13 maio, 2021

GONÇALVES, J. Torcato - A VIOLETA : romance original. Por...
Lisboa, Typ. rua da Vinha, 43, 1869. In-8.º (16 cm) de 463, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance ao gosto da época, pejado de intrigas, enganos e desenganos, cuja acção decorre em Lisboa.
História fundada em factos verídicos, como se infere das palavras do autor na dedicatória ao Conde de Fonte Nova, Bento da França Pinto de Oliveira: "A amisade com que me tem honrado, e que muitissimo aprecio, foi o mais forte motivo que me levou a dedicar-lhe este simples e despretensioso livro, que apenas poderá primar pela veracidade dos factos a que me reporto."
Sobre o autor e A Violeta nada foi possível apurar, pois não existem quaisquer referências bio-bibliográficas. A BNP refere um J. Torcato Gonçalves como estando ligado ao semanário O Lisbonense que se publicou entre 1869 e 1870.
"É n'um gabinete d'um segundo andar do Poço dos Negros, mobilado com simplicidade e bom gosto, que tem logar a primeira scena d'este romance.
Habita o referido segundo andar uma senhora, que poderá ter os seus vinte e nove annos; de estatura um pouco elevada, mas verdadeiramente elegante; sua tez de uma alvura perfeita e correcta; seus cabellos louros finissimos e longos; seus olhos castanhos, mui penetrantes e compassivos, revelando sinceridade completa, e pezar profundo; seus labios, em fim, ligeiramente pronunciados, são d'um verdadeiro carmim, e quando se entreabrem, deixam vêr uns dentes que bem parecem perolas do mais subido valor.
Filha de gente de alguns haveres e distincção, casou aos desoito annos, com um official de marinha, mancebo de vinte e cinco annos, a quem consagra todo o seu amor. N'uma viagem, que elle a seu pezar, pouco depois teve de seguir, foi accomettido de nostalgia violenta, e d'uma febre activissima, que lhe causaram a morte, a despeito dos exforços da sciencia, e recursos possiveis na occasião.
Trazida a Lisboa a noticia do fatal successo, a familia do finado, olvidando os deveres mais sagrados, repudiou indignamente a infeliz viuva, já orphã, e sem nenhum ente amigo, a qual, para evitar atterradoras calamidades, e mesmo talvez a miseria, a que as pessoas de nobres sentimentos estão expostas, foi constrangida a fazer-se actriz de um dos nossos theatros, onde breve grangeou as sympathias e applausos do publico conscencioso, e os merecidos encomios  de quasi toda a imprensa."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação coeva, inteira de pele, com rótulo carmim e dourados gravados na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Indisponível

12 maio, 2021

GUIMARÃES, Dr. J. J. d'Oliveira - VIRGEM MARIA.
Sermão recitado na Real Capella da Universidade no dia 8 de dezembro de 1902. Pelo... Lente da Faculdade de Theologia
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1903. In-4.º (24 cm) de [2], 21, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Sermão interessantíssimo, com o foco em duas vertentes: o dogma da Virgem Maria e o despontar do movimento feminista mundial, mostrando Oliveira Guimarães lucidez e pragmatismo sobre as matérias versadas, naturalmente à luz do pensamento e práticas da época .
"Ao levantar pela primeira vez a minha humilde voz na presença de assembleia tam illustrada, que outra mais eu não conheço em meu país, não é sem motivada tibieza de ánimo que balbucio as primeiras palavras da pobre oração, que em obediência á lei e compellido pelo dever me vejo hoje obrigado a pronunciar.
Mas, se me sinto absolutamente despido de dotes oratórios, necessários para o bom desempenho da missão de que estou incumbido, e me reconheço portanto incapaz de emprestar a qualquer assumpto o relêvo e colorido, que o torne attrahente e interessante a espíritos tam cultos, resta-me ao menos a consolação de que a matéria sôbre que ha de naturalmente versar o meu discurso é de si tam grandiosa e sublime, que nada lhe poderá obscurecer o alcance, nem empanar o brilho.
Trata-se effectivamente do dogma mais suggestivo, mais sympáthico, mais fecundo em effeitos morais, de toda a economia do christianismo - o dogma da Immaculada Conceição de Maria, definido pelo supremo Hierarcha da Igreja, a instâncias de toda a christandade, a 8 de dezembro de 1854. [...]
Trata-se enfim dum ponto doutrinal, que muito antes de ser imposto pelo inffalivel Magistério de Igreja à crença cathólica, com a verdade irrecusavel dum dogma, já nesta Universidade fôra objecto duma profissão de fé, como prova a inscripção commemorativa que ali está, no topo do transepto desta Capella, profissão que se repetia todas as vezes que houvesse de se conferir algum grau em qualquer das faculdades académicas."
(Excerto da primeira parte da obra)
"Meus senhores: - No momento em que estou fallando, talvez em muitas cidades de Inglaterra ou dos Estados Unidos da América do Norte, em várias dessas reüniões e congressos que revelam ao mundo a crescente importância do movimento feminista, se estejam nesta hora discutindo acaloradamente algumas das questões referentes á mulher, aos seus direitos, aos seus deveres, à sua missão no mundo, às profissões que julgam dever-lhes ser facultadas, à sua situação em relação ao homem, etc. [...]
As multidões impacientes de dôr e de oppressão, cansadas de miséria e de gritos, adquirem a consciência real do seu mal estar. [...]
Este estado de profundo desalento, que tam dolorosamente aggride as consciências e perturba os espiritos, ha de aggravar-se ainda mais, se possivel fôr, quando a mulher, pelas condições económicas, morais e sociais que o meio lhe está preparando, fôr arrastada a reclamar no immenso banquete da vida, pela violência da selecção, a parte que lhe pertence.
Quando esse lúgubre momento chegar, quando a mulher num esfôrço supremo do instincto da conservação, para garantir a sua sobrevivência, fôr obrigada a disputar ao homem a primazia do talento e do domínio, invadindo todas as profissões e misteres até agora a elle exclusivamente reservados; quando ella tiver de pôr ao serviço da necessidade as brilhantes qualidades que a caracterizam, o seu engenho, a sua paciéncia, a sua capacidade esthética, o seu gôsto artístico, a sua rara habilidade manual, a sua astúcia, a sua subtileza, etc., então a lucta pela vida tornar-se ha tam intensa e tam cruel, a selecção social será tam mortífera e violenta, que o mundo nos offerecerá certamente o espectáculo ignóbil e doloroso dum immenso pandemónio, onde a felicidade e o bem estar nunca encontrarám pousada nem lograrám abrigo."
(Excerto da segunda parte da obra)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

