11 abril, 2022

RIBEIRO, Joaquim Pedro Victorino - SOCCORROS DE URGENCIA (breves notas)
. Porto, Imprensa Nacional, 1910. In-8.º (22,5 cm) de 74 p. ; B.
1.ª edição.
Dissertação inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Importante contributo para a história dos cuidados de saúde relacionados com a estabilização e prestação de primeiros socorros levados a cabo em situações de emergência no exterior dos hospitais, cujos procedimentos se mantêm actuais ainda hoje.
"No Porto, em 1910, Pedro Vitorino Ribeiro, com uma brilhante tese intitulada Socorros de Urgência (Breves Notas) apresentada à Faculdade de Medicina do Porto opina esclarecidamente acerca da Urgência extra-hospitalar. [...]
Como outros hospitais em Portugal o Hospital Geral de Santo António sempre se viu envolvido em acções de Urgência Extra-hospitalar. Como Hospital Universitário foi escola de muitos clínicos e proeminentes figuras, de entre eles o Dr. Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro, que apresentou a sua dissertação em 1910 denominada «Socorros de Urgência (Breves Notas)» onde relatou a necessidade e as vantagens da organização dos serviços de cuidados de emergência. (Bandeira 1995): «Apresentada como dissertação inaugural à Faculdade de Medicina do Porto em 1910, a doutrina nela expendida é duma actualidade marcante. Constituída por 58 páginas de texto, logo nas palavras prévias o autor escreveu: «O desastre sucedido num diário desta cidade, onde em um aluimento foram arrastadas dezenas de pessoas da altura de um andar. Contaram-se numerosos feridos e dez mortos. Acorreram prestes os bombeiros, libertando os desventurados do pavoroso amontoado em que jaziam. Sucessivamente iam sendo transportados em macas para o hospital os que não podiam caminhar por seu pé. Ferimentos, asphixias, fracturas, tudo foi, se bem que mal, a caminho da misericórdia, numa extensa caravana desoladora. Eis a questão. Se houvesse um serviço de socorro organizado, com pessoal idóneo, médicos e auxiliares, uma selecção teria sido feita no momento, e não haveria por certo a registar um número tão elevado de mortos. Aventarei mesmo que todos escapariam... algumas das vitimas, as sufocadas por asphixia, deveriam ser socorridas imediatamente nas casas próximas.
Matou-as a longa caminhada para o hospital. As conclusões das autópsias o confirmam: das dez vitimas, nove morreram devido a asphixia por sufocação e uma pela hemorragia proveniente dos ferimentos.»
E mais adiante «Proclamar, pois, as sumas vantagens da organização dos socorros médicos nos sinistros, do estabelecimento de postos nas margens, fluviaes e marítimas, e da vulgarização dos socorros de urgência, taes são os intentos déste desprendido tentamen que a lei determinou, mas que a razão dos factos concebeu, embora precipitadamente, atabalhoadamente...»
O I Capítulo intitula-se «Necessidade e vantagens do serviço de pronto socorro. Sua organização em diversos países» do qual se extracta:
«Contudo, no sentido de socorros de urgência, nenhuma tentativa séria foi ainda feita. Os estabelecimentos hospitalares que tentam suprir esta falta são, sob tal ponto de vista, o que todos sabem – insuficientes. A ineficácia da sua acção resulta simplesmente de ser - demasiado tardia. Tal sucede aqui, no Hospital de Santo António. Único oásis no meio de um enorme deserto, muitas vezes a sua Iympha nem chega a humedecer os lábios d’aqueles que o demandam. O último sopro de vida extinguiu-se no caminho. Concretizemos. Afoga-se uma criatura no Douro, e por qualquer meio é agarrada e conduzida a terra. Que é uso fazer-se em tal conjectura? Apitar, para acudir a polícia que manda buscar uma maca à esquadra mais próxima e faz transportar, com uma duvidosa ligeireza, o desventurado para o Hospital da Misericórdia."
(Fonte: file:///C:/Users/aassm/AppData/Local/Temp/Miguel%20Bombarda%20e%20Singularidades%20de%20Uma%20%C3%89poca%20(2006)%20Bandeira,%20Teiga,%20Gandra,%20Pereira-Pinto.pdf)
"Dada a importancia que hoje vêm merecendo, nos diversos paizes, os serviços de primeiro soccorro, já com organisação propria, já mesmo individuaes, affigura-se-me de vantagem, visto taes serviços serem entre nós em extremo precararios, tomal-os para assumpto da obrigada prova final. [...]
Entre nós taes soccorros seriam de proveitosos effeitos, quer na margem ribeirinha e maritima, quer no seio da população. Em uma e outra parte ha, por fortuna, sempre a contar com individuos prestimosos que encaram o risco para valer a uma vida. Mas bem bastas vezes o esforço resulta inutil, por não ser racionalmente completado. E como deverá ser cruel e doloroso para o dedicado salvador vêr perdido o seu denodo e baldado o seu sacrificio! O ente desfallecido e inane que tanto lhe custou a arrancar ao perigo, umas vezes em fragil casca de noz ou em pleno elemento defrontando o arremetter das vagas, outras vezes em debil escada mordido pelas labaredas, não mais accordou do somno profundo em que cahira. É que o acto de generosidade fôra incompleto."
(Excerto de Palavras prévias)
"Na epocha presente, de vida activa e laboriosa, onde os serviços de assistencia social são por demais necessarios, assignalam-se como dos não menos importantes aquelles que visam soccorro rapido e efficaz. Augmentadas as causas do perigo, pelo uso assombroso do vapor e da electricidade, nas industrias e nos transportes, devia consequentemente crescer o numero dos accidentes. D'ahi a necessidade de um socorro prompto, em harmonia com as exigencias imperiosas do viver moderno."
(Excerto do Cap. I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro)
Matérias:
Escola Medico-Cirurgica do Porto : Corpo Docente. | [Dedicatórias]. | Palavras prévias. | I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro. Sua organisação em diversos paizes. II - A asphyxia: considerações geraes. - Asphyxia toxica pelo oxydo de carbono. - Asphyxia por suffocação. - Asphyxia por submersão. III - Tratamento das asphyxias; processos antigos e modernos. | Breves instrucções para soccorro em caso de morte aparente. | Proposições.
Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro (1882-1944). "Era o mais velho dos três filhos do pintor e coleccionador Joaquim Vitorino Ribeiro. Frequentou a Academia Politécnica do Porto (1902-1905). Deste estabelecimento de ensino transitou para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde, em 1919, concluiu o curso de Medicina com a defesa da tese "Socorros de urgência - Breves Notas". De seguida, partiu para Paris, onde se especializou em Radiologia. Regressou ao Porto em 1911. Em 1919, foi nomeado clínico auxiliar da Santa Casa da Misericórdia e chefe do Laboratório de Radiologia e Fotografia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, desde 1913, exercia as funções de chefe do Gabinete de Fotografia e Electroterapia. Em paralelo com a formação académica e a carreira médica, desenvolveu muitas outras actividades humanitárias e culturais. Foi militar (voluntário de Infantaria em 1901, alferes em 1911, tenente-médico em 1915 e capitão em 1918), tendo chegado a participar na I Guerra Mundial, pois integrou como capitão-médico miliciano o Corpo Expedicionário Português que partiu para Paris em Abril de 1918. Participou em jornadas arqueológicas e artísticas pelo país, desenhando, pintando e tirando fotografias."
(Fonte: https://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/documents/300191/?)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interessehistórico.
Peça de colecção.
65€

