15 maio, 2022

MARQUES, José - DESCONHECIDAS INSTITUIÇÕES CULTURAIS PORTUGUESAS. Alguns scriptoria cistercienses. Braga, [s.n. - Composição e Impressão Ofic. Gráficas da Editora «Correio do Minho» - Braga], 1986. In-4.º (23,5 cm) de 24, [2] p. ; [1] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista «Bracara Augusta» : Braga, vol. 39, 1985
Interessante monografia sobre os "copistas" da Ordem de Cister. Inclui lista das obras produzidas nos mosteiros da Ordem em Portugal.
Opúsculo ilustrado com uma estampa em separado, impressa sobre papel couché, - "Reprodução a preto e branco, da inicial miniada das Homiliae Originis super Leviticum", e com um quadro-síntese no texto sobre os mosteiros da Ordem e a sua produção literária.
"O estudos das bibliotecas e códices medievais, nos seus mais variados aspecto, ocupa, actualmente, um lugar de relevo e constitui um dos objectivos de muitas instituições e centros culturais, além fronteiras.
Entre os múltiplos aspectos a abordar no estudo das bibliotecas avultam o da existência e respectiva inventariação, a determinação das instituições a que pertenciam, como se constituíram e se foram enriquecendo, a identificação dos seus doadores ou simples benfeitores, a especificação das obras que as integravam, sem omitir o seu tratamento mediante o recurso a métodos quantitativos, sempre que o seu volume o permita ou mesmo recomende, apurando, assim, as principais tendências e motivações culturais vigentes nas instituições a que pertenciam, etc. [...]
Não se pense, contudo, que os nossos tempos são inteiramente pioneiros no desbravar destas sendas do espírito. De século XVIII chegam-nos provas do manifesto interesse que então havia por muitas destas questões, no claro intuito de salvar para o futuro a memória das instituições e de quantas as serviram.
É precisamente de uma dessas fontes que nos propomos falar e utilizá-la convenientemente, pois nos fornece uma larga informação sobre problemas desta natureza na Ordem de Cister, de que o Mosteiro de Alcobaça, no século XVI, passou a ser cabeça ou casa-mãe. [...]
Na Ordem de Cister, com as notícias recolhidas acerca dos monges-copistas de cada um dos mosteiros e das obras por eles copiadas (ou «escritas» para utilizar a linguagem do tempo) foi elaborado um índice alfabético ou, se quisermos, um dicionário dos «escritores» da Ordem."
(Excerto de 1 - Introdução; 2 - A fonte utilizada)
Índice:
1 - Introdução. 2 - A fonte utilizada. 3 - Alguns sciptoria cistercienses desconhecidos. 4 - Conclusão. | Apêndice documental: 1. Mosteiro de Santa Maria de Aguiar; 2. Mosteiro de Bouro; 3. Mosteiro de Ermelo; 4. Mosteiro da Estrela; 5. Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões; 6. Mosteiro de Maceiradão; 7. Mosteiro de Salzedas; 8. Mosteiro de S. Paulo de Frade; 9. Mosteiro de Seiça; 10. Mosteiro de Tomarães; 11. Mosteiro de S. João de Tarouca.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Muito invulgar.
Indisponível

14 maio, 2022

LIMA, Jaime de Magalhães - OS POVOS DO BAIXO VOUGA.
[Prefácio de Fernando Magano]
. [S.l.], Edição das Câmaras Municipais de Ílhavo e Murtosa e da Comissão de Turismo da Torreira, 1968. In-8.º (18 cm) de 94, [2] p. ; [10] f. il ; B.
1.ª edição independente.
Capa de David Cristo.
Interessante estudo etnográfico, antes publicado em «Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia», Porto, 1926.
Livro muito valorizado pelas belíssimas estampas - impressas sobre papel couché - intercaladas no texto.
"Ao norte de Portugal, sobre o Atlântico, a linha de costa afrouxa e decai para o lado da terra, fechando pelo poente uma extensa meia-lua de planuras vastas, cortadas de canais e lagos, e na linha interior demarcada pelas primeiras elevações dos contrafortes das serras de Arouca, Talhadas, Caramulo e Buçaco.
Descendo do Caramulo para o litoral em um dia tempestuoso e negro, cerrado de nuvens rasteiras, impedindo a difusão vertical da luz, tive ensejo de ver na sua maior extensão aquelas terras, iluminadas de modo que todos os acidentes de relevo se confundiam e nivelavam, formando de lés-a-lés como um mar profundo e negro, do qual o Cabo Mondego, ao sul, e os montes da margem esquerda do Douro, ao norte, seriam os redentes da entrada de uma baía. [...] Ainda agora, sem maior esforço de imaginação se suspeitam e ressurgem os dias em que as águas do Cértima, do Águeda, do Vouga e do Caima viriam directamente àquela baía e de lá ao mar, pouco a pouco minguando para dar lugar à elevação gradual do chão arável, formado pelos assoreamentos fustigados pelo vento e pelas ondas do mar... [...]
Assim se teria traçado e efectuado o actual e complicadíssimo sistema de ilhas, canais, baixios, restingas e cales, enredado já pela vastidão de superfície em que estes movimentos se cruzavam... [...]
Foi com estes elementos que se formou a região do Baixo Vouga, tal qual hoje a vemos, toda cortada de lagos e canais em suas formas tentaculares, tão depressa deixando erguer a terra como logo lhe abrindo uma tortuosa estrada fluida. E digo região do Baixo Vouga do que outros usam chamar a ria de Aveiro. [...]
Que gente mora nestas terras? Donde veio e que caracteres as distinguem? Que condição etnográfica foi sua no passado, o que é no presente, e que probabilidades tem de ser no futuro?"
(Excerto do texto)
Índice:
Nota explicativa. | Prefácio. | A região do Baixo Vouga. | Origem dos povos do Baixo Vouga. | Tipos étnicos. | A gente de Ílhavo. | A gente da Murtosa. | Diferenças na voz. | Distinção de profissões.| As feiras. | A cultura. | Conclusões.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