11 maio, 2021

MATOS, Jorge de - O PENSAMENTO MAÇÓNICO DE FERNANDO PESSOA.
Prefácio de José Manuel Anes
. Lisboa, Hugin, 1997. In-4.º (23 cm) de 218, [2] p. ; il. ; B. Biblioteca Maçónica, 1
1.ª edição.
Ensaio pessoano que resulta da dissertação de pós-graduação em Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso apresentada pelo autor na FSCH da Universidade Nova de Lisboa.
Livro ilustrado com diagramas, tabelas e desenhos em página inteira.
"O objectivo desta obra é contribuir para uma análise contemporânea sistemática do pensamento hermético-simbólico pessoano (actualmente cristalizado por uma bibliografia hiperintelectualizada e repetitiva), no âmbito de uma das suas áreas temático-estruturais vastísssimamente desconhecidas, por um lado, e uma maior e mais crescente acessibilização académica e informativa do Simbolismo da Tradição Iniciática cultural e sociologicamente portuguesas, baseada na investigação crítico-divulgativa das suas fontes documentais e bibliográficas frequentemente inéditas ou incógnitas, por outro.
Sinteticamente, aborda-se toda a obra maçónica editada de Fernando Pessoa, onde se evidencia uma clara distinção inédita entre a Ordem Maçónica oculta e as Obediências institucionais que a representam formalmente ao nível externo - até aqui identificativamente confundidas."
(Excerto da sinopse-contracapa)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | I - Regeneração Social. II - Da Iniciação ao simbolismo maçónico. III - História e Tradição. IV - O maçonismo pessoano. | Conclusão. Bibliografia. | Anexo Documental. | Anexo Gráfico. | Índice.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
30€

10 maio, 2021

LOPES, Dr. José - CÂMARA MUNICIPAL DE MIRANDA DO CORVO - Comissão Organizadora da Expo-Miranda. [S.l.], Câmara Municipal de Miranda do Corvo, [1991?]. In-8.º (21 cm) de [64] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Publicação da Câmara Municipal de Miranda do Corvo para promoção do concelho. Ilustrada ao longo do texto com fotogravuras de alguns dos mais emblemáticos monumentos do concelho, bem como publicidade a serviços, empresas e instituições de Miranda.
"Há precisamente 10 anos a Câmara Municipal editou um pequeno opúsculo, por nós redigido, destinado a mostrar um pouco daquilo que somos. Tal publicação, apesar de modesta, depressa se esgotou.
Nota-se frequentemente a procura, por parte de quem nos visita e de conterrâneos afastados da área do município, de tal publicação. Normalmente 10 anos na vida dum povo não são suficientemente longos de modo a alterar grandemente a sua história. Daí que, em bom rigor, se devesse optar pela reedição.
Contudo, verificamos que estes 10 anos (1981/1991) alteraram substancialmente o «facies» do concelho de Miranda do Corvo. A profundidade e relevância de tais mutações obrigam-nos hoje a remodelar completamente o texto. [...]
É, pois, com imenso gosto que - pela 2.ª vez - procuraremos dar forma escrita aquilo que somos. Queremos que este complemento informativo seja útil aos Mirandenses, ajudando-os a conhecerem-se melhor. Para os leitores estranhos há-de ser acicate para uma pequena visita. Para os visitantes será guia resumido de um possível percurso.
Além duma ideia, necessariamente geral, acerca do passado histórico do concelho, do seu meio geográfico e da sua actualidade, o leitor encontrará também informações da situação sócio-económica da população.
Resta agora, a jeito de conclusão, esperar por mais 10 anos."
(Excerto da Introdução)
Matérias:
Introdução. | Percorrendo a história. | Descrição heráldica. | Mirandenses ilustres. | Monumentos: Convento de Semide; Senhora da Piedade; Pelourinho; Santuário do Senhor da Pedra; Capela de Nossa Senhora da Boa Morte. | Concelho de Mirando do Corvo (com mapa do concelho). | Obras de Solidariedade Social: Casa do Gaiato; Lar Dr. Clemente Carvalho; Associação para o Desenvolvimento e Formação Profissional. | Zona Agrária do Pinhal. | Lista de Artesãos. | Solenidade dos Passos. | Romarias: Divino Senhor da Serra; Senhora da Piedade de Tábuas. | Artesanato: Olaria; Cestaria; Rendas; Tecelagem. | Gastronomia Regional: Chanfana; Negalhos; Migas da Serra (Prato típico das aldeias serranas); Nabada (Doce conventual de Semide); Súplicas (Doce conventual de Semide). | Pequeno Roteiro Turístico. | Dez anos depois...
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

09 maio, 2021

BARACHO, M. A. de M. - ARTE DE ENXERTAR TODA A QUALIDADE DE ARVORES FRUCTIFERAS. Segundo o methodo usado pelos melhores arboricultores praticos. Lisboa, Typographia na Rua do Arco, 1867. In-8.º (20,5 cm) de 48, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso tratado oitocentista de enxertia.
"A agricultura é a melhor riqueza de uma nação, sem ella não ha prosperidade alguma, e por estar convencido d'esta verdade me proponho dar n'esta arte algumas regras e preceitos, que habilitem melhor o agricultor a poder exercer a enxertia; operação, pela qual se faz dar a uma avore outros e bellos fructos, o que antes não dava. [...] Poderia fazer mais algumas reflexões sobre esta materia, porém vamos escrever para quem pela maior parte não possue os elementos necessarios para ir mais alem; portanto não posso deixar de muito me limitar no desenvolvimento d'esta arte, porque ordinariamente quem faz a enxertia são trabalhadores do campo, ou cazeiros, e muito faltos de instrucção, por conseguinte serei conciso e claro para d'esta sorte poder ser melhor entendido no fim a que me proponho.
Tratarei das arvores, e suas divisões, e arranjal-as-hei em dez classes segundo sua homogeneidade ou analogia; mostrarei os preceitos, regras e tempos mais proprios de se fazer a enxertia em cada uma das ditas arvores: finalmente darei tambem uma relação dos nomes e qualidades dos fructos das arvores enxertadas de que fazemos uso para que sejam mais bem conhecidos de todos."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
A BNP refere a obra, mas sem registo de qualquer exemplar.
Indisponível

