intruso!
Os mesmos patricidas, que levantaram a guerra civil em 1823, os que attentaram contra a vida do Sr. D. João VI. em 1824, são os mesmos que de novo conspirão contra a paz publica; é o Marques de Chaves que solta o brado terrivel - "Viva D. Miguel I., morra D. Pedro IV!""
(Excerto de Os Apostolicos em Portugal)
Matérias:
Os Apostolicos em Portugal [Preâmbulo]. | I - S. M. El Rei o Senhor D. Pedro IV, não é estrangeiro, e no acto da sua elevação ao Throno Portuguez não só satisfez, mas ampliou todos os juramentos ou protestos, que em tal caso se pretendam. II - Não existiram Cortes de Lamego, nem as chamadas Leis Fundamantaes, pelo menos é duvidosa a sua existencia. III - Quando se admitta a real existencia das ditas Leis Fundamentaes, feitas nas Cortes de Lamego, e que o Sr. D. Pedro é estrangeiro, prova-se pela natureza das Cortes em Portugal, o poder soberano dos Monarcas Portuguezes, que o Sr. D. Pedro entrou legitimamente na posse da Coroa de Portugal e Algarves, pelo falecimento do Sr. D. João VI. IV - Ao Smo. Sr. Infante D. Miguel não pertence a Coroa de Portugal e Algarves; a sua conducta é a melhor prova. V - Não é uma voz unanime que pede para Rei de Portugal o Smo. Sr. Infante D. Miguel.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada reforçada. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico.
30€

13 julho, 2020

MATHEWS, Basil - A PERSPECTIVA DE VICTORIA. Por... Londres, R. Clay & Sons, Ltd., 1918. In-8.º (21,5 cm) de 16 p. (inc. capas)
1.ª edição.
Interessantíssimo opúsculo anti-germânico, publicado no último ano de guerra, clarificador do ponto de vista e intenção dos aliados em relação à contenda e à aniquilação da Alemanha, meio para evitar futuros confrontos de larga escala.
"Com a aproximação do quarto inverno de guerra e os seus inevitaveis e crescentes appellos á nossa firmeza, á nossa energia e força de vontade, de uma ou outra maneira não podemos deixar de nos dirigir a famosa pergunta de Ruskin: "Se geralmente fallando, estamos andando para a frente, e neste caso, para onde vamos?"
Sabemos que na resposta a essa pergunta se encerra tudo quanto para nós vale nesta vida, assim como para aquelles que vierem depois de nós."
(Preâmbulo)
"Só podemos saber "se estamos andando para a frente" se sabemos até onde podemos chegar. Qual é o nosso objectivo? Qual o porto dos nossos desejos?
Hoje o que sobretudo desejamos, é alcançar uma paz profunda, ampla e duradoura. Não nos limitamos a querer ver o termo desta guerra, embora cada vez o desejemos com mais intensidade, pois que os seus horrores augmentam e recrudesce a ceifa de preciosas vidas. Temol-as, tanto como a um pesadelo, umas treguas parodiando a paz; umas treguas que apenas serviriam de cortina por detraz da qual estivesse montando uma nova machina de guerra, mais abominavel ainda, para a destruição da vida de nossos filhos, como esta tem destruido a nossa. Tão pouco queremos uma paz que se arraste em moletas. O que procuramos, tem de ser muito mais digno dos sacrificios innominaveis que as nações teem feito e estão fazendo."
(Excerto do Cap. I)
Matérias:
[Preâmbulo]. | Cap. I. | Cap. II. | Cap. III. 1 - A guerra é um crime premeditado contra a humanidade; 2 - O jury mundial da humanidade deu por provado o crime dos poderes constituidos pela Allemanha; 3 - Os poderes constituidos pela Allemanha continuam ainda impenitentes. 4 - Por consequencia, esta machina militar prussiana tem de ser quebrada.. 5 - Temos poder para quebrar o militarismo prussiano; 6 - Determo-nos nestas alturas equivaleria ao nosso proprio suicidio; 7 - O complemento da tarefa da victoria, porá a liberdade, paz, justiça e segurança ao alcançe dos povos do universo, incluindo o das potencias centraes; 8 - Podemos e devemos proseguir com a lucta até alcançar a victoria.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas algo sujas.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar, sem acesso, mas digitalizada.
Indisponível