13 maio, 2022

ROQUETTE, J. - I. - MANUAL DA MISSA E DA CONFISSÃO, quarta edição, augmentada com varias devoções; pelo Presbytero... Pariz, Vª J. - P. Aillaud, Monlon e Cª, Livreriros de Suas Magestades o Imperador do Brasil e El-Rei de Portugal, 1856. In-16.º (12,5x7,5 cm) de
Obra clássica da literatura religiosa nacional que conheceu múltiplas reedições ao longo do século XIX, sendo o presente um exemplar da 4.ª edição.
Livro bonito, ilustrado com 6 belíssimas estampas intercaladas no texto, e com dois frontispícios - um a cores - o outro, a p.b.
"Ha um Deos, que é um ser infinito e eterno. Deos não tem corpo, porque é espirito, e não póde ser percebido por nossos sentidos. Subsiste em três pessoas distinctas, que são Padre, Filho e Espirito Santo. O Padre é Deos, o Filho é Deos, o Espirito Santo é Deos. Sem embargo, estas três pessoas distinctas não são senão um só Deos; e é impossivel que haja mais que um só Deos. O mysterio d'um só Deos, que subsiste em três pessoas, se chama o Mysterio da Santissima Trindade."
(Excerto de Compendio da Fé, que convém se leia antes da missa ao menos metade em cada dia)
José Inácio Roquete (Alcabideche, 1800 - Santarém, 1870). "Natural da freguezia de Alcabideche, no concelho de Cascaes, professando em 1821 a regra de S. Francisco no convento de Sancto Antonio do Estoril, da provincia dos Algarves, situado proximo da villa de Cascaes, tomando então o nome de Fr. José de Nossa Senhora do Cabo Roquette. Aos 29 annos d’edade foi tambem nomeado prégador regio da Sancta Egreja Patriarchal, por carta do cardeal patriarcha D. Patricio I em 1830. As demonstrações que dera no periodo decorrido de 1828 em diante de «sincera affeição ao governo do Sr. D. Miguel chegaram todavia a concitar contra elle o odio de alguns, resultando-lhe ser preso tumultuariamente no dia 24 de Julho de 1833, e conduzido para o castello de S. Jorge, d’onde sahiu restituido á liberdade passados poucos dias, por se mostrar sem crime. Decorridas algumas semanas depois da convenção d’Evora-Monte, veiu embarcar no Tejo a bordo de um paquete inglez, seguindo viagem para Londres. Ahi se apresentou ao ministro portuguez n’aquella côrte, juntamente com os Duques de Cadaval e Lafões, o bispo de Viseu, e outros portuguezes como elle emigrados, assignando a pedido do mesmo ministro uma declaração de que não pegaria em armas, nem conspiraria de modo algum contra o governo de Sua Magestade a Senhora D. Maria II. Sahindo de Londres para França com passaporte da legação portugueza, obteve mui bom acolhimento do arcebispo de París. Deu-se então á traducção e composição de varias obras, com o fim de tornar-se prestavel aos seus compatriotas, e tambem de recolher para si maiores recursos do que podiam provir-lhe dos escassos proventos do ministerio ecclesiastico. Pelo mesmo tempo, e nos annos seguintes coadjuvou efficazmente o Visconde de Santarem nos trabalhos da commissão litteraria de que estava encarregado, sem que todavia recebesse por isso alguma retribuição pecuniaria do governo. Voltou portanto para Portugal, e chegou a Lisboa pelo meiado de Agosto de 1858. Cavalleiro da Ordem Imperial da Rosa, conferida por S. M. o Imperador do Brasil em 1847, cavalleiro da ordem de N. S. da Conceição de Villa-Viçosa, socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, etc."
(Inocêncio, Vol. IV, 373-375 pp.) Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Corte das folhas em dourado.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Páginas algo oxidadas. Vestígios de humidade nas derradeiras páginas do livro.
Invulgar.
Peça de colecção.
25€

12 maio, 2022

SALGARI, Emilio - Á CONQUISTA DO POLO NORTE.
Romance de Aventuras. Tradução directa do italiano por Henrique Marques. Lisboa, João Romano Torres, [1931]. In-8.º (19 cm) de 138, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Viagem mítica ao Pólo Norte, por E. Salgari, autor de culto deste género de literatura, que circula entre o fantástico e a aventura.
Trata-se da incomum edição original em português.
"No mar Branco ha poucos gêlos quebradiços e esses não podem opor a menor resistencia.
O tempo está escuro; as nuvens que cobrem a abobada celeste dão uma nota de tristeza indefinida e tingem de cinzento as aguas do mar, com reflexos côr de aço; mas o vento é bom e as ondas que descem do Ártico não teem a violencia que adquirem nas borrascas A Estrela Polar avança audaz, de vélas ao vento, emquanto as caldeiras ainda acesas mugem surdamente, fazendo gemer os costados de madeira da antig baleeira.
S. A., na tolda, olha atentamente para o norte; parece procurar os gelos com os quais está ansioso por se medir.
Os seus oficiais acompanham-no interrogando o horizonte com os oculos de longa vista. Tambem eles procuram os fantasmas brancos da região ártica."
(Excerto do Cap. I - O mar Branco)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeito e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
15€

11 maio, 2022

MELLO, Francisco Eleutherio de Faria e - MEMORIA SOBRE A VIDA DE D. FRANCISCO ALEXANDRE LOBO, BISPO DE VIZEU.
Por...
Lisboa, Na Typographia de José Baptista Morando, 1844. In-8.º (20x13 cm) de 106, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico sobre D. Francisco Alexandre Lobo (1763-1844), clérigo beneditino, historiador e político português - homenagem publicada pouco tempo após a morte do insígne religioso.
"Nos annos que decorrêrão desde 1792 até 1802 quasi sempre o Sr. D. Francisco Alexandre Lobo rezidio com o Inquizidor, ora no Palacio do Rocio, ora na quinta de Paço d'Arcos; poucos tempos esteve no Alem-Tejo, e ainda menos em Coimbra.
Não podia o Sr. D. Francisco Alexandre Lobo ter melhor eschola para o trato do mundo, nem estar em melhor situação para aumentar o seu thesouro, já bem crescido, de conhecimentos variados com que tanto se distinguia. [...]
A sociedade do Inquizidor Geral constava da flor da fidalguia Portugueza, da flor dizemos, porque nenhum fidalgo a frequentava para obter despachos, mas para gozar da companhia do homem pio, virtuoso, serio, sabio e estimavel.
Alem deste grande meio de se aperfeiçoar, tinha mais o Sr. D. Francisco Alexandre Lobo á sua disposição, não só a escolhidissima livraria do Inquizidor Geral, porém todas as que então possuia Lisboa, que nem erão poucas, nem algumas dellas, pouco ricas.
De taes meios como se não havia de approveitar sujeito de tão generosa disposição, de tão seguro entendimento?
Approveitou com effeito, e nesta epocha e nesta eschola apurou o gosto e o estilo; e não só teve conhecimento dos melhores livros, mas, o que he muito mais, conheceo, ponderou, combinou o que tinhão de bello, e o que tinhão de util."
(Excerto do Apontamento biográfico)
D. Francisco Alexandre Lobo (1763-1844). "Freire professo na Ordem de S. Bento de Avis, Doutor em Theologia e Lente da mesma faculdade na Univ. de Coimbra, Socio da Acad. R. das Sc. de Lisboa, etc. Nomeado Bispo de Viseu em 1819, e sagrado a 16 de Julho de 1820; Par do Reino em 1826, e Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios do Reino, nomeado pela senhora Infanta Regente a 16 de Dezembro do dito anno. - Do senhor D. Miguel recebeu em 1828 a nomeação de Conselheiro d'Estado, bem como a de Reformador geral dos Estudos, logar que resignou em 1831, retirando-se para a sua diocese. - N. em Beja a 14 de Septembro de 1763, e regressando a Portugal depois de dez annos de exilio, que decorreram de 1833 a 1844, tendo finalmente reconhecido o governo da senhora D. Maria II, e achando-se desimpedido para tomar pessoalmente conta do bispado, o não pode fazer, por sobrevír-lhe a morte, poucos dias depois do seu desembarque em Lisboa. M. no convento das religiosas Flamengas do Calvario, junto a esta cidade, em 9 de Septembro de 1844. - Para a sua biographia vej. a Memoria sobre a vida de D. Francisco Alexandre Lobo, etc., por Francisco Eleutherio de Faria e Mello, 1844, onde acham copiosas noticias.
O bispo Lobo foi no seu tempo, e é ainda hoje havido na conta de homem de vasta lição, muito instruido nas sciencias proprias do seu estado, e versado em todos os ramos de philologia e litteratura amena. Infelizmente as questões politicas, em que tomou parte, mais activa talvez do que convinha a um verdadeiro successor dos apostolos, fizeram dividir a seu respeito as opiniões dos partidos, sempre exageradas e muitas vezes injustas, quando pretendem avaliar o merito e qualidades dos individuos da súa facção, ou das contrarias. Porém os criticos de um e outro lado concordam geralmente em considerar o bispo de Viseu como um dos escriptores, que nos tempos modernos souberam imitar mais de perto os nossos antigos classicos no que diz respeito á propriedade da locução, pureza da linguagem, e á correcção d’estylo."
(Inocêncio, V. II, p. 324)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e biográfico.
25€