08 maio, 2021

BRITO, Rosalino Candido Sampaio e - A CAMPANHA Á PORTA FÉRREA ENTRE ESTUDANTES E POLICIAS. Campanha formidavel á Porta Férrea. - Não ha-de ser F'rrezeida nem Ferrãozáda, Ha-de ser, p'ra rimar, gran ferroáda, (Quem verdade não vê, se quizer abérrea) Bom humor em, heroico, verso escripto, De... Coimbra, Typ. e Lit. Minerva Central, 1898. In-8.º (21,5 cm) de 15, [3] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de Rosalino Sampaio e Brito, uma das mais conhecidas, castiças e acarinhadas personagens do meio estudantil coimbrão do último quartel do século XIX, autor de dezenas de folhetos satíricos.
Acompanha o livrinho uma folha volante de propaganda ao mesmo, também ela muitíssimo interessante, pela "prosa" e pela justificação da obra:
"Acabrunhado já pelos annos - minado pouco a pouco, pelo venêno d'uma desgraça immensa, cujo unico antidoto possivel, está só na resignação evangelica, acompanhada pela corágem - horrorisado da perversão dos homens; não pelas injustiças que se me teem feito, que essas ficam sempre, logo logo bem esmagadas, pelo proceder de toda a minha vida; mas sim pelo cynismo do desprêzo delles proprios: sem offender ninguem; porque, se castigar é uma alta virtude, impósta pela propria dignidade; ofender, alem de canalhice, é, em certos casos, um crime; o meu pequenino Poema Heroi-Cómico = A campanha á Porta Ferrea = pelo estado d'excitação em que me acháva quando a fiz, por ter castigádo da maneira mais dura que é possivel haver, por uma grande vileza sua, um individuo, de quem eu era amigo..."
(Excerto da folha volante, Aos Ill.mos e Ex.mos Srs Estudantes)
"Se as minhas pobres (pobrissimas) publicações, teem sido todas, propriedade, deixe-se-m'o dizer, dos estudantes, pela elevação dos sentimentos nobilissimos do seu coração, é que constantemente, e com inexcedivel delicadêza sempre, m'as teem recebido; esta agora, mais o é ainda, por todos a estarem esperando, visto que todos m'a pediram, e a todos eu prometti."
(Excerto da Advertencia)
Rosalino Cândido de Sampaio e Brito. "Todas as gerações academicas nos ultimos trinta annos o conheceram, de guitarra em punho arremedava-o uma das personagens da trindade que entrou  na apotheose do Auto da Sebenta. Pobre como Job, nunca acceitou esmolas, estava sempre a publicar folhetos e os estudantes para o proteger exgotavam-lhe as edições e d'esses parcos ceitis vivia arrastando vida miseravel com as suas longas barbas, capote no fio, de uma côr duvidosa, e o classico chapéo, em que era impossivel descortinar a forma primitiva.
Nos seus ultimos dias, alquebrado pela velhice e soffrimentos, farto de privações e á mingua de recursos foi para o hospital de S. José, onde teve uma das derradeiras alegrias ao reconhecer no director da enfermaria um dos velhos amigos. Gregorio Fernandes, extremamente bondoso, condoendo-se da triste situação, a que se via reduzido o pobre do velho, que passou a vida como litterato sem nunca o ter sido, arbitrou-lhe as melhores das dietas, mas o melhor da passagem é, que isto não se faz sem ficar o devido registro na papeleta do doente e na casa respectiva a razão determinante. Por demais era conhecida a já bem notoria, ferocidade do enfermeiro mór (um excellente cavalheiro, aliás, quando se não tratava d'aquellas suas funcções), mas Gregorio Fernandes, que nenhum razão medicamente plausivel podia indicar, não hesitou, lançando com mão firme na papeleta este singular motivo - Rosalino Candido - e graças a esta extraordinaria sahida e ao facto de o sr. enfermeiro ter ficado entupido com ella até esta data, pôde o pobre do Rosalino quasi á beira da sepultura saborear as delicias do bife, que a sorte adversa lhe recusara durante a vida."
(Fonte: L. F. Marrecas Ferreira, Revista Brasil-Portugal, n,º 270 - 16 de Abril de 1910)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Indisponível

07 maio, 2021

PEREGRINAÇÃO AO TUMULO DO SOLDADO DESCONHECIDO. Catalogo das oferendas : tributo de homenagem dos peregrinos - Mosteiro da Batalha : Templo da Patria. [S.l.], [Comissão dos Padrões da Grande Guerra], [1924]. In-8.º (21 cm) de 64 p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Livrinho ilustrado com três fotogravuras, impressas sobre papel couché.
Inclui a lista das oferendas dos peregrinos aos Soldados Desconhecidos, em número de 355, com as respectivas descrições.
"No dia 9 de Abril de 1921 foram conduzidos para o Mosteiro da Batalha, Templo da Patria, os Dois Soldados Desconhecidos, vindos da Flandres Francesa, e da Africa Portuguesa (Angola e Moçambique) representando os Gloriosos Mortos das expedições enviadas aos referidos teatros das operações e simbolizando o sacrifício heroico do Povo Português.
Em cortejo de Apoteóse foram trazidos por numerosa Peregrinação presidida pelo venerando Cidadão Doutor Antonio José de Almeida, Presidente da República Portuguesa; Govêrno; Congresso; altos representantes da Magistratura; Enviados Extraordinários e Missões Militares das Nações Amigas e Aliadas, onde se encontravam os nomes prestigiosos do Marechal Joffre, do Generalissimo Armando Diaz e do General Smith Dorrien; Generais, Almirantes e mais oficiais de Portugal; Contingentes de diferentes Unidades; Corporações Administrativas; Academias, Comércio, Indústria e Agricultura.
Todo o País se emocionou perante a solemnidade dêsse Cortejo, que do Palácio do Congresso da República foi à Estação do Rossio e depois de Leiria veio até à Batalha, voando sôbre o Mosteiro as nossas esquadrilhas de aeroplanos."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem a capa de brochura frontal. Muito curioso. Pelo interesse e raridade a justificar encadernação.
Raro.
Indisponível