12 julho, 2020

GRAINHA, M. Borges - A ACÇÃO DA MAÇ.. PORTUGUESA. Relator... Congresso Maç.. Nacional : Porto, Maio de 1914. These IV. Lisboa, Tipographia Bayard, 1913. In-8.º (21,5 cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Tese apresentada ao Congresso Maçónico por Manuel Borges Graínha, conhecido professor, republicano e maçon, acérrimo militante anti-clerical.
No presente trabalho, discorre sobre a acção da Maçonaria no passado e, numa conjuntura política favorável, após o advento da República, aponta o caminho para o futuro.
"O espirito da Maçonaria é o espirito da libertação, da solidariedade e do aperfeiçoamento social da humanidade.
Fazer que êste espirito influa na vida dos povos tem sido a sua acção no passado e deve sel-o também no futuro.

Em cada país, porém,a acção maçónica reveste formas diferentes na actividade que efectua para insuflar na sociedade êsse espirito de emancipação e solidariedade, pois diferentes são também os meios em que ela se exerce sob o influxo de elementos etnológicos e climatológicos diversos."
(Excerto de A acção da Maç.∙. Portuguesa)
Matérias:

A acção da Maç.. Portuguesa. | Qual foi a acção maçónica no passado da vida social portuguesa? 1.º Liberdade Religiosa; 2.º Liberdade Política; 3.º Libertação e aperfeiçoamento intelectual, moral e material. | Qual deve ser a acção maçónica no futuro da vida social portuguesa? 1.º Liberdade Religiosa; 2.º Liberdade Política; 3.º Libertação e aperfeiçoamento intelectual, moral e material. | Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Ligeiramente "enrugado" à cabeça por acção da humidade. Capa manchada.
Muito raro.
Com interesse histórico e maçónico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
Indisponível

11 julho, 2020

QUEIROZ (Bento Moreno), Teixeira de - MORTE DE D. AGOSTINHO. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira - editor, 1895. In-8.º (18,5 cm) de [4], 334, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original do quarto volume da série naturalista «Comédia Burguesa», e um dos mais apreciados romances desta colecção.
"A luz do candieiro de petroleo, quebrada por um abat-jour de papel verde de ramagens, incidia sobre a larga mesa redonda, na qual estava espalhada muita obra. Josefina trabalhava com afinco e esmero, envolvida por aquelle longo silencio, apenas interrompido pelo resonar asmatico d'um gato que adormecera ao calor da chamma, e pelas rufadas do vento e da chuva sobre o telhado e contra os vidros da janella. Dentro de pouco tempo tinha de concluir este enxoval de noiva, que tanto lhe fôra recommendado.
É sempre um trabalho pequilhento e de grande responsabilidade. Nunca deixa de haver reparos. Por muito cuidado que se empregue postas a espiolhar tudo, a examinar ponto por ponto. A perfeição em casos taes não se póde attingir. [...]
Aquelles dedos finos e compridos introduziam-se no fofo das cassas e mussellinas, sem as abater; as pregas do linho de Courtrai ficavam perfeitamente alinhadas como n'uma prensa; os franzidos cahiam com regularidade tal, que nem o olho mais esperto poderia notar a imperfeição. D. Genoveva, que muito estimava Josefina pela suavidade do seu caracter, afeiçoou-se-lhe dedicadamente, quando lhe apreciou esta virtuosa inclinação para ser util, para ter prestimo e suavisar a velhice do velho D. Agostinho, de quem a pequena se considerava filha adoptiva. Poderia muito embora o incorrigivel fidalgo não ser digno de que tanto se lhe dedicassem; porém isso mais encareciao bom coração da pupilla, que aos dezoito annos tinha a madureza dos trinta."
(Excerto do Cap. I)
Francisco Teixeira de Queiroz (Arcos de Valdevez, 1848 - Sintra, 1919). “Romancista e contista, Francisco Teixeira de Queirós licenciou-se em Medicina, tendo ocupado diversos cargos públicos, entre os quais o de deputado, de vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de ministro dos Negócios Estrangeiros, neste caso em 1915. Chegou a ser presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Fundou em 1880, com Magalhães Lima, Gomes Leal e outros, o jornal «O Século», tendo também colaborado nos periódicos «O Ocidente», «Revista de Portugal», «Revista Literária», «Arte & Vida», «Ilustração Portuguesa», «A Vanguarda» e «A Luta», entre outros. Em 1876, publicou o seu primeiro romance, «Amor Divino», com o pseudónimo de Bento Moreno, que viria a usar em outros livros. A sua vasta obra está repartida em dois grupos: «Comédia de Campo» e «Comédia Burguesa», imitando assim a «Comédie Humaine», de Balzac, um dos seus mentores. Durante cerca de 40 anos, reformulou o seu plano e a sua doutrinação literária sobre o romance, procurando incansavelmente aplicar o seu programa realista-naturalista de base científica. Cultivou uma escrita de feição realista, fazendo uma crítica constante à alta sociedade lisboeta, evidenciando os seus costumes, os seus modos de agir e de estar perante a sociedade portuguesa em geral. Em algumas das suas obras, por outro lado, retrata de uma forma carinhosa e saudosa os seus tempos de infância, vividos na quietude da sua terra natal.”
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Com assinatura de posse na parte superior da f. rosto e anterrosto.
Raro.
45€