10 maio, 2022

FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e - POUSADA DE SANTIAGO : PALMELA.
Texto de... Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais
. [Lisboa], Ministério do Equipamento Social, 1984. In-4.º (25x20 cm) de 53, [3] p. ; [16] p. il. ; B. Col. Monumentos, 129
1.ª edição.
Interessante monografia sobre o Castelo de Palmela, importante fortificação medieval, que integra no seu espaço uma pousada e alguns outros imóveis com interesse histórico.
Livro decorado com 46 figuras distribuídas por 16 páginas separadas do texto - impressas sobre papel couché - reproduzindo fotogravuras, plantas e alçados - que ilustram o trabalho de recuperação do conjunto arquitectónico.
"Com ocupação islâmica entre os séculos VIII-XII, o Castelo de Palmela foi conquistado por D. Afonso Henriques, em 1147 e definitivamente recuperado por D. Sancho I. Sede definitiva da Ordem de Santiago, de 1443 até à sua extinção, em 1834, a fortificação é Monumento Nacional desde 1910.
A posição geográfica do castelo permite um domínio estratégico de parte do estuário sadino, de uma vertente da cordilheira da Arrábida e das planícies envolventes que a separam do Tejo. Esta situação, noutros tempos, revestia-se da maior importância pelas ligações e possibilidades de comunicação que se estabeleciam com os castelos circundantes das linhas do Tejo e do Sado.
Dentro das muralhas do Castelo encontram-se: a Pousada Histórica de Palmela, situada no antigo convento da Ordem de Santiago, a Igreja de Santiago e as ruínas da Igreja de Santa Maria."
(Fonte: http://turismo.cm-palmela.pt/castelo-de-palmela)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

09 maio, 2022

MANUAL DO SOLDADO PORTUGUEZ. Adoptado pela Comissão Central da Assistencia Religiosa em Campanha. Lisboa, Comp. e imp. na Typ. do Annuario Commercial, 1917. In-16.º (13 cm) de [4], 307, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Manual religioso distribuído às tropas do C. E. P., em França.
Ilustrado no texto com bonitas vinhetas tipográficas representando as 14 estações da Via Sacra, e uma outra de Cristo crucificado.
Inclui duas folhas iguais no início do livro - uma colada no verso da pasta anterior, e uma outra recortável: "A minha vontade em caso de doença, ferimento, ou morte", onde o proprietário do livro declara que pertence à Religião Catholica, e pretende ter a visita do Padre catholico no hospital, e todos os socorros do seu ministerio, por acidente ou doença grave, bem como, as orações e funeral religioso em caso de morte.
Contém um capítulo dedicado exclusivamente aos cânticos religiosos, incluindo as respectivas partituras.
Livro com uma dedicatória autógrafa - datada de 18-8-919 - á Sr.ª D. Maria Anna d'Azevedo Coutinho, oferta de Mgr. Esteves (antigo combatente?).
"Apesar da separação entre Igreja e Estado, explicada anteriormente, a população portuguesa continuava a contar com um número bastante elevado de pessoas com convicções religiosas, com predomínio dos católicos. As autoridades eclesiásticas preocuparam-se, desde o início do conflito com a assistência religiosa às tropas que fossem enviadas para campanha. Esta preocupação estava mais direcionada para os militares que eventualmente viessem a ser envolvidos em combates no território europeu. [...]
Foi criada a Comissão Central de Assistência Religiosa em Campanha, que funcionava na sede do Patriarcado de Lisboa. Este organismo coordenava a recepção de todos os donativos e o seu encaminhamento para as tropas em França. [...]
Como se processou a atuação dos capelães na frente? Nos primeiros tempos foi muito complicada, uma vez que eram vistos com desconfiança. Apenas estavam autorizados a prestar assistência quando a mesma fosse solicitada. À chegada a Aire sur la Lys, primeira sede do Quartel-general português, os capelães colocaram à porta da igreja informação sobre o horário das celebrações. Apenas estavam a fazer algo semelhante ao que viam os ingleses fazer. O comandante do CEP recebeu logo um telegrama do governo a informar que eram proibidos atos de propaganda religiosa e que os prevaricadores deveriam ser repatriados.
Os funerais de militares eram momentos em que as palavras dos capelães eram escutadas com atenção por livres-pensadores. Muitas vezes as exortações dos padres eram consideradas como ações de propaganda. Uma circular de 13 de julho de 1917, assinada pelo Chefe do Estado-Maior do CEP, colocava diversas restrições aos movimentos dos capelães, definindo que os mesmos deveriam permanecer junto do comando superior deslocando-se até às tropas apenas quando a sua presença fosse solicitada. Esta circular provocou mal-estar entre os capelães, uma vez que os impedia de estar junto das tropas, no dia-a-dia. No entanto, a sua reação foi de acatarem as determinações da ordem de serviço, evitando assim que a sua presença no CEP fosse posta em causa.
Outra situação que revela bem os obstáculos colocados à ação dos capelães foi a proibição de envio de determinados livros, oferecidos pela Comissão Central de Assistência Religiosa em Campanha. Uma ordem dos Serviços Postais Militares determinava o seguinte:
Ordem Serviço SPM, nº 49, de 27 de Agosto de 1917,

Por ordem de Sua Ex.ª o General [Tamagnini de Abreu], em virtude do determinado por sua Ex.ª o Ministro da Guerra [Norton de Matos], as forças que fazem parte do CEP não podem receber os seguintes livros: "O livro do Soldado Português", pelo Padre José Lourenço de Matos; O "Manual do Soldado Português", adotado pela Comissão Central de Assistência Religiosa em Campanha.
Porque o primeiro contém doutrina contra as Instituições vigentes e à Constituição Política da República e o segundo porque o seu título quase indica que todos os soldados portugueses são católicos o que não é verdade. V.Ex.ª aprenderá e remeterá a esta secretaria [Quartel-general do CEP] todos os exemplares que aí deem entrada.
Pelo menos em relação a um dos livros, O Manual do Soldado Português, a Comissão Central de Assistência Religiosa em Campanha encontrou uma solução. Alterou o título para O Manual do Soldado Português Católico. Nos livros já impressos, colocava-se um carimbo com a palavra acrescentada."
(Fonte: http://www.portugalgrandeguerra.defesa.pt/SiteCollectionDocuments/Noticia%20Atas%20Academia%20Militar/13_Canas.pdf)
Índice:

Conselhos aos soldados. | Orações da manhã e da noite. | Orações durante o dia. | Orações para antes da comida. | Oraçõs para depois da comida. | As Ave Maria. | Modo facil de resar o Rosario. | Ladainha de Nossa Senhora. | O Santo Condestavel. | Oração ao Santo Condestavel. | Via Sacra. | Exame de consciencia. | Oração para depois da Confissão. | Orações para antes da Communhão. | Orações para depois da Communhão. | Missa da S. S. Trindade. | Missa votiva de Nossa Senhora. | Missa para o tempo de guerra. | Missa pelos defuntos. | Modo de ajudar á Missa. | Sacramento da Extrema Uncção. | Extractos do Novo Testamento. | Paixão de Jesus Christo. | A ressurreição de Jesus. | Resumo da doutrina christã. | Canticos.
Encadernação simples, cartonada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção. 
Indisponível

08 maio, 2022

"VIGORIZADOR ELECTRICO" (MARCA DE FABRICA) DO DR. McLAUGHLIN
. Lisboa, Imprensa de Libanio da Silva, 1904. In-8.º (20 cm) de 86 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro de propaganda a um aparelho - o Vigorizador Eléctico - apresentado como meio para a cura de diferentes maleitas por acção da corrente eléctrica, invento do Dr. McLaughlin, com consultório em meio mundo, incluindo Lisboa, na Rua Augusta, 188 - 2.º andar. Impresso nos primeiros anos do novo século, em período de franca expansão dos conceitos teórico-práticos do magnetismo animal, trata-se de um interessante exemplo de marketing americano, desenvolvido em época de poucas (ou nenhumas) restrições à imaginação e promoção da charlatanice, mais ou menos bem intencionada. Raro e muito curioso.
Ilustrado ao longo do texto com desenhos e gravuras, bem como diversas estampas em página inteira.
"Vivemos da edade electrica. Atravessamos um periodo e inventos no ramo da electricidade e nada mais justo que se façam grandes progressos na applicação do dito agente physico para a cura de muitos padecimentos que atacam o homem. [...]
A experiencia, acompanhada de um estudo conscencioso e cheio de fé; uma observação detida das necessidades dos enfermos e dos debeis, combinada com uma ambição ardente de applicar os meios que podessem combater mais efficazmente os elementos que originam o enfraquecimento do organismo, permittiram-me criar um dos methodos mais maravilhosos da applicação da electricidade ao organismo humano, e congratulo-me do meu exito por haver aperfeiçoado um apparelho que vence todos o inconvenientes inherentes no emprego da electricidade e que cura em absoluto em conformidade com a exposição de factos simples e sincera, para pessoas doentes, e por haver organizado o maior negocio de esta classe que ha no mundo.
Com milhares de curas que já se levaram a effeito, e milhares de pessoas agradecidas que expressam em voz alta a sua gratidão por havel-os livrado dos horrores da dôr e da decrépitude, como garantia de futuro exito, espero aimda maiores resultados dos meus sforços para demonstrar á verdade do xioma de toda a minha vida, «que a electricidade é a base de toda a vida animal e sem ella não poderiamos viver».
Estas palavas prestam-se a um profundo estudo, e a vós, os que buscaes a saude, as recommendo, assim como muitas outras verdades que encerra este livro."
(Excerto da Introducção pelo Dr. M. A. McLaughlin)
"É um facto demonstrado que a electricidade é o mais natural de todos os remedios para a cura das doenças que affligem o corpo human o. Todo o medico que professe idéas modernas advoga o tratamento electrico e reconhece a sua superioridade sobre todos os agentes medicos, sobre tudo na sua applicação ás doenças que se relacionam com o systema nervoso. Esta é a admissão pratica da força electrica sobre os nervos e orgãos vitaes, de onde resulta para toda a pessoa pensadora, a convicção de que o meio de applicar tão poderoso agente de uma maneira efficaz, deveria considerar-se como a maior fortuna para a humanidade enferma."
(Excerto de Discurso sobre os processos do Dr. McLaughlin)
"Quando nos detemos a considerar que o nosso systema nervoso é a fonte e vida para os rins, o figado, o estomago, o cerebro, os orgãos sexuaes, e as varias funcções organicas do corpo e que depende a sua existencia do elemento vivificador da electricidade, e que sem esta vida é impossivel que o corpo possa manter a sua condição normal... [...]
Era. por tanto, de imperiosa necessidade o averiguar ou descobrir um meio simples, economico, mas efficaz, que podesse produzir e applicar correntes electricas, sem que levasse juntos os inconvenientes que se experimentam no uso de remedios ordinarios; e este vasio é o que veio preencher o Dr. McLaughlin, ao inventar o seu Vulgarizador Electrico.
Attentos sempre ás necessidades de todos aquelles a cuja saude tem dedicado os seus maiores disvellos o Dr. McLaughlin, vem de anno em anno melhorando o seu invento, até que o consegio levar ao mais alto grao de perfeição, abarcando n'este simples apparelho um meio de saturar o organismo de electricidade de uma maneira suave e fortalecente, rodeando, a parte dorida ou lesionada por uma corrente galvanica suave e continua que terá que infundir n'aquella saude, dia por dia, sem interromper para nada os habitos usuaes do padecente, e proporcionando uma cura simples e de senso commum, que tem bem merecida a immensa fama que disfructa hoje em dia em todas as partes do mundo civilisado."
(Excerto de Alguns factos que demonstram que o Vigorizador Electrico do Dr. McLaughlin é uma cura ou remedio natural)
Matérias: Introducção.| Discurso sobre os processos do Dr. McLaughlin. | Alguns factos que demonstram que o Vigorizador Electrico do Dr. McLaughlin é uma cura ou remedio natural. | Algumas palavras acerca dos nossos famosos apparelhos. | Mal de Bright [Insuficiência Renal Crónica]. | A electricidade como curativo. | Algumas palavras aos que soffrem. | Dor nas costas. | Varicocele. | Os tres periodos de debilidade seminal. | Um regulador para graduar a força electrica. | Dores rheumaticas. | Vinte annos de progresso. | O systema nervoso. | Dyspepsia ou indigestão. | A força de vitalidade em diversas edades. | Recusem-se os apparelhos baratos e de nenhum valor. | Pode cada um curar-se a si mesmo? | Homens que parecem gigantes na sua estructura physica e que não obstante carecem de potencia sexual. | O Vigorizador Electrico combate as perdas seminaes. | Aos homens que trabalham. | Padecimentos femininos. | Lista dos Consultorios e Escriptorios do Dr. McLaughlin e Companhia. | Lista dos preços dos Vigorizadores Electricos do Dr. Mclaughlin, para ambos os sexos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