06 maio, 2021

NORONHA, Eduardo de - O LÔBO DA REBOLEIRA. Por... I Volume [II Volume]. Pôrto, Livraria Civilização, 1938. 2 vols in-8.º peq. (14 cm) de 227, [1] p. e 241, [3] p. ; E. Colecção Civilização : Série Amarela, 97, 98
1.ª edição.
Romance histórico. Biografia de António da Cunha Sousa Lobo (1785-1866), comerciante portuense, também conhecido por "Lobo da Reboleira", pelo facto de ter morado na Rua da Reboleira, na cidade do Porto.
"A nova que correra com insistência, e com iniludível fundamento, da expedição liberal, comandada pelo imperador D. Pedro IV, estar prestes a desembarcar, junto com as medidas militares extraordinárias tomadas pelo general Póvoas, na época, à frente das tropas do rei D. Miguel, no Pôrto, tinham tornado as ruas desertas, como se à guisa de um êxodo bíblico, tôda a população da cidade, que, em curto prazo mereceria a denominação de invicta, se escoasse por mar e por terra em caudalosa torrente.
A patrulha não encontrava viva alma durante os primeiros passos. Havia alguma coisa de simultâneamente grandioso e cómico neste grupo de cinco homens, fardados, armados, de aspecto marcial, quatro dos quais escoltavam aquele que transportava ao colo, junto dos botões do uniforme, um ser infantil, quási nu, a quem prodigalizava doces cainhos, traduzidos em imagens ingénuas, em voz forte, roufenha, quási gutural nalguns sons emitidos.
O arvorado ou anspeçada teve a noção exacta da realidade dos factos e gracejou:
- Louvado seja Deus! Se o coronel ou nosso capitão ou qualquer dos camaradas nos vissem neste preparo, estávamos arranjados. [...]
A patrulha dobrava agora a esquina duma rua. O soldado, transformado em ama sêca, de ouvido mais apurado ou mais atento, distinguiu ao longe o ruído de passos repercutindo nas pedras da calçada.
- Esperem aí, rapazes. - solicitou.
- Não podemos esperar; as cornetas cada vez ressoam com mais intimativa, parece que estão a tocar à carga!
- É só um instante.
A patrulha estacou.
As passadas aproximavam-se.
- Que demónio se te meteu na cabeça?
- Calem-se. Não abram bico.
Destacou-se dos camaradas, o da criança, e postou-se de emboscada perto da esquina. O sonoro andar de um transeunte descuidado acercava-se compassado, sincrónico. Então o da esculca com o ímpeto de um selvagem, a acometer um inimigo, avizinhou-se do desprevenido noctâmbulo, passou-lhe para os braços, suspendeu-lhe, por assim dizer, ao pescoço, entregou-lhe, o humano fardo, e recomendou-lhe:
- Tome lá. Leve-o para a Roda, que nós não temos tempo para isso."
(Excerto do Cap. I, A orfã)
Encadernações editoriais inteiras de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e nas lombadas. Conservam as capas de brochura.
Exemplares em bom estado geral de conservação. Aparados. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
30€

05 maio, 2021

SANTOS, João dos - DO VALOR PREVENTIVO DO SÔRO ANTIDIPHTERICO. (Estudo clinico).
These inaugural por... Interno dos hospitaes. Julho de 1904
. Lisboa, Typographia de J. F. Pinheiro, 1904. In-4.º (25 cm) de 94, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre vacinação. Trabalho pioneiro entre nós, concebido a propósito das medidas de combate à difteria,- flagelo mundial do final do século XIX/princípio do século XX, - através da produção e administração de vacinas para o efeito. Curioso pela actualidade do assunto, e pelas preocupações e métodos para a imunização - individual e de grupo - sugeridos.
Não foi possível apurar quaisquer referências a respeito deste ensaio clínico, nem sobre o seu autor, incluindo a Biblioteca Nacional, que não dispõe de qualquer exemplar registado na sua base de dados.
Livro ilustrado com um quadro estatístico que ocupa 2 páginas.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"A importancia que a sorotherapia preventiva da diphteria adquiriu n'estes ultimos annos, apoz numerosos trabalhos de laboratorio e grande serie de experiencias clinicas decisivas praticadas nos hospitaes, attingiu hoje o seu grau de perfeição, e, pode dizer-se, que é universalmente admittida como meio preservativo mais efficaz contra a diphteria. Esta interessante questão tem apaixonado consideravelmente os espiritos, pois que as communicações succedem-se nas sociedades e jornaes medicos e ainda ultimamente no congresso internacional de hygiene e demographia realisado em Bruxellas (1903) este assumpto foi tratado, chegando-se a um commum accordo.
Grande problema, porque a mortalidade das creanças atacadas d'esta terrivel doença, as quaes são a primeira preza da diphteria, era enorme e portanto muitos elementos de força e reproducção se perdiam em todos os paizes. [...] Os factos bem o attestam pela applicação do especifico ideal - o sôro - que já é do dominio publico. Só ha uma regra de conducta a seguir para impedir que a diphteria exerça por mais tempo os seus horrorosos desastres, para a considerarmos como uma doença sem gravidade, é a applicação systematica das injecções preventivas do sôro antidiphterico. É o que pretendemos justificar n'este modesto trabalho."
(Excerto da Introducção)
Matérias:
Introducção. | Esboço historico. | Considerações geraes. | Impossibilidade e difficuldade de obter uma prophylaxia efficaz de diphteria com os meios ordinarios sem a applicação preventiva das injecções. | Accidentes atribuidos ao sôro. | Inocuidade das injecções preventivas. | Dóses. | Injecções preventivas nos adultos. | Indicações geraes das injecções preventivas. Duração da immunidade. | Injecções preventivas nos hospitaes. | Injecções preventivas nas familias. | Injecções preventivas nas aglomerações humanas (escolas, creches, asylos, etc.). | Resumo das injecções preventivas em França. | Manual operatorio. | Tratamento local. | Conclusões. | Observações dos doentes considerados suspeitos e que receberam injecção preventiva de sôro antidiphterico: [Descrição de 45 casos]. | Injecções preventivas nas familias: [Descrição de 10 casos, que dizem respeito a quatro famílias detentoras de conhecidos apelidos portugueses]. | Proposições. | Jury. | Bibliographia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com indubitável interesse histórico e clínico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

04 maio, 2021

BESSA LUÍS, Agustina - A SIBILA
: romance. Lisboa, Guimarães Editores, [1954]. In-8.º (18,5 cm) de 285, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original do romance mais famoso de Agustina, e uma das suas obras mais emblemáticas. Distinguido com os prémios Eça de Queirós e Delfim Guimarães.
"A Sibila, romance concluído em 1953 e publicado um ano depois, em 1954, foi recebido com entusiasmo pela crítica, tornando-se o ponto de partida para uma vasta obra voltada para temas universais que, ao mesmo tempo, inserem-se nas vertentes do nacionalismo português, bem como do regionalismo.
Álvaro Machado afirma que a autora "criou desde a publicação de «A Sibila», um universo totalmente novo, não só em Portugal, mas também no romance europeu contemporâneo, pela simples razão de que, não se limitando a seguir programas vanguardistas, fundiu experiências anteriores com uma raríssima percepção da realidade social, cultural e histórica portuguesa, elevando esta a um domínio mítico, o qual constitui a originalidade essencial do romance no nosso século [XX]".