10 julho, 2020

MONTENEGRO, Ayres - FISIO-PATOLOGIA DO AVIADOR : capacidade fisica para a aviação. Tese de doutoramento apresentada á Faculdade de Medicina de Lisboa. [Por]... Tenente medico da Escola Militar de Aviação. Lisboa, Imprensa Africana, 1919. In-8.º (21,5 cm) de 67, [1] p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra pioneira sobre as condições físicas dos pilotos-aviadores de combate. Estudo desenvolvido na Escola Aeronáutica Militar, em Vila Nova da Rainha, e editado pouco tempo após o final da Primeira Guerra Mundial. Trata-se do primeiro trabalho que sobre este assunto se publicou entre nós. O autor agradece e dedica a obra a familiares próximos, e aos Drs. José Maria Branco Gentil e Marck Athias, ao seu comandante, Major Cifka Duarte, e aos seus camaradas Cap. Ribeiro da Fonseca, Cap. Santos Leite, Cap. Alfredo dos Santos Silva, Cap. Carlos Esteves Beja, Ten. Paiva Simões, Ten. Sérgio da Silva, Alf. António Correia, Alf. Emílio de Carvalho, Alf. Jorge d'Ávila e Alf. António Dias Leite. Com uma menção também a seis condiscípulos e amigos.
Livro ilustrado com tabelas no texto e com 3 gráficos em separado:
1) Modificação da tensão arterial e do pulso produzidas pelo vôo n'um piloto de 28 anos, com 4 de aviação;
2) Modificações de pressão arterial e do pulso produzidas pelo vôo (Auto-observação);
3) Gráfico "Altimetro", relacionado com a variação da altitude.
"No momento historico que atravessamos, em que a aviação depois de se ter revelado militarmente como uma arma formidavel parece querer marcar num proximo futuro um logar de primacial importancia na vida de relação dos ovos, tudo quanto, por modesto que seja, se relacione com o assunto, deve, em meu entender sêr publicado.
Dentre os multiplos aspectos porque tem de sêr encarado, realça o que respeita á escolha do aviador sob o ponto de vista da sua capacidade fisica.
Para isso é indispensavel conhecer-se primeiro as condições a que está subordinado o aviador antes, durante e depois do vôo e em seguida estudar-se a natureza das suas reacções em face d'elas.
O que vae lêr-se é o esboço d'um trabalho que a falta de tempo, os meus recursos e a soma de dificuldades de toda a ordem que se anteolharam não me permitiram fazer de maior vulto. Aos elementos colhidos na dispersa e pouco volumosa literatura estrangeira sobre o assunto, junto os resultados da minha observação pessoal, colhidos nas impressões de varios vôos executados, os primeiros num Farman pilotado pelo Ex.ᵐᵒ Capitão Esteves Beja que interessado pelo meu trabalho poz generosamente á minha disposição a sua inescedivel pericia de aviador. Por isso lhe deixo consignada a expressão do meu reconhecimento.
Agradeço tambem ao ex.ᵐᵒ comandante da Escola de Aviação o tel-os consentido, e a todos os oficiaes, pilotos e observadores o terem-se submetido gentilmente ao meu interrogatorio."
(Introdução)
Matérias:
Introdução. | Cap. I - Preliminares. - Mal das altitudes - Mal das montanhas. - Patogenia. Cap. II - Mal dos aviadores. - Pressão arterial: Pressão maxima; Descida. - Sensibilidade cutanea. - Reflexas tendinosas. - Hiperglicêmia. - Força muscular, resistencia á fadiga. III - Variações do pulso. IV - Capacidade fisica para a aviação: - Aparelho respiratorio; - Aparelho circulatorio; - Orgãos abdominais; - Sistema nervoso; - Ouvido; - Equilibrio; - Aparelho visual. | Conclusões. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta mancha na capa. Escritos, sobretudo a lápis, no verso da capa e na f. rosto.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP), ou noutra qualquer outra fonte bibliográfica do nosso conhecimento.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Peça de colecção.
Indisponível