07 maio, 2022

AVILA, Arthur Lobo d' - A PROTECÇÃO Á AGRICULTURA E O COMMERCIO DOS CEREAES.
Por... Secretario da Real Associação Central da Agricultura Portugueza
. Lisboa, Typographia Universal (Imprensa da Casa Real), 1886. In-4.º (25 cm) de [8], 138, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio sobre a indústria agrícola nacional, onde assume particular relevância a questão cerealífera.
"A existencia de Portugal, n'este seculo, a que restam poucos lustros, parece-me poder dividir-se em dois grandes periodos, pelo que respeita á sua economia social e politica. No primeiro, decorrido mais de meio seculo, o paiz oscilla constantemente em commoções violentas, de origens diversas. Ás consequencias do grande acontecimento com que a era anterior terminára, morrendo entre uma grande explosão de ideias e luzes novas, na França, a um tempo coração e cerebro da Europa, succedem-se as perturbações internas de toda a especie.
É o periodo que alcança desde a regencia de D. João VI (1799) até á regeneração - 1851. N'este intervallo succedem-se desgraças e calamidades variadissimas. São o preço por que o paiz compra o advento do regimen liberal e parlamentar. Invasões estrangeiras, guerras civis, lutas permanentes e acirradas entre parcialidades politicas, levantam e depõem governos ephemeros, que se gastam especialmente na guerra aos contrarios. Governa-se sempre em armas; e emquanto os ministros vigiam, como esculcas, não as almenáras d'um inimigo estrangeiro, mas os pontos da terra portugueza em que receiam se levante mais um grito sedicioso, difficilmente podem cuidar da situação economica do paiz."
(Excerto de A protecção á agricultura: I - Considerações geraes)
"Estudando esta magna questão, procuri, quanto me foi possivel, investigar a transcendencia dos pontos principaes tocados pelas recentes discussões da imprensa.
Fui, por isso, levado a uma divisão da materia em partes em que a sua importancia reveste um caracter especial. Eram elles: a importancia social e economica da cultura do trigo; o proceder actual dos governos da Europa sobre tal assumpto; o passado do commercio do trigo em Portugal; e o seu presente."
(Excerto de O commercio dos cereaes - introdução)
Indice:
Advertencia. | A protecção á agricultura: I - Considerações geraes; II - Importancia historica e economica da agricultura em Portugal; III - A crise agricola e a concorrencia americana. | O commercio dos cereaes: [Introdução]. I - Feição generica da producção e negocio do trigo; II - A discussão nos parlamentos; III - O Terreiro do Trigo. Leis portuguezas sobre o trigo e seu commercio; IV - A questão actual entre nós.
Artur Eugénio Lobo de Ávila (Lisboa, 1856 - 1945). "Foi um escritor e jornalista português. Começou a sua carreira no Comércio, sendo despachado, aos 19 anos de idade, Empregado da Alfândega. Nesse mesmo ano, 1874, acompanhou seu pai, o General José Maria Lobo Ávila que seguia para Macau com as funções de Governador. Além de Secretário Particular de seu pai, foi Secretário de Legação na China, no Japão e no Sião. Regressando a Lisboa em 1877, voltou ao seu serviço na Alfândega, matriculando-se, nessa altura, no Curso Superior de Letras. A Literatura atraía-o, começando por escrever para o Teatro. Estreou-se com duas Comédias: Uma Noiva no Prego, em 1879, e Empenhos Políticos, em 1880. Como Jornalista, começou na Redacção d' "O Comércio de Lisboa", colaborando também nos jornais "Diário de Notícias", "O Século", "Jornal da Colónias", "Época" e "Novidades", especialmente em folhetins históricos. Publicou As Memórias do Padre Vicente, com Prefácio de Tomás Ribeiro, Os Ministros do Sr. Moura, reeditado com o título Ministro Ideal, prefaciado por Teófilo Braga, A Descoberta e Conquista da Índia pelos Portugueses em 1898, Os Caramurús em 1900, Os Amores do Príncipe Perfeito em 1904, O Rei Magnífico em 1911, tendo transformado em Dramas os dois últimos trabalhos. Escreveu ainda: A Verdadeira Paixão de Bocage em 1905, de colaboração com Fernando Mendes, As Meias Roxas, Comédia Histórica, de colaboração com Júlio Rocha, Auto da Descoberta do Novo Mundo, e um compêndio técnico, Esmaltes Artísticos, em 1935, em que patenteou os seus conhecimentos de esmaltador de raro merecimento. Terminou a sua carreira com um livro de memórias, Nos Bastidores do Jornalismo, que o antecedeu poucos meses na morte. Devem citar-se, ainda, outras obras suas de merecimento: Elogio Histórico do Visconde de Coruche em 1905, A Protecção à Agricultura e o Comércio dos Cereais, Vasco, Romance, O Reinado Venturoso, Romance Histórico, Os Malhados, Teatro, de 1902, Antes Quebrar que Torcer, Teatro. Tomou parte entusiástica na explanação e defesa da tese da nacionalidade Portuguesa de Cristóvão Colombo exposta por dos Santos Ferreira e outros, intervindo por meio de artigos, opúsculos e conferências na ardente defesa da identidade Colombo-Zarco, por aquele pretendida."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Capas frágeis com defeitos; contracapa alvo de restauro.
Invulgar.
25€