"No norte de Portugal, em finais do século XIX, na propriedade da Vessada, há já muito tempo que são as mulheres que, perante a indolência e os sonhos de evasão que os homens alimentam, asseguram como podem a gestão da propriedade. Quina era uma adolescente franzina e inculta, que desde cedo participava nos trabalhos do campo ao lado dos trabalhadores. Com a morte do pai, com a propriedade quase em abandono, Quina passa a ter que ter uma ainda maior responsabilidade na administração da mesma. Graças ao seu esforço a todos os níveis, começa a acumular de novo a riqueza que seu pai desperdiçara, o que lhe vale a admiração da sociedade. Quina era uma pessoa lúcida, astuta e sempre em demandas, o que faz com que esta se torne conhecida por Sibila…"
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

02 maio, 2021

O CASO DOS ALIADOS. Segundo as respostas dos aliados ao Presidente Wilson e o despacho do Ministro dos Negocios Extrangeiros da Grã-Bretanha, o sñr. Arthur James Balfour. Londres, Eyre and Spottiswoode, Ltd., 1917. In-8.º (18,5 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante opúsculo sobre diplomacia de guerra, publicado em pleno período bélico. Com relevância histórica.
"Os Aliados estão completamente conscios das perdas e soffrimentos que esta guerra tem acarretado tanto aos neutros como aos belligerantes, e sentem essas perdas e soffrimentos, mas não se podem considerar responsaveis por tal, pois de modo algum desejaram ou provocaram esta guerra."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Páginas oxidadas.
Muito invulgar.
Com interesse para a bibliografia WW1.
10€

01 maio, 2021

NOCHE, Pablo la - LUSCO-FUSCO. (Vida e morte de um desconhecido). Com uma introdução de Ingborg Moacyr, professora ginasial. Amadora, Livraria Bertrand, 1973. In-8.º (20 cm) de 400, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance assinado por Pablo la Noche, pseudónimo de Marcello Mathias, escritor, político e diplomata português, que negociou e trouxe o espólio artístico de Calouste Gulbenkian para Portugal.
"Um cepticismo em permanente contraste com uma fingida candura, uma ironia subtil aliada a uma invulgar elegância e pureza de linguagem consagram este romance como uma revelação na moderna literatura portuguesa." (Retirado da contracapa)
"Entre os numerosos manuscritos que nos são enviados e ficam aguardando leitura para se decidir sobre a sua eventual publicação, encontramos agora, esquecido há mais de três anos, aquele que hoje publicamos. Apesar de todos os nossos esforços não nos foi possível descobrir o paradeiro da Senhora Ingborg Moacyr, que nos enviara o Lusco-Fusco e nos propusera a sua publicação. Como ignoramos a quem cabem os direitos de autor, ficam estes inteiramente salvaguardados para quem provar ter legitimidade para recebê-los. Não sendo conhecido o nome do autor, mas depreendendo-se do texto que, sob o pseudónimo de Pablo la Noche, exerceu funções de jornalista, sob esse pseudónimo aparece a atribuição da autoria deste livro.
Lisboa, 15 Janeiro de 1973”. "
(Nota do Editor)
"Nem toda a gente se lembra de Lusco-Fusco, romance de 1973 assinado por Pablo La Noche, vencedor do Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências. Poucos sabiam quem se escondia por trás do enigmático pseudónimo. Urbano Tavares Rodrigues foi um dos que não poupou nos elogios. Até que, em 1976, Robert Laffont editou a obra em França, como Pablo La Noche, de Marcello Mathias, obtendo o Prémio Rayonnement Français da Academia Francesa.
(Fonte: daliteratura.blogspot.com)
"O Colégio do Marquês, em Barbacena, tinha uns cento e vinte alunos, todos se preparando para o curso ginasial. Eu era ali professora de Alemão, mas leccionava também, provisòriamente Latim por se encontrar vago o lugar.
Um dia o director, que era o padre Segismundo - homem severo que não perdoava em questões de disciplina -, me avisou de que se havia apresentado um pretendente ao lugar de professor de Latim, convindo que fosse eu a receber o candidato e a medir as suas habilitações.
Logo pelo forte sotaque percebi que se tratava de um português. De tez morena, estatura meã e uma barba cerrada onde já começavam a pratear alguns fios, estava de pé junto da janela e tão absorto que me não ouviu entrar na sala. Os documentos que ele trazia provavam apenas que já fora repetidor de Latim e de Francês num colégio, em Sorocaba. Tive, por isso, de saber dele alguma coisa mais, visto me não apresentar diploma algum de habilitações que o inculcassem para o lugar, nem mesmo documento bem claro sobre a sua identidade.
Com algum embaraço, respondeu-me que era um autodidacta; estava, porém, disposto a me dar ali mesmo as provas de sua competência, pois podia traduzir à primeira vista, e sem ajuda de dicionário, qualquer texto clássico que eu escolhesse. E trazidos os livros assim fez, com uma facilidade que me deixou surpreendida porque revelava uma cultura latina pouco comum e bem mais profunda e completa do que a minha. Tudo isto, todavia, era realizado com uma espécie de tédio, como se lhe fosse penosa a demonstração do que ia fazendo. [...]
O homem era tão bicho do mato que apenas cumprimentava os colegas, e todo o tempo que não estava dando lições se encerrava no seu quarto. Não sabia, ou talvez não queria, fazer amizades, nem tão-pouco estreitar relações; uma ou outra vez que o convidámos para um passeio, mesmo em domingos ou feriados, sempre se recusara com o pretexto de que necessitava preparar as prelecções."
(Excerto da Introdução)
Marcello Mathias (1903-1990). "Nasceu em Lisboa em 1903 e morreu no Estoril em 1999. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, foi advogado e Delegado do Procurador-Geral da República, tendo depois entrado para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde exerceu funções em Atenas, no Rio de Janeiro e em Paris, antes de ser Director-Geral, Secretário-Geral e mais tarde Ministro dos Negócios Estrangeiros (1958-1961). Foi por duas vezes Embaixador em França, num total de mais de 20 anos. No Rio de Janeiro publicou, em 1943, Doze Sonetos e Uma Canção, que teve várias edições, a última das quais em Portugal, em 1984. Mas foi a publicação de Lusco-Fusco que o consagrou em 1973, quando obteve ex-aequo o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências. A tradução da obra em francês, em 1976 pela Robert Laffont, valeu-lhe o prémio «Rayonnement Français» da Academia Francesa."
(Fonte: https://quetzal.blogs.sapo.pt/14284.html)
Belíssima encadernação em meia de pele, com cantos, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