09 julho, 2020

LODY, George - SENTINELA DOS MARES : romance. Versão livre de João Amaral Júnior. Dramas da Espionagem. As aventuras dos mais célebres espiões internacionais. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [193-]. In-8.º (21 cm) de 228 p. ; il. ; B. Colecção Dramas da Espionagem ,II
1.ª edição.

Curioso romance sobre a espionagem durante a Grande Guerra.
Obra da autoria de João Amaral Júnior, o 'tradutor', que assina com o pseudónimo George Lody.
Livro ilustrado na capa, e ao longo do texto com 1 mapa (Carta quadriculada dos barcos a torpedear) e 9 belíssimas estampas em página inteira por Ramos Ribeiro.

"Von Domenic chegou a Lugano, cidade Suissa, que fica à beira do lago do mesmo nome, por uma manhã radiosa.
Era dias depois da sua partida de Paris.
O submarino em que clandestinamente embarcára na costa francêsa, clandestinamente o deixára na costa italiana.
Metamorfoseado a primôr num musicista ou cantõr que ia estagiar para Milão, em nada o Domenic de agora se parecia como o Domenic que vimos em Paris, primeiramente com o seu binoculo e o seu kodak á tiracolo, depois esfarrapado e maltrapilho em Montmartre, na taberna do Duc.
A bordo recebera o espião o necessário passaporte que, em matéria de falsificação, estava um primôr."
(Excerto do Cap. I, O cantor hespanhol)
João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 - ?). "Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins, não concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta de sucesso que colaborou com a Romano Torres. Estreou-se antes dos 20 anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário Universal de Literatura atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Embora não tivesse sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére. Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel, bem como a lombada. Miolo oxidado. Assinatura de posse na f. anterrosto.
Invulgar.
Indisponível

08 julho, 2020

CARVALHO, Albino de - CONTRIBUIÇÃO PARA O ESTUDO DAS PRINCIPAIS MADEIRAS DE RESINOSAS INTRODUZIDAS NO PERÍMETRO FLORESTAL DE MANTEIGAS (SERRA DA ESTRELA). Por... Engenheiro Silvicultor : Estação de Experimentação Florestal - Alcobaça. Estudos e Divulgação Técnica. [S.l.], Secretaria de Estado da Agricultura : Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, 1965. In-4.º (23 cm) de 291, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio sobre o estado silvícola da Serra da Estrela.
Monografia ilustrada ao longo do texto com trabalhos fotográficos e desenhos do autor.
"O Perímetro Florestal de Manteigas, com uma superfície de cerca de 7 000 ha, faz parte da extensa área de incultos da Serra da Estrela, dos quais foram reconhecidos com aptidão florestal aproximadamente 24 800 ha. [...]
A arborização iniciada nos fins do século passado, processou-se quase exclusivamente com o Pinheiro branco, sendo ainda hoje a espécie mais representativa no Perímetro. Formaram-se povoamentos puros de considerável extensão que ocupavam não apenas as zonas de cota mais baixa, mas subiam mesmo até aos 1 200 m, excepcionalmente aos 1 300 m de altitude.
Reconhecida, porém, a dificuldade de adaptação da essência às condições adversas do meio, processou-se a introdução de outras espécies, tanto de Folhosas, como de Resinosas, indígenas e exóticas, supostas mais apropriadas para a «estação».
E experiência longa e extensa a que se procedeu, embora não cientìficamente delineada, teve o grande mérito de criar uma vastíssima parcela de estudo, de maior interesse e utilidade, não só para a região em causa, mas também para muitos outros perímetros edafo-climàticamente semelhantes."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo]. | I - Introdução; Material e métodos. II - Estudo sistemático das madeiras Resinosas exóticas introduzidas no Perímetro Florestal de Manteigas. III - Estudo de outras características das madeiras e das árvores produtoras. IV - Estudo comparativo tecnológico da madeira e da aptidão florestal das essências Resinosas introduzidas no Perímetro Florestal de Manteigas. Conclusões. | Sumário. | Referências Bibliográficas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com traço vertical.
Muito invulgar.
Indisponível

07 julho, 2020

TEIXEIRA, Padre Manuel - MÁRTIRES QUE PASSARAM POR MACAU. Pelo... [Macau], Edição do Centro de Informação e Turismo de Macau, 1965. In-4.º (26,5 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Apontamentos históricos e biográficos sobre missionários que passaram por Macau em missão de evangelização do Oriente, e que viriam a ser martirizados no desempenho do seu mister.
"No jornal The Clarion, publicado em Macau durante a última guerra mundial, apareceu no seu n.º 5 do Vol. 11 de 13 de Abril de 1945 um editorial intitulado «Saints of South China», subscrito por Francis X. Ford, bispo Maryknoll. Nesse artigo apontavam-se os nomes de 9 mártires que passaram por Macau, Hong-Kong ou Cantão. [...]
Destes 9 mártires apontados no artigo do Bispo Ford apenas 5 foram beatificados. Ora, repartidos estes 5 mártires pelas três cidades supraditas, muito pouco tocaria a cada uma. Felizmente que esta lista é muito incompleta no que respeita à Cidade do Nome de Deus de Macau, por onde passaram não só beatos, mas santos, e não só espanhóis ou chineses, os únicos que o articulista menciona, mas também portugueses.
Macau, Manila, Nagasáqui - eis as cidades santas do Extremo Oriente! Santas, porque santificadas pelas pègadas, suores e sangue de muitos mártires e santos.
Saindo da primeira e da segunda destas cidades, iam esses heróis do apostolado colher na terceira e gloriosa palma do martírio. Macau e Manila são, pois, as cidades que mais mereceram da Igreja na gloriosa cruzada da salvação das almas do Extremo Oriente."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
Mártires no Japão. | Mártires da China. | Mártires na Coreia. | Mártires no Tonquim.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capa cansada, com defeitos. Sem contracapa e última folha de texto, que inclui parte da lista-resumo por ordem alfabética dos mártires que passaram por Macau.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

06 julho, 2020

SANTOS, Reinaldo dos - AFONSO LOPES VIEIRA (O ARTISTA E O HOMEM). (Separata do Boletim N.º XVI da Academia Nacional de Belas Artes). [Por]... Presidente da Academia Nacional de Belas Artes. [Homenagem à memória de Afonso Lopes Vieira promovida pela Academia Nacional de Belas Artes em 23 de Janeiro de 1947 no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II]. Lisboa, [s.n. - Bertrand (Irmãos), Lda. - Lisboa], 1947. In-4.º (28 cm) de [2], 16 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Tributo a Afonso Lopes Vieira que inclui dois retratos extratexto do poeta, da autoria de, respectivamente, Adriano Sousa Lopes e Columbano, estando o primeiro estampado no verso de uma reprodução fotográfica da mesa de trabalho do homenageado, em S. Pedro de Moel.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao conhecido professor e historiador Alberto Xavier.
"Embora a Academia costume comemorar na intimidade dos seus pares e no modesto ambiente das suas sessões a memória dos académicos falecidos, há casos excepcionais em que julga dever sair para fora da humildade do seu casebre - a sede da Academia é quase um símbolo do culto das Belas-Artes em Portugal - para trazer a público e num ambiente condigno a homenagem devida e um membro de élite. [...]
Porque pertenceu este poeta a uma Academia de Belas-Artes?
Já recentemente tive ocasião de comentar - não pròpriamente de justificar - esta resolução honrosa do Governo de então, e ao que já escrevi posso ainda acrescentar que a Poesia e as Artes Plásticas têm entre si as mais íntimas afinidades. [...]
Afonso Lopes Vieira não foi apenas um poeta de excepcional inspiração e gosto; foi certamente um dos poetas mais artistas do seu tempo. O que caracterizou a personalidade de Afonso Lopes Vieira foi a sua sensibilidade e todas as formas de Arte, não só àquelas em que se exprimiu, mas a todas as outras - que sentiu, compreendeu e amou com uma amplitude que raras vezes se tem encontrado no mesmo artista. Certamente que o seu meio essencial de expressão e criação artística foi o Verbo - evocativo e plástico, ritmado na prosa ou no verso. Mas a sua sensibilidade, como uma harpa eólia, enchia-se de ressonâncias perante todas as formas de beleza, desde as mais raras e aristocráticas até às mais humildes e populares."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com defeitos nas capas e manchas de humidade marginais ao longo do livro.
Raro.
Indisponível

05 julho, 2020

ANDRADE, Ruy d' - O BURRO. (Separata do Boletim Pecuário, n.º 1 - Ano VII). Lisboa, [s.n. - Imp. Lucas & C.ª - Lisboa], 1939. In-4.º (26,5 cm) de 22, [2] p. ; [22] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Curiosa monografia sobre o Burro - suas raças e características.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor ao historiador Ludovico de Menezes.
Livro ilustrado com quadros ao longo do texto, e 73 fotogravuras de exemplares das várias raças do animal distribuídas por 16 páginas impressas sobre papel couché em separado.
"Todos sabem o que são burros ou asnos, e que esta segunda designação deriva do latim Equus asinus.
Nós usamos mais vulgarmente a primeira, que deriva do baixo latim burrus, e que foi aplicada primitivamente ao cavalo pequeno.
Os árabes, porém, usam um têrmo parecido - barra.
O burro é o animal dos humildes, companheiro no duro trabalho dos campos, sóbrio, paciente, incansável trabalhador.
Para uns, é o símbolo da estupidez; para outros, da paciência, da filosofia na vida; e êle foi argumento de obras satíricas e de exemplos filosóficos desde Esopo, Apuleio e Luciano até Cervantes, Demicasa, Victor Hugo e outros.
O asno ou burro tem uma configuração especial, que não o deixa confundir com outros eqüídeos; e comparando-o ao cavalo, podemos classificá-lo de feio."
(Excerto do texto)
Ruy de Andrade (Génova, Itália, 1880 - Lisboa, 1967). "Destacou-se como académico, político e teórico nos estudos agronómicos cuja formação ao mais alto nível concretizou com a sua tese de doutoramento apresentada no âmbito das Ciências Agronómicas na Universidade de Paris e com o reconhecimento académico no âmbito dos seus trabalhos de investigação na mesma àrea recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Madrid.
Na vida política, destaca-se a sua participação na vida política local, regional e nacional. No plano regional, revelou-se quase sempre como próximo dos interesses governamentais, sendo deputado por Arronches durante a última fase da Monarquia quando aquela vila era identificada com os valores republicanos. Durante a fase inicial do Estado Novo foi uma personagem importante junto dos corredores governamentais no sentido de obtenção de melhorias locais para a cidade de Elvas e para a Vila de Campo Maior.
Em Elvas, vive nas décadas de 40 e 50, período em que escreve e publica as suas obras de referência: O Cavalo Andaluz (1937), Garranos (1938) Elementos para a História da Coudelaria de Alter, (1947-1959), entre outras pequenas publicações de matriz agrícola."
(Fonte: http://flama-unex.blogspot.com/2009/03/ruy-de-andrade-o-ultimo-presidente-da.html)

Exemplar em bom estado de conservação. Discreta assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
50€

04 julho, 2020

INSO, Jaime de - O CAMINHO DO ORIENTE. [Por]... Capitão-Tenente. [Prefácio do Conde de Penha Garcia]. Lisboa, Tipografia «Élite» - [Edição do Autor], [1932]. In-8.º (19 cm) de 374, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Candido Silva.
Romance baseado em factos históricos, premiado no VI Concurso de Literatura Colonial.
"O livro que tenho a honra de prefaciar intitula-se «O Caminho do Oriente» e é devido à pena do Comandante Jaime do Inso.
O autor, ilustre oficial da Marinha, que conhece bem esse maravilhoso caminho e no Oriente viveu bastante tempo, elaborou atravez um enredo simples uma série de descripções de viagem palpitantes de vida, que terminam com um pequeno drama sentimental vivido em Macau. [...]
O Livro tem assim um duplo interesse pelo equilibrio da descripção e da narrativa com a evocação histórica."
(Excerto do Prefácio)
"Manhã de sol. Tejo claro, cheio de luz, de um fevereiro que parecia primavera.
O Cephée, bojudo, de ventre ciclópico e pesado, tinha o virador à boia e pronto a largar.
Era um velho navio alemão apresado na guerra e que navegava para a Austrália com a bandeira francesa.
Nestas viagens, transportava também os passageiros que em Marselha tinham de embarcar nos grandes paquetes das «Messageries» que fazem a carreira do Extremo-Oriente.
Tocava o sino a despedir as visitas que iam a bordo abraçar os que partiam."
(Excerto do Cap. II, A partida)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

03 julho, 2020

GOMES, Celestino - A EXPRESSÃO META-CROMÁTICA NA PINTURA DE EDUARDO MALTA. Lisboa, Editorial "Inquérito", 1937. In-8.º (21 cm) de [64] p. ; [13] f. il. ;  B.
1.ª edição.
Biografia artística de Eduardo Malta, emérito retratista português.
Ilustrada extratexto, sobre papel couché, com reproduções de belíssimos trabalhos do Mestre.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"A técnica de Eduardo Malta não pertence a nenhuma escola, não usa de nenhuma das receitas académicas, e, a-pesar-dos seus prémios escolares, sente-se que não é feita dos conselhos didáticos mas completamente de estudo pessoal, self-made."
(Excerto do Cap. V, Da linguagem técnica)
Índice:
I. Da arte do retrato. II. Da realização da semelhança. III. Do sentido da elegância. IV. Da interpretação étnica. V. Da linguagem técnica. VI. Da expressão meta-cromática.
Reprodução de um auto-retrato e de outras obras de Eduardo Malta.
Eduardo Malta (1900-1967). Foi um pintor português de nomeada, sobretudo como retratista. Pela sua oposição à arte moderna, e pelos trabalhos que executava para as elites sociais, ficaria conhecido como "retratista do regime".
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
Indisponível

02 julho, 2020

FREITAS, Urbino de - O ENSINO NATURAL DA LINGUAGEM. Por... Porto, Typographia Central de Avelino Antonio Mendes Cerdeira, 1884. In-8.º (22,5 cm) de 30, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Ensaio sobre aprendizagem do conhecido médico portuense Urbino de Freitas, cujas acusações de envenenamento a familiares de sua mulher, no final do século XIX, sobressaltaram a cidade do Porto e indignaram o país.
Trabalho curioso, descreve o "método natural", técnica de ensino da linguagem desenvolvida pelo autor. Texto anteriormente publicado na Revista da Sociedade de Instrcção do Porto, oferecido por Urbino de Freitas à memória de seus pais. 
A Biblioteca Nacional dá notícia de duas obras da autoria de Urbino: A theoria e a pratica em medicina. Dissertação de concurso á Escola Medico-Cirurgica do Porto (1877) e O ensino natural da linguagem (1884), esta última, "sem informação exemplar".
"O ensino da linguagem fundamenta toda a instrucção e quando natural, será a iniciação unica n'um plano verdadeiramente educador, promotor de um natural, por adequado e integro, desenvolvimento das aptidões de cada individuo e portanto da collectividade resultante.
Se esta affirmação é justa e se ella estiver justificada e devidamente definida, nas paginas que vão ler-se, é natural esperar que espiritos orientadores, e por estes a imprensa periodica, o declarem no proveito publico, que lhe cabe garantir."
(Excerto do proémio)
"No ensino está garantida a prioridade social e esta offerece um alvo obrigado a todo o esforço humano, vide America do Norte. Sentir e realisar o bem são o motivo e o fim da existencia individual e collectiva do homem.
O bem-estar, para saber bem e sentir melhor. Assim, para que o homem seja bom, importa ser util e portanto intteligente e instruido, o que ainda presuppõe o ser valido, capaz physicamente.
Em sua maioridade, o homem satisfará á lei moral, motivo e fim da sua existencia, na medida de um caracter disposto a realisar o bem, assegurado este por uma energia nativa e adquirida - virtual, nas aptidões phisicas, psychicas e conhecimentos adquiridos; realisada, na apropriação prática d'estes e d'aquellas ao bem social."
(Excerto de O ensino natural da linguagem)
Matérias:
[Dedicatória]. | [Proémio]. | O ensino natural da linguagem. | Elementos methodologicos apropriaveis ao ensino natural da linguagem. | Nota do Pe. Candido J. A. de Madureira, Abbade de Arcozelo.
Vicente Urbino de Freitas (1849-1913). "Foi um médico portuense, formado na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 1875, e professor na Escola Médico-cirúrgica do Porto. Em 1877, casou com Maria das Dores, filha de um rico comerciante de linhos. A este casamento sucederam-se um conjunto de mortes de familiares directos de Maria das Dores em circunstâncias suspeitas, nomeadamente as dos seus irmãos Guilherme e José, este último após ter sido consultado por Urbino de Freitas e com os sintomas típicos de ingestão de veneno. Alguns meses depois, os três sobrinhos de Maria das Dores, filhos dos seus irmãos falecidos que passaram a viver com os avós, receberam uma encomenda suspeita de bolos e amêndoas que revelavam um sabor esquisito provocando-lhes mal-estar. Estas foram atendidas pelo tio Urbino que lhes receitou eméticos e clisteres com a recomendação que fizessem uma retenção tão longa quanto possível. Apenas Mário, o rapaz e o mais velho, seguiu a prescrição do tio, mas viria a falecer com sintomas semelhantes aos do seu tio José. As suspeitas de envenenamento recaíram em Urbino de Freitas, acusado de querer ficar o único herdeiro da fortuna do sogro.
As circunstâncias do crime e a frieza e crueldade dos actos de Urbino causaram bastante celeuma e indignação. O caso foi muito mediático, tendo sido acompanhado diariamente pela população e tendo originado inúmeras discussões. No cerne da questão estavam as análises toxicológicas dos cadáveres e dos alimentos suspeitos. [...]
[Pelo] acórdão de 1 de Dezembro de 1893, do Tribunal Criminal do Porto, Urbino de Freitas foi condenado a oito anos de prisão e ao degredo pelo homicídio do seu sobrinho Mário. O réu, demitido das suas funções e proibido de exercer medicina, acabou por ser deportado para o Brasil após ter cumprido a pena de prisão na Penitenciária de Lisboa. [...]
Uma comissão de portugueses e brasileiros, convictos da inocência de Urbino de Freitas no caso do envenenamento ocorrido no Porto, enviou uma petição ao Rei D. Carlos, pedindo a revisão do processo, que não foi deferido. Em 1913, Urbino de Freitas regressou a Portugal, e até ao fim da sua vida alimentou uma batalha jurídica, procurando novos elementos de prova que o habilitassem a obter um despacho judicial favorável. Contou sempre com o apoio e a fé inquebrantável da sua inocência por parte da esposa, Maria da Dores Freitas. Morreu no dia 23 de Outubro de 1913."
(Fonte: http://dererummundi.blogspot.com/2008/05/o-caso-urbino-de-freitas.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com vincos e pequenos defeitos. Paginas apresentam manchas de oxidação. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito raro.
Peça de colecção.
75€