06 maio, 2022

SANTOS, João Marinho dos & SILVA, José Manuel Azevedo e & NADIR, Mohammed - SANTA CRUZ DO CABO DE GUE D'AGOA DE NARBA.
Estudo e Crónica. Viseu, Palimage Editores : CHSC - Centro de História da Sociedade e da Cultura, 2007. In-4.º (23 cm) de 317, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa: Gravura de Castelo e Vila Portuguêsa de Santa Cruz de Cabo Guer (sec. XVI).
Estudo pouco conhecido, desenvolvido a partir de um manuscrito coevo, com importância para o conhecimento da presença portuguesa no Norte de África, e o seu relacionamento com os mouros. Interessante, por certo com tiragem reduzida.
Livro muito ilustrado com reprodução de mapas, plantas, gravuras e inúmeras fotografias em página inteira.
"Este livro é a edição crítica e bilingue (português e árabe) de uma crónica da praça marroquina de Santa Cruz do Cabo de Guer (Agadir), escrita por um nobre cavaleiro que aí serviu o rei de Portugal. Trata-se de uma narrativa dos factos que o autor considerou dignos de serem escritos sobre a história daquela praça portuguesa. Como fio condutor do relato, vai entretecendo os acontecimentos e procurando espelhar a realidade vivida na praça, na região do Sus e em Marrocos, no tempo sequencial do governo dos seus nove capitães, desde D. Francisco de Castro até D. Guterres de Monroi. Refira-se que as guerras, as inimizades e os ódios entre cristãos e mouros não impediram que, entre uns e outros, ocorressem situações de amizade, de solidariedade, de lealdade, de amor e de paixão. E ao nosso cavaleiro-cronista não escaparam esses episódios.
A crónica é precedida de um adequado estudo dos três autores desta obra, no qual, para além da exegese do manuscrito, se enquadra historicamente Santa Cruz do Cabo de Guer na região do Sus e se demonstra que as relações entre os portugueses e os mouros de Marrocos se pautaram não só pela confrontação, mas também pela cooperação."
(Sinopse - Texto retirado da contracapa)
"Primeiramente no tempo del Rei Dom Manoel que Deus tenha em gloria foi hum home nobre por nome João Lopez Girão com huas caravelas darmada ter ao Cabo de Gue indo a descobrir terra por aquella parte, desembarcando em terra achou hua grande fonte manavão sete ou oito fontes na praia da mesma agoa donde vinhão a beber muitos gados de toda a sorte ate camelos, o qual gado era hu mouro grão senhor e de todos os seus subditos, o qual se chamava Ahames Narba pella qual cauza chamavão a fonte fonte d'Agoa de Narba por cauza do appelido do Mouro.
E vendo João Lopez Girão a fonte de tão boa agoa fez ali assento e armou alli um castelo de pao que levava já ordenado, e feito poslhe artelharia e fez logo ao deredor do castelo outro muito forte de pedra e cal, em que meteo a fonte dentro, e com artelharia defendia aos mouros que lhe não impedissem a obra e tanto que o acabou foisse fazer outro castelo sobre hua rocha que estava apartada da terra defronte de hua villa de mouros que se chamava Taramaque a qual rocha a rodeava e batia o mar a qual chamavam Bom Mirão o qual lhe tomarão os mouros por treição, e com esta paixão, e enfadamento se veo a Portugal a El Rey Dom Manoel, e vendeolhe o castelo do Cabo de Gue d'Agoa de Narba.
El Rey Dom Manoel mandou logo a Dom Francisco de Castro por capitão com muita gente e oficiaes para fazer no castello hua boa villa como fez muito forte e com sete cubellos ao redor dos muros, em os quaes estava muita artelharia grossa e de toda a sorte em a qual villa esteve muitos annos pelejando contra estes dous Reynos fazendo muitas e boas couzas ate pelejar com o proprio Xarife em pessoa que estão começava a reynar, bem que não era ainda obedecido de muitos Alcaydes e xeques e outros que andavão em cabildas huns contra outros a quem podia mais senhorear pera sy pelejando huns contra os outros, mas já tinha a este tempo tres mil de cavallo com que pelejava afora muita gente de pé dazagayas, e alguas de béstas poucos, e Dom Francisco de Castro tinha cento e vinte de cavallo e christãos bons cavalleiros, e obra de seis centos homes de pé espingardeiros e besteiros consigo na villa, o qual quando a fez lhe pos nome a villa de Santa Cruz do Cabo de Gue d'Agoa de Narba, e porque tinha o castello em cima no mais alto della nomeava de Santa Cruz. [...]
Andando Dom Francisco nestas guerras lhe mandou dizer hum alcaide por nome Bam Mileque que tinha guerra com o xarife que se lhe quizesse dar lugar ajunto da villa debaxo das bombardas onde armasse tendas e fizesse cazas que elle se viria para elle com toda sua gente e poder e que o ajudaria a fazer guerra ao xarife para se vingar delle, e lhe seria tão leal como adiante se veria como sempre foi emquanto viveo não como mouro que elle era, mas como se fora christão, deulhe licença e veosse logo com perto de cem cavaleiros, e sete ou oito centos de pe dazagayas, e alguas béstas muito boa gente da cabilda d'Yzarel que erão grandes cavaleiros e desque foram apontados este alcaide hya sempre na dianteira do capitão com sua gente e la mandava espiar a terra diante e sempre hya segurando a terra aos christãos fazendo o capitão com este mouro grandes cavalgadas e destroindo toda a terra que já lhe não ouzavam aguardar em campo senão com o xarife em pessoa. [...]
Indo hua madrugada fora para tomar a villa de Mascordão seis legoas de Cabo de Gue hyão vendidos de dous mouros dos de Meleque em grande segredo sem lho consintirem e em amanhecendolhe alem do Ryo de Sus disse Bam Meleque ao capitão: Senhor a my me parece que vamos ser vendidos dalgus tredos (sic) dos que vão comigo, porque os meus cavaleiro vão de má vontade e dizemme que seria melhor tornarmonos que não lhe parece bem irmos agora lá eu não sei o que queles sentem damne este avizo dizendo n os não vemos nenhum mouro nem por cima nem por baixo nem gados pello que parece ser treição, respondeo o capitão: Bam Meleque se vos isso parece bem tornemonos, outro dia viremos quando nos parecer bem. [...] Disse o alcayde ao capitam, manda por teu filho com trinta de cavalo com a bndeira muito á presa sobre aquelle outeiro estará em salvo, e os mouros cuidarão que he gente que está com a bandeira e temerão de chegar a nos, e favoreçamos os nossos poes queres pelejar com o xarife, olha que tras grande poder e gente mui luzida, se for couza que Deus não queira que sejamos desbaratados, melhor estará teu filho e a bandeira em salvo, e não temas os meus que elles, e eu te seremos bõs e leaes ate morte por te salvar. Mandou o filho por no outeiro com as trombetas que tangessem de lá, e logo chegarão os mouros da gera e afferrarão sem temor, e o capitão volta, voltarão depresa os cavaleiros christãos e deu Santiago nelles, e lavarãonos hum pedaço matando e ferindo, derubando nelles de maneira que os temorizarão de maneira que não ouzavam chegar. Vinhão ladrando e gritando, chegarãosse para o capitão, e o alcaide algus cavaleiros mouros das pazes, e hião com elle em seu resguardo, e assi vinhão pelejando, e recolhendosse o melhor que podião ate o Ryo, e ali chegou o xarife com todo seu poder ao Ryo quis passar em chegando, e o capitão e o alcaide derão Santiago nelles dentro no Ryo onde matarão muitos delles, e os levarão ate as barbas do xarife e se tornarão a recolher, e os mouros do xarife passarão por outro passo e forãolhe sair adiante e o xarife trazia quatro mil de cavalo comsigo e passou o Ryo e derão hus por hua parte e outros por outra e forão desbaratando os christãos e o alcaide com poucos mouros dos seus hião com o capitão, e obra de quarenta christãos defendendoo, e os mouros do xarife hião dizendo a Bam Mileque: entrega o capitão [que pouco] que pouco te vai nisso pois he christão e tu mouro e o xarife te cumprirá o prometido seras grão senhor. Respondeo o alcaide tomayo se podeis que muitos sois mas o primeiro que chegar a elle faça conta que há de ser passado desta lança, ou morrereis sobe elle; e descansai que o não levareis deste vez, e os tredores que o venderão, elles ou suas molheres e filhos o pagarão, espero em Deus que nos nos vinguemos desta treição antes de muito tempo..."
(Excerto de Este he o origem e começo e cabo da Villa de Santa Cruz do Cabo de Gue d'Agoa de Narba)
Índice:
Portugal e Marrocos - da confrontação à cooperação - José Marinho dos Santos. | O SUS e Santa Cruz do Cabo de Iguir (Agadir) - Mohammed Nadir. | O Manuscrito, o Autor e o Conteúdo da Crónica - José Manuel Azevedo e Silva. | Este he o origem e começo e cabo da Villa de Santa Cruz do Cabo de Gue d'Agoa de Narba.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