10 abril, 2022

BOMBARDA, Dr. Miguel - LICÇÕES DE PSYCHIATRIA : livro postumo, ornado de interessantes fotografias
. Lisboa, Editor e Proprietario : Empreza de Publicações Populares, 1916. In-8.º (22,5 cm) de 114, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apontamentos coligidos pelo autor sobre epilepsia, loucura e demência em geral, valorizados pelo pormenor da descrição de inúmeros casos por si diagnosticados - pacientes internados, com rosto, identificados pelo nome de baptismo.
Livro profusamente ilustrado no texto com fotografias de casos estudados pelo eminente Professor.
"É notavel ver como dos erros da sciencia mais tarde surgem ilucidações que nos põem a caminho da verdade a mais positiva. N'este seculo a concepção das doenças, segundo Raspail, a concepção perfeitamente imaginaria de todos os estados patologicos serem devidos á invasão do organismo pelos vermes, foi predecessora da moderna patologia despida, porem, dos erros Raspailianos. A doutrina microbiana não teve outra origem; os trabalhos de Pasteur, tão exactos que se poderiam em boa rasão chamar mathematicos, não tiveram outra aurora. E de esteio tão falso, de theoria tão phantastica surge a moderna pathologia, tão brilhante pela analyse dos seus factos, como prodiga em conclusões de alto valôr.
Alguma cousa de semelhante se passou na doença que hoje passamos a estudar.
Durante seculos a epilepsia consistiu apenas no ictus, a fulguração, o ataque convulsivo. Um individuo começa por sentir uma dôr, dá um grito, immediatamente cahe pesadamente como um boi depois de picado pela choupa, fica hirto, inteiriçado, em seguida largos gestos, relaxamento dos sphinters, e por ultimo levanta-se, readquirindo mais ou menos lentamente a consciencia."
(Excerto de I - Epilepsia - O ictus não caracterisa a epilepsia)
"A doença que vamos estudar é uma transição entre as doenças da clinica commum e as da clinica psychiatrica.
Na primeira os quadros  morbidos são da mais completa fixdez na etiologia, na marcha e no tratamento: parecem formar uma sobreposição ao normal e a doença constitue como que um accidente da vida do individuo. As causas são bem determinadas, trata-se por exemplo d'uma doença infecciosa: pelo seu lado a terminação é perfeita.
Em pathologia mental ha uma fusão entre o quadro morbido e o individuo; não ha aquella nitidez, aquelle rigor.
Não ha causas determinadas, occasionaes, mas a etiologia da forma morbida acha-se confundida com a vida do doente mesmo ab-ovo: outras vezes até na ascendencia, o pae é um alcoolico, um epileptico, o que importa para o filho terreno e doença, arvore e fructo. Se o individuo nasce são e sem táras, uma doença infecciosa deixa o organismo epauperado, e produz phenomenos, cujo resultado é uma alienação. Verdade é que a doença não vae implantar-se, mas já está no individuo. Não ha, pois, uma cousa de sobreposto, como na clinica commum. Um acesso eplileptico não é accidente no epileptico.
A confusão mental primitiva estabelece a ligação das duas clinicas, porque sendo uma doença mental, tem etiologia nitida, - um traumatismo, um choque psychico, uma doença infecciosa, - e uma terminação definida, deixando o doente são.
É uma doença accidental, estranha á individialidade. É por todas estas razões que escolhi esta psychonevrose para com ella encetar o estudo da psychiatria especial."
(Excerto de II - Confusão mental primitiva)
"Iniciámos o curso de psychiatria com o estudo de confusão mental, affecção de marcha aguda com que estabelecemos o laço entre as doenças de clinica commum e as phrenopathias.
Effectivamente á demencia primitiva apenas falta a anatomia pathologica para ser perfeitamente analoga a qualquer doença aguda da da clinica ordinaria.
Hoje vamos começar o estudo da paralysia geral, ou demencia paralytica com symptomas constantes, e analoga ás doenças chronicas da clinica commum. [...]
É, pois, doença de recente descripção, sendo outr'ora rara, hoje vae-se tornando mais frequente, sendo até considerada por muitos psychiatras como doença da civilisação."
(Excerto de III - Paralysia geral)
Matérias:
I - Epilepsia. II - Confusão mental primitiva. III - Paralysia geral.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
45€

08 abril, 2022

BRASIL, Jaime - O JAPÃO ACTUAL
. Lisboa, Editorial Cosmos, 1936. In-8.º (18 cm) de 47, [1] p. ; [4] p. il. ; B. Col. Cadernos de Cultura, N.º 1
1.ª edição.
Retrato do Japão pouco antes do início do conflito sino-japonês e da Segunda Guerra Mundial - estudo premonitório do que se seguiria, tanto relativamente ao sonho imperialista nipónico, como o "remédio" para pôr fim a essa ambição.
Livro ilustrado com 4 estampas: O Imperador Hirohito; Treino de armas da mocidade; Toyama, chefe da seita nacionalista "Dragão Negro"; O General Sadao Araki, incarnação do espírito militarista do Japão.
"Para fazer uma ideia, ainda que, apenas, aproximada, do Japão actual, é preciso lnçar uma vista de olhos pelo passado. As condições de vida, nesse país, determinam a psicologia dos seus habitantes, os quais passaram, em menos de cem anos, do estado a que o Ocidente chama bárbaro, para o duma completa civilização industrial, superior, sob muitos aspectos, á dos povos europeus e americanos. No entanto, grande parte do povo e, sobretudo, as classes dirigentes do Japão conservam uma mentalidade peculiar, difícil de ser compreendida pelos ocidentais. Essa mentalidade, que faz do patriotismo uma religião, tornou possível o rápido progresso dêsse país, o qual é, hoje, uma permanente ameaça para todo o mundo, dada a sua necessidade de expansão e o ardor e firmeza postos em levar a cabo esta."
(Excerto do Cap. 1 - Vista de olhos pelo passado)
Matérias: 1 - Vista de olhos pelo passado. 2 - A revolução operada na era "Meiji". 3 - O período do feudalismo económico. 4 - O plano da expansão nipónica não é só panasiático. 5 - O sistema da colonização com "intermediário". 6 - O choque das forças políticas em presença.
Artur Jaime Brasil Luquet Neto (Angra do Heroísmo, 1896 - Lisboa, 1966). "Jaime Brasil nasceu nos Açores; veio estudar para Coimbra em 1909 com Adriano Botelho e outros, seguindo depois para a Escola de Guerra e entrando na carreira de oficial do Exército. Afastando-se dela com a patente de tenente, enveredou cedo pela profissão de jornalista, que desempenhou por toda a vida, vindo a ser chefe da delegação em Lisboa do diário “O Primeiro de Janeiro”, sucedendo a Pinto Quartim, nos anos 50. Em 1932-33 publicou vários livros sobre a questão sexual, liberdade afectiva e controlo dos nascimentos, que lhe valeram polémicas com os católicos e o exílio em França e Espanha. Durante a guerra civil neste país, advogou uma frente única antifascista. Foi preso em 1940, no seu regresso a Portugal. No final desta década foi à Palestina e publicou o livro Shalom, Shalom."
(Fonte: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=427)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Com interesse histórico.
Muito invulgar.
25€

07 abril, 2022

PÉGAS, Belmiro - OS INCONVENIENTES DO ESPARTILHO.
Dissertação apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto
. Porto, Officinas de Impressão, Estereotypia e Photogravura da Typographia Central, 1903. In-8.º (22,5 cm) de 95, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre o uso do espartilho e os seus inconvenientes para a saúde feminina.
Livro ilustrado com desenhos esquemáticos no texto.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Á Micas (dos Tintureiros) com um grande chi do coração e um bom chôcho.".
"Sim é na sociedade hodierna onde a moda avassala tudo, fugindo aos preceitos de uma boa hygiene, que vamos buscar o assumpto de que carecemos para escrever algumas paginas a titulo de bons conselhos para as mulheres que se sujeitam por sua propria vontade aos inconvenientes de um mau espartilho, tal como o que usa hoje a grande maioria d'ellas.
Já ha muito que vendo essas cinturas de vespa das elegantes do nosso tempo, de semblante anemiado, perguntamos á custa de que sacrificios conseguem aquelle excesso de contricção? [...]
É triste vêr o aspecto que nos apresentam essas jovens que por agi passeiam mettidas no seu espartilho muito apertado: o tronco muito direito, movendo-se no seu conjuncto sobre as articulações coxo-femuraes, em lugar de ter aquella flexibilidade propria da columna vertebral principalmente ao nivel da região lombar.
Quando sóbem um passeio póde-se bem notar a maneira como o fazem... e se teem a infelicidade de deixarem cahir ao chão um objecto qualquer? Então deixam-nos bem patente o verdadeiro supplicio em que andam mettidas.
Imaginaes que para o levantar se curvam deante do objecto cahido, como faz outra qualquer mulher, que não traga espartilho, pela flexão do tronco sobre os membros inferiores? Não; abaixam-se pela flexão das coixas sobre as pernas, estendendo o braço para apanhar o objecto, de maneira que o tronco não se desvie da posição vertical a que está sujeito por este terrivel compressor. [...]
Ainda não vão passados muitos dias que ouvimos da bocca de uma senhora que se dirigia a amigas: Ah! já não posso respirar!
E realmente vimos que assim devia ser, pois que ella estava altamente comprimida no seu espartilho.
Mas além d'esse prejuizo que á respiração acarreta o espartilho, teremos occasião de vêr o grande numero de doenças de que elle é causa quando usado muito apertado ou quando elle já de si é mau. [...]
É de esperar, porém, que a mulher que deseja a sua emancipação e que participa já dos exercicios physicos dos homens, nos differentes generos de sports, se vá a pouco e pouco libertando do terrivel obstaculo que impede a realisação do seu ideal e que dentro em breve ella lance para longe de si, d'uma vez para sempre esse engenho de supplicio. [...] Libertada, pois, a mulher, pelos sabios conselhos da hygiene, d'esse elemento d'atrophya, poderá então aspirar a uma vida melhor, o livre desenvolvimento desde a sua tenra idade tornal-a-ha forte para a procreação, porque, como diz Fonsagrives: «Educar uma menina é formar uma mãe.»
Faremos, pois, a respeito do espartilho um pequeno resumo historico, encarando-o depois sob o ponto de vista physiologico e hygienico, terminando, por umas conclusões resumidas do nosso trabalho."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias: Historia e opiniões ácerca do espartilho. |  Deformações produzidas pelo espartilho no esqueleto do tronco e nos musculos. | Apparelho respiratorio. | Apparelho circulatorio. | Apparelho digestivo. Estomago. | Intestinos, constipação, enteroptose. | Figado. | Apparelho genito-urinario. Rim. | Utero e seus annexos. | Hernias umbilicaes e eventrações. | Conclusões. | Proposições.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil com defeitos. Sem capas. Deve ser encadernado.
Por erro de composição tipográfica, o texto tem início na página 21, quando na realidade, começa na página 12.ª.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
30€

06 abril, 2022

MARKL, Dagoberto L. - XEQUE-MATE NO ESTORIL. A morte de Alexandre Alekhine. Porto, Campo das Letras, 2001. In-8.º (21cm) de 238, [2] p. ; [8] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante relato dos últimos dias de vida de Alexandre Alekhine.
Grande figura do xadrez mundial, personagem algo polémica, este russo naturalizado francês viria a falecer em circunstâncias misteriosas num hotel do Estoril, em Portugal, enquanto se preparava para o match de defesa do título mundial contra Botvinnik.
Livro ilustrado com fotografias a p.b., onde se destaca 'Alekhine morto, no quarto do Hotel do Parque, no Estoril', e com diversos fac-símiles, incluindo o registo de óbito do Mestre.
"Abordar a figura de Alexandre Alekhine é uma tarefa complexa, se tivermos em conta a sua personalidade contraditória e a aura de mito e lenda que a envolveu. Qualquer dos seus principais biógrafos - Kotov, Pawelczac, Pablo Morán e Dimitrje Bjelica - comete erros e omissões, em virtude de se debruçar sobre o campeão sempre no intento de fazer o seu panegírico. Esta atitude faz com que se perca a necessária objectividade ao traçar a biografia do grande mestre russo-francês. [...]
Se passarmos à investigação dos testemunhos documentais que, eventualmente, possam existir entre nós relacionados com a estadia e a morte de Alekhine em Portugal, cria-se uma verdadeira cortina de fumo que dificulta o trabalho do investigador.
A dificuldade na abordagem das instituições onde deve existir documentação essencial para um estudo sério é, talvez, o maior dos obstáculos. Referimo-nos, em especial, aos arquivos da PIDE-DGS, Instituto de Medicina Legal e à biblioteca, já muito desfalcada, do primeiro campeão nacional Dr. António Maria Pires, que se encontra, por catalogar, no Ateneu Comercial de Lisboa. [...]
Todos estes factos conduziram a que o nosso trabalho, primeiro livro no qual nos limitamos a abrir - ou reabrir - o Processo Alekhine, mais não seja que um levantar de dúvidas, procurando, em alguns casos, apresentar uma ou mais soluções possíveis para a melhor compreensão da personalidade de Alekhine e dos acontecimentos dramáticos ocorridos no final da sua vida, em especial no seu trágico fim, num quarto do Hotel do Parque, na noite de 23 para 24 de Março de 1946.
Foi, precisamente, a sua misteriosa morte que nos levou a esta pesquisa.
Para o entendimento deste trágico desenlace há, porém, que ter em conta uma série de acontecimentos que marcaram a vida de Alekhine a partir do começo da II Guerra Mundial, em Setembro de 1939.
Entendemos que, de algum modo, valorizaríamos este trabalho incluindo, em apêndice, os célebres artigos anti-semitas que Alekhine alegadamente publicou, em 1941, no Pariser Zeitung, jornal alemão editado em Paris durante os anos negros da ocupação da capital francesa. Nenhum deles, foi ainda, publicado em português."
(Excerto da introdução)
Dagoberto Markl (1939-2010). "Historiador, museólogo, escritor, jornalista e dirigente associativo. Membro do Partido Comunista Português, estava organizado na célula do Património do Sector Intelectual de Lisboa. Nascido a 27 de Junho de 1939, Dagoberto Markl era Historiador de Arte e membro da Academia Nacional de Belas Artes. Autor de muitos trabalhos de investigação, colaborou nas mais recentes publicações de História e História de Arte, sendo um dos colaboradores do Dictiomary of Art, publicado em Londres. Em 1984 foi distinguido com o Prémio José de Figueiredo da Academia Nacional de Belas Artes, e em 1989 faz no Centro de Trabalho Vitória uma comunicação sobre as fontes iconográficas da obra de Gil Vicente, destaca a DORL. Colaborou assiduamente com o jornal O Diário, e com as revistas Vértice e O Militante. Apaixonado pelo Xadrez, Daboberto Markl foi, para além de praticante daquela modalidade e dirigente do Grupo de Xadrez Alekhine, responsável pela publicação de várias obras sobre a matéria, impulsionador em Portugal do Dia Mundial do Xadrez e o dinamizador da Comissão de História da Federação Portuguesa de Xadrez."
(Fonte: www.avante.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
Indisponível

05 abril, 2022

REGIMENTO // DO // TERREIRO // DA // CIDADE DE LISBOA // No Anno de 1779. // LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAPHICA. // ANNO DE MDCCLXXIX. In-4.º (27 cm) de 50, [2] p.
Alvará de Regimento. Estabelece novas regras para a "boa Administração, e Arrecadação do Terreiro, em beneficio do Público, do Commercio, e da Agricultura, fazendo cessar quaesquer outras".
1.ª edição.
"EU
A RAINHA. Faço saber aos que este Alvará de Regimento virem: Que tendo consideração ao muito que será util ao Público o estabelecimento de huma Administração fixa, e permanente para o bom governo, e economia do Terreiro da Cidade de Lisboa, que suposto tivesse o seu principio ha mais de tres seculos, se acha com tudo hoje inteiramente mudado, tanto na forma do seu edificio, como no methodo, com que he governado: E constando-me pelo Inspector Geral, que ultimamente para elle nomeei, que a experiencia tem mostrado o ser muito conveniente executarem-se as providencias, de que particularmente o encarreguei; e sendo por elle informada da grande utilidade, que póde resultar da observância dellas: Sou servida ordenar se cumprão, observem, e guardem todas as Disposições, que se compreendem neste Regimento, assim a respeito de cada hum dos Lugares, Officios, de que constão os Titulo e Capitulos, que lhe dizem respeito, como de todos os generos, que pelo mesmo Regimento devem entrar, e sahir do dito Terreiro: Pelo que annullo, como se nunca tivessem existido, quaesquer Regimentos, Alvarás, Decretos, e Provisões, que se tenhão expedido desde a erecção do referido Terreiro, em tudo o que se oppuzerem ao que por este novo Regimento Dettermino pela maneira abaixo declarada.
TITULO I.
Das pessoas empregadas da Administração do Terreiro; e qual seja a sua jurisdicção, e obrigações em geral. (§. - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X e XI)
TITULO II.
Das entradas, que devem dar na Meza do Terreiro todos os generos a elle pertencentes; sua formalidade, seus emolumentos, e penas, em que incorrem os que faltarem a ellas. (§. - I, II, III e IV)
TITULO III.
Das medições dos generos do Terreiro; Companhias, a quem pertence o trabalho dellas; preço que dever receber por este trabalho; e penas, em que incorrem os que as não fizerem pelo modo devido. (§. - I, II, III e IV)
TITULO IV.
Das providencias para se evitarem as desordens das medições, e pessimo alojamento dos géneros, que vindo para o Terreiro, são depositados nos armazens situados nas margens das Ribeiras do Sado, do Téjo, e do Guadiana. (§. - I, II, III, IV e V)
TITULO V.
Das descargas dos géneros do Terreiro; Companhias a que pertence o carreto dos mesmos generos; preço dos ditos carretos; e penas com que se devem cohibir as desordens das referidas Companhias, ou de outras, que com as ditas descargas se intromettão. (§. - I, II, III e IV)
TITULO VI.
Dos generos obrigados a irem ao Terreiro: dos exceptuados desta obrgação: dos que podem isentar-se della com licença: da formalidade dessas licenças: das Relações, que no fim do mez devem apresentar aos donos dos mesmos generos: e das penas, em que incorrem os que contravierem o que neste Titulo se dispõe. (§. - I, II, III, IV, V e VI)
TITULO VII.
Da introducção dos generos no Terreiro: Companhia, a quem pertence o carreto dos mesmos generos; preço dos ditos carretos; e penas com que se devem cohibir as desordens da dita Companhia, ou de outras, que com a sobredita introducção se intromettão. (§. - I, II, III e IV)
TITULO VIII.
Dos exames a que se deve proceder nas farinhas, que vem de fóra do Reino, antes que se introduzão no Celleiro para a sua venda destinado: diversas providencias a respeito dellas: e penas dos que faltarem a observar as ditas providencias. (§. - I, II, III e IV)
TITULO IX.
Da venda dos géneros no Terreiro, e sua formalidade: das medidas, de que se deve usar: das liberdades, que competem aos donos dos generos expostos á venda: e ordens que podem passar: dos Celleiros estabelecidos nos suburbios da Cidade: e lojas de farinhas da terra. (§. - I, II, III, IV, V e VI)
TITULO X.
Da sahida dos generos do Terreiro, e Companhia a que pertence: do modo, por que os Vendedores devem dar conta dessa sahida na Contadoria, e receber o Conhecimento para a entrega do produto dos generos na Thesouraria: da formalidade, que se deve observar na Contadoria com os donos dos generos; e Conhecimento, que se lhes ha de passar para receberem os seus pagamentos na Thesouraria: e do que se deve observar na mesma Thesouraria com os referidos pagamento." (§. - I, II, III, IV e V)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Orifícios de insecto, marginais.
Raro.
Peça de colecção.
50€

04 abril, 2022

TORRES, Domingos Neves Monteiro - HISTORIA ROMANA EM VERSO LIVRE. Por... Offerecida. Ao Serenissimo Senhor Infante D. Miguel, Regente de Portugal. Época Primeira. Lisboa. 1828. Na Impressão de A. L. de Oliveira. Rua Portas de Santo Antão N.º 9. Com licença. In-8.º (15,5 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante obra poética sobre a história de Roma deste micaelense por adopção, projecto que se ficou por este volume - "Época Primeira".

"Todos querem gozar essa nobreza
Qu já seus Pais tiverão, desta sorte
Os Romanos julgavão serem Deoses.
Mal que Eneas chegou á grande Italia
Latino o recebeo, e o fez consorte
De Lavinia, por muitos desejada."

(Excerto de Origem de Roma)

Indice:
Ao mesmo Senhor a quem tenho a gloria de offerecer meus trabalhos - Soneto. | Invocação. | Historia Romana. Origem de Roma. | Romulo. 1.º Rei de Roma. | Numa Pompilio. 2.º Rei de Roma. | Tulo Hostilio. 3.º Rei de Roma. | Anco Marcio. 4.º Rei de Roma. |Tarquinio o Antigo. 5.º Rei de Roma. |Servio Tulio. 6.º Rei de Roma. | Tarquinio o Soberbo. 7.º e ultimo Rei de Roma. | [Consulado]. Da expulsão dos Tarquinios, até á morte do 1.º Dictador.
Domingos Monteiro Torres, "Cavalleiro da Ordem de Christo, e de Nossa Senhora da Conceição, Capitão graduado de cavallaria, etc. - N. em Lisboa, segundo se crê, na primeira decada do presente seculo; porém vive ha muitos annos na ilha de S. Miguel, onde casou e adquiriu algumas propriedades. As producções d'este illustre açoriano são até agora pouco vulgarisadas no continente do reino, ao menos em Lisboa. Eu proprio, apezar de alguma diligencia que empreguei, ainda não pude ver todas [as obras que publicou]. Ha quem pretenda descobrir nas idéas do auctor, e na phrase com que as exprime, certa tendencia para a originalidade, notando-se nos seus escriptos alguns rasgos caracteristicos, e de difficil imitação, talvez comparaveis no seu genero aos que tanto sobresaem nos modernos poemas da Pedreida, e Ruinas de Santarem, nas obras philosophicas e politicas do dr. Patroni, e em quasi todas as composições do falecido Antonio Pereira Aragão. Nos seus dramas, sobretudo, ha que muito que admirar n'este genero!"
(Inocêncio, Vol. II, pp. 194/195)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Carimbo na f. rosto. Capas separadas dos cadernos (de origem).
Raro.
25€

03 abril, 2022

HAIG, General Sir Douglas - DESPACHO.
Do... Commandante em Chefe das Forças Britannicas em França
. London: Darling & Son, Limited, 1917. In-8.º (21 cm) de 35, [1] p. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Importante peça histórica WW1. Trata-se do despacho-relatório do general Haig sobre o ponto de situação da guerra à época. Ilustrado com um mapa da zona de conflito, na Flandres - França.
"My Lord - Tenho a honra de submetter a V.ª Ex.ª o seguinte relatorio das operações das forças sob o meu commando desde o dia 19 da Maio, data do meu ultimo despacho.
O principio de uma campanha offensiva durante o verão de 1916 já havia sido decidido por todos os alliados. As differentes alternativas possiveis na frente oeste tinham sido estudadas e discutidas pelo general Joffre e por mim, e estavamos em completo accordo relativamente á frente que deveria ser atacada pelos exercitos combinados Francezes e Britannicos. Os preparativos para a nossa offensiva eram já consideraveis; mas como a data do começo do ataque dependia de muitos factores duvidosos, addiou-e, a decisão difinitiva de sua realisação, até que a situação geral se esclarecesse.
Atendendo á necessidade de comçar as operações antes que o verão estivesse muito adeantado, e tomando na devida consideração a situação geral, eu desejava addiar o meu ataque tanto quanto possivel. O exercito Britannico crescia em força dia a dia e o seu aprovisionamento de munições ia augmentando com regularidade. Alem d'isso uma grande parte dos officiaes e soldados sob o meu commando estavam ainda longe de completamente instruidos, e quanto mais o ataque pudesse ser addiado, mais habilitados estariam."
(Excerto do Relatório)
Douglas Haig, 1.º Conde Haig KT GCB OM GCVO KCIE (Edimburgo, 1861 - Londres, 1928). "Foi um oficial britânico, Comandante em Chefe dos Exércitos de Sua Magestade durante a Primeira Guerra Mundial. Exerceu o comando da Força Expedicionária Britânica de 1915 até ao final da guerra. Notabilizou-se por chefiar pessoalmente os exércitos nas batalhas do Somme e de Ypres, e na Ofensiva dos Cem Dias, alguns dos confrontos mais sangrentos da história militar do Reino Unido."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

02 abril, 2022

VALE, Leocádio do - PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS DE SUPERSTIÇÕES E CRENÇAS
. [S.l.], Garrido artes gráficas, 1998. In-8.º (20,5 cm) de 56, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: Amando Ferreira.
Pequeno ensaio filosófico, simples, redigido sem grandes preocupações de estilo. Invulgar e curioso.
"Sendo o mito a primeira tentativa para explicar as forças da Natureza, representa já um esforço de encontrar uma causa para o efeito tocado. Mas não deixa de pôr o ser humano à mercê de poderes especiais, mas por serem para si desconhecidos ainda se encontravam para lá das suas medidas como o Sol, o rio, o raio, etc., já que o seu conhecimento só serve de medida para os seus actos, e ainda duma forma muito arcaica.
Assim ao construir tradições, vê o esforço do seu trabalho à mercê directa do vento, da enxurrada, do raio, etc. Desta forma, com a falta de dados que ainda não adquiriu nem sequer para se defender quanto mais para enfrentar, só se pode avaliar em relação à catástrofe e daí o lógico raciocínio: "Se não posso dominar estas forças naturais como eu, é porque estas forças podem mais".
Pôs o conhecimento humano sozinho de um lado e todo o meio que tenta transformar dou outro, por não ter conseguido ainda a consciência do seu querer. Em vez disso, limita-se a recorrer para além do mito do ritual a condizer especificamente com o mesmo esperançado objectivo, é que agora, por artes mágicas, que casualmente se opera a acalentadora magia."
(Excerto do texto)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

01 abril, 2022

[FULLER, Josef] - ELEMENTOS DE MODELAÇÃO DE ORNATO E FIGURA.
2.ª edição
.
Biblioteca de Instrução Profissional dirigida por Thomaz Bordallo Pinheiro. Paris : Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand - Rio de Janeiro : S. Paulo : Belo Horizonte, Livraria Francisco Alves, [192?]. In-8.º (18,5 cm) de [2], VI, 148 p. ; mto il. ; E.
"A presente obra define e descreve a modelação, detalhando a modelação em cerâmica e em cera, e a escultura, em pedra e madeira, abordando algumas noções anatómicas humanas (relevantes para a modelação estatuária), e termina com a exemplificação de motivos decorativos aplicados à ornamentação escultural."
(Fonte: https://sites.ipleiria.pt/projetocp2s/2019/01/09/elementos-de-modelacao-de-ornato-e-figura/)
Livro muito ilustrado ao longo do texto com belíssimos desenhos, alguns deles em página inteira.
"Ao escrevermos êste livrinho, não pretendemos dar uma descrição completa do que seja a modelação; nem isso cabia nos limites dos volumes desta biblioteca.
Numerosas são as aplicações da escultura, pois que sendo esta arte de copiar o relêvo dos objectos em pedra, metal, madeira, barro, gêsso ou qualquer outra substância que lhe conserve inalteravelmente as formas, o seu conhecimento é essencial e indispensável ao estatuário, ao escultor, ao canteiro, ao entalhador, ao cinzelador, ao ourives, ao ceramista, ao estucador, etc. [...]
A modelação e a escultura estão de tal maneira ligadas, que esta última não pode existir em toda a sua perfeição sem aquela. Por isso julgamos indispensável que, além da modelação, completemos êste livro com umas noções gerais sôbre a forma e execução da escultura em pedra e madeira.
Trataremos, portanto, na primeira parte da modelação, propriamente dita, em barro e em cêra; na segunda, daremos umas noções sôbre o corpo humano, que julgâmos indispensáveis na modelação de estatuária, e, na terceira, ocupar-nos-emos da escultura em pedra e madeira.
Para finalizar o nosso pequeno livro e para auxiliar todos quanto se interessam por êstes assuntos, juntâmos uma série de estampas com desenhos de diversos motivos ornamentais, que muito poderão concorrer para os estudos de composição e decoração."
(Excerto do Prefácio)
Josef Füller (1861-1927?). "Foi um escultor e professor austríaco. Em Viena, estudou na Escola de Arte Industrial do Império Real Museu Austríaco de Arte e Indústria entre 1879-83, seguido do Curso Geral de Escultura na Imperial Real Academia das Belas-Artes entre 1883-86, e terminou os seus estudos com o Curso Especial na Escola Superior de Escultura entre 1886-89. Antes de terminar este curso, foi contratado como professor na Escola de Desenho Industrial Jácome Ratton em Tomar, com vista a colmatar a falta de professores de desenho em território nacional durante este período, lecionando até 1894. No ano letivo seguinte, foi para a Escola de Desenho Industrial Rainha D. Leonor nas Caldas da Rainha. Cumulativamente, desde 1892, Füller foi diretor artístico da fábrica de faianças caldense Atelier Cerâmico. O escultor mudou-se para a capital quando essa fábrica foi transferida para Campolide em 1896, local onde funcionou até 1899. Foi professor contratado de Desenho Ornamental e Modelação até 1916 e professor provisório de Desenho Geral, Desenho Ornamental e Modelação, cargos exercidos na Escola Industrial Afonso Domingues em Xabregas. Como escultor, participou na 3ª Exposição de Belas-Artes do Grémio Artístico em 1893 e na 4.ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes em 1904. Publicou duas obras, inseridas na coleção Biblioteca de Instrução Profissional, intituladas Manual do Formador e Estucador e Elementos de Modelação de Ornato e de Figura."
(Fonte: https://sites.ipleiria.pt/projetocp2s/2019/01/09/elementos-de-modelacao-de-ornato-e-figura/)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€

31 março, 2022

CARVALHO, Rozendo Antonio de - POESIAS. De... Obra pósthuma precedida d'uma nota biographica sobre o auctor. Coimbra, Livraria de José Mesquita, 1866. In-8.º (20,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Poeta natural da Bairrada, cirurgião num regimento na guerra com os franceses, "trocou a arte de tirar dentes e de compor canellas, pela de versejar" em Coimbra, sua cidade por adopção.
"O empenho que o publico tem mostrado em ler e possuir as poesias do famoso Rozendo nos fez conceber a empreza de as colligir e publicar.
Não consta que o nosso poeta tivesse reunido em um só corpo os ricos productos do seu raro talento; era generoso e desalinhado, predicados caracteristicos da maior parte dos grandes poetas. Contava com a sua fecundidade, e feliz inspiração, não enthesourava; este encargo deixava-o, com nobre orgulho, ao zelo dos seus admiradores. Rozendo improvisava, e com este sublime dote attrahia energicos applausos dos seus ouvintes estupefactos. [...]
A rapaziada academica considerava o poeta Rozendo como um dos primeiros elementos das suas patuscadas, e o appelidavam causa Nostra Lætitiæ. O que na verdade era uma autonomasia gloriosa.
Conversando fóra de delirio poetico não desdizia de razão, mas tornava-se um perfeito maniaco logo que se convencia, ou fingia convencer-se, de que tinha inspirações sublimes. Então as idéas perturbavam-se e affluiam-lhe essas rajadas de absurdos, bem ou mal metrificados - Rozendices - que os ouvintes applaudiam com estrepitosas gargalhadas. Rozendo, sem falta de senso comum, fazia o que um homem com perfeito juizo, ainda mesmo depois de grande esforço, não seria capaz de fazer. Eis aqui o principal merecimento de Rozendo."
(Excerto da Advertencia e noticia biographica do auctor)
 
"Estas maldictas freiras
Que fogem da sua cella,
Para jogarem a péla
Com aboboras porqueiras,
São por certo chocolateiras
Para fazerem café.
Cantando, dó, mi, fá, ré
Com garbo e galantaria
Toca piano uma enguia,
Tomando cachimbo e rapé."

(Excerto de V - Dedicadas ás freiras do convento de Cellas)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
A BNP dá notícia da obra com a indicação "sem informação exemplar".
35€

30 março, 2022

BASTOS, José Gabriel Pereira - PORTUGUESES CIGANOS E CIGANOFOBIA EM PORTUGAL.
(Org.)... com a colaboração de Manuel Mendes e Elsa Rodrigues
. [Lisboa], Edições Colibri : CEMME - Centro de Estudos em Migrações e Minorias Étnicas : Faculdade de Ciências Sociais e Humanas-Universidade Nova de Lisboa, 2012. In-4.º (23 cm) de [2], 436, [2] p. ; [4] p. il. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio histórico, etnográfico e sociológico sobre a etnia cigana em Portugal - trabalho académico, por certo com tiragem reduzida.
Livro ilustrado no texto com gráficos, quadros, tabelas e mapas, e em separado, com 4 páginas pejadas de fotografias a cores.
"A história das relações inter-étnicas dos Europeus com os «seus» Ciganos é longa e variada. No Ocidente, tiveram direito a um período inicial de integração religiosa - apresentavam-se como «peregrinos católico» que se dirigiam a Santiago de Compostela, rompendo com a conversão forçada ao Islão, do qual fugiam para o Ocidente cristão, e como tal foram ajudados ao longo do século XV.Uma vez caída essa identidade, seguiram-se três séculos de perseguições que visavam, para além da expulsão nacional e do degredo para as colónias, duas formas diferentes de genocídio, a extinção física ou a assimilação cultural forçada, com destruição das famílias ciganas e dos seus costumes.
A partir do movimento iluminista, no final do século XVIII, e durante longas décadas, introduzindo novas formas de perseguição e de marginalização, a questão cigana tornou-se uma curiosidade histórica (que língua era aquela que falavam? de onde seriam originários?), a qual, mais tarde, se transformou em curiosidade etnográfica ou, mais precisamente,  Folk-lórica (quais eram os costumes deste povo?)."
(Excerto de Uma introdução : Os ciganos europeus em eras de perdição e de curiosidade científica)
Índice:
Portugueses ciganos e ciganofobia em Portugal: uma introdução. | Actores, história(s) e factores da vida cigana em Portugal. | Estratificação social e formas de vida. | Debates identitários virtuai: o não-diálogo intercultural. | Vozes de um  mundo distante: os Roma na Roménia.
José Gabriel Pereira Bastos (19423-2021). "Antropólogo, Psicanalista, Investigador sénior (CRIA-FCSH), co-fundador do Núcleo de Estudos Ciganos do CEMME (Centro de Estudos de Migrações e Minorias Étnicas, 2000-2008). Co-autor de As minorias étnicas em Portugal (1997), de Portugal Multicultural (1999), de Filhos Diferentes de Deuses Diferentes (2006), de Sintrenses Ciganos (2007), de Que futuro tem Portugal para os Portugueses Ciganos? (2007) e de “A questão cigana”, in Portugueses Ciganos e Ciganofobia em Portugal (2012)."
(Fonte: https://visao.sapo.pt/autores/jose-gabriel-pereira-bastos/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

28 março, 2022

DIPLOMA DOS CIDADÃOS. Relato da Sessão da Colónia da Guiné de 20 de Setembro de 1946 e Comentários Publicados no Boletim da Agência Geral das Colónias N.º 268 de Outubro de 1947. 
[Diploma legislativo da Colónia da Guiné n.º 1.346 de 7 de Outubro de 1946]
. Bissau, [s.n. - Composto e impresso na Sociedade Industrial, Limitada - Lisboa], 1947. In-4.º (23,5 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Documento histórico. "Marcello Caetano, enquanto Ministro das Colónias de 1944 a 1947, prosseguira (já então) uma política de «evolução na continuidade» da colonização portuguesa, cujos factores inovadores eram, por um lado, a progressiva autonomia administrativa e o desenvolvimento económico e social das colónias e, por outro, a cautela perante a conjuntura internacional do pós-guerra e a ascensão das forças anticolonialistas, especialmente norte-americanas. Ora, a colónia da Guiné foi escolhida como primei­ro campo de ensaio destes novos rumos da política colonial portuguesa." [...] Entre outras medidas significativas, foi aprovado o "Diploma dos Cidadãos, como ficou conhecido o Diploma Legislativo n.º 1364, de 7 de Outubro de 1946, que reformava o chamado «Diploma dos Assimilados» (Diploma Legislativo n.º 535, de 8 de Novembro de 1930), o qual, por sua vez, estabelecera as condições em que os natu­rais das colónias podiam passar à condição de «assimilados a europeus», definindo, desse modo, um estatuto pessoal, étnico e hereditário, no caso aplicável aos guineen­ses de origem mas não aos caboverdianos (que nunca estiveram sujeitos ao regime de indigenato). Na Guiné, a partir de 1946, passaram, portanto, a distinguir-se relati­vamente aos «indivíduos de raça negra, ou dela descendentes» apenas duas categorias - os indígenas e os cidadãos (ou «civilizados») -, abolindo aquela terceira categoria de «assimilado». Eram considerados indígenas os indivíduos de raça negra ou dela des­cendentes que não preenchessem conjuntamente as seguintes quatro condições: a) falar, ler e escrever português; b) dispor de rendimentos suficientes ao sustento fami­liar; c) ter bom comportamento; d) ter cumprido os deveres militares. As condições de passagem à condição de cidadão português (ou seja, de «civilizado») eram enun­ciadas pelos artigos 2.º e 3.º, sendo o bilhete de identidade o «o único documento com­provativo da qualidade adquirida de não indígena» (artigo 4.º). A verdade é que este regi­me só em 1954 seria aplicado em Angola e Moçambique pelo novo «Estatuto dos Indígenas», desenvolvendo a filosofia de assimilação que enformara a revisão constitucional de 1951 e sendo o próprio Sarmento Rodrigues Ministro do Ultramar. O referido Diploma dos Cidadãos, disse-se então, era «o mais importante no género do Império Colonial Português»."
(Fonte: https://journals.openedition.org/cea/1236)
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Dr. Álvaro Tavares, administrador colonial português natural de Ponta do Sol, Cabo Verde.
"Pelo presente diploma reforma-se o diploma legislativo n.º 535, de 8 de Novembro de 1930, que estabelece as condições que devem caracterizar os indivíduos naturais das Colónias para serem considerados assimilados a europeus. [...]
Sendo da essência orgânica da Nação Portuguesa civilizar as populações indígenas dos domínios ultramarinos, deve, por essa superior razão, encarar-se com verdadeiro júbilo o reconhecimento de todos os progressos - honestos, graduais e seguros - verificados nesse campo. Por cada novo cidadão responsável que se desprenda do indigenato, é mais um esforço civilizador que se consagra e uma ambição, bem justificada, que se preenche."
(Excerto do Diploma)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

27 março, 2022

COSTA, Daniel - AMOR NA GUERRA
. Alcochete, Alfarroba, 2010. In-8.º (21 cm) de 99, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso livro de memórias do autor sobre a sua estadia em África, desde os primeiros de meses de 1962 até Abril do 1964, - "enquanto militar mobilizado em comissão de serviço no norte de Angola a fim de combater na guerra colonial" -, reproduzindo  um conjunto de crónicas em jeito de "diário", anteriormente publicadas no Jornal da Amadora. "Todo o descritivo situa-se na ambiência geográfica. [...] O acervo de dados a partir do Esquadrão 297 é impressionante: o real quotidiano, as obrigações de guerrilha, o outro. O alojamento, os acampamentos, as refeições, o convívio entre militares, o lazer, as madrinhas de guerra. Os desfiles. A sexualidade na ambivalência das recordações femininas e as "derivações" na mulher africana.".
Livro ilustrado com fotogravuras ao longo do texto.
"Com a chegada de oficiais de Cavalaria ao Regimento em Estremoz, em Agosto de 1961, sob o comando do então Tenente-Coronel Spínola, formando o Batalhão 345, onde Daniel Costa foi incorporado, este ficou com a certeza da sua mobilização para a Guerra do Ultramar.
Logo aí o autor decidiu anotar diariamente todas as incidências.
Depois de algum tempo a pertencer àquele batalhão, no Esquadrão 297 avançou, adido, para o quartel de Faro, onde ficaria a aguardar embarque.
A 11 de Janeiro de 1962, partindo já de Faro, o 297 foi juntar-se, no cais da Rocha Conde de Óbidos, ao Batalhão 350, comandado pelo franzino Tenente-Coronel Costa Gomes. Ali embarcou para Angola.
Sempre o diário foi acarinhado. Apesar do autor ter sido jornalista e editor de uma revista mensal durante 30 anos, nunca tinha havido tempo para concretizar a compilação e edição do diário."
(Retirado da badana posterior)
"A quatro de Fevereiro de 1961, grupos de guerrilheiros protagonizaram ataques à Casa de Reclusão, ao quartel da P.S.P. e à Emissora Oficial de Angola. Actos que passaram a ser considerados o início da guerra em Angola.
Os canais de informação de que dispunha o Estado indiciavam que ia começar uma luta sem quartel,  para libertação de todo o Ultramar, administrado pelo Governo Português.
Foi já nessa conjuntura que, em 1959 teve lugar a minha inspecção militar. Confesso que me agradou o apuramento para "todo o serviço", à época a passagem pela vida  militar para quem viva como trabalhador rural, era considerada assim como uma "Universidade", visto que traria um certo desenvolvimento para o intelecto."
(Excerto do Prólogo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

26 março, 2022

CARDIA, Dr.ª Amélia - VISIONÁRIO : romance psicológico. Lisboa, Edição da Autora, 1932. In-8.º (19cm) de XII, 196 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante romance "psicológico", dedicado pela autora à memória de seu falecido filho.
Ilustrado extra texto com um retrato de Amélia Cardia.
Exemplar da tiragem de trinta exemplares, numerados, em papel especial. O presente leva o n.º 20.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.

"«Ao escritor da hora presente», - deixei-o dito há muito - «incumbe orientar as vagas tumultuosas do pensamento incerto dos novos, empunhando o facho que deve iluminar a derrota a esses mareantes sem bússula.»
Penetrada desta convicção, jamais esqueço o cumprimento de tão sagrado dever em tudo quanto escrevo para ser interpretado: «Por aqui» - quer seja para entregar à publicidade, quer para ficar inédito entre a papelada dispersa, de poucos lida, que nenhum valor tem a não ser a coerência das afirmações que nela se encontram com a norma prescrita pela voz da Realidade Espiritual que vem ditar a cada um de nós a lei da nossa peculiar actuação no mundo, norteando-nos pelo ideal do bem comum, no grupo social de que fazemos parte.
É assim que nos integramos harmonicamente no complexo dinamismo do Universo.
Quando, pelo exercício das faculdades superiores do nosso espírito - núcleo de forças de um potencial espantoso - atingimos o conhecimento da nossa telepatisação com a ambiência etérica do meio em que banham todos os seres, de contínuo atravessado pelas suas ideias, as suas sensações, as suas volições, é que nos apercebemos da reciprocidade das acções telepáticas, moderadoras acidentalmente da corrente de perpétuo movimento em que se revela a Vida. [...]
Resultou destas considerações a contextura do presente romance «VISIONÁRIO» personalidade de alma cândida e generosa que na perfeita integração do seu dever moral e cívico de homem, desenvolveu, mercê de circunstâncias imperiosas, tendências congénitas intelectuais e sensitivas que o divinisariam se tivesse vindo ao mundo em tempo próprio."
(Excerto do prólogo - Á guisa de prólogo)
Amélia Cardia (Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). "Médica e escritora. Dedicou-se ao estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis. Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa. Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas - Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita."
(Fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas levemente oxidadas.

Raro.
Indisponível

25 março, 2022

MOERS, Walter - O CARA DE CU.
Tradução de Luís Filipe Coelho. 1
. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1994. In-fólio (30,5 cm) de 48 p. ; todo il. ; C. Col. Humor com humor se paga, 37
1.ª edição.
Álbum de banda desenhada composto por 14 histórias protagonizadas por um personagem abjecto e safado, sendo a primeira o momento do seu nascimento. Curioso e muito engraçado. Cremos que, sobre este "herói", apenas se terá publicado o n.º 1 nesta conhecida colecção.
Walter Moers (n. 1957). "Nasceu em 1957 e vive em Monchengladbach. Os seus trabalhos aparecem regularmente nas revistas satíricas Titanic e Kowalski. É autor e desenhador de livros para crianças e de livros para adultos, de filmes de animação para televisão e autor de séries radiofónicas. É o pai das figuras Kapt' n Blaubar e de Kleines Arschloch (O Cara de Cu). Este seu personagem de B. D. tem sido um enorme êxito na Alemanha (Kleines Arschloch), em França (Le Petit Connard) e na Grâ Bretanha (Little Asshole). Na Alemanha foram já vendidos 300.000 exemplares deste álbum e existem disponíveis no mercado muitos e diversificados produtos de merchandising."
(Retirado do verso da f. rosto)
Exemplar cartonado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

24 março, 2022

S. CARLOS, PORTUENSE - Fr. Ignacio de - DISCURSO MORAL, E POLITICO SOBRE OS CONTRABANDOS, OFFERECIDO ao Ill.mo, e Ex.mo senhor LUIS MAXIMO ALFREDO PINTO DE SOUZA COUTINHO, VISCONDE DE BALSEMAÕ, DO CONSELHO DE S. A. R., e da Sua Real Fazenda, Senhor Donatario dos Conselhos de Ferreiros, e Tendaes, Alcaide Mór de Castello Mendo, Commendador de S. Martinho de Lordello do Ouro na Ordem de Christo, Cavalleiro de Devoçaõ da Sagrada Religiaõ de S. Joaõ de Jerusalem &c. &c. Por... Franciscano, dos Observantes de Portugal. PORTO: Na Typog. que foi de Antonio Alvarez Ribeiro, 1814. Com licença da Mesa do Desembargo do Paço. In-8.° (15 cm) de [14], 220, [10] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do protecionismo industrial e comercial implementado em Portugal no período que se seguiu às Invasões Francesas.
"Meditando por muitos annos sobre quanto lia, e via praticar-se ácerca de Contrabandos, me vi como obrigado a formar a este melindrozo respeito huma Memoria particular, para me servir, como tem servido, de regra no Tribunal onde se naõ mente. Nunca temi por isso as oppoziçoens, que se me enrostavaõ, fundadas em AA., que sempre caracterizavaõ de melhor nota: bem presuadido de fraqueza de meus principios, e constantes na certeza, e segurança dos meus, rezolvia, sem hezitar, contra todos os argumentos contrarios. Ainda hoje conservaria em silencio  este sistema, se ainda hoje me fossem, como foraõ até agora, indifferentes as ultimas palavras do Epigrafe, que tanto Os Encyclopedistas, como os seus fieis Copistas, inseríraõ em humas mesmas Obras com differentes titulos, sobre o assumpto. Contudo: aquelle Epigrafe, se á força de maior reflexaõ naõ excitou o meu pejo, por naõ entender já mais comigo, excitou a minha rezoluçaõ para manifestar aos Ministros do Santuario, e aos meus Nacionaes, os meus muito antigos sentimentos. Naõ os considero absolutamente izentos de censura; basta ser o primeiro, que fallo na materia, para logo a merecer: mas o momento, em que me convencerem, será tambem o momento da minha pública, e sincera retractaçaõ."
(Excerto da introdução - "Aos Portuguezes")
Sobre esta obra, publicou a «Gazeta de Lisboa» de sexta-feira, 21 de Maio de 1819, um pequeno artigo:
"Sahio á luz: Discurso Moral, e Politico sobre os Contrabandos, composto por Fr. Ignacio de S. Carlos, Portuense, Obra original nestes Reinos, e de todo o interesse não só para os Theologos, mas para os Jurisconsultos, pela allegação de todas as Leis Civis Patrias atégora promulgadas, e pela noticia dos mais celebres Publicistas, que tratão da materia. Hum volume em 8.º Vende-se na Loja de Carvalho defronte da rua de S. Francisco, e no Porto, em as lojas principaes de Livros."
Encadernação coeva inteira de pele com rótulo e dourados na lombada. Com defeitos.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Miolo irrepreensível.
Raro.
45€