30 abril, 2021

CAMPOS, Manoel de Jesus - IMPRESSÕES VARIAS. Subsidios para a historia do 19 de Outubro de 1921.
[Por]... Alferes de Infantaria. Desenhos de Varela Aldemira
. Lisboa, Depositaria Livraria Portugalia, 1923. In-8.º (18 cm) de 142, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante documento coevo para a história do episódio denominado "Noite Sangrenta", que passou pela detenção e assassínio a sangue frio de conhecidas figuras da República, na madrugada do dia 19 de Outubro de 1921.
Obra dedicada pelo autor ao Presidente da República António José de Almeida. Contém o testemunho de dezenas de personalidade da vida civil e militar, incluindo os réus e os seus defensores, e familiares das vítimas.
Livro ilustrado ao longo do texto com desenhos e fotogravuras referentes ao julgamento dos implicados nos crimes.
"Cavaqueando um dia com o redator do Diario de Noticias, Mário Barros, falamos num livro que o mesmo ia editar sobre o 19 de Outubro.
Pensei então em organisar um album onde ficassem registadas as impressões de todas as pessôas que mais de perto tivessem sentido e vivido esses acontecimentos.
No dia seguinte iniciei a minha cruzada, e o resultado dela, é este livro que ora aparece a publico."
(Excerto da introdução - Como surgiu este livro...)
Matérias: Como surgiu este livro. Uma audiencia de Sua Ex.ª o Presidente da Republica. Agradecimentos. | Impressões dos Reus. | Impressões dos Defensores. | Impressões das Testemunhas de Acusação e Defesa. | Impressões dos Membros do Tribunal. | Jury. | Impressões da Assistencia. | Impressões de Vitima e Familia das Vitimas. | Impressões dos Investigadores. | Nota.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estao geral de conservação. Capas frágeis com defeitos marginias.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

29 abril, 2021

CRUZ, Maria Amália Furtado - CONTRIBUIÇÃO PARA O ESTUDO DA POESIA FUNERÁRIA NA "ANTOLOGIA PALATINA".
Dissertação para Licenciatura em Filologia Clássica apresentada por... Universidade de Lisboa : Faculdade de Letras
. [S.l.], [s.n.], 1950. In-4.º (28 cm) de [1], 77, [1] f. ; E.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre a poesia funerária na Grécia Antiga. Tese de licenciatura da autora apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Exemplar dactilografado, com 77 folhas impressas na frente; inclui epigramas manuscritos no original grego ao longo do texto. Obra nunca publicada em livro.
"A Antologia Palatina, também conhecida como a Antologia Grega, ou, em latim Anthologia Græca, é uma colecção de poemas, a maioria epigramas, escritos durante os períodos clássico e bizantino da literatura grega. Os poemas são curtos, de dois a oito versos no geral, raramente alguns são mais extensos, escritos para serem gravados em inscrições de tipo sepulcral (lápide) ou votiva."
(Fonte: wikipédia)
"Não foi sem razão que escolhi para tema do meu trabalho o estudo da poesia funerária da "Antologia Palatina". Esta colectânea, que abrange um período de tempo de vários séculos, é rica, não só em quantidade, mas também em qualidade, duma poesia que - embora revele o espírito duma época geralmente considerada decadente no aspecto literário -, todavia é também marcada por um cunho de profunda humanidade. E um dos géneros de poesia que mais nitidamente no-lo transmitem é sem dúvida o género funerário. A própria natureza deste género poético o exige, na medida em que implica um interêsse pela existência e destino humanos, que tem preocupado todos os homens, independentemente da época em que vivem ou da raça a que pertencem.
O problema da existência para além da morte tem sido interpretado diferentemente segundo as diversas religiões, mas podemos dizer que é comum a crença de que não é totalmente que o homem morre. E desde os primitivos, em que a ideia de sobrevivência de alma não envolve de nenhum modo a crença na eternidade, até ao cristianismo, encontramos permanentemente o culto dos mortos, com os seus ritos e superstições, diferente segundo os princípios de ordem religiosa em que se baseia."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Bibliografia. | Introdução. | I Parte: I - Ambiente político e social: II - Filosofia, moral e religião; III - Literatura; IV - O género funerário. II Parte: I - Influências de outros géneros literários no epigrama funerário; II - Crenças e superstições; III - Ideias filosóficas e morais; IV - Interêsse pelo passado; V - A vida familiar e profissional. | Conclusão. | Índice.
Encadernação inteira de percalina com título gravado a seco e a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
35€

28 abril, 2021

CORTIÇA. Aspectos da sua produção, industrialização e comercialização.
Proletários de todos os países. Uni-vos!
Lisboa, Edições Avante, 1978. In-8.º (21 cm) de 58, [6] p. ; il. ; B. Colecção Conferência Económica do PCP - 6
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a indústria corticeira.
Ilustrada com um mapa do país, gráficos e tabelas.
"Portugal é o primeiro produtor mundial de cortiça.
Com cerca de 780 000 ha de sobreirais puros e mistos, a sua produção é avaliada em 2 000 000 quintais, o que corresponde a 53% da cortiça anualmente extraída em todo o mundo. [...]
Em termos de boa qualidade, a produção do nosso país é ainda mais importante, existindo entre nós as melhores regiões quanto às características da cortiça produzida.
Todavia, Portugal nunca tirou desta situação privilegiada os benefícios correspondentes, pois este sector foi dominado largos anos por empresas e interesses estrangeiros."
(Excerto da Introdução)
"O sobreiro existe em Portugal praticamente disseminado por todo o território continental. Encontra-se no Norte, a par do castanheiro e do carvalho; no litoral, do Tejo ao Minho, associado ao pinheiro bravo; na Estremadura associa-se ao carvalho português; no Alentejo, ao pinheiro manso e à azinheira; nas serras do Algarve encontra-se a par da alfarrobeira."
(Excerto do Cap. I - A produção da cortiça em Portugal)
Índice:
Introdução. | 1 - A produção de cortiça em Portugal. 2 - Caracterização da indústria corticeira. 3 - Comercialização das matérias-primas. 4 - Comercialização dos produtos de cortiça. 5 - Considerações finais. | Anexos: I - Quadros Estatísticos; II - Intervenção do Estado na comercialização da cortiça (algumas notas sobre o Decreto-Lei n.º 260/77 e Portarias n.ºs 371, 372 e 373).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam desgaste nos cantos.
Muito invulgar.
Indisponível

27 abril, 2021

VALGÔDE, Luiz Soares - ALAFFÕES. Esboços historicos
. Porto, Typographia Universal (a vapor) de José Figueirinhas Junior, 1903. In-8.º (18,5 cm) de 52 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curioso subsídio para a história de Lafões, zona situada na região hidrográfica do Rio Vouga, com particular destaque para a bonita vila de Vouzela e tudo o que lhe diz respeito.
Livrinho ilustrado com uma estampa extratexto: "Vista geral da Villa de Vouzella".
"A fundação de Vouzella, liga-se inevitavelmente com a de Fafões; e se não temos dados seguros, para conhecermos positivamente a epocha em que tal successo tem logar, existem no emtanto provas de bastante valor, para nos levar a suppôr que a sua fundação data pelo menos da edade da pedra polida. Não pertence ao dominio da historia a epocha do seu primordial fundamento, mas sim a eras geologicas muito afastadas, e a affirmal-o temos, ainda que em ruinas, provas irreductiveis: não muito longe de Vouzella, n'um terreno baldio, situado entre a Riba-má e Vasconha, depara-se com um dolmen em tudo similhante aquelles que foram descobertos em Assier do departamento de Lot, e outro similhante se encontra n'um terreno egualmente baldio, denominado Monte Cavallo, a 600 metros do rio Vouga e a 3 kilometros da referida villa de Vouzella. [...]
Vouzella é, reconhecidamente, uma das terras mais nobres da Beira Alta, devido não só á sua remotissima origem, mas tambem, porque foi ella o berço de muitos homens insignes quer nas letras, em que foram uns sabios, quer nas armas, em que foram uns heroes, quer na virtude, em que foram uns santos."
(Excerto do Cap. II - Vouzella)
Matérias: Introducção [síntese histórica do império visigótico]. | I - Lenda da origem do nome Lafões. Destruição da lenda. II - Vouzella. Sua fundação - Etymologia do seu nome. III - Historia da fundação da ermida de Nossa Senhora do Castello. | Notas: Notas primeira; Nota segunda - Canção do Figueiral [atribuída por Fr. Bernardo de Brito a Goesto Ansures]; Notas terceira [personalidades insignes de Vouzela]. | Nota final.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas marginais de papel. Sem f. anterrosto.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
A BNP dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
30€

26 abril, 2021

CANDIDO, Doutor Zeferino - O CANHÃO VENCE... A VERDADE CONVENCE. Pelo... Da Universidade de Coimbra. Lisboa, Livraria Ferreira, 1915. In-8.º (22,5cm) de 177, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra apologista da neutralidade portuguesa na guerra que se desenrolava no cenário europeu. Neste ensaio, o autor escreve sobre o conflito, abordando a situação nacional e a política de alianças.
"Foi sempre minha opinião que Portugal se devia manter neutral, perante o conflito que conflagra e subverte a Europa. [...]
Apezar do meu isolamento, do firme e calculado proposito da minha abstenção politica, senti um forte e triste abalo com a noticia do que se passou na sessão parlamentar de 7 de Agosto e com os fogosos e bélicos arremessos de grande parte da imprensa portugueza. Dando-se a circumstacia de se achar então á frente do governo um homem com quem mantenho, desde a mocidade, relações de intima e não interropida amisade, que a diversidade de modos de ver politico não destroe, pensei do meu dever patriotico manifestar-lhe, em carta, o meu sentir e tambem o meu apelo para a sua autoridade, com o fim de moderar tendencias belicicosas e apaixonadas que tinha e tenho por muito prejuciaes á independencia e aos interesses do paiz. [...]
O Doutor Bernardino Machado foi habil. Simulando e até, por alguns actos concretos, insinuando, mesmo, uma disposição belicosa a favor dos aliados, foi mobilisando forças, que nunca mandou senão para as colonias, sob o justificado motivo da sua defeza. Conseguiu sacar do parlamento uma autorisação unanime e ilimitada para dar á mobilisação a amplitude que quizesse, e, assim, ia andando e certamente procurava vencer a situação. Quando viu que a facção mais guerreira da camara lhe percebeu o jogo e o obrigava a mostral-o, atirou-lhe com o poder, colocando a situação politica n'um gáchis, em que, habilmente, envolveu a todos, sem exceptuar a presidencia da Republica, a quem a sua conhecida ambição não tinha, decerto, desejo de poupar.
A retirada do Doutor Bernardino Machado, a subida ao poder do partido mais propenso á beligerancia, factos lamentaveis que se seguiram, certamente derivados dessa impatriotica orientação, motivaram este trabalho."
(Excerto do texto)
Matérias:
Preambulo. | I - Portugal e França. Cap. II - Portugal e Belgica. Cap. III - Portugal e Ingalterra. IV - Portugal e a Allemanha. V - A Inglaterra no atual conflito. VI - A atitude da Inglaterra no atual conflito - Um discurso de Sir Edward Grey. VII - Um discurso de Sir David Lloyd George no Queens Hall de Londres. - Divida de honra. - França e Belgica em 1870. - Um pedaço de papel. - A desculpa da Allemanha. - A confiança da Belgica. - As atrocidades. - O caso da Servia. - A dignidade da Servia. - O irmao pequeno da Russia. - As nações pequenas. | Conclusão
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Indiponível

25 abril, 2021

GUERREIRO, Carlos - ATERREM EM PORTUGAL! Aviadores e aviões beligerantes em Portugal na II Guerra Mundial. [Prefácio de Eduardo Marçal Grilo]. Colares, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, SA, 2008. In-8.º (21x21 cm) de 317, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo repositório de vasto conjunto de informações sobre os aviões que aterraram ou amararam em Portugal, bem como de aparelhos que se despenharam ou explodiram sobre território nacional. Livro há muito esgotado.
"Traça o retrato de um país através dos olhos de jovens estrangeiros que, envolvidos no tumulto de um conflito mundial, se viram, de repente, num Portugal atrasado - mas em paz.
Centenas de pilotos beligerantes estiveram em Portugal durante a II Guerra Mundial depois dos seus aviões terem sofrido avarias ou danos em combate. Algumas dezenas chegaram mesmo a morrer em resultado de aterragens acidentadas ou combates que se desenrolaram no nosso espaço aéreo.
Este livro conta estas histórias. Para a sua concretização o autor entrevistou mais de uma dezena de pilotos aliados que, entre os anos de 1941 e 1945, terminaram voos em Portugal e acabaram por ser internados durante dias, semanas ou meses no nosso país.
Vários portugueses, testemunhas ou participantes nos incidentes, ou que conviveram, com estes aviadores também foram entrevistados.
O livro, com mais de 300 páginas, conta com mais de 150 fotos e documentos daquele período fornecidos por várias fontes. A maioria foram entregues pelos próprios entrevistados que guardaram não só fotos como, por exemplo, o telegrama que a família recebeu dias depois de terem realizado a aterragem.
Encontra-se dividido em cinco partes, além de um anexo documental que pode dar pistas para outros investigadores. Contadas na primeira pessoas é possível conhecer as histórias de vários aviadores que terminaram as suas viagens no mar perto da costa portuguesa. Outros relatos incidem sobre os períodos de internamento nas Caldas da Rainha ou em Elvas por onde passaram centenas destes jovens estrangeiros.
Por fim são referidas várias histórias, umas inéditas e outras não, que também merecem ser contadas.
A última parte deste apresenta, cronologicamente, uma lista com cerca de 130 aviões beligerantes de várias nacionalidade que aterraram ou se despenharam em Portugal ou nas ex-colónias portuguesas durante este período. Também alguns voos civis que partiram de Lisboa e que tiveram fins trágicos merecem alguma atenção.
A obra resulta de cerca de uma década de investigações e entrevistas a vários protagonistas e acaba por mostrar que Portugal não esteve tão longe da guerra como muitas vezes foi dito. Traça também o retrato de um país através dos olhos de jovens estrangeiros que, envolvidos no tumulto de um conflito mundial, se viram, de repente, num canto desse mundo atrasado - mas em paz."
(Fonte: wook - Sinopse)
Livro profusamente ilustrado com fotogravuras e fac-símiles de documentos oficiais e correspondência diversa.
"Avarias mecânicas, faltas de combustível ou mesmo combates obrigaram mais de uma centena de aparelhos a terminar as suas viagens em Portugal, um país apontado como "amigo" pelos comandos militares.
Campas e memoriais espalhados pelo País recordam casos trágicos com a morte a colher a sua quota de vidas jovens.
Ponto de passagem obrigatório nas rotas de ligação entre o Reino Unido e os restantes teatros de guerra, Portugal viu-se no centro de uma intensa actividade aérea.
Este livro conta parte desta história através de relatos na primeira pessoa ou através de documentos de vários arquivos nacionais e internacionais."
(Excerto resumo da contracapa)
Índice: Prefácio. | Introdução. | Parte I - Marinheiros em apuros. 1. Uma aterragem no vazio; 2. Tratados como ladrões; 3. Justiça tardia; 4. Piscosa; 5. Falta de informação; 6. Clube dos peixinhos dourados; 7. Voos civis. | Parte II - Caldas da Rainha. 1. Diplomacias; 2. Aterrem em Portugal; 3. Com a ajuda de Deus; 4. Uma aterragem perfeita; 5. A cidade dos refugiados; 6. Uma vida aborrecida; 7. A casa dos refugiados; 8. Um difícil adeus; 9. Salvados. | Parte III - Elvas. 1. O primeiro americano; 2. Um rápido adeus; 3. Os primeiros em Elvas; 4. Natal longe da Guerra; 5. Ano Novo; 6. Victor Reynolds; 7. Experiências de guerra; 8. Cavalarias; 9. Como um Benfica-Manchester; 10. A promessa. | Parte IV - Voos rasantes. 1. Os primeiros a chegar; 2. O flagelo do Atlântico; 3. Condecorações alemãs; 4. A rasar os telhados; 5. O afundamento do S. Vicente; 6. Bombas em terra; 7. Desastre iminente; 8. Guerra de papel; 9. Fortalezas voadoras; 10. Guerra submarina. | Anexos: 1. Incidentes com aviões beligerantes; 2. Incidentes com aviões civis; 3. Aviões perdidos em trânsito; 4. Aviões perdidos nas Lages e Açores. | Documentação: - Instruções a observar pelas autoridades quando se registam aterragens de emergência; - Posição portuguesa face à aterragem de aviões e aviadores beligerantes; - Correspondência trocada com embaixadas na sequência da fuga de avião americano; - Relação de aviões americanos em Portugal. | Abreviaturas, glossário e traduções. | Bibliografia.| Webliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Indisponível

24 abril, 2021

VIEIRA, Afonso Lopes - A ÚLTIMA OBRA DO POETA AFONSO LOPES VIEIRA
. [Lisboa], Serviços Culturais dos CTT, 1948. In-8.º (22,5 cm) de 76, [4] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Colectânea com indubitável interesse para a bibliografia de Afonso Lopes Vieira, publicada dois anos após a morte do poeta. Bonita edição, impressa em papel encorpado, com grande esmero e apuro gráfico. Por certo com tiragem reduzida.
"Publicam-se neste livrinho os textos escolhidos para os bilhetes postais das colecções que Afonso Lopes Vieira ideou e às quais deu os nomes de «Conheça a sua Poesia» e «Conheça os seus Prosadores».
Como surgiu essa ideia e como ela se corporizou é a pequena história que pode ler-se nas breves linhas que se seguem, escritas por quem, da parte dos C. T. T., acompanhou nesta realização o grande e saudoso português."
(Explicação)
Livro ilustrado com duas estampas em separado - o retrato do poeta e fotogravura dos bilhetes postais, bem como duas bonitas gravuras em página inteira, contendo respectivamente, a efígie de Luís de Camões, e e outra, do Padre António Vieira.
"Certo dia de 1945, em conversa ocasional com Afonso Lopes Vieira, disse-lhe que estava encarregado pela Administração Geral dos C. T. T. de orientar as novas séries de bilhetes postais ilustrados, com motivos portugueses, e pedi a sua opinião sobre alguns monumentos que interessaria focar em especial. Respondeu-me com vivo interesse; mas, de repente, deixou os monumentos e, com aquela fala ligeiramente hesitante e desprendida que lhe dava tempo para achar a expressão justa e dizê-la sempre em ritmo belo e saboreado, disse-me isto: «Se você estiver com o Administrador Geral  pregunte-lhe se quer fazer uma colecção de postais à semelhança dos «Conheça a sua Terra», com uma selecção de poesias. Uns vinte postais chegam. Eu podia fazer a escolha dos textos.» [...]
Quando dei a Afonso Lopes Vieira a notícia da rasgada aceitação da sua ideia - recebeu-a com a fleuma habitual. Mas senti bem que lhe tinha dado uma grande alegria. Eu também a tive.
Aceitou com gosto com gosto, e «em princípio» - ainda com alguma desconfiança no resultado. Estávamos a 15 de Agosto. Mandou-me dizer que ia trabalhar e que esperava obter os textos dentro de algumas semanas. Mas, apenas dois dias eram passados já me escrevia: «A tarefa é tão fácil que lhe envio aqui os primeiros doze originais, reservando para de aqui a dias os restantes. Eu tinha isso no sangue»..."
(Excerto da introdução)
Matérias:
[Explicação]. | [Introdução]. | Selo e Textos dos Bilhetes Postais da colecção «Conheça a sua Poesia». | Selo e Textos dos Bilhetes Postais da colecção «Conheça os seus Prosadores».
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta mancha ténue de humidade junto ao canto superior esquerdo.
Invulgar.
15€