03 maio, 2022

BERNAY, Henri - O COMBÓIO ANFÍBIO (o Escolopendra).
Trad. de José Pinto Guimarãis
. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco, 1935. In-8.º (18,5 cm) de 256 p. ; E. Col. Romances internacionais de grande emoção : N.º 2
1.ª edição.
Curiosíssimo romance de ficção científica, originalmente publicado em França sob o título «Le Scolopendre» (1927).
"Em Paris, a margem esquerda do Sena tem constituído sempre o passeio da predilecção dos desocupados e dos contemplativos. Se, com uma emoção sempre nova, os bibliófilos andam a farejar pelas lojas dos alfarrabistas, criaturas há que se satisfazem em andar, de nariz no ar, de um lado para o outro ou em dar pasto à sua preguiça, sentados nos bancos, sem ligar importância de maior ao movimento dos carros sempre velozes e ao vaivém das embarcações que sobem lentamente o rio.
Naquela manhã de fim de Janeiro, o sol brilhava por entre os ramos das árvores ainda despojadas da sua folhagem.
Um jóvem descia vagarosamente o cais Malaquais, caminhando ao sabor da sua fantasia, parando, por vezes, para contemplar uma velha gravura, para folhear um alfarrábio ou simplesmente para acender um cigarro. [...]
Tomou um taxi e disse para o chauffeur:
- Avenida Malakoff, 38 bis... [...]
O taxi parou à porta de um pequeno edifício muito gracioso, como há muitos nas vizinhanças do Bosque de Bolonha. Dambreval foi recebido por um criado de libré, frio e cerimonioso, que, depois de ter recebido o seu cartão de visita, abriu a porta de um salão:
- Queira ter a bondade de esperar um instante... [...]
O criado protocolar reapareceu:
- Se quiser ter a bondade de me acompanhar...
Dambreval subiu ao primeiro andar. [...]
- O senhor Dambreval!...
E o jóvem encontrou-se em frente do homem a quem vinha falar.
Dambreval apertou a mão que se lhe estendia.
- O senhor Pedersen, sem dúvida?
- Eu mesmo... faça o favor de se sentar... [...]
Embora tivesse acolhido Dambreval com tôda a amabilidade de que era capaz, não sabia sorrir. [...]
- Desculpe-me - disse Pedersen - por o ter feito esperar alguns dias, mas eu não estava em França.
Dambreval esboçou um gesto de protesto polido:
- Isso não tem importância, senhor...
- Contudo, êsses dias ser-lheão contados, se, como espero, chegarmos hoje a um acôrdo...
- Estou inteiramente disposto a isso - disse Dambreval.
- Um tanto melhor... Pouco tenho a acrescentar às minhas cartas... Agradam-lhe as condições?...
- Sim, senhor, acho-as excelentes.
- Está desembaraçado de qualquer compromisso?
- Inteiramente livre.
- Então só nos resta trocar as nossas assinaturas... Preparei dois contratos para isso.
Dambreval disse, antes de tomar as fôlhas de papel timbrado:
- Se mo permite, far-lhe-ei algumas preguntas que certamente achará naturais.
- Escuto-o, senhor Dambreval.
- Posso saber o nome do meu capitão?
- Sou eu - respondeu simplesmente Pedersen.
- E o navio?
- O «Kayak»... O senhor não o conhece, certamente... É um norueguês de 800 toneladas, que vem a Bolonha pela primeira vez.
- Qual é o género do barco?
- Tem transportado carvão e também postes de minas, mas mandei-o transformar. Está presentemente muito bem preparado para uma estadia nos países frios e está reforçado de forma a resistir, em caso de necessidade, à pressão dos gelos. O senhor ficará confortàvelmente instalado a bordo.
- O senhor disse-me que se tratava de uma viagem nos mares do norte...
É mesmo do extremo norte, pois ultrapassaremos certamente o círculo polar. Penso que isso não o desanimará...
- Pelo contrário - respondeu o jóvem - sempre sonhei conhecer essas paragens.
Pedersen fez um sinal de aprovação, e calou-se.
Depois dum momento de hesitação, Dambreval continuou:
- Trata-se de uma expedição científica ou comercial?
- Nem duma cousa nem doutra... Teremos um naturalista a bordo.
- É a Spitzberg que conta ir primeiro?
- Não. Ficaremos em primeiro lugar na Islândia para tomar carvão e completar as nossas provisões. Em seguida, faremos caminho para a Groenlândia.
- E depois?
O sueco não respondeu imediatamente, brincando distraìdamente com um corta-papéis. Estas preguntas pareciam irritá-lo. Bruscamente, retomou a palavra:
- Senhor Dambreval - disse êle sêcamente - compreendo que deseje ter detalhes sôbre a viagem que vamos empreender, mas é-me impossível satisfazer plenamente a sua curiosidade."
(Excerto do Cap. I - Em que se prova, uma vez, que o mundo é pequeno)
Henri Bernay (pseud.) (1873-1959). Auguste Antoine Thomazi de seu nome, utilizou nos seus escritos o pseudónimo "Henri Bernay". Oficial da Marinha, historiador, escritor e jornalista francês, editor da revista "Natureza". Escreveu sobre assuntos navais no jornal Le Figaro. Publicou monografias militares, histórias infantis e romances, sendo alguns de ficção científica.
Encadernação simples em meia de percalina. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Pastas gastas. F. rosto apresenta assinatura de posse.
Muito invulgar.
Indisponível

02 maio, 2022

CASTELLO-LOPES, Gérard - GÉRARD CASTELLO-LOPES : Homenagem a Henri Cartier-Bresson
. Lisboa, Galeria Fernando Santos, 2004. In-4.º (29x24,5 cm) de 70, [2] p. ; mto il. ; C.
1.ª edição.
Homenagem do autor ao seu mentor artístico - Henri Cartier-Bresson (1908-2004), fotógrafo, fotojornalista e desenhista francês - no ano da sua morte.
Publicação belíssima, de grande sentido estético e apuro gráfico, ilustrada com 42 fotografias escolhidas por Castello-Lopes, que melhor representam a influência do Mestre na sua obra. O texto sobre este é igualmente da autoria de Castello-Lopes.
Livro impresso em papel encorpado, com tiragem limitada a 500 exemplares.
"Comparar-me ao Mestre seria tão paradoxal como comparar o Sol à luz duma vela. Por outro lado quando adquiri os exemplares de "Images  à la Sauvette" e dos "Européens" tomai a decisão de seguir o mesmo caminho. [...]
Para lá do génio fotográfico que foi o seu, é inegável que Henri Cartier-Bresson foi um incomparável fotojornalista. [...]
Sempre entendi que os postulados de Cartir-Bresson, uma inefável conjunção entre a geometria do mundo e a pesquisa daquilo que ele chamava "o instante decisivo", vinham dum modo de ver que se aproximava do génio e em relação ao qual, não poderia nunca haver meças. Mas influência houve e se, hoje ainda, posso aduzir uma certa intuição e algum rigor na composição, é a ele que o devo."
(Excerto de Homenagem a Henri Cartier-Bresson)
Índice: Homenagem a Henri Cartier-Bresson - Gérard Cstello-Lopes. | Henri Cartir-Bresson e Gérard Castello-Lopes - D. C. I. | Obras. | Lista de obras. | Biografia. | Traduções.
Gérard Castello-Lopes (Vichy, França , 1925 - Paris , 2011). "Formado em Economia e profissional de cinema, a sua verdadeira vocação, no entanto, seria a fotografia. Começou a fotografar em 1956, em colaboração estreita com Carlos Afonso Dias, com quem partilhou ideias e práticas fotográficas. Desenvolveu, a partir de então, um percurso artístico dos mais relevantes no âmbito da fotografia portuguesa, sendo sem dúvida um dos poucos fotógrafos desta geração com maior visibilidade e reconhecimento nacional e internacional. A sua formação e a sua obra estão fortemente influenciadas por Henri Cartier-Bresson e a este fotógrafo sempre dedicou a sua admiração. Experimentou a encenação no Teatro Experimental de Cascais e foi assistente de realização no filme Os Pássaros de Asas Cortadas de Artur Ramos, em 1963. A sua obra fotográfica seria somente conhecida e divulgada no início da década de 80, uma vez mais através da galeria Ether em Lisboa. Em 2003 o seu trabalho foi objecto de uma exposição retrospectiva no Centro Cultural de Belém, comissariada por Luísa Costa Dias. A partir da década de 80 o seu trabalho foi regularmente exposto em Portugal e no estrangeiro. Foi também um dos membros fundadores do Centro Português de Cinema e fez crítica de cinema em revistas de referência do panorama cultural nacional, como O Tempo e o Modo. Está representado em diversas colecções nacionais e internacionais e expôs de forma regular em exposições individuais e colectivas."
(Fonte: Emília Tavares in http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/artistas/ver/94/artists)
Encadernação editorial, cartonada, a p.b.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€

01 maio, 2022

HISTORIA GENEALOGICA DO GRÁU por um grupo de sabios do Instituto de Coimbra.
Fragmento inedito d'um manuscripto coevo de S. Exª, recentemente descoberto na Torre do Tombo por um sabio cultor de «Antiguidades Aricas» - Torre do Tombo, gaveta 5 maço 8
. Coimbra, Typographia do Gráu, 1905. In-8.º (18x10 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa paródia coimbrã protagonizada pelos estudantes da Universidade, em 1905, celebrando o "centenário" do Enterro do Grau.
"A partir dos inícios do Séc. XIX, era habitual os Estudantes organizarem grandes festas em que celebravam o fim do ano lectivo, uma personalidade ou acontecimento. Estas festas tinham um grande carácter satírico e intitulavam-se de “Centenários”, para imitar os faustosos e exuberantes Centenários celebrados pela Monarquia de então. Os Centenários mais famosos foram o Tricentenário da Morte de Camões em 1888, o Centenário da Sebenta de 1899 e o Enterro do Grau de 1905. Estes Centenários eram festas que duravam vários dias e englobavam saraus poéticos e teatrais, tardes desportivas, touradas e cortejos alegóricos."
(Fonte: https://academica.pt/festas-academicas/)
Sobre este assunto, e com a devida vénia a António Bracons, reproduzimos um excerto do magnífico post intitulado «Aurélio da Paz dos Reis, Enterro do Grau, Coimbra, 1.6.1905», publicado no seu blogue - fasciniodafotografia.wordpress.com:
"O Enterro do Grau foi uma festa académica que teve lugar em Coimbra em 31 de maio e 1 de junho de 1905, poucos anos depois do “Centenário da Sebenta” (1899, pode ver no Fascínio da Fotografia, aqui) e que foi das percursoras da atual Queima das Fitas.
Um exemplo da irreverência e do humor que carateriza a academia coimbrã. Um período de festa a que adere a população da cidade, que ocorre a assistir e participar: nas ruas, das janelas…
Alberto Sousa Lamy, em A Academia de Coimbra 1537-1990, Lisboa: Rei dos Livros, 1990, págs. 168 - 170, narra o que foi o Enterro do Grau e a sua origem. Destaco uma parte:
«A Reforma de 1901 dos cursos universitários (decreto n.º 4, de 24 de dezembro), do dr. Abel de Andrade, acabando com a distinção entre bacharel e bacharel formado (a aprovação no exame do último ano dava direito ao título bacharel formado), e passando o grau de bacharel a ser dado no último ano, foi motivo para a realização, em 1905, do Enterro do Grau.
(…)
Em Abril foi afixado o cartaz anunciador das festas, que se vieram a efetuar a 31 de Maio e 1 de Junho.
No sarau realizado, a 31 de Maio, no Teatro-Circo, foi representada a farsa em verso Auto do Grau, do estudante do 4.º ano de Direito António Gomes da Silva. Justino Cruz fez o papel de Grau, Luís Carlos, o da Sebenta, sua esposa; António Gomes da Silva o de espectro de D. João I, António Mexia, o do Manuel das Barbas; e Augusto Moreira o de Abel, enviado de el-rei.
A 1 de Junho, teve lugar o cortejo fúnebre, com mais de uma dúzia de carros alegóricos, destacando-se entre eles, o ataúde do Grau; e foi posto à venda o folheto intitulado História genealógica do Grau por um grupo de sábios do Instituto de Coimbra.»"
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequena mancha (desvanecida) à cabeça.
"Dos forasteiros em Coimbra por occasião do enterro do fallecido Gráu, augmentado com um palpitante accrescimo que, supposto respeitar a toda a nação portugueza, interessa mais particulamente o coração do actual partido progressista.
Abre logo no começo com uma commovente epistola em fórma de carta do nosso SS. e venerando papa Pio X, e fecha com a nota elucidativa das principaes casas de prégo que actualmente têm n'esta cidade as portas viradas para a rua. - No genero é positivamente a obra mais completa que até hoje foi dada á luz.
Nota Final: custa apenas 100 rs. e póde ser lido por uma creatura em qualquer dos tres estados."
(Vade Mecum)
"Ao Gráu, não obstante a prolixa exiguidade dos textos sobre a sua genealogia chronica, podemos atribuir-lhe uma origem universitaria, congenita e substancial.
Já na idade media e ao mesmo tempo que os espiritos se armavam até aos dentes para atacar a Terra Santa naquillo que ella tinha de mais criticavelmente infiel, se operava lentamente essa transformação empirica dos methodos d'ensino caracterisados até alli pela ausencia completa de congeminencias praticas.
O Gráu é incontestavelmente um effeito avulso desta epocha, como o «Leal Conselheiro» e a «Arte de bem cavalgar toda a sella» foram já dois produtcos simbolicos de incontroversas e quiçá suffocadas tendencias.
É, pois, na sequencia irreductivel da corrente que avassalla os espiritos coevos, que vamos encontrar rasão de sêr do Gráu, o substractum materialisado da sua genése extrinseca.
Por outras palavras e mais claramente: na escala chromatica das instituições anachronicas, o Gráu representa uma tendencia formalista com intuitos mais ou menos solemnes e cathedraticos."
(Escorço perifrastico do apparecimento do Gráu)
Matérias:
Vade Mecum. | Pius X Dei gratia pontifex maximus. | Approbatio. | Escorço perifrastico do apparecimento do Gráu. | Capitulo I; Capitulo II; Capitulo III; Capitulo IV. | Epilogo ou Prologo (á discripção). | Capitulo V.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível